Life's too hard when you're alone
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Notas iniciais
Depois de uma bela noite de sono (é eu já estou a habituar-me aos meus sonhos) nada melhor do que um dia em cheio não? Exatamente, a resposta é não.
Primeiro de tudo é segunda-feira, isso anima logo o espírito de uma pessoa. Segundo eu tenho mesmo de ir à escola, nada de folgas. E terceiro, eu tenho educação física hoje. Eu gosto de educação física, ao contrário de muitas raparigas, mas eu ainda estou toda dorida e o professor Rock gosta muito de jogar ao mata e outras modalidades violentas.
Peguei nas chaves e saí de casa, se tinha que ir para a escola não queria ficar a engonhar no sofá. Tenho que fazer as coisas como se nada tivesse acontecido.
Depois de chegar à sala de Espanhol a Isabella bombardeou-me com montes de perguntas do género: “Onde é que foste?”, “Porque é que desapareceste no meio da festa?”, “Quem é que te levou a casa?”, “Porque é que não me avisaste?”, “Quem era o rapaz giro?”, “Porque é que ele queria saber onde tu moravas?”, “Namoras e não me dizes nada?”. E por ai fora.
– Calma! Isso são demasiadas perguntas logo de manhã!
– Eu quero saber. Eu tenho o direito de saber! – respondeu ela.
– Eu estava cansada e tinha bebido qualquer coisa que me deu a volta ao estômago. Encontrei um amigo meu (amigo??) e ele levou-me para casa.
– Então porque é que tu não lhe disseste onde moravas, porque é que ele teve de me vir perguntar? – esta rapariga é curiosa como tudo bolas.
– Não sei. Eu não me lembro muito bem dessa noite. – menti.
– Olha que ele punha o teu amigo sexy a um canto. – disse ela com uma expressão maliciosa.
– Amigo sexy?
– Aquele teu amigo que sabe dançar… o Jack. – respondeu ela.
– Nem reparo nessas coisas, é só um amigo Isabella. Mas se quiseres um arranjinho com o Jack…
– Não! Eu não quero nada disso! Nem te atrevas Alma. – exclamou ela a corar.
– Sim, sim claro, como queiras. Tu é que perdes. Olha que ele está solteiro há uns dois meses, não tarda nada para outra rapariga saltar-lhe para cima. – disse eu a conter o riso.
– Saltar-lhe para cima? Quem és tu e o que é que fizeste com a minha inocente Alma?
Eu desatei a rir quando ela disse isso. Normalmente quem costumava fazer arranjinhos e esse tipo de coisas era a Isabella, mas desta vez como fui eu ela estava completamente fora da zona de conforto. O que me agradou bastante, é para ela ver o que ela me faz passar cada vez que acha um rapaz giro para mim.
O professor entretanto mandou os alunos calarem-se e a aula decorreu como sempre. Eu a fazer apontamentos e a decorar tudo e a Isabella super atrapalhada e a pedir-me ajuda com olhares suplicantes.
O momento que eu menos queria chegou. Era altura de ter edução física.
Já estava equipada e no campo quando o professor Rock chamou-me para falar com ele em privado.
– Alma e que tal ficares de fora hoje?
– O quê? Porquê? – POR FAVOR EU QUERO FICAR DE FORA!!!
– A diretora disse-me para te dispensar hoje da aula. Era sobre qualquer coisa a ver com um aluno novo.
– Mas isso costuma ser a obrigação do delegado da turma em que o novo aluno foi colocado. Eu não sou a delegada.
– Mas a diretora disse que te queria a ti. Não posso contestar ordens de um superior Alma.
– Sim eu entendo. Eu vou voltar a trocar-me então.
– Não será necessário. Na realidade eu preciso de ti aqui na aula, podes despachar o que tens para fazer com o novo aluno e vir a correr para aqui? Estou a pensar em fazer uma corrida de obstáculos e preciso de ti como corredora.
– Claro, eu vou tentar fazer isso então. – e saí.
Fui a correr para o escritório da diretora Fields, quando entrei senti-me estranha por ser a única ali que estava de calções e t-shirt. Quer dizer, eu estava em educação física, é normal eu estar assim vestida mas mesmo assim era estranho.
A secretária mandou-me entrar no escritório e quem é que eu encontro a falar com a diretora? O meu pior pesadelo. O Jordan.
– Só podem estar a gozar comigo. – amaldiçoei entre dentes.
– Alma! Que bom que vieste tão depressa. Desculpa por ter de te tirar da aula de educação física mas o Jordan disse que te conhecia e eu achei melhor começar as apresentações à escola com uma cara conhecida.
– Que atencioso de sua parte. – disse eu mandando um olhar venenoso para ele.
Eu estava com uma vontade tremenda de o matar mesmo ali. O que é que ele pensava que estava a fazer?
Eu virei-me e comecei a andar dali para fora. Não olhei para verificar se ele me estava a seguir, não precisava porque eu sabia que ele iria atrás de mim.
Fiz uma apresentação rápida e seca da escola, passados 20 minutos eu estava a começar a correr de volta para a minha aula. Já não podia aguentar aquele traste de pessoa perto de mim nem mais um segundo sem o matar.
– Onde é que tu vais?
– Vou para a minha aula. – nem olhei para trás.
– E eu?
– Não quero saber. Desenrasca-te sozinho.
– Alma vá lá, sê um pouco simpática comigo sim? Pelos velhos tempos.
– VELHOS TEMPOS?! Eu dou-te os velhos tempos. Que tal como quando eu descobri que tu andavas enrolado com a oferecida da Mary Marcs, hum? E que tal quando eu soube que tu foste apanhado na casa de banho com a Amanda Riley? Quantas raparigas é que tu fudeste quando andavas comigo? – eu estava tão danada com ele. Eu gritava com ele a torto e a direito enquanto ele recuava com uma expressão de terror no rosto. – Sabes que mais, eu não quero saber. Nunca mais voltes a dirigir-me uma palavra sequer senão eu juro pelos deuses que te mato!
Fui a correr a toda a velocidade para o campo de corrida. Completamente alterada pela cena de à pouco nem dei conta que eu estava à frente da Melinda na corrida. Supostamente eu devia de guardar estes talentos só para mim. Eu quero entrar em nenhuma equipa, quer seja de atletismos quer seja o clube de Ciências. Acabei a corrida e fui sentar-me.
A Isabella olhava entre mim e a Melinda com uma cara de “O que é que acabou de acontecer?”, o professor Rock estava a bater palmas com uma expressão de orgulho estapada na cara, o James estava de boca aberta e a Melinda parecia que os olhos iam rebentar com tanta raiva que ela tinha. Acho que conseguia sentir o fumo que estava a sair-lhe pelas orelhas.
Quando a aula acabou o professor convidou-me para entrar na equipa de atletismo e eu recusei. Ele ficou triste porque eu era uma mais valia para a equipa, mas ele entendeu quando eu lhe expliquei que eu já tinha uma atividade extra-curricular e ter a equipa de atletismo só iria atrapalhar ainda mais a minha concentração na escola.
O que eu adoro no meu horário é que às segundas eu só tenho duas aulas de manhã e uma à tarde. Depois de sair da escola fui direta para o estúdio de dança como faço sempre.
– Foi uma ótima discussão, pena não ter pipocas comigo.
Olhei para trás e deparo-me com o Nathan.
– Andas a seguir-me? E como assim tu viste a discussão? Isso aconteceu dentro da escola, e pelo que eu me lembro nunca te vi nos corredores. – disse eu intrigada.
– Eu tenho as minhas maneiras de entrar. Mas isso não interessa. Estás bem?
– Como se tu te importasses.
– Ouve Alma, eu sei que tu não vais acreditar, mas eu realmente quero saber se estás bem ou não. – e depois começou a murmurar – Devia de partir a cara daquele gajo…
Ele devia era de ficar no canto dele. Tudo bem ele importasse, mas o Jordan é um problema meu. E só eu é que tenho o direito de lhe partir a cara.
– Nathan, foi muito bom encontrar-te e tal mas eu tenho mesmo de ir. O pessoal lá no estúdio está à minha espera. – porque é que eu lhe tenho de dar satisfações para onde é que eu vou? Sou mesmo estúpida.
– Tudo bem, eu acompanho-te.
E fomos a caminhar em direção ao estúdio de dança em silêncio. Foi um silêncio constrangedor, mas eu não tenho coragem suficiente para quebrar o gelo.
Por favor Nathan diz alguma coisa.
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