Life's too hard when you're alone

19 Pesadelos e reencontros


Notas iniciais
Aloha! Então meus amores como estão? Prontos para um capitulo narrado pelo Nathan? Hoje vamos conhecer personagens que fazem parte da vida dele e uma ligação que ele tem com o mundo mitológico para além da Alma e afins. Entusiasmados??? Eu sei que sim!

Nathan POV

Eu estava seriamente a ficar farto de andar. Nem sei se estava mesmo a andar já que tudo o que eu via eram trevas.

Conseguia ouvir alguém a chorar baixinho à distância, uma rapariga.

Por favor que não seja ela, pensei.

Um pequeno ponto luminoso apareceu no meu campo de visão e eu comecei a correr. Quando cheguei mais perto vi uma cabeleira vermelho sangue e uma massa ainda mais negra que as trevas à sua volta. Cabelos escarlate cobriam-lhe as faces e tudo o que eu conseguia ver era um vestido que em tempos tinha sido branco e belo, mas agora estava reduzido a farrapos com manchas do que eu esperava não serem sangue por todo o seu comprimento.

– Porquê? – perguntou a rapariga com a voz rouca e chorosa. Soava-me vagamente familiar.

Tentei aproximar-me mais mas uma massa de trevas mais escura envolveu a rapariga bloqueando ainda mais a minha visão sobre ela.

– Não! – gritou com a voz arranhada – Não te aproximes, não quero que me vejas assim…

Agora tudo o que eu via eram pequenas penas brancas e douradas espalhadas no chão à sua volta mas estas, à semelhança do seu vestido, encontravam-se manchadas de sangue ainda fresco.

– Quem és tu? – perguntei.

– Por favor Nathan, por favor – suplicou encolhendo-se ainda mais – Vai-te embora, afasta-te de mim. Não quero te magoar, por favor, de toda as pessoas…

À medida que os meus olhos se iam habituando à falt de luz eu reparei que aquela massa gigantesca obscura vinha das costas dela.

Será que… não isso é absurdo.

Uma voz vinda do nada e de todos os lados começou a gargalhar.

– NÃO! – gritou desesperada – Nathan sai daqui antes que eu perca o controle.

Ela levantou-se bruscamente com um esgar de dor e empurrou-me na direção oposta e só aí é que eu lhe vi o rosto.

Alma.

Mas não era a rapariga encantadora, sarcástica e doce com olhos azuis claros lindíssimos, pele de porcelana com uma covinhas muito atraentes quando me sorria. Esta Alma tinha a cara ensanguentada e suja, olhos vermelhos selvagens e assassinos com duas linhas desenhadas nas bochechas das lágrimas que caiam-lhe dos cílios. Ela tinha os braços cheios de arranhões e cortes, o vestido rasgado com a bainha completamente banhada em sangue e estampas de mãos também em sangue.

Fiquei perplexo e sem ar, não por surpresa ou espanto, mas sim medo. Medo dela. Daquela coisa que estava à minha frente que se aparentava muito com a rapariga que invadia a maior parte dos meus sonhos e da minha mente.

O braço que segurava a espada dourada banhada em sangue negro tremia, a mesma que ela tinha empunhado quando nos conhecemos. Na outra mão, a que me estava a empurrar o braço, tinha um punhado de penas brancas, como aquelas que agora jaziam no chão, que contrastavam com as que estavam atrás dela amontoadas.

Aquilo eram asas?

Eu sempre a assemelhei a um anjo, mas normalmente esses seres são retratados com asas brancas e belas não negras que transmitem uma sensação de medo e horror. A voz gargalhava ainda mais.

– Nathan faz o que eu te digo. Não me obrigues a tomar medidas drásticas. – ordenou ameaçadoramente com aqueles olhos vermelhos ainda mais mortíferos.

– É ISSO MESMO! – troçava a voz – MATA-O TAL COMO FIZESTE COM OS OUTROS!

Outros?

Ela estremeceu de dor e deixou cair a espada. Apertava a cabeça com força gritando em agonia, caiu de joelhos mesmo à minha frente e eu não mexi nem um musculo.

Foi nessa altura que eu finalmente os vi.

Corpos desprovidos de vida e de olhos vidrados, amontoados atrás dela numa grande poça de sangue.

Os pais dela, aquela rapariga que andava com lobos chamada Thalia, a Isabella, o James, outros miúdos que eu tinha visto na festa e no estúdio de dança, o meu irmão!, um rapaz loiro que eu não conhecia, um homem que era metade cavalo, um rapaz pálido com cabelo e roupas pretas de mãos dadas com um loiro bronzeado de expressões angelicais, um outro que parecia um elfo e devia de ter ascendências latinas, um miúdo com um lençol roxo vestido, um rapaz de cabelos pretos e uma loira, um tigre (???) com uma rapariga pequena com cabelos cor de mel deitada ao seu lado…

Eram tantos corpos…

– SAI DA MINHA CABEÇA! – suplicou ela dolorosamente.

Por uns breves instantes os seus olhos voltaram à cor original, mas logo voltaram a ser vermelhos.

Já não queria saber se a Alma, a minha Alma, ainda estava ali dentro. Eu fugi dela completamente aterrado.

O pavor dominava-me e eu só queria acordar.

– Acorda, acorda Nathan – dizia para mim mesmo – Acorda!

Levantei-me de um salto da cama banhado em suor. Eu tremia por todos os lados sem parar, passei a mão pela cara e cabelo tentando raciocinar o que eu tinha acabado de ver.

Foi o pior pesadelo que eu alguma vez tinha tido.

Dirigi-me à casa de banho no intuito de tomar um duche extremamente gelado na esperança de apagar da minha memória aqueles rostos mortos e cobertos de sangue.

– Acho que não há água fria o suficiente no mundo para isso. – murmurei derrotado.

Tirei a minha roupa e entrei.

* * * * *

Tinha acabado de tocar para a hora de almoço e eu não conseguia tirar aquelas imagens do meu cérebro, era como se tivessem sido gravadas a fogo para eu nunca me esquecer. Por muito que eu tentasse prestar atenção às aulas não conseguia porque a minha mente acabava sempre por viajar de volta ao pesadelo.

Eu tinha visto o meu próprio irmão exangue e com a garganta aberta, não fui capaz de o olhar esta manhã lá em casa com medo que aquelas lembranças me consumissem por completo.

– Nathan? Alô, está alguém em casa? – perguntou-me a Jess abanando uma mão à frente da minha cara tentando segurar o riso – Já tocou querido, vais ficar aí especado ou vens almoçar?

– Primeiro de tudo, pára. – disse levantando-me – Segundo: não me chames querido, isso irrita-me. Terceiro: eu não vou almoçar aqui, tenho outros planos.

– Mas…

– Adeus Jess. – cortei-a e segui porta fora.

Jessica Forest, uma aluna mediana, estatura mediana, beleza estupenda e um nível de auto-estima mesmo muito elevado. Já tentou ficar comigo algumas vezes, mas ela não faz o meu tipo. Ainda por cima pinta o cabelo de loiro platinado, nada bonito de se ver quando se tem uma pele tão bronzeada como a dela.

Saí do edifício de ciências, onde tinha estado a ter aulas de biologia antes, e respirei fundo na tentativa de acalmar os nervos.

Meu, relaxa. É só uma rapariga.

Eu de facto tinha planos, não eras só uma jogada para me esquivar à Jess. Ao chegar ao portão vi um grupo de rapazes, alguns meus amigos, a conversar animadamente e a olhar para alguma coisa do outro lado da estrada.

– Meu tu tens de ver isto. – disse o Trevor – A sério, a coisa mais boa que eu já vi!

– O quê? Andas a olhar para as mamas da tua professora de francês outra vez? – perguntei no gozo.

– Ainda melhor – respondeu o Colt puxando-me – Vê só aquelas duas belezas.

Ele agarrou-me pelos ombros e girou-me de modo a eu encarar o que eles estavam tão fascinadamente a olhar, e a babar também por sinal.

Quase que ri quando reparei de quem se tratava.

– Jesus, olha-me só para ela! É a rapariga mais gira e boa que eu já deitei os olhos em cima! – exclamou o Stefan.

Ela estava sentada de pernas cruzadas em cima do capo de um carro preto e elegante, um Mercedes talvez? Tinha um livro numa mão e uma espécie de faca na outra mão (???).

Os seus cabelos estavam presos num coque desleixado, por isso várias madeixas de cabelo esvoaçavam ao sabor da brisa fria de Outono. Estava vestida de preto da cabeça aos pés exceptuando o casaco cinzento comprido e de capuz.

Eu sorri pelo facto de ela nem reparar que estavam a olhar para ela enquanto girava aquela faca entre os dedos com tamanha destreza que parecia que tinha nascido para aquilo.

– Até o Nathan está apanhadinho pela ruiva! – troçou o Blacke do nada.

– Pois, isso e couves. – limitei-me a responder – Agora se me permitem cavalheiros eu vou bazar daqui para fora que esta escola e vocês já me estão a dar nojo.

– Ui! Calma lá que o Nathan hoje está de mau humor han, tenham cuidado! – disse um deles, provavelmente o engraçadinho do Colt, provocando risos vindos dos outros rapazes que nos rodeavam.

Eu revirei os olhos.

– Não, espera! Queres participar na aposta? – perguntou o Trevor.

– Aposta para o quê?

– Para ver quem é que vai conseguir levá-la para sair obviamente!

Sorri mais uma vez.

– Muito bem, aposto vinte em como eu consigo. – disse.

– Feito! – disseram.

– Vai-te a ela Romeu, vamos lá ver se a Julieta não te dá com os pés. – troçou o Colt.

Fui a andar até ela na maior das descontrações. Não tinha pressas em chegar ao pé dela depois do pensamento repentino que eu tive sobre sangue e olhos assassinos.

Eu devia de estar a uns dois metros de distância dela quando, sem nem mesmo olhar uma única vez para mim, ela atirou a faca na minha direção que acabou por se cravar no chão mesmo aos meus pés.

– Olá para ti também. – disse.

Ela sorriu com o olhar ainda fixo no livro ao seu colo.

Apanhei a faca do chão e caminhei na sua direção.

– Fazes isso a todas as pessoas que tentam falar contigo? – perguntei ao encostar-me ao capo.

– Só quando as quero apanhar de surpresa. – respondeu finalmente olhando para mim.

E não, ela não tinha os olhos vermelhos.

– Aqueles ali são os teus amigos? – perguntou fazendo sinal com a cabeça para o bando de tansos que nos estavam a vigiar.

– Infelizmente sim

– São giros!

Eu olhei para ela em descrença o que, por alguma razão, foi mesmo muito engraçado porque começou a rir-se.

– Vou fingir que não acabaste de dizer isso. – murmurei – Não estava à espera que me voltasses a ligar.

– Nem eu para ser honesta, mas aqui estou eu.

– E aqui estás tu. – repeti olhando-a diretamente naqueles olhos azuis frios.

– Bem… — disse desviando o olhar – Que história queres ouvir primeiro? A Queda da Romana ou As Aventuras da Alma no País dos Mortos?

– País dos Mortos?

– É, eu meio que regressei de lá por isso… mas não te assustes! Pessoas voltam dos mortos a toda a hora no meu mundo.

– No teu mundo, porque no meu elas ficam permanentemente mortas.

– Nem todas.

– O Michael Jackson está morto.

– Nunca se sabe. – disse levantando as mãos em sinal de derrota.

– Vamos no meu ou no teu? – perguntei.

– No meu – respondeu mostrando-me um par de chaves – Este tem mais estilo.

– Posso conduzir?

– Deixa-me pensar… não. – respondeu.

Entrámos no carro e saímos dali para fora.

* * * * *

– Então tu não sabes quem é?

Estávamos agora sentados frente a frente num restaurante muito frequentado por estudantes. Ela comia uma salada de frango como se fosse a melhor coisa da vida dela, enquanto eu comia despreocupadamente as batatas fritas que vinham com o meu hambúrguer.

– Não. – respondeu – Mas eu já te disse que ficas diferente de uniforme?

– Já, já me disseste isso umas três vezes Alma.

– Só estava a confirmar.

Agora sem o casaco vestido eu podia ver as marcas que as lutas deixavam na sua pele, pequenas linhas brancas cobriam os seus braços e também tinha umas poucas na cara. Duvidava que as outras pessoas as conseguissem ver, quer dizer, eu tinha de me concentrar para as ver porque eram praticamente invisíveis.

Ela tinha uma que saía do couro cabeludo até à testa, outra mesmo rente à sobrancelha direita e uma outra na bochecha esquerda que eu julguei que fosse a cicatriz de um soco bem forte que ela tenha sofrido no passado.

A sua camisola dos Pink Floyd não tinha mangas e eu conseguia ver três furinhos brancos em cada ombro, mas decidi não perguntar sobre eles. No lado direito do peito eu conseguia ver uma ligadura a surgir pelo decote da camisola, também não perguntei sobre isso porque adivinhei que tivesse sido aí que ela tinha sido atravessada por uma espada de uma draca-qualquer-coisa.

– Porque é que tens de ir para Roma?

Por uns segundos eu pensei que os seus olhos tinham voltado à tonalidade vermelha e aterrorizadora do meu pesadelo outra vez mas depois ela pestanejou e vi que tinha sido a minha imaginação a passar-me a perna.

– Não é Roma, Roma. Apenas Nova Roma, em São Francisco. O meu pai na verdade é filho do lado romano de Zeus, Júpiter, e ele achou que seria bom ter experiência em ambas as culturas.

– Mas… — encorajei.

– Mas eu não gosto dos romanos e os seus costumes. São demasiado militares e disciplinados e eles misturam filhos de, por exemplo, Marte e Belona com filhos de Vênus e assim. Não respeitam quer Poseidon quer Atena, que para eles são Neptuno e Minerva. Para eles Marte é quase igualmente poderoso que Júpiter. O que é uma estupidez porque Ares é um idiota chapado! – disse elevando a voz na última frase.

Ao longe ouvi um trovão ribombar.

Ela pareceu satisfeita consigo mesma com tal acontecimento.

– Aliás, dez anos de serviço militar obrigatório? Obrigada, mas não obrigada.

– Okay, então Roma está fora de questão.

– Exato, eu agora quero focar-me em encontrar o filho da mãe que me raptou e torturou e depois matá-lo lenta e dolorosamente. Muita gritaria e pedidos por misericórdia também seriam apreciados. – completou com o semblante sombrio e meio psicopata.

– Ceeeerto…

Ela sorriu fazendo as suas covinhas afundarem-se ainda mais nas bochechas. Só aí é que eu vi que a Alma tinha maionese no nariz. Peguei-lhe pelo queixo de modo a aproximá-la mais e limpei o molho da cara dela.

– Obrigada – disse num murmúrio enquanto corava feita doida.

DING!

Ela vasculhou a mochila até encontrar o telemóvel.

Respondeu rápido à mensagem com um brilho nos olhos e colocou-o na mesa.

– Que mais queres saber?

– Achaste mesmo que os meus amigos giros? – perguntei.

– Não! Eu mal os conseguia ver quanto mais saber que eles eram bonitos ou não. – respondeu a rir.

DING!

Vi um nome na tela e não gostei de quem se tratava.

– Pensei que não se pode utilizar telemóveis no acampamento.

– Nem mesmo no mundo exterior, mas alguns campistas têm-nos escondidos nos seus chalés. Mas porque é que perguntas?

– Por curiosidade. – respondi meio seco.

– Estou a ver… sabes agora não é o momento indicado para teres um ataque de ciúmes. É disso que se trata não é. – respondeu com uma sobrancelha levantada.

– O quê? Não sejas ridícula! – respondi de rajada – Porque é que eu haveria de ter ciúmes? Seria um disparate.

– Uh-hum. – grunhiu ainda de sobrancelha erguida.

Eu não estava a ter ciúmes de ninguém, quer dizer porque é que haveria de ter, certo? E daí se ela andar com o tal rapaz que falou comigo ao telemóvel, eu mal a conheço quanto mais.

Bem… aí é que está a questão. Eu de facto já a conheço melhor que os seus próprios amigos de longa data porque eu sei realmente o que ela é e eles apenas pensam que a Alma é uma rapariga excepcional e bonita, er, e diferente. Sim, diferente.

– Mas adiante – continuei tentando disfarçar – tu podes andar por aí com telemóveis e eles não. Porquê?

– Porque eu faço o que eu quero e bem me apetece. Isto atrai monstros? Que venham. Vê se eu me importo. Vão acabar no Tártaro de uma maneira ou de outra. – respondeu friamente.

– Tudo bem, finge que…

– Nathan! – exclamou uma voz do outro lado do restaurante.

– Jessica. – disse eu e a Alma em uníssono.

Eu olhei para a ruiva confuso, ela também o estava. Como é que ela a conhecia?

– Oh meus deuses! – exclamou a Jess surpreendida – Eu julguei que estavas morta! Pelo menos foi isso que me disseram.

– Bom te ver também. – respondeu.

– Como é que vocês se conhecem? – perguntei.

– Ela está na mesma coorte que eu lá no Acampamento Júpiter.

– Alma! – gritou a loira horrorizada.

– O que é? Ele sabe.

– Tu dás-te com esta graeccus imbecil? Sinceramente Nathan, eu já te vi com montes de raparigas debaixo do braço mas nunca pensei que andasses com uma Grace…

A Alma olhava para mim hesitante. Estava um tanto triste mas quando se voltou para a Jessica o seu entristecimento passou a raiva.

– Não tens nada a ver com aminha vida pessoal e muito menos com as pessoas com quem eu me dou. – respondi-lhe zangado.

Ótimo, agora eu vou ser intitulado de idiota que anda atrás de todas as saias que encontrar. Bestial.

– Mesmo assim uma Grace… — respondeu com um tom de repulsa.

– Atenção aí ao tom de voz. A não ser que queiras que eu te corte a língua Forest. – rebateu a Alma de punhos cerrados.

– Tenho de te lembrar que ainda estás em probatio? Basta eu dizer que foste tu quem brutalizou a centuriã e simples assim: a) és exilada, b) recebes uma pena pesada ou c) és morta. E desta vez é para valer. – respondeu num tom ameaçador.

De repente todos os músculos do meu corpo se retesaram e, pelos ombros e maxilar, podia ver que o mesmo estava a suceder com a Alma.

– Se tu, por acaso, disseres o que quer que seja sobre mim à Legião – começou ela com a voz mortalmente calma – eu faço particular questão de lançar todo o Tártaro em cima de ti Jessica. E depois veremos quem diz o que de quem.

– Tu não terias coragem… — disse a loira de olhos arregalados.

– Queres apostar? Basta eu digitar um código e o enviar para o pretor. – ripostou a Alma pegando no telemóvel – E tu acabas morta, loira.

Jesisca saiu do restaurante a correr com uma mão a tentar abafar os seus soluços e lágrimas que ameaçavam cair.

À minha frente a Alma soltou todo o ar que tinha nos pulmões e deixou-se deslizar pelo assento. Inspirou novamente com força, o que lhe deve ter causado dor porque assumiu um esgar nada bonito. Pousou o telemóvel na mesa e escondeu as mãos tremulas debaixo da mesa.

– Ouve…

– Nem comeces. – cortou-me com a voz embargada – Nunca devia de ter-te contado uma única frase que fosse sobre a minha vida, só te estou a envolver em coisas que poderás sair gravemente magoado ou até mesmo não sair delas vivo sequer. Sou demasiado perigosa para o teu cabedal.

Numa tentativa de aliviar o clima eu esbocei o sorriso mais falso que consegui desencadear.

– Perigosa? Por favor, eu já vi hamsters mais maléficos que tu.

– Hamsters maléficos? – perguntou em descrença.

– Isso mesmo. – respondi encostando-me ao assento de braços cruzados.

– Estás tão orgulhoso de ti mesmo que até parece que ganhaste o prémio Nobel de qualquer coisa.

– Até posso ter ganho. – desafiei.

– A sério? De quê, vá desembucha.

– Prémio Nobel…

– Sim?

– Do mais bonito à face da Terra.

Ela desatou-se a rir na hora. Era um som bastante agradável até, melodioso e ao rir já não parecia mais velha do que realmente era. Sempre que estou com ela reparo que é uma rapariga demasiado sério para a idade dela, tem quase sempre a testa franzida e fica constantemente a morder os lábios ou as pontas das unhas.

Esta vida de constante estado de alerta e perigo estão a drenar-lhe as energias e isso é o que a faz parecer mais velha do que 16 anos.

Por falar em anos…

– Quando é o teu aniversário?

– Não gosto de falar sobre isso.

– E porquê? – inquiri.

– Tens de entender que na mitologia os solstícios de verão e inverno são datas importantes e muitas vezes decisivas. – disse com a expressão séria a retornar à sua face – Nascer em certas datas pode ser sinal de bons augúrios mas também pode ser aterrorizante ou preocupante nascer em dias considerados azarentos.

– Então e tu?

– Eu nasci a 21 de dezembro no solstício de inverno. O dia mais sombrio e obscuro do ano e isso, meu querido, não é nada bom.

Notas finais
GOSTARAM? ODIARAM? E então?????? Dia 21 de dezembro hein.... a noticia consegue ser ainda mais preocupante depois do pesadelo que o Nathan teve. Por falar em pesadelo, conseguiram descobrir de quem são os corpos que o Nathan descreveu? Eu posso imaginar que sim... muito chocante eu sei, mas tinha de escrever alguma coisa assim de mais sombria para poder ser o "gatilho" das situações que se seguem na fic. PELAS CUECAS DE POSEIDON COMENTEM!!!! PLEASEEEEE Xoxo, Sarie.