Life's too hard when you're alone
4 Dourado
Notas iniciais
Assim que acabei de almoçar subi as escadas e lancei-me para a minha cama. O Mo veio a correr enroscar-se debaixo do meu braço e começou a lamber-me a mão.
– Também te amo Mo.
Quando estava prestes a adormecer o Mo começa a ficar inquieto, não parava de andar de um lado para o outro. Eu já estava mesmo a ver o que é que ele queria. Ainda ninguém o tinha levado a passear e essa tarefa iria sobrar para mim.
Quando já estava a voltar para casa mais o Mo vejo a Isabella ao fundo da rua. O que é que ela andava a fazer por estas bandas? Quando ela me viu veio a correr até mim.
– Tu nem sabes o que os meus pais acabaram de me contar!
– Que vão te mandar para um manicómio? – tentei a minha sorte.
– Muito engraçadinha que tu andas Alma. Mas não, eles disseram que vão passar a semana toda fora! Sabes o que isso significa não sabes?
– Que vais ficar sozinha?
– Que vai haver festa!!! – exclamou ela aos saltos.
Quando cheguei a casa fui ter com a minha mãe. Não sabia ao certo se ela me deixava ir a uma festa da Isabella, as suas festas são conhecidas por haver sempre muitas bebidas e uma vez até acabou com uma pessoa no hospital. Mas decidi ao menos tentar convencê-la.
– Mãe?
– Diz Alma.
– Então é o seguinte, acabei de esbarrar com a Isabella na rua e ela convidou-me para ir à sua festa hoje às 22h. Posso ir?
Ela ponderou sobre o assunto durante um bocado. Eu já estava imaginar que ela não me deixaria ir e a Isabella iria me convencer a fazer alguma estupidez qualquer, como saltar pela janela ou assim. Já estava a planear a minha rota de fuga quando a minha mãe me interrompeu o raciocínio.
– Já está a cheirar a fumo Alma. Se eu não te deixar ir estou a ver que essa cabeça já tem um plano de fuga por isso podes ir.
Simples assim a minha mãe deixou-me ir. Tenho de fazer isto mais vezes.
* * * * *
Quando o meu relógio apontou as 21h fui tomar um banho. Deixei a água escorrer sobre o meu corpo, algo me dizia que tinha de relaxar todos os meus músculos por esta noite iria ser comprida. Nunca estive mais certa.
Estava eu impacientemente a olhar para o meu guarda roupa a tentar decidir o que vestir até que me lembrei que a mãe era capaz de me arranjar alguma coisa. Fui ter com ela ao quarto e ela mandou-me esperar sentada na minha cama. Passados uns minutos ela aparece com um vestido preto simples na mão, era daqueles chegados ao pescoço que parece que temos um colar, tinha pedrinhas prateadas e douradas no pescoço, era ligeiramente aberto nas costas e atava-se com dois longos cordões pretos, era lindo. E o melhor era que não era um vestido, ela disse-me que na realidade era de calções o que era ainda melhor.
Depois de vestida calcei as minhas sapatilhas pretas com brilhos prateados e fui a correr para a casa de banho. Eu não gosto muito de maquilhagem, só a uso para ocasiões como esta e mesmo assim é o básico, passei o lápis preto e um pouco de sombra brilhante nos olhos. Eu ia buscar o gloss quando a minha mãe me vira o queixo e começa a passar um batom escuro pelos lábios. Olhei-me ao espelho e nem me reconhecia, podia dizer que até estava bonita, a maquilhagem escura assentava perfeitamente bem na minha pele ligeiramente bronzeada.
Peguei no casaco de ganga e saí de casa. Era apenas uma caminhada de 5 minutos até á casa da Isabella, podia perfeitamente ir a pé, mas o meu pai insistiu que depois ele ia lá me buscar.
A festa estava animada, a escola toda em peso tinha aparecido e muitos já estavam mais para lá do que para cá e ainda só eram 22h30. Encontrei o James a tentar falar com uma corredora da equipa da Isabella, mas com pouco sucesso. Pobre coitado. A música estava muito boa até, o que é um bocado estranho porque a Isabella só gosta daquelas músicas melosas.
Eu reconhecia maior parte dos rapazes da equipa de basket, algumas da de atletismo e até os meus amigos do estúdio de dança. A Isabella já tinha assistido a algumas aulas e tinha travado amizade com alguns, especialmente os rapazes, ela diz que um rapaz que saiba dançar é o melhor tesouro do mundo.
Peguei a minha bebida e o Jack puxou-me para dançar. O Jack é um rapaz extremamente brincalhão e simpático, bonito e às vezes é o meu par nas aulas. Adoro a companhia dele, consegue tornar uma situação embaraçosa na maior galhofa de sempre.
– Estás a gostar? – perguntei por cima do som da música.
– Agora que vejo a minha rapariga favorita estou.
– Acho bem. – e ri.
– Sabes que hoje estás especialmente gira?
– Só gira? – fingi estar ofendida. – Podes ir procurar outra neste instante.
– Eu não queria fazer-te corar mas já que insistes. – e depois sussurrou-me ao ouvido – Estás deslumbrante, de longe a rapariga mais bonita desta festa.
– Cala-te e dança.
– Sim minha senhora.
Depois de já ter bebido umas quatro misturas quaisquer que o Jack me ia oferecendo eu tive de ir apanhar ar. A noite estava ótima. Estava calor mas tinha uma brisa fresca para compensar, perfeito. Avistei um rapaz a correr na minha direção e tentei reconhecê-lo, mas sem sucesso. Ele parou mesmo ao meu lado a tentar recuperar o fôlego.
– Estás bem? – perguntei.
– Ótimo.
Depois ouvi um rugido ao longe. A coisa ia ficar feia. Olhei para ele com preocupação, ele parecia um simples mortal, mas mesmo assim tinha atraído um monstro. Não tinha qualquer aura poderosa que o denunciasse. Quando comecei a encaminhar-me para o passeio ele puxou-me a mão.
– O que foi?
– Ouve acho que é melhor ires para dentro, uma rapariga assim baixinha pode se aleijar e ninguém quer ver a tua cara bonita magoada.
– Primeiro: eu não sou baixa. Segundo: eu tenho nome. Terceiro: quem és tu, de onde vens e o que é que há lá fora? – perguntei eu. Queria respostas e agora.
– Isso são muitas perguntas.
– Responde. – disse eu a ficar sem paciência o que quer que fosse estava a aproximar-se.
– Muito bem, sou o Nathan e não há nada lá fora.
– Alma. E estás mentir, eu consigo ouvir o que está na rua. Não sou surda.
Ele começou a examinar-me com mais cuidado. Como se a avaliar se eu era ou não uma ameaça. Eu não estava para joguinhos por isso corri até à estrada. Ele chamou-me e disse para eu voltar mas eu não quis saber. O meu pai tinha me dado a sua moeda de ouro que se transformava numa espada, eu tirei-a do bolso e atirei-a ao ar. Nas minhas mãos agora segurava uma espada de um metro de puro ouro imperial. O que quer que fosse, eu ia acabar com a sua espécie.
Começo a ouvir patas a bater no chão e rugidos cada vez mais audíveis, estava a aproximar-se em grande velocidade. Quando estava a 3 metros de distância eu disparei na sua direção. Era um cão infernal, não é o meu favorito nem era o mais fácil de derrotar e sair ilesa mas tinha de ser, eu tinha uma casa cheia de mortais atrás de mim.
Consegui ouvir ao longe o Nathan a gritar “Estás maluca?”. Bem eu não podia simplesmente deixar aquilo aproximar-se ainda mais. Quando estava apenas a uns centímetros de distância o cão sentou-se. Eu não podia crer no que eu estava a ver, ele acabou mesmo de se sentar? Eu parei de correr e aproximei-me cautelosamente dele. Olhava-me de uma maneira esquisita, como se eu fosse um grande frango de plástico que chia (é eu sei, meio estranho, mas o Mo tem um desses brinquedos).
Do nada ele tinha desaparecido e quando dei por mim estava a voar para o outro lado da estrada. A aterragem foi muito bruta e eu juro que tinha ouvido um estalido qualquer, rolei para o lado a custo e levantei-me de espada em punho. Ele queria brincar? Então vamos brincar. Comecei a correr à volta dele, deixá-lo confuso. Eu consigo ser bastante rápida, tenho de ser se quiser sobreviver, quando ele finalmente olhou para o lado errado eu investi contra ele. Espetei a espada bem fundo no seu ombro, ele uivou de dor e ripostou de volta. Isso custou-me uns arranhões na cara e nos braços, iria muito provavelmente deixar marca, estava a arder bastante mas eu tinha de me focar na luta.
Depois de umas investidas falhadas minhas e outras bem conseguidas da parte do cão infernal eu consegui livrar-me dele. O Nathan decidiu fazer alguma coisa de útil e começou a assobiar, estúpido mas útil. Quando o cão distraiu-se eu saltei para cima dele e cravei-lhe a espada nas costas até ao punho, esperando ter atingido o coração, o que deve ter atingido porque transformou-se em areia e desapareceu. Eu estava consciente devido à adrenalina que corria nas minhas veias, mas gora que a luta tinha acabado a adrenalina estava a ir embora, as minhas mãos estavam a tremer, depois os meus joelhos e quando as minhas pernas cederam ao peso do meu corpo o Nathan rapidamente me agarrou. Eu toda tremia, sentia o sangue quente a escorrer pelas minhas feridas, o meu batimento cardíaco a martelar na minha cabeça, eu queria falar mas as palavras não saíam.
– Shh, está tudo bem agora. – disse ele tentando me acalmar. – Estás comigo, estás segura.
O mundo começou a ficar mais escuro, as minhas pálpebras aparentavam pesar toneladas. Antes de desmaiar lembro-me de estar a fitar uns olhos dourados lindíssimos, lábios carnudos e rosados e ele a dizer o meu nome até que tudo o que eu via era escuridão sem fim.
– Alma…
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