Notas iniciais
[Leloty]: Awn, estou adorando essas piadinhas com jogos. Se os próximos capítulos tiverem algo como Jogo Entre Ladrões ou Jogos Mortais, já sacaram, né? [Nivea]: "Ah, não sei, coloca aí uma letra de música nas notas iniciais mesmo." Então... *imaginem uma letra de música aqui*

Quando Poseidon chegou ao galpão, em cima da hora, todos já estavam prontos. Matando tempo, Apolo e Dionisio ficavam em silêncio sentados no sofá, enquanto Hermes caminhava em círculos pela garagem, conversando no celular. Mas também em silêncio, de braços cruzados, estava Bóreas, parado de pé num dos cantos. A este último, o moreno fez questão de ignorar.

– Apolo, Dionisio, que conversa animada a de vocês! – Poseidon falou com sarcasmo, parando ao lado do sofá quando entrou na garagem.

– Shh, estamos ouvindo Hermes. – falou Dionisio

– Ele conseguiu quebrar o próprio recorde de falar três horas seguidas, praticamente sem pausas. – completou Apolo.

– Héstia de novo? – indagou Poseidon, sorrindo e sentando no braço do móvel

– Sim, não sei como ela aguenta ele.

– Primeiro me explique como nós o aguentamos por tanto tempo. – rebateu Dionisio, enquanto Hermes se aproximava e parava em frente ao sofá.

– Não, eu não... Sim, tá certo. – o loiro falava, sorrindo bobamente ao telefone – Olhe, Poseidon chegou, tenho que ir agora. Sim. Sim.

Os outros três se entreolhavam, todos com a mesma expressão de tédio no rosto.

– Tchau. Não, você desliga! – Hermes ria – Não! Não, da última vez fui eu. Não... Sua vez! Já disse que...

É, não deu tempo de Héstia desligar. Rolando os olhos, Poseidon tomou de uma vez o celular de Hermes, desligando a chamada com apenas um deslizar de dedo. Entregou o aparelho novamente a um Hermes pasmo.

– Pronto, desligado.

Ele não disse nada, continuou encarando o celular com a tela apagada, mas Apolo exibia um sorriso que não conseguiu disfarçar ante aquela cena.

– Então, já que estamos todos aqui, como faremos isso? – perguntou Poseidon, enquanto Bóreas caminhava em direção a onde eles estavam.

– Não é tão complicado. – respondeu o homem de olhos violeta, abrindo um mapa – Os caminhões estarão passando perto do Roseto di Roma Capitale, e podemos abordá-los ali. Para não fazermos um desvio muito grande, vamos nos encontrar pegando o caminho da Via Del Circo Massimo, seguindo em frente até encontrarmos. Nada tão difícil, como falei. O que vai dar um certo trabalho é, de fato, roubar a gasolina. Pensei em descarrilhar os tanques, mas isso poderia acabar em explosão, já que os caminhões vão estar em uma velocidade nada favorável. Logo, não vai ter jeito, teremos que assumir o controle dos caminhões.

– Mas estamos falando de dois caminhões. Como?

– Levamos três carros, o meu, o de Poseidon e o de Bóreas.- falou Apolo — Dionisio vai comigo, Hermes vai com Bóreas.

– Então eu e Dionisio teremos que pegar os caminhões. Certo? – indagou Hermes, recebendo um aceno de cabeça em confirmação – Ótimo.

– Vamos?

– Vamos. – concordou Dionisio, olhando desconfiado para Bóreas. Ele sabia bem que não sairia nada como o planejado.

[...]

Poseidon dirigia pela Via Delle Terme Deciane, logo atrás do carro de Bóreas, quando Apolo, que estava no primeiro carro, ligou. Segurando o celular com uma mão, o moreno atendeu:

– Scartezini.

Poseidon, a partir de agora, fique atento. Dionisio tem certeza de que por aqui será a emboscada que Bóreas armou, então tenha cuidado.

– É só a Interpol, Apolo. Já lidamos com eles antes. – Poseidon sorriu.

É que agora estou um pouco ocupado para tomar conta de você. – a voz do outro lado falou antes de desligar.

Ele jogou o aparelho no banco do lado e olhou em volta. Estava passando ao lado dos finos portões brancos do Roseto di Roma Capitale, bem próximo da entrada da Via Del Circo Massimo. Apolo foi o primeiro a dobrar, e logo que isso aconteceu, já pôde ouvir o barulho dos caminhões acelerando. Opa, aquilo ia ser complicado.

Indo no último carro, Poseidon não acompanhou bem a ação. Apenas viu a Mercedes de Apolo na mesma velocidade do segundo caminhão, correndo lado a lado, para que o vidro da janela do lado do carona baixasse. E ele logo adivinhou o que iriam fazer.

Os caminhões tinham os tanques de gasolina ligados pelos mesmos apetrechos de ferro que ligavam vagões de trem, então havia a cabine do caminhão, um tanque, um pequeno espaço, o segundo tanque, outro espaço e enfim o terceiro tanque. E foi exatamente nesse último que Hermes pulou.

Sim, em questão de segundos ele havia colocado seu corpo para fora da janela da Mercedes e pulado para a escadinha que havia no terceiro tanque, agarrando-se com sucesso às barras de ferro. Nesse momento, Poseidon o invejava; era aquele tipo de ação que queria. Mas fazer o quê.

Enquanto ele assistia do último carro, as coisas ali na frente eram mais complicadas. Hermes havia subido no último tanque, ficando de joelhos ali e apoiando-se com uma mão até conseguir estabilidade. Então se levantou. Poseidon sabia que ele sorria, Hermes era um moleque no corpo de adulto. Aquele vento forte que quase arrancava sua blusa e dificultava que ele se mexesse estava fazendo a alegria do loiro, certeza.

Mesmo assim, ele não demorou ali. Tomando impulso suficiente para ir contra o vento, pulou, pairando alguns segundos sobre o vão entre um tanque e outro para enfim aterrissar no segundo tanque. Caiu de joelhos, esperou para ficar em pé novamente e fez o mesmo até chegar ao primeiro tanque, com louvor. A partir daí, tudo foi mais simples. Hermes pulou para a cabine do caminhão, espreitando próximo a janela para nocautear o motorista e assumir o controle. Normal. Poseidon queria ver mesmo como Dionisio faria isso.

Não que tenha sido muito divertido, oh não. Dionisio, prático como era, fez Bóreas emparelhar realmente ao lado da cabine do primeiro caminhão, surpreendendo o motorista. Não que ele se importasse, claro, porque tudo o que fez foi abrir a porta do carro de Bóreas esticar-se um pouco para abrir a do caminhão e saltar ali para dentro. Em questão de minutos e com apenas um pequeno desvio do carro maior, ele tinha o controle.

– Sem graça. – murmurou Poseidon, rolando os olhos e aproximando-se dos carros de Apolo e Bóreas, que cercavam os caminhões.

Mas, como previsto, aquele havia sido só o começo. No instante em que o carro de Apolo e o caminhão dirigido por Hermes passou pela Via di Santa Maria, quatro carros pretos com o logo da Interpol saíram dali. Ótimo. Os carros da polícia rapidamente saíram da contramão, seguindo no mesmo sentido que os demais. Poseidon sabia que podiam se livrar deles, mas correr com dois caminhões pesados não seria fácil, muito menos seguro.

– Hermes, você e Dio precisam sair do caminho – o moreno falou no momento em que Hermes atendeu a ligação – Fale com Dio, dá para vocês entrarem à direita, na Lungotevere dei Pierleoni. Isso vai facilitar para nós e para vocês, pode até dividir os policiais.

O loiro concordou, fazendo exatamente o que Poseidon havia dito, entrando à direita com o caminhão, sendo seguido por Dionisio e infelizmente por um dos carros pretos da Interpol. Mas eles dariam conta daquilo.

Já onde Poseidon estava, a perseguição ficava mais acirrada. O carro de Apolo ainda liderava, sendo seguido por um da Interpol, que era seguido pelo de Bóreas e pelo de Poseidon, que eram perseguidos pelos dois carros pretos restantes, que estavam a uma considerável distância um do outro, e dessa forma eles chegaram à Ponte Palatino.

Aquele parecia um lugar muito delicado para uma confusão daquelas, com todos aqueles lampeiros bonitos e aquela cerca de concreto baixa que os separava do rio ali embaixo. Ao longe se via um grande prédio laranja, cercado de outras construções, o que significava que as ruas voltariam ao seu padrão romano, estreitas demais para passarem com todos aqueles carros. Então Poseidon viu que teria que fazer alguma coisa. Perto da metade da ponte, olhando pelo retrovisor que ainda era seguido pelos dois carros da Interpol, ele desviou um pouco para a esquerda e freou repentinamente, deixando que um dos carros passasse dele. Uma pena para o motorista daquele carro, que não entendeu o que o moreno pretendia. Passando a marcha e pisando fundo no acelerador, em pouco tempo Poseidon já alcançava o carro que havia deixado passar. Mas ele não ficou atrás, muito menos passou dele, oh não. Sentindo antecipadamente o dano que aquilo causaria a sua Maserati, ele acelerou até que tivesse emparelhado seu carro ao da polícia, para então virar bruscamente para a direita e empurrar o carro preto, jogando-o para a contramão e consequentemente jogando seu carro para o lado oposto, quase saindo da pista por causa do impacto. Isso, por pouco, não causou uma enorme batida do outro lado, mas ele não se importava. Retomou o controle, estabilizou o carro na direção certa e seguiu atrás de Bóreas.

Na hora de sair da Ponte e andarem pela outra banda da cidade, outro fator favorável: o tráfego. Tantos carros haviam naquelas ruas estreitas que foi quase milagre Poseidon e os outros não se perderem. Por sorte, conheciam bem aquelas ruas. Para azar dos policiais, Apolo e Poseidon conheciam aquelas ruas bem por demais, e se meteram ali no meio, virando à esquerda numa ruela e deixando que os dois carros da Interpol continuassem em linha reta pela Lungotevere Ripa, atrás de carros parecidos com os deles e, por uma feliz coincidência, das mesmas cores.

Quase respirando aliviados, dirigiam por essa ruela, Apolo na frente, Bóreas deixado propositalmente no meio e Poseidon atrás. Parando em cima da calçada, Apolo desceu do carro, indo até o de Poseidon, a fim de falar algo sobre ligar para Hermes e resolver o lance dos caminhões. Mas foi um tremendo vacilo.

Bóreas, já vendo que havia perdido sua credibilidade e provavelmente deixado cair seu disfarce, não parou. Pisou fundo, seguindo reto pela rua, em alta velocidade. Poseidon não pensou duas vezes.

– Entre no carro, nos encontramos quando pararmos o engomadinho. – falou num tom autoritário que ninguém ousaria falar com Apolo, mas que era justificável. A disputa com Bóreas era pessoal.

Apolo concordou, correndo de volta para sua Mercedes e ligando o carro novamente. Bom, Poseidon que não iria esperar para ver Apolo saindo, passou a marcha e acelerou, deixando o loiro para trás.

O caminho era todo em linha reta, em ruas sempre estreitas, o que complicava muito a vida do moreno. Bóreas estava com certa vantagem, graças ao motor potente do Zenvo, mas Poseidon se aproximava mais a cada minuto. Não sabia onde iriam chegar com aquela perseguição gato-rato, porque aquela rua poderia cortar Roma quase inteira sem dar espaço para ultrapassagem uma única vez. Ótimo.

Então o erro fatal veio quando Bóreas virou à direita. Ha. Poseidon sorriu de canto, aquela rua era sem saída, sabia que não levava a lugar nenhum e não tinha nada alam de casas antigas e prédios vazios. E era exatamente o que via à medida que se aproximava. Poseidon ria sozinho só de imaginar a reação de Bóreas ao ver a encrenca na qual havia se metido. Ah, ele adorava aquilo.

Quando finalmente chegaram à pequena área retangular que não levava a lugar nenhum e era cercada pelas casas e por dois prédios desocupados nas extremidades, ele sabia que aquilo estava para acabar. Mesmo assim, Bóreas não diminuía a velocidade. Mas porque diabos...? Então ele viu o que Bóreas ia fazer, e riu alto.

É, pelo menos você tem garra. Pena que já tenha perdido essa, Poseidon riu sozinho. Perdeu no momento em que apareceu nas nossas ruas.

O Zenvo tinha sido guiado para a esquerda novamente, indo com toda velocidade na direção do prédio abandonado. Fazia sentido, havia uma porta grande na entrada, uma porta grande nos fundos. Aquilo costumava ser um restaurante, se Poseidon não se enganava.

E ele fez exatamente o que Poseidon previu. Entrou brutalmente no prédio, esperando passar para o outro lado. Mas isso, ele não deixaria acontecer, não mesmo.

Poseidon seguiu o carro, entrando também Np antigo restaurante, agradecendo mentalmente que estivesse todo vazio e não tivessem muitos obstáculos para se desviar. Portanto, logo que teve espaço para dois carros, ele acelerou o máximo que podia ultrapassando Bóreas a apenas alguns metros da saída dos fundos. Avançou mais um pouco e, enfim, girou, parando e interceptando a passagem do outro.

Bóreas foi obrigado a parar.

O policial saiu do carro com uma arma em punho, bufando enquanto caminhava em direção ao carro de Poseidon, que saía da Maserati com sua colt já apontada para o peito de Bóreas.

– Você está ferrado. – o moreno sorria ao pronunciar cada palavra – Pensou mesmo que podia nos enganar?

Bóreas nada dizia. Não se importava que tivesse a arma de Poseidon apontada para si. Se morresse ali, o levava junto.

Então ouviu o destrave da arma. Clic.

Não era da de Poseidon, muito menos da dele.

Chegando para a melhor hora, Apolo havia deixado seu carro do lado de fora do prédio e entrado silenciosamente a tempo de ver aquela cena. E, claro, de interferir nela.

– Nem pense nisso. – a voz do loiro era imperativa, deixando claro a Bóreas o que ele faria sem pensar duas vezes. – Coloque a arma no chão.

Este obedeceu, abaixando-se lentamente para fazer o que Apolo havia dito e ficar de pé novamente. Só então Apolo guardou novamente a própria arma, encarando Poseidon.

– Você sabe para onde levá-lo, Poseidon. Eu vou estar lá esperando. Encontre com Hermes e Dionisio e os leve também.

– Algo mais? – Poseidon perguntou, ainda com a arma apontada para Bóreas, enquanto Apolo saía do prédio.

– Sim. Apenas... Traga-o vivo.

E Poseidon sorriu de lado, ouvindo o roncar do carro de Apolo se afastando dali, para então voltar a olhar para ele. Antes de falar qualquer coisa, Poseidon guardou a arma nas costas, ao que o outro suspirou de alívio. Alívio esse que durou não mais que um segundo, tempo necessário para que o soco brutal de Poseidon o atingisse mesmo antes de ele se dar conta, apagando os sentidos de Bóreas.

[...]

A lua brilhava alva naquela hora da noite, deixando prateado todo o concreto da cobertura daquele prédio de 15 andares abandonado em uma área esquecida de Roma. E de lá se podia ver as luzes fortes da cidade, como Apolo via naquele instante. O loiro, sem qualquer expressão visível, encontrava-se parado na beirada. Seus olhos azuis fitavam o horizonte, os fios dourados mexiam-se pela velocidade com que a brisa gelada batia em sua roupa preta, fazendo bailar suavemente. Abaixo de si, uma queda que mataria qualquer pessoa, ainda mais contando o concreto que esperava quem chegasse lá embaixo. Um passo, um movimento errado e Apolo cairia, metade de seus sapatos estava para fora. E se ele temia aquilo? Não, na verdade, em sua vida, estava acostumado a companhia da Morte as vezes, como em um silêncio daqueles.

Seu olhar agora encarava os quatro carros esportivos estacionados na calçada, tão longe que os transformava em pontos médios, no instante em que a voz séria de Poseidon cortou o som de cadeira se arrastando e gemidos de dor.

– Ele está pronto... Presumo que você vai querer fazer as honras.

Apolo virou-se calmamente para fitar o homem preso a uma cadeira de madeira clássica. A luz fraca da lua deixava Bóreas ainda mais pálido do que já estava, a cabeça jogada para trás e claramente tentando se manter acordado. Hermes o ajudou nisso, jogando um balde de gasolina em seu rosto machucado e sangrando. Bóreas cuspia tudo, tentando não se afogar.

Todos os quatro estavam ali, Dionísio parado mais próximo a porta corta-chamas vermelha, em um de seus ternos e duas pastas em mãos. Os olhos violeta eram tranquilos encarando o horizonte. Hermes, agora se afastara um pouco, sabia que Apolo sempre precisava de espaço e que aquilo demoraria o suficiente para que ele quebrasse outro recorde no Flappy Bird no celular. Poseidon estava calmamente segurando uma arma e a postos caso algo desse errado. Os olhos verdes fitavam Bóreas com seriedade. Mas foi Apolo quem mais assustou Bóreas enquanto se aproximava. Os passos do loiro eram tranquilos, calculados ao para de frente ao homem preso e encará-lo. Ambos estavam sem expressão, mas Apolo pode ver com facilidade o medo nos olhos azuis mais claros do outro, o engolir a seco. Aquilo o fez sorrir fracamente.

– Fico feliz em finalmente conhecê-lo de verdade, Bóreas — seu tom era frio. — Espero que esteja gostando da recepção.

O moreno de olhos azuis completamente encharcado de gasolina ergueu uma sobrancelha.

– Esse é o tipo de tratamento que seus sócios recebem, famoso Apolo?

O loiro inclinou de leve a cabeça para o lado, parecia um leão analisando a caça. Bóreas, um mero antílope da polícia.

– Eu e a Interpol sempre tivemos um caso de amor r ódio, posso entender porque sou tão famoso.

– Você não se parece em nada com o que as pessoas dizem de você.

– Não posso culpá-los, ninguém sobrevive depois de me ver. — Apolo tirou um objeto metálico do bolso que na mesma hora brilhou prateado na pouca luz. Os olhos de Bóreas encaravam aquilo enquanto Apolo encarava as pequenas bolinhas de metal na superfície do objeto de metal. — Provavelmente, você não poderá viver muito... A não ser que nos ajude com algumas coisas, então, irei simplificar. Não sou muito de falar, prefiro ouvir o que as pessoas tem a me dizer... E eu realmente espero que coopere, não gosto de repetir a mesma frase e nem de me sujar. Capitche?

Apolo moveu os dedos dentro do soco inglês que havia colocado enquanto falava. Agora sim, agora Apolo podia ver o medo latente nos olhos azuis de Bóreas. A falta de informações sobre Apolo, além da crueldade e do poder que ele tinha, sempre causava esse efeito em seus inimigos.

Os olhos gelo o fitaram com seriedade.

– Vamos começar... Qual o nome dessa operação e quem mais está nela?

O vento soprava mais forte e mais frio, Bóreas tremia pela gasolina em seu corpo. Mas a determinação nos olhos azuis do outro divertiu Apolo. Sempre teve preferência pelo mais difícil de qualquer forma.

O rosto de Bóreas estava inexpressivo.

– Não sei do que fala, vim para...

– Ele está mentindo. — no mesmo instante em que Dionísio disse com calma essa frase, Apolo socou o rosto de Bóreas com tudo. O som do impacto superou até mesmo o do jogo do celular de Hermes. Poseidon soltou um estalo com a língua.

– Quanto mais rápido ajudar, criança, mais rápido Apolo deixa você ir.

O local em que o a bolas de metal do soco inglês haviam tocado tinha cortado a pele e Apolo teve certeza que Bóreas cuspiu um dente entre o sangue. A adrenalina começava a fluir em seu corpo.

– Vamos mais uma vez, Bóreas... — avisou Apolo — Para quem está trabalhando, qual o nome da operação e quem está nela? Sem mentiras, Dionísio saberá se mentir.

Bóreas ainda cuspia o sangue do dente arrancado no cimento do terraço.

– Dionísio... o melhor informante... Sabem que não vão tirar nada de mim, não sabem?

Apolo sorriu macabro. Eram exatamente essas palavras que ele esperava. Seu interior, o que precisava às vezes desembocar a raiva em algo produtivo, se animou ante tal perspectiva e Apolo não teve como segurar. Somente retirou sua blusa de couro, gostava dela demais para sujá-la de sangue, e jogou para um Poseidon sorrindo de lado sarcasticamente. Todos ali sabiam o que acontecer.

– E lá vamos nós — suspirou Hermes — Palavras erradas, Bóreas.

O homem amarrado sequer teve tempo de processar ou perguntar o que Hermes queria dizer com aquilo, pois no próximo segundo, uma sucessão de cinco murros de soco inglês rasgou, machucou seu rosto. Apolo era rápido, certeiro e sabia em que ponto doía mais sem que impedisse Bóreas de falar depois. O loiro esmurrou mais duas vezes, próximo ao pescoço, deixando-o tonto e atordoado de dor antes jogar mais um pouco de gasolina em seu rosto. Aquilo o fez gritar por arder. A dor agonizava-o, Apolo tinha certeza. Sangue tristemente já sujava suas luvas de couro. Só essa parte que não gostava do seu trabalho.

Os olhos gelo sequer se expressavam diante da mutilação que ele fazia em Bóreas. Poseidon parecia entediado e Dionisio tinha alguns papéis em mãos. Todos acostumados àquilo.

Bóreas gritava.

– Só mais uma chance, Bóreas. Não tenho muita paciência para a polícia.

Bóreas sequer parecia estar ouvindo Apolo. A dor parecia bem superior ao medo dele. E, bem, era a esse ponto que Apolo queria chegar.

– Eu... Eu... Não vou dizer nada... — os olhos azuis do outro olhavam Apolo de forma meio fora de ar. — Não vou te dizer nada. De...desista.

– Ele não vai mesmo dizer, Apolo. — Dionísio se aproximava em passos calculados e calmos. — Será perder tempo com ele e temos outras coisas a fazer. Logo a Interpol vai rastreá-lo, não vale a pena.

Em seu interior, Apolo escutava tudo o que Dionisio dizia e concordava, aqueles agentes eram criados para não sentirem dor e não falarem. Mas, bem, sendo quem ele era, não deixaria a Interpol ficar sem um belo recadinho de aviso e sua mente calculava o que poderia fazer enquanto via Dionísio parar na frente de um muito espancado Bóreas, que sequer uma das pálpebras subia, e dispor uma foto aos olhos azuis dele. Apolo não sabia o que era aquilo.

– Bóreas... — falou Dionisio tranquilamente, como se fala do clima. — O que você sabe sobre essa mulher?

Claramente, ele tentava ver a fotografia, mas não conseguia. Apolo sabia que Dionisio usaria aquela ocasião para descobrir algo sobre ela.

Bóreas riu meio tossindo pelo sangue.

– Me.. Me desculpe se não posso ver.

– O nome dela é Ariadne Schmdit, mora em Miami.

– Sabe quantas Ariadnes...

O tom de Dionísio foi cortante.

– Sabe ou não?

– Mesmo se eu soubesse, jamais falaria para vocês.

Dionísio assentiu e olhou para Apolo de braços cruzados, que também analisava Bóreas.

– Pode se livrar dele, Apolo, é caso perdido. Não vai dizer.

– Meu tempo perdido com um inútil. — Apolo, como quem não tinha gostado de ter recebido aquele presente, começou a puxar a cadeira de Bóreas para uma das extremidades do prédio, sem qualquer dificuldade. — Você me fez gastar meu tempo — o som da madeira contra o concreto era o único som audível a quilômetros. Hermes, ao que parecia, havia cansado de jogar. Apolo somente parou quando esteve na lateral, onde a brisa era ainda mais forte e deixou Bóreas de costa para o abismo que era aquela queda. Seus olhos gelo estavam com raiva. Realmente odiava ter que lidar com pessoas que não cooperavam nas informações. Ainda mais se fossem vindas da Interpol. Os olhos de Bóreas estavam tranquilos. Ele parecia já ter aceitado o que ia acontecer.

– Você tem uma última chance.

O loiro parou de frente a cadeira e, com o pé, a inclinou para trás. Era sua força que segurava e impedia Bóreas de cair. Diante do medo, o moreno cheio de gasolina pareceu vacilar um pouco na ideia. Todos vacilam na hora da morte, Apolo estava acostumado àquilo.

Seus olhos azuis gelo sorriam macabros, incrivelmente, se divertia com aquilo. E, com todo aquele belo cenário, nada podia se tornar mais cômico a vingança contra a Interpol por ter tentado pegá-lo mais uma vez. Eles nunca aprendiam. Bóreas seria só mais um em sua lista.

E o dito cujo olhava para trás, para a queda.

– Tem certeza que não tem mais nada a me dizer, Bóreas?

Os olhos do moreno se desviaram do abismo para os seus. Havia medo, mas havia aquela mesma decisão. É, Dionísio estava certo, Bóreas era um daqueles policiais treinados para aquelas situações, provavelmente um dos melhores. E não diria nada.

Bóreas sorriu de lado, sarcástico.

– Se eu te contar ou não você vai me matar. Qual diferença seria?

Apolo, ainda o segurando daquela forma, deu de ombros, entediado.

– As vezes gosto de ser misericordioso. Mas você não me ajudou, lamento.

– Não, você não lamenta. É um assassino.

Apolo abriu o isqueiro que havia tirado do bolso de sua calça e sorriu para os olhos pasmos e aterrorizados de Bóreas. Sim, ele era um assassino.

– Não, não lamento mesmo, Bóreas.

E com essas palavras, duas ações ocorreram quase que simultaneamente: Apolo jogou o isqueiro ligado em Bóreas que na mesma hora entrou em combustão pela gasolina e empurrou a cadeira para o precipício. E em momento algum, Apolo pensava em fazer diferente enquanto ouvia os gritos de dor e, por último, a queda. De qualquer forma, era só mais um policial em sua vida.

O loiro assistia as chamas consumirem o corpo do homem.

– Precisava mesmo disso tudo? — foi Hermes quem perguntou.

Apolo sequer deu atenção àquilo.

– Dionísio, tem algum documento de Bóreas?

Sem dizer nada, o homem de olhos violeta entregava um conjunto de cinco documentos, entre eles carteira de motorista e identidade. Ao que parecia, Bóreas realmente se chamava assim, não haviam mudado. Devia ser os primeiros casos dele. Um gênio, provavelmente, para colocarem ele atrás de Apolo.

O loiro jogou aquilo pelo mesmo local que havia jogado Bóreas.

– Sim, Hermes... — disse Apolo, frio como usual. — Esse é o recado para Interpol.

Os documentos deslizavam aos poucos pelo ar, sem qualquer pressa de chegar ao dono deles que queimava na calçada. E, cansado de ver aquilo, Apolo se virou, sem os outros, e começou a andar.

– Dio, descubra se Atena sabe de algo sobre isso.

– Não, ela não sabe, já pesquisei.

– E ela disse que amava Bóreas — complementou Poseidon, em tom de deboche.

Hermes suspirou.

– Ela vai ficar sem o namorado. Você deve estar odiando isso, Poseidon.

– Cala a boca, Hermes.

O loiro de olhos azuis continuou andando.

– Vamos embora, a polícia daqui a pouco chega.

– Lá vamos nós, Power Rangers.

E ao som das risadas de Hermes e Poseidon brincando que Apolo começou a descer as escadas. Dionisio logo vinha ao seu lado. Ambos andando em silêncio pela escadaria só iluminada pela lanterna que os dois loiros seguravam. Não havia muito o que dizer, na verdade. Só que havia perdido tempo.

Estavam no terceiro andar quando Dionisio disse baixo, para que Poseidon e Hermes que conversavam alto e rindo não escutassem:

– Sabia que ele não iria dizer nada, e por que ainda assim insistiu?

Apolo não olhou para o homem de olhos violeta. Sabia que ele o analisava agora, assim como havia o analisado antes. Fingiu não saber do que se tratava.

– Bóreas sabia muitas coisas. E ainda tínhamos um recado a dar para a Interpol.

Dionísio riu baixinho.

– Sim, tínhamos um recado. Mas me pergunto até quando vai se enganar ou tentar me enganar.

– Não sei do que fala.

Os olhos violeta eram divertidos, como raramente eram, ao encarar os seus gelo. Droga, Dionísio sempre lia a todos.

– Você sabe porquê você fez, o que você queria... Devia contar a Artemis, ela gostaria de saber disso.

Não adiantava esconder, Apolo sabia, ou talvez não... De toda forma, ignorou o amigo e continuou andando.

– Não importa.

– Se engane, Apolo, tudo ficará mais divertido assim.

E, bem, Apolo não tinha bem o que falar. Sim, ele queria alguma informação sobre Artemis, ela estava o dando nos nervos sem saber quem era ou de onde tinha vindo. Então, ignorou tudo a sua volta, e continuou andando e ouvindo Hermes e Poseidon conversando.

Nada disso importava. A Interpol estava avisada agora com a morte de Bóreas e era tudo o que precisava. Artemis era algo secundário.

Às vezes se enganar é sempre a melhor opção mesmo. Que ela fosse usada agora.

Notas finais
[Niv]: Caros companheiros humanos, eu, Furia Linda da Noite, vim descer e arrasar entre vocês... Awwwwwn, shit, não posso mesmo assistir aquele trailer, tsk... Enfim, humanos... Er, esqueci o que tinha pra dizer. Tinha algo além de que vou conhecer a Lelo daqui alguns dias? Tem? *Niv sentada em cima de Lelo* Hey, tá dando pra respirar ai embaixo? [Leloty]: Nivea, seu nome aí é Nivea. Eu te chamo de Niv, pó parar u.u Eu. EU.u.u E tá de boa, só me deixa viva até a estreia de CTSD pra eu ir contigo, belê? [Nivea]: Feliz agora, é Nivea ali, tsk *te empurrando* Awwwwwn, okay, te deixar viva, tudo bem. Entonce, galera... Ih, sei nem o que escrever aqui. Acho que 'até o próximo' cai bem, né *w* inté, povo.