Lie To Me
2 Confronto
Notas iniciais
Aquilo tudo era muito macio.
Ela não se lembrava de estar assim quando havia batido no cascalho. Sua mente ainda lembrava o modo como o chão pareceu uma lixa, arrancado sua pele, tornando-se ácido. A terra cheia de destroços jamais poderia ser tão...
Seda. Sua testa se franzia enquanto seus dedos doloridos amassavam de leve aquele tecido macio. Aquilo não podia estar certo.
Então, como uma enxurrada, os últimos segundos antes da batida vieram em uma onda enorme. A mulher ao seu lado. O outro carro. Os faróis. A caminhonete. O penhasco. Seu corpo batendo nas laterais do carro até se ver jogada fora do carro, sendo arrastada.
Tinha mais alguma coisa, ela sabia que tinha. Sua mente a forçava a mais.
Olhos azuis, extremamente frios, desligados de qualquer emoção. Ela se lembrava daquilo porque fora a última coisa que vira antes de apagar por completo. Agora se encontrar em um local supostamente de seda...
E havia vozes.
Uma voz feminina suave.
– Será que ela vai acordar? A pancada na cabeça parecia mais feia do que qualquer outro machucado nela.
Outra voz, grave, mas ainda assim respondeu.
– Com Apolo Super-Homem correndo a trezentos por hora para salvá-la, meio impossível que ela não sobreviva.
Risadas se alastraram pelo local.
– Você é um idiota, Hermes. – um riso melódico. – Apesar disso, espero que esteja certo, Apolo vai ter um troço se não conseguir descobrir logo isso tudo.
Uma bufada, irritada. Som de passos próximos a sua pessoa.
Tudo parecia estar desfocado, como se ela dormisse e voltasse do sono toda hora, só dando tempo de puxar algumas ações. Tinha certeza disso ao notar que o assunto havia mudado.
– Então, quando a Dafne apareceu, eu não pude me aguentar. Aquela...
– Vadia. – outra pessoa concluiu o que a mulher dizia em tom irritado. Todos riram daquilo. – E o que você fez, Dite?
– Eu expulsei ela da sua boate, Poseidon, acha mesmo que eu ia deixar aquela... argh, odeio aquela mulher. Não sei como você consegue sair com ela, Apolo, é uma... estúpida.
O próximo tom de voz era frio.
– Dite, ele gosta de algo que ela tem, não dela.
– Santa Prada, vocês ouviram isso? Dio zoando de Apolo? Quantas taças de vinho você já tomou hoje, Dio?
Eram tantas coisas, tantos barulhos. Cada um dizendo algo, cada um conversando com outra pessoa, sua mente em frangalhos não estava aguentando muito bem aquilo. Começava a doer.
Só havia um local calmo: bem ao seu lado.
Ela podia sentir que havia uma pessoa ali, quieta, que também a olhava.
E foi com essa ideia de que alguém poderia a tirar daquela cacofonia de sons que ela forçou seus olhos verdes esmeralda a se abrir.
Receber uma rajada de luz diretamente na pupila não era a melhor ação para alguém que já sentia a cabeça doendo, só que não havia outra saída. A não ser ficar de olhos fechados, mas ela queria saber onde estava.
Saber o que havia acontecido.
Seus cílios piscaram mais duas vezes, as vozes ainda conversavam a desconcertando, e o local tomou forma a sua volta.
Um teto pintado de branco clássico, havia alguns detalhes ali. O pequeno lustre bem feito.
Onde ela estava? Quem eram aquelas pessoas? O que tinha acontecido? As perguntas metralhavam em sua mente e isso doía ainda mais.
Devagar, ela girou um pouco a cabeça, para ampliar seu campo de visão.
Parede de vidro. Prédios lá fora. Um cara de terno com uma taça de vinho parado rente a janela por onde olhava lá fora. Uma garota de longos cabelos ruivos-alaranjados jogada em um divã. Um cara de cabelos loiros sentado no chão e cabeça no colo da mesma.
Girou mais a cabeça para o outro lado. Um cara de frios olhos verdes quase escondido pela escuridão do canto do quarto, de braços cruzados e muito bonito. Deitada perto de sua perna, toda jogada, uma garota muito bonita de longos cabelos castanhos, essa que ria junto do outro casal.
E, então, aquele cantinho quieto e calmo.
Seus olhos se ergueram, como se fosse olhar mais uma vez para o teto, e fitaram o que ela vinha procurando.
O único em silêncio.
Ele se encontrava de braços cruzados bem ao lado de sua cama, claramente já havia notado que estava acordada. Seus olhos azuis gelo a fitavam, sem qualquer expressão igualmente ao rosto.
Era ele. Ele quem a havia tirado daquele lugar e a trazido para o que parecia ser um quarto.
Cabelos loiros na altura da nuca, olhos azuis vítreos, rosto em branco. Sim, era ele quem ela havia pensado toscamente ser um anjo. Não aquele anjo fofo, tava mais para um guerreiro, algo cruel.
Seus olhos verdes sustentavam os azuis dele.
– Onde... – sua voz falhava, sua garganta seca. – Onde... eu estou?
Ele sequer mudou a expressão, mas o silêncio do local foi instantâneo. Agora todos tinham notado que ela havia acordado.
– Está em um local em que eu possa manter os olhos em você, tem algumas respostas a me dar. – tom indiferente. – O que você lembra?
Ela já pode perceber que ele era direto, que não demoraria a querer... informações? Sua testa se franziu, sem tirar os olhos dos dele.
– Informações? Eu... fiz... alguma coisa?
– Você estava dirigindo um Corvette 69 vermelho personalizado e roubado.
– Roubado? Do... que você está falando?
– O carro que caiu do penhasco, aquele carro havia sido dado como roubado há muitos anos atrás e agora estava em sua posse. Como o conseguiu, Artemis?
Carro roubado? Penhasco? Informações? O que ele perguntava? Sua mente ainda estava turva. Pera... Ela olhou confusa para ele.
– Como você sabe o meu nome?
– Você me disse ele.
– Eu... eu não lembro disso... – fazendo movimento errado, ela sacudiu a cabeça de leve, o que a levou a sentir mais dor. – Ai... O que?
Então, a garota bonita que estava estendida ao seu lado se aproximou e a ajudou a deitar mais uma vez. Os olhos verdes dela estavam calmos, divertidos.
Que grupo era aquele? Primeiro, aquele cara anjo-não-fofo e agora aquela garota saída de capa de revista? Onde estava?
– Art, não escute aquele babaca, relaxe. Apolo costuma ficar meio... indelicado quando quer alguma coisa. E, bem, você deu uma verdadeira fatia de bacon pra esse pitbull ai.
Bacon? Pitbull? É o que?
– E você está a confundindo com suas comparações nada a ver. – dessa vez foi o loiro de olhos dourados quem disse, se aproximando também. – Ignore ela, Artemis, e todos os outros...
– Amor...
– Ok, menos a minha garota. – a ruiva lá atrás acenou em sua direção, parecia uma fada. – Aquela é Hestia. Eu sou...
– Hermes... – Artemis disse voltando a fechar os olhos. – Escutei Afrodite dizendo isso. Poseidon é do canto, Dionisio do outro. E... o daqui, é Apolo.
Hermes assobiou, divertido.
– É, você tem boa audição, principalmente para quem acabou de sofrer um acidente e bater a cabeça.
– Hermes.
– O que foi, amor? O que eu disse de errado?
– Você nasceu, cabeçudo — disse Afrodite, com um suspiro derrotado. – Sabe o que estou achando? Todos para fora, vamos, vamos. Apolo vai degolar cada um de nós de não deixarmos ele falar com a garota, e eu ainda tenho que ensinar alguns modos para aquela vadia da Dafne. Então, se estão prezando por suas vidas e suas roupas Armani, fora. Agora.
Houve uma pequena comoção, eles conversando, mas ficou claro para Artemis, quando ela escutou todos eles, mesmo os calados, saírem que Afrodite, mesmo espalhafatosa, tinha algum grau de influência naqueles caras.
O silêncio se instaurou quando a porta do quarto foi fechada com um clique baixo e tudo o que sobrou foi... nada. Não havia qualquer som.
Aquela sensação de pânico começava a querer tomá-la, por isso, teve de abrir os olhos e viu que Apolo ainda se encontrava quietinho ali.
O rosto dele não parecia para brincadeiras no momento em que ele puxou uma cadeira para perto e ficou quase à altura dos seus olhos.
– Artemis... – seu tom não deixava espaço para rodeios. – Você vai responder a cada pergunta que eu disser. Estamos de acordo?
– Mas...
– O que você lembra do acidente?
É, ela não tinha saída mesmo. Suspirou.
– Eu lembro de que havia alguém nos perseguindo... Algum carro... Mas apareceu uma caminhonete... Ela pegou na lateral do nosso carro e descemos ladeira abaixo.
– Nós?
– Sim, eu e uma mulher.
– E de quem era o carro?
Artemis forçou um pouco a mente.
– Dela, o carro era dela.
– Quem era ela?
– Eu... eu não lembro.
Os olhos azuis continuavam daquela forma quieta na hora que Artemis o encarou confusa.
– De onde vinham?
– Eu... eu não sei... não...
– O que você faz? Quem é você?
– Eu... eu não sei... eu sei... – como se sua mente fosse um ouriço e tivesse acabado de tocar no espinho errado que fez todos os demais espinhos expandirem, uma onda de dor alastrou por sua cabeça. Foi impossível não gritar. – Eu não sei... não sei...
– Quem era a mulher no carro?
– Eu não sei... eu não... – um nome. – Hera.
– Hera? Qual o sobrenome dela?
Ele não estava vendo que estava doendo? Porque estava continuando com aquelas perguntas? Mas, para aliviar a dor e se livrar logo dele, ela disse com voz trêmula.
– Hera... Sidersky.
O silêncio que se seguiu surpreendeu ela, não apenas pelo fato de ter deixado sua mente um pouco mais dolorosa sem mais nem menos, como também por ele ter parado. Seus olhos verdes encararam onde ele estava somente a encarando.
– Hera Sidersky – repetia ao caso de ele não ter escutado. – Esse era o nome da mulher.
E ele riu. Riu muito. Ela não estava entendendo, não havia dado a informação que ele queria? Ao que parecia, aquilo estava muito mais divertido para ele do que para ela, sua mente ainda estalava em dor.
Ela não soube quanto tempo ficou ali, vendo ele rir, o sorriso parecia algo estranho a ele pelo visto, mas assistiu a expressão dele mudar de divertido para um extremamente mortal assim que parou. Aquele olhar arrepiava os pelos de sua nuca, seu sinal de instinto de sobrevivência estava disparado, no vermelho.
Ele parecia... muito perigoso.
– Eu não sei que jogo está jogando, Artemis, não sei quem você é, não sei de onde veio e nem o que pretendia fazer aqui. Mas... esteja avisada... – ele segurou seu queixo forçando-a a olhá-lo nos olhos. Ele não brincava. – Eu odeio pessoas que mentem, Hera Sidersky esta morta.
– Como você...?
– Ela era a minha mãe, acredite, eu sei. Então, acho melhor você parar ou as consequências serão piores do que você possa imaginar, você não sabe no que está se metendo. Se eu fosse você, Artemis, eu parava com essa brincadeirinha, dizia a sério e iria embora antes que eu mude de ideia.
A dor na cabeça de Artemis disparava, sua mente queria lembrar algumas coisas, se defender, mas quanto mais tentava, mais doía. Ela soltou o queixo da mão dele, com raiva, mas esqueceu-se que estava fraca e teve que apoiar as mãos no colchão para não bater com a cara nele.
Que droga estava acontecendo?
– Diga a verdade agora, Artemis.
– Eu... eu estou dizendo a verdade. Ai, ai.
O suspiro impaciente dele foi alto.
– Está avisada, Artemis.
Assim, com essas palavras, ela escutou ele se levantar de onde estava e se dirigir para a porta, os passos abafados pelo que devia ser um tapete, um ritmo calmo.
Por que ele não acreditava nela? Estava dizendo a verdade! Por que aquilo doía? Ela queria perguntar, mas antes mesmo de ouvir ele sair, a dor lacinante a subjugou e Artemis se deixou cair na cama, apagada.
[...]
Depois de serem enxotados por Afrodite, Poseidon e Hermes se afastaram dos outros para falar sobre o que estava acontecendo ali. O moreno ainda estava um tanto indiferente àquela movimentação, mas Hermes o bombardeava com perguntas.
– Você viu a expressão dele quando entreguei a Torre Eiffel que estava no carro? Ou quando a garota apagou? Apolo está mais intrigado impossível, cara.
– Faz sentido, afinal... Acho que ele espera que essa garota tenha todas as repostas que ele procura.
– Provavelmente. Ele não vai deixá-la em paz.
– Certo, mas isso é problema de Apolo. Se ficarmos pensando nisso, tenho certeza que você vai querer se meter, e daí já sabe o que acontece. — Poseidon sorriu de canto, seu sorriso habitual de deboche. Então pararam de andar, estavam no exterior do galpão, encarando uma rua vazia e mal-iluminada à frente. — Enquanto isso, acho que temos coisa melhor para fazer.
Hermes também sorriu, assentindo em silêncio ao olhar para os carros estacionados ao lado e adivinhar o que o outro estava pensando. Sem mais conversa, Poseidon foi até sua Maserati, entrando num pulo pela janela do carro e sendo seguido pelo loiro, que entrou no próprio carro. Tão logo os motores começaram a roncar, ambos dirigiram até a estrada, um de cada lado da faixa amarela que cortava a pista.
– Não muito longe daqui tem aquele posto que Hefesto leva os carros de vez em quando. Que lá seja o marco de chegada então. Mas como marcaremos a largada? — Poseidon perguntou, baixando o vidro para encarar Hermes. Oh-oh. Foi tarde demais que ele notou o sorriso maroto no rosto deste, que nem se deu ao trabalho de responder e saiu dali cantando pneu. Poseidon riu sozinho, seu instinto competitivo dando as caras, tratando logo de passar a marcha e acelerar, indo atrás de Hermes sem perder tempo.
É hoje que vou te fazer comer poeira, Garoto de Ouro, pensou com um sorrisinho, pisando fundo.
A mente de Poseidon logo calculou em quanto tempo passaria de Hermes, que tinha alguns metros de vantagem. Mas ele também sabia que, infelizmente, o motor de sua Maserati não ajudaria muito numa corrida contra Hermes. Mesmo assim, não se daria por vencido. Quase podia ver o sorriso de Hermes enquanto ele acelerava e se aproximava, apenas para que o carro do loiro ganhasse uma velocidade maior e aumentasse a distância entre eles. Aquilo estava parecendo uma perseguição de desenho animado, o que já estava enlouquecendo Poseidon. Quanto mais ele se aproximava, mais Hermes corria, e pelo visto seria assim enquanto permanecessem em linha reta.
No entanto, felizmente, Poseidon viu uma curva mais à frente, que para sua felicidade era um tanto fechada, e ali percebeu uma única chance de vencer aquela corrida.
Torcendo para que o outro mordesse a isca, Poseidon passou a marcha e desacelerou, ficando logo para trás. Por alguns segundos Hermes continuou avançando, mas em algum momento acabou reduzindo também, o que fez Poseidon sorrir. Sim, ele havia caído.
O fato é, por mais que jamais admitisse em voz alta, Poseidon não era o melhor em drifts que havia na equipe. E, inconformado, ele havia gastado seu tempo livre observando Apolo e Hermes quando faziam essa proeza e praticando. Mas Hermes não sabia disso, e aquela era a hora de ver se todo o treino havia servido para algo.
Sua mão direita estava preparada sobre a marcha, a outra apertando o volante enquanto esperava ansiosamente o momento certo. Faltava pouco para que entrassem na curva, e Hermes já não estava muito à frente. Poseidon o conhecia bem, sabia que ele estaria no mínimo curioso, além de convencido de que venceria tão facilmente que não precisava estar muito longe.
Ledo engano.
Ele contava mentalmente os segundos, torcendo para que Hermes não percebesse antes o que ele pretendia fazer.
Três. Dois. Um.
A partir daí, Poseidon agiu automaticamente. Passou a marcha, tratando de dirigir com as duas mãos enquanto pisava fundo no acelerador. A velocidade logo o fez esquecer que qualquer erro de cálculo ali poderia ser fatal, e ele quase podia sentir a adrenalina sendo liberada aos montes pelo seu sangue. Então, no momento exato em que deveria entrar, Poseidon girou o volante para a direita, pisando imediatamente no freio e girando o carro para a esquerda, como se fosse sair da pista. Mas não, antes que isso acontecesse, girou novamente o carro para a direita, da maneira mais brusca possível. E, para espanto não só de Hermes — que já estava bem para trás — mas do próprio Poseidon, deu certo. O carro havia se estabilizado, estava seguindo novamente em linha reta, direto ao posto que marcava a chegada. Então foi só acelerar.
Quando parou o carro no posto, com um sorriso completamente convencido no rosto e as mãos suadas, Poseidon apenas esperou, bebendo uma garrafa gelada de água que pediu para o frentista levar enquanto Hermes não chegava. Este estacionou sem a menor pressa, saindo do carro com uma expressão brincalhona.
– Andou treinando, foi?
– Não, já nasci bom em tudo. — Poseidon deu de ombros — Só precisava tentar.
– Ah claro. Me pegou dessa vez, garotão, mas sabe que vou querer revanche.
Poseidon riu um pouco, oferecendo a garrafa d'água para ele enquanto saíam do caminho para outro carro entrar ali. O moreno, que curtia aquele tipo de carro, reconheceu logo. Era um Zenvo ST1, preto e elegante. Mas foi quem desceu do carro que realmente interessou Poseidon.
Ela era loira. Loira, com cachos dourados e corpo escultural. Essas, pelo menos, foram as características que ele notou de primeira. Então percebeu que ela tinha uma expressão incrivelmente fria, e lembrou-se que já havia encontrado aquela mulher antes.
Enquanto ele observava a cena, desceu do carro um sujeito alto e forte, vestindo um terno risca-giz, mas Poseidon não olhou muito para ele. A loira entregou uma maleta cinza para o homem, e virou-se para olhar em volta, e foi nesse momento que notou o olhar de Poseidon. Ela não desviou o olhar, encarou-o, e ele quase podia sentir aqueles olhos incrivelmente cinza reconhecendo-o também.
Sorrindo de modo presunçoso, Poseidon caminhou até onde eles estavam, parando ao lado do carro e encarando o homem de terno, que entregou novamente a maleta para a mulher, observando Poseidon com certa desconfiança.
– Cara, você tem uma máquina tão bonita quanto a sua mulher. — ele falou, sorrindo de canto e gostando da reação do outro, que franziu os lábios e cruzou os braços.
– Entendo tão bem de carros quanto de mulheres, obrigado.
– Muito bem então. Espero que entenda mesmo e saiba cuidar de ambos, porque as duas coisas podem ser tiradas de você por essas bandas.
– Tiradas?
– Ora, não se faça de tolo. — Poseidon riu — Um carro desses por aqui? Você veio correr, certo?
O homem pareceu ser pego de surpresa, e logo virou-se para encarar rapidamente a loira, que assentiu minimamente com a cabeça. Ele então voltou a olhar para Poseidon e perguntou:
– O que sabe sobre as corridas?
– Sei que facilmente venceria você em uma.
– Não, falo sério. O que sabe a respeito?
– Procure por Poseidon quando tiver coragem de correr. E, de preferência, leve sua garota. — o moreno falou, ignorando a pergunta do outro e dando uma boa olhada na loira, o que provocou um rolar de olhos na mesma. No entanto, o homem estava se aproximando de Poseidon, irritado, e ela interferiu, tocando o braço dele e chamando:
– Vamos, Bóreas. Temos coisas importantes para resolver.
O cara, Bóreas, olhou para Poseidon uma última vez antes de se virar e entrar no carro novamente com ela, para logo saírem dali.
– Mas você é um encrenqueiro mesmo, não é?
– De carteirinha. — Poseidon sorriu, voltando para onde Hermes estava e tomando a garrafa d'água da mão do loiro.
– Não entendo qual a necessidade de ir irritar um cara que você nunca viu e talvez nem veja mais, Poseidon. Acha mesmo que ele vai aceitar o desafio?
– Não, mas de uma coisa tenho certeza: Não é a última vez que os veremos.
– Ou então você acredita nisso porque achou a loira gostosa e adoraria vê-la de novo. Estou certo?
Poseidon riu baixinho, se apoiando de novo no próprio carro e negando com a cabeça. Hermes entendeu e riu também, concluindo com um repetido "Você não tem jeito, Poseidon".
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