Notas iniciais
[Leloty]: Então, no capítulo em que tecnicamente deveríamos nos desculpar pela demora, essa mala sem alça da Nivea me empurra pra falar a maior parte *rola os olhos* Anyway, awn, demoramos milanos, mas viemos postar HAUSHSU sacomé, rotina apertada, realmente tá complicado. Aliás, não que alguém se importe, mas olha que lekal, começou a ONHB com suas milhões de questões e textos enormes, e eba, cadê tempo? Ah, enfim. Realmente temos que programar esses capítulos. Anyway, desculpas dadas, deixo que a Nivea se explique/fale algo útil aqui *dá de ombros* MAS AH AH NÃO Antes, só tenho que agradecer a Day por ter me lembrado de lembrar a Nivea de postar Pronto, agora sim, Nivea, o palco é seu *joga purpurina* [Nívea]: *rindo* Eu? Algo util? Lelo, eu tô é ferrada, por favor né *ainda rindo* Entonce, pessoas fofas, eu não tenho palavra para dizer além de: tô fudida. Sim, essa palavra fofa ai mesmo. Trabalhos, provas, matérias, agora arrumei um estágio de verdade *------* em um museu *----* ou espero ter arrumado, não é o máximo? Poisé, junta isso com minhas noites viradas, sem tempo para nada e Lelo que o diga, mal conseguindo falar com ela T.T na vdd, com ngm, sooooooo... É, não tenho como me desculpar *ri* tô ferrada e ponto. Vai nessa, Lelo. [Leloty]: Sim, quase me sinto trocada pelas monografias e textos e horas de aulas chatas de nomes chatos T.T É, saudades vida social, somos duas fudidas aqui *rola os olhos* Enfim, enfim, who cares? Temos aqui um capítulo-caixinha-de-surpresas que vocês vão aaaadorar, então não se demorem mais se informando dos nossos suspiros aqui e simbora ler :3 até as notas finais, guys o/

Poseidon foi cedo para o Galpão naquele dia. Não tinha conseguido falar com Apolo depois da corrida da noite anterior, e havia assuntos que precisava tratar.

Então, como sabia que ele provavelmente estaria na garagem olhando se havia qualquer dano na sua tão querida McLaren, o moreno se dirigiu até lá.

Ao chegar no prédio e entrar na garagem comum, Poseidon sorriu de canto. Olhou para a porta de vidro que barrava o corredor, tocando-o de leve e vendo a caixinha touch aparecer ali, para que ele digitasse a senha.Em modo automático ele digitou os números aos quais estava tão acostumado, vendo a porta deslizar para o lado e enfim ver a garagem deles.

Dionisio estava estirado no sofá de couro que havia ali, lendo um livro qualquer enquanto Apolo checava o motor de seu carro, Hefesto o ajudava e Hermes estava sentado no chão, falando algo.

– Eu já mencionei o quão legal é termos uma garagem separada? — Poseidon perguntou, fazendo os outros perceberem sua presença ali. — Arrasou nessa, Dio.

Dionisio deu de ombros, como se dissesse que todo aquele sistema tecnológico não era grande coisa, e voltou a ler o livro. Normal.

Já Apolo parou o que estava fazendo e olhou para Poseidon, enquanto limpava as mãos sujas de graxa na própria camiseta.

– Então, Poseidon, Atena foi lá com a mercadoria? — o loiro perguntou, ao que Poseidon assentiu com a cabeça, colocando as maletas que Atena havia entregue a ele em cima do sofá, mais precisamente em cima de Dionisio, que pulou dali ao sentir aquele peso todo em em seu peito.

– Sim, aqui estão as armas. — Poseidon falou — Cuidado aí com elas, Dio, quase que você derruba agora.

Dionisio rolou os olhos, dando um sorrisinho sarcástico para Poseidon e procurando uma poltrona vazia para sentar, ali perto do carro de Apolo, ao que Poseidon aproveitou e colocou cuidadosamente as maletas no chão, deitando-se no sofá.

– Mas Apolo, pra quê tantas armas? — indagou o moreno, devidamente instalado e confortável.

– Negócios, Poseidon, negócios.

– E por falar em negócios... — Hermes pegou carona no assunto, ficando de pé e começando a caminhar pela sala — Eu fiquei sabendo de um circuito de corridas esses dias, e achei que seria uma boa ideia participarmos.

– Péssima ideia. — Apolo falou, voltando a mexer no motor do carro.

– Mas tem uma quantia alta como prêmio, além do fato de que pilotos realmente bons estarão participando, Apolo! É uma oportunidade única, seria...

– Isso mesmo, falou bem, seria. Porque nós não vamos correr — o outro interrompeu, decisivo, fazendo Hermes bufar.

– Mas... É uma boa ideia... — Poseidon concordou — Até porque eu estou muito a fim de correr. Correr contra o Hermes já é vitória garantida, sabe? Entediante.

– Hey, menos, Poseidon. Ainda não sei como você ganhou aquela de mim. — protestou o loiro.

– Bah, foi fácil. — Poseidon fez som de descaso — Mas de uma forma ou de outra, um circuito seria algo legal, Apolo.

– Por que vocês insistem tanto em ideias ruins? — Apolo suspirou, apoiando-se com os braços no capô do carro enquanto olhava para os dois — E daí se o prêmio é grande? Não precisamos disso, dinheiro não é problema. E bons corredores nós podemos encontrar por aqui mesmo, obrigado.

– Ih, tá com a bola cheia só porque venceu Ares ontem.

– Só me deixe explicar como funciona, talvez você se interesse. — pediu Hermes.

– Não, não tem nada a ver com isso — Apolo rolou os olhos — Em primeiro lugar, sabe quanto custa para fazer a manutenção de carros num circuito? E o tanto de imprevistos que podem acontecer?

– Mas você mesmo disse que dinheiro não era problema. — replicou Dionisio, fazendo Poseidon e Hermes rirem e Apolo olhar para ele com uma expressão de irritação.

– Dionisio é que sabe discutir aqui — falou Poseidon, rindo — fica sempre calado, só abre a boca pra alfinetar.

– Mas ninguém está discutindo — falou Apolo — nós não vamos e ponto final.

– Isso é que é uma pessoa que sabe argumentar — resmungou Hermes, baixo o suficiente para que só Poseidon, que estava ao lado dele, escutasse. — Chato.

O moreno segurou um sorriso, olhando para Hermes e mandando-o calar a boca.

[...]

Devia ser por volta de nove da manhã quando Artemis abriu os olhos verdes e encarou o teto de veios escuros do nada. Seu coração estava a mil. Na verdade, mil devia ser fichinha, tanto que faltava ar em seus pulmões.

Aquele... aquele sonho. A ruiva sabia muito bem porque havia acordado, o sonho que estivera tendo aquela madrugada toda, a levando a ficar tirando cochilos, e finalmente o recordava.

"O sol não poderia estar outra coisa do que se pondo ao oeste, sob uma cadeia de montanhas polvilhadas de neve. Essa brilhava suavemente como se potes de glitter tivessem sem querer caído nela.

De repente, sua mão foi coberta por uma mais quente e bem maior, seus olhos se voltaram para ele e, por eles, viu o homem que sorria de volta para sua pessoa e para quem ela mesma parecia sorrir.

Cabelos negros, pele branca, olhos castanhos suavemente dourados e uma barba que estava clara, que ele teve preguiça de tirar. Dedos enluvados dele deslizaram em seu rosto, em um contato íntimo. Seus pelos se arrepiaram ante aquilo, sua barriga cheia de borboletas.

Ela estava apaixonada por ele.

– O que você achou da surpresa, Art? — a voz dele era rouca e calma.

Sentia que revirava os olhos, como se dissesse "que tipo de pergunta é essa?", fazendo-o rir.

Então, sem ligar ou talvez acostumada a fazer isso, ficou na ponta dos pés e colocou seus lábios gelados aos dele, só um pouco mais quente, no entanto, rachados ao canto. Podia notar que sorria contra a boca dele, o mesmo também o fazia.

– Eu amei, Richardson, obrigada"

Richardson... Richardson... Artemis se sentou na ponta da cama. Ela tinha que recordar mais sobre aquele nome.

Desde a primeira vez que acordara naquela história louca que envolvia um homem frio e estranho e sua turma nada normal, ela percebia que aquilo era importante. Em algum nível, aquilo a interligava à vida antiga que havia sido apagada no acidente.

Mas... O quê? Quem era aquele homem? Ela tinha certeza também que o nome dele não era aquele. Sua mente estalava com força contra aquela barreira que a impedia de chegar a mais informações sobre o tal homem.

– Vamos, Artemis, lembre-se, lembre-se — sussurrava baixinho para si mesma, de olhos fechados, forçando a lembrança a se desenvolver melhor. Seu esforço era visível, sua blusa azul colada em suas costas molhadas de suor, sua respiração que agora que se acalmava...

E, droga, ela precisava lembrar-se daquilo. Precisava, para saber quem foi, quem era, como agia... Mas principalmente, quem era aquele homem.

Será que ele esperava que ela voltasse pra casa?

Artemis prendia as mãos nos cabelos ruivos, mas tudo o que estava conseguindo era mais dor. Bem mais dor em sua mente. Até que aquelas agulhadas na cabeça subjugaram sua força de vontade e ela desistiu com um suspiro audível.

– Droga — rosnou com raiva antes de se colocar de pé para se dirigir ao banheiro, não ficaria assim toda suada e talvez um banho refrescasse sua mente.

Nunca se sabe, um milagre poderia acontecer, a memória dela retornar.

É, não custa sonhar.

Foi só depois da sua demora de meia hora debaixo de um chuveiro quentinho e muito vapor, ao sair já vestida com um conjunto de calça jeans e blusa comum que ela percebeu um fato que já devia ter percebido há muito.

Seus olhos verdes se detiveram na decoração do quarto em que se encontrava. Tons escuros, metálicos e sofisticados. Mas aquela não era a Mansão Bratiliere, ela tinha quase certeza.

Assustada, a ruiva deixou a escova em cima da cama e, com os cabelos ainda pingando, saiu apressada do quarto, dando de cara com um corredor consideravelmente longo, mas não muito, em que sua ponta final havia um elevador aberto. As lâmpadas refletiam nos espelhos do interior da cabine, parecendo ser bem maior aquele local do que de fato era.

Artemis marcou cuidadosamente o andar em que se encontrava — não pretendia se perder — segundos antes de entrar no elevador e olhar para o painel. Era um total de sete números/ letras em dourado contra o fundo verde escuro, quase preto.

O primeiro era um V, seguido de um C, 1, 2, 3 e por último um G.

Pelo que constava, ela se encontrava no segundo andar daquele prédio.

Ela só tinha que encontrar Apolo. Pelo que tinha notado da clara desconfiança dele para com ela, Apolo não deveria estar tão longe ou sequer a deixava sem monitoração.

Provavelmente, nem se quisesse, conseguiria sair daquele local.

Então, a sua lógica foi simples: os números deveriam equivaler a locais com quartos e Apolo aquela hora não estaria mais no dele.

Assim, apertou o C.

O elevador começou a funcionar comum suave solavanco, quase imperceptível enquanto os números em led vermelho subia e desaparecia ao passar os andares.

Artemis se via no espelho quando pouco menos de trinta segundos as portas de ferro voltaram a se abrir e... Bem, aquela era a última coisa que havia imaginado no momento em que escolhera aquele andar. Ela não chegou a sequer se mexer, o medo de destruir algo só de tocar a fez ficar quieta admirando.

Era uma sala extensa em tons brancos e beges, se misturavam, com uma visão privilegiada da parede devidro inteiriço para a rua. O chão em azulejo preto com detalhes formidáveis em azul royal.

Mas o que realmente surpreendia eram as duas enormes televisões de última geração presa as paredes.

No formato L, ao lado contrário da parede de vidro, havia computadores dos mais variados, mesmo algo tecnológico demais até pra ela sobre a mesa ao centro do local que detinha quatro poltronas de couro com cara de confortáveis ao seu redor.

Artemis não se surpreenderia que Bruce Wayne ou Tony Stark se mordessem de inveja.

– Uow — foi tudo o que pôde dizer, sorrindo — Muito legal, essa deve ser a Central... não, não vou nem sair daqui.

E antes que pudesse mudar de ideia, ela apertou a letra G.

Muito diferente de quando havia parado nos outros dois locais, o que ela estava e o C, nesse andar, logo após as portas terem se aberto, ela se deparou com uma parede de vidro a impedindo de ver algo além da parede, daria em um corredor, sem dúvida.

Não precisou ser um gênio para entender que o vidro deveria ser blindado... Artemis parou de frente a ele, vendo brilhar no touch a caixa com os números para colocar a senha.

Uow, aquilo era uma fortaleza tecnológica.

– Dionísio é um viciado compulsivo em tecnologia, não se assuste. Isso daqui não é o Star Trek.

Artemis tomou um susto ao escutar a voz divertida de Hermes. Esse encontrava-se diante dela, do outro lado do vidro, digitando o que parecia ser uma senha bem extensa.

Ela esteve tão absorvida com a tecnologia daquilo que sequer percebera ele se aproximando.

A porta se abriu com um suave clique, deslizando sem pressa para o lado, e Hermes parecia feliz consigo mesmo só por ter conseguido aquilo. Vestia a mesma roupa de Indiana Jones.

– Seja bem vinda aonde toda a mágica acontece, Artemis.

Artemis sorriu de volta, era impossível não retribuí-lo ao aceitar ele guiá-la.

– O que é isso daqui?

– Nós chamamos de Galpão, créditos a mim, obrigado — ele piscou em conspiração.

– Sua mãe não te ensinou que mentir é feio?

Poseidon, que havia dito aquilo, estava deitado em um sofá preto de couro e jogava tediosamente uma maçã para o alto, mas era visível o sorriso sarcástico do homem.

Em uma das vezes em que a fruta estava no ar, Hermes a pegou, sorrindo para a cara do moreno.

– Minha mãe tava ocupada fazendo cookies pra você.

E, pela primeira vez, Artemis via Poseidon soltar uma gargalhada.

Foi assim que notou o eixo daquele grupo ao assistir o modo como Hermes entregava um vinho para Dionísio ou como via ele jogar sua maçã para Apolo que mexia na Mercedes branca dele. Hermes... estranhamente o garoto mais calmo e menos amedrontador dos quatro. Depois de ouvir as histórias que ele havia dito, entendia porque ele era o centro.

Nenhum deles tinha a notado, quer dizer, somente Dionísio. Sinceramente? Ele parecia nunca perder nada de vista.

– Então, como eu dizia sobre o Circuito... — começou Hermes.

Apolo, com metade do corpo debaixo do carro, suspirou. Artemis podia ver a forma que a blusa branca que ele usava estava subindo, mostrando a pistola prateada presa à sua cintura.

– Não comece com isso, Hermes. — a voz de Apolo erafria — Não.

– Você nem me deixou explicar.

– Nem vou deixar. E nem ouse pedir para Afrodite intervir.

– Eu nem pensei nisso.

– E eu sou da CIA.

Tanto Poseidon quanto Hermes riram do tom irônico de Apolo.

CIA...CIA... A ruiva abriu levemente os olhos em surpresa. Havia lembrado o nome! O nome do cara do seu sonho! Por que ela lembrara agora? Não fazia a mínima ideia. Mas sabia. Richardson era o sobrenome.

E o nome era Órion.

Órion Richardson.

Hermes continuava a dizer:

– Eu não ia pedir para Afrodite intervir, sabe como é caro os serviços "beneficentes" dela.

Poseidon bufou de olhos fechados.

– Não me lembre, nem sei como sou irmão daquela boneca esperta e manipuladora.

– Isso... — disse Dionísio, bebendo um gole de vinho -... Se chama karma, Poseidon. Imediatista.

Mesmo Artemis riu da falta de flexão de Dionísio ao dizer aquela frase e foi ai que todos os olhos se viraram para ela. Mesmo Apolo deslizou para o carrinho que estava deitado debaixo do carro, como se quisesse confirmar se havia escutado direito.

O loiro não tinha mais diversão ao encara-la, só que seus olhos verdes não estavam ali. Se encontravam nos braços desnudos dele, cobertos somente por tatuagens muito bem feitas. Como ela não tinha visto aquilo? Ah, sim, ele sempre andava de blusa de frio pelos locais.

Apolo ergueu uma sobrancelha.

– O que ela faz aqui, Hermes?

– Nem vem, não fui eu dessa vez, ela quem apareceu no elevador.

– E você só abriu a porta, certo? — Poseidon sorria sarcástico.

Hermes deu de ombros.

– Fui o perfeito cavalheiro que minha mãe me ensinou a ser, não podia deixá-la travada entre o elevador e a porta, certo?

Dionísio nem dava bola praquilo, mas disse um simples:

– Deveria.

– Afrodite entra aqui, por que ela não poderia?

Apolo se levantava enquanto dizia, sem olhar para ela. Artemis mordeu o lábio, ansiosa. O que Apolo faria?

– Afrodite tem memória e tem nossa confiança.

A cara de desgosto de Hermes comparava-se com a da própria Artemis.

– Ela não fez nada, ficou dias e dias se recuperando... Dê o benefício da dúvida para ela, Apolo. Não concorda, Art?

Sob o apelido dito, os olhos azuis gelo de Apolo viraram-se para encarar os seus verdes, avaliando o que ela diria. Artemis sustentou o olhar dele com determinação.

– Eu estou sem memória, como você mesmo disse. Que mal eu poderia te fazer quando sequer lembro que eu sou?

Dois passos de Apolo cobriam facilmente uns quatro seus, correr dele devia ser difícil. Não que ela fosse fazer isso ao vê-lo para bem a sua frente e segurar seu rosto pelo queixo, forçando-a a erguer os olhos e não desviar o olhar.

Ele era impressionante perigoso, ela sentia isso só com aquela expressão de desconfiança. E o tom azul cobalto indiferente só acentuava isso.

Artemis jamais duvidaria que ele mataria se preciso.

– E se você estiver mentindo? O último que testou minha confiança não teve um fim muito bom.

Ele estava a ameaçando? Ele que esperasse que ela aceitasse ordens dele. Deu um passo para frente, invadindo o espaço pessoal dele para enfrentá-lo. Seus olhos verdes faiscavam.

– Se eu lembrasse quem eu era, porque tudo aquilo aconteceu, pode ter certeza de que a última coisa que eu estaria fazendo era ignorar minha vontade de ir embora e nunca mais te ver nesse exato momento. Ameaça é o jogo mais baixo que um humano pode usar e eu realmente odeio isso.

Dito essas palavras, — ela pôde ver a expressão de choque no rosto de Hermes, mas que Dionísio e Poseidon esconderam ao não temer Apolo — Artemis empurrou a mão dele com força, soltando-se do aperto e deixou a sala como um furacão.

Se ela acreditasse que acor dos cabelos influencia alguém, ela não teria dúvida que o vermelho combinaria perfeitamente com seu humor.

Primeiro, ele a forçava com perguntas sem sentido, depois era estúpido com ela e por último a ameaçava? Apolo só podia estar brincando.

Afrodite chegava naquele instante com um cara e foi assim que conseguiu passar pela porta de vidro.

– Artemis...

A ruiva entrou no elevador sem dizer nada de volta a morena que parecia confusa, muito confusa. Não sabia pra qual andar iria, somente fechara as portas daquela caixa de ferro e ficou fitando os números.

Sim, ela já sabia onde queria ir.

Um pequeno círculo vermelho circulava o C ao apertá-lo. Poucos segundos depois, ainda com raiva, Artemis entrou na sala repleta de computadores. Eram tantos que provavelmente uma pessoa ficaria perdida, mas ela se sentia estranhamente... bem... entre eles.

Ela puxou uma das cadeiras de couro para perto do primeiro da fila, que já se encontrava ligado. Seus dedos digitaram rapidamente "Órion Richardson" na caixa de pesquisa.

Se aquele grupo era o que ela pensava que eles fossem, sem dúvida teria acesso a locais restritos e regalias sem as leis protegendo os arquivos.

Onde ela havia se metido? Como ela chegara ao ponto de estar sem memória? Cuidada por mafiosos?

A ruiva suspirou, mais calma e mais ansiosa no instante em que todas as informações encontradas apareceram na tela.

Abriu o primeiro.

A foto do homem que ela vira em seu sonho foi a primeira coisa que se destacou, seguido de o nome dele em vermelho. O arquivo tratava-se nada menos do que da Segurança Nacional da Alemanha, o logo estampado acima da foto dele como um carimbo.

24 anos. O endereço constando morar em Berlim. Números de documentações, contas, perfil fisiológico, perfil psicológico.Nesse ela clicou.

Trazia uma junção de muitas páginas do psicólogo de Órion. Ela viu o nome dela em uma parte...

"Paciente em conflito sobre o que fazer. Claro cansaço do trabalho, faz expressões de desgosto ao citar algumas missões. Provável causa: Artemis, a noiva que ele costuma muito dizer. Desejo de mudança para criar uma família. Usar método de opções imediatas para o paciente compreender isso, ajudá-lo a procura de mudança de vida."

E assim continuava.

Artemis releu, duas, três vezes.

Noiva... ela era noiva daquele cara que ela não fazia mínima ideia de quem era. Em que merda tinha se metido?

[...]

Como sempre, Hermes estava discutindo com Poseidon sobre alguma coisa qualquer sem sentido. Novidade nenhuma aí, não para Dionísio, pelo menos.

O homem de atentos olhos violeta tomava tranquilamente seu vinho Romanée-Conti enquanto ouvia o que eles falavam:

– Eu ainda acho que Artemis não está mentindo — defendia Hermes terminando a maçã que havia roubado de Poseidon. Este fazia cara de tédio.

– Você gosta de ver o lado bom das pessoas, Hermes.

–E proteger os inocentes — adicionou Apolo, que desde a hora em que Artemis havia saído, encontrava-se de cara fechada e mexendo supostamente concentrado nos novos ajustes e peças do seu carro.

Dionísio encarou a forma tensa que Apolo movia-se, conhecia aqueles movimentos... estava se sentindo ameaçado...

Dionisio sempre fora bom com a leitura corporal, uma habilidade que o ajudava bastante no que eles faziam.

O problema era conseguir notar isso também em seus amigos, quase sempre sabia quando algo estava errado ou mesmo o que havia acontecido antes que alguém contasse a ele.

E já podia ler que a presença e as informações de Artemis estava deixando Apolo mais irritadiço.

Medo.

Dionísio inclinou a cabeça em curiosidade, fitando Apolo que havia acabado de se sentar e o encarava de volta ao sentir seu olhar analítico.

Os olhos azuis de Apolo estavam dilatados, mas não muito como quem está com raiva. Nem como quando está com raiva... Isso queria dizer que...

Tomou um gole do vinho, notando todos os sinais, e disse, cortando o que Poseidon e Hermes diziam, em uma voz impositiva, seus olhos encarando com diversão os de Apolo:

– Você esta atraído por ela, por isso estava com raiva.

Os olhos do loiro se escureceram. Agora sim ele estava com raiva. Apolo odiava ser lido.

Naquele momento, ninguém menos do que a última pessoa que deveria saber disso adentrava na garagem e havia acabado de escutar aquela sua última frase.

Dionísio era conhecido por raramente errar, foi como uma prova.

O sorriso de Afrodite era algo admirável, ainda mais quando alcançava o máximo.

E Apolo olhou para ela já querendo cortar a conversinha:

– Eu não estou atraído por ela.

Ah, a negação, a parte mais divertida de descobrir a verdade antes das pessoas. Aquilo fez Dionísio sorrir minimamente de canto. Afrodite revirou os olhos, mas ele podia ler que ela estava decidida a descobrir aquilo.

– Eu não te culparia se estivesse...

Só de olhar para Hermes via que ele entraria na conversa.

– Até porque ruivas são sexys.

Quase como que chamada do além, Héstia apareceu em um vestido floral e sorrindo para Hermes. Claro que ela tinha escutado aquilo, a satisfação no olhar dela e o sorriso verdadeiro denunciavam isso.

– Awn, ainda bem que você sabe que somos sexys, amor. então, falando do que?

Hermes deu de ombros antes de roubar um beijo rápido dela, também a sorrir.

– Apolo está interessado em uma outra ruiva, também caiu nas graças desses cabelos avermelhados. Só não quer aceitar isso.

Poseidon riu irônico.

– Artemis pode nao ter memória, mas aquele corpo é inesquecível.

Enquanto eles falavam, Dionísio lia as expressões e o corpo deles, e pôde assistir bastante interessado Apolo dilatar ainda mais a pupila, em raiva. A mão esquerda fechou-se fracamente.

Apolo estava muuuuuito interessado naquela ruiva. Admirável.

Afrodite bateu na mão de Poseidon.

– Viu? Até o cabeçudo do meu irmão vê como Artemis é bonita. E bem mais legal que Dafne, só citando mesmo.

– E mais forte que ela também — confidenciou Hermes, abraçado a Héstia — Artemis enfrentou Apolo há poucos minutos atrás. Fazia tempo que alguém não botava moral assim nele, né Posei?

Poseidon sorria maroto, os olhos verdes brilhando em diversão.

– Por isso que Apolo tá doido por ela. Esse daí gosta da coleira, dessa vez achou uma boa domadora.

E Dionísio sabia que zoar Apolo duraria pelo menos boa parte daquele dia. Todos gostavam de em algum nível poder brincar com ele sem que ele fosse ameaçador.

Estava assim, escutando Afrodite rir de algo que Poseidon disse e Apolo revidara entredentes, quando seu celular tocou. Ninguém deu atenção a isso, acostumados que ele estivesse sempre nele.

Dionisio não mostrou nada ao ver quem ligava antes de colocar no ouvido.

– Diga. — odiava ficar muito tempo em ligações.

Seu informante, que já tinha noção disso, não se demorou em amenidades.

– Acesso 312, exatamente agora. Não desativou o firewall.

– Pesquisando?

– Informações Segurança Nacional Alemã, Órion Richardson.

– Interessante.

– Senhor, novas informações.

– Sobre?

– Prefiro que o senhor mesmo olhe. Passarei para o 514 assim que o firewall for desativado.

Se Dionisio usasse expressões, não tinha dúvida de que franziria a testa em confusão naquele segundo, no entanto, tudo o que fez foi se levantar e se encaminhar na direção do elevador.

– Mais alguma coisa?

– Senhor, entrega 12 recebida, dinheiro constando em PS. Nada além.

– Ok, me mantenha informado.

O elevador estava vazio ao entrar nele, arrumando seu terno preto do dia. Tinha caído um pouco de vinho na borda da blusa, odiava quando isso acontecia. Sequer teve tempo de limpar a mancha.

Poucos segundos depois, entrava silenciosamente no andar C.

E, ora, ora, olha quem estava ali?

Aquele cabelo vermelho vivo se destacaria em qualquer lugar, principalmente ali de tons neutros, à frente de computadores brancos.

Dionísio tinha a mão no bolso esquerdo enquanto se aproximava lentamente. Ela estava ansiosa, a perna não parava de mexer. Desconcentrada, nervosa e com medo.

Mas a expressão fácil sempre era o mais incrível. Ela estava... surpresa? O que ela tinha encontrado?

– Divertindo-se com a tecnologia, Artemis?

Os olhos verdes dela se abriram em surpresa, mas ele pôde captar o olhar desolado antes de reconhecê-lo. Agora quem estava curioso era ele.

– Eu... Eu... Não — mentira. Tentava fechar as abas rapidamente — Só... mexendo... em nada, como sabe. Não posso nem entrar no Facebook ou qualquer coisa assim. Não lembro.

Fala rápida, medo, apreensão. Dionísio parou casualmente contra a mesa, de forma a ficar virado na direção dela, apoiando seu peso em um cotovelo e a olhando analiticamente nos olhos.

Sob sua perícia, Artemis engoliu a seco.

– Não é muito... saudável mentir para mim, Artemis.

– Eu não estou mentindo.

– Tsk — Dionisio arrumava a abotoadura do punho enquanto dizia — Apesar de não lembrar, você é inteligente, rápida. Já compreendeu o que somos e o que fazemos. Mas vou lhe explicar melhor... Em toda empresa, não importa qual segmento seja, existem as determinadas profissões para fazer ela funcionar. Está seguindo minha linha de raciocínio, Artemis?

A ruiva em questão não desviava o olhar falsamente ingênuo do seu, ao assentir.

– Sim.

– Então, continuemos... Toda empresa precisa de um líder. De uma mente que junte as demais. Quem seria esse aqui?

– Apolo.

– Certo. Temos do outro lado a contabilidade da empresa, para ela não falir. Como sei que voce não notou ainda, esse é Poseidon.

– Hum... — ela engoliu a seco. Estava a assustando. Bom,gostava dessa reação.

– Então, temos aquele que faz as ligações com a logística para entrega de produtos. E temos aquele quem cuida de todos esses produtos. Sabe quem são?

– Hermes e Hefesto?

Dionísio maldosamente aproximou-se, sem qualquer expressão só a olhando. Sua proximidade a fez recuar na cadeira, procurando uma saída.

Seus olhos violeta sérios nos verdes assustados dela.

– Correto, Artemis... Agora, me diga, o que eu faço nessa empresa? Qual a minha função?

Ela engolindo a seco ficou mais nítido, dava para ouvir.

– Você... Você... Estuda o campo e a bolsa de valores? As...informações?

– Certo... Em poucas palavras — Dionisio voltou a ficar em pé, assim dava espaço para ela passar. Ele já notara a forma como ela estava preparada para isso. Só não afastou o olhar. — Eu tenho que saber tudo o que acontece, Artemis, e eu faço meu trabalho muito bem, por isso nossa empresa funciona. Então, da próxima vez, tente não se perder entre os andares. Eu sei que pode acontecer. O seu andar é o dois, apenas para lembrá-la caso tenha se esquecido.

E ele via o reconhecimento de que aquela era a hora dela ir embora.

Artemis não perdeu tempo, só murmurando uma desculpa e sumindo em um elevador aberto que ainda esperava por ela. Quase podia vê-la respirando fundo e tremendo dentro da caixa de metal, pensando que sobrevivera.

Cada coisa que acontecia... Tinha que melhorar a segurança dali, havia remediado aquilo por muito tempo e olha o que acontecera! Uma criança em seu computador.

Comum bufar, Dionísio, de pé mesmo, começou a mexer no computador atrás do histórico. As últimas dez páginas que ela havia aberto apareceram em sua tela. Todas de Órion Davidson. Ele relia tudo o que ela leu.

– Artemis noiva de um policial alemão. Apolo vai gostar disso... Mas... Isso sim que chamo de surpresa — Dionísio clicou na caixinha que ele mesmo havia criado para achar assuntos relacionados e facilitar seu trabalho. Ela provavelmente sequer tinha notado aquilo. Três pastas diferentes se abriram. Aquilo estava cada vez melhor. Leu o nome de cada arquivo em voz alta:

– Bóreas Lefevre, Atena Scherbítsky e... Ora, ora, Artemis Richardson... Então quer dizer que você é policial? Está me surpreendendo, ruiva. Mas vocês dois eu já imaginava... Tsk, vamos descobrir mais...

No momento em que Dionisio clicou no nome de Artemis, pela primeira vez seu programa não foi permitido de entrar. Mas era quase tão bom que não tivesse aberto, do que se o tivesse.

O logo gigante da Interpol estava estampado como um papel de parede, com a caixinha implorando a identificação. A ideia que provavelmente já se fazia em sua mente tomou forma naquele segundo enquanto mandava imprimir o curriculum e informações de Bóreas.

– Primeiro, vamos ver onde você quer chegar, Atena, o que você quer? — sua voz estava fria — Paciência é o meu dom... Artemis, te avaliarei e, Bóreas... A vida não pode ser fácil para todo mundo.

Seu sorriso cruel crescia a cada palavra. Se eles pensavam que brincariam com eles, estavam muito enganados. Não enquanto Dionisio fosse daquele departamento.

O homem de olhos violeta trancou as informações de Atena e Artemis em uma área especial que só ele teria acesso antes de apagar o histórico. E só aí que foi calmamente pegar os documentos impressos. Seu celular tocou.

– Diga.

– O senhor tem que ver isso.

– Mande.

Em questão de dois segundos todas as duas tvs levavam quatro fotos em cada. De primeira, tudo o que via era uma mulher, até rever os traços.

Rosto fino, líbios finos, olhos castanhos e cabelo preto na altura dos ombros. Ela não passava do seu ombro, magra, naturalmente elegante, mesmo de biquíni naquela praia que, se ele não estava errado, tratava-se de Miami.

– Recebeu elas, senhor?

A verdade era que Dionísio estava em choque. Aquela só podia ser...

– Onde você achou isso?

– Foram tiradas há poucos dias, postadas em um perfil de rede. Estava testando o novo programa de procurar por faces, havia uma foto dela e do senhor no sistema. Ele usou e encontrou isso por acaso.

– Onde fica isso?

– Upload de fotos... Miami, Estados Unidos.

– Procure mais.

– Sim, senhor. Isso é tudo?

– Por hoje.

Tanto era sua surpresa ao desligar o telefone que Dionisio sequer havia notado a presença de Apolo também vendo aquilo até ele dizer, sério:

– Essa é...?

– Sim — seu tom de voz indiferente enquanto por dentro Dionisio borbulhava em confusão e descrença — Tiradas em Miami, há poucos dias.

– Ariadne Schmidt está viva.

Dionísio não conseguia concordar, nem discordar, só podia olhar sem expressão e calado Ariadne, sua ex-mulher morta em um incêndio na casa deles, sorrir para ele, se escondendo do sol em um grande chapéu azul.

E quando ele pensava que nada poderia ficar mais interessante, era aí que o jogo mudava.

Ariadne estava viva e Dionisio estava decidido a descobrir como. Lógico, após dar uma boa lição em policiais da Interpol.

Aquele jogo estava apenas começando.

Notas finais
[Leloty]: Já deu pra notar porque que Dio é nosso Batman? *lixa* Ele é fantáaaaastico no que faz, na boa e, caramba, cês sacaram o começo de reviravoltas super divertidas que se desenrolam aqui? Atena, Bóreas e Artie estão em solo perigoso, rapah. E... Um circuito, hein, Hermes? *sorri de canto* Quero só ver no que vai dar. :3 Enfim, se tiverem gostado, se tiverem odiado, se quiserem falar de pizza ou pôneis, essa caixinha aqui embaixo está disponível para qualqueeeeer coisa que quiserem falar :3