Lie To Me
5 Antigas histórias
Notas iniciais
As ruas de Roma estavam como sempre: lotada de turistas, pessoas indo trabalhar, casais se divertindo. Morar em uma cidade turística sempre fazia Afrodite se deparar com isso.
A morena caminhava calmamente, sorrindo e chamando atenção. As mãos no bolso do seu sobretudo vermelho, elegante como sempre.
Bem, uma verdadeira modelo.
O que ninguém conseguia perceber era que por dentro ela estava puro nervos. Santa Prada, como faria aquela nova coleção? Não tinha nada haver com ela, nada mesmo.
Seu irmão a bateria por pensar tão negativamente sobre si mesma, mas... ela precisava dar o melhor de si mesma, precisava sair a mais bonita. E isso a estava matando.
Se não conseguisse? Se saísse estranha e perdesse esse contrato?
Afrodite se perdeu em pensamentos.
Só ser bonita, sorrir, ser divertida e elegante. Sua mãe te ensinou isso, você vai conseguir. Seja a melhor. Seja a melhor.
Estava a pensar nisso e de tão perdida, somente atendeu o celular que vibrava em seu bolso e o colocou no ouvido, sem ligar para quem era.
– Scartezini.
Um gemido de dor.
– Essa é a minha forma de atender o telefone.
Foi impossível não sorrir de verdade ao ouvir a voz debochada de seu irmão.
– Lamento, dividimos o mesmo sobrenome. Vai ter que dividir isso também, Posei.
–Você iria pegá-lo de qualquer jeito – suspiro — Já saiu de casa?
– Estou nesse momento chegando perto do trabalho. Aconteceu alguma coisa?
– Não, só queria saber mesmo.
Afrodite franziu o cenho.
– Você nunca me liga sem mais nem menos.
– Quis mudar um pouco isso.
– E eu finjo que acredito
– Acredite...
A rua movimentada a fez andar um pouco mais rápido enquanto ouvia Poseidon. Estava um tanto quanto preocupada com a ligação de seu irmão, geralmente ele só o fazia se era para ela agir de alguma forma ou tomar cuidado.
E, bem, ele não havia dito nada disso.
Pensava nisso e ouvia o que Poseidon dizia sobre o fato de lembrar pouca coisa da noite anterior no instante em que seus olhos deslizaram para o lado, fitando a lateral, e o viu.
Ali.
Na mesma hora, parou a poucos metros da entrada do prédio onde ficava a Vogue, seu local de trabalho.
O que ele estava fazendo ali? Ele estava louco? Seus olhos encararam os dele. Poseidon o mataria se soubesse que ele fora ali.
E seu dito irmão continuava a dizer alguma coisa, mas ela já tinha perdido a linha de raciocínio dele há tempos.
– Dite?
– Hã? Oi? Posei?
– Aconteceu alguma coisa?
Afrodite não sabia mentir para seu irmão, não conseguiria agora. Por isso, teve que apelar, sabia que depois teria de dar alguma explicação, no entanto, não tinha tempo para aquilo agora.
O outro cara se aproximava.
– Não, não... Hey, Posei, te ligo depois tudo bem? Cheguei no trabalho. Beijos.
E desligou sem esperar nenhuma resposta da parte de Poseidon. Podia até ver seu irmão fitar o celular desconfiado.
Aquilo não importava agora.
Mesmo sem desejar, seu rosto se fechou ao vê-lo para a uns poucos sessenta centímetros de sua pessoa.
– O que você faz aqui? – seu tom foi rude. – Poseidon te mataria, sabe disso.
– E desde quando liguei para algo que Poseidon poderia fazer, querida?
Aquele "querida" dito por Ares sempre parecia divertido, perigoso, sexy. Tudo do que Afrodite andava fugindo. E, não podia se enganar, Ares estava lindo naquela roupa. Seu corpo forte dentro de uma blusa de couro preta clássica dele, calças jeans, blusa branca e usando óculos de sol. Podia ver muitas mulheres virando a cabeça para encará-lo.
Ele sempre chamava tanta atenção.
Afrodite suspirou enquanto resolvia que a melhor tática era ignorá-lo. Sorria meigamente para ele.
– Voce poderia fazer o favor de nunca mais aparecer por aqui?
Ele sorria também, de forma debochada.
– Sempre a garota de ouro, sempre a perfeita, até quando seu mundinho vai suportar isso, Dite? Até quando vai se impor a isso? Voce sabe o que eu te prometi...
Sim, ela sabia, mas não queria nem pensar nisso. Não de manhã, seria emoção demais em tão pouco tempo. Como quem não ouviu nada, ela passou do lado dele.
Droga, ela ainda sentia aquilo. Sentia o ar estalando a volta deles, a pressão. Implorava para que ele não fizesse nada, que a deixasse ir.
Mas pedir isso para Ares era sempre demais. E já esperava que ele agisse de alguma forma. Não foi surpresa no momento em que ele segurou seu braço e a trouxe de volta, deixando-a frente a frente com ele.
Nenhum dos dois sorria.
Os olhos avermelhados e opacos dele encaravam os seus. Ela odiava encará-lo, a dor, a tristeza, tudo o que lembrava sempre voltava ao vê-lo.
– Me solte, Ares.
– Não vim aqui à toa.
Ela bufou ao ver que não conseguia se soltar do agarre de ferro dele.
– Se você não percebeu, querido... – fez uma expressão de deboche. – Eu não falo com detentos, agora, se me der licen...
E mesmos se quisesse terminar a frase, não poderia, não daquela forma com a boca dele cobrindo a dela. Fora tudo tão rápido que nem sequer tinha visto como ele agira, ele sempre fora rápido.Mais uma vez demonstrava isso.
A mão dele segurava com vontade os cabelos de sua nuca, trazendo para mais perto. Foi impossível não ter que se apoiar nele enquanto os lábios mais rudes dele beijavam os seus, daquela forma possessiva e...
Droga, ela odiava adorar aquilo.
Assim como adorava estar entre aqueles braços mais uma vez. Era uma estúpida, uma estúpida por deixar isso acontecer... Mas ele beijava tão bem...
Seu coração batia mais rápido no instante em que eles os afastou, ofegantes, para se encararem. Ela nem havia notado que o segurava pela lapela da blusa de couro, ou que havia ficado na ponta dos pés para beijá-lo ou como sentia falta daquele beijo.
Santa Prada, aquele beijo... Os olhos avermelhados dele agora brilhavam suavemente, de um jeito que só ela costumava notar.
Ares sorriu, um sorriso calmo.
– Você não mudou nada, querida. – a voz dele era baixa e divertida. – Senti sua falta.
Ela queria dizer algo, queria concordar que sentia falta dele, mas... Não podia. Não mesmo. Mesmo sem desejar, seus olhos começaram a se encher de lágrimas. De toda forma, ele ainda sorria. Droga, Ares. Droga. Ele sempre sabia onde forçar... Afrodite abaixou o olhar.
– Ares...
– Eu só vim aqui dizer uma coisa. – ele ergueu seu rosto pelo queixo e colou seus lábios mais uma vez um contra o outro, uma suave carícia. –Parabéns, Dite, você merece.
Ela não entendia o que ele queria dizer com aquilo, realmente não compreendia. Inclusive o olhou com os olhos confusos, no entanto, tudo o que ele fez foi negar com a cabeça e acariciar seu rosto.
Dois segundos depois, ele se juntava ao resto das pessoas que andavam, indo na direção da moto dele, provavelmente.
O que ele queria dizer com aquilo? Porque ele aparecera ali? Ele sabia o que fúria de Poseidon ou mesmo de Apolo podia fazer. E, mesmo sabendo que Ares não tinha medo deles, ela ainda era estúpida o suficiente para se preocupar com ele.
Suspirou e secou os olhos. Não importa. Ele já havia ido. Quem ligava para o resto? Para o beijo? Droga, ela ligava e pensava exatamente nele enquanto entrava no prédio.
Sorria para as pessoas que passavam por ela, mas estava longe dali... Foi quando seu amigo gay a parou. Eros sorria, resplandecente em seu terno preto.
– PARABÉEENS, DITE – e abraçou. – Você conseguiu, garota, você conseguiu!
– Santa Prada, quanta alegria, o que é isso?
Eros riu e entregou uma pasta.
– O contrato, eles concordaram ontem e você acabou de se tornar a garota propaganda da Chanel.
Afrodite não acreditava naquilo que lia em suas mãos. Ela havia conseguido. Ela conseguiu! Olhou para Eros que faltava pular de alegria e soltou um gritinho de felicidade, o abraçando.
– CONSEGUIMOS, EROS, CONSEGUIMOS.
– Na verdade, você merece todo o crédito, nasceu linda.
Afrodite riu o soltando.
– Mas foi trabalho em equipe.
– Ok, sou fabuloso também... agora, trabalhando, trabalhando, querida... E, ah, tem um presente em cima de sua mesa. Parece que tem um admirador secreto, menina.
A morena sabia que seu amigo ainda queria se divertir mais um pouco, no entanto, sabiam bem que a chefe deles poderia brigar. Por isso, nem ligou que ele a estivesse expulsando para o canto dela, só riu ao ir para a sua mesa.
Como o dito, havia um conjunto de seis rosas em tom rosa. Afrodite puxou o pequeno papel. Só havia um simples. “Parabéns”. Ela conhecia aquela letra, conhecia muito bem.
Mordeu o lábio. Ares. Ele já sabia. Como? Ele sempre fora bom descobrindo as coisas, tanto quanto Dionisio. E foi impossível não sorrir meio triste.
Ares sempre soube como agradá-la. Droga. E ela sabia que ficaria o resto dia pensando nisso. Suspirou. Ok, foco, trabalho. Recolocando o sorriso no rosto, Afrodite guardou as flores em um canto e ligou o computador.
Podia lidar com isso.
Era só Ares.
Só Ares.
(...)
Hermes estava inquieto.
Em questão de alguns dias Ares havia reaparecido, uma garota bonita e desmemoriada havia caído naquelas bandas e a namorada de Poseidon descobriu que estava grávida, e ele não tinha nada a ver com nenhuma dessas movimentações.
Ele sentia uma necessidade incrível de se envolver com aqueles acontecimentos, afinal, pra quê coisa mais divertida do que se meter em assuntos de Apolo e Poseidon? Isso sempre gerava boas gargalhadas ao loiro no final.
Infelizmente, não tinha nada que ele pudesse fazer em relação a Ares, e definitivamente não queria conversa com Anfitrite. Por isso adorou ver Afrodite chegar na garagemcomum com Artemis a tiracolo. Viu ali uma chance incrível de se aproximar da ruiva, e não perderia aquilo por nada.
Deixou em cima da cadeira em que estava sentado o seu videogame portátil, no qual mal estava prestando atenção, e foi até onde as garotas estavam.
Ele ia até fazer alguma piadinha com Afrodite, mas pensou melhor nisso ao vê-la de perto. Estava com uma cara nada boa.
– Dite, 'cê tá bem? — ele perguntou, ao que ela deu de ombros. — Parece tensa.
– Não, não, está tudo bem, eu só... — ela desviou o olhar para o chão — tenho algumas coisas para resolver. Pode ficar com Artemis aqui até os outros chegarem? Acho que vamos sair daqui até o local da... — ela e Hermes se entreolharam — dos negócios de Apolo mais tarde.
–Pode deixar, eu tomo conta dela e de tudo mais aqui. — Hermes sorriu como uma criança travessa, seu sorriso único que contrariava tudo o que ele havia acabado de dizer. Afrodite nem se importou e deu um abraço rápido em ambos, se despedindo e saindo dali. Quando se viram sozinhos, Artemis foi até um dos cantos da sala, sentando-se na cadeira em que ele estava sentado antes, pegando o videogame dele, mas Hermes foi logo até ela, falando:
– Não senhora, nada de ficar sentada aí, nós vamos subir.
– Subir? — ela indagou, confusa. — Pra quê?
– Tá mesmo pensando que vamos ficar a tarde inteira aqui embaixo nesse calor? Que nada, menina. Lá em cima tem bebidas e ar condicionado. Vamos? — ele estendeu o braço esquerdo para ela.
– O que tem exatamente nesse prédio?
– Muita coisa, acredite.
–Especificamente falando...?
– Não posso dizer ainda — Hermes riu — sabe como é, segredos que Apolo quer guardar de você por enquanto. Não que eu ache que vá servir de alguma coisa.
– Muitos segredos, eu suponho.
– Oh sim. Acontece de tudo por aqui, você verá. — Hermes deu um sorriso misterioso, mas Artemis não perguntou nada mais a respeito, apenas se levantou e deu de ombros, ao que o loiro estendeu cavalheirescamente o braço esquerdo para ela, sorrindo. — Vamos?
Artemis riu baixinho antes de segurar no braço dele, aceitando que ele a guiasse.
– Eu tenho escolha?
–Não mesmo — Hermes riu, indo até o elevador e entrando ali com ela.
– Hm... Hermes,– ela hesitava antes de perguntar, mordendo o lábio inferior — O que são exatamente esses negócios de Apolo?
– É complicado. Se você for hoje a noite, verá por si mesma.
– Tudo que envolve Apolo tem sempre esse mistério todo? — Artemis perguntou, fazendo com que o loiro risse. Nesse momento o elevador parou, fazendo o "plim" habitual e abrindo as portas para mostrar o último andar.
Artemis não escondeu sua surpresa ao se deparar com aquele andar. Também, pudera, era completamente diferente dos outros, num estilo vitoriano clássico e elegante. Tinha a iluminação baixa, focada mais para o centro da enorme sala, o que dificultava definir uma cor para as paredes, mas certamente não era de um tom claro.Além disso, o chão era de um carpete vinho, combinando com os sofás de couro apenas um pouco mais claros. Mas não foi ali que eles pararam.
Hermes a levou até o canto da sala, onde era mais privado, como se fosse reservado para pessoas especiais. Ali havia um sofá igual aos outros, além de duas ou três poltronas. Ficava justo ao lado de uma grande janela de vidro, de onde podia ver a movimentação ali embaixo, além de ser no canto da sala, onde podia ter uma boa visão do elevador, do bar e do resto da sala.
Estratégico.
– Sempre foi assim, você se acostuma. Desde que éramos mais novos, Apolo era mais calado, não queria depender dos outros para fazer suas coisas, e odiava quando eu me metia. — ele suspirou, tirando Artemis daquela observação.– Ah.. Bons tempos.
– Acho que consigo imaginá–lo assim — a ruiva riu — Como vocês se conheceram?
– Foi no colégio, há... Droga, nãosei quantos anos. Enfim. Éramos da mesma turma de biologia, e Apolo era sempre o que estava calado na carteira da frente. — Hermes riu — As meninas iam aos montes em cima dele, mas ele não queria conversa com nenhuma, só se importava com as aulas. Chegava na hora exata, saía logo que acabava. O único amigo que tinha ali era outro cara igualmente reservado, Ares.
– Caramba, e como se aproximou dele assim?
– Foi difícil, custou tempo, mas... Acho que enchi demais o saco dele.
– Mas até que ele tem amigos. Quero dizer, mais do que se espera de um cara fechado assim. — Artemis pensou, sentando-se no sofá. — Vocês têm um grupo legal.
– Mas nem sempre foi assim. Admito, com toda a modéstia do mundo, — ele riu — que sou o responsável por isso.
– Sério? Como?
– É uma longa história — ele se jogou no sofá, ao lado dela, olhando para o teto de vidro enquanto falava. — No meu time de natação, conheci Poseidon. E como na época eu estava solteiro e via as garotas todas em cima dele, achei que andar com ele seria uma boa ideia. Daí, andando juntos, Poseidon e Apolo começaram a interagir um com o outro.
– E deu certo?
– O quê?
– O esquema com as garotas?
– Ah se deu — Hermes riu — Conheci a minha namorada ali, andando com uma das garotas que Poseidon estava pegando. Ela era linda. Ainda é, na verdade. – ele suspirou como um perfeito apaixonado, fazendo com que Artemis sorrisse — Todas as sextas costumávamos sair, ir num pub perto de casa, eu, ela, Poseidon e Apolo. Poseidon sempre sumia com alguma garota por aí e só aparecia na manhã seguinte. Apolo fazia o mesmo as vezes, nem sempre. No final ficávamos eu e Héstia, apenas. Era uma época legal. Sem tanta complicação.
– E onde está Héstia agora?
– A essa hora ele deve estar estudando. Normal.
– Ela não aparece muito por aqui, aparece?
– Mais ou menos... É que ela sempre foi boa garota, sabe. Sempre achei que essa vida aqui não era para ela. Queria poder... Ah, enfim. Ela passa a maior parte do dia tendo aula, se mata de estudar.
– Entendo. Mas e os outros? Quero dizer, Dionisio e Afrodite? Como se juntaram ao grupo?
– Ah... Mais uma história. Conto daqui a pouco, mas primeiro você me lembrou que tenho que mandar mensagem pra eles. E que quero tomar suco de laranja. — ele falou, se levantando — Aliás, já tomou suco de laranja com vodka?
– Eu... Acho que não.
– Ah, é mesmo. — ele pensou um pouco, então tirou do bolso um smartphone e jogou para ela, que pegou num susto. — Como é não ter memória?
– É confuso. Como se a informação devesse estar lá, mas... Não está. Sabe? Dói ao tentar forçar. É ruim. Não saber quem sou, ou de onde vim, essas coisas. Mas enfim, o que é pra fazer com seu celular?
– Ora, eu faço o drink, você manda a mensagem.
– Mas... O que eu escrevo?
– Ah, escreve assim: "Power Rangers, estão todos convocados para o Galpão, na garagem, no fim da tarde."
Artemis riu e rolou os olhos, escrevendo enquanto Hermes pegava o que quer que precisasse no bar e carregava uma sacola cheia de gelo para lá.
– Certo. Só isso? — ela perguntou quando terminou.
– Não. Agora encerre com "Ordens do Ranger Vermelho, mais conhecido como Apolo, então, sem atrasos." e mande para Poseidon, Dio e Dite.
Artemis riu mais um pouco e fez o que ele disse, enviando a mensagem e encarando por alguns segundos a foto de Hermes com Héstia no papel de parede antes de desligar.
Eles formavam um casal bonito.
– Então. Pode me contar agora? — ela perguntou, ao que ele concordou com a cabeça, andando até onde ela estava com dois copos na mão, entregando um para a ruiva e sentando-se novamente ao lado dela.
– Ok. O que quer saber?
–Como os outros entraram no grupo?– Artemis perguntou, bebendo um gole do drink que Hermes entregou enquanto olhava para ele como uma criança espera ouvir uma boa história.
– Bom, Dite é irmã de Poseidon, e andavam muito juntos naquela época. Então, como já era previsível, ela se juntou a nós. Mais tarde, numa época de provas finais, essas coisas, eu precisava de ajuda com umas matérias, e o cara mais aconselhado para ajudar era Dio. Ele sabia de tudo. Na verdade... Dio me passa essa sensação as vezes, de que sabe de tudo. Você verá. E enfim.
– Você juntou cinco pessoas que não se parecem em nada num grupo único que dura até hoje — ela pensou, impressionada — isso é algo legal. Mas... O que aconteceu com o outro amigo de Apolo? Ares? Ele não deve ter ficado muito contente por você ter roubado a companhia dele.
– Ah... — o loiro coçou a nuca, desviando o olhar para o chão — não necessariamente roubamos. Ares também entrou no grupo depois de um tempo, até namorou com a Dite.
– E cadê ele agora?
– Ele deve estar... Olhe, boa parte das suas perguntas serão respondidas hoje a noite, certo? Só não fale de Ares com os outros, muito menos com Afrodite e Apolo.
– Tudo bem. – ela concordou, olhando para o céu ali fora e vendo que o sol começava a se por atrás dos enormes prédios. — Então... Que horas estava marcado com os Power Rangers?
– Exatamente agora. — Hermes riu, levantando de um salto e retomando seu jeito elétrico. — Vamos lá, vamos, acho que eles já estão lá embaixo.
Sendo assim, entraram novamente no elevador e desceram, onde Hermes apertou o botãozinho do G. E foram descendo, descendo, até finalmente pararem e as portas se abrirem. Estavam de volta a garagem, onde Artemis tinha chegado com Afrodite, e onde agora estavam parados Poseidon ao lado de uma Maserati preta, Afrodite sentada no capô de uma Ferrari cor de rosa (distraidamente retocando o batom) e Dionisio dentro de uma BugattiVeyronSupersport.
Juntos daquele jeito, pareciam um esquadrão daqueles filmes americanos. Por essa razão, ela riu.
– Vamos? — Hermes perguntou, chamando a atenção deles.
– Para onde?
– Para a... — o loiro checou um papel amassado no bolso da calça — Piazza Navona.
Como se não precisasse mais dizer nada, começaram se ajeitar para sair, e Hermes levou Artemis até onde estava Poseidon, falando:
– Hey, você pode levar Artemis? Eu vou pegar uma carona ali com a Dite, não quero ter que buscar meu carro.
– Certo, entra aí — o moreno falou para Artemis– E como foi a tarde com Hermes? Ele foi chato como de costume ou está sendo legal com você?
– Ele falou de Héstia metade da tarde — a ruiva riu — na outra metade estava sendo boa companhia.
– Ah, Hermes é um bobo apaixonado. Faz de tudo por aquela garota, e acredita que é a mulher da vida dele. Não sei como ainda não falou em casamento.
– Casamento?
– Ah, pode apostar, quando eu precisar de ajuda com isso, vou até você, Poseidon. — Hermes riu com sarcasmo — Sabe, Artemis, Poseidon é o melhor conselheiro pré-nupcial do mundo.
– Pode apostar — Poseidon concordou. — Sei tudo sobre casamento, por isso não me casei.
Artemis riu, sendo seguida por Hermes e arrancando um sorriso de canto de Poseidon, que logo deixou a conversa de lado e entrou no carro, dando a partida e esperando que Artemis entrasse. Ela fez isso, Hermes pulou dentro da Ferrari de Afrodite e enfim saíram, obviamente depois de o loiro receber uns bons tapas por ter sujado o estofado com a marca do tênis.
E ali iam eles, em direção ao Piazza Navona, presenciar um momento quase épico.
É isso aí, pensou Hermes. Go, Power Rangers, go.
(...)
Eles dirigiram até o lado sul de um lugar bastante conhecido por ali: a Piazza Navona. A maior parte dos que estava ali eram os que sabiam algo sobre a corrida.
E, bom, não eram poucos. As pessoas começavam a se aglomerar perto da Fontana di Nettuno, então o loiro presumiu que Apolo estivesse por ali.
Falou para Afrodite estacionar ali perto, fazendo um sinal para Poseidon e Dio, indicando o mesmo.
Quando pararam os carros e saíram deles, as pessoas que estavam por perto logo os reconheceram, e foram abrindo caminho para que pudessem enfim ver o que se passava ali.
– Espero não ter atrasado. — falou Afrodite.
– Não se preocupe, os carros ainda estão ali.
E realmente estavam. Quando o caminho finalmente ficou livre, puderam ver vários carros, entre eles dois emparelhados, aMercedes de Apolo e uma Ferrari preta, onde podiam ver um moreno de duras feições e um corte de cabelo ao estilo militar.
No carro ao lado estava Apolo, com um olhar frio, mas que Hermes, Poseidon e Afrodite sabiam bem que era resultado de um incrível autocontrole.
– Então, — sussurrou Hermes, aproximando-se de Artemis– Esse é Ares.
A ruiva arqueou uma sobrancelha.
– Isso não vai ser um amistoso, vai?
Hermes negou com a cabeça, cruzando os braços na frente do corpo e apoiando-se no carro de Afrodite. Os burburinhos começaram a diminuir, e eles sabiam que estava quase na hora. Poseidon sorriu com sarcasmo.
– Isso vai ser épico. — ele pegou uma garrafa gelada de qualquer coisa em seu carro, para beber enquanto sentava no capô de sua Maserati e Dionisio fazia o mesmo, pegando uma das bebidas de Poseidon.
Nesse momento Apolo olhou para onde eles estavam, sem qualquer mudança em sua expressão, para voltar a olhar para frente.
Hermes, no entanto, desencostou do carro e começou a andar até o centro daquela bagunça, passando pelas pessoas e sorrindo ao ver os a frente dos carros.
Estava na hora.
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