Lie To Me

8 Capítulo 8: I Hate You! So I'll Kiss You.


Notas iniciais
"Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos)."

Logo depois, ambos estavam no apartamento de Arthur. Alfred tinha insistido em pelo menos levar o inglês e deitá-lo na cama (aonde estava agora) e disse que avisaria ao porteiro que o inglês passaria aquela noite sozinho, para caso acontecesse algo e ele precisasse de ajuda. Apesar de estar sorrindo, parecia um tanto preocupado.

-Não se preocupe, Arthie, vou voltar amanhã e passaremos o domingo todo juntos.-Alfred sorriu, na porta, olhando em volta para se certificar de que tudo estava ao alcance de Arthur, que tinha quase uma carranca no rosto.

-Pode ir. E não precisa vir amanhã.-Disse o inglês, acomodando-se melhor na cama e puxando para si um livro qualquer.

-Mas é claro que virei, Arthie! Não vou te abandonar assim!

O inglês bufou e abriu o livro, tentando se concentrar nas páginas, mas antes de começar a ler a primeira linha, sentiu um peso em sua cabeça. Alfred acabara de lhe dar um leve beijo nos cabelos e agora sorria, bem próximo, para o inglês, que começava a corar.

-O que foi?!-Arthur perguntou, fitando o maior.

-Não faça nenhuma besteira, okay? Take care!-Exclamou, saindo então correndo do quarto e então do apartamento, para se encontrar já no elevador, as mãos nos bolsos e o sorriso alegre no rosto logo sendo substituído por uma expressão mais neutra, meio triste meio fria.

Estava na hora de encontrar seus pais.

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Arthur virou-se na cama várias vezes. Mesmo quando anoiteceu, não conseguiu dormir, além de que ficar o restante do dia inteiro deitado não lhe fazia muito bem.

Acabou por adormecer em meio ao terceiro livro seguido que lia, sonhando com alguma fantasia aonde países eram pessoas na segunda guerra mundial, além de fadas e unicórnios que só ele podia ver, coisas sem sentido assim.

O fato foi que só veio acordar por volta das 5 da manhã, e teria até voltado a dormir se não tivesse encontrado Alfred dormindo numa cadeira ao seu lado. Na verdade, o americano parecia bem cansado, e pelas olheiras profundas no rosto, sequer parecia ter dormido desde o dia anterior...

E por estar vestindo as mesmas roupas, realmente não deveria ter dormido.

Arthur até pensou em acordá-lo para pregar uma peça ou para se vingar diante de todos os micos que o americano já o tinha feito passar, mas Alfred tinha uma feição tão calma e ao mesmo tempo tão profunda e pesada que o inglês duvidava conseguir acordá-lo.

Porém, na cabeça de Alfred, em meio aos sonhos e alguns pesadelos, as lembranças do encontro com seus pais ainda estavam frescas e no mínimo, agonizantes.

“-Alfred, soubemos que você está sem ir para o treino do futebol. Já não basta ser um fracasso nos estudos, tem que ser nos esportes também? Vai desistir da única coisa que você é bom?”

“-Você é um Jones. O nome da nossa família tem gerações de pessoas importantes, até presidentes, e a sua obrigação é se tornar importante também.”

“-Você não pode se dar ao luxo de falhar, Alfred. Você é um Jones, tem um nome a zelar e a proteger a todo custo.”

“-Não vamos passar muito tempo por aqui. Seu pai precisar cuidar de uma empresa na Ásia e a minha coleção vai ser exposta em Paris. Já depositamos seu dinheiro em sua conta, pode gastar com o que quiser, e se precisar de mais, sabe o que fazer... Mas não nos decepcione. Você tem tudo o que quer, o mínimo que pode fazer é evitar nos causar alguma vergonha. Entendeu?”

“-Você é um Jones, é meu filho e é um americano. Não cometa erros. Seja perfeito. Consiga o que quer.”

“-Não ande com gente inútil e prefira as que tem influência, você sabe. E quem é esse seu amigo com quem está passando tanto tempo? Não, não me importa quem é, apenas tenha certeza que ele não vai te atrapalhar.”

“-Deixe o celular ligado. Seu treinador quer falar com você, então o mantenha por perto. Ah, não, espere, quero que passe a noite aqui. Se os repórteres notarem que você passa a noite fora durante a estadia dos seus pais, vai chamar atenção. Pode sair ao amanhecer. E nada de atitudes impensadas, Alfred.”

“-Não nos decepcione, Alfred.”

“-Não falhe, Alfred.”

“-Sim, senhor. Sim, senhora.”

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-Você parecia estar tendo pesadelos.-Comentou Arthur quando Alfred acordou, logo coçando os olhos.-Não quis te acordar porque talvez eles colocassem um pouco de juízo na sua cabeça.

-Arthie, não seja tão mau...-Alfred bocejou, fitando o outro então e sorrindo.-Não vai me perguntar nada?

-Tipo o quê?

-Sobre... Meus pais e... Você sabe.

-Não vejo porque deveria.-O inglês disse, se virando na cama para ficar de costas para o maior.

-Não é que você deva, é só que é normal perguntar, eu acho, sei lá. Geralmente as pessoas perguntam...

-Se você quiser contar, não vou te impedir.

Era verdade que Alfred não precisava dizer nada, mas talvez, dizendo alguma coisa, de preferência a verdade, Arthur confiasse nele mais ainda, não era?

-Meus pais chegaram de viagem ontem a noite, como você deve lembrar. Eles não são muito... gentis. E como fui criado até os quinze anos num internato fechado, digamos que só vim vê-los com mais frequência há uns anos atrás... Só para depois mal vê-los de novo porque eles vivem viajando. Mas eu nem acho muito ruim porque eles me dão todo o dinheiro que eu quiser e não perguntam nem com quê eu gasto. Só querem que eu não me meta em nenhum escândalo e nem deixe o futebol.

-Entendo.

-Pois é...

-Meus pais estão... Na Inglaterra. De vez em quando me mandam cartas porque não sabem usar o computador e também porque na região aonde eles moram não se usa esse tipo de coisa. E eles sempre me ligam no meu aniversário...-Arthur riu, bem de leve, mas riu, para a enorme surpresa de Alfred.-E eles também sempre disseram que ser um cavalheiro é a parte mais importante de ser inglês, mas ficariam decepcionados se soubessem que eu não sigo muito bem a regra do chá porque eu não tenho tempo para isso...

-Você ri engraçado, Arthie! Por que não ri mais alto?-Alfred disse, rindo e mexendo no ombro do inglês, ainda de costas, que imediatamente se calou.-Hein? O que foi? Vai me dizer que cavalheiros não riem?

-Não diga besteiras!-Arthur exclamou, encolhendo-se mais para que Alfred não conseguisse ver que estava corando.

-Mas para aonde quer ir hoje, Arthie?

-Para canto nenhum. Preciso falar com meu chefe, ele nem deve saber que eu estou... Ou sou... Assim, agora.-Arthur disse, ajeitando-se e sentando-se na cama, puxando os cobertores para si.

-Não se preocupe, Arthie, eu já cuidei disso. Na verdade, foi o Sebastian que cuidou, mas enfim, seu chefe já está sabendo. Ele disse que pode arrumar um emprego pra você que não precise usar as pernas, quem sabe caixa ou telefonista ou...

-Você não devia ter feito isso! É claro que ele não vai aceitar! Existem dezenas de normas para se empregar alguém como eu! Ele deve ter dito isso só pra te agradar! Eu não preciso que faça as coisas por mim, eu não sou nenhum inválido! Eu...!

-Eu só quis ajudar, Arthie! E você ainda estava no hospital quando falei com seu chefe. Não precisa ficar com raiva!-Alfred exclamou, se levantando da cadeira e saindo do quarto por alguns instantes só para minutos depois voltar com uma toalha na cintura e outra na cabeça, enxugando os cabelos, deixando nas entrelinhas que tinha saído para tomar banho enquanto o outro não se acalmava.-Olha, eu sei que deve ser ruim se sentir assim, mas não precisa descontar toda a raiva em mim. Eu sei que... Foi meio minha culpa mas... É por isso que eu estou aqui, pra me redimir fazendo o que for possível.

-Hmpf.

-Mas e aí? Você dormiu bem? Não teve nenhum problema, teve?-Perguntou o americano, se sentando na cama e deixando a toalha nos ombros. O inglês já deveria estar acostumado com o fato do americano andar seminu por aí, mas a verdade era que não conseguia deixar de corar, mas preferiu não comentar nada porque, se brigasse, sabia que Alfred repetiria aquele ato só de propósito.

-Não tive problemas.-Respondeu o inglês.

-Que bom.-Alfred disse, se levantando e saindo para se vestir lá fora, voltando trajando apenas uma bermuda azul escura e a toalha novamente nos cabelos, agora bastante desarrumados.-Ainda é cedo. Nós podíamos...

-Não.-Arthur negou imediatamente, conhecendo as ideias mirabolantes do americano, que apenas fez uma careta, se aproximou do inglês e o ergueu nos braços, levando-o então até o banheiro, aonde agora tinha uma cadeira ao lado da banheira.-O que é isso?

-Já como você não quer que eu entre quando está tomando banho pra eu te ajudar, o que seria o sonho de toda garota sã, vou deixar essa cadeira aí para você ter um apoio. Não reclame, vou pegar suas roupas.-Alfred deixou Arthur em cima da cadeira e saiu do banheiro, voltando pouco depois e as colocando em cima da pia.-Qualquer coisa me chame, vou pedir alguma coisa para comer.-E saiu, deixando o inglês só.

Arthur se despiu na medida do possível, chegando a se contorcer para tirar toda a roupa, e então se empurrou para a banheira e mesmo caindo de mau jeito, conseguiu, sozinho. Cerca de dez minutos depois (porque tudo aquilo demorava muito), Arthur, já vestido, também na medida do possível, chamou Alfred, que voltou a lhe pegar nos braços para lhe sentar, não no sofá, como de praxe, mas numa descansadeira que havia na sacada do apartamento.

-Não quero ficar aqui, é muito claro!-Arthur exclamou quando o outro lhe deixou lá.

-Já está reclamando de novo? Puxa, Arthie, se o Guinness Records viesse aqui, você seria a pessoa que mais reclama num dia do mundo inteiro.-O americano saiu e voltou com dois pratos com panquecas que tinha pedido pelo telefone. Entregou um deles para Arthur, que mesmo fazendo uma careta, comeu.-O céu está bem limpo hoje. Uma vez me disseram que meus olhos são da cor do céu, engraçado, né?

-É...-Arthur respondeu, mastigando a panqueca, sem querer dizer que os olhos do americano realmente eram daquela cor.

Alfred se apoiara no parapeito da varanda e o vento bagunçava seu cabelo mais ainda. Seu celular então começou a tocar, e deixando o prato com as panquecas sobre o parapeito, atendeu o mesmo.

-Alô? Quem? Ah, sim, senhor. Sábado, nesse que vem? Tudo bem. Claro, claro, peço desculpas por ter faltado, estava com alguns problemas. Ah, sim. Estarei lá com toda a certeza. Até mais.-Desligou então, desinteressado.

-Era o seu treinador?-Arthur perguntou apenas por perguntar.

-Era. Disse que tenho um jogo para ir no sábado. Nosso colégio vai jogar contra o maior colégio do outro estado, e precisamos ganhar, Arthie!-Alfred sorriu, fitando o inglês.-Hey, por que você não vem ver o jogo?

-Tenho mais o que fazer.

-Não tem, não. Vamos, Arthie, eu posso deixar você ficar no camarote. Não vão muitas pessoas do colégio, exceto o time mesmo... Okay, na verdade vão muitas pessoas do colégio, mas você pode usar uma daquelas máscaras de hokey...

-Não tem graça. Não vou e pronto. Com ou sem mim lá, você vai jogar, de qualquer forma.

-Mas eu ficaria mais feliz se você fosse.-O americano disse, criando uma feição mais tristonha.-E se antes do jogo nós saíssemos para jantar? Como amigos, claro.

-Mais um motivo para não sair de casa.

-Vamos lá, Arthie! Por favor, por favor, por favor!-Alfred exclamou, aproximando-se do inglês enquanto fazia uma tremenda cara de cachorro pidão.-Eu faço qualquer coisa se você for, eu juro.

-Hmpf.

-Vamos, Arthie!

-Okay, okay, mas você tem que me prometer parar de andar pelado enquanto eu estiver por perto. E precisa prometer lavar a louça quando sujar alguma coisa e também não deixar as roupas jogadas por aí, entendeu bem?

-Aham!-O americano exclamou, alegre.-Pois, Arthie, prometa que vai ao meu jogo não importa o que aconteça!

-Tudo bem, eu prometo. Hmpf...-Bufou o inglês enquanto Alfred voltava a sorrir, se virando e batendo o cotovelo no prato de panquecas e vendo a comida despencar pelos ares até se espatifar barulhenta e dramaticamente no chão, lá embaixo.

-Ops...

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Passou-se então uma semana. Durante todo esse tempo, Arthur ficou em casa, movimentando-se com a ajuda da cadeira-de-rodas, mas como ainda não sabia manejá-la direito e por vezes batia nos móveis e derrubava as coisas, Alfred preferiu deixá-lo em casa. Veja bem, foi Alfred que decidiu e na verdade o deixou em casa a força, porque na verdade o inglês queria ir logo para as aulas que sabia que estava perdendo.

Quando Alfred voltava no fim da tarde, depois do treino de futebol, ele passava todas as anotações ao inglês, o que acabava por fazê-lo estudar também, já que agora tinha que copiar tudo que os professores escreviam para depois passar para Arthur. Conversavam, jantavam e então o inglês ia dormir, já conseguindo ir só para o seu quarto, sem que Alfred o carregasse.

E quando finalmente o americano estava só, ele tirava o pequeno caderno de dentro da sua mochila e começava a escrever qualquer fato sobre o inglês. Já tinha virado um hábito, na verdade, e o caderno estava ficando cada vez mais cheio. Não que se culpasse escrevendo aquilo, antes não sentia nada, mas agora preferia não pensar no assunto.

O fato é que o sábado chegou e chegou de forma bem agourenta. Alfred tinha arrumado uma briga com um de seus colegas no time, na verdade, o que menos gostava dele, e tinha sido expulso de sala, uma vez que isso acontecera durante o período normal e não no campo.

E Arthur, que nunca tinha sido expulso, achava isso o cúmulo, o que rendeu boas críticas ao americano quando o mesmo chegou em casa e disse que tinha sido expulso. Ah, sim, ele já chamava o apartamento do inglês de “casa”. Na verdade, durante a semana tinha passado na sua própria casa para trazer algumas coisas como a TV de tela plana, seus videogames, uma cômoda para colocar roupas e utensílios e mais comida fácil de se aprontar.

Claro que Arthur não ficou feliz quando viu aquele monte de coisa espalhado pela sua sala, mas Alfred de alguma forma conseguiu lhe acalmar e lhe convencer. Ele estava ficando bom naquilo.

Enfim, era sábado e agora pouco mais das cinco. O jogo começaria às 7 da noite, mas como prometera, ambos iriam jantar antes do jogo. Arthur já estava vestido, usando um terno antigo que tinha, mas bastante elegante, embora não soubesse para onde iam. Na verdade, pela carranca entediada parecia nem sequer querer saber.

Alfred estava no banheiro, tentando a todo custo colocar a gravata da forma certa, sem sucesso. Também vestia um terno, só que aberto, mais desarrumado (porque segundo ele, aquele estilo 'engomadinho' demais não era 'sua praia'), além de um casaco marrom com uma estrela na altura do peito e um couro escuro em volta da gola, que segundo ele, sempre lhe trazia sorte antes do jogo.

Desistiu e saiu do banheiro com a gravata num só caída sobre o terno, esperando que Arthur não visse senão provavelmente brigaria com ele. Se aproximou do inglês, dizendo:

-Vamos, Arthie! Uma noite muito divertida nos espera e...

-O que diabos é isso? É sua gravata? Seu idiota, não é assim que a gente dá um nó numa gravata. Venha aqui, deixe eu ajeitar isso antes que eu sofra um colapso nervoso.

Alfred bufou, mas se aproximou do inglês e se sentou num dos braços do sofá, puxando a cadeira-de-rodas de Arthur para perto, fazendo que um ficasse na frente do outro, quase na mesma altura.

Arthur estendeu os braços e começou a ajeitar a gravata do americano, um tanto emburrado. Não gostava de ser tratado como uma criança, principalmente por alguém que era menor que ele, fisicamente falando, e por isso estava com uma cara estranha.

-Ei, preste atenção em como se faz para que faça sozinho da próxima vez, entendeu? Alfred, está me ouvindo?-Arthur chamou, vendo que o outro olhava para o teto enquanto o inglês ajeitava sua gravata.

-Yeah, yeah, estou ouvindo.-Disse o americano, olhando para baixo e encontrando os olhos verdes do inglês bem perto dos seus, embora o rosto estivesse demonstrando um tanto de aborrecimento.-Não sou criança.

-Está parecendo.-Disse Arthur, vendo que o americano segurava suas mãos, já que tinham acabado com a gravata, e as afastava de si, fitando o inglês com uma expressão talvez de raiva ou de outra coisa mais hostil do que o comum sorriso que tinha.

Alfred desviou o olhar então, embora ainda segurasse as mãos de Arthur. Tinha ficado com raiva porque o inglês lhe chamara de idiota (mais uma vez) e lhe tratara como criança e também por que... Porque... Porque às vezes ele simplesmente ficava com raiva.

Na verdade, era porque aquela cena lhe trouxe algumas memórias.

O jovem Alfred, na primeira festa que teve que comparecer para representar seu pai no ramo das empresas, acabou por ir com a gravata mal colocada, o que acabou saindo nos jornais. Quando seu pai voltou da viagem, lhe deu um tapa no rosto, puxou-lhe com força e, gritando em seus ouvidos, amarrou a gravata, quase lhe enforcando.

Seu pai antigamente tinha ataques de raiva assim. Hoje ele só não tem porque toma vários antidepressivos e outros tipos de remédios para cuidar do humor e do stress. Não era porque Alfred era um filho ruim e nem porque seu pai era um pai ruim, era só que ele tinha dias intermináveis e fazia de tudo para sua empresa crescer, já que na época ela não era tão grande, então qualquer coisa poderia quebrá-la. Qualquer coisa poderia enfurecer seu pai, mas Alfred, mesmo sabendo disso quando mais velho, nunca perdoou-o de verdade. Aliás, nunca o perdoou de forma alguma.

E perdido naquela lembrança, ele começou a apertar as mãos do inglês com força, mais do que deveria, até que elas começaram a doer. Seu olhar se perdia nas paredes, no vazio, imerso na lembrança, na mágoa que tinha com seu pai.

-Alfred...-Arthur chamou, tentando puxar as mãos para que o americano o soltasse, mas Alfred era bem mais forte que ele.-Ei, seu idiota, me solte... Está doendo...

Os ossos dos dedos das mãos estralaram e o inglês soltou um som de dor, tentando puxar mais forte, sem sucesso.

-Ei, Alfred! Alfred! Me solte! Está doendo, seu brutamontes, você vai quebrar minha mão!

“-Isto é para que você aprenda a não envergonhar o nome da nossa família, seu moleque!”

“-Me desculpa, papai! Me desculpa!”

“-Nada de desculpas! Desculpas são para os fracos, e nenhum Jones é fraco! Desculpas é para quem se arrepende, e os Jones não cometem erros para depois se arrepender e pedir desculpas! Você é um Jones! Aja como um!”

“-Está doendo! Papai! Não...!”

-Está doendo, Alfred! Não...!-O inglês fechou fortemente os olhos, falando o mais alto que podia e cerrando os dentes, se preparando para sentir a dor das mãos serem quebradas, mas a pressão se desfez e quando abriu os olhos, Alfred o fitava através dos óculos com uma expressão tão arrependida que parecia querer chorar.

Ele não queria ser igual ao seu pai, e não faria aquilo com ninguém, nem com Arthur. Ele era capaz de pedir desculpas e com orgulho.

-Me desculpa, Arthie, eu...

-Seu idiota! O que foi isso, teve uma visão do futuro, foi?! Você quase quebrou minha mão!

-Eu lembrei do meu pai me batendo.-O americano sorriu triste, sabendo que aquilo calaria o inglês, e de certa forma, o fez. Arthur assumiu uma cara de surpresa e então outra mais triste, com pena.

-Ah... Não faça isso de novo, tudo bem? Me avise se quiser quebrar alguma mão, seu brutamontes sem neurônios. Eu já não uso as pernas, você quer me deixar sem usar as mãos também?-Disse o inglês, sorrindo, para a surpresa do outro, que sorriu também, mais alegre ainda.

Arthur estava tentando alegrar Alfred, espantar aquela memória ruim e colocar uma do presente mais feliz, e Alfred sabia disso. Arthur estava pensando em Alfred. Arthur estava cuidando de Alfred. E Alfred estava o esfaqueando pelas costas a cada dia que passava.

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Logo ambos estavam em frente a um dos restaurantes mais caros da cidade, e daí vinha a precisão dos ternos. Gente importante jantava ali, algumas atrizes, diretores de cinemas, figurões do submundo, políticos, gente que respirava um ar próprio... E Alfred, se destacando de todos os outros graças ao seu casaco marrom.

Chegaram ali com a disponibilidade de Sebastian, o motorista, que tinha ajeitado o carro especialmente para a cadeira-de-rodas de Arthur. Uma vez deixando o patrão no estabelecimento, estacionou ali perto e deixou ambos os rapazes em meio a uma multidão do mais alto escalão.

O que fazia Arthur se sentir bastante incomodado. Ele não era daquele mundo. Nunca tivera muito dinheiro, e ver todas aquelas mulheres em vestidos fantásticos sabendo que a quantia de dinheiro gasta neles era mais fantástica ainda o deixava confuso.

Alfred, sempre sorrindo, foi para trás do inglês e começou a empurrar sua cadeira-de-rodas em direção da entrada, aonde uma moça de cabelos castanhos e de terno feminino sorria e indicava as mesas.

-Olá, sejam bem vindos... Ah! Senhor Alfred! É um enorme prazer em receber o senhor!-Disse a moça, sorrindo largamente, embora o sorriso tivesse diminuído ao ver Arthur.-Acompanhado de um amigo hoje? Não temos mesas vagas, mas para o senhor é fácil arrumar uma livre, se quiser.

-Ah, sim, por favor.-Alfred sorriu, puxando uma nota de cem dólares de dentro da carteira e a passando discretamente para a moça.-Num canto reservado, se puder.

-Oh, sim, só um instante.-A moça saiu e adentrou o restaurante com passos pequenos e silenciosos. O clima do lugar era bastante agradável. A iluminação, a decoração, os móveis e até os garçons remetiam a era vitoriana, uma coisa clássica, cheia de coisas detalhadas, meio barroco, meio romantista, o mais clássico possível.

Um pianista jovem tocava ao fundo enquanto o barulho de pessoas conversando e até rindo enchia o lugar, apinhado ainda de garçons andando de um lado para outro com posturas eretas e roupas engomadas. Arthur gostou do lugar.

-Me sigam, por favor.-Disse a moça quando voltou pouco depois. Ambos seguiram-na, andando por todo o lugar até chegar numa mesa colada a parede mais distante daquele que tocava piano, mais afastada das outras pessoas.

Alfred empurrou a cadeira-de-rodas de Arthur para a mesa e depois se sentou, pedindo inicialmente apenas uma coca-cola enquanto lhe traziam o cardápio.

-Hey, Arthie, sentado assim, você até parece mais alto que eu.-Alfred riu, notando que a cadeira-de-rodas era mais alta do que as cadeiras do lugar. Na verdade, ele não teria ter dito aquilo, e sim, ter dito que sentado daquele jeito ele nem parecia paraplégico.

-Está insinuando que eu pareço um poste?-O inglês disse, vendo o garçom se aproximar e perguntando se iriam pedir algo, uma caderneta e caneta já em mãos.

-Eu quero... Um daqueles hamburgueres especiais, batata frita, um milk-shake grande e para a sobremesa vou querer sorvete e por fim, uma xícara de café.-Disse o americano enquanto o garçom quase esboçava um sorriso.

-Sim, sr. Jones, o de sempre então... E o seu convidado?-Perguntou o funcionário.

-O que vai querer, Arthie?

-Eu quero... Peixe com fritas e... chá.-O inglês respondeu, um tanto constrangido. Não teria pedido aquela comida se Alfred não tivesse pedido todas aquelas coisas primeiro.

-Muito bem, vou providenciar. Aqui está sua coca, sr. Jones.-O garçom despejou a coca numa taça de cristal e a deixou na mesa juntamente com a garrafa de coca, saindo em seguida. Alfred tomou um pouco e sorriu, rindo.

-Quer um pouco, Arthie?

-Não, não quero ter uma cirrose quando ficar mais velho.

-Tudo bem, você quem sabe. Não vai fazer nenhum comentário? Não vai me xingar por eu ter pedido aquelas coisas? Está com febre?

-Não, seu energúmeno, apenas sou educado o bastante para não lhe repreender na frente dos outros, mas que raios de pedido foi aqueles?! Não acredito que sirvam algo assim num lugar como esse...

-E o pior é que servem!-Alfred riu diante da surpresa do inglês.-Este restaurante pertence ao meu pai... Na verdade, pertence a mim agora, já que ele me deu de presente de aniversário no ano passado, e desde então, eu mandei que servissem comida de fast-food também, só que com qualidade bem melhor, sabe?

-Ah. Isso só podia ser invenção sua mesmo...

-E ainda tem peixe com fritas aqui! Deveria me agradecer, mandei que colocassem no cardápio semana passada, só pra você, sabia?-Alfred sorriu, bebendo um gole da coca e fitando o outro, que tinha desviado o olhar. Não sabia se era por causa da iluminação ou se estaria vendo coisas, mas Arthur parecia estar corando.-Não vai me agradecer?

-Er... O-Obrigado.

-Você é muito engraçado quando pede desculpas, Arthie.-Alfred riu.

-Pois morra então! Tomara que engula uma azeitona e morra engasgado, seu brutamontes imbecil!-O inglês exclamou, ficando um pouco mais vermelho só para que Alfred tivesse certeza de que ele estava corando. Tão... fofo.

-Tenho certeza que não deseja nada dessas coisas, Arthie.

-E como sabe? Pode ler mentes agora?

-Porque eu sei que você gosta de mim, mesmo me xingando infinita vezes ao dia.-O americano sorriu, bebendo mais um gole da coca enquanto o garçom chegava com a comida e a servia na mesa, saindo pouco depois.

Arthur nada comentou sobre a frase de Alfred, preferindo deixar o assunto ser esquecido em meio ao silêncio de quando ambos começaram a comer. Realmente, a comida era muito boa, e o chá que veio junto era de primeira qualidade... O que teria sido mais aproveitado se não fosse por uma moça indo em direção da mesa aonde estavam.

Alfred não podia vê-la porque ele estava de costas, mas Arthur podia, e tão logo notou que não era nenhuma funcionária e que realmente estava se aproximando, pensou que tipo de pessoa seria, já que tinha afinidade para atrair certos problemas.

A moça, olhando de perto, a mulher, tinha estatura média, e o longo vestido vermelho cor de sangue com as costas nuas deixava grande parte de sua pele alva a mostra. Os cabelos eram castanhos escuros, e tinha no rosto um sorriso sedutor, assim como segurava uma taça do que parecia ser vinho, quem sabe francês.

E lá vinha ela, caminhando com toda a elegância de uma celebridade americana no seu salto alto que parecia deixar bem claro que caso ela caísse, quebraria o pé sem dúvida alguma... E por alguma razão, Arthur não gostou dela. A achou, como se tivesse passado anos falando com ela, petulante e orgulhosa, sendo que era a primeira vez que a via.

E quando não gostava de uma pessoa, ele não fazia questão de gostar, por isso, quando ela se aproximou mais e parou bem ao lado da mesa de ambos e sorriu, tocando num dos ombros de Alfred, mais preocupado em comer naquele momento, Arthur sentiu uma pontada de raiva.

-Oi, você pode não se lembrar de mim, Alfy, mas eu trabalhei como modelo pela empresa do seu pai, você se lembra?-Ela sorriu, se curvando um pouco enquanto o americano também sorria, se levantava e a abraçava, claramente feliz e surpreso.

-Vanessa! Puxa, o que faz aqui? Pensei que estaria na América do Sul ou algo assim.-Alfred riu, olhando de cima a baixo o corpo dela, parando nos seios para depois então voltar ao seu rosto. Arthur apenas observava a cena entre uma garfada e outra.

-Eu arrumei um emprego por aqui como modelo de uma indústria de cosméticos, mas faz pouco tempo, então quase ninguém sabe ainda.-Ela riu, finalmente parando e fitando Arthur, com cara de poucos amigos.-E quem seria esse seu amigo?

-Este é Arthur Kirkland, é minha babá.-Alfred riu, colocando ambas as mãos nos bolsos enquanto o inglês, antes que pudesse se justificar, ouvia a risada da mulher, bem contagiante.

-Você ainda precisa de babás?!-Ela riu, levando uma das mãos até a boca.-Eu lembro de quando você chegava no escritório do seu pai porque tinha sido suspenso do colégio ou porque tinha arrumado algum problema com o motorista... Ainda é o mesmo? Ou conseguiu outro? Ah, Alfy, precisamos colocar a conversa em dia e... Você cresceu tanto! Se tornou um rapaz realmente muito bonito, e talvez possamos sair a qualquer momento, o que acha?

Ah, aquela vontade de simplesmente se levantar dali e ir embora... Não aguentava aquele teatrinho porque no final era tudo questão de sexo mesmo, então por que não ir logo para um motel? Ele estava ficando enojado. E com raiva.

-Claro que sim, aliás, eu tinha que ir até o bar comprar uma coisa para o meu amigo, você gostaria de ir comigo? Arthie, você não se importaria se eu sumisse por alguns instantes, não é?-Alfred perguntou, fitando o inglês.

-Não, pode ir.-Arthur respondeu, voltando a comer, tentando ao máximo não pegar aquele prato de comida e jogar em ambos.

Se Alfred não conhecesse Arthur tão bem naquela altura do campeonato, ele jamais teria notado a ponta de raiva na voz, assim como a indignação e nojo. Não, ele nunca teria notado, e por dois milésimos de segundo ele até pensou em ficar com o inglês para não chateá-lo, mas não deveria ser nada, ele pensou. É, até porque Arthur não tinha motivos para ficar com raiva, e mesmo sabendo da possível ira do inglês, Alfred sorriu e seguiu a mulher através do restaurante, desaparecendo na multidão e deixando o outro só.

Só e com raiva.

O motivo da raiva? Não sabia. Estava tudo bem até que aquela maldita mulher enxerida e intrometida apareceu. Só podia estar querendo alguma coisa, no mínimo voltar a trabalhar com o pai de Alfred, porque aquele tipo de coisa, aquela aproximação falsa nunca era mais que isso... E “Alfy”?! Como ela o podia chamar assim?! Por que “Alfy” e não sr. Jones, já que ele era filho do seu ex-patrão?! Seriam eles tão íntimos assim? Teria mais gente íntima daquele jeito? E ela observara Alfred crescer? Conhecia o passado dele? Suas lembranças boas e ruins, seus micos, suas alegrias...?

E como ela poderia conhecer mais do que ele, que morava com o americano?

Sentia agora como se morasse com um total estranho, o que era curioso, já que nunca sentira necessidade alguma de fazer perguntas sobre Alfred. Até aquele momento, apenas ele, e não seu passado nem seu futuro, bastara.

Porque não precisou saber de onde vinha nem o que tinha feito para definir o americano, nem para aceitá-lo, porque, na verdade, estava o aceitando. Estava ignorando mais suas estupidezas, tentando não ser tão grosso, tão mal-agradecido, tão mesquinho... E no fundo, esperava estar mudando Alfred também.

Por que eles eram amigos, não eram?

E amigos contam um com o outro e se preocupam um com o outro, mesmo que essa amizade tenha começado de um jeito estranho e por grande parte do tempo, tenha sido suportada por apenas um dos lados.

Porque Arthur nunca quis ser amigo de Alfred, e foi Alfred que se aproximou e, sorrindo como um louco, se apresentou e lhe perguntou seu nome, como ninguém mais havia feito...

E Arthur não soube como reagir. Ele não tinha nada para dar, nenhum parente influente, nenhum dinheiro, nenhum carro, nenhuma influência, nada, nada a não ser ele e toda a sua arrogância, já que admitia ser arrogante.

E ele sabia que pessoas não fazem nada de graça. Elas sempre fazem algo por trás, elas sempre procuram sair ganhando com aquilo que fazem. Não existem boas ações, existem ações que fazem ambos os lados ganhar, mas Arthur não conhecia Alfred, não tinha nada, então por que o americano se aproximara daquela maneira? O que teria sido o diferencial?

Ele não sabia. Na verdade, se soubesse, teria entrado em pânico. Se soubesse que estava sendo enganado da pior forma possível por aquele que considerava seu melhor e único amigo, teria realmente entrado em pânico. Mas o fato era que Arthur não sabia, e para ele, Alfred tinha feito aquilo por pena, e que se intensificara depois do acidente, até que eles estavam ali, aonde tinham passado de pena para uma reação mais amistosa como amizade mesmo.

Mas mesmo numa relação de amizade, Arthur não podia negar que até algumas semanas atrás suspeitava do outro, como se ele escondesse alguma coisa, como se quisesse algo de si, como se, sei lá, no meio da noite pudesse roubar seus órgãos para vender no mercado negro ou, pior ainda, descobrisse seus segredos para humilhá-lo em público para que ele nunca mais pudesse sair na rua sem temer ser agredido física ou verbalmente.

Mas Alfred sempre o estava ajudando, então ele não deveria pensar naquilo... O que fez abaixar suas guardas. E talvez fosse por isso que ele estivesse sentindo tanta raiva daquela mulher, daquela tal de Vanessa, especificamente.

O que não fazia sentido, já que eles eram amigos e apenas isso.

Talvez fosse natural. Talvez pelo fato de nunca ter amigos, fosse natural ter algum tipo de irritação quando fosse vê-los com outra pessoa. É, sim, só podia ser isso.

Fosse o que fosse, ele ainda estava com raiva e tinha acabado de comer, ainda sozinho. Já tinham se passado vinte minutos, e então trinta e então uma hora. Uma hora esperando sozinho, uma hora sofrendo em silêncio e uma hora amargurando naquela maldita ideia de sair para jantar, a droga do jantar.

Que educado da parte do americano abandonar o outro ali em troca de uma possível transa com outra pirua... Respirou fundo, pensando se teria problema pedir alguma cerveja mas... Não, não faria aquilo. Só tinha provado cerveja uma ou duas vezes, e sempre acabara se arrependendo, então para que isso de novo?

Não que não tivesse idade... Iria fazer 18 anos ainda naquele ano, mas mesmo assim, não iria pedir. Respirou fundo mais uma vez, desejando poder se levantar, mas ao invés disse, afastou a cadeira-de-rodas para trás e, guiando-a com um pouco de dificuldade ainda, conseguiu atravessar o salão do restaurante, passando pelo garçom e o avisando que iria apenas tomar um ar.

Claro que o garçom assentiu, não é como se ele fosse tratar mal o amigo do dono do restaurante mesmo. Na parte de trás do restaurante, havia uma espécie de pátio aberto com os limites tendo um parapeito que se estendia para ambos os lados, como uma proteção para que ninguém caísse no mar lá embaixo (já que o restaurante ficava bem na costa da praia).

O fato era que naquele espaço não havia mesas e nem garçons circulando, exceto alguns casais e a Lua iluminando o mar, o que deixava o lugar um tanto mais reservado que o restaurante, sem toda aquela correria e sem todo aquele barulho de gente conversando sem parar.

Arthur foi até o parapeito e, desejando ser mais alto para ver o mar sem ser por entre as pequenas colunas daquele tipo de “cerca”, apoiou os braços no mesmo e deitou a cabeça no concreto frio e bem trabalhado, ou seria mármore? Não sabia.

Não estava com raiva agora... Talvez um pouco triste, novamente sozinho. Pensou como seria sua vida quando voltasse a trabalhar e quando voltasse para o colégio. Não deveria ser muito bom, e se as pessoas já o olhavam pelo canto do olho, agora o olhariam com pena, o que conseguia ser mais vergonhoso.

Suspirou, perdendo os olhos no céu, já que não conseguia ver o mar muito bem. Havia mais estrelas por ali, quem sabe porque houvesse menos luz do que na cidade. Fechou os olhos, esperando. Desejava que Alfred demorasse tanto que chegasse atrasado no seu maldito jogo, só para que depois ele pudesse ficar repetindo “eu te avisei, eu te avisei” mesmo que ele não tivesse avisado nada.

Mais vinte minutos se passaram então, até que Arthur ouviu alguém chamando por ele. De início, ignorou, abrindo os olhos e olhando em volta, mas ouvindo seu nome ser chamado novamente, até que um americano exasperado entrou no pátio e logo localizou o inglês, se aproximando e pegando-o pelos ombros, virando-o para que Arthur pudesse ficar bem de frente para Alfred, que não parecia muito feliz.

-Arthie, por que saiu da mesa?!-O americano exclamou, atraindo a atenção de um dos poucos casais ali. Ainda bem que não tinha muita gente,

-Você estava se agarrando com aquela mulher, então por que eu tinha que esperar? Não ia ficar olhando para o tempo feito idiota, seu idiota.-Respondeu o inglês, que até aquele momento estava estável só para novamente começar a sentir raiva.

-E-Eu não estava me agarrando com ela!-Alfred exclamou, mentindo, soltando os ombros de Arthur e se afastando um pouco.

-Então o que são esses seus cabelos desarrumados, a gravata, a bendita gravata, desfeita e a braguilha da calça ainda aberta? Não me trate como deficiente mental porque o acidente não afetou meu cérebro.

-Eu... Tá, eu estava com ela, mas você deveria ter me avisado se tinha saído da mesa. Eu achei que você tinha sido sequestrado, sei lá...

-E eu iria interromper seu momento com aquela dama?!-Arthur exclamou, repleto de sarcasmo.-Ah, não mesmo! Até porque, se você realmente se importasse comigo, não tinha me deixado sozinho, para começo de conversa.

-Eu não te deixei sozinho, você tinha dezenas de pessoas ao seu redor e...

-NÃO FALE DA SOLIDÃO COMO SE FOSSE ALGO SIMPLÓRIO! Você sempre está rodeado de pessoas, mas solidão não é só estar num ambiente sem ninguém! Solidão é bem mais que isso! Solidão é você estar cheio de pessoas conhecidas ao seu redor e mesmo assim se sentir só! Não me venha falar da solidão como se fosse algo simples e besta porque você não sabe nada sobre ela, ouviu bem?! Nada!

-E eu suponho que você saiba então?!-Alfred rebateu, enfurecendo mais o inglês.

-Sei sim! Sei mais do que você! Sei mais do que você vai saber durante sua vida inteira, seu brutamontes egoísta e imbecil! Que grande ideia, aliás, que educação você deixar seu convidado segurando vela, não é?!

-Vai dizer que está com raiva porque eu te deixei só?!

-Estou com raiva porque me deixou só por uma mulher qualquer! Não quero saber que tipo de ligação você e ela tem, não quero saber, não me importa, o que me importa é que você me trocou por mais uma simples... Uma simples... Uma simples transa, seu imbecil!

-Olha, Arthie, não precisa...

-Cale a boca! Você vai me escutar, porque isso não é coisa que se faça!

-Você não está com ciúmes, está?

-Eu já mandei calar a boca! Você vive me causando problemas, vive me envergonhando, e quando eu decido sair com você, você quebra todas as boas maneiras e sai para se agarrar no banheiro com aquela mulher que há anos não via! Você já pensou se ela tem aids ou algo do tipo?! Eu odeio quando você faz essas coisas sem pensar! Eu odeio isso! Eu odeio você! Eu odeio...!

Mas Arthur não conseguiu terminar de falar, ou melhor, de gritar, porque antes de conseguir terminar a frase, Alfred se aproximou e o ergueu pelas axilas, o sentando em cima do parapeito e levando uma de suas mãos até suas costas, para que não caísse, e a outra até que seu queixo ao mesmo tempo que colava seus lábios aos do inglês.

Notas finais
Bem, aqui está o chap 8 ~~

Sejam felizes com ele e com o que veio antes dele porque os postei num dia só, mas enfim, ELES FINALMENTE SE BEIJARAM, OLHA QUE COISA BOA!

Não garanto que depois desse beijo as coisas se tornaram um mar de rosa, mas, bem, não posso dar spoilers senão perde a graça, certo?

A apelação de reviews deste chap será com o Alemanha, a coisa mais linda e fofa que um anime/mangá já teve (na minha opinião, claro, gosto é gosto e cada um tem o seu... Meu pai dizia assim "gosto é igual a cu, cada um tem o seu" //apanhamuitodepoisdessa//) MAS ENFIM...

Dia 20 foi o dia Nacional do Amigo, e o Ludwig não tinha nenhum presente para dar ao Feliciano e por isso decidiu escrever alguma coisa para o italiano, sabe? Só que todos nós sabemos que o Ludwig não tem muito jeito quando se trata de emoções, então ele PRECISA de ajuda.

Como ajudar? SIMPLES! Mandem reviews porque aí, sentindo o amor de vocês por esta fanfic, ele será capaz de colocar todo o amor, cahen, quer dizer, toda a amizade que ele tem pelo Feliciano numa linda declaração de amor, cahen, quer dizer, carta de amigo ~~ ((alguématiraemmimdepoisdessade'amorpelafanfic'))

ENFIM! MEUS LINDOS E LINDAS, ATÉ PRÓXIMA SEXTA ENTÃO ~~

E mandem reviews, leio todas e fangirlizo loucamente com elas ~~