Liberdade

2 Minha nostalgia que me traz sorrisos.


Notas iniciais
Pelo primeiro leitor que me inspirou. Butjao obrigado.

Um novo começo com algo de cor e sorrisos.

Minha vida havia começado novamente assim fazendo com que novas experiências e anseios surgissem. Foi no ensino médio que senti o que era desejar ter alguém ao seu lado mais do que apenas amizade, aquele desejo não apenas romântico, mas sim sexual ao qual todo adolescente passa, apesar de que hoje em cia as crianças estão com fogo onde não deveriam ter, só minha opinião.

No primário havia sentido um romance, também, mas nada ao ponto de querer beija-lo, apenas estar com ele era tudo e nada, o odiava e o amava, quem lê pode ser que já tenha passado por algo similar ou o mesmo que eu. Ele era um dos encrenqueiros da sala, levava bronca constantemente e vivia me irritando de início só notava a presença dele, mas com um pouco de tempo eu só via ele. Recordo que na época lhe escrevi um poema e guardei para mim, acredito que ele em algum momento notou que ficava nervosa perto dele e a turma também quando teve um momento que ficaram zoando que estávamos juntos.

— Você é estranha, não deveria ficar perto das pessoas. – Isso doeu mais que qualquer outra coisa, me marca até hoje, essas palavras ditas por ele, pelo garoto por quem estava apaixonada, não foi realmente ali que minha paixão acabou já que realmente gostava dele fiquei mais ou menos 2 anos o vendo com esse olhar de ódio e amor, só acredito que não deveria ter ajudado ele para a prova de espanhol, já que essas palavras foram bem cruéis na minha opinião.

E o ensino médio era a hora do bad boy, ou não o cara fumava, e não apenas cigarros, vivia de preto total mal influencia, sem contar que não era bonito, mas faze o que me interessei, na escola nunca falei com ele não conseguia, mas a internet serve para alguma coisa, lembram do belo Orkut, lá estava eu escrevendo poemas e falando com ele, ele ficou estranho depois de saber que os poemas eram inspirados nele. Bom era obvio ne.

Em casa a família era três gatos, um cachorro, minha mãe, meu irmão e eu, estávamos em uma etapa onde eu só estudava, meu irmão fazia as dele, chegou a dar mais e mais problemas para minha mãe. Quase ia esquecendo, continuei a mesma em casa não era de me expressar muito, apenas passei a tratar minha mãe como uma irmã estando em casa e admirando a mulher maravilha que ela era por todos os dias ir trabalhar, fazer de tudo para criar seus filhos e tentar educá-los do jeito desastrado dela.

Minha mãe era uma mulher desbocada, típica mulher que fica mal humorada na fila de banco, típica mãe que ao receber um telefonema da escola sai correndo do trabalho do outro lado da cidade para ver o que aconteceu, típica mãe que diz.

— Vocês vão me dar valor quando eu morrer. – A vai dizer que nunca ouviu isso. – Eu vou sumir dessa casa. – Eram coisas que ouvia quando ela já não sabia o que dizer em situações familiares, aliás ainda ouço e quer saber, muito.

Minha relação com ela era de dar concelhos a ela, em troca ela fazia o papel de mãe trazendo dinheiro e comida para dentro de casa.

Já meu irmão, era o típico garoto problema, arrumava facilmente brigas em qualquer lugar, sem contar que vivia tendo problemas no estomago, não podia comer qualquer coisa que passava mal.

Com ele era algo assim como, briga! Era só um de nós dois abrir a boca para falar um com o outro que brigávamos, um grande motivo foi a falta de um segundo computador. Tal vez as mulheres de hoje em dia sejam mais maduras sobre o assunto, mas pensa na adolescência, um computador para duas pessoas, sem regras em casa onde o único que era limitado era o tempo. As coisas entre nós só esfriou quando compramos um segundo, mas só nos distanciou ainda mais.

— Deixa eu mexe. – Pedia para ele em diversos momentos, que acreditava ele estar gozando de mais do tempo dele com o computador, ele ignorava meus pedidos, lembro vagamente o porquê de uma das vezes ele quase me bater, o início não está nítido, mas desliguei a força da casa e ele estava jogando online, ficou uma fera comigo.

Ainda dou gargalhadas sobre o assunto, hoje posso dizer que nossa relação é mais amistosa.

Foi no segundo ano do ensino médio que minha vida deu um giro 360 muito louco fazendo eu me sentir outra pessoa. Consegui entrar como jovem aprendiz para trabalhar no shopping da cidade, não era lá grande coisa, mas estava me socializando, lá eu reparei que realmente era uma pessoa de palavras afiadas.

— Não precisa ficar dando patatas assim. – Eu sinceramente sempre achei que fosse normal falar daquela forma, recém começara a interagir com pessoas que não era realmente da família e como me sentia zoada na escola os tratava dessa forma.

Os rapazes da loja onde estava trabalhando como fiscal eram do tipo galinha ou posso dizer que o típico mulherengo, eu não o conhecia nem a um dia e ele já estava falando como se fosse um amigo meu ou conhecido de meses, mas ali era meu trabalho e eu devia ser gentil, aprendi aos poucos isso.

Meu segundo ano do ensino médio também foi para novas experiências além do trabalho, tive a grande oportunidade de ser líder de sala, para uns isso é chato, para outros bom, pois bem eu sempre gostei de me mostrar prestativa, mas era pouco entusiasta de me levar até o palco e dizer “oi estou aqui”.

— Bom tenho uma boa e uma má notícia para vocês. – Uma das orientadoras escolares entra na sala, proclamando notícias, que maravilha. – Quero lhes informar, que todos os professores para o cargo de regente já foram ocupados e só tem um professor para o cargo. – Foi ai que a deixei irritada, mas não antes dela terminar, claro tinha de ouvir o nome do tal professor.

— Ah não, se até a professora fala que é má noticia. – Meu tom de deboche ecoou na sala e o som da conversa alheia aumentou como cochichos em praça pública.

— Não foi isso que eu disse! – Suas sobrancelhas se arquearam e cara eu não estava nem um pouco com medo e sim satisfeita. – Sobre ser má noticia me referi sobre, não ter mais opções. – Ela falou furiosa, logo prosseguiu com a eleição para líder e vice da sala, foi quando o idiota que mal falava comigo zombou.

— Vamos eleger a Lunar. – Ouvi como prosseguiam com a ideia, sentia-me feliz de certa forma, eu já havia pensado em me candidatar, mas nunca o faria realmente.

Sabia que o motivo além de zombar de mim era só, por que quem havia sido líder no ano anterior era uma tirana, egoísta ao qual poucos gostavam.

Quando terminaram os votos de serem contados, lá estava meu nome com mais votos. É inevitável sentir um pouco de nostalgia já que foi um momento feliz.

Não durou muito tempo meu estado de liderança, já que faltei uma das aulas para ajudar uma amiga, melhor dizendo evitar que a criatura se cortasse por ser depressiva após o intervalo. O que me deixou mais em evidencia foi o fato da orientadora ir na sala antes e depois do intervalo, notando menos 8 pessoas da turma, eu com meus motivos e elas para verem uma apresentação de dança de outra turma.

Não queria relatar o assunto de minha amiga, então ficou por assim mesmo.

— Professor já não sou líder de sala. – Fui me comunicando com todos até chagar no regente. Cujo dito me irritou. – Não sou mais líder porque gazeei uma aula. – Disse ainda calma.

— Não foi só por isso. – Ela disse sem olhar para mim ainda corrigindo uns trabalhos, gesticulei com as mãos e aumentei meu tom de voz. – Foi só isso sim, não fiz mais nada além de faltar aquela aula. – Ela repetiu o mesmo e eu também, mas ela ficou irritada falando que havia posto de dedo na cara dela, por um momento ela sai da sala e ao voltar me manga para a secretaria, comigo foram mais cinco pessoas me defendendo, meu sorriso de agora demonstra a nostalgia em meu coração, a alegria de fato, poderiam não ser meus amigos de confiança mas estavam ali me defendendo, mostrando que estavam felizes de que eu era a líder.

Quando cheguei na sala da orientadora, levou um tempo para conseguir que ficássemos a sós, mas quando por fim estávamos. – A professora disse que fiz algo a mais do que faltar a aula, mas que eu saiba foi só! – Ela suspirou e disse sem olhar para mim e sim para as folhas em sua mesa. – Realmente não foi só isso, mas você deve estar feliz que seus colegas vieram lhe defender e apoiar. – Desculpe as palavras, mas eu fiquei puta, pensava “como assim?” – Como assim? Que eu saiba só foi a falta na aula, o que mais fiz, que eu não sei! – Ela ainda sem me olhar, suspirando novamente fala. – Conversamos no ultimo conselho de classe e chegamos em um consenso de que você era mal educada com seus colegas e professores.

Sabe a gota d’agua, aquele estalo em sua mente dizendo “O QUE VOÇÊ ACHA QUE TA DIZENDO”.

Acredito que o deboche pode ser uma forma de responder, mas não o vejo como falta de educação, respeito quem me respeita, sem ver idade, sexo, gênero, rasa, etnia nem religião.

— Professora posso ser debochada, sarcástica e irônica, mas não sou mal educada com ninguém, sempre respeitei vocês e meus colegas. – Poxa eu que subi no cargo por soassam, eu que era intimidada por ser estranha, louca, feia e sei lá quantos nomes já me chamaram para deixar minha estima baixa e me deprimir e era eu que estava sendo repreendida por isso? Engraçado.

Ela me veio novamente com “você tem de estar feliz por seus colegas virem lhe defender” e logo com uma baboseira de que eu poderia voltar para o cargo em uns meses se eu quisesse o qual neguei no mesmo instante sem sequer hesitar, não vou ser mais humilhada.

Também nesse período dei meu primeiro beijo. Tinha dezesseis e sim, foi um beijo maravilhoso com direito a mordidinha nos lábios. Mas não ia ser meu namorado.

Havia chego cedo no trabalho como sempre, aquele garoto passava por mim carregando o carrinho para abastecer um dos restaurantes do shopping, em algum momento tivemos de subir o elevador juntos, ele subiu, entrou gente, desceu, subiu, até que conseguimos ir para onde queríamos. Foi questão de momento e subimos novamente juntos ao elevador, o mesmo se passou, mas dessa vez antes de chegarmos onde desejávamos estávamos sozinhos, ao descer ele para a porta. – Prazer Gabriel. – Estendeu sua mão para apertar a minha e meu deus que sorriso, era um sonho. – Prazer Lunar. – Ele ainda sorrindo pediu para que se pudesse fosse ao restaurante em que trabalhava para podermos conversar. – Está bem. – Foi o único que disse.

Sem dúvidas estava no céus, com e com anjo Gabriel. A como meu sorriso pode ser tão constante.

Eu aprendi que minhas experiências poderiam ser boas e não apenas más como pensava. Que mesmo que ainda não tivesse amigos de verdades aquele, sabe que não te esquece, poderia ter pessoas que marcariam minhas lembranças com sorrisos e nostalgia.

Hoje muitas dessas pessoas passam por mim e não me reconhecem outras apenas acenam em cortesia, mas ainda guardo as memorias que tive com elas, mesmo ruins serviram para me ensinar em quem posso ou não confiar sentindo na pele o que é ser defendida ou julgada.

Notas finais
Obrigado pelo interesse.