Liberdade
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era jovem por volta de uns quatro a cinco anos de idade, se tive vontade de chorar assim o faria, se tivesse vontade de rir porque não? Era tudo mais simples ou pelo menos é o que todo adulto pensa, certo?
Meu subconsciente falava comigo, era normal, ainda é normal, para adultos é o fator imaginação infantil e após o crescimento é a criatividade que ainda vivi dentro de nós como aquela criança interior.
Estava chorando, por que o fazia? Seria por acordar ainda cedo e saber que os filhotes da cadela ao qual tinha havia sido doado quando me apegara tanto a ele, chorava como se aquilo fosse o fim do mundo até meus olhos ficarem vermelhos e inchados, culpando meu pai por me acordar cedo e fazer eu saber que já não tinha minha preciosa cachorrinha que tanto “amava”,
— PARA!!! — Um grito exclamando ao mundo que já estava frustrada e cansada daquilo, ainda na idade prematura de sete a oito anos, ouvindo minha avó e minha mãe discutindo algo que já não recordo.
— Que foi está louca como sua mãe! – Meus olhos se arregalaram, novamente seria o fim do mundo para mim, tudo que lembro de haver sentido era medo, como se houvesse acordado de um sonho... Um pesadelo para ser exato.
Tinha muito medo de tudo aquilo, daquele mundo, não pensava ainda que queria fugir, mas não muito tarde o pensei em fazer.
Crianças deveriam ter vida fáceis suponho, sem responsabilidades e deveres, mas acredito que com a minha experiência não é tão simples assim.
Ainda imaturas temos medo, medo de levar bronca, medo de errar, ainda mais quando pensamos como fazem os adultos, tentamos imitar tanto o que fazem que acabamos sendo eles.
Ainda tendo medo de fazer certas coisas, aos poucos passei a ter interesses próprios, passei a gostar de arte, só um tempo depois que percebi que o interesse súbito em desenhar era puro anseio por atenção e de certa forma uma competição.
— Que bonito seu desenho – A professora fala e uns outros alunos concordar, eu me sentia tão feliz, de saber que algo que fazia era elogiado, foi meu primeiro anseio por ser elogiada, vi como a professora elogiava um outro garoto e fui ver seu desenho por mera curiosidade e senti inveja, ele conseguia copiar os traços da obra original enquanto eu fazia o que via em minha mente, ele podia recriar o que já existia.
Houve um momento em nossas vidas que se repetiu muitas vezes em minha família.
— PARA PAI PARA. – Gritava como se minha vida dependesse daquilo, ele estava batendo nela com fios de eletricidade, eu não conseguia entender o porquê, mas não conseguia parar de gritar e chorar, queria ajudar minha mãe mais o medo era tanto que paralisei, não foi exatamente ali que percebi que ele não amava minha mãe, mas foi um dos momentos que senti dentro de mim que não havia motivo algum para confiar nas pessoas.
As meninas da escola por algum motivo estavam brigando a lembrança era algo vaga do porquê, mas num súbito ataque infantil ansiando por atenção, chega a ser engraçado tanto na época quanto agora. – Você prefere ser nossa amiga ou dela. – Todas elas haviam passado o jardim de infância comigo, brinquei mais com umas do que com outras, mais e daí pensei na hora, que grande besteira. – Ela. – Disse apontando para a menina que estava sozinha, pensei não me importo realmente com qual delas vou brincar, não considero nem uma delas minhas amigas de verdade, mas essas duas tem uma a outra e ela está sozinha, então vou escolher ela.
Uma criança de oito anos, sim, uma criança de oito anos estava pensando isso em seu intervalo da escola,
— Pai pega esse. – Ainda me lembro como se fosse ontem, estávamos em uma locadora próxima de casa a qual sempre íamos quando o pai decidia ver filmes, pedia para ele alugar uma “fita” sim sou da época das fitas minha gente, era fã da Disney ainda sou! Cento e um dálmatas, a Cruela devil era uma grande vila para mim, mas o que mais amava eram os lindos cachorrinhos.
— Trouxe bolo de queijo. – Eba, era meu favorito na época e o do meu pai também, havia momentos que ele não era o vil homem que batia, brigava ou traia.
— Meu bem já não precisa falar comigo dengosa assim.
— Brigas só pra depois, ganhar mil carinhos de mim.
— Se eu aumento a voz você faz beicinho e chora baixinho.
— E diz que a emoção dói seu coração.
— Já não acredito que você chora dizendo me amar.
— Sei que na verdade carinhos você quer ganhar.
— Um dia gatinha manhosa eu prendo você no meu coração.
— Quero ver você fazer manhã em tão.
— Preza no meu coração.
— Quero ver você.
— Um dia gatinha manhosa eu prendo você no meu coração.
— Quero ver você fazer manhã em tão.
— Preza no meu coração.
— Quero ver você. (Erasmo Carlos — Gatinha Manhosa).
Minha mãe cantava para mim como música de ninar, apesar de ser uma música de romance era muito melhor que “Boi da cara preta” ou “A cuca vai pega” minha mãe cantava com uma voz suave enquanto fazia carinho em minhas costas, era realmente relaxante.
Meu mundo começou de novo após a guerra interna em minha mente que durou muito tempo, mas antes de dizer como é após guerra tem o início dela. A mente de uma criança pode ser uma caixinha de surpresas e a minha era um baú cheio delas. Saia o que havia dentro, mas como usar nem sempre sabemos.
Um dia ensolarado de verão o céu azul lindo com algumas poucas nuvens, parece um dia perfeito para ser feliz, mas eu não tinha nem uma emoção, parecia que toda ela havia sido sugada de mim, me despedi de meu pai minha avó minha tia que tinha a mesma idade que eu só nove meses mais nova, entrei no carro com minha mãe meu irmão, não lembro quem estava dirigindo, só lembro que no banco de traz meu irmão mais velho chorava, não lembro do rosto deles mas do sentimento de minha mãe estar quebrada em mil pedaços, o único que pensei isso é bom! E o que senti foi decepção ao olhar para traz e ver que meu pai sequer esperou o carro sumir na rua para virar as costas e ir para dentro de casa.
Essa foi a primeira vez que me mudei de casa, nessa época fomos para um apartamento perto da escola onde estudávamos, eu estava com onze anos e meu irmão com 14. A minha guerra havia iniciado, pensei que finalmente minha mãe iria parar de chorar por meu pai, mas não foi bem assim, ele vinha visitar e acabaram se envolvendo novamente, ele decidiu ir para EUA, fazendo promessas, fizemos nossos passaportes, ele estava lá, ligava em alguns momentos e ficava no telefone com a gente.
Eu me sentia mais e mais no escuro, em um abismo, presa, depois do assunto da colega eu já não era mais aberta a novidades, antes disso acredito que já estava me fechando, não comia com as meninas da sala preferia ficar sozinha, no intervalo ou em qualquer momento, foi o motivo principal para iniciar a faze 2º da batalha, os inimigos eram a minha turma, e eu mesma. – Feia. – Foi uma das palavras que passei a ouvir, depois sentia os olhares e as risadas, na escola era assim, em casa... Em casa era sem vida,
E os inimigos mandaram uma grande bomba, o telefone tocou minha mãe estava falando com meu pai como sempre, quando do nada começou a chorar, alguém do outro lado da linha que ela conhecia, além do meu pai, pegou o telefone. – Ele está comigo agora. – O coração de minha mãe se quebrou de novo, foi quando minha avó materna veio nos buscar e levar para a casa dela, era a segunda vez em menos de sete meses que me mudava, era para a cidade ao lado e ali eu tive certeza que a história entre meu pai e minha mãe havia terminado como casal. Não fiquei triste, mas como disse meus sentimentos haviam sido sugados, drenados por algo.
Foi duro ver minha mãe com depressão, foi duro viver basicamente em um cômodo onde era a sala, quarto, cozinha sem repartição ou banheiro, foi realmente duro ver como meu irmão que antes era educado e eficiente se tornou em violento e instável, não que ele já não fosse pavil curto, mas havia mudado, eu me sentia como um espectador assistindo tudo de uma sala escura, sozinha, não falava do que sentia, nem sabia se sentia algo, era o tempo da guerra fria em minha mente, acredito que para minha mãe fosse como na época onde Ritler fazia seus massacres na câmara de gás, como naquele filme “O garoto de pijama listrado” e para meu irmão como se o seu herói houvesse se tornado um traidor.
A escola começou eu me sentia bem por não ter de estar com aquela pessoas que riam de mim, mas não era só elas o problema e eu ainda não sabia disso, não tentei me enturmar, vi que a matéria era mais fácil do que na antiga escola e quando vieram falar comigo pedindo meu lanche acabei sendo esnobe e negando, descobri depois que meu irmão viu ela tentando me dar um tapa e do ângulo dele parecia que tinha conseguido, foi engraçado saber na sala de aula por outras pessoas que ela havia levado um tapa do meu irmão por se meter comigo.
Foi piorando, na escola, mas em casa as coisas pareciam melhores, tinha primas por perto e muitas crianças na rua que se juntavam para brincar de bola e outras brincadeiras. Cheguei a quebrar a janela do vizinho, tive tanto medo, ele era um velho com cara de mau, depois pois grades na janela, junca vou esquecer. Hoje ao lembrar não consigo evitar rir.
Ao ouvir o vidro quebrar eu sai correndo para dentro de casa e comecei a chorar, a bola era do meu irmão e eu tinha medo dele brigar comigo por perde a bola, medo do vizinho brigar, medo da minha mãe brigar, crianças tem medo de tudo, melhor dizendo o ser humano tem medo de tudo, digo por que sei que ainda tenho medo, mesmo o tempo passando.
Meses foram passando e a guerra seguia, havia momentos de fome, momentos de desespero e momentos de tréguas, para aquela momentânea alegria, um dos melhores momentos era ainda o fato de se juntar na sala com a família para ver um filme, deve ser por isso que sou tão viciada neles ainda. E um raio de esperança surgiu, minha mãe por insistência minha e de meu irmão começou a sair começou a namorar novamente, isso tecnicamente não foi uma boa escolha, mas de momento foi o melhor, ela fez a carteira dela crescendo pessoalmente se inspirando ainda temendo os pesares, desejando algo melhor para nossa família, iniciou uma nova história para ela, conseguimos comprar uma casa na mesma rua de onde minha avó materna e meus tios viviam, fui a única que lhe apoio e lhe encorajou, dói saber que ela só tinha a mim com quem contar como apoio mental, mas foi ai que eu passei a desejar ser independente.
Fiquei viciada em algo chamado anime, que era nada mais nada menos que o dito cujo desenho que vinha da origem japonesa, a recomendo que vejam o filme “Origem” muito lindo.
Minha mãe comprou um computador onde comecei a ver os desenhos, já conhecidos Dragon ball, Sailor moon e foi bem nessa época que saiu na via a cabo Naruto.
Eu disse até o momento que não tinha sentimentos, mas havia um momento onde parecia que estava no espaço e que todas as estrelas que via eram janelas para minha tristeza, angustia, magoa, remordimento, frustração, pesar e esse momento era o momento que eu não conseguia me controlar as lagrimas.
Devem achar que fugi do tema “anime” pois não, já que foi esse vício quem me salvou, não foi de um dia para o outro, passei anos nessa guerra, me contradizendo e aos meus sentimentos, podem rir o quanto quiser, mas foi o clássico Naruto quem me salvou, para quem não conhece é um personagem de desenho japonês, um idiota órfão que tem um monstro dentro dele o qual vive em uma aldeia em que todos o excluem menos uma pessoa o líder da aldeia, quando criança vivia tentando chamar a atenção de todos fazendo pirraça, pichando monumentos antigos e quebrando coisas, de início ele nem sabia o porquê de todos o rejeitarem, ele era um garoto que não se deixava abalar, mesmo todos o tratando mal ele era gentil e ainda assim fazia o possível para criar lações e amizades.
Eu aprendi com ele, com o idiota de um personagem de desenho, que ficar no meu abismo já não era o suficiente para mim, que ficar sozinha me deixava triste, que mesmo que fosse traída o que era meu maior medo tinha de enfrentar de cara e não simplesmente fugir fingindo estar bem. Foi no fim do primário no oitavo ano, que comecei a tentar ser diferente, não funcionou tão bem, já que todos me viam como. – Estranha.
Mas foi ai que aquela guerra tinha terminado. E deu início a minha nova vida,
Eu aprendi muito quando criança, acredito que nasci como um velho e ao crescer aos poucos fui me tornando mais criança.
Sai daquele abismo que me fazia chorar quase todas as noites sozinha, aquelas lagrimas que guardei para mim só, que nem meus familiares sabiam.
Aprendi que é muito bom aprender olhando, mas viver é muito melhor, também que nem tudo é o fim do mundo. Sem contar que minha história apenas está começando.
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