Notas iniciais
O capítulo tá meio pobrinho, mas o próximo vai ser melhor já que será o último! ^-^ Espero que gostem e obrigada a todos os que estão acompanhando.

Tudo, de alguma forma, parecia tão mudado e ao mesmo tempo tão... igual. O barulho da guilda, o barulho que tanto a irritava mas a fazia se sentir em casa, continuava o mesmo, mas o ambiente era outra história.
Andava pelos grandes corredores do dormitório passando porta por porta, observando os nomes escritos em cada uma: Evergreen, Levy, Wendy e Charles, Juvia, estranhou a falta do nome Bisca escrito em verde na quinta porta. Era verdade! Ela havia se casado, certamente havia ido morar com Alzack. Nossa! Bisca havia se casado com Alzack! Por tempos imaginava quando os mesmo iriam se declarar e agora, os mesmos já têm uma filha! Sentia-se feliz por eles, mas ao mesmo tempo não podia evitar de se sentir um pouco abatida, afinal, quanta coisa perdera. 7 anos haviam se passado para todos, menos para eles.

Imaginava como todos haviam conseguido manter o dormitório Fairy Hills se nem mesmo a guilda haviam conseguido manter. Certamente todos ainda possuíam esperanças de que um dia eles retornariam, e quando retornassem que tivessem algum lugar para ficar. Não tinha palavras para agradecer seus companheiros, e sabia que todas as garotas que moravam naquele dormitório também não.
Estava extremamente cansada, mesmo que tivesse dormido por 7 anos. Abriu a porta que possuía o nome Erza escrito em um vermelho berrante e atravessou o corredor de armaduras perfeitamente reluzentes e brilhantes, do jeito que havia deixado, e abriu a porta do último cômodo. Nada estava mudado, tudo estava no lugar onde havia deixado, até mesmo o livro que pegara emprestado do quarto de Levy estava marcado exatamente onde havia parado.

Entrou no banheiro para tomar o banho que não tomava havia 7 anos, ao sair, reequipou seu pijama rosa de espadas roxas e escovou os dentes e os longos cabelos ruivos, reparou através do espelho que algo se acomodava em cima dos lençóis brancos da cama.

Duas rosas, uma vermelha ligeiramente seca e uma azul repousavam juntas. Quem teria colocado aquelas belas flores ali? O seu primeiro pensamento foi guiado pela cor azul da segunda rosa, talvez... Não! Era impossível! Mesmo que tivesse escapado, Jellal não seria idiota de perambular pelas ruas de Fiore entregando rosas para ruivas desaparecidas, mesmo assim, imaginava onde ele estaria naquele momento, se ele havia mudado, se continuava sendo o mesmo Jellal gentil que reencontrara em Nirvana, se suas memórias haviam retornado e se se deixara cair nas trevas novamente. Tinha que parar de pensar nele, aqueles pensamentos ainda vão deixá-la fraca, sabia que se Jellal perdesse o juízo novamente, não seria capaz de derrotá-lo ou matá-lo.

Arrumou um vaso com água para as rosas e se enfiou dentro dos lençóis brancos. Fairy Tail estava tão diferente. Esperava abrir os olhos no dia seguinte e descobrir que tudo fora um sonho, sete anos não teriam se passado, eles nunca teriam ido ao exame classe S, tudo estaria normal. Acordaria e se depararia com uma Juvia sonâmbula perambulando pelos corredores de Fairy Hills murmurando repetidas vezes “Gray-sama”, Alzack e Bisca se encontrando às escondidas na calada da noite e brigas e mais brigas ocorreriam na antiga guilda a céu aberto deixando todos por fim, inconscientes e esparramados pelo chão de pedra.

Gostaria de imaginar que tudo seria como no passado, mas ter esse tipo de esperança, acreditar que tudo poderia magicamente voltar a ser como antes, já havia tirado muita coisa daquela ruiva, especialmente um certo garoto de cabelos azuis.

Desde que Jellal entrara na guilda, só falava quando necessário. Procurava passar o máximo de tempo realizando missões durante o dia, mas, não importava o quanto trabalhasse e se esforçasse, não conseguia parar de pensar nela, não conseguia ocupar sua cabeça, aqueles cabelos vermelhos, aquela personalidade forte, aquela força indomável... Daria tudo para vê-la de novo mais uma vez, mesmo sendo, de acordo com Meredy e Ultear, impossível.

Ele não conseguia acreditar nessas palavras, não podia acreditar. Não queria fazer sua mente acreditar que não a veria de novo, nunca mais. Alimentava as esperanças de que um dia ela voltaria, tão brilhante e forte como sempre fora. Descia as escadas da casa que a guilda estava usando como esconderijo rapidamente, estava decidido, aquela seria a última vez, tinha que dar um passo a frente. Estava certo de que Erza não gostaria de vê-lo naquele estado, com a cabeça presa no passado, tinha que seguir em frente, como ela sempre dizia.

Naquele dia encontrara naquele vasto campo de rosas que costumava visitar a mais bela rosa vermelha que já havia visto, o tom de vermelho, tão parecido com aqueles cabelos, tão bela, mas tão perigosa com seus inúmeros espinhos. Interpretava aquilo como um sinal, um sinal de que a moça de cabelos ruivos aprovara sua decisão, a moça que naquele momento estaria o observando sobre as milhares de nuvens no céu com aquele doce sorriso no rosto.

- Vai a algum lugar, Jellal?
— U-ultear! – Disse o garoto escondendo rapidamente a rosa atrás de si, ferindo seus dedos.

Ultear encarou o azulado com o olhar sério por alguns minutos e em seguida a sua face se suavizou.

- Acha mesmo... que eu não sei o que você faz todos os dias? – Disse a mulher
— E-eu... não... – gaguejou o garoto retirando a rosa de trás de si.
— Sua mão... ela está ferida. – disse a maga – Me deixe fazer um curativo nisso aí, ela pode esperar.

Jellal queria ir logo, mas não podia negar o olhar sério da maga do tempo. Deixou que ela lhe guiasse até a mesa e pegasse a caixa de remédios que pertencia a família que morava ali que havia fugido por causa das ações da guilda das trevas que a Crime Sorciere havia destruído naquela manhã.

— Sabe, quando eu criei esta guilda eu imaginava que destruir guildas das trevas seria uma tarefa fácil já que a única proteção delas era o conselho. – Dizia a mulher enquanto passava o algodão com antisséptico no ferimento que a rosa lhe causara – Mas elas se proliferam que nem coelhos, não é algo que seja possível terminar em um dia.

Jelllal parecia não ouvir o que a mulher falava, estava absorto na rosa vermelha que havia lhe ferido. Ultear suspirou.

- Jellal... eu sei muito bem que você a amava, e também sei que você sabe que ela não pode voltar. – Disse a mulher, a atenção de Jellal agora estava em Ultear, mas seus olhos não largavam a rosa. – Mas Jellal, você deve abrir seus olhos para a realidade, já faz sete anos!
— Eu sei disso, Ultear... É por isso que eu estou decidido que esta será a última vez...

Ultear esboçou surpresa, mas um sorriso suave tomou conta de sua face em seguida. Terminou de fazer o curativo e começou a arrumar a mesa.

- Pois então lhe desejo sorte. – Disse a mulher.

Jellal sorriu de volta.

- A Meredy...?
— Está fora, pedi a ela para fazer uma missão especial sozinha. – Disse a morena – A casa fica bem mais silenciosa sem ela, não é?

- É verdade! – Disse o azulado rindo pela primeira vez naquele dia.

Ela sabia que Jellal deveria acreditar no destino, e se o destino não deseja que Erza e Jellal ficassem juntos assim deve ser, caso o contrário, o destino sempre dá seu jeito.

Jellal apanhou a rosa em cima da mesa, pôs seu capuz e saiu pela porta da frente.

- Já vou indo – Disse ele.
— Vá com cuidado. – Respondeu a morena.

Ela observou o garoto saindo da porta como um pássaro saindo de sua gaiola, ele realmente havia crescido.

- UL!!! – Um grito estridente soou assim que Jellal saiu. – Um informante... perto da guilda Fairy Tail... ele... ele disse que... – Uma Meredy ofegante chegava correndo no pequeno chalé.
— Acalme-se, Meredy! Que informante, o que aconteceu? – Perguntava Ultear para a garota de cabelos rosa.
— Cadê... o Jellal? Ele precisa saber... Os membros... os membros desaparecidos no incidente de Tenroujima, eles...
— Diga logo o que houve!
— Ele voltaram! Eles estão vivos!

É, o destino havia realmente dado o seu jeito!

Notas finais
Espero que gostem! ^-^