L'histoire de Heather Golden Shadow
1 12º diário de Heather Golden Shadow: Sonho
Estava tudo meio escuro... Super escuro, na verdade.
Folhas secas caiam sobre meu corpo coberto apenas por um vestido de seda fina, meus braços expostos ao vento forte. Eu estava sendo puxada para um lugar que de alguma forma eu sabia onde era. Só consegui parar em frente ao chalé bege, que ficava de frente para uma praia, onde ondas calmas eram refletidas pela lua, que emitia uma luz prateada tão forte, como se pudesse até me tocar. Eu me sentia segura. Eu me sentia em casa. Logo adentrei o chalé, e dentro havia milhares de fotos espalhadas pela sala. Uma menininha correndo ao encontro de um menino loirinho. Pareciam felizes. Porém uma sombra caminhava logo ao lado deles. Não, não era suas sombras. Tinha outra forma. Uma forma nada normal. Mas eles pareciam não vê-la. Ela, em seu vestido fino, descalça, correndo para a praia e logo sendo seguida pelo menino. Algo dentro de mim me alertava de que eu já estivera ali. Que eu vivi aquilo. Mas aquilo tudo parecera ser tirado em 1800 e... nossa. Logo senti um baque e me senti tonta. Minha visão começou a embaçar... mas antes de desmaiar, pude ver algo se formando nas cortinas que balançavam... a sombra estava ali.
E é, eu acordei.
Meu corpo estava super molhado. Meu cabelo estava uma desgraça. Meu corpo parece ter sido arrastado pelo catrina e magicamente esmagado porém posto de volta em minha cama. Isso é estranho, pois eu estou toda doída, sendo que no dia anterior eu não tenha feito nenhum tipo de esforço. A não ser o esforço de levantar para almoçar e o esforço maior de por toda a comida para fora. Fora isso? o dia todo no meu quarto desenhando.
Logo levantei para tomar um banho, pois além de estar molhada eu estava fedendo a maresia. Tipo, Oi?!. Peguei uma roupa comum para um dia comum de verão e OPA PARA estava chovendo. DEUS EXISTE, É MARAVILHOSO E FAZ MILAGRE. Faz várias semanas que não se via um pingo d'água na Florida. Por tanto, com uma oportunidade dessas o que se há de fazer? Se você pensou que eu iria continuar na cama, pois esta erradíssimo. É hora de cuidar das minhas gérberas! Sim, a única coisa que eu amo fazer é cuidar das minhas gérberas. Suzan, Megan, Lohan, Jully, Mrs. Diana e um botão que ainda estava florindo, Amélia. Sim, dou nome às minhas flores. Enfim, tomei um banho rápido, peguei os materiais de jardinagem e corri para a estufa. O único lugar em minha miserável casa em que eu realmente gosto e cuido. Há vários tipos de plantas por aqui, minha mãe também adora. A única coisa que temos em comum é gostar de cuidar de plantas. A única coisa que nos uniu por um período. Logo depois que meu pai morreu, deixando-a com uma filha de 17 anos (eu) e uma pequena ruivinha irritante de 4 anos (Chloe). Mamãe não chorou quando descobriu. Se manteve forte por uma semana inteira, preparando o funeral e essas coisas. Nem no enterro mamãe chorou. Porém depois de um mês de aceitação, de que ele não voltaria mais pra casa, nunca mais, ela chorou tanto. Não saia do quarto nunca. Nem pra comer. Eu tive que segurar as pontas por um tempo, com o dinheiro que começamos a receber da Marinha pela morte de meu pai, cozinhando, limpando, amparando Chloe que não entendia o porquê de mamãe estar tão triste. Ela costumava dizer que nosso pai foi para o paraíso e que ele está feliz lá. Pelo menos ela aceitou bem a morte do papai. Eu? eu nem sei o que sentir. Chorei por noites antes do enterro do papai mas no dia do enterro não brotou uma lágrima de dor em meus olhos. Até hoje. Eu só sabia cuidar de tudo, sempre vigiando minha mãe para que ela não cometa alguma loucura e essas coisas. Depois de uns 2 meses ela voltou para a vida. Voltou a trabalhar no hospital, voltou a cuidar da casa, voltou a cuidar da Chloe e voltou a cuidar de mim. Hoje, faz 2 anos que nosso pai se foi. Minha mãe sempre volta para o quarto, e não sai de lá nem que a casa esteja pegando fogo (acredite, uma vez Chloe colocou fogo na cozinha para chamar atenção da mamãe, o que não adiantou nada e eu que tive que apagar o fogo. Bonito, hein dona Chloe!). No período em que ela voltou "para a vida" ela tentou se reaproximar de mim, tipo, construindo uma estufa. Começamos a cuidar de tudo, as flores radiavam amor. Mas o primeiro "aniversário de morte do papai" mamãe voltou para o quarto e não quis saber mais das flores. Ela disse que lembravam enterro. Desde então, mamãe nunca mais pisou na estufa. Eu limpo, eu cuido, eu reparo.
Hoje, tenho 19 anos, mamãe 43 e Chloe 6, e mamãe está no quarto, enquanto eu espero Chloe chegar da escola pra levar ela pra sair. Não quero que ela fique ouvindo o choro da mamãe, muito menos fique num clima fúnebre como sempre é. Praticamente virei uma mãe pram minha irmã. Logo que ela chega, ponho ela pra tomar banho para irmos ao shopping comprar alguns presentes pois fazemos aniversário no mesmo dia (isso foi algum tipo de macumba que mamãe fez para que ela nascesse no mesmo dia que eu, santo deus!) e nosso aniversário estava chegando, e comprar pelo menos uma roupa para a mamãe, para não dizer que esquecemos dela.
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