Leão Negro
1 Prólogo
Desde sempre, ou talvez, ele se lembrava do que aconteceu. Não havia um único dia sem que ele não se lembrasse. Isso ele nunca desgostou, nem mesmo gostou, mas aquilo fazia quem ele era, então ele não se importava se sentiria tal coisa a vida toda.
Na última noite aconteceu uma das batalhas mais sangrentas de que ele havia participado. Nunca brandira a espada daquela forma, eram muitos inimigos, e a noite passou rápido enquanto ele lutava. No último oponente que destroçava, o sol nasceu, retirou sua espada do crânio do homem, respirou fundo e guardou sua arma. Respirou mais uma vez, organizando os pensamentos, deu um passo à frente enquanto olhava a sua volta buscando seus pertences, mais alguns passos e os encontrou logo debaixo de um cadáver, por um momento parou e olhou no rosto do derrotado. Era um homem esbelto, alguns centímetros mais alto que ele, trajava uma armadura cinzenta e preta, alguns tecidos e bem no centro do peito, na armadura, se encontrava aquele símbolo: Um trinqueta, um símbolo do infinito, dentro de um pentagrama, gravado em baixo relevo no metal. Ele passou a mão na armadura e novamente o olhou, parecia ter uns 20 e poucos anos. Respirou novamente. Percebeu que ele estava segurando um pequeno objeto, uma caixa, retirou das mãos do rapaz, e abriu. Tinha um pequeno bilhete dentro:
Írio, por favor, volte o mais rápido possível.
Nosso filho está piorando e precisa do remédio.
Eu te amo.
Arya
Ele analisou a caixa e olhou na parte debaixo da pequena caixa e havia escrito:
AD-ex: 015445865 – AANBEH — 2212
Destinatário: Írio Varcry, 17º Pelotão de Cavaleiros Guardiões – Acresciam, setor 17
Remetente: Arya Mac, Edifício Ardok, apt 477 E – Antharium, setor 4B
Ele respirou mais uma vez. Foi à margem de um rio que estava a alguns metros e lavou o sangue que cobria boa parte de sua pele, seu estilo de luta era assim: Fatal, insano, impiedoso a ponto de cortar um membro de um oponente num único e leve golpe, o que acarretava sangue jorrando de artérias cortadas, logo o sujava de um jeito nada agradável. Levantou-se e seguiu de volta, e no terceiro passo que havia dado, luzes surgiram do Céu e uma grande quantidade de ar foi deslocada rapidamente, causando um grande estrondo, segundos depois percebeu que havia um grande objeto no ar e ouviu uma voz no céu:
- Você está preso em nome do governo de Solarum! Parado, ou abriremos fogo! – O guerreiro já havia sumido na imensidão da escuridão. Os soldados a bordo da nave se assustaram, pois estava em uma área aberta e era impossível ser tão rápido, mas ele simplesmente desapareceu no ar. E então foi ouvido um estrondo na parte de cima da nave.
- Vocês valem um soco! – O guerreiro estava em pleno ar, acima da aeronave, aplicando um soco, no objeto flutuante. Era feita de aço Acresciano, o segundo melhor do sistema solar e estava em pedaços. Num milésimo de segundo foi bruscamente atirada ao chão com a força assombrosa mostrada pelo guerreiro, que já não estava mais no ar ou caindo e sim juntando seus pertences metros à frente, onde uma floresta densa começava. Uma explosão foi ouvida e uma bola de fogo logo ao sul do local foi vista. O guerreiro andou alguns passos, subiu em um objeto plano como uma chapa de ferro, que se acendeu em resposta ao movimento próximo. Uma luz azul clara era emitida nas juntas de tal prancha. Inclinou-se para frente após flutuar um pouco acima do solo, e seguiu, aumentando gradativamente a velocidade rumo à imensidão da floresta. O guerreiro sorriu e disse:
- Antharium... Faz algum tempo que não vou à capital. – Pensou no que tinha lido a pouco e abaixou um pouco sua cabeça. – Espero chegar a tempo. Espero mesmo.
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