Leão Negro
2 Capítulo 1
Ao crepúsculo matutino, acabara de chegar uma estalagem na estrada, era bem grande, uma pensão não muito velha, ainda do século 22, aquele era um ambiente frio e seco, já que vegetal algum crescia ali perto, os resquícios da guerra nuclear que houve há tempos ainda agiam, mas já não eram nocivos à vida humana. Na parte da frente da construção de ferro e concreto havia um letreiro: “Kantera: A melhor em conforto e reconstrução biológica”. Obviamente era uma propaganda muito exagerada, mas precisava de um lugar para descansar um dia e uma noite, já que estava ferido da última batalha, sem falar que usou seu Gear para destruir a nave de patrulha dos Guardiões do setor 17 em Acresciam e isso drenou muita energia. Precisava recarregar urgentemente.
- Quero um quarto com reconstrutor. Um dia e uma noite. – O reconstrutor biológico é uma máquina bastante comum nesse tempo, ele estabiliza a situação de saúde do usuário, curando ferimentos e qualquer coisa maléfica ao usuário, como doenças ou venenos, curava tudo, mas é claro, por um preço especial. Foi desenvolvida no final do século 21, anos antes da guerra nuclear. Foi desenvolvida primeiramente uma máquina reconstrução celular, algum tempo depois surgiu outra de rejuvenescimento celular, a segunda era a prova de que a morte já não era mais um obstáculo. O ser humano venceu a morte com as máquinas rejuvenescedoras, que dois anos após eram chamadas de LL (Life Link) e as reconstrutoras de BL (Blood Link). Mas nesse mundo o uso de LLs foi monopolizado por entidades governamentais e as máquinas que foram permitidas eram apenas BLs, que somente reconstruíam e curavam doenças e não retardavam envelhecimento, onde depois de alguns anos, com isso, os hospitais não existem mais e agora somente os reconstrutores biológicos existiam, em vários tipos de todos os tamanhos, de preços variados, alguns chegando a serem mais caros que uma casa, sem falar que LLs eram facilmente encontrados no mercado negro, por preços monstruosamente exorbitantes.
- Com prazer senhor. Em nome de quem? – Perguntou o recepcionista com uma voz suave, enquanto um pequeno robô recolhia farelos de biscoitos, que o mesmo acabara de comer, já que a embalagem estava no chão acionando o alarme do autômato que limpava sujeiras que haviam pelo lugar. Era como um disco móvel, bastante simpático e educado também ao pedir permissão para limpar a área em que nosso guerreiro pisava.
- Trincem Acso, aqui meu cartão. – Entregou um pequeno cartão ADH, um dispositivo que todo humano recebia ao nascer, continha todas as informações do indivíduo desde o começo de sua existência, também era o passe para acesso ao dinheiro virtual, o único tipo de moeda existência no sistema solar atual, pode ser trocado por moeda de outros sistemas solares, mas somente na órbita de Saturno com piratas ou integrantes do mercado negro. O único problema é que se pode falsificar um se conhecer as pessoas certas, normalmente é praticamente impossível falsificar um, já que as diretrizes e informações estão guardadas por bilhões de barreiras anti-hackers e anti-crackers, abaixo do palácio da capital do planeta, Antharium, no setor 1A, a única forma de se tentar falsificar um é conhecendo alguém que tem acesso a tais arquivos. O guerreiro conhecia pessoas, e uma ou duas que ele recordava-se trabalhava no armazenamento de dados do ADH, então não era muito difícil se falsificar um, como o que ele acabou de usar nesse momento, ele lembrava-se que o nome era de algum mendigo da última cidade em que esteve, mandou os dados a seus contatos junto com um vale-transferência-de-dinheiro, ou VRD, outro dispositivo que ao ser usado, transferia automaticamente uma certa quantidade pré-determinada para uma conta a escolha do possuidor, o dinheiro que usava era de algum barão rico da capital, o nome era estranho, algo como Cashtúa ou Cashmá, de qualquer forma não importava.
- Aqui está, seja muito bem-vindo às nossas intalações, senhor Acso. Seu quarto é o 45A. Pode se dirigir ao elevador.
A estalagem era somente um cômodo, bastante grande constituído do hall de entrada, recepção e elevador que levava ao subsolo. A maioria dos hotéis era assim, já que poupava espaço na superfície e protegia os inquilinos da forte poluição, ali não havia muita poluição, já que se encontrava no meio de uma estrada seguindo para uma cidadezinha a leste de lá, logo era somente um capricho do dono.
Ao sair do elevador, deparou-se com um grande corredor, iluminado por luzes indiretas, andou alguns metros, e encontrou uma porta com o número de seu quarto, logo ao lado de uma escada que leva ao andar abaixo, com os quartos B. Percebeu isso, por ver um “B” na parede e uma seta apontando para a escada. Após ecanear sua retina em uma pequena luz acima da maçaneta do quarto, a porta soltou um som informando positividade de identidade, seguido de um “clic” que indicava que a porta estava destrancada. Empurrou a porta e se deparou com um quarto bastante comum: cama e ao seu lado um grande bloco de ferro acoplado à parede com as siglas BL, o reconstrutor. Estava cansado, sentou-se num sofá logo ao lado da cama e ligou o display do quarto, selecionou o canal local, começou a assistir enquanto pegava uma bebida na geladeira acoplada a parede cinzenta e retirava sua armadura e roupas de kevlar que eram duras, desconfortáveis, porém, elegantes, revelando uma grande imagem de um leão negro em suas costas, não era uma tatuagem, pois estava em baixo relevo, parecia mais uma... Cicatriz... Um pouco depois, deitou-se na cama depois de inserir uma pequena agulha do BL em seu pulso e pensou sobre tudo... Desde o começo... O verdadeiro começo...
Big bang, planetas, animais, raça humana, números, civilizações... Até ai estava tudo certo, mas as coisas começaram a mudar no século 21, após saltos quânticos tecnológicos. A guerra fria que parecia ter acabado, mas ressurgiu após uma grande discussão na ONU. Após cinco anos de especulações a Alemanha e Rússia bombardearam os EUA com bombas nucleares em 2085, diferentemente das de Hiroshima e Nagasaki na Segunda Guerra, essas era pelo menos seis vezes mais potentes já que a tecnologia estava milhares de vezes mais avançada. O sul dos EUA ficou devastado e como resposta, Rússia e Alemanha foram dizimadas, os EUA mostraram novas armas ao nível da bomba nuclear, só que muito mais mortais, como bombas que retiravam o hidrogênio e oxigênio de determinada área e máquinas que controlavam a fúria da natureza, causando chuvas monstruosas e tornados no local que desejassem. O mundo entrou em caos e todos estavam contra os EUA, após 17 anos de guerra o inimigo foi totalmente destruído, a tão aclamada América, foi arrasada, e o mundo entrou em fase de se reconstruir. Cinqüenta anos se passaram e onde era a América do Norte havia muitos países, divididos e muito bem desenvolvidos, mas nesse ano, 2152, em 5 de novembro, o mundo conheceu um novo inimigo. Alinígenas. Eram mais avançados que nós, mas o poder de fogo era praticamente igual, e em 2178, 26 anos depois, o mundo se encontrava em ruínas, 80% da população havia sido morta ou levada como escrava pelos inimigos, ambos os lados haviam tido perdas consideráveis e então houve um acordo de paz e coexistência.
Logo depois de tais acontecimentos, os ex-invasores explicaram que tinham perdido seu planeta, por poluírem demais, foram ficando sem recursos e a única saída que viram foi sair da galáxia Emoh, sua casa, e com suas últimas energias para um salto interplanetário tentar invadir a Terra em busca de um novo lugar para viver, já que o planeta de origem de que eles vinham era bastante parecido com o nosso, tanto que respiravam oxigênio e conviviam com formas de vida vegetais que sofriam com a poluição e produziam dióxido de carbono. Hoje eles vivem juntamente a nós, não inteiramente no nosso planeta, mas habitam outros, como Marte em colônias hermeticamente fechadas e terraformadas, em cúpulas, com o necessário para a vida dentro. Recebem nossos recursos em troca de tecnologia e ajuda a reconstruir nosso mundo. Nós os chamamos de Klevars, por ser a tradução literal em nossa língua do nome do povo deles, não tem significado, mas eles pediram que nós os chamássemos assim, já que o sistema de comunicação deles é bastante diferente, constituído mais de ruídos e poucos sons. Logo após a situação se esclarecer e amenizar cada planeta habitado elegeu uma cidade para ser sua capital, até chegamos ao mundo atual: 7 de abri de 2241, 1:05 da manhã, nos situamos em algum ponto entre a capital da Terra, Antharium, e uma cidade metropolitana Acresciam, antigamente essa área era conhecida como Alemanha e França, respectivamente.
E logo, dormiu.
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