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1 Capítulo 1 : Prólogo


Notas iniciais
Primeira vez no Nyah! espero que gostem! Boa Leitura!!=^-^=

Eram exatamente seis horas da manhã quando despertei, atordoado.

Para algumas pessoas isso poderia ser considerado cedo, porém para mim, isso é o cúmulo do atraso uma vez que tenho que ir a escola a pé todos os dias e como se já não bastasse, a mesma é incrivelmente longe da minha casa.

Pelo menos acordar atrasado tinha seu lado bom, isso significava que meu pai teve de dormir na delegacia e sendo assim não pôde me acordar da maneira "carinhosa" como ele sempre fazia e isso podia soar injusto, mas para mim a noticia era terrivelmente boa.

Me encaminhei lentamente ao banheiro. Sabia que estava atrasado mas sou tão rápido como uma tartaruga manca pela manhã. Definitivamente, uma pessoa nada matinal.

Estava um frio desagradável hoje, mas a água gélida daquele bendito chuveiro conseguiu o que pensei ser impossível, me despertar. Foi literalmente como um banho de água fria no meu humor.

Terminei minha higiene pessoal e comecei a vestir-me.

Minha roupa nessa manhã era formada pela camiseta branca que fazia parte do uniforme da escola, uma gravata vermelha, minha calça jeans surrada e por último, entretanto não menos importante, meus velhos all stars pretos e encardidos.

Bem... Nem tão encardidos assim, de acordo com o meu julgamento. Eu os lavava constantemente, porém ainda assim eles insistiam em ficar com uma aparência suja.

Exatamente como o meu humor. Não importa o quanto eu me esforce para deixá-lo bom. Ele sempre fica sujo no final.

Teria que colocar o suéter da escola, pensei com desânimo.
Observei, letárgico, uma última vez as marcas arroxeadas nos meus braços. Haviam algumas outras marcas — hematomas em sua maior parte — na minha barriga, todas frutos da tarde passada quando meu pai havia colocado os pés na soleira da porta de casa já estressado.

Ele havia apertado meus braços com aquela força que sempre me surpreendia, independente de quantas vezes ele houvesse feito aquilo e distribuído alguns chutes em meu corpo, apenas isso. Ele já tinha feito coisas bem piores em determinadas vezes até me impossibilitando de ir a escola, então aquilo para mim havia se tornado pouca coisa.

Pus o suéter, por fim, escondendo os ferimentos. Reforcei com um casaco preto para não haver suspeitas e desci as escadas, já com minha mochila nas costas.

Adentrei na cozinha, deixando minha mochila no balcão e fui procurar algo para comer. Os ponteiros do relógio marcavam exatamente 06:30, então tinha que ser ágil, muito ágil.

Me convenci a pegar uma fatia de salame da geladeira e a pus no meio de duas fatias de pão. Enquanto comia meu sanduíche, olhei mais uma vez para minha mochila jogada em cima do balcão de mármore.

Levaria uma surra de meu pai se o mesmo estivesse aqui, mas como ele não estava, eu não precisava ser tão cuidadoso em questão à "desorganização da casa". Sinceramente, não sei o porquê dele ficar tão irritado, sou eu mesmo que me encarrego de lavar e passar na casa.

Fiquei procurando a maldita chave depois de terminar o café. Não conseguia de jeito nenhum achá-la e quando finalmente a encontrei, já havia gasto minutos que não tinha.

Sai de casa às pressas e deixei a chave no mesmo lugar de sempre.

Eu odiava andar a pé porque era sempre comum os otários dos amigos do Miller — e às vezes o próprio — zombarem da minha cara e essas eram, justamente, as vezes em que eu apanhava dele, como se já não bastasse apanhar em casa.

Simplesmente não consigo entender o motivo desse garoto me detestar tanto. Ou melhor dizendo, acho que entendo. Eu sou amigo do pior inimigo dele, afinal de contas.

Ash e eu éramos amigos desde sempre, e eu não tinha culpa se por algum motivo do destino, Miller o detestava.

Continuei minha caminhada, acelerando os passos quando percebi, a alguns metros de mim, os amigos do Miller.

Abaixei a cabeça, em uma tentativa de autodefesa e por mais incrível que pareça, todos passaram reto conversando animadamente e sequer me notaram.

Sorte, pensei, respirando forte de alívio e continuei andando, finalmente cheguando à escola, depois de algum tempo.

Constatei após uma olhada no relógio que havia me atrasado apenas alguns míseros minutos, então ainda podia tentar entrar para a primeira aula.

Iria encarar a cara de desgosto do professor Scott na aula de história, porém, até mesmo isso parecia melhor que ficar vegetando no frio do pátio.

Andei pelos extensos e vazios corredores até a sala de aula. Aquele edifício devia ter, facilmente, mais de 40 anos de funcionamento e após todas as muitas reformas e restaurações, seguia firme e forte por todas essas décadas.

As paredes da escola eram tingidas de escarlate.
Me agradava. Em minha opinião oferecia até um certo charme a escola, dando-lhe toda a aparência sádica que merecia.

Cheguei à minha sala, a famosa e odiada sala 12 onde o inferno reina. Tínhamos, sem nenhum exagero, os professores mais cruéis e assustadores de toda a escola.

Tomei uma coragem que não existia e abri a porta com a voz saindo falha.

— Licença... — A figura esguia com cabelos castanhos e olhos pretos me fuzilou com os olhos ao som da minha voz. Se olhares matassem, eu certamente já estaria morto naquele momento.

Somente tive tempo de ouvir Ash resmungando pra mim o que eu pensei ser um " Idiota " antes do professor segurar meu braço com força moderada e me puxar para a coordenação. Ele continuou resmungando consigo mesmo pelo caminho, apertando meu braço e causando uma dor aguda em meus hematomas recentes.

Meus olhos já começavam a lacrimejar quando finalmente chegamos na bendita coordenação.

— Senta aí. — Scott ordenou, apontando para um dos bancos que ficavam próximos à sala e eu como uma pessoa sensata, obedeci.

Logo o professor saiu pisando duro de volta a aula e foi somente nesse momento que eu notei uma menina loura sentada ao meu lado. Ela tinha cabelos longos e amarelados como fios de ouro reluzentes, sua pele era branca como a mais fina porcelana e seus olhos brilhantes, azuis.

Ela olhava fixamente para o chão, seu olhar vazio e ao mesmo tempo preocupado...

Fui tirado dos meus devaneios quando a secretária chamou-me pelo meu nome. Ela era uma mulher alta e morena, aparentava ter uns 25 anos, sem dúvida uma mulher bem elegante.

Me pergunto como uma pessoa como ela foi parar nesse fim de mundo.

Coitada.

— Chegamos, é aqui — disse, como se eu já não conhecesse cada corredor daquele moquifo, indo embora após isso com uma rapidez impressionante.

Bati uma única vez na porta e foi o suficiente para ouvir uma voz rouca gritando lá de dentro :

— Entre!

Eu obedeci, adentrando a sala muito bem decorada com belos artigos de jornais pendurados nas paredes, alguns gaveteiros verdes espalhados em pontos estratégicos que imaginei servirem para guardar arquivos e no centro da sala, uma mesa de madeira escura com alguns papéis e pequenas bonecas de porcelana espalhadas por ela. Ao lado das bonecas havia um placa de mesa onde podia-se ler : Coord/Dir: Amélia Vieira".

— Sente-se, por favor, sr.Adam. — disse a senhora sentada atrás da mesa.

Sentei-me.

— O professor Scott me disse que estava tendo alguns problemas com você. — fez uma pausa e continuou, com a voz firme. — O que o senhor tem a me dizer sobre isso? — perguntou, ainda sem tirar os olhos de alguns papéis.

— Bem, eu tive alguns imprevistos...E acabei chegando alguns minutos atrasado, mas tenho certeza de que isso não acontecerá novamente. — terminei, tentando parecer confiante em minha proposta.

— É... — dissertou, pensativa. — O senhor realmente não tem nada como isso em sua ficha, mas espero, sinceramente, não ver a sua cara aqui novamente, sr. Adam. Fui clara? — ela disse, mudando de tom numa velocidade impressionante.

— Transparente. — afirmei. — Posso lhe garantir que isso não irá acontecer novamente, senhora. — disse, sorrindo amarelo para ela.

— Perfeito, assim espero. Sasha?! Sasha! — gritou de repente, me dando um baita susto. Engoli a vontade de rir.

—S-sim, senhora. Me chamou? — Apareceu novamente a secretária na porta, parecendo um pouco ofegante.

—Acompanhe o sr. Adam até a porta e chame o próximo delinquente. — terminou de falar a mulher cheia de rugas.

Reprimi a vontade de falar que não era nenhum delinquente.

— Claro! — Sasha respondeu, batendo continência e me acompanhando até a saída.

Antes de ir, ainda pude ouvir a voz da secretária dizendo:

— srta. Brancie Glammer.

Então, esse é o nome dela, pensei, antes de me afastar completamente da sala.