Level 7 - Primeiro Level
8 Velhos “Amigos”
Nós continuamos a correr, mas só havia deserto e monstros fracos, até que chegamos a uma pequena cidade que parecia àquelas cidades do velho oeste. Nós caminhamos pela rua principal até que vimos um saloon. Amanda resolveu que seria melhor entrar e comprar alguma comida. Caminhei até a porta, era uma daquelas portas duplas típicas dos saloons dos filmes de velho oeste, e a empurrei. Lá dentro estava cheio de jogadores, alguns estavam jogando baralho, outros bebendo e um cara gordo atendendo. Quando entramos todos pararam o que estavam fazendo e olharam para nós. Eu me senti nos filmes de velho oeste. Só faltou alguém dizer “O que fazem aqui, forasteiros”. Chegamos mais perto do balcão.
–O que vocês estão fazendo aqui? – perguntou o barman, só faltou o “forasteiros”. – Não gostamos de crianças por aqui.
–Nós queremos comida e temos dinheiro para isto – disse Amanda.
O homem olhou para a Amanda com a cara fechada, John tremeu de medo, eu coloquei a mão na espada. O homem olhou para mim e de volta para a Amanda e passou para ela três pacotes.
–Isto é o suficiente para os três, agora deem o fora daqui, antes que vocês causem confusão – disse o homem com a voz baixa.
–Rodrigues, eu não lhe pago para mandar os meus clientes irem embora. Ainda mais meus velhos amigos – disse uma voz no segundo andar.
Ele começou a descer as escadas, eu olhei para ele e me assustei. Apesar da roupa que ele estava vestindo, um terno branco e sapatos brancos com uma pequena lista marrom, eu o reconheci. Era Malcon, o cara que me ofereceu uma aposta no ringue clandestino.
–O que você faz por aqui, Malcon? – perguntou Amanda.
–O mesmo de sempre, Amanda. Ganhando dinheiro. E agora vocês me desculpem, mas eu preciso receber um prêmio de um amigo que nós temos em comum, pelas suas cabeças.
Seu olhar fixou nos homens atrás de nós e ele balançou a cabeça positivamente. Todas as pessoas que estavam jogando e bebendo se levantaram e pegaram as suas armas. Eu fiquei de costas para a Amanda e para o John, estávamos cercados.
–Se segurem – sussurrou Amanda.
–O quê? – perguntei, mas não foi a tempo.
Amanda forçou o seu punho e socou o chão do saloon, tudo balançou e quase fomos parar no chão. Os jogadores perderam o equilíbrio e caíram, Malcon rolou pela escada, as garrafas atrás do homem que atendia, caíram e se quebraram. Amanda me pegou com um braço e John com outro e saltou. Nós fomos parar no meio da rua, então ela virou para o saloon, tirou o cajado e gritou.
–Sfragísei.
Uma magia em forma de quadrado cobriu o saloon.
–Isto vai segurar eles por um tempo, quando eles se soltarem, nós estaremos longe daqui – disse Amanda sorrindo.
–Nossa! O que foi aquilo Amanda? Pensei que você ia derrubar tudo em cima da gente – eu disse rindo para ela.
–Eu avisei. Agora vamos.
–Me dê uns 10 segundos – disse John com a cabeça no meio das pernas.
–O que foi, John? – perguntou Amanda.
–Eu fiquei com tanto medo, que estou tonto. Então se vocês não querem ver algo bem estranho saindo da minha boca, sugiro que esperem uns 10 segundos.
Eu e Amanda rimos. Logo que John estava melhor, nós seguimos em frente. Decidimos correr em campo aberto, era mais difícil ser surpreendido em uma emboscada assim. Apareceram alguns monstros, mas todos fáceis de derrotar, a Amanda matava quase todos, ela sempre estava na frente por ser a mais rápida.
Paramos em algo parecido com um oásis e conseguimos tomar água, eu não sabia se este corpo precisava de água, mas era melhor tomar. Assim que abaixei no minúsculo lago e comecei a beber, senti que o meu corpo estava se fortalecendo. Depois comi algumas frutas que estavam em uma árvore. Aquilo era estranho, só tinha uma árvore grande no oásis, mas ela dava diversas frutas diferentes.
–Será que chegaremos lá a tempo? – perguntei olhando para a Amanda, que estava agora sentada debaixo da árvore. John estava em cima da árvore, colhendo frutas.
–Acho que sim, estamos cada vez mais perto da floresta. O único problema vai ser para enfrentar este fauno, ele deve ser muito forte – disse Amanda, dando uma mordida na fruta que John tinha acabado de jogar para ela.
–Mas nós somos três e ainda temos... – eu quase disse que nós tínhamos o pergaminho do Rei Esqueleto, mas lembrei de que não era para falar e fiquei quieto.
–Temos o quê?
–É... As nossas armas.
Amanda olhou para mim meio de lado, como se ela desconfiasse de algo, mas ela acabou mexendo os ombros e voltou a morder a fruta.
–John, já chega, vamos embora, ainda temos um longo caminho para percorrer – gritou Amanda, então ela se levantou e andou até onde eu estava.
–Tomara que eu dê conta de enfrentar este fauno sozinha – ela disse passando o braço pelos meus ombros.
–Eu e o John vamos ficar só olhando?
–Vai que é igual o Rei Esqueleto, só pode entrar um. Desta vez se for assim eu vou.
–Tudo bem. Mas você precisa tomar cuidado.
–Pode ficar tranquilo, eu não vou perder para ele.
–De dedinho?
–De dedinho – disse Amanda sorrindo. – Você sabe o quanto parecemos crianças quando fazemos isto, não sabe?
–Sei, só que eu gosto.
–Eu também – disse Amanda me abraçando.
–Dá para parar de ficar com esta melação. Vou ficar enjoado de novo – disse John pulando da árvore e colocando o dedo na garganta de brincadeira.
Nós saímos do oásis e voltamos a correr pelo deserto, depois de mais de vinte minutos correndo eu escuto um barulho, e vejo o corpo Amanda sendo arremessado para trás. Eu estava um pouco atrás dela, então saltei e peguei o corpo dela no ar. Eu a coloquei no chão, ajoelhei e coloquei a cabeça dela no meu colo.
–Amanda, Amanda? – gritei um pouco desesperado.
–Eu estou bem – ela olhou o comitador dela e viu que o seu sangue tinha abaixado para 60. – Quem me acertou?
–Não vi, só ouvi o barulho.
–Lá – gritou John apontando para a direção em que estávamos correndo.
Quando eu olhei, lá estava o cara que a Amanda enfrentou no mundo real, só que com uma escopeta nas mãos, junto dele estavam mais cinco jogadores caminhando em nossa direção.
–Você acha que nós conseguiremos enfrentar eles? – perguntei a Amanda.
–Não, eles estão mais equipados, vamos fugir.
Amanda se levantou e começamos a correr para a esquerda de onde estávamos indo, eu e John nos esforçávamos para correr junto com ela, mas eu ainda ficava um pouco atrás, quando olhei para trás, os jogadores estavam a uns 50 metros de nós. Quando voltei a olhar para frente Amanda estava com o seu cajado na mão, ela gritou algo que eu não entendi bem, mas uma nuvem de poeira apareceu atrás de nós. Não dava mais para ver se os jogadores estavam se aproximando. Amanda guardou o cajado e começou a voltar para a direção correta.
–Será que eles estão nos alcançando? – perguntei a Amanda.
–Não, ficaram para trás, olhe – disse ela apontando para trás, para a nuvem de poeira, que estava no mesmo lugar e os jogadores não haviam saído dela ainda.
–O que você fez? Só aquela nuvem de poeira não iria atrasar tanto eles.
–Não era uma nuvem de poeira, era uma nuvem de cacos de vidro, não é muito forte, mas para atrasar os monstros é ótima.
–Há há há. Você é demais.
–Eu sei.
–Metida – disse John sorrindo.
–Se você voltar a repetir isto, eu vou deixar você lutar sozinho contra o fauno.
–Desculpa, já não está mais aqui quem falou – disse John e nós caímos na gargalhada.
Nós continuamos a correr pelo deserto. Olhei o mapa e já tínhamos percorrido mais de 75% do caminho. Correr pelo deserto não era difícil, agora estávamos ignorando a maioria dos monstros, afinal a maioria era fraco. Eu estava correndo do lado da Amanda quando avistamos uma pequena casa no meio do deserto.
–O que será aquilo, Amanda? – perguntei apontando para a casa.
–Não sei, mas vamos checar, deve ser uma loja. Se for, nós compraremos comida, acho que não vamos encontrar nenhuma loja daqui em diante.
Quando chegamos mais perto, vimos uma placa na entrada da casa que estava escrito, “Taverna Dois Lobos”. Entramos na taverna, uma senhora de aproximadamente 50 anos estava atendendo no balcão, ela deu um sorriso enorme quando nós entramos.
–Meus jovens, entrem, entrem. É tão raro eu receber clientes aqui. Este local é muito longe das cidades e é perigoso.
–Então porque a senhora mantém uma taverna aqui? – perguntei olhando para a senhora que parecia ter algo estranho em seu semblante. Algo parecia errado aqui.
–É que eu caço faunos e aqui é o melhor lugar para pegá-los.
–Faunos? – perguntou Amanda engolindo a saliva com dificuldade.
–Sim, tem muitos deles aqui.
–Qual o level dos faunos que a senhora caça? – perguntou John.
–Na maioria level 5, alguns level 7.
Caminhamos até os bancos perto do balcão e nos sentamos.
–O que vocês vão querer?
–Queremos comida para um dia para nós três – disse Amanda.
–Só um minuto que vou buscar uma embalagem – disse a senhora saindo de trás do balcão e indo para a porta da taverna.
–Por que ela deixaria as embalagens lá fora? – perguntei olhando para Amanda.
–Rápido, vamos sair daqui – gritou Amanda.
Mas não tivemos tempo o suficiente, uma grade de poder desceu sobre a taverna e nós estávamos presos. Amanda tentou socar a grade branca, mas foi jogada para trás perdendo 30% do seu sangue.
–Que droga, caímos em uma armadilha.
–Eu deveria ter desconfiado. Um comércio em um lugar como este não poderia ser boa coisa – disse Amanda socando o chão.
–Vamos morrer – disse John caindo sentado.
Depois de cinco minutos presos apareceram Malcon e o cara forte com a escopeta.
–Minha franguinha está dentro da jaula.
–Espero que você não se esqueça do preço que ela vale, Frank.
–Pode ficar tranquilo, Malcon. O seu prêmio estará do seu lado quando você voltar. Túlio, saia e leve o objeto que eu deixei com você para Malcon.
–Sim, senhor.
–Então deixo você com ela e vou embora – disse Malcon a Frank e depois ele virou a cabeça para Amanda – Nada pessoal, Amanda, só mesmo dinheiro.
–Quando eu segurar no seu pescoço será algo pessoal. Vingança.
–Há há há. Até parece que o Frank aqui vai deixar você voltar viva.
Malcon foi embora e Frank ficou ali olhando para nós.
–O que eu irei fazer com vocês?
–Fui eu que avisei para ela, que você estava atrás dela no mundo real, que tal uma luta entre nós dois. Eu não sou um lutador – eu disse com meio sorriso.
–Não, quero lutar é com a Amanda.
–Entre aqui que nós teremos uma luta limpa sem trapaças ou interrupções – disse Amanda.
–Chefe, acho melhor nós fuzilarmos eles daqui de fora mesmo. Afinal eles só poderão se defender por um tempo – disse um garoto magro do lado de Frank.
–Me dê as luvas e as botas – disse Frank a um mago que estava pouco atrás dele.
O mago entregou um par de luvas e de botas para ele, pelo número do lado delas, elas aumentavam a força em 200%, a da Amanda só aumentava em 100%. Frank as colocou e deu um passo a frente em direção à grade branca.
–Uma luta Amanda, só eu e você. Seu garoto não pode entrar.
–É só o que eu quero.
–Abra uma porta aqui para eu entrar.
No momento em que o mago abriu uma passagem pela grade, meus olhos não puderam acompanhar, mas algo acertou o Frank com uma pancada ensurdecedora. Quando eu me dei conta, ele estava no chão e a Amanda estava em cima dele o socando do lado de fora. No momento em que eu vi o mago levantando o cajado, eu retirei os revolveres do coldre e comecei a atirar, correndo em direção a ele. John estava logo atrás de mim atirando flechas nos outros integrantes do grupo.
Amanda saiu de cima de Frank e ele se levantou, todos os outros do grupo de Frank haviam fugido antes de eu e John acabarmos com eles.
–É desse jeito que você luta de forma honesta, Amanda – disse Frank limpando o sangue do rosto e se preparando para lutar.
–Quem disse que eu luto de forma honesta? E nos enganar e nos prender aqui tem algo de honesto?
Frank foi para cima da Amanda com um soco, mas ela desviou o soco dele para cima e acertou o seu queixo com o punho e depois uma pezada no estômago. Ele abaixou, colocou a mão na barriga e ela lhe deu uma joelhada na cabeça, o jogando para trás. Quando ela saltou para cima dele, ele desapareceu.
–Covarde – disse Amanda cuspindo no lugar onde ele estava.
Ela se virou para nós com um olhar triste.
–Gente, desculpa colocar vocês nesta confusão e obrigada por me ajudarem, se eu tivesse sozinha seria morte na certa.
–Que isto Amanda, estou aqui para lhe ajudar, apesar de ser um fracote.
–Você está muito longe de ser um fracote, Cris.
–Eu confesso que fiquei com muito medo, mas estamos vivos e isto é o que importa – disse John.
–John vai lá dentro da taverna e pegue comida para a gente, eu e o Cris ficaremos aqui vigiando para ver se não vai aparecer ninguém.
–Sim.
John entrou e ficou lá dentro por uns 15 minutos.
–Achou algo, John? – perguntou Amanda assim que ele saiu.
–Sim, olhem – disse John mostrando para a gente o seu comitador. Ele tinha conseguido suprimentos para uns quatro dias – Não precisaremos nos preocupar com comida por um bom tempo.
Nós voltamos a correr em direção à floresta, no caminho encontramos vários faunos, mas a maioria deles era fácil, somente três deles foram mais difíceis, eles tinham cerca de dois metros cada um. O fauno que eu lutei e o de John deixaram bastante moedas, mas o que Amanda estava lutando, deixou um relógio no lugar das moedas, quando ele morreu. Amanda verificou o que era pelo seu comitador, o aparelho era um localizador de monstros. Todos os monstros que estavam perto de nós apareciam com um ponto vermelho no localizador.
Assim ficou mais fácil de localizar os monstros e decidirmos se iríamos ou não lutar com eles.
Tudo estava correndo muito bem, já tínhamos atravessado o deserto quase todo, quando a noite chegou, e quando eu digo chegou, quer dizer que ela apareceu de uma vez, estávamos no deserto com o sol brilhando quando de repende ficou tudo escuro, eu não conseguia enxergar um palmo na frente do meu nariz.
–Vou usar a Foz – disse Amanda.
–Não, é melhor passarmos despercebidos pelos monstros que devem estar por aqui, se algum se aproximar o localizador vai mostrar, agora vamos continuar correndo em direção a floresta, que está perto.
–Ok – disse John.
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