Level 7 - Primeiro Level

9 O final do Level 1 e Ruinir


Continuamos a correr até que a areia sob os nossos pés mudou para mato, então finalmente, mesmo no escuro total, descobrimos que havíamos chegado à floresta.

–Amanda, John – chamei.

–Estou aqui – respondeu Amanda.

–Aqui – disse John.

–Chegamos à floresta, temos que arrumar uma forma de iluminação, não podemos continuar correndo nesta escuridão. Alguma ideia?

–Talvez fosse a hora de fazer uma magia de luz – disse John.

–Não, Amanda deve guardar o poder dela, estamos perto do Fauno.

–Ruinir, o chame pelo nome, é mais fácil, porque fauno nós já encontramos aos montes – disse Amanda.

–Ok. Logo encontraremos Ruinir. Temos que estar preparados para ele. Então vamos ver para qual direção iremos. Mapa.

O meu mapa apareceu com uma luminosidade muito leve, mas dava para ver se eu forçasse um pouco os olhos.

–Bom à entrada da caverna está a nordeste daqui. Vamos. Amanda não se esqueça do localizador, se algum monstro aparecer, nós temos que atacar antes que ele nos veja, se for outro jogador ele deve ter uma iluminação.

Chegamos à entrada da caverna sem problemas, a área parecia livre de monstros, mas a escuridão permanecia. Entramos na caverna, a mesma sensação de redemoinho mandou nós três para dentro da caverna, quando pisamos em terra firme finalmente apareceu uma luz. Era outra caverna arredondada e tinha várias tochas pelo percurso.

–Vou pegar uma destas e você pegue outra, John, não sabemos se vamos encontrar mais escuridão adiante – eu disse e voltei meu olhar para a Amanda.

–Você fique com as mãos livres para o caso de ter que atacar, você é mais rápida e mais forte do que nós dois.

–Sim senhor – disse Amanda, brincando.

Quando chegamos ao fim da caverna, algo estranho aconteceu. Ainda estávamos dentro da caverna, mas ela tinha um céu e muitas árvores, o mundo ali dentro era completamente diferente. Mas fazer o que, era um jogo, nós não poderíamos saber o que o designer pensou na hora de criá-lo. Continuamos andando, ainda estava de noite, mas agora havia uma luz incrivelmente brilhante vindo da lua, que era a maior lua que eu já havia visto na minha vida.

–Invasores, o que fazem na floresta de Ruinir? – gritou uma voz que parecia vir do céu.

–Queremos passar para o Level 2 – gritou Amanda.

–Há há há. Só a uma forma disto acontecer – disse a voz vinda do céu.

–Nós sabemos, temos que derrotar Ruinir – eu gritei.

–Um pouco mais que isto, primeiro vocês têm que encontrar Ruinir. Depois lutar e o derrotar. Mas para começar, um presente para os que chegaram até aqui.

Um grande banquete, parecido com uma oferenda, apareceu na nossa frente, tinha frutas de todos os tipos. Apesar de John ter muita comida no comitador dele, nós estávamos com fome, pois não tínhamos comido nada nas últimas horas. Avançamos na comida sem pensar que poderia ser uma armadilha.

–Este lugar é enorme, como iremos localizar o Ruinir? – eu perguntei assim que acabamos de comer.

–O localizador pode achá-lo, mas temos que estar a pelo menos uns 100 metros dele. Não sei o que fazer, eu correndo será muito mais rápido cobrir toda a área, mas se eu for sozinha e encontrá-lo ele pode me matar. Eu só consigo levar um nas costas, mas se um de vocês ficar aqui, pode ser atacado e não terá nenhuma chance – disse Amanda.

–Eu fico aqui, escondido, e vocês vão atrás dele, temos só mais duas horas para o dia acabar – disse John.

–Mas você vai ficar bem aqui? – perguntei meio desconfiado, afinal John nunca foi muito corajoso.

–Sim, podem ir, estão vendo aquele arbusto ali – disse John apontando para um arbusto grande e cheio de folhas. – Eu vou levar um pouco de comida para lá e vou ficar escondido. Se vocês o encontrar me chamem pelo comitador que eu vou ajudar vocês. Se ele aparecer por aqui eu os chamo.

–Mas continue escondido, não vai fazer gracinha – disse Amanda.

–Pode ficar tranquila, eu nunca iria encarar Ruinir sozinho.

–Tudo bem. Cris, vamos.

Eu subi nas costas da Amanda e ela começou a correr, eu ainda não havia me acostumado com aquilo, parecia estranho ela ter toda aquela força. Amanda saiu correndo pela floresta, mas não encontramos nenhum sinal do Ruinir. Depois de uma hora correndo, o meu comitador começou a piscar e eu o atendi.

–Ele sentiu meu cheiro... Ele está atrás de mim... Vai me matar – gritou John, ofegante, pelo comitador.

–Amanda corre de volta em direção ao John, com todas as suas forças.

Amanda não esperou eu acabar de falar e estava correndo, usando toda a sua velocidade. “Tem que dar tempo, eu prometi para ele que iria protegê-lo” pensei. Eu fiquei seguindo o ponto verde que era o John, a gente ainda estava longe dele e ele se movia a toda velocidade.

–Amanda quando chegarmos perto, você me joga no Ruinir.

–Como assim?

–O John vai estar cansado, então posso parar Ruinir por um instante, juntando a sua força ao meu ataque de espada.

–Ok.

Amanda continuou correndo, o ponto verde vinha em nossa direção, quando nós vimos o John; vimos o Ruinir. O Ruinir não era nada parecido com os faunos que nós enfrentamos até agora, ele devia ter uns seis metros de altura, com uma cara de mau e dois longos chifre para trás que chegavam até a sua cintura. Amanda pôs a mão para trás, eu pisei na mão dela com os dois pés e ela me jogou em direção ao Ruinir. Levei os meus braços para trás e quando eu estava próximo ao monstro dei um golpe com a minha espada e caí logo atrás dele.

Como eu havia imaginado, ele parou, mas não sentiu o golpe como eu havia planejado, saiu um pouco de sangue, mas nada que fizesse alguma diferença. Ruinir virou-se para mim. John caiu ajoelhado e com as mãos no chão, respirando com dificuldade. Ruinir deu um passo em minha direção, e tentou me cortar com as suas garras. Mas antes que o golpe me acertasse, ele caiu de joelhos. Amanda havia acertado os dois pés nas costas dele. Ele levou a mão para trás, segurou a Amanda pela perna, e a jogou a uns cinco metros de onde ela estava, uma árvore amorteceu a sua queda. Eu olhei para ela, preocupado, mas ela estava bem.

Eu saltei e levantei a espada tentando acertar a cabeça de Ruinir, mas ele se desviou, não sei como alguém tão grande podia se mover daquele jeito. Ele pegou uma harpa em suas costas e tocou, várias linhas se soltaram da harpa e vieram em minha direção, eu tentei escapar, mas elas acertaram o meu corpo como chicotes, onde elas pegaram, deixaram um corte profundo. Olhei para a quantidade sangue no meu comitador e ela estava em 75. Apesar de ter doído, não perdi muito sangue.

Amanda tentou dar o mesmo golpe de novo, só que desta vez ela estava mirando a perna esquerda do Ruinir, mas ele a pegou no ar com a sua mão. Ela não conseguia se libertar, eu coloquei a espada na bainha, tirei os revolveres e comecei a atirar no rosto dele, não estava tirando quase nada do seu sangue, mas consegui que ele soltasse a Amanda.

–Continue atirando Cris – gritou Amanda.

Ela correu, saltou e acertou os dois pés na perna esquerda dele, pela primeira vez Ruinir foi realmente ao chão. Ele se desequilibrou e caiu de costas. John já tinha se recuperado e começou a atirar flechas, eu fui em direção ao fauno e acertei ele com a minha espada, Amanda já estava socando ele.

De repente ele se levantou e passou o braço no chão, acertando nós três com as costas de sua mão, voamos uns dez metros e caímos deslizando. Eu levantei e fui em direção a ele, ele pegou a harpa e começou a tocar, eu pulei para o lado e desviei do primeiro golpe que acertou no chão, depois do segundo e do terceiro. Mas o quarto me acertou no peito, me jogando para trás, meu sangue foi para 3. Droga, eu estava morrendo.

–Cris – gritou Amanda.

–Estou bem.

–Fique longe, você não tem mais sangue.

Amanda foi em direção ao Ruinir e John começou a atirar flechas, mas ele puxou um dos lados de sua harpa, ela virou algo parecido com uma lança com a harpa no final do cabo. Ruinir acertou Amanda, com o cabo da harpa usando toda a sua força, depois bateu em John que voou de novo. O sangue da Amanda foi para 9% e o de John para 12%. A luta estava ficando muito perigosa.

Ruinir andou para frente, levantou a sua perna de bode e ia pisar em cima da Amanda, eu sai correndo em direção a eles.

–Não Cris, não venha, você vai morrer – gritou Amanda.

Eu a ignorei, eu não ia deixar ela morrer. Então quando estava a três metros de Ruinir, eu saltei, minha espada fincou no estômago dele. Ele deu um urro, depois deu dois passos para trás, eu ainda estava segurando a minha espada quando algo brilhou em meu comitador. Ruinir me pegou, me apertou com as suas garras e me jogou longe.

–Cris – gritou Amanda.

Ela se levantou e veio correndo em minha direção. Quando ela chegou, eu estava me levantando. Ela olhou espantada para mim.

–Como você conseguiu? Você só tinha um resto de sangue menor do que o meu. Como você sobreviveu?

Eu mostrei o meu comitador para ela, meu sangue estava em 85%.

–Eu passei de nível no momento em que dei o golpe no estômago dele e meu sangue voltou para 100.

–Nossa, você é muito sortudo – disse Amanda com um grande sorriso. – Pensei que tinha perdido você.

–Droga, ele está vindo de novo.

–Precisaremos mais do que sorte para ganhar dele, precisaremos de um milagre – disse John se juntando a nós.

–Um milagre, isto. Obrigado por me lembrar.

Eles ficaram sem entender. Ruinir estava vindo correndo em nossa direção. Eu tirei o pergaminho que havia ganhado do Rei Esqueleto, o abri e pensei com todas as minhas forças que eu não poderia deixar a Amanda e o John morrer ali. De repente um brilho saiu do meu corpo e eu vi a Amanda e o John se encolherem. Eu olhei para eles achando aquilo estranho, mas logo que olhei para o fauno vi que não era eles que tinham se encolhido e sim eu que tinha crescido.

Passei a mão nas costas, onde o cabo da minha espada ficava, e para a minha surpresa ela também havia crescido. O fauno havia parado, ele se assustou com o meu súbito crescimento. Eu corri em direção a ele e a verdadeira luta começou. O fauno era mais forte do que eu pensei, mesmo comigo da altura dele, ele ainda conseguia se defender bem, mas eu estava tirando muito mais sangue dele agora.

Eu levantei a espada e dei um golpe, ele defendeu com a harpa e atacou com as cordas dela, que enrolaram em todo o meu corpo. Eu usei a minha força e as arrebentei. Depois mandei toda a minha força para a espada e tentei cortá-lo de lado, ele defendeu com a harpa, mas a minha espada cortou a harpa e o acertou, fazendo ele colocar um joelho no chão. Eu coloquei a minha espada no pescoço dele.

–Você foi derrotado. Acabamos?

Ele abaixou como se fosse colocar o outro joelho, passou a mão direita no chão e jogou terra nos meus olhos, então pulou em cima de mim. Eu não conseguia ver nada, então só senti a pancada e meu corpo batendo no chão, depois veio uma porção de cortes das garras de Ruinir. Em um momento de desespero eu consegui me livrar dele o jogando para trás com as minhas pernas, então eu levantei. Ruinir havia caído de costas, mas se levantou rapidamente e veio correndo em minha direção. Eu segurei a minha espada do lado direito do meu corpo e quando Ruinir estava bem perto de mim eu dei um golpe na diagonal e outro na horizontal, então saltei para trás. Ruinir caiu de joelhos e seu corpo tombou para frente, algo bateu em meus pés, mas eu não olhei, eu sabia o que era. Eu havia cortado a cabeça do Ruinir. Amanda e John estavam vibrando lá embaixo. Eu abaixei para ouvir o que Amanda queria falar.

–Como você conseguiu ficar deste tamanho? – perguntou Amanda.

–Um pergaminho do Rei Esqueleto.

–Não grite – gritou John tampando os ouvidos.

–Um pergaminho que o Rei Esqueleto me deu – eu cochichei.

–Por que você não nos disse que tinha este item? – perguntou Amanda.

–Ele me disse que eu não poderia falar com ninguém, nem mesmo com vocês e só poderia usá-lo quando estivesse em um perigo muito grande.

–E por que você não o usou antes? Quando você quase morreu – perguntou Amanda com uma cara de confusa.

–Eu esqueci dele – eu disse ficando vermelho.

–Só você mesmo, Cris – disse Amanda dando uma gargalhada.

–Não achei graça nenhuma, a gente quase morreu – disse John.

–Como você vai voltar ao tamanho normal? – perguntou Amanda.

–Eu não... – de repente eu tremi e o chão começou a chegar mais perto, até eu ficar do tamanho da Amanda de novo. – Acho que assim – eu disse com um sorriso de lado.

–Ele tinha um tempo. Interessante – disse Amanda.

O Ruinir desapareceu e no lugar dele ficou uma pilha enorme de moedas e os dois chifres dele em miniatura, quando eu peguei os chifres eles se transformaram em uma chave, então uma porta negra grande, com uma fenda no lugar da fechadura, apareceu com um letreiro no topo escrito, “Level 2”.

–Acho que passamos de level – eu disse sorrindo.

–Eu treinei tanto para este jogo e foi você que mais lutou neste level, logo você que nem queria jogar – disse Amanda com um bico.

–Amanda, o importante é chegar ao nosso objetivo, não importa quem luta mais ou menos.

–Eu sei, bobinho, só estava brincando.

–Gente... eu... vou... para... o Level 2... Nem acredito que depois de um ano no Level 1 eu irei sair dele. – disse John dando saltos de alegria. – Obrigado – ele abraçou eu e a Amanda.

–Que isto, John. Você nos ajudou bastante – eu disse passando a mão nos cabelos dele.

–Nós conseguimos juntos, então vamos pegar o prêmio juntos – disse Amanda e deu a mão para mim e para John.

Eu enfiei a chave na fenda e nós entramos pela porta. Desta vez nem ouve surpresa, eu já estava acostumado com o redemoinho me sugando.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!