Eu empurrei a porta gigante, sentindo novamente a sensação de ser sugado por um redemoinho. Então apareci na frente de uma sala enorme, com grandes pilhas de moedas de ouro. No final da sala estava um homem vestido com uma armadura feita inteiramente de ossos, seus cabelos eram negros e longos, ele tinha olhos negros tão intensos, que fiquei com medo de ele me perfurar somente com o olhar. Assim que eu comecei a andar em sua direção, ele se levantou.

–O que você quer aqui, guerreiro?

–Quero apenas passar para o outro lado.

–Não quer o meu tesouro?

–Não, eu só quero passar e conseguir passagem para os meus amigos, sem que nenhum de nós perca a vida.

–Entendo. Para que isto aconteça, você sabe que terá que lutar e vencer.

–Sei disto.

–Este é o momento da sua escolha.

–Que escolha?

–Você pode escolher uma entre três pessoas para lutar. Uma delas sou eu. Outra é meu filho Dálio – quando ele acabou de dizer o nome, um garoto de nove anos apareceu do seu lado esquerdo – ou com minha esposa Dalila – logo, apareceu uma mulher ruiva do seu lado direito. – Escolha um de nós três para lutar, guerreiro.

–Eu escolho você.

–De nós três você escolhe o mais forte? Por quê?

–Eu não me sentiria bem em lutar com uma criança, nem com uma mulher. Se um dia eu precisar lutar, eu lutarei, mas não enquanto eu puder evitar ou tiver uma escolha.

–Entendo, é muito nobre da sua parte. Mas a nobreza pode lhe matar.

–Mas morro com dignidade.

–Boas palavras, guerreiro. Você é o primeiro que me escolhe. Será a sua morte.

O Rei Esqueleto desprendeu a sua capa vermelha, a deixando cair em cima do trono e saiu andando em minha direção. Ele pegou uma espada maior que a minha, que estava fincada no chão, e começou a correr. Eu deixei minha espada na bainha, quando a sua espada estava a menos de um metro de mim, eu a desembainhei e me protegi do ataque. O barulho do metal foi alto e longo.

–Muito bom, guerreiro – disse ele com o rosto perto do meu.

–Eu não vou perder para você.

–Por quê? Você acha que é mais forte do que eu?

–Não, porque eu prometi para a minha amiga que iria vencer e eu não vou quebrar esta promessa.

–Você não pode me vencer – disse o Rei Esqueleto pulando para trás.

Seu próximo ataque parecia mais forte do que o primeiro, nós começamos a bater as espadas, um som metálico alto atrás do outro era emitido pelo choque das espadas, eu consegui não tomar nenhum golpe, mas ele estava ganhando. A cada ataque dele eu ficava mais perto da parede. A espada dele começou a passar a centímetros da minha cabeça. Quando encostei meu corpo na parede, ele deu um sorriso e se preparou para mais um golpe, senti sua espada cortando a carne do meu ombro, mesmo não estando na vida real à dor foi igual.

“Em um mundo digital o seu cérebro é que domina.” lembrei das palavras do homem do jaleco. Meu corpo físico não está aqui, apenas a minha mente, eu tenho que controlar a minha mente.

O Rei Esqueleto levantou a espada para dar o golpe final, mas naquele momento eu me movi mais rápido do que ele, então vi uma chance, levantei o pé e chutei o seu estômago, o mandando para trás. A minha reação foi tão rápida que ele ficou olhando para mim por alguns segundos. Eu vi a dúvida em seus olhos, ele ficou imaginando como eu havia revidado em um momento crítico como aquele e a uma velocidade maior que a dele. Mas não era só isto que eu tinha nas mangas, eu saltei e levantei a espada liberando a maior parte da minha força e o ataquei. Ele ainda estava ajoelhado com uma das mãos no chão, então ele deu um sorriso, seu corpo sumiu e apareceu atrás de mim. Minha espada bateu no chão onde ele estava e a sua espada cortou as minhas costas, eu senti uma dor insuportável.

Eu estava perdido, meu sangue havia caído para 38, no próximo ataque ele iria me matar. Ele levantou a espada e quando ia dar o golpe, me lembrei do rosto da Amanda e da minha promessa. Mais uma vez o meu corpo reagiu de forma impressionante, girei meu corpo rapidamente e segurei o golpe, jogando o Rei Esqueleto para trás com a minha força. Liberei mais força nos meus braços e comecei a atacá-lo aproveitando o momento em que ele ficou confuso. Desta vez eu que o fiz recuar. Com o meu forte ataque ele não conseguiu revidar e caminhou de costas até o seu trono. Ele estava praticamente deitado em seu trono no momento em que eu ia dar o golpe final, ele hesitou, seus olhos fecharam por um segundo e eu parei a espada a menos de cinco centímetros do pescoço dele.

–Acredito que esta luta tenha terminado.

–Sim, você venceu... Mas porque você não me matou?

–Você me disse que eu teria que te vencer, não que eu teria que te matar.

–Entendo, realmente há nobreza em seu coração. Você e seus amigos podem passar. Você tem direito a um prêmio especial por ter me vencido. – ele disse estendendo a mão para a sua esposa.

A esposa do Rei Esqueleto lhe entregou algo, ele andou até mim e me entregou um pergaminho.

–Aqui está.

–O que é isto?

–Em um momento onde tudo estiver perdido, você poderá usá-lo para salvar a sua vida e a dos seus amigos. Mas lembre-se, não deve usá-lo à toa. Pois ele tira o poder do seu coração. Daquilo que você está sentindo no momento. E você não pode contar a ninguém sobre o pergaminho.

–Nem aos meus amigos?

–Nem a eles. Faz parte da magia.

–Obrigado, nobre rei.

–Uma dica, nem todos são nobres neste lugar. Então, tome muito cuidado.

O Rei Esqueleto voltou a se sentar no trono e eu senti a sensação de estar dentro de um redemoinho de novo, então apareci do lado da Amanda e do John.

–Não conseguiu entrar? – perguntou Amanda, confusa.

–Sim, eu lutei e venci o Rei Esqueleto.

–Mas... Você acabou de sumir e reapareceu.

–A caverna do rei esqueleto deve ser atemporal – disse John. – Não deve acontecer neste mundo.

A porta com a caveira se abriu e depois de várias horas presos nesta caverna, nós finalmente vimos à luz do sol.

–Mapa – eu gritei.

O mapa apareceu e eu verifiquei que estávamos realmente do outro lado da montanha.

–Vamos seguir em linha reta – eu disse apontando no mapa.

–Sim, acho que é o melhor – disse Amanda.

–Mas podemos encontrar muitos monstros perigosos por aqui.

–E você está com medo? – perguntei a John.

–Sim, morrendo de medo.

–Não se preocupe, estamos com você – disse Amanda. – Agora me conta como foi à luta com o Rei Esqueleto.

Nós continuamos a correr e eu contei tudo para eles, escondendo somente o fato de ter ganhado um pergaminho estranho como prêmio.

–Cara, você é doido, eu teria escolhido a criança – disse John.

–Bom, John. Para você, ele não seria uma criança – eu disse a John, que fez uma careta. Eu e a Amanda gargalhamos.