Level 1
3 Luz
Notas iniciais
Rao parou com Fariz bem a seu lado. Bem adiante se encontrava uma montanha na qual era visível a grande entrada da chamada Terminus Cave. Era noite e o tempo estava nublado, o que deixava tudo muito escuro. Talvez só por esse acaso Rao tenha conseguido vislumbrar, bem alto, uma luz bruxuleante, vinda de alguma caverna pequena, que não chegava nem perto do tamanho de Terminus.
A subida foi difícil. Teve que deixar Fariz dentro de sua respectiva Pokébola. O caminho era íngreme e seco. Qualquer descuido poderia resultar num escorregão para a morte.
Quando chegou à entrada da caverna, agradeceu, pois começara a ventar e chover. O frio ali em cima era cortante. Libertou Fariz para que lhe fizesse companhia.
À frente, a fonte da luz se revelava como um grande lampião. Um velho e barbado senhor cochilava próximo dele, todo agasalhado e com um Houndoom deitado a seu lado. O Pokémon, com a cabeça erguida, observando os visitantes, não demonstrava hostilidade.
— Co-com licença — disse Rao, tremendo não só de frio.
O homem abriu os olhos, despertando.
— Meu pai pediu para eu vir encontrar o senhor.
O Houndoom começou a rosnar.
— Alguns dias antes —
A intenção de Rao de se tornar líder de ginásio se mostrou infrutífera assim que descobriu o nível de Fariz, seu único Pokémon.
— Ora, mas não é que eu conheço esse rapaz! — disse a velhinha que trabalhava no Daycare de Camphrier Town e analisava Pokémon. Sorria enquanto segurava o Psyduck por baixo dos braços.
Rao se perguntou como ela poderia conhecer Fariz.
— Ele saiu daqui junto com alguns outros Pokémon que foram doados para serem distribuídos a novos treinadores em Santalune. Você deve ser um deles. — Ela pareceu adivinhar a confusão de Rao, falando sempre com um sorriso no rosto.
— E, olha, que surpresa! — Arregalou os olhos, que até então estavam sempre bem fechadinhos. — Ele continua no mesmo nível que estava quando saiu daqui. Está no nível um! — Rao não sabia como a velha senhora chegou a tal conclusão, e não conseguiu esconder seu espanto com a notícia. Um Pokémon no nível um não poderia batalhar.
Então, de maneira cabisbaixa, seguiu até o Centro Pokémon de Camphrier, de onde poderia ligar gratuitamente para seu pai.
— Peraí! Minha mãe já foi exploradora? — Rao se espantou pela segunda vez ao dia, quando seu pai contou a novidade na intenção de aumentar seu leque de possíveis profissões.
— Sim, por alguns anos… Você deveria procurar um conhecido meu que, mesmo já meio velho, continua como explorador. Você pode passar um tempo com ele e ver se gosta da profissão. O nome dele é Bergin. Pergunte por ele aí no Centro Pokémon. — E então se despediu com um “tchaau” cantado.
— De volta —
Então Rao estava ali, com o Houndoom de Bergin rosnando ameaçadoramente.
Fariz soltou um grasnido de medo, e pela primeira vez Rao percebeu que a dor de cabeça de seu Pokémon estava aumentando.
— Calma, Fulgor — o homem falou, colocando sua mão esquerda sobre a cabeça do cão, que se acalmou. — Quem é seu pai?
— Alfred, de Santalune. Ele me mandou te procurar para pedir ao senhor que me mostre como é a vida de um explorador.
— Hum… Eu lembro do Alfred... Venha, que vou lhe mostrar uma coisa primeiro.
Bergin então guiou Rao até uma mesa que estava no fundo da pequena caverna. Seu Houndoom, Fulgor, deitou a cabeça, tranquilo, mas Fariz, ao passar a seu lado, graniu novamente, com medo.
A luz do grande lampião não alcançava os fundos da gruta. Sobre a mesa havia uma vela encaixada num suporte, que Bergin acendeu, permitindo a Rao vislumbrar muitos livros, mapas e anotações espalhados, além de objetos de navegação, como bússolas e um compasso. Também havia algumas poucas moedas jogadas. O velho protegeu o fogo com a mão direita, para que o vento não o apagasse.
— Aqui, neste ponto — indicou com o dedo um local num dos mapas sobre a mesa —, há a possibilidade de haver uma espécie de portal para um lugar onde humano nenhum pisou até hoje. Se me acompanhar até lá, saberá de tudo o que um explorador faz. Aceita me ajudar?
Rao olhou para Fariz, que observava Fulgor ainda com medo.
— Eu aceito.
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