Let The Flames Begin
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Permaneceram deitados sobre a grama durante cerca de duas ou três horas.
Nuvens estavam pelo céu escuro, mas ainda sim era possível enxergar as estrelas e Eren e Rivaille esticavam os braços, separando os dedos para poder ver os pontinhos brancos entre cada um.
“Há alguma música que o faça viajar sem sair do lugar quando a escuta?” Eren perguntou em algum momento.
“Hmm,” Rivaille pensava. “Me diga você.”
“Acho que isto acontece comigo quando escuto ‘Smiths...”
“Boa.” Rivaille ainda pensava. “Ah! Quando ouço Bowie... Dá uma sensação tão gostosa e sufocante no peito, como se tivesse achado a coisa mais perfeita e satisfatória do mundo...”
“É...” Fez uma pausa. “Há alguém mais além de Bowie?”
“Hm... Não sei...”
Houve dois ou três segundos de silêncio. “O Bowie é incrível.” Eren comentou.
“Ele é.” Rivaille sorriu levemente para o céu que observava. Então olhou para Eren e este ainda encarava a imensidão de nuvens e estrelas. Queria saber o que o garoto estava pensando... Refletiu sobre como é engraçado as coisas que acabam aparecendo em nossas vidas...
“Ele é...” Eren pronunciou, parecendo não notar que palavras saíam de sua boca.
Rivaille levou uma das mãos ao rosto jovem e ganhou a atenção do garoto, que após um segundo, sorriu um sorriso doce. O dançarino continuava a se perguntar se era alguém por quem valia a pena lutar e por que Eren acreditava nisto.
Minutos se passaram e ambos decidiam por alguma música aleatória e começavam a cantar, rindo quando saíam do ritmo. Eren absolutamente adorava a voz de Rivaille – mesmo que estivessem numa espécie de brincadeira.
Decidiram ir para o carro quando sentiram muito frio naquela madrugada. O clima estava estranho e gostoso, parecia que os anestesiava.
“Por acaso você tem um fone aqui?” Eren perguntou ao aconchegar-se no banco do carona.
“Acho que deve ter um aí dentro do porta luvas. Dê uma olhada.”
E assim Eren fez, avistando o fone de primeira.
“Para que quer o fone?” Rivaille quis saber como se já não fosse muito óbvio.
“Quero te mostrar uma música.” Eren disse. “É estranho porque, na verdade, não é bem o tipo de música que eu escuto e não sei se você vai gostar, mas é uma boa música... Particularmente, gosto muito dela.” Explicava enquanto plugava o fone ao aparelho.
Ambos tinham os pelos dos braços arrepiados, pois haviam tirado seus casacos que estavam cheios de pequenos galhinhos e grama (caso não o fizessem, Rivaille ficaria louco – só não o fez tirar as calças porque estava frio...) e os corpos ainda recebiam o calor do ar do veículo.
Entregou um dos fones ao namorado e este o colocou apropriadamente. Eren procurava pela música e Rivaille esticou-se para ver, mas o garoto afastou o aparelho, não deixando que bisbilhotasse. O mais velho fez uma careta.
Logo Eren encontrou a música. “Vai tocar.” Avisou e então Stubborn Love encheu os ouvidos de ambos. Enquanto a música rolava, tanto Rivaille quanto Eren ficavam a observar a rua vazia pela janela do carro. O silêncio externo, a luz dos postes na rua deserta, o clima confortável dentro do veículo... Tudo parecia paz.
Rivaille estava adorando a música. Também não era o estilo que costumava ouvir, mas aquele som parecia juntar todos os outros elementos como a linha da costura, transformando tudo em uma tranquilidade muito gostosa e confortável. Em certo momento, procurou pela mão de Eren e a segurou, fitando-o e sendo retribuído no olhar. Sorriu doce para o garoto e continuaram a ouvir a música. Fechou os olhos e sentiu como se estivesse viajando na estrada...
–
Rivaille acordou às 12h49. Eren ainda dormia preguiçoso em sua cama. Levantou e fez sua higiene matinal. Voltou para a cama e se remexeu o menos que pôde para não perturbar o sono do garoto.
Puxou o celular para verificar se havia alguma mensagem ou ligação perdida. Duas mensagens de Hanji, uma de Petra; uma ligação de Erwin, uma de Petra e uma de Gunter. Deviam tê-lo ficado procurando na festa... Ligaria para os amigos depois.
Escutou a respiração alta de Eren e assistiu ao peito deste subir e descer em seu movimento tranquilizador. Lembrou as conversas da madrugada, e das risadas e de seus pensamentos conturbados e da música que ouviram juntos dentro do carro.
Acariciou o maxilar de Eren com o nó do indicador. Idiota, foi o que pensou. Resolveu que queria escutar alguma coisa, pois a cena de dentro do carro não lhe fugia a mente. Puxou o fone de ouvido de dentro da gaveta do criado mudo e o plugou. Logo estava ouvindo Burning, o que o fazia mergulhar num mar profundo de belezas e sofrimentos. Nada em particular. Eram apenas uns daqueles sentimentos que se tem ao ouvir, ver ou sentir algo muito intenso. A depressão do piano e do violino o fazia ter a impressão de que seu peito estava sendo esmagado e lutava contra o próprio corpo para não encolher-se em pura expressão. Esta era a maior razão para ter escolhido, também, a dança: tentar desvendar, através do próprio corpo, o que uma canção queria dizer. Às vezes não era preciso desvendar, mas então a representar. E isto era lindo. Era dor misturada à liberdade, e tudo isso se fundia dentro de sua pele enquanto era apenas ele e a música ao redor. Como se cada nota guiasse seu corpo para um novo passo.
Em meio ao seu sofrimento mixado à beleza de dor e liberdade, Rivaille lamentou não ter espaço suficiente em algum dos cômodos do apartamento para que pudesse, agora mesmo, dançar. Suspirou.
Encontrou-se lutando contra a própria mente para que parasse de querer adivinhar o que aconteceria à frente junto com o garoto... Suspirou novamente.
“Eren,” chamou, virando-se para o garoto que estava de costas para si. Pensou em chamá-lo novamente, mas ficou a observar as costas nuas dele. Outra música tocava em seu celular agora. Espalmou uma das mãos na pele alheia, sobre a escápula, que achava tão bonita – principalmente quando Eren se alongava após acordar.
A pele do garoto era muito mais corada do que a sua, observou pela enésima vez desde que o conhecera. Ele estava quente... Parecia tranquilo enquanto dormia. Do nada, Rivaille tomou um leve susto por conta do celular de Eren que havia começado a tocar e vibrar, fazendo um som horrível sobre o criado mudo. Ergueu a cabeça e avistou, sobre o ombro do outro, o aparelho acesso sobre o móvel.
Ouviu Eren resmungar e se remexer e logo observou-o pegar, ainda muito sonolento, o aparelho, demorando dois ou três segundos para atendê-lo com uma voz rouca e pesada. “Alô?”
Rivaille retirou os fones dos ouvidos.
“Oi, Armin...” Bocejou.
“Liguei, sim, mas não se preocupe... Está tudo bem.” Massageava os olhos com os dedos, piscando algumas vezes ao livrá-los. “Uh-huh...” Bocejou uma nova vez e ficou em silêncio por alguns segundos. Passou a mão pela cama e virou o rosto, encontrando Rivaille. “Sim, sei.” Ofereceu um sorriso ao namorado e o acariciou a face com os nós dos dedos. “Armin- Armin, será que posso te ligar depois? Não, estou na casa de Rivaille.” Disse, rindo muito baixinho, deixando o mais velho sem entender. “Te conto tudo depois, meu amigo. Não se preocupe!” Riu. “Não fique assim...” Apertou sem força alguma o queixo alheio entre o polegar e o indicador. “Até mais.” Deixou o aparelho de lado.
“Não contou ao seu amigo?”
Eren o havia abraçado, remexendo-se de forma que o som do atrito entre o edredom e o lençol da cama ficasse alto e gostoso de ouvir. “Ainda não tive a chance...” Bocejou.
“Vai anunciar numa rádio, também?”
Eren riu.
“Por favor, vá escovar os dentes.”
“Acabei de acordar...”
“E por isso estou pedindo.”
“Mas quero ficar mais na cama!” Afundou o rosto no pescoço pálido. “Ouch...!” Havia sentido algo em suas costelas. Remexeu-se e achou o celular de Rivaille debaixo de si. “O que estava escutando?” Perguntou ao notar o fone.
“Música.”
A expressão de Eren demonstrava imenso tédio. Como se não fosse absolutamente óbvio. Pegou o celular alheio e desbloqueou. “Ahh, eu adoro Survival!” Disse sobre a música que tocava.
“Survival? Eu parei de escutar quando seu celular tocou. Esqueci de desativar a música.” Fez uma pausa, observando Eren apoiado nos cotovelos enquanto mexia em seu celular. “O que está vendo?”
“Suas fotos nuas.”
As sobrancelhas de Rivaille juntaram-se levemente. “Não tenho fotos nuas.”
“É... É uma verdadeira pena.” Entortou o lábio, recebendo um leve beliscão no braço acompanhado de um sorriso torto.
“Quer ouvir algo bonito?”
“Você vai cantar?” Eren pousou os turquesas sobre o dançarino, este que fora pego de surpresa pela seriedade na pergunta do garoto.
“Não...” Colocou um dos fones no ouvido e pegou o celular das mãos de Eren, entregando-o o outro fone. “Escute.” Burning tocava novamente.
A cabeça de Eren estava de volta ao travesseiro. Agora, porém, quase encostada à de Rivaille. Ficaram a ouvir. Enquanto a música tocava, Eren roçou a ponta do nariz na maçã do rosto do mais velho para então receber o olhar deste. “Que bonito...” Comentou após alguns segundos. Referia-se a música.
“É lindo.”
Ainda a escutavam.
Eren levou uma das mãos ao rosto alvo. “É um pouco depressiva...? É linda...” Ficou a acariciar a face alheia enquanto ouviam.
–
Eren encontrou com o melhor amigo e o contou sobre seu relacionamento reatado e sobre ter falado com o pai, não podendo deixar Armin mais surpreso.
Contou-lhe, também, sobre o medo estranho que sentia e cujo dançarino havia admito também sentir.
Ouviram um ao outro, sorriram, apoiaram-se, ouviram-se.
“Ah! Os livros!” Eren lembrou antes de se despedir do amigo. “Os livros que meu pai pediu para o vô separar. Estão aí?”
“Ah, sim! Só um minuto.” Armin saiu e logo voltou com uma sacola contendo uns três livros, cada um de grossura diferente.
“Obrigado... Eu devia ter pego isto antes, mas acabei esquecendo.”
–
Eren não viu Rivaille na segunda-feira. Apenas o ligou no fim da noite e ficaram a conversar por poucos minutos. Havia contado ao namorado que o pai tinha conseguido uma folga no próximo sábado e ambos concordaram que aquele seria o dia para Rivaille vir visitá-lo e conhecer Grisha. Eren sentiu-se um pouco ansioso.
Na terça-feira, comprou uma caixa de bolinhos da cafeteria para Rivaille e este ficou muito contente. Ficaram no sofá. Entraram numa discussão sobre a vida, sobre como a encaramos dentro dos parâmetros impostos por outros – pela sociedade. Ambos odiavam usar a palavra “sociedade”, descobriram. O assunto terminou com um suspiro vindo do mais novo e terminaram a noite assistindo ao terceiro filme de Harry Potter, pois Eren descobriu que Hanji havia ficado sabendo sobre Rivaille ter visto o primeiro filme e o fez assistir ao segundo.
“O cabelo de Emma está terrível.” O dançarino comentou em algum momento.
Despediram-se com um beijo caloroso. Estava muito tarde, mas Eren não aceitou passar a noite no apartamento do namorado porque tinha aula no outro dia, então Rivaille o levou até sua casa.
No dia seguinte, após o trabalho, foi com o mais velho àquela praça onde o pediu em namoro pela primeira vez. Ali, tocou violão para ele, que sentia falta. Às vezes Eren tocava alguma música que ambos não suportavam apenas para irritar Rivaille e rir, escutando-o perguntar “por que pega músicas que não gosta?”.
Na sexta-feira, Eren foi à academia assistir à uma peça em que o namorado fazia parte do elenco. Adorava aquele lugar. Adorava assistir a Rivaille...
No fim da peça, seguiu para a área onde todos ficavam, onde o público não tinha acesso, e abraçou Rivaille ao encontrá-lo, parabenizando-o. Beijaram-se e o dançarino parecia feliz e satisfeito. Grande parte das pessoas ali saíram para beber num barzinho e Eren foi junto. Foram horas muito agradáveis.
“Quer que eu vá para sua casa para irmos juntos à minha amanhã?” Perguntou quando já estavam a sós dentro do veículo do mais velho.
“Eu sei onde você mora.”
“Eu sei!”
Rivaille ficou em silêncio.
“Me responda...!” Eren insistiu.
“Tudo bem.” Respondeu simplesmente.
“Tudo bem?”
“Quero que vá comigo. Seria estranho chegar sozinho, eu acho...” Disse a última parte em tom baixo, soando incomum para os próprios ouvidos. Nunca havia conhecido um familiar – ainda mais os pais – de um namorado antes, afinal. “Quero que vá comigo.” Repetiu.
“Mesmo?”
Os cinzelados rolaram. “Você é surdo?”
Eren fez bico. “Okay... Hm... Estarei em sua casa às 11 horas, tudo bem? Meu pai quer que almocemos juntos. Sei que estará cansado-“
“Está ótimo.”
Eren insistiu para Rivaille deixá-lo na estação perto de suas casas, pois não queria fazê-lo demorar mais para chegar ao apartamento e descansar, uma vez que o dançarino queria deixá-lo em casa, o que o tomaria mais tempo.
Ao deitar em sua cama, Eren ficou a fitar o teto, pensativo, sentindo-se, agora, muito ansioso. Era uma ansiedade que lhe incomodava. No bar, haviam tirado algumas fotos e pôde, em algumas, usar o próprio celular. Pegou o aparelho e procurou pelas fotos, não podendo evitar o sorriso ao vê-las. Todos pareciam felizes e realizados... Eren se sentiu da mesma forma enquanto as olhava. Novas fotos com Rivaille... O pensamento o fez lembrar as duas antigas que havia excluído quando teve o relacionamento rompido...
Mas afastou aquele pensamento e voltou a sorrir para a tela do celular.
–
“Bom dia!” Eren cantarolou quando Rivaille abriu a porta e o beijou.
“Bom dia.” Respondeu ao partirem o contato. “Preciso de uma massagem em minhas pernas e ombros.”
“Isso é um pedido?”
“Talvez.” Sorriu de canto.
Eren lançou o olhar ao relógio. “Bem,” começou “será praticamente dez minutos daqui até minha casa e ainda é cedo...”
“Não me tente, garoto.”
O adolescente riu. “Vamos lá, deite.” Observou Rivaille abrir a boca, mas apressou-se a empurrá-lo até o sofá.
O dançarino sentou, sendo obrigado a deitar logo em seguida.
“Pernas.” Eren pediu, soando engraçado, e teve as pernas do namorado descansadas em cima das suas. Não demorou a começar a massageá-las.
“Hmm...” Rivaille gemeu, Eren tinha mãos maravilhosas.
“Seria melhor se estivesse sem calça.” O garoto disse, oferecendo-o um sorriso torto.
“Também acho... Mas não a tirarei.”
Eren resmungou, mas continuou a massageá-lo. Tinha quase certeza de que os gemidinhos que Rivaille soltava eram, em sua maioria, apenas para provocá-lo.
“Ah, está bom...” A voz do mais velho veio após algum tempo. “Passe para meus ombros agora, por favor.” Pediu.
“Deite de barriga para baixo.”
E assim Rivaille o fez. “Não vamos nos atrasar?” Perguntou.
Eren olhou para o relógio. “Não, ainda temos tempo. E também... O almoço ainda não estará pronto quando chegarmos, tenho certeza.” Sentou de maneira a ficar confortável para então começar a massagem nos ombros do dançarino.
“Hmm,” Rivaille gemeu abafado pelo rosto escondido no braço do sofá. Eren pressionava os dedos contra seus ombros fortemente, relaxando logo antes de deslizá-los para outro local e aquilo fazia o dançarino querer revirar os olhos. “Continue assim...” Pediu. “Ahhn...!” Deixou os ombros tensos por um momento, apertando os olhos.
“Doeu?”
“Não...” Ficou em silêncio por alguns segundos. “Suas mãos são mágicas.”
Eren riu, depositando um beijo na nuca alva e então minutos e minutos passaram. “Acho que agora temos de ir.”
“Hmm...” Rivaille resmungou em desagrado. “Vamos...” Dobrou os joelhos, fazendo Eren abandonar o sofá, e espreguiçou-se como um gato, sentindo os músculos muito mais relaxados agora.
Enquanto espreguiçava-se em uma posição que lembrava um felino, Eren ficou a observar seu traseiro, que tinha muito destaque no momento, voltando a sentar sobre o estofado para melhor observar.
Quando Rivaille desfez aquela posição, olhou em volta e não viu Eren, assustando-se um pouco quando a voz deste veio direto em sua orelha e o garoto encaixou-se atrás de si. Não teve tempo para dizer algo, pois seu rosto foi virado e, seus lábios, beijados. Sorriu de canto em meio ao beijo, não quebrando o contato.
Eren moveu-se minimamente a fim de pressionar a região de seu pênis contra o traseiro de Rivaille, que pareceu aprovar a ação, ajudando-o a encaixar-se melhor. Quando o garoto arfou ao se mover e o dançarino considerou sua vez de pressionar-se contra o íntimo alheio, a voz do adolescente lutou contra a própria vontade e fez-se presente. Estava baixa, abafada e hesitante: “Melhor parar...”
Nenhum dos dois realmente queria ter de parar, mas precisavam sair e se continuassem, iriam se atrasar muito, certamente, uma vez que ficaram tanto tempo sem tocar um ao outro daquela maneira e desde que haviam voltado não o tinham feito.
Rivaille deixou que sua cabeça pendesse, a franja escondendo seus olhos, e descansou uma das mãos sobre a mão de Eren que pousava em seu peito. Suspirou baixinho. Lançou o olhar ao relógio de parede. Precisam sair. Virou o rosto, segurando a face do adolescente com a mão. Beijou-lhe a bochecha e sorriu. Deu um tapa sem força na coxa do garoto e o esperou deixar o sofá, fazendo o mesmo logo em seguida enquanto suspirava pesadamente.
“Trate de esconder isto aí, garoto, aposto que seu pai e sua irmã não querem ver que está com uma ereção.” Rivaille disse.
Eren riu sem jeito. “Você está exagerando, não está evidente.” E realmente não estava.
–
Rivaille não poderia demonstrar menos nervosismo quando estacionou o carro em frente à casa de Eren. O garoto, por sua vez, sentia-se feliz pela ansiedade do outro, pois isto o mostrava que não era o único que estava se sentindo daquela maneira e que Rivaille dava importância àquilo.
Eren ergueu a mão do namorado e a beijou. O dançarino faria piada, mas preferiu deixar o momento correr. Sorriram um para o outro e saíram do veículo. Quando chegaram à porta, Eren pronunciou longa e arrastadamente um muiiitooo beeem e deu espaço para que Rivaille entrasse pela segunda vez em sua casa.
“Cheguei!” Anunciou ao entrar.
“Ora, mal educado, você não chegou sozinho.” O mais velho o repreendeu, recebendo uma risadinha. Falava nenhum pouco sério.
Não houve resposta, mas um barulho vinha da cozinha. “Mikasa!” Ouviu a voz do pai.
Eren lançou um olhar de estranhamento para Rivaille e seguiu até o cômodo de onde os sons vinham. “Pai,” pronunciou ao aparecer à porta.
“Eren!”
“Chegamos...” Trouxe Rivaille pela mão, fazendo-o aparecer à porta também.
Grisha e Mikasa, que limpavam o suco que a garota havia deixado cair sobre a pia, pararam com o que faziam, sentindo-se um pouco idiotas e achando graça na situação.
Mikasa incomodou-se um pouco agora que Rivaille estava ali, mas estava trabalhando dentro de si mesma para extinguir aquela sensação.
Grisha desviou o olhar e, rapidamente, lavou as mãos, procurando por um pano de prato logo em seguida, a fim de secá-las. “Oi,” disse finalmente, caminhando até Eren e Rivaille. “Sou o Grisha, pai de Eren. Sem formalidades, por favor.” Estendeu a mão ao dançarino, cumprimentando-o.
“Olá, Rivaille.” Apertou a mão do médico. “Obrigado por me receber.”
“Ora, imagine, é um prazer! Por favor, sente-se.” Grisha voltou para a pia. “Por causa de Mikasa, acabamos atrasando o almoço um pouco.”
“Por minha causa?” Mikasa retrucou.
“Eles são um tanto barulhentos quando estão juntos...” Eren comentou para Rivaille, que colidiu o olhar com Mikasa.
“Oi,” A garota disse. “Não nos vemos há muito tempo. Como está?” Aquilo era extremamente estranho para ambos, mas principalmente para Mikasa, pois nunca haviam pronunciado uma palavra sequer um para o outro.
“Estou bem, Mikasa, obrigado por perguntar. Como você está?”
“Muito bem.”
Eren sentia como se, a qualquer instante, Mikasa e Rivaille começariam a matar um ao outro.
“Me contaram algumas coisas sobre você.” A voz de Grisha voltou ao ar.
“Ah, é?” Os cinzelados foram direcionados a Eren por um momento.
“É dançarino, não é?”
“Na verdade, ator. O interessante da faculdade é que podemos fazer outras coisas interligadas ao curso.”
“Quando conseguimos.” Grisha riu. “Ora, mas por que ainda não se sentou? Fique à vontade!”
“Obrigado. Na verdade... Eu queria muito usar o banheiro para lavar minhas mãos.” Voltou o olhar para Eren. “Pode me mostrar onde fica?” Não recordava onde se localizava o banheiro da casa.
“Claro. Já voltamos.” Avisou antes de passar o braço pelo ombro de Rivaille e colocarem-se a andar. “Há um aqui em baixo.”
“A cor dos seus olhos,” Rivaille começou “igual aos de seu pai.”
“Você reparou?” Não houve resposta. “Prontinho.” Disse ao parar em frente à porta do banheiro.
“Obrigado. Só vou lavar as mãos.” E assim o fez, voltando rapidamente para perto do namorado.
“Desculpe se Mikasa for um saco.”
“Não se preocupe com isso, Eren.”
O garoto passou o braço, novamente, pelos ombros do menor, trazendo-o, desta vez, para um abraço, beijando-lhe a testa.
Voltaram à cozinha e Grisha anunciou o almoço aos três presentes.
“Eu lhe disse que chegaríamos e o almoço não estaria pronto.” Eren lembrou, rindo. Recebeu um sorriso de Rivaille.
Todos sentaram-se à mesa e serviram-se da comida preparada por Grisha com a ajuda de Mikasa. Rivaille adorava batata empanada!
“Então,” Grisha começou “onde você mora?”
“Num apartamento não muito longe daqui.” Rivaille respondeu.
“Então mora sozinho?”
“Sim.”
“Há quanto tempo?”
“Nossa, pai, isso é uma entrevista de emprego?” A voz de Mikasa veio.
“Não se preocupe, Mikasa,” Rivaille disse. “Eu não me incomodo. Respondendo a sua pergunta, Grisha,” voltou a atenção ao homem “moro sozinho há cerca de dois anos.”
“Sério?” A voz de Eren fez-se presente. “Pouco tempo. Imaginei que fosse mais.”
“E há quanto tempo estão juntos? Percebi que, há meses, vi Eren saindo do carro que está estacionado em frente de casa.”
Eren e Rivaille encararam-se rapidamente. O garoto sentiu um pouco de vontade de rir.
“Começamos a namorar meses atrás.” Eren disse. “Tivemos alguns problemas... Então-” Buscou pelo olhar de Rivaille. “Bem, se desconsiderarmos o nosso problema,” Eren fez uma rápida conta na cabeça “três meses?” Consultou Rivaille, mas, na verdade, não obteve resposta.
Grisha riu.
“Que idiotas.” Mikasa comentou.
“Filha!” O pai a repreendeu.
“O que? Sequer sabem há quanto tempo estão juntos.”
“Me desculpe por Mikasa,” Grisha disse.
“Eu avisei.” Foi a vez de Eren falar.
“Imagine, não se preocupe. Como Eren disse, se desconsiderarmos o que houve, estamos juntos há dois meses e três semanas.”
Grisha suspirou, tocando a testa com as pontas dos dedos, ponderando as ações de Mikasa e logo voltou o olhar ao filho e ao namorado deste. “Como se conheceram?”
“Não se preocupe, Rivaille, tenho certeza de que será contratado.” Mikasa disse.
“Mikasa!”
Rivaille e Eren riram.
“Estou brincando, estou brincando.” A morena apressou-se em dizer, piscando para o irmão.
“Desculpe...” Grisha pronunciou. “Repito minha pergunta.”
Rivaille o ofereceu um simpático sorriso. “Eren quase derramou suco em mim.”
As sobrancelhas do médico juntarem-se, ainda que levemente.
“Nos esbarramos.” Eren explicou.
“Você esbarrou em mim.” Rivaille disse.
“Romance.” A voz de Mikasa veio, quebrando todo o clima.
Eren deu uma risadinha.
Continuaram a conversar enquanto comiam. “Como ele é educado.” Grisha disse num momento, direcionando o olhar a Eren.
“Falando assim, você parece um velhote, pai.” Foi o que Eren respondeu.
Após deixarem a louça na pia, Mikasa serviu sorvete de chocolate branco.
“Dividirei com Eren, obrigado.” Rivaille disse. Não era grande fã de sorvete.
Enquanto comiam, o dançarino afastou o cabelo do garoto da bochecha deste para evitar sujá-la com o sorvete.
Por alguma razão, Grisha achou o ato amável e ficou feliz pelo filho.
“Vou ao banheiro.” Eren avisou, levantando-se e logo abandonando a cozinha.
“Devo dizer que me deixa muito feliz em ver como Eren olha para você. Sei que soa estranho...”
“Soa mesmo.” Mikasa se intrometeu. A garota estava de pé, encostada a um dos móveis da cozinha enquanto mexia o sorvete com a colher.
“Mikasa...”
“Brincadeirinha.”
“Fico feliz em ter apoiado seu filho.” Foi a vez de Rivaille dizer. “Não digo isto por mim, por ele estar em um relacionamento comigo, mas sim por não tê-lo limitado à própria felicidade.” Sentiu-se estranho ao pronunciar a última palavra. Recebeu o sorriso cansado de Grisha.
“Você parece tão sério, como tem convivido com Eren?”
“Morei, durante alguns anos, com uma amiga muito parecida, em muitos aspectos, com Eren.”
“Não o deixe babar em seu travesseiro.” Grisha brincou.
“Tarde demais...”
Riram.
“Seus olhos são muito bonitos, Grisha, Eren tem sorte de tê-los puxado de você.”
“Ah, obrigado! Mas acredito que ele tem mais sorte em ser tão parecido com a mãe.”
“Eren me mostrou uma foto. Ela era, realmente, muito bonita.”
Grisha sorriu gentil e Eren apareceu, voltando a sentar ao lado do namorado. “O sorvete está derretendo. Por que não o tomou?”
“Estou satisfeito.” Sua pele foi tocada pelo nó do indicador de Eren. “Por favor, me diga que lavou as mãos.”
“É claro que as lavei.”
“São sempre assim?” O médico perguntou.
“Sim.” Foi Mikasa quem respondeu.
“É impressão minha ou o relacionamento é a três?”
“Sou muito bonito para relacionamentos.” Mikasa brincou, jogando o cabelo para trás com a ajuda dos dedos.
Alguns minutos se passaram e então Grisha pediu a ajuda da filha para cuidarem da louça. Rivaille e Eren insistiram em, também, ajudar, mas o médico não os permitiu.
O casal, então, seguiu para o quarto do dono dos turquesas. Rivaille aspirou o ar devagar. Aquele lugar era infestado pelo cheiro de Eren. Seguiu até a janela que estava aberta.
“Tem toda a visão da rua aqui...” Comentou.
“Uh-huh,” Eren murmurou ao aproximar-se, dando uma conferida no movimento na rua.
Os olhos de Rivaille iam de um lado para o outro do cenário lá fora, mas fixaram-se no garoto quando este pousou a mão na curva de seu pescoço. Retribuiu ao beijo que lhe foi dado, gentil e lentamente, acompanhando o ritmo do adolescente. Compartilharam daquele beijo por muitos e muitos segundos.
Ao separarem-se, Eren olhou nos azuis cinzelados e voltou a rodear-lhe os ombros com um dos braços, encostando os lábios na têmpora alheia.
“Seu violão...” Rivaille disse, sua voz num tom muito baixo. Sentia-se um pouco sonolento agora.
“Quer que eu o toque?”
“Sim.”
“Ok!” Livrou-o de seu abraço. Simplesmente adorava o fato de que Rivaille gostava de ouvi-lo tocar. “Sente-se.” Pediu após pegar o violão, apontando o braço do instrumento para a cama.
Rivaille fez como lhe foi pedido e observou Eren enquanto este acomodava-se no chão ao pé da cama.
“Que quer ouvir?”
Rivaille cruzou as pernas e encolheu os ombros, pressionando as palmas das mãos contra o colchão. “Toque qualquer coisa...”
“Você vai cantar?”
“Não garanto.”
“Ora, por favor...”
Rivaille sorriu.
“Hm... Que tal meu concorrente, David Bowie?” Eren brincou.
“Você jamais teria alguma chance se Bowie fosse seu concorrente.”
“O que? Que cruel...!”
“Supere, Eren.” Disse, divertindo-se.
“Certo...” O garoto pronunciou, forçando um tom mimado. “Adivinhe qual é.” Começou a tocar.
“Life on Mars.” Rivaille respondeu, sendo necessário ouvir apenas a intro.
“O que? Sério? Só com a intro?” Eren suspirou. “Ok, agora esta.” E começou a tocar outra música. Desta vez, Rivaille não deu a resposta e Eren assistiu às suas sobrancelhas finas juntarem-se.
“Isso não é Bowie.”
“Ele tem muitas músicas, como pode ter tanta certeza?” Continuou a tocar, um sorriso brincalhão no rosto.
Rivaille ergueu uma sobrancelha.
“Ahh, não é Bowie, ok!” Eren desistiu. “Não gostei de brincar com você.” Brincou.
“Mau perdedor, huh?” Sorriu de canto.
“Vamos lá, escolha uma...”
Rivaille abriu a boca, mas desistiu do que diria, mudando suas palavras: “Hm... Sabe Soul Love?”
“Tem de falar justamente uma que eu não sei? Uh,”
Rivaille torceu os lábios e pôs-se a cantar, baixinho, a música que Eren não sabia quais eram as notas. Não seguia o ritmo exato da canção, pois a cantava mais lentamente com sua voz um pouco rouca. Ao decorrer da música, o dançarino abaixou-se um pouco, acabando por sentar ao lado de Eren no chão. O garoto estava fascinado. Para ele – Eren – aquele ritmo havia ficado ainda melhor...
Rivaille continuou a cantar e a cantou até o fim, que foi a parte que o adolescente mais gostou, pois ele só precisava pronunciar “la, la, la” repetidas vezes e aquilo lhe soava como uma canção de ninar. Quando se calou, beijou o rosto de Eren e disse: “Que chão desconfortável.”
O garoto riu, querendo dizer mil coisas sobre a música cantada. Observou Rivaille voltar à cama e posicionou os braços sobre o violão no colo. “Ok...” Sentia-se um pouco desconsertado. Fitava os próprios dedos tocando as cordas do instrumento. Balançou a cabeça. “Eu adoro sua voz!” Não conseguiu evitar dizer. Recebeu um lindo e simples sorriso.
“Obrigado.”
“Certo...” Passou os dedos pelos cabelos. “Certo...” Pronunciou quase num sussurro. “Ok, que tal esta?” Sua voz agora era alta e cheia de energia. Logo pôs-se a tocar.
“Ah!” Rivaille exclamou, levando as mãos à boca.
Eren o ofereceu um largo e bonito sorriso enquanto começava a tocar Days, também de Bowie.
Então, sem combinar, os dois começaram a cantar juntos, sorrindo um para o outro quando as vozes se chocaram. Ao chegarem à segunda parte, Eren deixou que os dois primeiros versos fossem cantados apenas por Rivaille, mas logo voltou a acompanhá-lo, ainda deixando, ora ou outra, que ele cantasse sozinho: estava perfeito. O ritmo era perfeito, as vozes condiziam-se como se eles próprios tivessem criado a música. E em I pray you'll soothe my sorry soul, onde Bowie, na versão original da canção, aumenta o tom de sua voz, apenas a voz de Rivaille fazia-se presente e ele fez o mesmo que o cantor. Eren sentiu um pequeno arrepio na nuca.
Cantaram juntos até o fim, como um verdadeiro dueto e, no final, Eren não podia estar mais apaixonado pelo homem à sua frente. Havia tocado com tanta liberdade, tanta harmonia... Aquele tinha sido um dos momentos mais intensos e bonitos que havia vivido até aquele instante, sentiu.
O namorado sentado à cama o oferecia um largo – e tão lindo – sorriso. Observou-o inclinar-se e o beijou de volta quando seus lábios foram tocados. Eren sentia o peito encher de uma sensação muito boa.
Quando o beijo se desfez, a distância entre os rostos foi feita por milímetros e ficaram a olhar um nos olhos do outro por segundos. Então Rivaille levou uma das mãos ao rosto do garoto e o acariciou antes de voltar a beijá-lo num contato rápido, mas carinhoso.
“Como você é lindo.” Eren pronunciou baixinho ao ter os lábios livres, a distância entre seu rosto e o do outro era a mesma de antes: dava-se por milímetros.
Rivaille sorriu de leve, mas sincero. Então os rostos ganharam uma distância maior e o garoto espreguiçou-se. Ainda sorria.
“Escolha outra música.” Pediu ao namorado.
Passaram quase uma hora daquela maneira, mas Rivaille não cantou mais do que duas músicas. Foram à parte de trás da casa de Eren, onde havia uma rede, e o garoto passou rapidinho na cozinha para pegar um pacote de balas que sempre comprava. Rivaille se recusou a comê-las, mas após alguma insistência de Eren, aceitou uma, alegando não ter gostado.
Grisha apareceu em um momento, e ficaram a conversar, mas logo o médico saiu, então foi a vez de Mikasa vir, mas a garota ficou menos tempo do que o pai.
Eren e Rivaille conversaram, beijaram-se, riram, compartilharam do silêncio quando o mais velho descansou a cabeça no ombro de Eren, deixando o peso sobre a rede mal distribuído uma vez que estavam sentados. O garoto sentiu-se bem pelo ato costumeiro do outro e ficou a acariciar-lhe a mão.
Após algum tempo, Eren foi chamado pelo pai para ajudá-lo a mover algumas coisas na garagem, pois Mikasa havia saído para comprar algo. “Você não para quieto, pai... Precisa descansar mais quando está em casa.” Enquanto o ajudava, Rivaille assistia-os, pois Eren não o havia deixado mover um dedo e este sabia que o namorado não estava feliz com aquilo.
Após ajudar o pai, lavou a mão e foi para o quarto junto com o namorado, precisava trocar de camisa, pois tinha deixado cair óleo na que usava. Rivaille sentou na cama e observou Eren a tirar a camisa e amarrotá-la.
“Vai manchar ainda mais desse jeito, pirralho...”
“Ah!” Tratou de esticá-la rapidamente. “Droga...”
Rivaille balançou a cabeça em desaprovação. Voltou a observar o garoto enquanto este abria a porta do guarda-roupas para retirar uma camisa limpa. Puxou uma de cor preta e fechou as portas antes de esticá-la para vestir logo em seguida, bagunçando o cabelo por conta de gola.
“Que pirralho mais gostoso.” A voz de Rivaille veio.
“Q-que?” Desamarrotou a veste no corpo e levou a mão ao cabelo a fim de arrumá-lo.
Rivaille cruzou as pernas, balançando o pé. Entortou o lábio e suspirou. “Tudo que tem de lindo, tem de lerdo...” Caçoou.
“Hei...!” Eren pronunciou, sua voz muito baixa. Juntou-se ao mais velho na cama, cruzando as pernas sobre o colchão, porém, e o beijou. Afastou os cabelos negros do rosto pálido ao separar os lábios. “Quer beber algo?”
Rivaille apenas fez que não com a cabeça.
Eren manteve a atenção nos cabelos escuros e deixou que o ar lhe saísse pelas narinas. “Days era uma das preferidas de minha mãe.” Começou. “Lembro que ela sempre a colocava alto para tocar e segurava em minhas mãos para dançarmos.”
Rivaille manteve-se em silêncio por dois ou três segundos. “Days é uma de minhas preferidas.” Disse, sorrindo gentil para o garoto, que retribuiu. Fora sua vez de levar a mão à face jovem e acariciá-lo com ternura.
Eren moveu a cabeça de maneira a tocar a palma da mão do outro com a boca, fechando os olhos ao fazê-lo.
Logo chegou a hora de Rivaille se despedir de Eren e de sua família. Agradeceu pelo almoço, elogiando-o, e recebeu o mesmo vindo do médico, que também lhe disse para se sentir à vontade para voltar. Despediu-se de Mikasa, que fez uma piada com sua altura, mas a ignorou. Eren o acompanhou até o carro.
“Espero que não tenha sido um saco para você.” O garoto disse.
“Não foi.”
“Desculpe pelas piadas de minha irmã. Ela é um tanto inconveniente quando quer...”
“Huh,” Prendeu o queixo do adolescente entre os dedos e o deu um selinho. “Passarei rápido em casa – para tomar um banho – e então irei à academia.”
Eren juntou as sobrancelhas. “Por que não fica em casa?”
“Ainda tenho uma peça para hoje.”
“O que? Sério? Por que não me avisou?”
“Pensei que tivesse lido o horário de apresentações ontem.”
“Uhh... Por favor, descanse bem depois disso... Não vá para um bar, só hoje... Descanse.”
“Não se preocupe.”
Eren o ofereceu um sorriso fraco.
“Obrigado por hoje, pirralho.” Os dedos voltaram ao queixo alheio.
“Não sei por que está agradecendo...”
Rivaille nada disse. Levou os dedos à nuca do adolescente e acariciou os cabelos ali.
“Vá com cuidado.” Eren disse e o outro consentiu. Depositou-lhe um beijo na testa e na lateral do rosto, acariciando-lhe a cútis com o polegar antes de beijar-lhe os lábios.
Rivaille entrou no carro e então despediram-se com palavras. Eren assistiu ao veículo sumir na rua e voltou para dentro de casa. Mikasa passou pro si, seguindo para a cozinha. Foi até os fundos da casa, onde o pai estava arrumando algo. Suspirou, ele nunca ficaria quieto, mesmo...
“Ah, Eren.” Grisha o notou. “Seu namorado foi embora?”
Era estranho ouvir o mais velho dizer aquilo. “Sim.”
“Gostei muito do rapaz, filho.” Disse. “Mas é tão pequeno!” Riu, exagerando.
“Pai...”
“Devia ter pedido para o pai diagnosticá-lo para nanismo.” Mikasa apareceu, intrometendo-se.
“Mikasa!” Eren a repreendeu.
A garota riu e voltou para a sala.
“Ele tem uma bela voz. Pude ouvi-lo cantar.” Grisha disse.
“Sim... É muito bonita.”
“Parece ser muito talentoso e sério.”
“Talentoso, ele é. Sério... Na maioria das vezes.” Riu nervoso. “Vou tomar banho, pai. Precisa de ajuda com alguma coisa?”
“Não. Obrigado.”
Eren o deu as costas, mas parou e voltou a fitar o pai. “Obrigado por tudo, pai.”
“O que?” Grisha, que cuidava de algumas plantas, ergueu a cabeça, recebendo um sorriso do filho, mas o garoto tornou a dá-lo as costas e saiu.
–
No domingo, Rivaille havia ligado para Eren, convidando-o para ir à casa de Hanji. O garoto aceitou o logo se encontraram.
“Não está cansado?”
“Não. Tive uma boa noite de sono.”
“Hm,”
Não demoraram muito a chegar à casa da morena, que os recebeu cheia de sorrisos e abraços.
“Quero saber como foi o dia com o sogro, Rivaille!” Hanji disse, causando uma sensação de estranheza no adolescente e no dançarino, pois ambos achavam a palavra sogro horrível.
Rivaille não disse muito. Na verdade, sequer queria se dar ao trabalho de conta alguma coisa, mas Hanji não o deixaria em paz se não o fizesse. Às vezes se perguntava se não mimava demais a amiga.
Minutos depois, Hanji e Eren estavam sentados no sofá da mulher jogando videogame – Mass Effect – enquanto Rivaille terminava de preparar chá na cozinha e tinha o desejo de morrer pelo exagero de sons que os dois faziam.
“Eu odeio o controle de Xbox, ugh!” Eren reclamou.
“Ahh, está usando desculpa! Que feio, Eren.” Hanji disse, caçoando do garoto.
“Este controle é horrível.”
“Será que podem fazer menos barulho?” A voz de Rivaille fez-se presente quando este retornou da cozinha com uma xícara de chá em mãos.
“Jogue conosco, Rivaille!” Hanji convidou, mas o menor apenas ergueu uma das sobrancelhas, sentando-se à uma mesa que ficava ao fundo da sala.
“Por que está tão longe?” Eren perguntou sem tirar os olhos da televisão. “Sente aqui.”
Rivaille manteve-se em silêncio e bebericou o chá.
O dia foi um tanto agradável, mesmo que para o dançarino pudesse ter sido com menos barulho... Eren descobriu que Hanji sabia tocar gaita e até mesmo a ouviu tocar.
“Ela andava com isto para todo o lado na faculdade.” Rivaille comentou.
“Ah, Hanji, você fez história, huh? Meu melhor amigo, o Armin, quer fazer história, não sei se já lhe contei.”
“Bem, se me contou, também não me recordo.” Riu. “É um bom curso. Cansativo, mas todos são. Ele vai gostar muito.”
Eren sorriu para ela.
À noite, pediram pizza e mais risadas e vozes altas vieram.
Fale com o autor