Let The Flames Begin
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Rivaille havia dito a Eren que iria para o litoral dentro de uma semana e o garoto disse que tentaria pegar folga para poder acompanhá-lo – puxou o assunto com o professor no fim de seu expediente.
“Claro, Eren. Na verdade, eu estava prestes a conversar sobre isto com você: costumo tirar uma folga, também, nesta época do ano já que muitos de nossos alunos ainda estão no colégio, começam a faltar neste mês por conta das provas finais, então nunca há muito que fazer aqui nesta sala.”
“Sério? Isso é ótimo! É muito conveniente, na verdade!” Eren dizia.
O professor riu da reação do garoto. “Mas, Eren, você também não tem de estudar para as provas finais?”
“Ah, sim. Mas ficarei apenas quatro ou cinco dias, então não intervirá em nada.”
“Huh, sei... Estou de olho.” Brincou.
–
“É ótimo, não?”
“Conveniente.” Rivaille disse. “Mas muito bom. Quer chá?”
“Quero.”
O mais velho seguiu até a cozinha e logo voltou com duas xícaras de chá.
“Você tem casa no litoral? Alugou?”
“Gunter tem casa na praia, ficaremos lá.”
“Hmm... Ouch!” Eren se esqueceu de assoprar o chá, acabando por queimar o lábio.
“Cuidado, criança! Uh...” Rivaille depositou a própria xícara sobre a mesa de centro antes de pegar a xícara de Eren das mãos dele e descansá-la junto com a sua. “Pirralho... Tsc.”
“Desculpe... Deixei cair um pouco... No chão.”
“Como está sua boca?”
“Ardendo, formigando, não sei.”
Rivaille prendeu o lábio inferior de Eren entre os dedos e o puxou.
“A-ai!” O garoto desvencilhou-se, cobrindo a boca com as mãos. “Por que fez isso?” Perguntava com a voz muito abafada.
“Descobriu o que está sentindo?”
“O que?! Isso doeu!” Livrou a boca e passou a língua sobre o próprio lábio, chupando-o levemente em seguida.
“Desculpe.” Rivaille disse. “Não foi minha intenção machucá-lo, queria apenas dar uma olhada.”
“Podia ter segurado com menos força...”
“Certo. Deixe-me ver.”
“Não toque!”
“Está bem, está bem!”
Eren aproximou-se e abriu a boca.
“Não é de tanto alarde assim, sequer está muito avermelhado.”
“Mas está ardendo um pouco... Está passando.”
“Huh,”
“O que quer dizer com huh?” Fez uma careta ridícula ao resmungar o final da frase.
“Eu não digo huh com essa cara horrível.”
“Huh!” Eren repetiu, ainda fazendo careta, para provocar o namorado, que o ofereceu uma expressão de puro tédio. Então ficou a repetir o resmungado e a careta até que Rivaille tivesse alguma reação.
“Pare, idiota.” Empurrou o garoto sem força alguma, fazendo-o rir.
Eren continuou e abraçou Rivaille, que lutava em vão para se livrar de seu agarro. Riu novamente e beijou o maxilar do mais velho, seguindo para os lábios deste. Recebeu um leve soco no ombro, mas seu toque foi retribuído.
“Pirralho,” Rivaille pronunciou ao ter alguma distância, mesmo que insignificante, dos lábios do outro e logo compartilhavam de um novo beijo. Eren segurava em suas costas de maneira a não deixá-lo deitar sobre o sofá.
Ficaram a se beijar e Rivaille deslizou uma das mãos para debaixo da camisa que o adolescente vestia, acariciando-o a pele em movimentos circulares suaves. O garoto remexeu-se no sofá e separou os lábios, passando a carícia para o pescoço alvo.
Após receber uma mordiscada, as unhas de Rivaille tocaram a nuca alheia, arranhando-a muito levemente, apenas para causá-lo um arrepio. Teve os lábios capturados novamente, com alguma necessidade. “Parece que já melhorou, huh...” Disse com sarcasmo ao quebrarem o contato.
“Sim.” Eren respondeu simplesmente.
“Hm, boas notícias...” Rivaille fez algum esforço e mudou sua posição, partindo para o colo do garoto, uma perna de cada lado deste.
“E-“
Não deixou que Eren falasse, atacando-lhe os lábios com um pouco de urgência enquanto escondia os dedos pelo cabelo castanho. “Aargh... Cabelo longo...” Choramingou arrastadamente entre o beijo, imaginando como seria ainda mais prazeroso agarrar os cabelos do namorado se estivessem longos como antes.
Eren riu baixinho e suas mãos deslizaram até as nádegas alheias, acariciando-as. No entanto, não pôde conter sua vontade e as apertou fortemente, fazendo Rivaille mover-se em seu colo. Apertou-as novamente, desta vez, com um pouco mais de força, puxando o ar, grosseiramente, entre os dentes.
De novo, os lábios do garoto rumaram direto ao pescoço pálido, sorvendo-o e transferindo as carícias para o ombro e clavícula. As mãos de Rivaille ainda estavam em seu cabelo e ele o fez afundar o rosto em seu dorso por um momento, arqueando as cortas numa bela postura.
Sua concentração voltou à pele pálida e decidiu que a enfeitaria com algumas marcas. Rivaille pareceu aprovar a decisão e inclinou a cabeça, deixando seu pescoço à mostra para facilitar o trabalho do garoto, pressionando o próprio corpo conta o outro.
Enquanto tinha o pescoço violentado, buscou por uma das mãos do adolescente e a levou até a própria virilha. Eren entendeu e começou a apalpá-lo naquela região, arfando simplesmente por tocá-lo. Todavia, Rivaille não pareceu se satisfazer apenas com aquilo, abrindo, então, o zíper de sua calça e fazendo o garoto tocá-lo mais intimamente. Foi sua vez de arfar. Encontrava-se um tanto excitado apesar das carícias superficiais. Desde que terminara com Eren não havia tido sexo e seu corpo demonstrava sua necessidade.
Arrepiou-se ao ter a respiração do mais novo colidindo contra sua pele. “Vamos para o quarto.” Disse em tom baixo. “As vidraças estão descobertas e ainda está claro.” Era, em grande parte, uma desculpa. Não queria fazer sexo no sofá.
“Ok,” Eren respondeu, apenas. Não estava em condições diferentes do dançarino. Antes, porém, tomou os lábios rosados e finos para si, chupando-os de leve, recebendo um pequeno sorriso torto do outro. Então, com um pouco de esforço, pôs-se de pé com o namorado em seus braços, sua cintura abraçada fortemente pelas pernas deste. Não era das mais confortáveis decisões para andar, mas também não era difícil.
Enquanto fazia, com cuidado, o caminho até o quarto, foi a vez de seu pescoço ser violentado: Rivaille puxou seus cabelos, fazendo com que sua cabeça fosse inclinada levemente – tentando não atrapalhar os passos do mais novo –, e arranhou com os dentes a pele exposta, sorvendo-a como queria, sem deixar de bagunçar os fios castanhos. Logo a pele corada de Eren estaria, também, presenteada com marcas escurar.
Antes de chegarem ao quarto, Rivaille afastou o cabelo que cobria uma das orelhas do garoto e deslizou, ali, os lábios, deixando que um gemidinho abafado saísse a fim de provocar Eren. Seus olhos haviam permanecido fechados durante o caminho até o outro cômodo e apenas tornaram a abrir quando o corpo foi descansado sobre a cama.
Não juntou as pernas. Se o fizesse, não teria Eren em meio a elas como tinha agora enquanto o beijava e o obrigava a tirar a camisa para logo transferir os lábios para a pele quente do peitoral do garoto, espalhando beijos e arranhões de dente. Teve os fios da nuca agarrados como uma forma de incentivo para o que fazia. Espalmou as mãos no peito alheio, tocando-o.
“Tire isso, também.” Eren pediu, erguendo a barra da camisa que o outro usava.
“Por que você não a tira?” Ergueu uma sobrancelha levemente.
O garoto aspirou o ar e ergueu a camisa branca do namorado o suficiente para poder provocá-lo mordendo, com certa força, um de seus mamilos.
“Ahh!” Rivaille gemeu ao ter os dentes do garoto na parte sensível.
Eren sentiu um arrepio parar em sua virilha e apertou os dedos contra a cintura do menor, passando, agora, a chupar-lhe o mamilo violentado anteriormente pelos dentes. Ouviu Rivaille deixar escapar outro gemido sofrido – este, porém, mais baixo do que o primeiro.
Eren decidiu, então, livrar-se completamente da camisa do mais velho, obrigando-o a erguer os braços para que pudesse tirá-la. Tão rápido quanto a jogou sobre o colchão, avançou sobre Rivaille, mantendo a atenção no mamilo deste, que voltou a entrelar os dedos em seus cabelos bagunçados. Logo Eren tornou, também, a distribuir carícias pela região do pescoço de pele tão clara e seguiu para a orelha alheia, onde tratou de dar muita atenção.
Rivaille sentiu um arrepio gostoso por conta das mordiscadas e lambidas em sua orelha. Absolutamente adorava carícias naquela região. Sentiu as mãos do garoto no cós de sua calça e entendeu o que ele queria, ajudando-o a retirá-la junto com a peça íntima. “Você também.” Sussurrou, tocando, com os dedos, a ereção de Eren ainda escondida por roupas.
E assim o garoto fez, livrando-se, com alguma pressa, da bermuda e roupa íntima, largando-as no chão. Então voltou a se inclinar sobre o menor, que tocou sua nuca com as pontas dos dedos e as unhas.
“Lindo...” Rivaille ainda sussurrava, seus olhos fixos na ereção agora exposta do garoto. Adorava a leve curva que o pênis de Eren fazia.
O dono dos turquesas posicionou-se entre as pernas do mais velho, segurando-as, mas logo usou de uma mão para deslizar a ponta de seu membro desde a entrada até a base da ereção alheia. Ouviu o arfar de Rivaille e repetiu o ato, desta vez, porém, dando atenção apenas à entrada.
“Dentro da gaveta...” A voz baixa do dançarino veio e Eren entendeu o quê ele queria dizer.
Levantou o olhar e, sem demora, seguiu até onde sabia estar guardado o lubrificante e preservativos. Rivaille sempre os deixava no mesmo lugar: primeira gaveta do criado mudo ao lado esquerdo da cama. Pegou o que precisava e logo voltou à posição anterior, admirando a visão do outro: marcas espalhadas ao longo do pescoço, lábios rosados por conta dos beijos trocados, excitação... Ah, ele estava lindo... Exatamente como o garoto se lembrava.
Rivaille sabia que Eren estava a admirá-lo e adorava aquilo. No entanto, naquela momento, queria-o dentro de si, sentia uma ridícula necessidade de tê-lo. “Concentre-se no que faz.” Disse, tirando-o dos pensamentos ao tocar-lhe o membro com o pé.
Eren puxou o ar entredentes e, finalmente, pegou o pequeno recipiente de lubrificante. Não precisava de grande quantidade para deixar os dedos molhados. Lançou o olhar para o namorado e estava prestes a abrir a boca quando este espalhou mais as pernas, dando-lhe uma visão que gostava muito, o sorriso torto desenhado nos lábios finos. Outra vez, um arrepio fez-se presente em sua virilha.
Seus lábios foram capturados pelo dançarino e, enquanto se beijavam, aproveitou para levar os dedos à entrada alheia, provocando-lhe na região antes de introduzir um dígito seguido por outro.
“Hmm,” Rivaille murmurou entre o beijo.
Eren começou a mover os dedos à procura de espaço e o mais velho grunhiu baixinho. Continuou a beijá-lo enquanto o preparava. Após dois ou três minutos, Rivaille o fez parar com o que fazia e o garoto apressou-se, sem problemas, com o preservativo.
“Rivaille,” Pronunciou com a voz mais baixa do que pretendia e começou a penetrá-lo. Um misto de felicidade e ansiedade se misturavam dentro de si. Estava tocando o mais velho novamente... Interrompeu-se por um segundo e fitou os cinzelados, que eram parcialmente escondidos pela franja escura. “Rivaille,” Repetiu, mais uma vez, tomando-lhe os lábios, sendo prontamente retribuído. Voltou a penetrá-lo após o beijo.
Rivaille mordeu o lábio inferior enquanto sentia-se ser invadido pelo garoto e agarrou-se às costas dele. Não demorou a ter o membro alheio dentro de si. Trocaram mais um beijo – Eren sempre procurava por seus lábios – e então o garoto pôs-se a se mover.
“Ahhn... Não se preocupe, mova-se mais rápido...”
Foi a vez de Eren morder o próprio lábio, passando a colocar um pouco mais de força e agilidade nos movimentos.
“Ahh...! Isso. Continue assim.” Rivaille disse. “Hmm,” Não apreciava silêncio em meio ao sexo e sabia que Eren não o queria quieto.
Em instantes, o cômodo era preenchido pelo cheiro e som de sexo. O adolescente apoiou-se com uma mão no colchão e aproveitou para sorver da pele pálida enquanto o estocava. Ao inclinar-se, movendo um dos joelhos para melhor poder se apoiar, teve a pele das costas violentada pelas unhas do dançarino que ali fincaram-se acompanhadas por um alto gemido. Havia-o acertado.
“Ahh, Eren...” Bagunçou-lhe mais o cabelo, agarrando-o por trás, fazendo-o erguer, minimamente, a cabeça. As pernas abraçavam a cintura do garoto agora. “A-ahh, as- ahh...!” Eren havia voltado a dar atenção a sua orelha, causando-lhe arrepios e o fazendo encolher um dos ombros. “Hmm, Ere- ahhn...” Arranhou as costas do garoto – queria deixar tal marca naquela área há algum tempo – e recebeu um gemido baixo e abafado em sua orelha.
O adolescente firmou uma das mãos na coxa do dançarino e teve sua cintura livre logo em seguida, assistindo, então, a Rivaille erguer, muito pouco, o próprio quadril a fim de ajudá-lo nos movimentos, como costumava fazer quando optavam por aquela posição.
Beijos, lambidas, arranhões e gemidos eram compartilhados (sendo este último, mais frequente) durante minutos incansáveis. Eren sentia a pele das costas arderem numa dorzinha gostosa.
Houve então o momento em que o mais velho levou uma das mãos à própria ereção, estimulando-a enquanto a outra acariciava o próprio dorso. Fechou os olhos e gemeu o nome do garoto arrastadamente e aquela era uma bela visão. Se Eren não estivesse tão concentrado no momento e na expressão do outro, teria se perguntado se era daquela maneira que ele se parecia quando se masturbava. Continuava a acertá-lo em seu ponto mais sensível.
“U-um pouco mais... Rá- a-ahh!” Rivaille tentou dizer, sentindo que não demoraria a alcançar seu limite.
“Rivaille...“ Arfou, entendendo o que o outro queria. Segurou com firmeza sua cintura e, por um momento, seus movimentos quase cessaram, mas apenas o fez para voltar a estocar o namorado rápida e precisamente.
“Ahh!” Rivaille apertou os olhos por um segundo. “Ahhn... O-olhe para mim...” Tentou alcançar o rosto do garoto com a outra mão: sem êxito. “Ahh, Eren...” Continuava com os movimentos no próprio membro. “Uhh, E-“ Sentia, agora, o líquido quente escorrer-lhe por entre os dedos e abdômen, deixando que um alto e longo gemido lhe escapasse. Os olhos estavam fechados.
Eren abriu a boca, mas apenas um grosso e prazeroso som veio ao sentir seu membro ser esmagado pelo interior de Rivaille. Precisou de poucas investidas para também chegar ao limite. Seu gemido quebrado e arrastado tomando o ar.
Levou alguns segundos para então retirar-se de dentro do mais velho, que deixou, finalmente, seu quadril relaxar sobre o colchão. Ambos respiravam pesadamente. Eren não queria deixar seu corpo cair sobre o do outro, então apoiou-se com os dois braços à cama e, após algum tempo, teve seu rosto tocado pelas mãos de Rivaille, que mordeu-lhe o lábio inferior fortemente, puxando-o em seguida, parecendo se esquecer da leve queimadura de mais cedo.
“A-ai...” Grunhiu pela dor.
Rivaille queria continuar a violentar a boca alheia, mas sentia-se um tanto preguiçoso agora. “Ugh... Um banho...” Disse.
“Estou com tanto calor... Também preciso de um.” Moveu-se para o lado do outro, deitando-se.
Rivaille afastou o cabelo do rosto jovem. “Ew... Precisa mesmo.”
Eren riu e recebeu o carinho que lhe era oferecido agora. Ficaram a se encarar por algum tempo e o garoto havia ocupado-se em, também, acariciar a face do namorado. Fechou os olhos e sentiu os dedos do outro deslizarem até a parte de trás de sua cabeça, agarrando-lhe os fios castanhos. Abriu os olhos para fitar o dançarino, mas este puxou seus cabelos com força, fazendo sua cabeça ir para trás e um gemido rude, mais para um rosnado, deixou sua garganta.
“Ahh, que delícia...” Rivaille disse, a voz rouca.
No banho, fizeram sexo novamente e Eren adorou o modo como os gemidos de Rivaille ecoaram pelo banheiro.
“Passe a noite aqui.” Rivaille pediu, entregando ao garoto o merengue que havia sobrado do dia anterior, quando Hanji o visitou e preparou o doce.
“Ligarei em casa.” Eren disse, mexendo o doce com a colher.
O dançarino acomodou-se no sofá, descansando as costas contra as pernas dobradas de Eren e pôs-se a comer.
“Hmm, que bom...” O garoto disse após experimentar.
“Hanji sabe fazer algumas coisas.”
Eren riu.
“A ida à praia não atrapalhará seus estudos para as provas finais?”
“Não. Ficaremos poucos dias, influenciará em nada.”
“Hm,” Rivaille levou a colher com o doce até a boca e o assoprou.
Eren juntou as sobrancelhas. “Por que está assoprando? Está gelado...”
“Huh?” O dançarino pareceu se dar conta do ato somente agora. “Ah!” Riu nervoso, sentindo-se ridículo. “Às vezes faço isto... Não sei por quê. É automático.”
Eren riu. “Que bonitinho.”
Uma sobrancelha fina foi erguida levemente, mas logo voltou ao traço normal.
Terminaram de comer e depositaram as pequenas taças sobre a mesinha de centro, onde antes haviam sido esquecidas as xícaras de chá.
“Como está seu lábio?” Rivaille lembrou
“Não dói mais.” Tocou a boca com as pontas dos dedos e sentiu sua face ser tocada pela mão do outro. O encarou e inclinou-se um pouco para poder beijá-lo. “Me lembrei de algo...”
“O que?”
Uma das mãos de Eren deslizou pelo dorso nu de Rivaille, brincando com os dedos sobre a pele. “Você tem cócegas, huh?”
“Não se atreva!” O dançarino apressou-se em dizer, remexendo-se desconfortavelmente.
A risada do garoto voltou ao ar. “Sei como é irritante, não farei.”
As sobrancelhas de Rivaille, que estavam juntas, relaxaram. O silêncio os fez companhia. Tinham os dedos laçados uns nos outros enquanto as mãos descansavam sobre o abdômen do dançarino. Alguns minutos se foram daquela maneira...
Eren tinha os turquesas fixos nas mãos e sorria bobo, sem sequer notar. Contudo, Rivaille pôde sentir o peso do olhar sobre si.
“Que?” Ergueu a cabeça, encarando o garoto.
“Huh? Nada...”
O mais velho nada disse. Lembrou as palavras que Grisha o havia dito: ...como Eren olha para você. Poderia passar horas pensando naquilo. Não exatamente na frase do médico, mas na questão que a envolvia: o modo de olhar. Sentiu-se um pouco velho para aquilo, mas esforçou-se para expulsar tal tipo de pensamento ultrapassado sobre idade, pois, apesar de ter estado em sua cabeça, não concordava com a ideia de “estou muito velho para pensar sobre isto”. Muito pelo contrário: achava muitíssimo importante o questionamento e ponderação, ainda que fosse feito sobre algo banal – ou quase. Era um constante crescimento.
Perguntou-se se Eren sentia as próprias variações de olhares quando o fitava ou se o fazia sem notar. A pergunta soou um pouco idiota para si.
“Que?” Foi a vez do garoto perguntar.
Não houve resposta. A mão do dançarino voltou ao rosto jovem e o trouxe, outra vez, para um novo beijo. Quis matar Eren quando este aproveitou da situação para lhe fazer cócegas.
–
“Ahhh, que pena! Queria poder acompanhar vocês.” Hanji lamentava.
“Por que nos acompanharia, quatro olhos? Não estamos dispostos a sexo a três.”
“Rivaille!” Eren o repreendeu e Hanji riu alto.
“Seria engraçado.” A morena disse.
As orelhas de Eren aqueceram.
“Quando irão?”
“Dentro de cinco dias.” Rivaille respondeu.
“Ahhh, que inveja!” Hanji continuava a lamentar.
“Pare de reclamar tanto e fique quieta.” O dançarino tentava prender todo o cabelo da mulher num rabo-de-cavalo alto, desde a franja até os cabelos que lhe cobriam a nuca, que costumavam estar soltos.
“Não aperte muito.” Ela pediu.
“Pronto.” Rivaille observou-a tocar no próprio cabelo.
“Venha, Eren, continue a me ajudar a arrumar esta bagunça.” Voltou à pilha de discos espalhados pelo chão de sua sala. Havia pegado as duas caixas para mostrar alguns vinis ao garoto e acabou por querer limpar e reorganizá-los.
O casal voltou a sentar ao chão da sala e, ocupando-se com o que antes faziam, organizando os discos por bandas e cantores em ordem alfabética, claro.
Hanji se juntou a eles. “Pensei que tivesse se livrado dessas coisas.”
“De maneira alguma.”
“Rivaille e eu os conseguimos numa loja de relíquias, ou velharias,” riu “por um preço muito bom...” Fez uma pausa, parecendo estar num momento de nostalgia ao olhar para os discos. “Se bem que já tínhamos alguns.”
“Vocês tinham uma vitrola?”
“Sim!” Hanji respondeu. “Ainda temos. Está em minha casa.”
“Está? Eu não a vi por lá.”
“Está em um cômodo que você não entrou. Eu a deixo guardada ali.”
“Não sei porque a guarda naquele quartinho imundo cheio de coisas velhas.” Rivaille disse sem tirar a atenção do que fazia.
Enquanto os organizava, Eren aproveitava para ler as capas dos discos. “Temos muita música em comum.” Disse, lançando o olhar para o namorado, que o ofereceu um pequeno sorriso e falou:
“Isso me lembra... Como está a palheta que lhe dei?”
“Guardada dentro de minha gaveta. Não a uso...” Recebeu outro leve sorriso.
Hanji os ajudou a organizar as duas caixas e guardaram-nas onde estavam anteriormente: em cima do guarda-roupas do dançarino. Rivaille disse se sentir imundo e com as mãos secas por conta do pó. Deixou Hanji e Eren sozinhos e tomou um banho. O garoto e a mulher apenas sentiram necessidade em lavar as mãos e o rosto.
“Foi muito difícil viver com a loucura por limpeza de Rivaille?” Eren quis saber.
“Nah, houve um momento em que eu me acostumei. Deixe-me lhe contar um segredo, Eren: a coisa é só você tomar cuidado para deixar tudo no mes-“
“Não há segredo algum.” Rivaille a cortou, puxando sua orelha ao voltar à sala. “Se não quer ouvir reclamações, limpe as coisas direito e as mantenha assim.”
“Você é insuportável.” Hanji choramingou.
Rivaille a ignorou e deu-se a liberdade de sentar no colo de Eren, que foi pego de surpresa por sua ação. Ocupou-se em mexer no cabelo do garoto e este pousou as mãos em sua cintura.
“Estou com fome.” Hanji disse.
“Também estou.” A voz de Eren veio.
“Por que eu sinto que estão esperando alguma resposta de mim? Não sou o pai de vocês.”
No fim, decidiram por preparar uma macarronada. Na verdade, Hanji quem se encarregaria de fazê-la, mas Rivaille acabou tomando seu lugar ao dizer que a mulher faria o macarrão ficar grudado.
–
“Eren nunca foi à praia. Por favor, tome conta dele.” Grisha dizia.
“Pai, eu não sou uma criança.”
“Não se preocupe, Grisha.” Rivaille falou, lançando um olhar cheio de divertimento a Eren.
“Você sabe nadar, mas não é a mesma coisa que estar numa piscina, Eren.” O médico continuou.
“Já disse que não sou criança! Eu sei disso...”
“Como pode saber se nunca esteve no mar?”
“Porque eu tenho bom senso, pai!”
Grisha suspirou. “Está bem.”
“Ficaremos por poucos dias, não precisa se preocupar.” Rivaille repetiu.
“Por favor, vamos logo.” Eren pediu numa tentativa de se livrar das chances de ser tratado como um “bebê”.
Todos seguiram até o carro do dançarino, que estava estacionado em frente à casa.
“Eu espero que isso não influencie, realmente, em suas provas.”
“Eu garanto que não influenciará, pai, já lhe disse isto mil vezes. Não se preocupe, ok? Ok. Está tudo certo.” Disse rapidamente, uma palavra empurrando a outra antes de segurar o rosto do pai entre as mãos e beijar-lhe a testa.
“Bem, estamos indo.” Rivaille anunciou.
“Sejam cuidadosos na estrada. É noite. Têm certeza de que não querem esperar até amanhã?”
“Não se preocupe, Grisha. Não agiremos com imprudência.” Rivaille estava ficando cansado de repetir a frase não se preocupe.
O médico torceu o lábio. “Está bem. Tenham uma boa viagem.”
“Obrigado, pai!” Eren disse em alto tom seguindo para o carro.
Rivaille acenou numa despedida e se juntou ao adolescente. Foi a vez de Eren acenar para o pai e Mikasa, esta que não demonstrava alegria para com sua viagem, mas a ignorou como sempre fazia.
“Ah, Rivaille, não deixe Eren dirigir! Ele não tem carta, você deve saber.”
O dançarino fez um gesto e o garoto rolou os turquesas.
Finalmente, a casa começou a sumir de seu campo de visão. Eren relaxou as costas e ombros contra o encosto do banco do carona. “Não fique me tratando como criança junto com meu pai!”
Rivaille sorriu, divertindo-se, os olhos fixos na rua. “Para mim, estávamos te tratando normal.”
“Uhh, você sabe que isso é mentira.”
“Pare de chorar... Criança.”
Eren pensou em retrucar, mas desistiu, suspirando. “Quanto tempo até chegarmos?”
“Umas... Três horas. Se eu não precisar parar para defecar.”
“Por que insiste nessas piadas?”
O sorriso, torto e divertido, ainda estava presente nos lábios finos.
“Ah, que lugar longe.”
“Mas vale a pena. É muito bonito e relaxante.”
Eren adorava observar o cenário através da janela do carro. Descobriu adorar, também, quando a imagem de perfil do dançarino estava junto da janela e do cenário. Bocejou.
“Está com sono?”
“Não. Só um pouco entediado.”
“Coloque algo para tocar.”
Eren grunhiu preguiçoso e remexeu-se no banco, descansando a cabeça no encosto. Não pôs música, optou pelo silêncio, observando o outro enquanto ele dirigia. Ora ou outra, lançava o olhar para a estrada através do parabrisa.
Muitos minutos se passaram assim e Eren sentia-se muito relaxado. “Já sei.” Foi a primeira coisa que disse após severo silêncio.
“O que?”
“Já sei que música colocar.”
As sobrancelhas finas juntaram-se. “Estava pensando nisso durante este tempo todo?”
“Não.” Conectou o celular ao adaptador e procurou pela música. “Fiquei com vontade de ouvir. Eu não era muito fã de ‘Killers, passei a ouvir por sua causa e, na verdade, gostei muito.”
“É uma ótima banda.”
“Pois é. Eu não sabia. Acho que tinha algum pé atrás por conta daquela música Mister alguma coisa e o cover de Shadowplay.”
“O cover é ótimo. Que tipo de problema você tem?”
“Aqui.” Eren pronunciou ao encontrar o que queria, ignorando o namorado, e logo A Matter of Time preenchia o carro.
“Ahh, boa música.” Rivaille aumentou o volume.
Há mais ou menos 20 minutos, haviam começado a percorrer uma estrada cujo movimento não era exacerbado e viam um pouco mais de território vegetal. Ambos adoraram sentir o cheiro de terra e todo aquele novo cenário deu um clima ainda melhor para a música.
Enquanto a ouviam, Rivaille batia, vez ou outra, o polegar no volante. Adorava aquela música e havia acabado de descobrir que era ótima para pegar a estrada. O dava uma boa sensação.
Segundos antes do fim, pararam em um posto de gasolina e o dançarino pediu para abastecer. Entregou a chave para o frentista e encarou Eren com um olhar tranquilo. O garoto acariciou sua mão e o beijou.
“Não está cansado de dirigir?” Fazia uma hora e quinze minutos que haviam saído de sua casa.
“O beijo foi uma estratégia para eu deixá-lo dirigir?” Ergueu uma sobrancelha.
“Claro que não!”
“Na-“
O frentista o interrompeu para devolver-lhe a chave. Rivaille pagou e tornou a ligar o carro. “Quando eu estiver cansado, você dirige, então é só seguir o GPS. Certo? Acredito que não demorará a acontecer.”
Eren riu. “Ok.” Sinceramente, não gostava da ideia de dirigir sem ter uma carteira de motorista, mas o faria se necessário.
Depois do posto, o caminho que faziam – numa rodovia – era muito menos movimentado do que o anterior e a paisagem também havia mudado bastante. As luzes que sinalizavam a estrada, o som dos poucos carros que passavam, o vento que lhes bagunçavam os cabelos, as serras que se estendiam ao longe, as tantas outras músicas que vieram e a companhia de Rivaille davam a Eren uma sensação extremamente gostosa, um conforto imenso. Naqueles momentos, parecia que o mundo inteiro estava em silêncio (apesar de haver música dentro do carro), dando-lhe uma sensação de paz.
Espreguiçou-se com certa dificuldade. “Ainda não está cansado?”
“Quer tanto assim dirigir?”
“Na verdade, não. Estou pensando em suas costas e ombros...”
Rivaille nada disse e Eren pegou o celular para verificar se havia recebido alguma mensagem, mas na verdade, estava sem sinal. Então decidiu procurar por alguma outra música, pois há tempos tocava apenas The Jesus and Mary Chain. Enquanto rolava a lista de bandas a fim de levá-la ao início, passou por Joy Division, lendo o nome da banda em voz alta.
“Ahh, Ian e seus grandes olhos...” A voz de Rivaille veio.
Eren ergueu o olhar para o namorado e riu breve. “Sempre diz a mesma coisa quando toco no nome da banda.”
Novamente, não houve resposta e Eren voltou a atenção ao aparelho em mãos, acabando por rolar a lista para cima sem querer. Parou onde mostrava algumas bandas com as letras iniciais N, M e O e leu “New Order”. Poderia ser uma boa opção. Clicou em cima do nome da banda e arrastou a lista a fim de escolher alguma coisa. Seus olhos pararam em Bizarre Love Triangle e a música começou a tocar em sua cabeça. Eren descobriu que o refrão o fazia lembrar sua situação com Rivaille. Aquilo o apertou o peito, fazendo-o perder a vontade de ouvir a banda no momento.
Voltou a rolar a lista e obrigou aquele pensamento a se afastar de sua mente. Não queria ficar pensando naquelas coisas agora. “Acho que sei de algo que irá te agradar muito.” Disse ao parar em cima do nome David Bowie.
“Ah, é? Me colocará contra a parede e me fará gemer de novo como fez quando transamos no banho?”
Eren riu baixinho, sentindo as orelhas aquecerem minimamente. “Não.”
Rivaille forçou uma expressão de decepção.
“Foi.” Eren anunciou em tom muito baixo e Heroes começou a tocar. Seus olhos estavam fixos no mais velho e este não pôde reagir diferente: um grande sorriso tomou-lhe os lábios e ele grunhiu algo em excitação pela música. Eren também sorria.
“Não dá para acreditar em você.” Rivaille disse enquanto o garoto aumentava o volume.
Era perfeita. Aquela música era absolutamente perfeita. Perfeita para o momento, perfeita para ele, perfeita para sua vida. Rivaille sentia-se tão bem naquele momento, sentia como se pudesse fazer qualquer coisa e isto o fazia parecer um idiota para si mesmo. Sentia como se fosse durar para sempre e sempre e sempre e que sua juventude fosse eterna, sentia-se, inclusive, mais jovem, apesar de não se achar velho. É mágico, incrível as sensações que uma música pode te trazer. Fechou os olhos por um momento, tendo completa consciência de que estava dirigindo, e sentiu o vento que entrava pela janela afastar os cabelos de seu rosto e lhe tocar toda a face. Sentia-se incrível e extremamente feliz por Eren estar ali. Naquele momento, havia absolutamente nada errado em sentir-se bem. Parecia que vida havia lhe invadido as veias...
Fitou o garoto, que sorria abertamente para si, e pôs-se a cantar, sendo logo seguido por Eren. Aquela estava sendo uma das melhores sensações que já havia sentido em sua vida até àquele ponto e queria tanto abraçar o adolescente fortemente por isto.
Eren, por sua vez, estava apaixonado por toda a visão que tinha de Rivaille. Enxergava claramente que ele havia ficado muito feliz com a música e sentiu-se, também, muito feliz. Perguntou-se se todos que ouviam aquela canção tiveram a mesma sensação. Duvidou que tivesse sido todos. Perguntou-se se as pessoas que a ouviram há décadas se sentiram daquela forma e também duvidou que 100% tivessem sido assim. Quis saber o que as pessoas daquela época pensaram sobre a música e sobre o mundo em que viviam e o que pensavam ou pensariam hoje em dia, se sentiam ou sentiriam saudade do tempo em que a ouviram ainda nova e quão forte era a sensação de nostalgia. Pensou em quantas e quantas pessoas já haviam a escutado além de si mesmo e Rivaille, em quantas e quantas pessoas já haviam ouvido todas as músicas de que gostavam, lido todos os livros que já tinham lido, assistido às coisas que já haviam assistido, andado por lugares em que estiveram... Achou aquilo curioso e totalmente incrível.
6 minutos e alguns segundos depois de seu início, a música silenciou e outras vieram em seu lugar. Minutos depois, já podiam ver a praia, que estava consideravelmente vazia, e Eren já estava encantado. O vento os cumprimentava com o cheiro do mar. Cerca de 30 minutos depois, chegaram à casa onde ficariam. O relógio marcava 1h41 da manhã.
Rivaille deixou o carro na garagem e ambos pegaram as mochilas e bolsas e entraram na casa.
“Temos de sair para comprar comida mais tarde. Gunter disse que deve haver arroz e massa no armário...” O dançarino disse.
Levaram as coisas para o quarto e puderam, finalmente, alongar o corpo, escutando uma sucessão de estalos. Naquele cômodo, havia uma porta dupla que levava à uma bonita varanda de onde tinham uma vista absolutamente incrível: uma parte da praia onde não havia quiosques e uma rua necessária para atravessar, poderiam, muito bem, pular a varanda e estariam direto na areia, só precisavam descer o degrau de concreto que havia ali. Como consequência, porém, uma finíssima camada de areia cobria o chão da varanda.
“Bem que Gunter disse que a visão era ótima.” O dançarino comentou.
“É incrível.” Eren disse, esticando o pescoço para ver as outras casas. “Deve ser bem caro para morar aqui.”
Rivaille nada disse, apenas continuou debruçado sobre a varanda.
Eren deixou o corpo mais próximo do outro e sorriu para ele, insinuando-se lentamente para um beijo, um contato longo e lento. O dançarino lambeu os próprios lábios ao separarem-se.
“Estou cansado.” Disse.
“Ah, eu lhe avisei que poderia dirigir um pouco para que pudesse descansar!”
“Vou pegar a toalha e tomar banho. Há apenas um banheiro, então vá logo depois de mim.” Ignorou o garoto.
“Certo.” Eren cerrou os olhos por um segundo. “Avisarei a meu pai que chegamos.”
Após o banho de Rivaille, como combinado, foi a vez de Eren. Enquanto o garoto se lavava, o dançarino ocupou-se, após vestir uma roupa confortável – short para dormir e uma camisa larga –, em forrar a cama e os travesseiros. Gunter havia afirmado que os lençóis e fronhas haviam sido muito bem lavados antes de deixarem a casa na última visita, e ninguém, desde então, os havia usado.
Logo Eren estava de volta com a toalha enrolada à cintura. O garoto seguiu até sua mochila a fim de pegar algo para vestir, mas foi impedido pelo namorado, que disse:
“Continue assim, por favor.”
Eren riu, achando divertida a situação, e manteve-se daquele jeito.
Estavam com fome e nos armários apenas havia arroz e massa, como tinha sido avisado. “Bem,” o garoto começou “trouxemos aqueles hambúrgueres de micro-ondas.”
Rivaille resmungou desgostoso. “Odeio comida instantânea... Mas é o que temos. Espero que ainda estejam bons.”
Eren ocupou-se de buscá-los numa outra bolsa, uma menor, de mão, que havia levado consigo para coisas pequenas, e voltou à cozinha. Logo estavam comendo em frente à televisão. O relógio marcava 02h47.
“Precisamos dormir.” Rivaille disse e então desligaram a TV e rumaram ao banheiro a fim de escovar os dentes para então, finalmente, terem os corpos descansados sobre a cama confortável.
Eren teve permissão apenas para vestir a boxer, continuando a achar graça. “Você está ótimo nesse short.” Disse, abraçando o namoro por trás.
Rivaille afastou parte do cabelo, jogando-o inteiro para um único lado, deixando a parte mais curta à mostra. “Ere- Argh! Esqueci de fechar as cortinas...”
“Huh? As deixe assim.”
“Não quero acordar com a luz do Sol em meu rosto.” Contra a própria vontade, levantou-se e fechou as cortinas apropriadamente, aproveitando para ligar o ventilador de teto e voltou a deitar, sendo prontamente abraçado pelo garoto.
–
O dançarino foi o primeiro a acordar. O relógio marcava 10h22. Sentia as pálpebras pesadas e custou a abri-las, remexendo-se em demasia sobre a cama, fazendo, assim, Eren acordar.
“Rivaille...” A voz rouca e sonolenta de Eren fez-se presente e o garoto massageou as têmporas antes de se sentar, começando, só então, a perceber os sons ao seu redor. Era capaz de ouvir o mar e alguns pássaros. “Rivaille,” voltou a atenção ao namorado e este o encarou. Eren riu baixinho e breve. “Está com uma enorme cara de sono.”
Rivaille resmungou e segurou a mão do garoto, fazendo-o inclinar-se para perto de si. “Sem beijo.” Apressou-se em dizer.
Eren comprimiu os lábios e respirou devagar. “Você está bem?” Rivaille apenas fez que sim com a cabeça. O garoto afundou o nariz nos cabelos negros e aspirou o cheiro que tanto gostava antes de começar a depositar beijos pela nuca, ombros e braço do mais velho.
“Certo, vamos levantar.” O dançarino disse, sentando-se logo em seguida. “Temos de comprar nosso café da manhã. Gunter disse que há um mercado com padaria mais à frente nesta rua.”
Puseram-se de pé e Rivaille ocupou-se em se alongar antes de seguir para o banheiro a fim de sanar suas necessidades matinais. Ao voltar ao quarto para se trocar, afastou as cortinas e abriu as portas que davam para a varanda, recebendo a gostosa brisa que invadia o cômodo.
Apressou-se em se vestir e pediu a Eren que não se esquecesse de proteger a pele e os olhos, mas suspirou quando o garoto lhe disse que não havia levado óculos de sol. “Compraremos um.” Foi o que respondeu a ele.
O mercado não ficava longe, realmente, levaram cerca de 8 minutos para ir caminhando.
“Precisamos de molho, temperos, lei-“
“Precisamos de comida, ok.” Eren o interrompeu, sempre com aquela pontadinha de arrependimento.
“Cuide dos pães, leite e alguns frios. Pegarei o resto.”
“Sim, senhor.” O garoto brincou, caminhando para o lado oposto de onde o namorado iria. Havia uma pequena fila para pedir os pães. De onde estava, não conseguia, de maneira alguma, avistar Rivaille. Sentia-se um pouco estranho... Achava que era porque nunca havia viajado sem o pai e a irmã.
Ficou olhando para o nada até o atendente lhe chamar a atenção. Pediu os pães e frios, saindo à procura do leite logo depois de pegá-los. Quantas caixas devo levar?, perguntou para si mesmo e arriscou levar duas, pois considerava uma boa quantidade tendo em mente os dias que ficariam por lá. Aproveitou, também, para pegar algumas bolachas. Duvidava que o namorado fosse comê-las, mas gostava daquele tipo de porcaria, então as levaria.
Encontrou Rivaille em um dos corredores. “Já peguei o que me pediu.”
“Ah, acabei aqui também. Podemos ir ao caixa.” Eren fez que sim com a cabeça e o dançarino sorriu doce para o garoto, esticando o pescoço apenas um pouco para que ele o beijasse.
Seguiram, então, aos caixas e precisaram esperar em fila. Dividiram a conta total das compras e puseram-se a caminhar de volta para a casa.
“Há um clima muito gostoso aqui.” Eren comentou durante o caminho.
“O tempo está ótimo.”
“Não, não isto. Digo,” riu “também! Mas me refiro às pessoas.”
Chegaram à casa e deixaram as sacolas sobre a mesa. Preocuparam-se apenas com os pães e frios. Rivaille havia comprado algumas frutas e faria uma vitamina para o café da manhã.
Não demorou para que tudo estivesse pronto e ambos começarem a comer. Quando terminaram, lavaram o que haviam sujado e Rivaille perguntou: “Quer ficar na parte mais movimentada ou atrás da casa?”
“Vamos para onde há quiosques para comprarmos algo para beber.”
O dançarino concordou e pegou sua bolsa de alça que continha apenas o necessário, como protetor – que tratou de passar antes mesmo de deixar o lugar – e creme para as mãos, e saíram da casa, trancando-a.
“Sabe,” Eren começou enquanto caminhavam “me ocorreu que... Na verdade, você não tem cara de quem gosta de praia. Toda aquela coisa da areia, do sal na água...”
“Parece, não é?” Suspirou. “Admito que a areia entre meus dedos e o sal que fica na pele não me agradam muito, mas, na verdade, eu adoro o mar. Não sei nadar, mas o adoro. Estou sempre olhando por cima de prédios, casas, veículos... É bom olhar para o horizonte e ver somente... O horizonte.” Rivaille explicou.
Eren o ofereceu um sincero sorriso.
“Ah, há uma loja de acessórios ali. Vamos comprar um óculos para você, precisa proteger os olhos.”
“Não é como se eu fosse ficar olhando diretamente para o Sol...”
Mas compraram o óculos.
Logo avistaram o primeiro de muitos quiosques e decidiram ficar por ali. A praia não estava muito movimentada. Não é época para isso, Rivaille havia dito.
“Como é quente aqui.” Eren comentou ao acomodarem-se sob um guarda-sol e pedirem suco (para Rivaille) e refrigerante. Tirou a regata que usava e ficou a fitar o horizonte azul de mar e céu à frente. Dobrou as pernas e abraçou o joelho com os braços. “É lindo.” Disse, ouvindo o outro concordar. “Obrigado por me trazer aqui.” Lançou o olhar ao namorado, que estava sentado numa cadeira de praia, debruçado sobre as próprias pernas.
Rivaille nada disse. Levou uma das mãos ao cabelo do garoto e o acariciou, deslizando o toque para o rosto jovem. Então as bebidas chegaram. Passaram a tarde em frente ao mar e, em um momento, decidiram deixar a água tocar-lhes a pele. Rivaille sabia o quanto Eren queria aquilo e surpreendeu-se ao se ver contente com a realização do outro, que mais parecia uma criança. Entrou até onde cobria seus joelhos, apenas, já o garoto quis ir um pouco mais, mesmo após o aviso de que sua pele ficaria grudenta e nojenta. A sensação da onda fraca fazendo o corpo se mover era incrível! No entanto, Eren não deixou que a água lhe passasse à barriga.
Voltaram para a casa por volta das 17h49, pois estavam famintos. Tomaram banho e prepararam o que comer: salada, arroz com peito de frango e suco. Depois de comerem, sentaram-se na areia fofa atrás da casa. Estava noite e Eren havia levado o violão para tocar enquanto observavam o mar. Após longo tempo, deixou o instrumento de lado e ficaram, então, apenas a ouvir o som das ondas e do vento.
A Lua estava alta e os turquesas de Eren fixos no horizonte. Rivaille ficou a observá-lo durante minutos e mais minutos. Novamente, queria saber o que o garoto estava pensando. Ele parecia tão concentrado... Imerso em algum pensamento. Rivaille queria saber. Queria sentir aquela pontada de encanto que tinha cada vez que Eren abria a boca para lhe contar um pensamento seu. “No que está pensando?” Perguntou, finalmente.
“Estou pensando em como, depois deste horizonte, estende-se o resto do mundo...” Fez uma pausa. “Eu acho que isto é incrível.” Lançou o olhar para o namorado, que sorria docemente para si.
Rivaille passou a acariciar os fios castanhos. Eren tinha razão. Aproximou o rosto do outro, trazendo-o para perto pela nuca, e o beijou. “Você é a coisa mais prazerosa de se estar ao lado, às vezes.” Disse sincero após o beijo, questionando-se, ainda, se devia tê-lo dito ou não... Acreditava que o garoto merecia ouvir.
Eren sentiu a respiração oscilar por um segundo, mas então disse, fingindo um tom desconfiado: “Às vezes?”
“Hmm,” Afastou o cabelo do rosto do adolescente. “Raramente, na verdade.” Brincou.
Eren riu. “Mentiroso.”
O dançarino forçou uma expressão estarrecida. “Grosso!”
Riram e beijaram-se novamente. O mais velho descansou a cabeça sobre o ombro alheio ao partirem o contato.
“Não pense que não estou anotando sua conta num caderninho. O aluguel de meu ombro aumentará!”
“Anote tudinho, garoto, irei pagá-lo da melhor forma.”
”Você é sempre tão sugestivo.”
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