Notas iniciais
Me perdoem por qualquer erro.

Eren fechou a porta atrás de si e ao dar o primeiro passo no pequeno corredor, Mikasa surgiu da cozinha. “Eren. Você chegou.”

“Hei,” pronunciou, fraco. “O pai já foi para cama?”

“Eren!” Mikasa tentou se conter para não gritar. “Quê inferno é esse no seu pescoço?” Aproximou-se para poder enxergar melhor as marcas que já haviam ganhado um tom mais escuro.

“O qu-“ Prendeu a respiração, levando a mão ao pescoço, na intenção de escondê-lo. Droga, como havia conseguido esquecer sobre aquilo em menos de 20 minutos?

“Ere-“

“Mikasa, shhh,” Levou um dedo à própria boca, em sinal para que a irmã ficasse quieta ou, ao menos, falasse mais baixo. “Cadê o pai?”

“Eren, onde estava? Quem fez essas marcas no seu pescoço?”

“Mikasa?” A voz de Grisha fez-se presente.

“Mikasa,” Eren choramingou num sussurro e a irmã lançou o olhar para a sala e de volta para si.

“Estou aqui, pai.” Ela disse. “Eren chegou.” Recebeu a expressão de quase desespero de Eren e o abraçou, agarrando-lhe o pescoço.

Grisha apareceu para os dois irmãos. “Eren. Que bom que está em casa. Já estou indo para cama, não fiquem acordados até tarde. Têm escola amanhã.” E voltou a subir as escadas.

“Obrigado,” Eren sussurrou ao ter seu pescoço livre dos braços da irmã.

“Eren, me diga com quem esteve.” Seguiu o moreno até a cozinha.

“Eu estava na casa de Armin, você sabe.” Serviu-se de um copo d’água.

“O pai disse que você saiu com um amigo.”

Depositou o copo na pia, inalando o ar fortemente. “Saí com Rivaille.”

“Eren!” Uma pausa. “Eren, o pai nem conhece esse homem!” Encararam-se por um tempo e Mikasa entortou o lábio, logo pareceu se dar conta de algo. “Vocês saíram... Com ninguém mais?”Eren balançou a cabeça em sinal negativo. “Eren!” Ela sussurrou. Será que não cansava de dizer seu nome? “Eren, foi aquele homem quem fez isso no seu pescoço?” Fez menção de tocar as marcas, mas desistiu.

O garoto desviou o olhar por um momento, uma de suas mãos de volta à pele marcada de seu pescoço. “E o quê é essa coisa escrita?” Mikasa perguntou.

Eren apertou os olhos. “Mikasa, será que podemos conversar depois de eu tomar um banho?”

“Eren.”

“Estou falando sério. Olhe,” Passou os dedos pelos fios castanhos. “vou ao seu quarto quando sair do banho, certo?”

A morena cerrou os olhos em frustração. “Mikasa,” Eren continuou. “você não pode agir desta maneira sempre que alguém que não conhece chega perto de mim. Parece um cão de guarda. Tenho certeza de que não é isto o quê você é e isso me irrita bastante, então pare, por favor.” Mikasa abriu a boca, mas Eren foi mais rápido. “Passo no seu quarto assim que sair do banho.” E a deu as costas.

Eren deixou a mochila no quarto e pegou uma toalha e roupas limpas antes de rumar ao banheiro. Dentro do box, passava, cuidadoso, a mão sobre a pele violentada, pois havia tido a má experiência de pressionar a região e sentir uma dor aguda. Lavou bem, tirando a tinta de caneta, e lavou, também, os cabelos.

Ao abandonar o box, encarou o próprio reflexo no espelho da pia. Esticou o pescoço, podendo enxergar melhor todo o estrago ali feito e estalou a língua, perguntando-se como faria para esconder aquilo. Passou a mão por toda extensão. As marcas haviam se tornado escuras e feias. Suspirou cansado e resolveu se vestir. Ao parar, novamente, de frente ao espelho para arrumar o cabelo, não pôde deixar de analisar as marcas uma nova vez. Roxo com suaves contornos em verde contrastando em sua pele.

Fitando-se no espelho, sentiu algo inflar dentro de si para logo murchar. Ao menos, sentia-se mais relaxado agora.

Caminhou até o quarto da irmã, batendo na porta que estava fechada antes de se dar a permissão para adentrar. O quarto de Mikasa estava claro e, como de costume, sujo. Embalagens vazias espalhadas pelo chão e prateleiras, alguns copos e pratos, garrafas d’água... Sem dizer os montes de roupas jogadas pelos cantos. Eren fez uma leve careta ao se deparar com a bagunça que aquele quarto era.

“Mikasa, você precisa limpar este quarto.”

A garota, sentada à cama, tinha uma revista de esportes em mãos, mas a fechou ao ter a visão do irmão.

Eren sentou-se à cadeira do computador e entrelaçou os dedos entre as pernas, movendo a cadeira de um lado para o outro, sem realmente sair do lugar.

“Eren, essas marcas estão horríveis.” Mikasa disse, pondo-se de joelhos sobre o colchão para poder apalpar o pescoço do irmão.

Hm, eu achei que ficaram bonitas.” Seu tom de descaso fez com que Mikasa duvidasse estar falando sério.

A garota voltou à posição anterior. “Me conte como isso aconteceu.”

“Nós saímos e isto aconteceu.” Deu de ombros, afastando alguns objetos de cima da prateleira.

“Eren.”

“Aconteceu, Mikasa, pronto.” Fitou os olhos negros da irmã.

“Você está saindo com esse cara?”

“O que? Não. Somos, uh, amigos, eu acho.”

“Ah, sim, desculpe. Esqueci que Annie me enche de chupões, também.” Ironizou.

Eren rolou os turquesas. Ficaram em silêncio por um curto tempo e então o garoto voltou a falar. “Me ajude a esconder.”

“Já pensou em usar um cachecol, golas altas?”

“Sim, mas não dá para usar essas coisas o tempo todo.”

Mikasa bufou. “Que bom que o pai não está em casa na maior parte do tempo.” Bagunçou os fios negros. “Certo, te ajudo com maquiagem.”

“Tá... Obrigado.” Observou-a franzir o lábio e balançar a cabeça, lentamente, em desaprovação. “Isto demora muito a sair?” Acolheu o pescoço com a mão.

Um suspiro vindo da garota. Largou a revista sobre a prateleira e aconchegou-se melhor na cama, cruzando os braços.

“Me deixe dormir aqui.” Eren pediu.

“Huh? Por que?”

“Seu colchão é mais confortável do que o meu.”

“Talvez se você não passasse metade da vida deitado, fazendo nada, resolvesse.”

Eren a lançou sua expressão entediada. “Apenas me deixe ficar aqui.” Disse, partindo da cadeira para a cama da irmã. Sem refutar de sua ação, ela o deu espaço e ergueu o edredom para que pudesse se cobrir também. Aninhou-se confortavelmente perto do corpo dela. “Mikasa?”

“Sim?”

O garoto encostou o pé descalço na perna nua de Mikasa, que estremeceu e soltou um gritinho seguido de um baixo rosnado. “Eren, não faça isso, idiota! Seu pé está ridiculamente gelado.”

A face emburrada da garota o fez rir.

“Mikasa,” Eren batia na porta do quarto da garota. “Mikasa, me deixe entrar.” Suspirou. “Mikas-“

“Eren, saia daqui agora!” Ela pediu, grosseira, ao abrir a porta.

“Pare com isso, Mikasa. Vamos conver-“

“Eren, por favor, por favor...” Ela cerrou os dentes. “Eu resolverei isto sozinha, está tudo bem.”

“Não está, não, Mikasa. Deixe que eu fique aí, com você.”

“Não precisa, Eren. Eu já disse: darei um jeito em tudo, não se preocupe. Eu posso lidar com a estupidez do nosso pai.”

Eren bufou. “Não é este o caso. Eu-“

“Este é o caso. Agora, por favor...”

Estalou a língua, irritado. “Está certo, Mikasa. Faça como quiser.”

“Eren, ugh, vai ficar com raiva de mim, também?”

“E se eu ficar? Você está sendo idiota agora.”

Ela rosnou e, com força, bateu a porta.

Argh!” Pisou firme no chão e caminhou até o próprio quarto. Ah, aquele era o problema de Mikasa. A garota tinha um imenso instinto protetor, mas nunca permitia ser protegida. Por mais que declarasse apreciar quando Eren mostrava se importar, era sempre daquele jeito. Talvez ela achasse que o cachecol fosse suficiente. – Os turquesas rolaram diante tão tolo pensamento.

Sentia-se realmente estressado agora. Só queria ajudar a irmã e esta estava sendo infantil consigo.

Mikasa havia brigado com uma das jogadoras novas de seu time de vôlei. No fim, a morena tinha um belo machucado próximo ao olho e a outra garota, dois dedos quebrados. Um mês suspensa dos treinos e mais um mês suspensa de jogos. Poderia ter pego um tempo ainda maior fora da quadra, mas, segundo o treinador, seria muito desvantajoso para o time, ficar sem a presença da morena por muito tempo durante os jogos.

Grisha, claro, não pôde deixar de dar um longo sermão em Mikasa, dizendo que esta precisava ser menos explosiva e respeitar o desenvolvimento de cada um, o quê Eren não conseguiu entender muito bem, pois quando chegou em casa, pai e irmã já discutiam. Sequer ficou sabendo o motivo da briga de Mikasa com a novata.

Todavia, Eren achou desnecessária, algumas das coisas que o pai disse à garota, resolvendo defendê-la na discussão. Mas tudo apenas resultou em acabar brigando com Grisha e, também, Mikasa, devido ao temperamento da morena. O quê conseguiu de tudo aquilo foi apenas irritar-se e deixar o médico ainda mais nervoso.

Não gostava de quando o clima ficava tenso na casa. Sentia-se extremamente incomodado e, naquele momento, não queria ter de lidar com a situação. Bufou, buscando pelo celular e discou o número de Armin, esperando chamar quatro vezes antes de ouvir a voz do amigo. “Onde você está?” Eren perguntou.

“Estou meio ocupado, Eren. Estou concluindo um trabalho com Ymir e Christa. Está tudo bem?”

Uh, não, é só que...” Bagunçou a franja, afastando-a da testa. “Eu briguei com meu pai e Mikasa e não estou a fim de ficar aqui.”

Armin esperou dois um três segundos para respondê-lo. “Eren, sinto muito. Este trabalho é muito importante e eu não posso deixar de fazê-lo, mas não quero que fique aí sozinho. Pode ir à minha casa mais tarde, se ainda estiver a fim.”

Ah, que ótimo. Queria sair e o amigo não estava em casa para recebê-lo. Não era culpa de Armin, claro, este estava ocupado com algo importante. Contudo, sentiu-se mais estressado ao saber que não teria o loiro disponível para si, pelo menos não na hora em que queria. “Nah, tudo bem.” Foi o quê respondeu.

“Por favor, vá até minha casa se ainda sentir vontade. Me desculpe.”

Eren concordou e finalizou a ligação. Estalou a língua e sentou na cama, descansando as costas contra a parede. Desfez-se do zíper da gola alta que usava para esconder sua pele roxa e lembrou de Rivaille. Selecionou a pasta de imagens no celular – bem, não adiantaria ligar para Kirschtein, pois este estava em aula de música, Eren sabia, e Bodt estaria, muito provavelmente, ocupado.

Parou para pensar por um momento e percebeu que, além de Mikasa, amigos, Eren apenas tinha três. Não achava necessário ter muito mais do que aquilo uma vez que estes eram tão boa companhia. Não pôde deixar de recordar, porém, de quando criança, seu pai o reprimir por seu “gênio”, que acabava afastando os possíveis colegas. Deu de ombros e buscou pela imagem que queria, a foto da sequência de números escrita logo acima de um chupão. Não tinha certeza se podia confiar que aquele seria o número do dançarino.

Ficou a observar a imagem por alguns segundos, chegando à conclusão própria de que aquelas marcas o faziam parecer mais atraente. Era um pensamento para si mesmo, claro.

Alcançou um papel e caneta e anotou o número, optando por não excluir a foto depois. Discou a sequência e não hesitou em ligar.

“Alô.” Escutou a voz familiar do outro lado da linha dizer. Então o número pertencia, mesmo, a Rivaille.

“Hei. Sou eu, Eren.” Uma gota de nervosismo escorreu por sua voz e houve um segundo de silêncio.

“Olá, Eren.”

“Olá.” Um segundo momento de silêncio. “Hm,” Franziu a testa “como você está?”

“Bem.” Um terceiro momento de silêncio e Eren esperou pela pergunta que não veio.

Ah! Me desculpe. Estou te atrapalhando em alguma coisa? Você está no trabalho?”

“Como é barulhento...” Escutou Rivaille resmungar como se não quisesse que ouvisse, e encolheu os ombros. “Estou de folga.”

“Ah.”

“Ligou para confirmar se o número era de Mike?” Eren não podia saber, mas havia um pingo de divertimento no tom do outro.

“Não exatamente.” Coçou o nariz.

“Hm, não exatamente.” Imitou o garoto. “Posso saber o porquê?”

“Será que eu posso visitá-lo?” Rivaille não respondeu. “É que... Aconteceu uma coisa e eu não quero ficar em casa. Meus amigos estão ocupados, então...”

“Então eu sou o quê sobrou?”

“Eu não disse isso.”

Rivaille divertiu-se. “Claro, Eren. Venha.”

Em pouco menos de uma hora, Eren estava no apartamento do mais velho, acomodando-se no sofá deste.

“Então,” Rivaille começou. “o quê é esta coisa que aconteceu?”

“Eu não sei se quero falar sobre isto. É algo... Bobo, mas eu não vim até aqui para discutir sobre o quê aconteceu.”

Rivaille murmurou. “Certo.”

“Podemos conversar sobre outra coisa.”

“Claro. Diga sobre o quê quer falar.”

Huh,” Fitou o teto, pensativo.

“Você é sempre um lerdo, não é?”

Eren ignorou. “O quê você está fazendo?” O dançarino estava sentado no assoalho onde havia fotos e papeis espalhados, a mesa de centro deslocada de seu lugar original.

“Organizando estas coisas.” Crispou os lábios e suspirou.

Eren ajoelhou-se no chão e pegou uma das fotos. “De quando é esta foto?”

“Qual?” O garoto deixou que Rivaille visualizasse a foto. “Hm, não tenho certeza... Segundo, terceiro ano da faculdade talvez?”

Eren voltou a fitar as pessoas eternizadas naquele retângulo. “Você não mudou.” Comentou. “Quem é este cara alegre?” Apontou para a pessoa ao lado de Rivaille na foto.

“É a Hanji.”

Eren conferiu a foto novamente, custando crer que era Hanji ali. “Vocês estudaram na mesma faculdade?”

“Não. Quando entrei, ela já estava no terceiro ano do curso que havia escolhido.”

O garoto manteve o olhar na foto por mais alguns instantes. A morena com o cabelo num corte masculino e roupas que muitos não julgariam muito femininas a faziam parecer um garoto. Deixou a foto de lado e ficou a observar o outro enquanto empilhava, delicado, fotos e papeis em pequenos montes, vez ou outra virando-os para conferir se não havia algo escrito.

“Há muitas fotos aqui, Eren. Pode pegar uma se quiser, vai poupar seus olhos de encarar tanto.” Disse em descaso, sequer olhava para o garoto.

“H-huh? Não... Eu estava pensando... Se gostaria que eu o ajudasse.”

Os cinzelados miraram o adolescente. “Seria ótimo. Obrigado.”

E assim Eren fez. Começou a montar pequenas pilhas de fotos para entregá-las ao dançarino logo depois, pois este as guardaria no lugar apropriado. “O quê fará com estas fotos?”

“Entregarei à Hanji, jogarei algumas coisas fora e talvez eu guarde uma ou outra.”

“Vai jogar fora? Mas são lembranças da faculdade.” Rivaille nada disse e Eren deu de ombros. “Este aqui é Eld?” Perguntou, apontando para o loiro em uma das fotos em suas mãos.

“Sim.” Rivaille respondeu após dar uma olhada. “Você ainda lembra dele.”

“Vocês fizeram faculdade juntos?”

“Sim,” sua atenção não estava inteiramente no garoto, queria terminar logo com toda aquela bagunça, afinal. “Nós namoramos.”

Eren juntou as sobrancelhas. “Você e o Eld?” Recebeu o olhar entediado do outro. “Por quanto tempo namoraram?” Quis saber.

“Pouco mais de um ano.”

“E vocês ainda trabalham juntos...”

“Cada dia é um desafio, ah, Eren, socorro.” Dramatizou, zombando do garoto, que cerrou os olhos. “O fato de trabalharmos no mesmo lugar foi pura coincidência. Nunca tocamos no assunto de nosso passado relacionamento.”

Queria perguntar a ele o porquê do término do namoro, mas não desejava incomodá-lo com a pergunta, sendo desagradável, ou algo do tipo. Eld e Rivaille... Nunca teria passado por sua cabeça. Contudo, queria continuar conversando com o mais velho. “Por que tem este monte de coisas guardadas?”

“Quem você acha que me obrigou a guardá-las? Mas agora irei me desfazer de tudo.” Suspirou em alívio.

Levaram menos tempo para organizar tudo do quê o garoto pensou que precisariam. Rivaille manteve consigo apenas três fotos das muitas que viram.

“Obrigado pela ajuda, Eren.” O mais velho agradeceu, pondo-se de pé. Esticou-se. “Aceita um chá?”

“Claro, obrigado.”

Logo saboreavam um bom chá preto, ainda sentados no assoalho. “Vai deixar a caixa aqui?” Eren perguntou, referindo-se à caixa que o outro havia usado para guardas as fotos e papeis.

“Sim. Hanji virá buscá-la depois.” Depositou a xícara no chão e arrastou-se para perto do garoto. Segurou a gola da blusa que ele usava e desfez o zíper, sentindo-o tensionar os ombros. Afastou a gola alta do pescoço para ganhar a visão das marcas escuras na pele clara. Cobriu a região com a palma da mão e fez um carinho.

“Ficou bem escuro.” Eren disse.

“É o quê acontece.” Zombou da inocência do garoto.

“Ninguém nunca havia deixado uma marca de chupão em mim.”

“Esse não foi o único chupão que dei em você.” Fitou os turquesas.

“Seus trocadilhos são horríveis.”

Rivaille deu uma risadinha.

“Essa coisa demora para sair?”

“Hm, depende. Acho que estas demorarão.” Divertiu-se com a expressão que tomou conta da face de Eren. “Pode ser que eu esteja errado.” Lambeu o polegar e o deslizou pela mancha escura no pescoço alheio.

Eren encolheu o ombro. “Por que fez isso? Ew.”

Ew? Não ouvi nenhum ew quando minha língua estava aí.”

Sentiu as pontas das orelhas esquentarem. “Minha irmã disse que me ajudaria com maquiagem para esconder, então eu não precisaria estar de blusa sempre. Mas nós meio que brigamos, então eu não sei se ela ainda irá me ajudar.”

“Por que brigaram?”

“Ela e meu pai estavam tendo uma discussão, eu não sei o motivo, mas quis defendê-la porque ele estava sendo muito rude. Mikasa acabou se irritando comigo porque ela sempre faz isso, nunca deixa que as pessoas a defendam, pois acha que pode lidar com qualquer coisa sozinha. Então acabei discutindo não apenas com nosso pai, mas com ela, também.”

“Por isso pediu para vir aqui?”

Eren coçou maxilar. “Sim...”

“Você disse que não queria falar sobre o assunto, mas acabou me contando.”

“Ah... É, acho que sim.” Riu forçado. “Tudo bem.” Houve um silêncio até Eren voltar a falar. “Você escuta The Killers.”

“Os considero uma das bandas que são boas de hoje em dia.”

“O quê mais você escuta?”

Rivaille fez uma careta um tanto bonita antes de respondê-lo. “Algumas coisas antigas, algumas atuais, vários gêneros.”

“Não sei dizer se isso respondeu minha pergunta.” Fez uma pausa. “Que música era aquela que você e Hanji estavam cantando naquela festa?”

“Foram tantas.”

“Quando me puxou.”

Uma nova careta, desta vez ele tentava lembrar o momento. “Huh, Lady Gaga? Eu acho que era isto, não?”

“Wow, você escuta?”

“Ah, então você é um daqueles garotos insuportáveis que só se comunicam com pessoas que gostam das mesmas bandas porque todo o resto não é música.”

“Não, eu não quis dizer isso. É só que,” riu, nervoso “eu não imaginaria.”

“O quê você escuta, garoto?”

Eren mastigou o lábio. “Não tenho grande variedade de gêneros.”

“Claro.”

Ignorou. “Uh, gosto de Joy Division-“

“Hmm,” Rivaille o interrompeu. “Ian Curtis.”

“Você gosta?”

Mordeu o lábio. “Aquele homem... Eu não sei o quê há naquele homem que me faz sentir uma atração ridícula. Ele é um tesão.”

“Me pergunto se posso considerar isso tudo como um sim.”

“Talvez seja a melancolia nos grandes e claros olhos de Ian...”

Eren riu. “Ok.”

“Foi uma ótima banda.” O garoto concordou. “Venha cá.” Rivaille o chamou, arrastando-se até ser capaz de encostar as costas ao sofá, logo sendo seguido pelo adolescente, que posicionou-se ao seu lado. Levou uma das mãos à testa. “Ah, terei de passar o aspirador de pó pela sala...” Mirou os turquesas. “Obrigado de novo, pela ajuda.”

“Foi nada.”

A mão, antes na testa, pendeu sobre o ombro do garoto e os dedos ocuparam-se em acariciar o lóbulo da orelha. Ficaram a se encarar.

Eren aceitava o carinho gostoso. Apoiou metade de seu peso na mão contra o estofado, logo ao lado da cabeça de Rivaille, e curvou-se para beijá-lo. Sentiu os dedos em sua orelha cessarem o contato quando seus lábios encontraram os do outro. Moveu-os timidamente antes de abrir a boca, finalmente, e seu beijo foi recebido junto com uma língua.

Rivaille entrelaçou os dedos nos fios da nuca do garoto, conseguindo aprofundar apenas um pouco o contato. Eren remexeu-se em seu lugar, deixando o corpo ainda mais próximo do seu, pousando a mão em sua cintura agora. Puxaram a respiração antes de conseguirem firmar um ritmo.

Separaram-se apenas pouco mais de dois centímetros. Eren fitava os cinzelados, percebendo Rivaille lamber os próprios lábios. “Que beijo gostoso.” O dançarino comentou.

“O-obrigado.”

O mais velho sentiu vontade de rir em pensar que mesmo depois do outro ter acabado de lhe beijar, ainda sentia-se embaraçado com a situação. Manteve-se quieto, porém. Queria deixá-lo ter o momento. “Vai acabar derramando o chá.” Avisou, avistando, pelo canto do olho, o pé do garoto muito próximo à xícara que ainda continha o líquido.

“A-ah!” Apressou-se em deixar uma boa distância entre a porcelana e seu pé. Voltou a fitar Rivaille e curvou-se uma nova vez na intenção de beijá-lo, sendo impedido pela mão agora em sua boca. “D-desculpe.” Afastou-se.

O dançarino esticou os braços, curvando as costas sobre o assento do sofá e a ouviu estalar. “Quer comer algo?” Perguntou.

“Não, obrigado.”

“Tem certeza?” Pôs-se de pé.

Eren balançou a cabeça. “Tenho.”

“Bem, eu sei que eu quero. Traga as xícaras para mim, por favor.” Pediu, caminhando até a cozinha, sendo acompanhado pelo adolescente.

Pão integral e chá era o quê estava em sua mente e não demorariam a estar em sua boca.

“Pão integral é horrível.” Eren comentou, mas não obteve resposta alguma. “À que horas Hanji virá?”

“Dentro de umas quatro horas.” Bebericou o chá, observando o garoto franzir os lábios e desviar o olhar. “Por que está tão preocupado com o horário que ela virá?” Perguntou, seu tom banhado em falsa decepção.

“H-huh? Não...”

Caminhou até o garoto e laçou o pescoço deste com os braços. As reações de Eren eram ouro. O canto de sua boca rasgou-se num sorriso torto e ele se deu ao trabalho de erguer-se apenas um pouco na ponta dos pés para poder lamber o lábio à frente, mordendo o próprio em seguida.

Distanciou-se para continuar sua refeição, achando uma graça a expressão perdida de Eren.

Minutos depois, o adolescente foi obrigado a esperar que Rivaille passasse o aspirador de pó pela sala, ajudando-o ao afastar uma coisa ou outra, então o dançarino conseguiria limpar melhor e mais rapidamente.

Quando olhou pela janela, a noite já começava a se mostrar e Eren achou melhor a ideia de voltar para casa, uma vez que o clima, provavelmente, ainda estaria tenso por lá, e ficar fora sem resolver nada não ajudaria na situação.

“Eu acho que me irrito um pouco com os seus horários.” Rivaille disse.

“O quê quer dizer?”

“Quero dizer que você parece uma criança que precisa de autorização para qualquer coisa. Mas deve ser apenas implicância boba de minha parte, pois comigo não era assim.”

“Eu apenas quero cumprir minha parte em ajudar a situação ficar melhor entre meu pai e minha irmã.”

Rivaille conteve-se para não mimá-lo um pouco. Eren, por sua vez, não sabia como deveria despedir-se do mais velho. Ofereceu-lhe um sorriso fraco e acenou. “Até mais.” Escutou-o dizer o mesmo e fechou a porta para logo chamar o elevador. Tateou a gola de sua blusa para ter certeza que a tinha fechado muito bem, escondendo o pescoço.