Notas iniciais
Como sempre, me avisem se houve algum erro, por favor, e boa leitura!

“Não tinha conhecimento de que sabia fazer isso! É incrível! Sempre quis aprender, mas acho que não sou muito bom com essas coisas... Pelo menos sei fazer estrelinha.” Riu, fitando o rosto pálido de seu namorado.

Rivaille sorriu muito levemente, mas, ainda sim, doce. Eren era encantador. “Você não cansa de falar, não é?” Não disse com maldade. Afastou-se por centímetros do garoto e o observou gaguejar algo antes de mirar o olhar ao notebook e caminhar até ele a fim de abaixar o volume da música.

Após fazê-lo – deixando-o realmente baixo –, sentou-se no chão, as pernas cruzadas. Suspirou, parecendo um pouco cansado. Lançou os cinzelados para Eren e este o encarava. Fez um gesto com a mão para que o garoto se aproximasse e manteve os olhos fixos nele enquanto sentava-se a sua frente, também no chão.

“Você não vai almoçar?” Eren perguntou.

“Estou em meu horário de almoço, na verdade... Petra me trará comida.”

Eren entortou o lábio por um momento. “Por que não saiu um pouco? Para comer...”

Rivaille consultando a hora no computador e voltou a atenção ao adolescente. “Não me senti com humor para sair.”

Novamente, os cinzelados caíram sobre a tela do computador. A música havia mudado. Os turquesas o acompanharam.

“Que banda é essa?” Eren quis saber.

“Roxette.” Fez uma pausa, dobrando um dos joelhos para então apoiar um braço ali. “É uma banda velha... Fico feliz que façam shows até hoje e que já tive a oportunidade de ir. É uma de minhas bandas preferidas... Com certeza está no topo da lista das que mais gosto.”

“Ainda fazem shows? A música me pareceu, mesmo, velha... Eu nunca a tinha escutado.”

Pela terceira vez, os olhos do dançarino estavam na tela do notebook e ele mexia em algo. Eren descobriu que estava procurando uma música e teve a atenção de volta quando o outro a selecionou. O som estava realmente baixo, então o garoto mal podia ouvir o quê tocava.

Rivaille voltou a cruzar as pernas e levou uma das mãos ao rosto de Eren, tocando-o com os nós dos dedos para que a outra mão se ocupasse em tocar-lhe o braço, trazendo-o para si de maneira pouco desajeitada por conta das posições.

O garoto inclinou-se à medida que foi puxado e fechou os olhos, aceitando o beijo que lhe era oferecido. Um beijo calmo, lento...

Ao fim do contato, Eren recebeu beijos em uma das bochechas.

“E você...?” A voz de Rivaille veio. “Já almoçou?”

“Sim.”

“Que bom. Não quer apanhar de seu pai, não é?” Um sorriso divertido.

“Engraçadinho.” Eren inclinou-se mais uma vez, capturando os lábios do outro num contato rápido. No entanto, ao separar-se, o dançarino logo veio, avançando sobre si para tomar-lhe, de novo, a boca. Eren conseguiu ouvir melhor da música que tocava e deduziu ser, ainda, a mesma banda.

O beijo era, agora, um pouco atrapalhado, mas nada que demorasse a ser corrigido. Assim que voltaram a ganhar alguma distância entre os corpos, ouviram alguém a bater na porta antes de abri-la. Era Mike.

“Olá, Eren. Não sabia que estava aqui.”

“Oi, Mike.”

O loiro lançou o olhar ao dançarino. “Petra voltou. Está com nossa comida.” Avisou.

“Obrigado, Mike.” Rivaille disse, pondo-se de pé. Entendeu a mão para Eren e disse ao loiro: “Estamos indo.”

Mike fez um movimento com a cabeça e saiu e Eren levantou com a ajuda do mais velho.

“Agora você vai almoçar?”

“Sim.” Rivaille abaixou-se à frente do computador e desligou a música, abaixando a tela em seguida.

Logo deixaram aquela sala e caminharam lado a lado pelo corredor até encontrarem Hanji, Mike, Petra, Auruo e Ian numa sala. Todos cumprimentaram Eren.

“Aqui está seu almoço, Rivaille.” Petra entregou-o um recipiente redondo, um material que parecia isopor.

“Obrigado, Petra.” Rivaille sentou-se no sofá após esfregar as mãos com álcool em gel e pegar talheres num pequeno carrinho encostado a uma das paredes da sala.

“Me lembro de haver comida para vocês aqui.” Eren comentou.

“Apenas em fins de semana de apresentações.” Petra explicou.

“Sente aqui.” Rivaille chamou Eren para que este sentasse ao seu lado e assim o garoto o fez, observando, logo depois, Mike e Hanji a comerem com o mesmo recipiente em mãos.

O garoto deu uma olhadela na comida de Rivaille e viu alface cortado, cenoura ralada, dois ou três pedaços de tomate, brócolis, ovos e um pequeno filé de peixe. “Você vai comer só isso?” Perguntou, ganhando a atenção do outro, que levava o garfo à boca. Esperou que ele mastigasse e engolisse a comida.

“Sabe que não como muito. Me sustento com isto.”

“Mas só tem salada.”

“E eu me sustento com isto.” Repetiu.

“Você é fofo, Eren.” A voz de Petra veio. “Não se preocupe com Rivaille. Mais tarde ele comerá mais apropriadamente.” A ruiva falou, parecendo conhecer os hábitos do dançarino.

“Escute a ruiva.”

Eren entortou o lábio.

Aqui, coma um brócolis.” O dançarino ofereceu.

“Obrigado.” Eren recusou.

O assunto sobre a quantidade de comida que Rivaille comeria morreu e todos ali passaram a compartilhar de uma conversa. Depois do almoço do dançarino, Eren iria à casa de Armin. Rivaille continuaria a trabalhar, afinal.

Logo terminaram de comer e Hanji foi quem se ofereceu para recolher os recipientes agora vazios para jogá-los no lixo e deixar os talheres na pequena cozinha que havia na academia. Eren acompanhou Rivaille até o banheiro para que ele escovasse os dentes.

Ao entrar, o garoto percebeu que nunca havia ido a algum outro banheiro a não ser aquele em que estava com o namorado. Sabia que havia outros, como o dos alunos e o do público que visitava a academia. Pensamento bobo.

Encostou-se à parede enquanto Rivaille fazia sua higiene até que terminasse. Observou-o a secar o rosto e, em seguida, arrumar a franja.

“À que horas sairá?” Eren perguntou.

“Às 17h.”

“Certo, estarei aqui.”

Rivaille nada disse. Guardou seus pertences na pequena bolsa e suspirou, descansando uma das mãos na cintura enquanto a outra apoiava-se sobre a pia. Lançou os cinzelados a Eren.

“Que?” A voz do garoto veio.

Rivaille fez um sinal negativo com a cabeça e caminhou até o garoto, tocando o rosto jovem com uma das mãos. “Suas provas finalmente terminaram, não é?”

“Finalmente...”

O mais velho ofereceu um levíssimo sorriso ao adolescente e o acariciou a face antes de beijá-lo.

Eren sentou-se no sofá de Armin. Adorava a sala daquele apartamento. Não era grande, nem cheia de coisas, mas tinha algo que o confortava muito e não sabia exatamente o que era...

O avô do loiro fazia algo na cozinha e Armin apareceu para sentar-se ao lado do dono dos turquesas no sofá.

“O que quer conversar?” O menor perguntou. “Parecia preocupado. Você e Rivaille brigaram?”

“Não, Armin, é nada disso.” Eren lançou, muito rapidamente, os olhos à cozinha a fim de ter certeza de que o avô do loiro estava distraído o suficiente para não ouvi-los, apesar de achar que o que tinha para dizer era nada de mais. “Você não gosta de Rivaille, não é?”

Armin juntou as sobrancelhas, sentindo-se um pouco confuso com a pergunta inesperada.

“Não quero dizer que tenha de gostar dele.” Eren falou. “É que... Supostamente, há um clima não muito bom entre vocês dois e isso me deixou um pouco confuso e desconfortável.”

Supostamente? “Eren-“

“Por favor, apenas me diga! Não quero obrigá-lo a passar tempo comigo e Rivaille quando não se sente bem à presença dele.” O garoto dizia. Havia um pouco de preocupação em sua voz. “Sabe que, de maneira alguma, ficarei chateado ou com raiva de você, Armin.”

“Eren. Eren! Eu sei!” O loiro gesticulou. “Não é isso. Deixe-me esclarecer.” Fez uma breve pausa. “O que me incomoda é o fato de que ele o fez sofrer, Eren.” Confessou. “Me sinto idiota em pensar algo deste tipo e sentir raiva dele, mas, de alguma forma, acredito que seja normal, natural... Você é meu melhor amigo e eu não quero que sofra. Sei que é impossível,” deixou que um sorriso torto lhe tomasse os lábios, tentando, assim, quebrar o clima um pouco tenso que havia se formado “mas é o que eu gostaria que acontecesse.” Uma nova pausa.

“Admito, também, que acho esta uma justificativa quase pífia, mas, eu não sei, queria ser capaz de fazer algo que pudesse te protege... Mas no fim, eu não posso. Eu não sei se posso. Andei trabalhando esta raiva em minha mente, uma vez que é algo normal da vida, que as pessoas sofram, etc... E não há muita coerência em eu me incomodar tanto por conta disso. Conhecendo você do jeito que conheço, Eren, foi Rivaille quem lhe disse sobre isso, não?” O adolescente de cabelos castanhos não sabia se se sentia ofendido ou lerdo. “É patético... Eu não queria ter demonstrado uma coisa como esta dessa forma. Era algo que devia ter permanecido quieto.”

“Contudo, como eu lhe disse: estou trabalhando em cima disso. Sendo assim, pretendo deixar esta pífia raiva de lado.”

Eren manteve-se em silêncio. Não esperava toda aquela confissão do melhor amigo. Sentia-se amado e querido e, estranhamente, feliz. Queria dizer algo a Armin, algo que pudesse mostrar ao loiro o quanto o amava e o quanto era grato por aquela preocupação. “Eu não sei o que te dizer.” Foi o que saiu de sua boca.

“Não se preocupe.”

“Mas... Eu queria dizer algo... Queria agradecer de alguma forma.”

“Não se preocupe com isso, Eren. É algo bobo.”

É sério... Ah... Por favor, não se sinta na obrigação de se dar bem com Rivaille.”

“Não se preocupe, Eren.” Repetiu pela terceira vez. “Não pretendo fazer isso por conta de algum tipo de obrigação. De maneira alguma. Farei porque discordo de minha própria raiva... É um pouco confuso...” Riu nervoso. “Mas espero que me entenda.”

Eren ofereceu um sorriso doce ao melhor amigo e o acariciou uma das mãos.

“Sabe que meu avô ouviu tudo que disse, não é?”

“O que?”

O loiro riu. “Você fala muito alto, às vezes, Eren.”

Eren sorriu e ficou em silêncio por um minuto. “Como foram as provas?” Resolveu mudar de assunto, suspirando.

“Tranquilas.”

“Otimista?”

“Estou.” Armin disse. “E você?”

Eren fez que sim com a cabeça e tocou a lateral da perna, sentindo uma pequena área dolorida. Fez uma levíssima careta.

“Que foi?” Armin perguntou.

“Bati minha perna na quina daquele móvel velho na garagem hoje de manhã... Está dolorida.”

“Ah... Tome mais cuidado, Eren.”

“Dói quando toco, apenas, o que torna a situação um pouco menos ruim.”

Armin entortou os lábios. “Não aperte muito...”

Eren respirou devagar, os olhos fixos na própria mão sobre a região dolorida da perna.

“Irá encontrar com Rivaille?” Armin perguntou.

“Mais tarde, sim. Iremos à casa dele para pegarmos algumas coisas e então ele irá para minha casa.” Uma pausa. “Estou meio nervoso e isto me faz sentir idiota.” Riu nervoso.

“Que quer dizer?”

“Será a primeira vez em que ele passará a noite em minha casa... É estranho porque meu pai e Mikasa estarão lá. Acho que me acostumei com o silêncio do apartamento dele.”

“Tento visualizar a situação e é engraçado.” Riu baixinho.

“O que é engraçado?”

Armin não respondeu, mas riu e recebeu uma leve cotovelada no braço.

“Hm,” Rivaille sorriu, muito levemente, de canto. “Pontual.”

Eren andou até o menor, as mãos escondidas dentro dos bolsos da calça. “Oi.” Pronunciou baixo e viu Rivaille morder, rápido, o lábio inferior antes de agarrar sua camisa e puxá-la, sem força ou pressa, obrigando-o a abaixar-se um pouco para então tomar-lhe os lábios.

Enquanto era beijado, ouviu a voz de Hanji conversando com outra pessoa e separou-se lentamente, avistando-a descente a escadaria junto com uma ruiva, que não era Petra e cujo nome Eren sempre acabava esquecendo.

Rivaille lançou o olhar à amiga.

“Ah, vocês estão aí.” Ela disse, aproximando-se.

Despediram-se da ruiva e Eren perguntou: “Onde estão os outros?”

“Saíram antes de nós.” Rivaille foi quem respondeu.

Iriam no carro de Hanji para o apartamento do dançarino e, durante o caminho, Rivaille não soube quantas vezes rolou os olhos pelo assunto dos dois dentro do carro. Assunto este que não mudava de tópico: sequência de jogos que sairiam no próximo ano.

Ao chegarem, despediram-se, desta vez, de Hanji.

Subirem até o apartamento e o mais velho anunciou que tomaria um banho. O garoto foi até a cozinha a fim de um copo d’água. Ficou encostado à pia, os olhos fixos no mundo ao lado de fora.

Alguns minutos depois, ouviu o som da porta do quarto e voltou à sala. Sentou-se e ficou a esperar. Novamente, passou a mão pela perna, sentindo-a dolorida. Imaginou a coloração que estaria. Achava bonito.

Não demorou para que o dançarino se fizesse presente. Não parou, porém, na sala, pois seguiu até a cozinha. Mas logo voltou, uma maçã em mãos. “Podemos ir.” Anunciou.

“Não vai comer antes?”

Rivaille moveu a mão que segurava a maçã.

“Só uma maçã...”

“Vamos logo. Já está escurecendo.”

“O que tem a ver?” Levantou-se, seguindo Rivaille até a porta.

No elevador, mantiveram-se quietos, escutando, sem intenção, a conversa alta de outras pessoas. Rivaille sentiu-se aliviado ao deixar o elevador. Foram até o carro e, brincando, Eren recebeu um leve tapa em seu traseiro, o que o fez rir.

Entraram no carro e Rivaille descansou a mochila no banco de trás. Eren descansou as costas contra o encosto do banco do passageiro, fazendo o mesmo com a cabeça, e ficou a olhar pela janela no momento em que deixaram o prédio.

“Seu pai não ficará incomodado?” Rivaille perguntou após alguns minutos.

“O que? Não. Ele mesmo já havia me falado que estava estranhado o fato de eu sempre dormir em sua casa e você nunca dormir na nossa.”

Rivaille ficou em silêncio. Eren não tinha como saber sobre os pensamentos que passavam em sua cabeça por conta daquilo: aquele comprometimento que nunca havia sido dito entre ele próprio e a família de Eren. Novamente, era confortante de alguma forma. Talvez estivesse desacostumado demais, talvez fosse incomum demais para si, sentir-se querido por novas pessoas. Isso valia tanto – e principalmente – para o adolescente do que para o pai e a irmã deste (e Rivaille tinha suas fortes dúvidas quanto à Mikasa querê-lo por perto).

“Parece que estou indo dormir na casa de um colega... Essas coisas de adolescentes. Apesar de eu nunca tê-lo feito durante a minha.” O dançarino falou.

Eren pensou em dizer algo, mas decidiu que o silêncio seria melhor. Sentiu-se um pouco triste pelo que o outro dissera, apesar de não ter identificado alguma dor na voz dele ao falar...

“Não fique neste silêncio fúnebre, como se o que eu disse tivesse sido a coisa mais triste e deprimente do mundo.”

Eren cortou a respiração por um segundo. “D-desculpe...”

Pararam no farol. O sinal estava vermelho. Rivaille cruzou os braços. “Tsc... Pare de se desculpar tanto.”

“Me de-“ Riu. “Não dá!” Havia um grande sorriso em seu rosto agora e os cinzelados estavam fixos nisto. “Eu quero te beijar.” Declarou, o sorriso ainda sobre os lábios.

Huh,” Rivaille inclinou-se e não precisou esperar para que o outro capturasse seus lábios. Ficaram, então, a compartilhar daquela carícia e, em um momento, Eren abriu os olhos a tempo de ver a luz do farol ficar verde. Tocou o ombro alheio e resmungou entre o beijo. “Riv- Rivaille... O farol.”

Sentiu um sorriso torto se formar nos lábios do dançarino e este continuou a beijá-lo. “Rivaille...!” Riu em meio ao beijo.

Ouviram, então, o som de uma buzina. O dançarino se afastou e riu baixo e breve da expressão de Eren. Olhou o carro de trás pelo espelho retrovisor e ignorou, voltando a dirigir.

“O sinal...!” Eren disse enquanto saíam daquele trecho da rua.

Logo o silêncio voltou e o garoto ficou a observar o perfil do outro. Lembrou-se da noite do aniversário de Moblit, quando Rivaille teve a inesperada ideia de correr pela rua... Eren queria ter certeza dos motivos que o levaram a fazer aquilo. Queria vê-lo daquele jeito de novo e de novo e de novo, ele parecia tão livre...

Desta vez o dançarino disse nada sobre o adolescente ficar a encará-lo em silêncio por muito tempo. Não era que Rivaille não gostasse daquilo. Absolutamente não. Na verdade, era o contrário, como ele há muito e tantas vezes já havia dito: gostava de ser olhado. Fazia aquilo com o garoto apenas para enchê-lo o saco.

Cerca de uma hora após comerem da comida preparada por Grisha e Mikasa, sentaram-se todos nos sofás da sala. Assistiriam a um filme. From Dusk Till Down, de Tarantino. Durante o filme, tiveram de aguentar os comentários de Grisha sobre como já havia assistido àquele filme n vezes anos e anos atrás e as piadas velhas e ensaiadas que o médico soltava de uma cena para outra. A situação era mais engraçada do que irritante ou constrangedora.

A pipoca acabou na metade do filme e Eren foi quem ficou responsável por preparar mais, deixando Rivaille inconformado sobre o fato de que a quantidade de pipoca que haviam comido não tinha sido suficiente para os três ali.

Quando o filme acabou, Mikasa foi a primeira a levantar-se do sofá, livrando, finalmente, o colo do pai do peso de suas pernas, pois as havia descansado ali ao deitar no sofá. A morena espreguiçou-se e todos conseguiram escutar os sons de estalos. Ela recolheu os copos do chão e avisou antes de seguir até a cozinha: “Deixarei na pia e irei escovar meus dentes.”

Grisha logo a seguiu. Prepararia chá antes de fazer o mesmo que a filha. Rivaille descruzou as pernas e assistiu a Eren desligar a TV antes de começar a recolher algumas pipocas que haviam caído.

“Quer chá?” Eren perguntou, mirando os turquesas ao mais velho. “Pare de olhar para minha bunda!” Riu.

Rivaille forçou um bico. “Tenho o mesmo direito que você.”

O garoto pôs-se, apropriadamente, de pé. Um grande e bonito sorriso era o que restava de sua risada. “Quer chá?” Perguntou novamente.

“Aceito.” Foi a vez de Rivaille se levantar e se espreguiçar.

Seguiram até a cozinha e Eren jogou as pipocas murchas no lixo. Grisha ainda preparava o chá. O adolescente foi até o armário e retirou um pacote de balas gelatinosas de lá. Ao tentar abrir o pacote, Rivaille o roubou de suas mãos.

“Pare de comer! Você não está mais no auge da sua fase de crescimento e não deve comer algo como isso a esta hora!” O dançarino tomou a liberdade de devolver o pacote de balas dentro do armário.

Grisha riu alto. “Eu o aconselho a escutá-lo, Eren. Por vários motivos.”

“Não acredito que não me deixará comer as balas...”

“Não comerá doce a esta hora.”

“Ma-“

“Não.”

A risada do médico tomou o ar uma nova vez. “Desculpe por entregar essa criança em suas mãos, Rivaille.” Ele brincou, recebendo uma expressão emburrada de Eren.

“Pai, não o ajude...” Desistiu, indo até uma das cadeiras para então sentar-se.

Rivaille foi para o lado de Eren, acomodando-se, também. “Pare com esses hábitos ruins, farão mal a sua saúde.”

“Já escuto meu pai me dizendo isso.”

“Deveria escutá-lo de verdade.”

“Deveria mesmo.” Grisha concordou com o dançarino. Sabia que não deveria incentivar os filhos a consumirei besteiras... Mas – e sentia-se um tanto tolo por isto – tinha a impressão de que eles jamais cresceriam se os deixasse fazer aquilo.

Eren evitou rolar os olhos.

“Não fique irritado, filho.” Uma pausa. “Eu, sinceramente, não compreendo como é que Armin tem tanta paciência com você.”

“Armin não tem tanta paciência comigo como parece.”

Grisha balançou a cabeça e jogou fora os saches do chá. Pegou algumas xícaras e o serviu.

“Obrigado.” Rivaille disse ao receber uma.

Ouch! Quente...!” Eren depositou a xícara sobre o mármore e tocou o lábio com os dedos.

“É claro que está quente, Eren, acabei de preparar.”

Tsc, de novo?” A voz de Rivaille veio e ele tocou os dedos do garoto. “Seu filho precisa ter mais atenção, Grisha.”

“Não sei quantas vezes já o disse isso ou quantas vezes já repeti essa frase em minha cabeça.”

“Nota para mim:” Eren começou “jamais juntar vocês dois novamente. A-a-ai...! Rivaille, não,” afastou as mãos do namorado. “Deixe como está, foi nada de mais.” Lambeu o lábio e o sugou sem força.

Foram para o quarto depois de escovarem os dentes e a cama de Eren parecia tão convidativa! Rivaille apoiou um joelho na beira do colchão, então o outro. Descansou a coxa e deitou-se, finalmente, encolhendo-se.

“Que está fazendo?” Eren riu brevemente.

O dançarino não respondeu. Lançou os cinzelados ao garoto e ficou a encará-lo.

Eren sentou-se na cama e deslizou a mão sobre o braço alheio, acariciando-o. “Está cansado?”

“Nada significante.”

O cabelo bagunçado de Rivaille devido a posição o deixava ainda mais bonito. Eren arrumou a franja, porém, afastando-a do rosto pálido.

O dançarino suspirou alto e apoiou-se no cotovelo, erguendo o torso.

“Conversei com Armin hoje. Sobre aquilo que me disse...” Eren falou, recebendo o olhar de Rivaille. “Ele me contou o motivo. Disse que está tentando esquecer isso, pois não se sente bem. Algo assim.”

“Qual o motivo?”

Nada. Ele disse que se incomoda em sentir alguma raiva de você.”

Rivaille ergueu, levemente, a sobrancelha. “Qual o motivo?” Repetiu a pergunta.

Eren evitou cerrar os dentes. Não queria dizer. “A-a-“

“Ele tem raiva por eu tê-lo feito sofrer, não é?”

O garoto surpreendeu-se, mas não sabia se era pelo outro supostamente adivinhar a razão por detrás daquilo ou por sua própria burrice em achar que Rivaille seria ingênuo demais para não saber.

“Sim. Foi esse, o motivo.” Eren admitiu. “Como você sabia?”

“Ele é seu melhor amigo. Tem muito carinho por você. É natural.”

Eren ficou em silêncio. Os olhos fixos na perna dobrada sobre a cama.

Rivaille achava que havia sido um pouco agressivo. Mas não se desculparia. Sequer sabia se o garoto tinha percebido ou sentido o mesmo. Mas o motivo pelo qual não pediria desculpas era porque queria que Eren se familiarizasse com aquele tipo de situação para que, quando acontecesse novamente – o que iria acontecer algum dia, uma vez que o convívio humano é tão problemático – estivesse pronto para encará-la. Sentia-se cruel e até mesmo ridículo por isso, mas assim o faria.

Remexeu-se sobre o colchão, sentando-se com as pernas dobradas. “Quer ouvir algo?” Chamou a atenção de Eren e procurou pelo celular.

“Quero.” A voz do garoto veio, parecia desanimado.

Rivaille lançou, por um segundo, os olhos a ele antes e voltar ao aparelho e conectar o fone, entregando-o um dos lados. “Chegue mais perto.” Disse, dando espaço para que Eren aproximasse-se de si. Procurou pela música. Brothers, de Ludovico Einaudi. Ao erguer a cabeça, teve os lábios capturados. Surpreendeu-se, pois não esperava pela ação do garoto. O retribuiu. Separaram-se por centímetros e Rivaille depositou um beijo na bochecha de Eren antes de oferecer um selinho.

O garoto segurou sua mão enquanto ouviam a composição e aconchegou-se a seu lado. Ficaram quietos, concentrados no que escutavam através dos fones. Rivaille havia começado a seguir as notas do piano batendo as pontas dos dedos sobre o próprio joelho, os olhos fixos na parede que sustentava o painel de fotos do adolescente. Então ele apoiou o rosto nesta mão e passou a acompanhar as notas com a outra, que estava envolvida pela mão de Eren, ficando, assim, a bater as pontas dos dedos na pele do garoto.

“Você está tão concentrado.” A voz do adolescente veio, tomando a atenção do mais velho, que lhe transferiu o olhar. “Desculpe, não quis tirá-lo a concentração.”

Rivaille ofereceu-o um pequeno sorriso.

“Tem de me passar o nome desses compositores... São muito bons.”

“Passarei.” Acariciou o rosto do garoto e remexeu-se, descansando a cabeça no ombro alheio, a mão sobre o peito de Eren.

Outro arranjo logo começou e este era muito mais calmo e, até mesmo, sonolento...

Eren puxou o notebook de cima da prateleira e descansou-o sobre os joelhos dobrados. O dançarino observou enquanto ele abria o Skype e alguma outra janela que não conhecia. Então viu-o falar com Armin. Logo Jean se juntou a conversa. Mas Eren não ficou por muito tempo, cerca de 5 minutos foi o máximo que permaneceu junto com os amigos no Skype.

Descansou o notebook no colchão e remexeu-se a fim de abraçar o namorado, ouvindo-o resmungar. Os fones haviam caído por conta dos movimentos e decidiram deixá-los de lado.

“Eren...”

“Hm?” O garoto deslizou a mão para debaixo da camisa de Rivaille, tocando-lhe a pele e fazendo-o arrepiar-se. Resmungou e continuou a deslizar os dedos pela pele alheia. “Estou ouvindo.” Disse e percebeu que Rivaille estava prestes a lhe dizer algo, mas resolveu por impedi-lo: deu-se permissão de fazer cócegas no outro, que reagiu de primeira.

“Eren...!” Rivaille tentava afastar as mãos do garoto, mas não tinha muito sucesso e tudo o que se via capaz de fazer era rir e encolher o corpo. “Pare!” Pedia em meio a risos.

Finalmente, o garoto parou, beijando-lhe a nuca e a curva do pescoço enquanto ouvia o mais velho respirar alto, recuperando-se.

“Idiota!” A voz de Rivaille veio junto com uma cotovelada na barriga do garoto, que resmungou em dor. “Eu vou te matar.” Virou o corpo, encarando o garoto.

Eren riu. “Você é tão fofo quando está irritado!” Provocou. “Dizendo que vai me matar e tudo mais...”

“Cale a boca!” Rivaille evitou um sorriso largo demais e posicionou um joelho entre as pernas do garoto, escondendo o rosto dele com o edredom.

“É assim que vai me matar? Asfixiado?” Brincou ao conseguir se livrar do tecido em seu rosto.

Shhh!” Rivaille voltou a esconder a face alheia, mas ainda podia ouvir a risada do garoto, estava bastante abafada. Retirou um pouco da força que havia investido em suas mãos e sentiu o outro tocar-lhe a cintura e a coxa, fazendo com que esta se erguesse, obrigando-o a montar, devidamente, em seu colo. Livrou o rosto de Eren completamente.

“Você não é muito bom em matar as pessoas.” O garoto brincou, um sorriso no rosto.

Rivaille ergueu uma sobrancelha e a expressão que tomou seu rosto o fazia ridiculamente provocante e sedutor. Escutou Eren puxar, muito baixinho, o ar entredentes e teve as laterais da cintura tocadas por debaixo da camisa. Inclinou-se, fingindo que iria beijar o garoto e, quando este estava prestes a fechar os olhos, foi sua vez de fazer cócegas na barriga dele, precisando se equilibrar sobre o colo do adolescente por conta de sua reação.

“N-não...!” As mãos agarrando os pulsos do outro, mas isto não o impedia de continuar com o que fazia.

Rivaille parou, afastando as mãos do corpo do garoto e ficou a assisti-lo se recuperar.

“Tra... Trapaceiro...”

“Eu sou trapaceiro?” Rivaille disse, divertido e, novamente, uma sobrancelha foi erguida.

Eren puxou o ar com força e o soltou, a mão sobre a barriga. Aguardou dois ou três segundos e então moveu o torso, sentando-se de forma correta, fazendo, como consequência, Rivaille se desequilibrar. Segurou-o pela cintura e uma das mãos foi até a nuca alheia, trazendo o dono dos cinzelados para um beijo.

Rivaille tocou os braços de Eren, deslizando os dedos sobre a pele até tê-los escondidos pelas mangas da camisa do garoto. Trocavam um beijo molhado. Não era um dos preferidos do mais velho, mas aceitava. Sentiu-o remexer-se sob seu corpo e o som de atrito com o edredom chegou até seus ouvidos. Agarrou-se ao pescoço de Eren, pois este movia-se de maneira a obrigá-lo se deitar. O beijo foi, então, partido e o garoto o encarou com um sorriso bobo no rosto. “O que?” A voz do dançarino veio.

Eren nada disse. Começou a distribuir beijos pelo pescoço de Rivaille.

“Não ouse em me fazer cócegas de novo.” Disse.

O garoto riu breve e ergueu o tronco, ficando a encarar Rivaille de cima. “Não se preocupe.”

O dançarino entortou o lábio e Eren inclinou-se para tirar o notebook da cama, pois, se não o fizesse, iria acabar se machucando. Voltou a sentar e deixou o computador sobre a prateleira. Antes que pudesse voltar à posição anterior, Rivaille ergueu-se, voltando a sentar sobre seu colo, não dando tempo para reação quando abraçou-lhe, uma nova vez, o pescoço.

Eren esperou que ele dissesse algo, mas nada veio. Laçou, então, a cintura alheia com os braços e o sentiu apertar o abraço dois ou três segundos depois. Podia sentir a respiração quente colidindo contra a pele de seu pescoço.

Rivaille estava quieto... Ficou a sentir o cheiro de Eren, o cheiro de sabonete que saía da pele do garoto. Apertou, novamente, o abraço em torno do pescoço alheio, pois o havia afrouxado. Ao fazê-lo desta vez, aquele sentimento de antes voltou a seu peito, aquela sensação rápida de formigamento, uma mistura de algo desconhecido... Suspirou baixinho, sentindo, também, aquele medo que esteve presente na vez anterior.

Abriu os olhos e afastou o rosto do pescoço do garoto, encarando-o. Recebeu um sorriso leve e doce antes de ter o rosto beijado pela enésima vez naquele dia. O coração acelerado. Percebeu Eren deslizar a ponta do nariz pelo seu maxilar e então encontrou com o par de turquesas de novo. Manteve-se em silêncio. Queria desvendar o que estava sentindo, queria tirar aquela incógnita angustiante de dentro de si! Mas havia o medo da descoberta e aquilo o fazia parecer tão patético para si mesmo.

Perguntou-se se Eren havia notado. Duvidou que o garoto tivesse. E... Notado exatamente o quê?

Decidiram, algumas horas depois, tentar dormir. A cama era pequena por ser de solteiro, mas era simplesmente ótima. Rivaille agarrou-se a Eren, recebendo o calor do corpo do garoto. O quarto estava escuro, mas não completamente: apenas a parte de vidro da janela estava fechada, permitindo, assim, que alguma luz entrasse.

O quarto do garoto parecia ridiculamente aconchegante para Rivaille. Remexeu-se e escutou Eren perguntar:

“Está tudo bem?”

“É claro. Por que não estaria?” Viu, pela pouca luz que penetrava no quarto, o adolescente mover a cabeça em sinal negativo.

Respirou audívelmente. “Quando volta a trabalhar?” Perguntou a Eren.

“Nesta segunda. Mas ficaremos apenas três semanas e depois voltaremos na terceira semana de janeiro.”

“Que grade confusa.”

“É baseado na disponibilidade dos alunos. Mais da metade ainda frequenta a escola.” Uma pausa. “Mas concordo que é um pouco bagunçada...”

“Seu resultado – do colégio – sairá nesta semana, também, huh?”

“Sim.”

Ficaram, então, em silêncio e, um ou dois minutos depois, Rivaille tocou os lábios de Eren com os dedos e introduziu, lentamente, um dígito na boca do garoto, que estranhou num primeiro momento, mas não o recusou. Deslizou a língua pela ponta do dedo alheio e conseguiu enxergar um pequeno sorriso nos lábios finos.

O dançarino manteve o dígito na boca do outro e agora sentia-o bem umedecido. Era, também, vez ou outra, sugado. Ficaram naquilo durante algum tempo. Eren havia descoberto que não era nada ruim e que, na verdade, era um tanto erótico. O que o fez se perguntar se Rivaille estaria se sentindo da mesma forma que ele, quando era o dançarino quem tinha o trabalho de fazer aquele tipo de coisa.

E Eren estava certo. “Eu poderia colocar meu pênis em você agora.” O mais velho sussurrou, retirando o dedo da boca do adolescente, que sorriu de canto. Rivaille remexeu-se, deslizando uma das pernas entre as pernas do garoto, pressionando-a na região do membro.

Foi a vez de Eren se mexer sobre a cama, movendo-se apenas um pouco para poder capturar os lábios do mais velho, agarrando-lhe, sem força, os cabelos. Ainda sorria quando o beijou.

Rivaille continuava com o que fazia, encontrando um pouco de dificuldade, uma vez que o peso de uma das pernas do garoto estava sobre a sua. Deslizou uma mão para debaixo da camisa do mais novo e apertou os dedos contra a pele dele, fazendo-o arfar baixinho em meio ao beijo. Correu o contato para o cós da samba calça de moletom que Eren usava e provocou-lhe ali, ameaçando tocar sua virilha, causando um pequeno tremor ao garoto toda vez em que o fazia.

Sem muita paciência, Eren tomou o pulso de Rivaille e guiou a mão dele para dentro de sua veste, fazendo-o tocar sua ereção. O dançarino, mais uma vez, sorriu de canto, interrompendo o beijo por um segundo, mas segurou o rosto do garoto e continuou a beijá-lo. Os dedos deslizaram pela extensão rija de Eren antes de segurá-la, o polegar seguindo para a glande a fim de provocá-la.

Novamente, o garoto arfou em meio ao contato e, com a mão ainda sobre a do dançarino, obrigou-o a pressionar seu membro. Gemeu baixinho, partindo o contato dos lábios e afastando os rostos desta vez.

“Melhor tomar cuidado com seus gemidos, sua irmã pode escutar.” Rivaille sussurrou maldoso. Ouviu um novo e baixo gemido vindo do garoto e este apertou os dedos em seus cabelos, pressionando, agora, a própria boca contra sua orelha, ficando a depositar baixos gemidos e lufadas de ar ali. O dançarino arrepiou-se pelo ato, sentindo o formigamento gostoso seguir até sua virilha e continuou a masturbá-lo, recebendo cada vez mais baixos gemidos.

O relógio marcava 11h16 quando acordaram. O quarto era iluminado pela luz do dia que atravessava o vidro da janela.

“Bom dia...” Eren disse, a voz baixa e rouca.

“Bom dia.” Rivaille respondeu, afastando a franja dos olhos.

“Dormiu bem?” Eren perguntou.

“Muito bem...”

“Mesmo?”

Puxou o ar pelas narinas. “Sim.” Fechou os olhos, preguiçoso.

Eren sorriu por conta da resposta. Havia ficado feliz pelo descanso do outro.

“Suas coisas têm um cheiro bom.” A voz de Rivaille veio e este voltou a encarar o garoto.

“Têm?”

“Sim.” O dançarino tocou os lábios do adolescente com as pontas dos dedos e Eren as beijou.

“Que tipo de cheiro minhas coisas têm?”

“Cheiro de suor de adolescente virgem.”

Eren riu. “Duvido que você iria gostar de um cheiro assim.” Sentiu Rivaille se remexer para então abraçar-lhe a cintura. Ficou em silêncio e passou a acariciar os cabelos do outro.

“Não pense em me beijar.” A voz abafada do dançarino tomou o ar.

Tudo estava tão silencioso e incrivelmente relaxante... O dançarino queria permanecer daquele jeito para sempre.

Levantaram por volta das 12h21, pois Eren havia ficado enrolando na cama, obrigando o dançarino a fazer o mesmo. Realizaram as necessidades matinais e seguiram até a cozinha, onde encontraram um bolo de milho e queijo. Rivaille estranhou a mistura de ingredientes, mas descobriu que, na verdade, era muito saboroso. Um pouco doce demais, mas ainda sim, muito saboroso.

Após comerem, voltaram para o quarto. Rivaille aceitou, com alguma relutância, o fato de que aquele seria um dia preguiçoso. Mikasa, aparentemente, não estava em casa e tudo estava silencioso.

O dançarino sentou-se na cadeira do computador do garoto, sendo capaz de cruzar as pernas sobre o assento. Eren cuidou de puxar, pelos braços, a cadeira, fazendo com que esta encostasse ao colchão da cama, mantendo, assim, Rivaille próximo.

“Quando deixará que seu cabelo cresça novamente?” Os dedos pálidos deslizaram pelos fios castanhos.

“Ainda está nisso? Eu não sei... Eu gostei muito, como já lhe disse, mas dá trabalho para cuidar. Sem contar no calor na nuca.” Passou a mão pela nuca como forma de ilustrar.

Houve, então, um silêncio. Rivaille afastava a franja castanha do rosto jovem enquanto o garoto mantinha-se quieto, o olhar baixo.

“Estou feliz que tenha passado a noite aqui.” Eren disse após algum tempo. “Fico feliz, também, por ter dormido bem.” Riu, encarando, agora, o dançarino. “Só lamento não...” Interrompeu-se.

“O que?” Era claro que Rivaille sabia o que o garoto queria dizer. Gostava de testá-lo.

Você sabe.” Os turquesas haviam caído sobre os lábios do mais velho e Eren inclinou-se, aproximando a boca a eles.

“Eu sei?” Rivaille sorriu torto, uma mão pousando no pescoço alheio.

Mais tarde naquele dia – mais precisamente às 14h30 –, Mikasa chegou e junto com ela estavam Maria e Noel. Não ficaram muito, porém, mas Eren pôde ter a oportunidade de ver o modo desajeitado com o qual Rivaille lidava com uma criança de verdade. Era engraçado, pois Noel, como era normal de crianças naquela idade, queria chamar a atenção do dançarino justamente por não conhecê-lo e isto fazia com que Rivaille ficasse sem reação, simplesmente não sabia o que fazer.

Eren ria de suas expressões e achava fofo, recebendo algumas fracas cotoveladas.

Dias se foram. Eren havia recebido o resultado de suas provas: como esperava otimista, havia conseguido concluir sem problema algum! Foi o mesmo para Mikasa, Armin, Jean e muitos dos outros. Como havia prometido a Connie e Sasha, foi, em um sábado, ao cinema junto com eles. Assistiram a um filme de ação com soldados e cenários cheios de árvores e depois foram a um FastFood. Foi nada mal sair com os amigos. Eren apenas não estava habituado ao ritmo deles.

Agora que não temos mais a escola para nos encher, podemos mostrar nosso poder ao mundo!”, foi o tipo de coisa que passou o dia escutando dos amigos.

Na semana seguinte, seria aniversário de Rivaille e, ao chegar, Hanji convidou a ele e a alguns amigos para sua casa. Tomariam algumas cervejas e ficariam a conversar e rir. Seria uma daquelas “reuniões de amigos”.

Uma música não muito alta tocava e as poucas pessoas se distribuíam pela sala e cozinha da casa de Hanji. A maioria com uma pequena garrafa de cerveja em mãos. Rivaille havia ganhado presentes de seus amigos. Como reação para todos, suspirava e rolava os olhos, dizendo, em seguida, o quanto aquilo era desnecessário, mas, apesar de parecer mal agradecido ou antipático, oferecia calorosos e verdadeiros abraços.

Todos conversavam e riam e faziam piadas relacionando o aniversário do dançarino com o natal. Algumas brincadeiras também vieram, assim como muitas lembranças, permitindo a Eren que conhecesse um pouco mais de cada um presente e, principalmente, mais sobre o início da vida de Rivaille ao lado daquelas pessoas.

Era 22h25 quando três dos convidados foram embora: Auruo, Nanaba e Mike. A música tocava mais baixa agora e todos estavam sentados – muitos no chão – na sala. Alguns ainda com a garrafinha de cerveja em mãos. Decidiram, então, após ser sugerido por Hanji, jogar verdade ou desafio. Sentiam-se de volta à adolescência – frase que os faziam sentir ainda mais velhos. Para Eren era apenas aquele tipo de drama que gente mais velha costuma fazer.

Não utilizariam de garrafa para girar, decidiriam quem começaria e este perguntaria algo ou desafiaria uma segunda pessoa para que esta fosse a próxima a perguntar ou propor algo. Hanji, claro, foi a primeira a falar. A segunda pessoa não tinha escolha, apenas podia obedecer a decisão da primeira.

“Erwin, quero que você diga algo muito constrangedor. Algo que nunca a contou. Elena está aqui para escutar, huh,” Riu.

Elena ergueu uma das sobrancelhas, uma expressão divertida tomava conta do rosto moreno enquanto ela encarava Erwin, que parecia pensativo.

“Nosso amor é puro, Hanji, jamais escondi algo de Elena.”

Todos riram.

“Sim, sei.” A morena de óculos ironizou. “Ande logo!”

“Hmm... Eu realmente não sei...”

“Ande logo, velhote!” Foi a vez de Rivaille dizer.

“Bem... Ah... Quando adolescente-“ alguns sons de zombaria vieram. “Quando adolescente,” o loiro continuou “fui a uma viagem com alguns amigos.”

“Ah, história de orgia entre amigos, Erwin?” Rivaille o interrompeu, provocando-o.

“Como eu dizia:” ignorou-o, mas não pôde deixar de dar uma risadinha. “fomos a uma cachoeira e, lá, fizemos uma brincadeira – eu realmente não lembro o que era. Só me lembro de que, no fim, tive de voltar nu para o lugar onde estávamos passando os dias.” Resumiu.

“Ah... Que historinha boba, querido.” Elena disse, fingindo pena em sua voz enquanto acariciava os cabelos dourados de Erwin.

“É... Nada mais do que uma história de sexo entre amigos com censura.” Hanji brincou.

“Imagine o quão engraçado!” A voz de Gunter veio.

“Continuem com o jogo, engraçadinhos.” Erwin disse.

“É sua vez de escolher alguém, homem nu da cachoeira.” Elena o avisou, brincando no final.

“Hm... Ok, Petra.”

“O- eu? Mas por quê?” A ruiva choramingou, recebendo nenhuma misericórdia do outro.

“Conte-nos sobre algo que tem medo.”

Rivaille e Hanji bufaram e os cinzelados rolaram. “Tinha de ser um velhote.” O dançarino disse.

“Bem... Não é algo complicado para responder. Eu... Detesto gafanhotos. Não sei se é exatamente medo, mas eu os detesto. Já tentei não sentir tal coisa, mas... Aquelas perninhas... E aquele som insuportável que eles fazem! Uma vez entrou um em minha casa e instalou-se na parede de minha sala. Quase engasguei com meu coração quando começou a fazer aquele som!” Exagerou.

“Sério, Petra?” Foi Moblit quem disse.

“O que?”

O loiro balançou a cabeça.

“Vocês não sabem jogar isso, são muito sem graça.” Hanji falou.

“Concordo com Hanji.” Elena juntou-se à mulher.

Continuaram a jogar e todos já haviam perguntado ou desafiado um ao outro. Ainda bebiam cerveja – não todos. De novo, foi a vez de Rivaille escolher alguém para confessar algo ou cumprir um desafio. O dançarino pareceu pensar bem antes de chamar pelo nome do namorado.

“O que?”

Os cinzelados caíram sobre Hanji, sendo retribuído com cumplicidade, e um pequeno e torto sorriso tomou conta dos lábios escondidos pelos nós dos dedos.

“O que...?” O garoto perguntou de novo, desta vez havia hesitação em sua voz.

“Lembro de uma vez ter me infernizado, dizendo nunca ter tocado em seios...”

“O qu- Não!” Eren assistiu ao sorriso no rosto de Rivaille crescer. “Não vou fazer isso.”

“Toque os seios de Hanji.”

“O-o que... Não!”

Algumas risadas vieram, inclusive da morena, que disse. “É nada de mais, Eren.”

“Hanji! Rivaille, não...”

Rivaille evitou que os cinzelados rolassem. “Apenas faça logo e acabe com isso.” Caminhou até o garoto, que recuou, e segurou os pulsos dele.

“Hanji...” Eren lançou os cinzelados à mulher. “Me desculpe por Rivaille. Eu não o farei...”

A morena tinha um semblante tranquilo, mas logo riu. “Ora, Eren, confio em você.” Declarou. “Mais importante: lhe dou permissão.”

“Q-que-“ As mãos de Rivaille seguravam-lhe os pulsos. “Riva-!”

Hanji, que estava sentada sobre o braço do sofá, com um sorriso divertido e sacana, pôs-se de pé. Um clima bobo de expectativa se apossou da sala e as orelhas de Eren ardiam em desespero.

“Olhe para mim,” Rivaille disse ao garoto, que se sentiu um pouco idiota ao ouvir que todos riam. “Não levarei suas mãos aos peitos dela, você é quem o fará.”

“Pensei que diria algo para me confortar!”

Mais risadas. “Na-“ O dançarino tentou dizer.

“Não se preocupe, Eren! É rápido!” A voz de Hanji veio, surpreendo-o mais uma vez.

“Hanji!”

A morena aproximou-se mais e Rivaille direcionou as mãos do garoto aos seios dela, sem tocá-los (até porque Eren recuou, à força, o movimento).

Os turquesas caíram sobre os castanhos de Hanji – estes que estavam acompanhados de um largo sorriso no rosto da morena.

“Hanji...”

“Será rápido, hm?”

“Ah, faça logo, Eren!” A voz de Elena veio, seguida por algumas risadas.

“Uh... Tudo bem!” Houve sons de comemoração. “Saibam que eu os odeio...”

“Odeie o quanto quiser, querido, apenas vá logo, sim?” Rivaille disse, caminhando até o braço do sofá, antes ocupado pela melhor amiga, e sentou-se.

Eren engoliu em seco, as orelhas ainda ardiam. Cerrou os punhos.

“Ah, Eren, querido, é nada demais.” Hanji tentou deixá-lo menos tenso, mas apenas recebeu o olhar nervoso do garoto.

“Tudo bem, tudo bem.” Ergueu as mãos, aproximando-as dos seios da morena. Contudo, não os tocou. Ficou a encará-los. Se tivesse se dado conta que os fitava tão fixamente, sua vergonha teria aumentado em grande nível.

Piscou e lançou o olhar aos castanhos por um ou dois segundos, recebendo um novo sorriso de Hanji. “Ok!” Ignorou as risadinhas que ouviu. Voltou a erguer as mãos com firmeza e contou até três em silêncio, sentindo-se um babaca. Então, finalmente, tocou os seios da morena, apalpando-os muito rapidamente para logo livrá-los. Apertou os olhos em pura vergonha, afastando-se num salto. Vozes tomaram o ar e Eren sentia as orelhas queimando.

Pronto. Nenhum membro sumiu...” Rivaille disse com alguma ironia, recebendo o olhar de Eren, que logo caiu sobre Hanji.

“Desculpe, Hanji...”

“Ora, pare com isso! Foi nada de mais, viu só? Aposto que sequer os sentiu.”

“Hanji...” A mulher o deixava ainda mais sem graça.

Riu. “Escute, não faça isto com uma moça que não lhe der permissão, certo?”

“Certo...” Respondeu, simplesmente, querendo cortar todo aquele momento de vez.

“Agora é a sua vez, Eren.” A voz de Erwin alcançou-lhe os ouvidos. “Vingue-se deles.” Brincou.

“Eu passo...”

“O que?” Hanji choramingou.

“Vocês deixaram o garoto traumatizado.” Ian disse.

Rivaille riu baixinho. “Venha cá, Eren.” Chamou-o, recebendo o garoto, que escondeu o rosto em seu pescoço como uma criança enquanto o dançarino ocupava-se em acariciar-lhe as costas, amparando-o.

Hanji e Erwin riram baixinho. “Que fofo.” A morena disse, sorrindo para o dançarino, que a retribuiu. Ambos em divertimento.

“Vocês me odeiam.” Eren murmurou abafado.

“Isso não é verdade.” Hanji falou. “Ok, então é a minha vez, já que Eren passou.”

“Quem concordou que você ficaria com a vez dele?” Erwin perguntou.

“Ora, eu também fui vítima da sugestão de Rivaille.”

Rivaille rolou os olhos e Elena disse: “Justo. Vá em frente, então.”

“Muito bem,” Hanji pareceu pensar por alguns segundos. Os olhos castanhos pulando de um amigo para outro. “Eren.” Ela chamou.

“O que?” O garoto respondeu, lutando para livrar o pescoço do namorado e encará-la, pois, claro, ainda sentia-se muito envergonhado. “O qu- ah! Não, não, nem pensar! Eu acabei de ir!”

Mais risadas tomaram o ar.

“É impressão minha ou vocês estão se aproveitando da inocência de Eren?” A voz de Petra veio.

“Há nada de inocente neste pirralho.” Rivaille disse e murmúrios surgiram.

Eren decidiu por nada dizer quanto àquilo. Já estava bastante envergonhado para o próprio gosto.

“Tudo bem,” Hanji disse. “Escolherei, então, Rivaille invés de você, querido.”

O adolescente suspirou aliviado. Recebia, agora, um gostoso carinho nos cabelos castanhos.

Um sorriso sacana brincava no rosto de Hanji e o dançarino sabia que ela faria algo para constranger o garoto ainda que o tivesse escolhido. “Rivaille, faça uma dança para Eren.”

“O que?” O adolescente disse e mais murmúrios fizeram-se presentes em tom de divertimento e provocação.

“Este é o meu desafio.” A morena concluiu.

“Hanji! N-nã- você está trapaceando.”

“Há apenas uma regra neste jogo e eu não a estou quebrando.” Acomodou-se no estofado.

“Não confie nessa quatro-olhos, Eren.” Rivaille provocou, pondo-se de pé. Esticou a camisa que vestia e estendeu, então, a mão para Eren, deixando-o confuso ainda que a tivesse pegado, colocando-se, também, de pé.

“Preciso de música.” Rivaille falou, mirando os cinzelados a melhor amiga, que abriu a boca para dizer algo. Mas não conseguiu, pois Eren a interrompeu.

“C-como assim? Não me diga que fará o que ela pediu...”

“Pare de drama. Fala como se eu jamais tivesse feito isto para você.”

As orelhas do garoto voltaram a esquentar e murmúrios maliciosos vieram.

“Riv-“

“Que música você quer?” Hanji perguntou.

“Qualquer uma.”

“Erwin,” A morena o chamou. “Last night—“ Começou a cantar, sendo logo seguida por alguns dos amigos, que riam.

Rivaille também riu. “Que escolha mais conveniente.”

Eren sentia-se confuso. Não conhecia a música. Sentiu a mão do namorado em seu peito e este sumiu de seu campo de visão ao posicionar-se atrás de suas costas para logo abaixar-se, tocando-lhe as pernas, fazendo-o sentir uma espécie de déjà vu. Cruzou os braços numa estranha tentativa de conter sua vergonha e teve os turquesas mergulhados no cinzelados quando o mais velho voltou à frente de seu corpo.

Rivaille forçou um bico ao ver os braços cruzados do garoto, mas este logo foi substituído por um sorriso torto. Deu-lhe as costas e curvou-se para frente, o traseiro em contato com o corpo do mais novo. Moveu as pernas e voltou à posição anterior. Novamente, pousou uma das mãos sobre o peito do garoto e empurrou-o lentamente até o sofá, onde obrigou-o a sentar.

Juntou-se aos amigos, cantando, e posicionou uma das pernas ao lado de Eren, sobre o estofado, aproximando o torso do rosto alheio.

Hanji riu. “Isso é tão clichê!”

Rivaille sorriu pelo comentário, mas o sorriso foi direcionado a Eren, que não sabia o que dizer ou fazer.

Todos haviam ido embora, com exceção de Eren, Rivaille e Petra. Os dois dormiriam na sala da morena, que havia colocado um colchão (de solteiro) no cômodo enquanto que a ruiva ficaria com Hanji. A sala estava pouco iluminada, uma vez que a única luz não apagada vinha do banheiro no corredor.

“Você disse que não estava bravo, pirralho!” Rivaille beliscou a cintura de Eren, que riu.

“Eu não estou.”

Rivaille remexeu-se e assistiu ao garoto apoiar-se sobre o cotovelo e, em seguida, bagunçar a própria franja. Havia pensado que Eren faria toda uma cena por conta de seu aniversário, mas surpreendeu-se por não ter sido assim. Não que aquilo fosse o que queria ou ainda que tivesse ficado chateado pelo garoto não ter feito o que imaginou que ele faria. Pelo contrário. Também não havia ganhado presente do garoto e preferia assim. Não era fã de entrega de presentes em datas de aniversário.

Todavia, estava curioso para saber o porquê de Eren não tê-los feito. “A única coisa que me fez, foi dar-me os parabéns.”

“Huh? Ah... Desculpe por não tê-lo comprado algo.”

“Não, não é isso. Para dizer a verdade, eu prefiro que me deem nada, mesmo. Não gosto desta coisa de presentes.”

“Eu imaginei. Também não é algo que me agrada.” Eren puxou o ar pelas narinas. “Mas é incrível...”

“O que?”

“Que dentro de tantas possibilidades, você tem vida no Universo.”

Rivaille ficou em silêncio. Seus olhos estavam fixos nos turquesas do garoto. “Acho que você já me disse isso.” Sorriu divertido e acariciou a face do adolescente com os nós dos dedos.

“Eu disse?”

Um silêncio reinou entre os dois e logo Eren voltou a deitar a cabeça no travesseiro que a morena os havia entregado. A mão de Rivaille ainda estava em seu rosto e ele ainda o encarava.