Notas iniciais
Oi, gente. Primeiro eu quero esclarecer o porquê de não ter postado nas duas últimas semanas: tive alguns probleminhas de saúde e não pude escrever... Já me sinto melhor e pretendo não deixar lacunas entre as postagens! Vamos torcer para que isto não aconteça, haha. Outra coisa que eu queria dizer é que eu notei que muitos leitores procuram pelas músicas que eu deixo no meio do enredo e eu preciso contar a vocês que eu absolutamente amei saber disso! A quem procura pelas músicas: muito obrigada! Eu realmente não imagina que tantas pessoas se davam ao trabalho de ir atrás. No entanto, com isso, percebi também que há algumas músicas que vocês não conseguem achar pelo fato de eu raramente colocar o cantor/banda junto com o nome, então decidi que deixarei aqui na nota do capítulo para facilitar para vocês! Aqui vai uma: Ar - Visconde Apenas peço que a(s) escutem somente no momento em que forem citadas. Assim, terão uma participação mais apropriada no contexto. Enfim, falei bastante. Espero que gostem do capítulo e, como sempre, me avisem sobre qualquer erro. Boa leitura!

Na praia, Eren estendeu a toalha sobre a areia e deitou-se, descansando a cabeça entre as pernas cruzadas de Rivaille, que estava sentado sobre a mesma toalha. Ele cuidava de afastar sua franja de sua testa repetidas vezes, jogando-a para trás.

Eren cruzou os braços sobre o peito e continuou a observar o mar. Ficaram ali por muito tempo e, em algum momento, o garoto recebeu um carinho nas costelas e aquilo o fez rir, levando as mãos ao rosto do namorado, acabando por cobrir-lhe a visão.

“Que está fazendo?” Rivaille perguntou, segurando os pulsos do garoto para então afastar as mãos dele de seu rosto.

Não houve resposta.

Algum tempo depois, decidiram dar uma breve volta pela praia enquanto molhavam os pés nas ondas que vinham e iam. As mãos juntas.

Às 12h10, voltaram para casa. Estavam com fome e haviam aproveitado da praia pela manhã. Tomaram banho e se alimentaram. Não havia muito o que se fazer na casa, mas acharam um jogo de baralho, o que não poderia deixar de ser um grande símbolo de tédio para ambos, mas, talvez, renderia alguma risada, então puseram-se a jogar.

“Devia usá-lo mais vezes.” Eren disse, encarando Rivaille, que fazia uso de seu óculos de grau para que jogassem o clássico pife.

“Não.” O dançarino respondeu simplesmente.

Jogaram 14 partidas: Eren venceu nove e Rivaille, cinco.

“Eu, meu pai e Mikasa costumamos jogar baralho quando decidimos que não há nada mais interessante para fazermos.” Justificou as vitórias.

“Eu continuaria aqui para chutar sua bunda e virar esta pontuação, mas a minha está cansada de ficar sentada e eu estou cansado deste jogo.”

Eren riu e verificou o relógio de parede. Ainda faltavam vinte minutos para as duas da tarde. Observou Rivaille se espreguiçar ainda na cadeira enquanto juntava as cartas do baralho para logo alinhá-las e guardá-las.

“Quer deitar um pouco?” Perguntou.

“Acho que é uma boa ideia. Me sinto um pouco preguiçoso.”

Eren levantou-se para guardar a caixinha com as cartas na gaveta onde haviam achado e chamou por Rivaille, que pôs-se, também, de pé. Riu da expressão realmente preguiçosa do menor e o ouviu resmungar. Estendeu a mão ao dançarino e o puxou de maneira a fazer com que ele o abraçasse por trás para então começarem a andar.

Aquilo era um pouco irritante para Rivaille, pois não conseguia enxergar o caminho que faziam, uma vez que os ombros de Eren lhe cobriam maior parte da visão. Decidiu encostar a testa nas costas do garoto e fitar os pés em movimento.

Entraram no quarto e as mãos do dançarino foram livres. “Ahh,” Rivaille tratou logo de ir até a cama, deitando-se de barriga para baixo. Ainda usava short e camisa larga. O primeiro havia deixado parte de seu traseiro à mostra, mas o segundo havia se ocupado em cobrir.

Eren desfez-se das sandálias que usava e rumou, também, para a cama, apoiando-se com os joelhos sobre o colchão para então inclinar-se e afastar o tecido da camisa que escondia a parte do corpo do outro.

O garoto não tinha como ver o sorriso de canto desenhado na face de Rivaille. “Eu vou ganhar uma massagem especial?”

Eren ergueu o olhar. “Quem sabe?”

O dançarino deixou que uma risadinha casual o abandonasse e recebeu um beijo em uma das nádegas. Logo vieram alguns apertões (que de forma alguma eram uma massagem, estavam mais para algum tipo de diversão do adolescente).

Eren dedicou alguns minutos de atenção àquela atividade e, ao parar, deitou-se ao lado do namorado e o encarou.

“Estava gostoso...” Rivaille falou, sua voz em tom baixo.

O garoto disse algo que o dançarino não entendeu e não teve oportunidade de pedir que ele repetisse, pois seus lábios foram capturados. Ao separarem-se, Rivaille lambeu o próprio lábio, mordendo-o logo em seguida, seus olhos estavam fixos nos turquesas de Eren, que, por sua vez, concentravam-se em sua boca.

Levou os dedos à boca do adolescente, segurando o lábio inferior entre o polegar e o indicador. Puxou levemente e soltou para então pressioná-lo com a ponta do polegar. Seus lábios foram tomados novamente e não demorou a ter o peso da outro parcialmente sobre si, obrigando-o a mudar de posição sobre a cama, ainda que não fosse muita coisa.

A mão pálida correu pela clavícula, pescoço, nuca e, finalmente, os dedos perderam-se em meio aos fios castanhos do garoto enquanto um dos joelhos deste descansava entre suas pernas. Beijaram-se por muito tempo e quando os lábios se separaram, o pescoço alvo passou a receber uma atenção doce e o adolescente entrelaçou os próprios dedos nos do namorado.

Enquanto beijos eram espalhados ao longo de seu pescoço, Rivaille sentiu a mão de Eren suar levemente e algo encheu seu peito com um formigamento irritante! Pensou como é possível alguém se sentir assim perto de mim? e, ao mesmo tempo, sentiu-se um pouco idiota.

Sentiu os beijos rumarem para sua clavícula, peito, abdômen, umbigo (e à esta altura, Eren havia erguido sua camisa – apenas o suficiente para que pudesse tocar a pele, fazendo-o contrair o estômago). A carícia continuou, seguindo até o cós de seu short, onde o garoto se deu permissão para tocar com a língua. A mão de Eren apertou a sua e um beijo foi depositado naquela região logo abaixo de seu umbigo antes de seu membro começar a ser massageado por cima do short.

“Eren,” Recebeu o olhar baixo do mais novo. “Argh, continue...” Sua cabeça, que havia sido erguida para que pudesse ter a imagem do garoto, voltou a descansar sobre o travesseiro e os dedos de uma de suas mãos brincaram nos cabelos castanhos, tocando-os brevemente.

Eren ficou a massagear o membro alheio, sentindo-o enrijecer muito lentamente, o que o fez não ter paciência para mantê-lo sob tecidos. Expôs o sexo do outro e passou a masturbá-lo. Seria a primeira vez em que Eren o chuparia e, tinha de admitir para si mesmo, estava um tanto nervoso. Não queria acabar arranhando-o com os dentes sem querer ou qualquer coisa do tipo.

O cheiro do sexo alheio lhe alcançava as narinas e Eren perguntou-se se era comum ter aquela sensação de fome ao olhar para um membro que estava prestes a pôr na boca. Ouviu um gemido muito baixo e abafado vir de Rivaille e passou a estimulá-lo mais rapidamente, dando, sempre que possível, atenção à glande (recebendo um grunhido alto e gostoso). O namorado apreciava seus movimentos, fazendo-o querer sempre agradá-lo o máximo que podia. Não achava que tal pensamento fosse muito saudável, mas ainda sim...

Tinha o membro de Rivaille agora rijo em sua mão. O ouviu dizer algo e ergueu o olhar quando ele se moveu, apoiando-se nos cotovelos.

“Não-!” A voz de Rivaille veio ao ver que Eren abria a boca para dizer algo. “Apenas faça...”

O adolescente queria muito, há algum tempo, fazer aquilo. E, no momento, sentia-se bem pelo outro não estar vendo problema algum por ser sua primeira vez tentando tal coisa. Sentiu a saliva descer por sua garganta e umedeceu os lábios. Queria aquilo.

Finalmente tocou o membro alheio com a língua. Recuou e tocou novamente, desta vez sem medo de deslizá-la pela extensão rija. Seguiu até a glande, lambendo-a, também. Recebeu um suspiro de Rivaille. Afastou os lábios do membro e o masturbou por poucos segundos para logo voltar a lambê-lo. Os cinzelados do dançarino estavam fixos em sua boca. Então pousou a região da glande em sua língua e fechou os lábios ao redor, sugando-a levemente.

Rivaille sentiu um fraco arrepio e, outra vez, um suspiro o abandonou. Este, porém, mais alto e rouco do que o primeiro. Eren repetiu o movimento que havia feito e, devagar, começou a envolver o membro do outro em sua boca. Não era, nem de longe, uma boa sensação, e ao tê-lo – quase – por inteiro, teve a impressão de que iria vomitar, uma vez que o membro lhe tocava em regiões sensíveis.

Rivaille, por sua vez, deixava que um baixo e arrastado gemido tomasse o cômodo enquanto as pontas de seus dedos voltavam aos cabelos de Eren. Puxou o ar e seu membro foi sugado, fazendo-o abandonar outro gemido. Teve a glande chupada mais fortemente um terceiro gemido veio, desta vez, alto.

O garoto tornou a engolir a saliva, preparando-se para, de novo, envolver a ereção do outro em sua boca, o que não demorou a acontecer. Apertou os olhos, fazendo o que podia para ignorar a sensação de que vomitaria – era o que menos queria que acontecesse! – e sugou toda a extensão do membro de Rivaille, sentindo-o remexer-se sobre a cama, as pernas dobrando-se agitadas enquanto outro gemido esganiçado tomava o ar e os dedos continuavam a tocar seus cabelos.

Adorava quando Rivaille lhe dava atenção à uma parte em especial quando o chupava e, assim, imaginou que poderia cuidar da mesma região com mais cuidadoa glande. Deslizou a língua por aquela área e, sentindo-se um pouco sem graça, passou a fazer movimentos circulares. Rivaille arqueou as costas minimamente e, finalmente, agarrou seus cabelos com os dedos, não havia força em seu ato.

Envolveu aquela parte mais sensível entre os lábios e a sugou levemente para logo chupar parte do membro rapidamente, cuidando para que fizesse mais pressão ao alcançar a ponta.

“Ahh!”

Sua língua voltou a brincar ali e imaginou que seria gostoso se tocasse mais partes do namorado, passando, então, a massagear, delicadamente, os testículos do outro. Concluiu que a decisão o havia agradado, pois Rivaille deixava mais gemidos tomarem o ar. Deslizou a ponta da língua pela pequena fenda na glande alheia, sentindo o gosto do pré-gozo.

“Ahh...! Eren...” As pernas de Rivaille agitaram-se um pouco novamente e, agora, havia conseguido agarrar os cabelos castanhos apropriadamente, acabando por forçar a cabeça do garoto na direção de sua ereção.

Eren resistiu ao ato do mais velho e este apoiou-se em um dos cotovelos para poder vê-lo, uma vez que sua posição de antes havia se desfeito quando precisou tocar os cabelos do garoto pela primeira vez. “Faça de novo...” Pediu e, mais uma vez, sentiu a ponta da língua alheia deslizar sobre sua fenda sensível, provocando-o. Segurou-lhe os cabelos com um pouco mais de força e serrou os dentes. Um gemido rouco o abandonou quando percebeu um sorriso torto muito pequeno se formar no rosto do garoto.

Tentou empurrar a cabeça do adolescente contra sua ereção uma nova vez, mas, como antes, ele resistiu e sugou-lhe, fortemente, o membro.

“A-Ahh!” Apertou os dedos nos fios castanhos, fazendo Eren grunhir de dor e, pela terceira vez, empurrou a cabeça alheia contra seu membro. Obteve êxito desta vez e sentiu ir fundo dentro da boca do garoto, observando-o apertar um dos olhos. Sabia o quão terrível era a primeira experiência naquele tipo de coisa e sentia-se até mesmo cruel.

O adolescente tornou o movimento de “vai e vem” de sua cabeça contínuo, acostumando-se, de verdade, com o volume em sua boca. Os gemidos que recebia de Rivaille o incentivava a continuar e não conseguia resistir a provocá-lo, dando, vez ou outra, mais atenção à ponta do membro.

“Ahh, Eren...” Rivaille gemeu arrastado.

Há algum tempo, Eren havia, também, ganhado uma ereção e, enquanto cuidava de chupar o mais velho, esforçava-se para resistir à vontade de se tocar. Conseguiu deixar os movimentos mais rápidos e não havia achado aquele tipo de coisa muito fácil de se fazer sem que seus dentes tocassem a pele alheia, mas, como dito, havia conseguido.

“Eren, eu vou gozar.” Rivaille avisou, não queria surpreender o garoto em sua primeira vez. Contudo, o adolescente nada disse, apenas continuou com os movimentos que fazia. Ah, Rivaille não era o tipo de pessoa que questionaria ou reclamaria sobre aquilo, já o havia avisado, afinal.

Suas mãos continuavam a ajudar o mais novo com os movimentos e estava muito bom... Há muito e muito tempo Rivaille não ganhava algo como aquilo e, ainda que Eren não fosse excelente ao fazê-lo, estava, realmente, muito bom... O garoto sabia como não estragar as coisas.

“Ahh, E-E-ahhh...!” A voz do dançarino tremulou e um arrepio percorreu por suas costas ao chegar ao limite, desfazendo-se dentro da boca do garoto, que, por reflexo, abandonou seu membro, cobrindo a boca com uma das mãos, os olhos apertados.

Eren não queria cuspir, então engoliu a quantidade que havia escorrido sobre sua língua. O gosto não era dos melhores... “Me... Desculpe...” Lançou o olhar a Rivaille, que arfava. Varreu os olhos pela cama e... Haviam sujado o lençol... “Rivaille,” Aproximou-se do dançarino.

“Huh?” Ainda arfava.

“Me desculpe... Acabei estragando tudo no final...” Sentia-se envergonhado.

“Eu realmente quero saber onde aprende essas coisas. Tenho dois palpites: ou você é um mentiroso, ou vê muita pornografia...” Foi a maneira de dizer que o garoto havia estragado nada.

“Q-que?”

O dançarino sentou-se um pouco desajeitado e recebeu o beijo que lhe foi oferecido. “Me diga se gostou...” Eren pediu, sentindo as pontas das orelhas ficarem quentinhas.

Foi a vez de Rivaille sorrir torto. “Você é um pirralho.” Tocou os lábios do garoto num beijo profundo e cheio de vontade. “Devia tê-lo deixado fazer isto antes.” Disse ao partir o contato. “O que quero agora,” moveu-se na cama, montando no colo de Eren “é sentir esse pênis duro...” Tocou maldosamente o membro do outro por cima da roupa.

“A-ahh...”

Rivaille mordeu o próprio lábio. “Assim...” A mão de Eren estava, agora, sobre a sua, incentivando-o a pressionar sua ereção. Sorriu pela ação do garoto.

Haviam tirado um cochilo de 51 minutos. O rosto de Eren parcialmente escondido no peito de Rivaille enquanto este o abraçava desajeitado.

Após levantarem, comeram pães e tomaram suco. O relógio ainda marcava 17h05 e ambos decidiram caminhar pela região, talvez comprar alguma coisa... Antes, porém, Eren preocupou-se em ligar para o pai para “dar sinal de vida”, como o médico costumava dizer.

Não demoraram a sair. Rivaille perguntou à uma moça que seguia par a praia se havia alguma feira ou coisa do tipo por perto e ficou satisfeito em saber que, a três quadras de onde estavam, havia uma feira que, segundo a mulher, vendia de tudo. Agradeceu pela informação e, finalmente, seguiu junto com Eren para o lugar indicado.

“Não sei como aguenta usar sempre calça... Está calor.” O adolescente comentou enquanto caminhavam.

“Não uso apenas calça. De qualquer maneira, o tecido é super leve...”

Alguns minutos se foram e então chegaram à feira. Estava bem movimentada e tinha uma decoração muito agradável. Puseram-se a andar pelo lugar e, de primeira, Rivaille gostou de alguns espelhos, mas não compraria algum. Passaram por uma bancada de pulseiras, colares, brincos, bolsas, sandálias (todos estes eram unissex), cartões, objetos para enfeites, coisas que ninguém precisava, etc...

A feira se estendia por pelo menos 70 metros à frente naquela rua. Adolescente e dançarino andavam – as mãos dadas –, observando as bancadas. Nada era interessante demais, mas Eren havia gostado de uma camisa. Infelizmente, segundo a vendedora, um homem havia levado a última de seu tamanho há pouco mais de uma hora.

“Uma das poucas coisas que não gosto em relação à praias são as vendas...” Rivaille comentou.

“Ah, isso com certeza me faz lembrar você.” Eren disse ao passarem por uma bancada onde vendia cinzeiros, tendo em mente os vários daqueles que ficavam espalhados pela casa do namorado.

No fim, Eren comprou as famosas lembrancinhas de viagens para a irmã, para o pai e para o melhor amigo. Rivaille comprou nada que fosse objeto. Na verdade, a única coisa que o dançarino comprou foram dois cocos verdes para que bebessem a água e, enquanto os pegava, os turquesas do adolescente estavam concentrados no céu, que, agora, tinha uma coloração azul, laranja e rosa e estava belíssimo! Procurou pelo celular no bolso da bermuda e tirou algumas fotos. A visão era incrível por cima do mar.

“Pegue,” a voz de Rivaille fez-se presente ao seu lado, tirando sua atenção do que fazia. “Que está fazendo?”

Eren agradeceu pelo coco e guardou o celular. “Tirei algumas fotos.”

Rivaille nada disse. Puseram-se a caminhar pela calçada, tendo, vez ou outra, que tomar algum cuidado com ciclistas que saíam da área onde suas bicicletas podiam transitar. Ambos concentrados, durante maior parte do tempo, no Sol que se escondia atrás das serras no horizonte.

Mais à frente havia uma rede e um grupo de amigos que a aproveitava para jogar vôlei. Pareciam se divertir muito e, por alguma razão, Eren se sentiu bem em vê-los. Sentaram-se num banco a cerca de 10 metros do grupo. O céu, àquela altura, já estava mais escuro. A cor alaranjada só existia no horizonte, como se o estivesse rasgando. Era lindo.

“Está tudo bem?” Rivaille perguntou. “Você está um pouco avoado, distraído...”

“Estou ótimo.” Eren respondeu sincero. “Eu adoro olhar para este tipo de paisagem...”

Ficaram a se encarar por alguns segundos até que o mais novo puxou o dançarino, delicadamente, para um abraço desajeitado e cheirou os cabelos negros antes de depositar um beijo na testa alheia. Pensou que o mais velho separaria os corpos logo após a carícia, mas, no lugar disto, ele fechou os olhos e encostou a testa em seu maxilar. Eren rodeou-lhe os ombros com o braço e mantiveram-se daquela maneira. Muito, muito ao longe, havia uma fileira de luzes. Era o porto. Conseguiam vê-lo, também, da casa onde estavam. Naquele momento, podiam observar pelo menos três navios muito afastados dali por conta da silhueta e luzes destes. Um deles estava mais próximo do porto.

Eren tinha vontade de conhecer um porto. Não tinha boas referências, porém. Seus professores de história e de uma disciplina específica de geografia haviam acabado por fazê-lo ter uma visão um pouco duvidosa para com portos. No entanto, ainda sim queria saber como era um. Imaginava que fosse como em Piratas do Caribe, mas era apenas sua imaginação. Às vezes pensava que fosse um lugar sujo e cheio de caixas e gaivotas – o que não diferenciava tanto assim do filme. Na verdade, seu cenário de porto tinha apenas bases cinematográficas.

Piscou e sentiu a perna dormir dolorosamente, sendo obrigado a mudar de posição, desfazendo, assim, o abraço que envolvia o namorado. Aproveitou para jogar os cascos dos cocos no lixo e voltou para o lado do mais velho. O tempo estava muito gostoso, não estava muito quente, nem frio... E a brisa que vinha do mar os acolhia perfeitamente.

Voltaram para a casa. O relógio marcava 20h26. Logo sairiam novamente, iriam de carro à uma pizzaria.

Deixaram a pizzaria às 23h18 e, antes de seguirem para o carro, terminaram de tomar, sempre em frente ao mar, o sorvete que haviam comprado. Rivaille, como já havia falado antes, não era grande fã da sobremesa e isto fez com que uma pequena parte do creme fosse, derretido, para o lixo.

Foram para o carro e não demoraram a chegar à casa. Eren foi o primeiro a tomar banho, pois Rivaille disse que arrumaria algo dentro do carro. Quando saiu do banheiro – já usando roupas de dormir –, não encontrou o namorado pelos cômodos. Seguiu até a garagem e o encontrou lá: Rivaille tinha o dorso para dentro do carro enquanto seu traseiro e pernas posicionavam-se para fora. Aparentemente, ele não havia notado sua chegada, então manteve-se quieto e caminhou até o mais velho, posicionando-se atrás dele, encaixando-se enquanto se inclinava sobre o corpo menor, encontrando alguma dificuldade para fazê-lo, uma vez que parte do corpo do outro estava dentro do veículo.

Àquela altura, Rivaille já havia notado sua presença, mas antes que ele pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, Eren pronunciou um baixo “oi” em seu ouvido, fazendo-o arrepiar-se (mais pelo pequeno susto que tomara). O dançarino resmungou algo e tentou deixar a coluna ereta. No entanto, o peso do garoto em suas costas o impedia. “Eren,” sentiu a mão deste apalpar-lhe a nádega para então deslizar até sua cintura e acariciá-la. No segundo seguinte, estava livre o peso alheio.

“Que está fazendo?” Eren perguntou.

Rivaille abandonou, completamente, o veículo e bateu as palmas das mãos na calça que usava. “Uma pequena limpeza, como eu disse que faria.”

Ficaram em silêncio por um momento. Eren varria o lugar com os olhos. Rivaille guardava a flanela que antes usava.

“Vá para o chuveiro.” Eren disse. “Imagino que esteja querendo um banho...”

“Está insinuando que estou sujo?” Perguntou calmamente enquanto batia uma mão na outra, caminhando em direção ao adolescente.

“Não.” Eren respondeu simplesmente e recebeu os braços do outro em seus ombros, ao redor de seu pescoço.

“Não precisa ter medo de mim. Sei que minha pele deve estar horrível. Preciso mesmo de um bom banho...”

“Não tenho medo de você. Digo, tento não ter.” Brincou, rindo. “Você está ótimo.”

“Estou?” Aproximou os lábios da boca alheia. “Então por que você não me toca mais um pouquinho aqui?” Segurou uma das mãos do garoto, levando-a de volta à própria nádega.

Eren sorriu e apertou a região onde tocava, como consequência, fazendo os corpos se juntarem mais. Sorriram um para o outro e beijaram-se amável e longamente. Rivaille recebendo a carícia, agora, em ambas as nádegas.

Deitaram por volta de 01h50, pois, após o banho do dançarino, haviam ficado algum tempo na varanda, observando aquela parte tão calma da praia. Depois, Eren massageou os ombros e costas de Rivaille e, ao terminar, permitiu-se descansar o próprio corpo em cima do outro, que suspirou pesadamente, mas não se incomodou.

Na manhã, levantaram às 11h10 e foram até o mercado comprar pães. Após tomarem café, passaram mais horas e horas fora. No mar, Rivaille acompanhou Eren, agarrando-se ao braço deste quando a água passou a bater pouco abaixo de seu peito. Toda vez que as ondas vinham, o garoto o impulsionava a dar um pulinho, o que fez com que seu cabelo ficasse molhado, mas admitia ter sido divertido. Depois, foram a um lugar muito bonito, onde grandes rochas se estendiam ao longo da praia. A visão das ondas quebrando era maravilhosa. Ficaram sentados sobre as rochas, beijaram-se, trocaram carinhos, riram, Eren recebeu alguns beliscões, Rivaille ouviu algumas piadas ruins e ganhou muitos beijos no rosto. O garoto era sempre muito carinhoso consigo.

Em certo momento, decidiram descer das rochas para andar um pouco e, talvez, encontrar algum bom lugar para comer. Caminhavam de mãos dadas enquanto os pés eram molhados pela água do mar. Em meio a um emaranhado de rochas menores, conseguiram avistar um ou dois cangulos. Não era um peixe muito bonito, mas as cores chamavam a atenção. Encontraram, por fim, um restaurante self-service e decidiram que era hora de encher o estômago.

“Gostei muito desta parte da praia.” Eren disse após sentarem-se com a comida à mesa. “As rochas são incríveis! Será que podemos ficar mais? Ou voltar amanhã...”

Naquele momento, Rivaille não enxergava Eren como uma criança por conta de sua agitação, mas sim como o que ele era: um garoto amável e sincero. “Vamos ficar mais, também gostei muito daqui. E, quem sabe, podemos voltar...” Foi o que disse. Recebeu o sorriso do namorado e então ocuparam-se em comer.

Mesmo após satisfazerem-se, ficaram no restaurante. Não era barulhento e uma quantidade considerável de mesas estava vazia. Ficaram a conversar sobre quaisquer coisas. Permaneceram por cerca de uma hora ou pouco mais.

Como Rivaille havia proposto, voltaram à área rochosa e acomodaram-se lá. O ombro do garoto foi, como de costume, alugado, e ele segurou os dedos do dançarino entre os seus, acariciando-os docemente.

Haviam ido e voltado a pé do lugar com grandes rochas e estavam cansados. Após relaxarem com a água quente do chuveiro caindo em seus ombros, jogaram-se na cama, ambos se sentindo preguiçosos, pois parecia que as únicas coisas que faziam eram: dormir, comer, ir à praia, voltar à casa, comer, dormir...

“Quero ir embora nunca mais.” Eren disse.

Rivaille sorriu gentil e o acariciou o rosto. Observou-o a se remexer e logo o garoto escondia a própria face na curva de seu pescoço e o abraçava com um braço apenas.

“Hmm,” Eren murmurou, sentindo-se lento.

À noite, aconchegaram-se no sofá e começaram a assistir a um filme que, na verdade, sequer sabiam o nome e que havia começado há 20 minutos. Sem querer ficar em casa, resolveram caminhar um pouco. Andaram e andaram e viram muitos cenários bonitos. Compraram sorvetes e assistiram a um grupo de cinco pessoas apresentarem uma espécie de peça de rua. Leram, superficialmente, o mapa da cidade que estava inscrito numa grande placa ao lado de um quiosque. Andaram mais e Eren acariciou o cão de uma moça que caminhava pela calçada, mimando-o. Rivaille conferiu a hora num momento: 23h45. Decidiram fazer o caminho de volta. O som das ondas sempre os acompanhando.

Um dos quiosques da praia estava consideravelmente movimentado apesar do horário. Resolveram ficar por lá um pouco. A noite estava maravilhosa e estava um pouquinho frio. Não muito, mas ao ponto de poderem usar blusas de mangas largas sem incômodo algum.

Pegaram uma mesa que ficava na areia e sentaram-se um para frente do outro. Pediram dois sucos e esperaram. Os turquesas estavam fixos em Rivaille, enquanto os cinzelados deste estavam no mar. A espuma branca de sal era o que os fazia capazes de enxergar, nitidamente, a água subindo a areia para depois se recolher em meio a toda escuridão da noite e, consequentemente, da água.

O vento os tocou e Eren assistiu aos cabelos de Rivaille agitarem-se no rosto pálido. O dançarino tinha um perfil tão bonito. Absolutamente adorava o formato do maxilar e a linha do nariz dele. Perguntava-se se ele estava tranquilo, se sentia-se bem, quais eram os seus sentimentos para o mundo, o que ele pensava sobre determinadas coisas, o que passava em sua mente enquanto ficava daquela maneira, olhando para o mar, tão concentrado e mergulhado no que via. Então Eren sentiu que nada sabia sobre o homem à sua frente, o que não era uma verdade. Sabia sobre Rivaille, talvez não conseguisse entender a confusão que ocorria dentro dele, mas compreendia o mais velho. Compreendia-o não apenas quando o ouvia, mas quando o observava. Na verdade, era um misto: ora nada sabia do menor, ora entendia o quê via. Enxergou que aquele poderia ser um pensamento que lhe custaria horas e horas de reflexão e considerou a ideia muito seriamente.

Tocou o braço do dançarino, chamando a atenção dos olhos azuis cinzelados e puxou-lhe o cotovelo, fazendo-o tirar a mão do bolso para que pudesse pegá-la. De novo, segurou os dedos entre os próprios e ficou a acariciá-los enquanto os olhava.

Manteve-se assim por alguns segundos e Rivaille nada disse, mas era capaz de sentir o olhar deste sobre si. Os sucos chegaram e então sua atenção para com os dedos foi dispersada. Bebericou a bebida e ficou a segurar o corpo úmido e gelado entre as mãos.

“Não entendo como conseguem viver em lugares tão sossegados assim.” Rivaille comentou, recebendo um sorriso gentil de Eren, mas não o retribuiu. Odiava falar algo como o que havia acabado de sair de sua boca, pois odiava a influência tão forte da correria em si e, também, nos outros. Suspirou baixinho e bebericou o suco de limão.

Eren manteve-se em silêncio e recebeu os cinzelados por um momento, então observou Rivaille se levantar e puxar a cadeira para seu lado, sentando-se novamente.

“É difícil aprender a nadar?” O dançarino perguntou de repente, fazendo com que o garoto se sentisse um pouco confuso e surpreso.

“Bem... Sinceramente, eu me dava muito mal nas aulas. As fiz no fim de minha infância. Era terrível. Digo, para mim, pois muitos alunos se davam muito bem. O professor sempre dizia que eu era ansioso demais e acabava me mexendo mais do que o necessário. Não acho que seja difícil. Talvez isso dependa da confiança que você tem em você mesmo para fazer aquilo. Por que pergunta?”

“Hm,” Remexeu-se. “Curiosidade.”

“Quer aprender?”

“Não é isso. Sequer faz sentido fazer algo do tipo agora.”

“Que quer dizer?”

“Não frequento piscinas e venho ao litoral raras vezes na vida.”

“Ah...”

Ficaram em silêncio e Rivaille encostou o ombro no de Eren, voltando a tomar o suco.

Acho que já sei o que vou fazer.” A voz do garoto veio após um minuto ou dois. O dançarino ergueu, levemente, uma das sobrancelhas. “Hm,” Eren franziu os lábios. “Não... Acho que não. Ah... Talvez tenha sido apenas algo que passou pela minha cabeça.” Riu.

“Do que está falando?” As sobrancelhas, agora, estavam juntas.

“De faculdade.” Por alguma razão, sentiu-se sem graça. “Havia pensado num curso, mas... Não é isso. Não sei. Só passou pela minha cabeça.”

“Não se pressione tanto por isso.”

“Huh?”

“Seu pai está exigindo uma resposta de você?”

“Não.”

“Escute, Eren, mesmo se ele estivesse, não é seu pai ou qualquer um que pode exigir essa resposta de você. Eu não conheço seus amigos a esse ponto, mas acredito que eles já saibam o que querem cursar? São suas escolhas e apenas suas. E se for uma escolha que você simplesmente não queira tomar, está tudo bem, Eu sei que, uh, infelizmente, nos exigem isso para termos uma vida um pouco mais confortável, ainda que cursar uma faculdade não traga nenhuma garantia concreta sobre isso.”

“É uma pressão injusta e ridícula. Não se sinta assim porque, talvez, as pessoas ao seu redor já têm na cabeça o que vão fazer em relação a isso. Eu odeio isso.” Ofereceu a Eren um pequenino sorriso para tentar descontrair, pois o garoto tinha uma expressão séria no rosto. “Não se sinta mal por isso, hm?” Tocou o rosto jovem e encostou a cabeça no maxilar alheio por um momento antes de voltar a encará-lo. “Esses tipos de escolhas não são algo que nascem conosco. Não deixe que elas perturbem sua mente.”

“Obrigado.” Eren pronunciou após alguns segundos. “Você está certo: meus amigos têm em mente o que fazer e eu acho que realmente me sinto pressionado por ser o único que não tem o que dizer quando eles começam o assunto.” Sorriu sem graça. “Desculpe por puxar isto num momento como este.”

“Não há porquê se desculpar.”

Rivaille era tão compreensivo consigo... “Você é tão compreensivo... Eu não sei lidar com mil coisas e, às vezes, ajo por impulso, mas você jamais me julgou ou apontou o dedo para mim por conta de um erro.”

Rivaille sentia-se infeliz por dentro por ver tão claramente a influência doentia que o sistema social causava nas pessoas, inclusive em si, em pessoas tão jovens... Era ridículo, intrusivo e injusto. Sentiu-se um pouco agoniado e teve uma pontada de raiva. “Não pense esse tipo de merda.” Foi o que disse.

Eren sorriu. Queria dizer que o amava. Havia perdido a conta de quantas vezes tinha desejado fortemente pronunciar aquelas palavras desde que haviam reatado. Às vezes pensava que, quando as tinha dito, era cedo demais... Não gostava deste pensamento. “Ahh...” Tomou mais do suco e beijou os lábios de Rivaille num toque gentil e rápido, sentindo-os gélidos contra os seus.

Eren lançou o olhar para cima e encontrou um céu estrelado e mais limpo do que o que estava acostumado a ver. Escutou Rivaille resmungar e o observou a se espreguiçar. “Está cansado?” Perguntou. “Andamos muito hoje... E ainda precisamos chegar em casa.”

“Estou bem.” Passou os dedos pelos cabelos, levando a franja para trás. Olhou para Eren e viu algo se destacar em meio ao castanho de seus cabelos. Levou a mão até os fios e puxou o que descobriu ser uma pequena folha quebrada de árvore.

“O que?” Eren esticou o pescoço.

“Havia uma folhinha em seu cabelo.”

O adolescente o imitou, achando fofa a forma como ele havia falado e ficaram a jogar conversa fora naquele quiosque, sem notar quando o relógio marcou 01h00 da manhã. Apenas se deram conta quando o dono do lugar foi até eles para avisar que fecharia o quiosque.

Levantaram-se e foi a vez de Eren se espreguiçar. Rivaille comprou uma garrafa d’água antes de deixarem o lugar.

Àquela hora, as ruas estavam menos movimentadas. Ainda havia pessoas, porém, e acreditavam que o motivo fosse o fato de ser sexta-feira. Todavia, eram poucas pessoas. O dançarino segurou a mão do garoto com a sua e as escondeu dentro do bolso da blusa alheia.

“Não tem medo de ser assaltado?” A voz de Eren veio. “A rua não está muito movimentada e está tarde...”

“Você está com medo.” Rivaille caçoou e o garoto resmungou. “Bem, além de meu relógio de pulso, estou carregando nada de valor. Em minha carteira há apenas documento e cartão.”

“Não fale com tanta tranquilidade algo desse tipo!”

Rivaille riu breve. “Ok.” Disse simplesmente, provocando o garoto.

Algumas poucas pessoas ainda estavam na praia – pequenos grupos de amigos. Em um deles, podiam ver uma pequena luz vermelha em meio as silhuetas cinzentas e, vez ou outra, escutavam alguém tossir.

Logo não podiam mais vê-los.

Andaram e andaram devagar. Quando estavam a cerca de 20 minutos da casa, Rivaille puxou a mão de Eren, guiando-o para um caminho diferente do que tinham de seguir.

“Para onde está indo?” O garoto quis saber.

Subiam uma extensa rua.

“Ainda não quero ir para casa... Vamos por aqui...”

“Rivaille, são, não sei, duas horas da manhã?”

Não houve resposta por parte do mais velho, apenas continuou a puxar o garoto pela mão. Levaram pelo menos 12 minutos para subir toda aquela rua e, ao pararem, não puderam evitar os sorrisos que vieram.

Wow!” Eren pronunciou e cobriu o rosto com o braço quando um forte vento os atingiu.

De onde estavam, podiam ver toda – ou uma enorme parte – da cidade. Apesar da hora, havia muitas luzes acessas lá embaixo, o que deixava toda a visão ainda mais bonita. As serras ao fundo, as luzes, as tantas estrelas que podiam ver ali, o mar e o porto ao longe. Era realmente lindo.

“Você já veio aqui antes.” Eren disse.

“Não...”

“Como-“

“Que bom que decidi não irmos para casa agora.” Rivaille apoiou uma mão no corrimão que separava a rua do gramado baixo da calçada e impulsionou-se para pulá-lo, batendo as mãos uma na outra após tocar os pés no chão do outro lado.

Eren, com certeza, não esperava por aquele tipo de ação do outro, mas o acompanhou, tendo menos habilidade para dar um salto perfeito para o outro lado como Rivaille havia feito.

Encostaram-se ao corrimão e ficaram em silêncio. O dançarino tinha os braços cruzados enquanto o garoto escondia as mãos no bolso da calça. Ficaram a observar o cenário e Eren até mesmo se recordou da visão que tinham daquele estacionamento abandonado onde algumas vezes haviam ido. Ali, porém, a vista era muito maior e mais graciosa. Pensou em como alguém que ainda estivesse acordado em uma das casas ou apartamento, ou mesmo na rua, podia não fazer ideia de que havia duas pessoas observando a cidade lá embaixo. Perguntou-se o que os peixes daquele vasto oceano poderiam estar fazendo naquele momento. Os peixes e todas as outras espécies. E pensou em como estes também não faziam ideia de suas existências em terra.

Minutos se passaram e nenhuma palavra havia sido pronunciada. Eren fechou os olhos e puxou o ar pelo nariz antes de esticar-se, emitindo um ruído. “Ainda bem que não insisti em voltarmos.”

“Acho que eu não te escutaria, de qualquer forma.”

“Hei...” Eren sorriu e encostou a lateral do corpo no outro, encarando-o antes de beijar-lhe a bochecha.

Rivaille virou o rosto devagar, tocando, sem querer, o nariz no de Eren. Seus olhos fixos nos lábios do garoto para então beijá-lo. Ambos sentiram os lábios gélidos um do outro. Ficaram a trocar aquela carícia lenta e demoradamente. Rivaille adorava os beijos de Eren. Apesar de parecer dramático, não se lembrava de algum beijo que tinha gostado tanto. Muitos daquele contato haviam passado por sua vida e tinha, claro, apreciado muitos deles. O de Eren, porém, havia aquele carinho excessivo que o garoto lhe oferecia. Ele – o adolescente – parecia se preocupar tanto em fazer tudo da melhor forma para si.

Partiram o contato e Rivaille abriu os olhos apenas por um momento. Roçou a curva do nariz no queixo do garoto. Era estranho se permitir à carícias como aquela, que, apesar de redundante, demonstravam tanto carinho. Um carinho sincero.

Não deixou que Eren se afastasse. Apertou os dedos no tecido que o cobria a cintura e manteve a testa encostada no queixo do garoto por um minuto ou dois. Então o abraçou e segurou o rosto dele com uma das mãos para em seguida beijar-lhe o pescoço, rumando para o rosto.

Era estranho e não gostava de admitir, mas Eren tinha de fazê-lo diante das ações do namorado. Não que Rivaille não fosse carinhoso e até mesmo amável consigo, mas, de alguma forma, havia algo de diferente no modo como o mais velho tinha lhe cortejado há segundos. Moveu os braços ao redor do dançarino e o abraçou fortemente, beijando-lhe a têmpora e a orelha logo em seguida, ficando a respirar próximo à esta. Murmurou algo e o abraçou mais apertado por um instante apenas, ouvindo seu nome ser pronunciado.

Segurou o rosto pálido entre as mãos e fingiu que lhe tocaria os lábios, rindo logo após a brincadeira. Mas então acabou por fazê-lo num selinho demorado.

“Pirralho.”

Eren nada disse. Sorriu e tocou os lábios de Rivaille mais duas vezes em selinhos rápidos.

Permaneceram abraçados por um bom tempo e foi o dançarino quem desfez o contato para que pudesse esticar os braços e pescoço. Ficaram um ao lado do outro então, e conversaram sobre coisas do dia-a-dia, sobre o livro que Eren havia lido de um astrônomo já morto, sobre o primeiro livro que Rivaille havia lido – Frankenstein – e este descobriu que o adolescente já o tinha lido, também, então tiveram o que conversar sobre a obra de Mary Shelley apesar de não se lembrarem de muito com clareza. Eren contou sobre um documentário que falava sobre o oceano que havia assistido há cerca de um ano e como ficou totalmente impressionado com a cena de um polvo entrando numa garrafa de cerveja.

Em certo momento, Eren perguntou a Rivaille o que ele achava sobre a morte, pois estava a observar uma árvore que se erguia há alguns metros abaixo de onde estavam e pensou sobre como até mesmo ela morreria um dia, assim como a grama que estava sob seus pés e todas as outras coisas... Os cinzelados caíram sobre si e após um segundo veio a resposta:

“Eu acho que para entendermos e até mesmo aceitarmos a vida, precisamos compreender e aceitar a morte. Só então, viveremos realmente.”

Eren puxou o ar lentamente. Aquilo era exatamente o que pensava. Para o garoto, aceitação e compreensão da morte era, se não a, umas das coisas mais essenciais para o entendimento – ou tentativa de entender – a vidam, podendo, assim, vivê-la mais livre e verdadeiramente.

“O que pensa sobre o modo de vida em que estamos presentes hoje?”

“É como se estivessem,” usou a palavra estivessem para não generalizar “programados para algo que não sabem exatamente o quê é.”

Eren pensou por um segundo ou dois e não podia não concordar. Em sua cabeça, mesmo que parecesse um pouco presunçoso, havia o mesmo raciocínio. Em outras palavras, porém. “O que pensa sobre a vida num contexto cósmico?”

“Hm,” Rivaille entortou os lábios, ponderando suas visões sobre o que o outro perguntara. “Para ser sincero, Eren, nunca dei muito tempo para pensar sobre isso. Não acredito que sejamos os únicos e compreendo o nosso tamanho insignificante. Mas acredito que há um raciocínio muito mais profundo – e até mesmo bonito – sobre isso. Então, para minha resposta não ficar remoída e vaga, direi que preciso pensar.” Desculpou-se, recebendo um bonito e gentil sorriso do garoto.

“Tenha certeza de que é muito bonito.” Fez uma pausa e, depois, continuou com as perguntas. Foram diversas, algumas parecidas umas com as outras, outras muito distintas e, assim, foi descobrindo mais coisas sobre o namorado, que não se incomodou. Em praticamente tudo, Rivaille pensava semelhantel a si. Todavia, referente à algumas coisas, o dançarino parecia ter sido obrigado a perceber e pensar sobre aquilo, diferente do garoto, que simplesmente notou e refletiu. Talvez aquela suposta obrigação fosse devido a infância e adolescência não muito boas que o dançarino teve. Eren sentiu-se incomodado por conta daquela chance e quis socar e acabar com aquele passado do outro, substituindo-o por um melhor. Ao pensar isto, sentiu-se, também, egoísta e mesquinho, uma vez que, com certeza, não havia sido apenas Rivaille quem tivera uma formação complicada, mas, por este estar próximo de si daquela maneira e, talvez, até mesmo por ser um amante, tinha o desejo de lhe presentear com um passado melhor. Achou aquilo estranho e um pouco horrível.

Horas se foram e, quando decidiram conferi-la, foi porque a coloração do céu havia começado, lenta e levemente, a mudar. O relógio de pulso do dançarino marcava 05h18 da manhã. Mal acreditavam que já era aquela hora e que ainda estavam acordados e na rua. Riram e os olhares caíram sobre o horizonte de água e avistaram um navio .

“Quer ver o nascer do Sol?” Rivaille perguntou.

“Quero!” Eren respondeu, sorrindo. Seria a primeira vez que assistiria àquilo sem que houvesse prédios à frente. Estava feliz e ansioso.

As mãos dos dois estavam apoiadas no corrimão e a brisa do início da manhã clara os bagunçava os cabelos. Havia, também, um gostoso cheiro de grama.

“Estou com fome.” O dançarino disse.

“Estou com vontade de comer pão com tomate e orégano.”

“Ahh, essa é uma boa ideia! Não, essa é uma ótima ideia!” Deu ênfase à ótima.

Eren riu breve, achando graça da reação do outro.

“Vamos comprar quando voltarmos, o mercado já deverá estar aberto já que também é uma padaria.”

Logo os raios do Sol iam ocupando o céu e ouviam os sons de veículos, sendo que tinha, até mesmo, passado pelo menos dois carros na rua onde estavam. Rivaille havia, como comumente fazia, agarrado a mão de Eren dentro do bolso da camisa deste e sua cabeça estava descansada sobre o ombro do garoto.

O céu era roxo, azul, laranja e magnífico. Os reflexos no mar eram incríveis, parecia uma pintura feita por algum artista de internet familiar para Eren. Pássaros cantavam e voavam juntos de um lado para o outro, criando uma bonita dança. Outros apenas seguiam para alguma direção e sumiam. O som de grilos havia desaparecido, pois, durante a madrugada, eram constantes.

A cada minuto, o Sol mostrava-se mais. Eren sentia-se renovado. Rivaille sentia-se leve. Ficaram a assistir ao horizonte por uma hora e, após alguns bocejos, decidiram que agora era hora de voltar.

Desceram a rua, as mãos sempre dadas, e caminharam direto para o mercado, torcendo para que este já estivesse aberto. Em um dos painéis que anunciavam o horário e a temperatura, viram que era 06h29.

O mercado estava aberto para a felicidade dos dois. Compraram o que precisavam e, depois de pagar, foram para casa. Deixaram as coisas sobre a mesa, desfizeram-se das blusas de mangas longas que usavam, pois, além de terem passado a noite toda as usando, estava mais calor naquela manhã. Seguiram para o banheiro a fim de lavarem o rosto.

Colocaram queijo, tomate e orégano entre os pães de forma que haviam comprado e os deixaram no forno. Decidiram tomar banho enquanto os sanduíches douravam. Lavaram-se juntos e logo estavam de volta à cozinha usando roupas leves.

Tiraram os pães do forno, tomando cuidado para que o queijo derretido não caísse no chão e puseram-se a comer junto com o suco que haviam pegado na geladeira.

“Eu absolutamente amo isto.” Eren disse antes de dar outra mordida no sanduíche. “Hmm, esse tomate!”

“Não fale de boca cheia!” Rivaille jogou um pedaço amassado de guardanapo no garoto, divertindo-se.

Eren riu e cobriu a boca com os dedos.

O dançarino comeu dois sanduíches enquanto o adolescente comeu três. Após jogarem os guardanapos usados no lixo e deixarem a louça suja na pia, escovaram os dentes e foram para o quarto. Eren deitou e Rivaille manteve-se de pé, queria se alongar um pouco para poder relaxar melhor. O mais velho costumava fazê-lo ao acordar, mas Eren nunca havia dado atenção àquela atividade por sempre estar muito sonolento. Deixou o celular sobre o criado mudo ao lado da cama e, ao lançar o olhar para o namorado, viu que este já havia começado.

Assistiu-o a se alongar, escutando, vez ou outra, um estalo. Impressionava-se toda vez com a flexibilidade de Rivaille e imaginava o quanto algumas posições e movimentos doeriam se tentasse imitá-lo.

Finalmente o dançarino foi para a cama, mas apenas se sentou, pois ainda se ocuparia em passar creme por algumas partes do corpo. Observando, Eren questionou-se por que não tinha disposição para aquele tipo de coisa como o namorado demonstrava ter.

Quando o mais velho terminou com o que fazia, deitou-se ao seu, suspirando audivelmente. “Vamos morrer quando dormirmos.” Ele disse, recebendo uma breve risada. Ambos tinham os olhos pesados de sono e cansaço.

Eren remexeu-se, cobrindo os corpos com o cobertor e depositou um beijo na testa e pálpebras de Rivaille. “Quer ouvir algo?” Perguntou.

“Hm,” descansou a cabeça sobre a própria mão. “Pode ser bom...”

O adolescente procurou pelo celular e fones de ouvido, então entregou um lado ao mais velho e procurou pela música. “Eu acho esta música muito boa para dormir.” Eren diminuiu o volume e um som instrumental começou a tocar. Era um dedilhado de violão com o que parecia ser uma flauta transversal.

Ficaram a ouvir, encarando-se por segundos até que os cinzelados mudassem de direção e um pequeno sorriso surgisse nos lábios de Rivaille por conta da música.

“Gostou?” Eren quis saber.

“É muito gostosa, realmente.” Remexeu-se, aproximando-se apenas um pouquinho mais do outro e continuaram a escutar. Os cinzelados, agora, fixos no teto. “De quem é a música, Eren?”

Não houve resposta e, ao deixar que o olhar caísse sobre o garoto, encontrou-o dormindo tranquilo. Abriu a boca a fim de pronunciar algo, mas desistiu. O dia havia sido um tanto longo e Eren merecia descansar. Afastou a franja castanha que cobria os olhos fechados do outro e acariciou-lhe, com cuidado, os cabelos.

Pegou o celular do garoto e deslizou a senha que há muito havia decorado. Não conseguiu, porém, ler o nome completo da música, pois, enquanto o fazia, a playlist seguiu para a próxima canção, aquela havia acabado.

A música que tocava agora chamava-se Ar e Rivaille ficou a escutá-la, não podendo não prestar atenção no ritmo tranquilo e aconchegante do instrumental e, também, na letra.

O dançarino passou a encarar o garoto a partir do sexto trecho da música, em que sua expressão havia mudado para algo levemente mais deprimente, e ele soube que aquela canção fazia Eren pensar em si. Um peso se apossou de seu peito. Tocou, cuidadoso, a face jovem e ficou a acariciá-la devagar. A sensação de ouvir seus pensamentos pronunciarem “sinto muito” foi assustadoramente estranha.

Remexeu-se sobre a cama e deixou o rosto mais próximo da face do garoto. A música ainda tocava. Ouvindo-a, sentiu uma espécie de culpa por si mesmo e por Eren. Novamente, era incomum. Era como se aquela música dissesse muito sobre si, sobre Eren e sobre o relacionamento em que estavam. Numa conclusão mais particular e dramática, era como se a letra o lê-se.

A canção não era longa e logo teve seu fim. Por alguma razão, Rivaille colocou-a para tocar novamente e perguntou-se se Eren sentia-se daquela forma, realmente. Mas já sabia a resposta, o que o fez se sentir estúpido por deixar tal pergunta vagar por sua mente. Em você já me conheceu o bastante para saber se eu sou ou não o bastante para você, Rivaille sussurrou um “idiota” como se o garoto pudesse ouvi-lo. Não se tratava de ser o bastante ou não...

De novo, sentiu-se estúpido, pois sabia que aquilo era apenas a letra da música e que Eren tinha completa consciência de que não se tratava de algo relacionado àquela palavra.

Perguntou-se quando acordaria e sussurraria o nome do garoto à procura dele. Ah, sentia-se tão idiota. Encolheu-se e ficou assim até o fim da música. Então desativou a playlist do celular e tirou o fone do ouvido de Eren. Não se deu ao trabalho de deixar o aparelho em cima do criado mudo. Apenas enrolou o fio do fone ao redor e o colocou debaixo do travesseiro. Aproximou-se do outro, sentindo o calor que o corpo alheio oferecia, e voltou a acariciar-lhe a face. Apoiou-se em um cotovelo e depositou um beijo demorado sobre a maçã do rosto de Eren e outro na cabeça deste, seguindo para próximo à orelha.

O adolescente resmungou muito baixinho e Rivaille continuou a oferecer-lhe carinho. Acabando por não perceber o momento em que finalmente dormiu.