Notas iniciais
O motivo pelo qual não teve capítulo na semana passar foi porque estava tão calor, tão calor... E eu estava me sentindo em Mordor, ugh. Não me dou bem com calor e minha saúde também não, então não consegui ter paciência e energia para escrever. Me desculpem (e me avisem) qualquer erro.

“Eren, pare de tocar esse violão e me diga o que fazer!”

“Eu já disse: você tem que bater na árvore.”

Mikasa rosnou. “Este jogo é idiota demais.”

“Foi você quem decidiu jogar.” Ficou a observar Mikasa dando golpes no tronco de uma árvore para obter a madeira. Estava – tentando – ensinar a irmã a jogar Minecraft. “Mikasa, você tem que continuar batendo.” Deixou o violão debaixo do braço e, com um pouco de dificuldade por conta do instrumento, inclinou-se para poder afastar as mãos da irmã do teclado e fazer o trabalho ele mesmo.

Eren coletou toda madeira que a morena precisava e liberou o teclado. “Agora você tem que fazer uma pá para cavar e construir sua casa.”

“E qual é o objetivo do jogo?”

“Destruir, construir e não morrer.”

Eles se encararam por alguns segundos e então Mikasa disse: “Este jogo é uma droga.”

“Ah, pare, é legal. Vá, você tem que construir antes que anoiteça.”

“Eren, ainda são 14 e 40 da tarde.”

Eren soltou uma gargalhada. “Antes que anoiteça no jogo, idiota!”

Mikasa ganhou uma expressão emburrada, mas disse nada. Concentrou-se no que tinha de fazer no jogo. “Como faço uma pá?”

“Ah, você tem que ter uns gravetos. Espere.” Fez menção de tomar o teclado novamente, mas achou melhor deixar aos comandos da irmã, assim, apenas dizendo o quê deveria ser feito.

Ajudou-a em tudo que foi preciso e não conseguiu evitar suas risadas quando Mikasa era atacada de repente e gritava pelo susto. E melhor: não ganhou sequer um soco da irmã em resposta, mas sim, risadas, também.

Horas mais tarde, Mikasa reclamou estar com fome, sendo logo acompanhada por Eren, que decidiu pegar algo para comerem. Dois grandes pedaços de bolo estavam servidos em pequenos pratos que o garoto levou até o quarto. A garota fechou o jogo e disponibilizou-se a falar sobre duas garotas novas que haviam entrado no clube de vôlei.

Mikasa vagou entre assuntos como notas escolares, desempenho no clube, algum show que aconteceria dentro de dois meses e, finalmente, seu dia fora ao lado de Annie. “Às vezes fingimos que namoramos.” Ela disse.

Eren juntou as sobrancelhas muito levemente. “Por que fazem isso?”

“Porque é engraçado.” Mikasa riu.

Engraçado?”

“Apenas fazemos isso para tirarmos alguns idiotas de nossos pés.”

Eren permitiu-se a uma risadinha. Havia algum tempo que não parava para escutar a irmã. Continuou a ouvi-la sem interferir realmente em algo. Queria deixá-la falar e apenas ficar a observá-la. Na maioria das vezes, Mikasa o irritava por ser um tanto protetora, mas tinha consciência do quão importante ela o considerava e não podia sentir-se diferente em retorno. Não negava ter o instinto de protegê-la algumas vezes, embora não fosse tão explosivo.

Contudo, mesmo que quisesse ignorar tal pensamento e fingir que era apenas uma boba ilusão, sabia que a amizade antes tão bem nutrida com a morena, estava um pouco afetada. De alguma forma, sentia-se culpado. Não queria trazer o assunto em voz alta, pois seria como se estivesse admitindo completamente a realidade daquilo. Também não queria deixar que a degradação continuasse... Apenas não sabia exatamente o quê tinha de fazer para impedir.

Lembrava-se de, quando crianças, contar tudo à Mikasa (mesmo que esta acabasse falando uma coisa ou outra para os pais, deixando-o em maus lençóis e obrigando-o a ignorá-la por pelo menos um dia inteiro). Havia coisas que queria conta à irmã... Queria sentir-se à vontade suficiente para fazê-lo, como antes. Queria tanto voltar a conversar com ela... Longas conversas sem assunto definido que teriam seu fim com um Eren sonolento, descansando a cabeça no ombro de Mikasa, enquanto esta o mandaria para cama ou simplesmente o envolveria com um dos braços. Em algumas ocasiões, seria a morena a descansar a cabeça em seu ombro e ter o corpo envolvido por seu braço. Mas, ah, apenas queria aquilo de volta.

Mikasa ainda falava quando Eren jogou os braços ao redor do corpo forte, abraçando-a apertado.

“Eren?” O tom confuso encheu seus ouvidos.

Sentiu o impulso de desculpar-se. Desculpas por ter permitido que um muro começasse a se erguer entre os dois. Não tinha certeza se a irmã pensava o mesmo e tinha razões para acreditar que sim, assim como tinha para acreditar no contrário. Esfregou a testa no ombro dela e continuou em silêncio, seu nome sendo chamado uma nova vez. Talvez estivesse pensando demais... Talvez não.

Livrou a irmã de seu aperto e fitou os traços confusos no rosto da mesma. “Por que tão de repente?” Ela perguntou.

“Estou com sono.”

Pouco tempo depois, ainda na cama de Eren, ambos estavam deitados, encarando-se, mas não demorou para que pegassem no sono.

Eren espreguiçou-se antes de erguer as pernas, encostando-as à parede do quarto de Armin. Haviam passado parte da tarde estudando e o garoto mostrou ao amigo que estava se dando melhor com o assunto “química”. Havia pedido a Bertholdt que o explicasse algumas coisas, e o maior, por sua vez, pareceu muito feliz em poder ajudar. Descobriu que o colega era realmente bom na matéria e sabia explicar com muita clareza e paciência.

O som de páginas colidindo umas com as outras e livros de encontro à prateleira preenchia o ar enquanto Armin organizava o material usado para estudo. Eren levou as mãos para debaixo da cabeça, fitando o teto. Bateu os calcanhares contra a parede e o loiro sentou-se ao seu lado, fitando-o.

“Eren,” a voz baixa de Armin fez com que os turquesas abandonassem o teto. “No que está pensando?”

“Em nada.”

Armin arrumou o cabelo loiro atrás da orelha e desviou o olhar por um segundo.

“No que você está pensando?” Foi a vez de Eren perguntar para observar o amigo apenas balançar a cabeça.

Ficaram quietos, mas o moreno logo voltou a falar. “Eu sei que disse que já passou e tudo mais, mas me desculpe por tê-lo feito beijar o Jean.”

Os traços no rosto corado de Armin moveram-se minimamente. “Não precisa pedir desculpas, Eren.” Suspirou.

“Certo, mas,” Eren fez uma pausa mais longa do que realmente queria “quero te perguntar uma coisa.”

“Vá em frente.”

“Por que não empurrou o Jean?”

Armin esperou um momento até responder. “Não achei que fosse algo tão absurdo a ponto de ter que empurrá-lo.”

“Hmm,” as pernas de Eren penderam no colchão macio e ele sentou torto. “Quem é o Armin que gostou de beijar o Kirschtein cara de cavalo?” cantarolou, provocando-o enquanto o cutucava.

“Eu não disse isso, Eren.” Deu um leve tapa na mão do amigo, tendo de ouvir a risada do mesmo.

Eren ocupou-se em calçar os sapatos e Armin disse: “Jean tem lábios macios.”

Os turquesas ergueram-se para os azuis, confusos. Não sabia se havia escutado direito. “O que?”

“N-não foi algo ruim... É o que quero dizer.” Uma pausa. “Jean também se desculpou de novo, no colégio. Sinto como se ele estivesse um pouco- um pouco estranho.” Pigarreou. “Não sei se estranho é a palavra certo. Diria... Tímido? É, talvez...”

“O Jean tímido?” Zombou. “Tem certeza?”

Armin chacoalhou os fios loiros. “Nah, esqueça isso.”

“Se quiser conversar sobre, escutarei, você sabe.” Terminou de amarrar os cadarços.

“Não, não há o quê ser dito sobre isto. E também, não quero que chegue em casa muito tarde.”

“Bem, caso mude de ideia,” pôs-se de pé “é só me falar.”

Armin moveu a cabeça em sinal de sim. Eren custava a crer que Jean tivesse ficado tímido e sabia que o amigo voltaria com aquele assunto mais cedo ou mais tarde.

Quando o vento tocou sua pele ao abandonar o prédio, o céu já estava escuro. Sentia uma fraca sensação de fome e decidiu parar na cafeteria para comprar algo que pudesse “enganar” o estômago até que finalmente chegasse em casa.

Ao chegar no lugar, o gostoso cheiro de café encheu suas narinas. Não havia fila e logo fez seu pedido. Um cappuccino para viagem e um pão de queijo. Pagou o valor informado e caminhou até o balcão onde receberia o pedido. Lançou os olhos pelo lugar. Não estava lotado, mas havia uma boa quantidade de pessoas. Numa poltrona em um dos cantos, seus olhos fixaram-se. Rivaille o encarava inexpressivo.

Sentiu a respiração pesar mais por conta do susto de vê-lo ali. O balconista tocou em seu braço e o entregou o cappuccino e o pão de queijo num pequeno embrulho. Não queria ir até lá para falar com dançarino, mas não queria ser mal educado e, bem, sentia-se quase a obrigação de dirigi-lo a palavra.

Os olhos do mais velho não estavam mais em si quando começou a aproximar-se dele. “Hei,” disse ao chegar à poltrona.

Rivaille ergueu o olhar. “Hei,” respondeu. Um pequeno livro estava entre suas mãos e ele posicionou cuidadosamente o marcador de páginas antes de fechá-lo.

“Posso?” Eren pergunto, recebendo um aceno de cabeça do outro e sentou-se na segunda poltrona.

“O que está fazendo aqui à essa hora?” Rivaille quis saber.

“Estava na casa de Armin. Tiramos o dia para estudar.” Explicou. “E você, o que está fazendo aqui à essa hora?”

Rivaille emitiu um ruído. “Às vezes venho aqui ao sair do trabalho.”

“Hm,” Eren bebericou o cappuccino quente. “Aceita?” Ofereceu.

“Obrigado.” Rivaille recusou.

“Desculpe, não perguntei,” começou após outro gole. “Como você está?” Sorriu simpático.

“Bem, Eren.”

Eren fechou os olhos, como se estivesse usando-os para sorrir enquanto sorvia de seu cappuccino. Observou o mais velho apoiar o queixo na mão ao descansar seu copo tão aquecido sobre a pequena mesa entre eles. “Desculpe, não quero te prender aqui.”

“Já mencionei o quanto você se desculpa?”

“Na verdade, já.” Amassou a borda do embrulho de seu pão de queijo o puxou a mochila das costas para poder guardá-lo. “Mas acho que não consigo evitar.” Sorriu forçado. Ocupou-se com sua bebida, mas manteve-se observando o outro. “O quê está lendo?”

“Peter Pan.”

Eren franziu a testa. “Sério?”

“Não.”

Os traços do adolescente relaxaram numa expressão tediosa e ele esqueceu-se da pergunta, não demorando a balançar o copo vazio no ar. “Vamos sair.” Disse.

Rivaille ergueu uma sobrancelha. “Sair? Colocaram álcool na sua bebida?”

“Quando eu vi que você estava aqui, não queria vir falar com você, mas acredito que era uma daquelas coisas de sentir preguiça até mesmo para cumprimentar uma pessoa.” Fez uma pausa, levando o copo à boca como se ainda houvesse líquido suficiente lá dentro. “Agora estou com vontade de sair e talvez conversar.”

“E decidiu me escalar para isso?”

“Basicamente, sim.” Sorriu cínico.

“Eu deveria lhe dizer não por confessar que não queria me cumprimentar, criança inútil.” Riu forçado, encostando a ponta de seu sapato na perna de Eren, como se quisesse chutá-lo.

“Deveria dizer não, também, porque tenho certeza de que tem de trabalhar amanhã e eu ainda tenho aula.” Seu tom beirava à diversão.

Rivaille concordou e ambos exalaram uma risadinha. Levantaram-se e o garoto jogou o copo no lixo, seguindo ao lado do outro até a saída.

“E para onde vamos, moleque?”

“Hm,” Mordeu a bochecha antes de responder. “Não sei.”

Rivaille parou. “Não sabe?”

“Quero dizer,” coçou o pescoço. “há algum lugar aonde queira ir?”

Os cinzelados rolaram. “Vamos logo, idiota.” Voltou a caminhar.

“E para onde estamos indo?”

Rivaille não o respondeu. Seu carro estava estacionado na rua ao lado da cafeteria e o ar condicionado do veículo os cumprimentou um instante depois de entrarem.

“Quando foi que começou a ir àquela cafeteria?” Eren perguntou.

“Uma semana antes de um pirralho quase derramar suco em mim.”

Eren fez uma careta. “Por que começou a ir lá?”

Rivaille o lançou sua expressão de poucos amigos, mas logo voltou sua atenção à rua. “Havia uma boa cafeteria de frente à academia, mas fecharam o lugar. Estão construindo qualquer droga que não faço ideia do que seja.” Explicou. “O bom é que o café desta não é ruim e o lugar não é tão afastado.” Deu de ombros. “Vejo que vai com bastante frequência àquele lugar.” Uma pausa. “Você faz nada da vida, não é? Além de ser um pirralho falante.”

“Eu estudo, hm? E estou pensando em arrumar um emprego.”

Rivaille deu de ombros.

Ficaram calados por algum tempo até que entraram numa rua, que o garoto logo reconheceu. “Ah! Já sei onde estamos!”

“Que bom!” o tom sarcástico vibrava numa falsa comemoração, fazendo os turquesas rolarem nas orbitas. Seguiu um pouco mais à frente e entrou num estacionamento maltratado. A grama ganhava lugar por entre as rachaduras do concreto.

Abandonaram o carro e Eren esperou que Rivaille acionasse o alarme e se pusesse a andar para então segui-lo adiante. Sentaram-se no mesmo lugar de semanas atrás e o céu estava tão claro quando Eren o lançou o olhar. Abraçou os joelhos e sorriu para imensidão acima de sua cabeça.

“Gosta do céu?” Rivaille perguntou.

“Uh-huh,” manteve sua atenção na escuridão.

“Há um motivo?”

“Há vários motivos.” Jogou os braços para trás, apoiando-se neles. “Quando eu olho para cima, parece que qualquer preocupação some. Eu olho para cima e- não ria de mim,” riu, pescando, rapidamente, o dançarino. “eu fico imaginando como se estivesse dando uma espécie de zoom para fora do planeta, então para fora do nosso sistema e tudo, e vendo nossa galáxia como nada mais do que um ponto em meio à escuridão... Sempre me pergunto o quão longe uma estrela está uma da outra. É engraçado porque,” fez uma pausa, erguendo uma das mãos. “daqui, posso alcançar mais de três com apenas um dedo.” Os turquesas penderam, observando a cidade à frente, pois o estacionamento localizava-se num lugar alto. “Nós somos tão, tão pequenos.” Sua voz tão serena disse. “Quando penso nisso, me pergunto o quê há na cabeça de pessoas que tentam ser melhores do que outras, ou que se acham ridiculamente superiores. Nós fazemos parte de algo tão bonito... Eu fico com raiva quando lembro que há essas pessoas.” Riu novamente. “Há todo o Universo lá fora, mas ninguém parece pensar nisso.”

“Eu acho que você pensa.”

Escarou Rivaille. Ainda mantinha o sorriso no rosto jovem. “É, eu acho que sim.”

Rivaille manteve os cinzelados em si por alguns segundos, mas logo mirou o horizonte de luzes à frente.

Eren franziu o cenho. “Por acaso alguém cuida do gramado?” Quis saber ao varrer o lugar com os olhos e constatar que a grama não estava mais alta do que da primeira vez que esteve ali.

“Não sei dizer.”

Aspirou o cheiro de terra que o lugar tinha quando o vento passava. “No que está pensando?”

“Quando eu era adolescente,” começou “meus pais me obrigaram a pensar em coisas que eu jamais imaginaria ser possível. Eu os agradeço em parte por isto, apenas por isto...”

“O quê quer dizer?”

Suspirou, relaxando os ombros. “Meus pais eram muito bem de vida, mas eu nunca gostei de pedir coisas a eles, pois sempre jogavam em minha cara depois. Eles me faziam sentir mal a ponto de eu ter de me isolar deles e às vezes, de outras pessoas, a ponto de eu ter de fingir estar bem ao lado deles e sorrir para as mentiras que contavam para todos... Isto me fez pensar em muitas coisas. Me ajudou a enxergar a mentira que muitos agarram tão convictamente para viver e como algumas coisas não necessariamente precisam ser do jeito que são.” Fez uma pausa, seu cabelo bagunçando apenas um pouco por conta do vento.

“Eu não queria me ferir fisicamente.” Continuou. “Mas eu precisava esquecer aquela dor mental por algum tempo – mesmo que ela fosse minha maior companhia – e então eu me drogava até sentir nada mais.” Seu olhar mantinha-se ao longe. “Porque aqueles pensamentos estavam me esmagando...”

“Hei,” A voz de Eren, finalmente.

Rivaille o fitou. “Eu ainda me sinto esmagado.”

Eren arrastou-se em seu lugar para que pudesse ficar ainda mais próximo do outro e bateu seu ombro no dele, empurrando-o levemente. “Esfriou.” Não havia esfriado realmente. Buscou pelas mãos pálidas, segurando-as a poucos centímetros do rosto. “Posso?” Mas Rivaille apenas juntou as sobrancelhas em desentendimento. Fechou os olhos e depositou um beijo sobre os nós das mãos alheia.

“O que está fazendo?”

“Carla sempre beijava minhas mãos quando me sentia mal, inseguro.”

Carla?”

“Minha mãe.”

Rivaille havia apreciado o fato do garoto não ter se desculpado desta vez, pois achou que ele o faria. Sabia que seus olhos mostravam uma gota de angustia e desprezava-se por isto. “Eu sou um idiota, Eren.”

“Sim,” Eren riu.

Rivaille sabia, ah, que o garoto não havia concordado com o real sentido de sua frase e sabia ter sido proposital. Era tão claro.

Eren sorriu. Queria confortar o outro de qualquer forma. Não o julgava exatamente. Achava-se até mesmo um pouco egoísta, pois um sentimento de realização instalou-se em seu peito ao ter o mais velho disposto a lhe contar coisas como aquela. Abriu a boca para falar, queria provocar Rivaille, mas não conseguiu pronunciar qualquer coisa quando o outro mudou de posição, ficando de frente para si, afastando seus joelhos. Suas sobrancelhas ergueram-se. “O-o que-?”

“Eren, eu quero muito fazer isto agora, mas se você não estiver de acordo, não farei.” Dizia o cara que já havia se desfeito do botão de sua calça.

Eren engoliu em seco. Prendeu a respiração por um momento, soltando-a grosseiramente. “Ugh.”

Rivaille passou as pontas dos dedos sobre o tecido da cueca após livrar do zíper, seus olhos fixos nos turquesas. Sentiu Eren estremecer. Ergueu o rosto, escondendo-o na curva do pescoço do garoto e pressionou o membro sob a mão. “Se não me falar se devo parar ou continuar, não saberei o quê fazer.” Provocou. Seu estado de humor mudado completamente.

Alguns segundos e Eren suspirou. “C-continue...” Pediu, suas orelhas fervendo em vergonha. Logo um arrepio percorreu sua nuca ao ter o membro exposto à brisa gélida que o tocava a pele.

O dançarino começou a masturbá-lo e Eren encolheu o ombro ao sentir beijos frios sendo distribuídos em seu pescoço. Seu membro crescia no calor da mão do outro enquanto esforçava-se para não deixar que sua respiração se tornasse mais alta do que gostaria. Sentiu a língua fazer um caminho até sua clavícula, onde teve sua jaqueta e camisa afastadas, e uma fraca mordida foi depositada ali.

Inclinou a cabeça e um novo suspiro foi abandonado quando Rivaille livrou seu pescoço e rumou a sua ereção. Não pôde conter um gemido ao ter a língua do outro em seu membro. Percorria toda a extensão para então chupar a cabeça, ora ou outra dando atenção a seu testículo, sugando a pele para lambê-la em seguida.

Rivaille passou a deslizar a glande por entre os lábios, tão cruel para o garoto, que apertou os dedos contra as palmas das mãos. “Não fique tão quieto.” O dançarino disse.

“E-eu-“ Tentou formular algo coerente em sua mente, mas não obteve sucesso. Mordeu o lábio rapidamente e moveu o quadril de forma que pudesse pressionar a ponta do membro contra a boca do outro.

“Oh,” Rivaille afastou-se apenas poucos centímetros da ereção do adolescente e o encarou. “Você quer isto, não é?” Provocou.

Eren arfou, movendo o quadril novamente, tão tímido quanto da primeira vez. Recebeu o sorriso torto do mais velho e o observou umedecer os lábios para então abocanhar seu membro, roubando-lhe um gemido alto desta vez.

Rivaille o sugou, permitindo que sua língua brincasse com a glande por um curto tempo antes de voltar a engoli-lo para logo chupá-lo outra vez, mantendo-se naquele ritmo.

A mandíbula do dançarino movimentava-se de forma que o fazia sentir mais fundo, sentindo a ponta de seu membro friccionar contra a garganta. Eren levou uma mão até o ombro alheio e deslizou-a até a nuca, esfregando de leve o polegar no cabelo curto. Com as duas garotas que já havia ficado, nunca teve qualquer carícia mais profunda, tampouco mais de um beijo com cada uma. E, ah, como era gostosa a sensação que estava sentindo agora.

A mão de Rivaille pousou sobre a sua, que ainda descansava na nuca pálida, e a arrastou até os fios mais longos do cabelo, pressionando-a sem força. Os traços em seu rosto fizeram menção de tornarem-se confusos, mas contorceram-se em prazer ao ser chupado mais fortemente. Fitou o rosto do dançarino e o assistiu morder o lábio inferior numa expressão tão sexy que Eren teve a sensação de ter ficado dormente e julgou-se um imenso e completo idiota.

Seus dedos amassaram o cabelo macio ao ser envolto pelo calor da boca do mais velho. Logo estava empurrando a cabeça de Rivaille contra seu membro ao que movimentos eram intensificados. Gemidos eram abandonados, roucos e rudes até que um alto e arrastado, porém ainda quebrado, tomou o ar quando Eren gozou.

Não diferente da outra vez, Rivaille sorveu o líquido pegajoso, limpando os cantos dos lábios logo após. Ergueu-se à altura do garoto, este respirava pesado e sua face corada e seus turquesas esfumaçados em meio à escuridão o fazia ainda mais bonito. “Você está bem?” Perguntou, divertimento pairando em sua voz.

Não houve resposta alguma vinda de Eren. Observou o outro levantar-se e arrumar os cabelos com os dedos. Fitou o vazio ao fundo e só então o pensamento de alguém os vendo o ocorreu.

“Vamos voltar para o carro, está esfriando e lá é mais quente.” Rivaille disse após um ou dois minutos.

“O-ok.” Eren arrumou a calça, rápido, mas atrapalhado, e pôs-se de pé.

O barulho da grama sendo amassada fazia com que o silêncio entre os dois ficasse ainda mais explicitado e o adolescente sentiu-se muito desconfortável. Chegaram ao veículo e Rivaille pediu a Eren que o passasse a bolsa jogada no banco traseiro quando o garoto entrou.

O dançarino retirou uma garrafa d’água e voltou a largar a bolsa de qualquer jeito no assento. “Deve estar quente, uh, mas não importa.” Abriu a garrafa e fez um longo bochecho com a água, cuspindo-a antes de repetir. Abandonou a garrafa junto com a bolsa e sentou-se, fechando a porta do carro. O toque do celular de Eren o impediu de dizer qualquer coisa.

“Desculpe. Meu pai.” Avisou antes de atender. Grisha procurava saber onde Eren estava e o garoto simplesmente disse que havia saído com um amigo, mas já estaria de volta. Seu pai não fez mais perguntas, apenas pediu que tomasse cuidado e finalizou a ligação.

“Vou levá-lo.” Rivaille disse logo depois que o garoto guardou o aparelho.

“Obrigado, mas não precisa se preocupar. Aceito que me deixe na estação.”

“O levarei em casa.” Insistiu.

“Não precisa.” Lançou o olhar ao dançarino, descansando a cabeça no encosto do banco confortável.

Ficaram a se encarar por um tempo até que Rivaille alcançou uma caneta que estava sobre o painel do carro e mudou de seu lugar para o colo do garoto, que não pôde fazer muito a não ser segurar sua cintura.

“Eh-“

“Me conte sobre seu amigo loiro.”

“A-Armin? Por que?”

“Só fale qualquer coisa, sim?”

“Ok...?” Pensou por um momento. Por que infernos Rivaille iria querer saber sobre Armin? “Bem, ele... Hm, ele gosta de ler... Bastante. Gosta de videogames e é muito bom. Tem ótimas notas, també- Uh!” A língua do dançarino umedecia a pele de seu pescoço. “O qu-“ Os dentes arranhando a região para chupá-la fortemente logo depois. Eren sentiu um arrepio e grunhiu pela pequena dor, apertando a cintura do outro.

O homem continuou a violar sua pele e poucos segundos após livrá-la, a ponta da caneta tomou o lugar de seus lábios, riscando logo acima de onde havia sido chupado.

“O que está fazendo?” Eren quis saber, mas não obteve a resposta que queria.

“Vou te levar até a estação, então.” Rivaille disse, voltando ao banco do motorista.

Eren passou a mão sobre o pescoço e retirou o celular do bolso, acionando a câmera da frente. “Rivaille, o quê você fez?” Seu tom um tanto espantado enquanto os dedos tateavam a pele avermelhada.

Rivaille deu uma risadinha, saindo do estacionamento. “Isto é o seu número?” Referia-se à sequência escrita em seu pescoço.

“Pode ser que seja o de Mike.” O garoto cerrou os olhos. “Anote antes que a pele fique roxa.”

“O-o que?” Visualizou as marcas uma última vez antes de tirar uma foto, assim ainda teria o número caso se esquecesse de anotá-lo.

Não demorou a chegarem à avenida onde ficava a estação e Eren inquietou-se no banco quando o dançarino passou direto da entrada do lugar. “Huh, Rivaille? Você passou da estação.”

“Vou levá-lo até sua casa.”

“Não, não precisa. Me deixe aqui, pegarei o metrô.”

“Quer mesmo usar o transporte público com o pescoço assim?”

Franziu a testa. Não havia pensado naquilo até o momento e não seria mesmo uma boa ideia. “Isso não seria um problema se você não tivesse estuprado meu pescoço.”

Rivaille concordou zombeteiro.