Notas iniciais
E ai gatitas, vocês estão prontas pra mais um capítulo?
Reta final. E esse é o penúltimo capítulo.
Estou bem confusa com relação aos meus sentimentos a ele, mas o final vai compensar todo o resto otei?
Espero que gostem! s2

DOMINGO.


Tão exaustos como estavam, o casal dormiu abraçado – a manhã inteira e um grande pedaço da tarde.

E, até para a própria surpresa, Bella foi a primeira a acordar.


Em algum momento, no meio da noite, os dois tinham se mexido e mudado de posição; ainda estavam abraçados, mas agora de conchinha. Ela sempre gostara da liberdade na hora de dormir, detestava ser enlaçada nos braços de alguém sem ter espaço para se mexer e trocar de posição trocentas vezes durante a noite, mas era exatamente como estava naquele momento. Podia sentir o calor que emanava do corpo dele, assim como sua ereção matinal – quase sorriu com isso, que fôlego e fogo do caralho o homem tinha. O peito dele inflava e desinflava em suas respirações ritmadas e tranquilas, soltando o ar em seu cabelo. Suas pernas estavam juntas, seus corpos colados e o braço caído sobre sua barriga; podia sentir até os pelinhos de seu peitoral em suas costas nuas. Mas para a própria surpresa novamente, estava confortável naquela posição e amando estar enlaçada nos braços de Edward, sem ter liberdade para trocar de posição se não fosse a uma posição que ele pudesse estar confortável também, eram como imãs, se mexiam juntos.

Pousou a mão sobre a dele, do braço sobre sua barriga, que estava na cama. Eram brancas, meio femininas de tão delicadas – como ele mesmo dizia –, com dedos longos e unhas bem feitas; mas então vinha seu braço, obviamente masculino, grosso e peludo, mas não peludo de uma maneira nojenta – quer dizer, não era pelos negros que faziam cachos ao suar, isso é nojento –, os de Edward eram um pouco mais claros escurecidos apenas no contraste com sua pele branca, eram lisos e macios, ela adorava passar a mão por eles. E assim o fez, passou o dedo suavemente.

Edward se mexeu um pouco, mas só para se aconchegar mais, continuou dormindo e respirando em seu cangote. Ao menos não roncava. Devia se levantar, mas estava bem confortável ali. Muito confortável.

Será que ainda chovia?, se perguntou. Seria uma pena passar o último dia na Casa Mágica sem sair lá fora por causa de uma tempestade.

E foi então que o pensamento óbvio lhe atingiu como um chute no estômago. Sentiu-se meio sem fôlego e um nó embrulhar seu estômago, como se fisicamente tivesse sido atingida pelo pensamento. Último dia. Aquele era o fim da semana. Era domingo, último dia. Merda.

Edward já tinha lhe dito que iria embora do domingo, provavelmente porque deveria estar em Nova York na segunda, então devia estar partindo no final da tarde, mais tardar inicio da noite, assim teria algum tempo de descanso para poder voltar a sua vida corrida de advogado, a vida como Dr. Cullen. E ela... Apesar de poder se dar ao luxo de ficar na Carolina do Norte o tempo que quisesse, queria voltar para casa, sabia que não conseguiria ficar sozinha na Casa Mágica depois daquela semana. Inferno, nem sabia se conseguiria ficar nela em qualquer outro momento, não sem ser torturada por todas as lembranças. E esse pensamento assustou a merda pra fora dela, amava aquele lugar, era como um refúgio, não era justo perdê-lo assim.

Merda, merda, merda. Por que não tinha pensado em tudo antes? Por que tinha deixado o desejo vencer a lógica? Merda, merda, merda.

Escutou uma risadinha cética e cínica em sua mente, a risada da Cética. Devo fazer a dancinha do 'eu avisei' agora ou quando estivermos de volta à Nova York, queridas? E a Gueixa, estranhamente, ficou calada.

Mordendo o lábio inferior, controlando as lágrimas e com cuidado para não acordá-lo, Bella ergueu o braço dele e deslizou para fora da cama. Mas assim que levantou, Edward acordou – ele se esticou na cama para se espreguiçar e bocejou. Passou uma mão no olho, piscando algumas vezes. Apesar das luzes do quarto estarem apagadas, alguma claridade entrava pela janela e fazia ser fácil se enxergarem na ausência de luz artificial.

— O que...

— Tá tudo bem. — se forçou a dizer e se surpreendeu com a voz firme que saiu, nem parecia a sua, parecia ser a voz da Cética. — Pode voltar a dormir.

— Aonde você vai? — perguntou sonolento, bocejando em seguida.

— Tomar banho e comer alguma coisa.

— Sozinha? Me dê só alguns segundos e podemos tomar banho juntos. — sugeriu com um sorriso de lado, malicioso e doce.

— Não precisa. — disse categoricamente e engoliu seco ao perceber a surpresa no rosto dele, passou a mão pelo cabelo. — Vou tomar banho sozinha e desço para preparar nosso café.

Com a confusão e desconfiança óbvias nos olhos arregalados e cenho franzido dele, Bella esboçou uma tentativa sorriso e foi para o banheiro antes que ele pudesse falar qualquer outra coisa. Trancando a porta, foi direto para a ducha, porque tudo que menos queria agora encarar seu patético reflexo no espelho.

Ligou a ducha ao máximo, deixando-a fria e entrou sob a água. Passou a mão no rosto e cabelos. Sentia-se meio dolorida, principalmente seu traseiro e um pouco mais sensível entre as coxas, mas ainda era algo agradável, lembrava tudo que tinha feito na noite anterior. Uma das noites mais maravilhosa de sua vida, facilmente.

Edward tinha tomando seu corpo de todas as maneiras possíveis, dando e recebendo prazer dela, apenas ela. Fazendo-a se sentir a mulher mais importante do mundo; poderosa, especial, desejável... Desejada. Fodendo duro e sujo, então lento e doce. A fodeu, possuiu, reivindicou e amou – ela realmente se sentiu dessa maneira, reivindicada e amada.

Quase riu amargamente dos próprios pensamentos. E a Cética não se conteve tanto, apenas gargalhou; reivindicada e amada? Não seja patética, foi sexo, apenas sexo, você foi fodida e pronto. A Gueixa parecia mais condescendente, entendendo a situação; não há nada de errado em apenas sexo, vocês podem não estar voltando à Nova York para ter uma vida longa e feliz de casal apaixonado, como Rose e Emm, mas ao menos você teve um gostinho e experimentou, foi feliz e completa.

Bella fungou. Sim, era uma forma de pensar. Mas será que na prática era assim tão fácil de lidar? Como é mesmo aquela frase... Ah sim... Sempre dói mais ter algo e perdê-lo do que não ter aquilo desde o começo.

Eu avisei, a Cética martelou. Bom pra você, a Gueixa fungou e então começou a chorar, ele não tinha o direito, ele não tinha o maldito direito, ele não tinha. Direito de que, vadia? De vir até aqui, nos dar o melhor sexo da nossa vida e então ir embora, isso é cruel, desumano, cadê os direitos humanos? Os direitos das mulheres? Os direitos das mulheres cansadas de se masturbar cheia de fantasias e no futuro lembranças, já que fodemos com o objeto de nossas fantasias, não, não, nããão, caiu de joelhos chorando aos soluços. Meu Deus, mas é claro que é com isso que ela está preocupada, a Cética bufou, claro que não está preocupada com o fato de que fodemos como coelhos com Edward Maldito Cullen, o melhor amigo de Emmett e como um filho para Charlie; claro que não está preocupada com o fato de que teremos de voltar à vida real, estar no mesmo cômodo que nossa família e Edward, então fingir que nunca fodemos como coelhos aqui; claro que não está preocupada com o fato de que teremos que voltar a nossa vida patética de moletom e romances eróticos, enquanto Edward volta a vida fabulosa cheias de loiras e ruivas peitudas; claro que não está preocupada com o fato de que coramos com tanta frequência quanto chove em Forks e nunca mais conseguiremos deixar de corar na frente de Edward, tanto por lembrar dele majestosamente nu, tanto por saber que ele nos viu nua; claro que não está preocupada com o fato de que depois dessa semana, quando estiver com outras mulheres mais atraentes que a gente, ele simplesmente vai fazer as comparações e perceber que só nos fodeu por falta de opção; claro que não está preocupada com o fato de que nunca mais seremos as mesmas porque ele nos estragou para qualquer outro, sempre vamos comparar outros homens a ele e nunca acharemos alguém bom suficiente, em todos os sentidos; claro que não está preocupada com o fato de que ele é bom demais para a gente; claro que não está preocupada com o fato de que essa semana será deixada para trás, ele vai seguir facilmente com a vida dele e nós vamos estar presa ao passado, chorando em casa, assistindo séries, escrevendo e comendo doritos com coca-cola; claro que não está preocupada com o fato de que teremos que fingir que nada disso aconteceu, mas por dentro estaremos sempre nos lembrando porque estamos nos envolvemos mais do que deveríamos nessa merda e deixamos ele rastejar sob nossa pele; mas não, claro que só está preocupada com a falta das trepadas frenéticas e dos doces sexo lento, claro! E no final, as três estavam chorando.

Mas enquanto as outras duas, em sua mente, choravam em todo o exagero típico – espantosamente, se abraçaram e uma consolava a outra, com soluços e corpos tremendos –, Bella tentava ser o mais silenciosa possível. Por sorte, as lágrimas se misturavam a água do chuveiro, o que fazia mais fácil fingir que não chorava e de olhos fechados ela terminou seu banho; abriu-os apenas em alguns momentos, como para pegar a esponja com sabonete líquido, depois o shampoo e o condicionador.

Perdeu a noção do tempo tentando fazer todas as lágrimas escorrerem pelo ralo e procrastinando para não ter que fala com ele naquele primeiro momento, quando tentaria arrancar respostas pelo comportamento estranho depois de tudo; então, quando saiu do banheiro, vestida em um grosso roupão branco e com uma toalha enrolada nos cabelos molhados, sentiu-se relaxar ao ver que estava sozinha. E ao mesmo tempo, uma pequena parte dela ficou magoada com isso, será que ele não se importava o suficiente para esperar?

Mordeu o lábio inferior e agitou a cabeça para afastar o pensamento. Quanto egoísmo e egocentrismo pensar que ele esperaria até que saísse do banho depois de um passa fora tão óbvio.

Vestiu um confortável jeans surrado e seu grande suéter cinza – vários números maiores por ter sido de Emmett antes –, era exatamente a roupa do primeiro dia, calçando um chinelo de dedos depois. Parou em frente a um espelho para checar o rosto; sem maquiagem, parecia mais pálida e com bolsas sob os olhos, ao menos não eram olheiras escuras, mas nem se preocupou com isso, tratou apenas escovar os cabelos, agora úmidos, mais os deixou soltos sobre seus ombros e desceu para tomar seu café.

Tão poucos minutos se passaram separados e já sentia falta dele; do sexo matinal e no banho, das provocações, risadas e beijos. Estava tão ferrada. Suspirou. Merda.

Edward já estava na cozinha, pôde escutar os barulhos das panelas e sentir o cheiro. Parou no pé da escada e respirou fundo, aspirando o delicioso de... Queijo, bacon, ovos... Sorriu. Como seria acordar sem fazer o cão farejador e sentir o delicioso cheiro da comida de Edward? Uma onda de tristeza lavou o sorriso de seu rosto. Pois é, querida, aproveita esse último café porque vamos voltar ao café puro, no máximo Starbucks, e torradas ou cereal, no máximo bolinhos da Starbucks, a Cética murmurou em sua mente. Parou na porta antes para dar uma olhada no tempo; o sol nem tinha aparecido, o céu estava cheio de nuvens pesadas e acinzentadas e ainda chovia bastante, provavelmente choveria mais. O tempo combinava com o clima daquele último dia, bem melancólico. Tomando fôlego – e coragem – foi para a cozinha.

Já tinha pratos na mesa e Edward terminava de preparar algo sobre o fogão. Obviamente tinha tomado banho – além dos cabelos úmidos, agora vestia uma bermuda creme e uma camiseta branca bem colada ao seu corpo. Ele se virou e pareceu uma cena de filme, em sua mente, aconteceu em câmera lenta e quase a fez cair para trás, atingida pelo deslumbramento de toda sua beleza, como uma adolescente boba; e tudo piorou quando ele sorriu. Segurando a frigideira pelo cabo em uma mão e na outra uma espátula, o sorriso dele parecia sem ressentimento – parecia totalmente acordado e limpo, sem sombra alguma de barba em seu rosto e sorrindo como se tivesse o direito de acelerar seu coração e tirar o chão sob seus pés, e nem se esforçava para isso.

— Bom dia, bebê. — foi para mesa, dividindo o conteúdo da panela em dois pratos e tinha suficiente pra isso.

— Bom dia. — sua voz saiu mais baixa do que gostaria, engoliu seco e tentou continuar: — Sem omelete hoje?

— Não vou aceitar sua provocação hoje, coisa irritante. — ele riu. — E não, hoje eu resolvi investir em ovos mexidos, com queijo, linguiça e bacon pra você.

— E que se dane o colesterol, huh? — provocou.

Edward riu.

— Estamos nas nossas pequenas férias e nosso último dia, podemos extrapolar. — lhe dando as costas para colocar a panela na pia, enchendo de água logo em seguida. — Quer torradas?

— Hum, eu quero, mas eu faço.

— Tudo bem, faz pra mim também? Vou espremer algumas laranjas e fazer suco natural pra gente, deixo o trabalho fácil de colocar pão na torradeira pra você.

— Deixa de ser dramático — Bella riu. — porque a Rosalie comprou um espremedor de laranja automático e elétrico, você só tem que colocar a laranja em cima e conectar na tomada.

— E você acha que isso é fácil, minha jovem? Segurar, ter certeza que tirei todo o suco e então colocar outra laranja? Ai, ai, Isabella Swan, quando você vai parar de menosprezar e valorizar mais meus dotes culinários, hein? Tsc, tsc.

— Coisa dramática. — ela foi rindo para o armário, pegar o pacote de pão de forma e levá-los a torradeira.

Colocou duas fatias de pão nela e abaixou, para que torrassem. Iria esperar ali, quieta e calada, mas sentiu um braço passar ao redor da sua cintura e lhe puxar para trás, batendo contra um corpo. O corpo do Edward. Ele puxou seu cabelo todo para um ombro, expondo sua nuca e a beijou. Bella fechou os olhos e sentiu, derretendo em seu peito.

Foi girada sem dificuldade e ele subiu a mão, segurando sua nuca e a puxando para um beijo. Não abriu a boca em primeiro momento, pensando que talvez fosse o melhor, mas não era como se pudesse resistir. Era como uma viciada desesperada pela próxima dose; sabia que aquilo lhe faria malditamente mal, mas não podia evitar usar e sentir o prazer, mesmo que fosse por alguns instantes – não podia lutar contra isso, era mais forte, ainda mais quando já se está com o braço amarrado para evidenciar a veia e a seringa com a dose pronta na mão. E no seu caso, quando já estava nos braços de Edward e com a boca dele com a sua, lambendo ao redor para entrar. Com um suspiro, abriu os lábios e permitiu sua passagem, a língua dele entrou e sentiu o gosto, o toque, o calor, todas as sensações que sua droga particular lhe proporcionava ao entrar em seu sistema. Gemeu de prazer

— Mmm... — ele gemeu em sua boca. — Já tinha te dito, é assim que nos cumprimentamos, é assim que se dá bom dia.

Bella riu e o beijou novamente, devorando sua boca mais um pouco.

— Tudo bem. Ponto feito e anotado.

— Ótimo. — ele sorriu; ergueu a outra mão ao seu rosto, acariciando suavemente a bochecha com o dedão e voltaram a juntar suas bocas, em seguida suas línguas.

O beijo foi interrompido com o barulho da torradeira, quando as torradas saltaram ao ficar prontas. Bella o empurrou pelo peito, vendo-o lamber os lábios e sorrir.

— Vai fazer o suco logo, Cullen, tô com fome. — resmungou, virando-se para tirar as torradas prontas e colocar mais pão na máquina.

Não demorou a tudo ficar pronto e eles sentaram a mesa para comer.

E foi um evento silencioso. Bella manteve a cabeça baixa, olhando para o prato o tempo inteiro, mas podia sentir o peso do olhar de Edward em seu corpo, quase lhe queimando, e não tinha coragem de encará-lo – não tinha coragem ou não queria, pois apenas de olhar o rosto dele sentia vontade de chorar – e nem sabia totalmente o maldito motivo.

Com a cabeça baixa, viu o prato dele ser esvaziado a cada garfada, assim como dela. Quando o silêncio pareceu desconfortável e estranho demais para Edward, ela supôs, ele comentou sobre o tempo, sobre como estava chovendo e não parecia que ia parar. Ela concordou, comentando que ao menos os outros dias tiveram um tempo bom e perguntando se em Nova York estaria assim também; Edward pareceu pensar alguns segundos, mas deu ombros e disse que provavelmente não, mas não tinha certeza e podiam ligar para Rosalie, porque se estivesse, ela estaria reclamando sobre como chuva era ruim para o cabelo; Bella riu, era bem assim que Rosalie reagia à chuva, o tempo todo.

E o silêncio voltou, falaram novamente instantes depois, quando ele perguntou se ela ficaria muito horrorizada se ele fizesse sanduíche com o mexido; ela riu novamente, claro que não, afinal, também queria fazê-lo, mas estava se contendo por ele. E os dois colocaram grandes quantidades do mexidão feito por Edward entre suas torradas, comendo como sanduíche em seguida, com o suco natural dele – natural com grandes quantidades de açúcar, ela percebeu e brincou a respeito. E assim terminaram o café da manhã.

— Eu lavo a louça. — Bella se ofereceu.

— Não precisa, eu lavo. — Edward disse rapidamente, se levantando para colocar seu prato e copo para a pia, depois se virou para Bella, recostado na pia, hesitante. — Hum, você quer fazer alguma coisa, bebê?

Bella levantou, deixando seu prato e copo na mesa, hesitante, passou a mão no cabelo e olhou ao redor, engoliu seco nervosamente. Nem sabia por que estava tão nervosa, mas sentia as mãos suarem, secou-as no jeans e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.

— Não, quero dizer, agora não, eu... Eu te espero na sala. — mastigando o lábio inferior, foi rapidamente para a sala e sentou no sofá, puxando os joelhos para seu peito.

Você tá parecendo uma presa assustada cercada por uma família de predadores, quer parar com isso?, a Gueixa bufou. Não sei se você percebeu, mas somos uma presa assustada cercada por nosso predador particular e o que ele mais quer devorar é nosso coração, a Cética rebateu. Se for pra ficar assim, ao menos vamos nos manter ocupadas com mais uma foda rápida, né? Nossa despedida, Gueixa choramingou. Sua doente. E pra quem antes estavam unidas no 'fazer as coisas diferentes' e depois unidas em meio ao sofrimento, elas tinham voltado ao normal. Bem, e agora o que fazemos?, as duas perguntaram juntas. Bella suspirou pesadamente, não tenho a menor ideia, aceitos sugestões. E se fez silêncio.

E mergulhada naquele silêncio confuso, nem percebeu quando Edward voltou à sala e sentou a sua frente. Piscou forte e voltou à realidade, sentindo a movimentação no estofado.

— Você está bem, bebê? — Edward insistiu. — Quer dizer, por tudo que fizemos ontem e hoje você...

— Talvez um pouquinho dolorida e você sabe onde — deu uma risadinha cansada. —, talvez cansada, mas eu estou bem.

— Já que não quer fazer nada, quer só ficar aqui sentada?

Bella assentiu, abraçando os joelhos e deixando o queixo sobre eles.

— Talvez eu possa ficar sentado aqui com você?

Ela assentiu novamente.

— Então vem cá, vamos ficar sentados juntos.

Vai lá, a Gueixa incentivou. Odeio concordar com essa promíscua, mas vai, não é como se você tivesse alguma coisa mais a perder, a Cética bufou.

Edward se ajeitou com as costas no braço do sofá e Bella foi para ele, sentando entre suas pernas e recostando em seu peito, foi enlaçada por seus braços novamente. Não queria conversar e ele pareceu entender isso, não tentou preencher o vazio com qualquer coisa, deixou que ela tomasse o próprio tempo; de olhos fechados, acariciando seu antebraço com a ponta dos dedos, apenas com o som de suas respirações e a chuva do lado de fora.

Mas o que começou confortável estava sendo ainda mais torturante. Aquele silêncio com carinho era a pior tortura que poderia existir, como um homem a beira da morte tendo direito a um último desejo – porque não ter um pouco de felicidade antes de seu trágico final?

Ela sempre foi chegada a um drama, né?, a Gueixa murmurou para a Cética, que concordou, demais. As sujas falando da mal lavada, agora que eu tô feita mesmo, Bella pensou.

— Bebê? Você está me escutando?

— Hã, que? Desculpa, estava meio perdida em pensamentos, o que você estava falando?

— Gueixa e Cética?

Bella corou, maldita hora que tinha dito a respeito delas, ainda mais quando era algo nem Rosalie, como sua melhor amiga, sabia a respeito.

— Algo assim.

Edward riu.

— E o que elas estão falando agora?

Fala, a Gueixa instruiu. Não fala, a Cética fez o mesmo.

Fala. Não fala. Fala. Não fala. Fala! Não Fala! – Calem a boca!

— Bella?

— Hum... — agitou a cabeça, voltando à realidade. — Nada importante, eu só... Acho que estou pirando... Só isso. — gargalhou. E foi uma risada de verdade, a situação era tão estranhamente fodida que chegava a ser cômica, riu histericamente, como louca.

— Você está conseguindo me convencer disso, sabe. — ele riu.

— Eu sinto muito, calma... — deu uma pausa para controlar o próprio riso, então respirou fundo algumas vezes. — O que você estava falando?

— Estava falando que, hum, hoje é domingo.

Bella sentiu o corpo ficar tenso, mas tentou brincar:

— Devo dizer, você é tão difícil de enganar, Cullen. E o levou a concluir isso? Ontem ter sido sábado ou amanhã ser segunda?

Edward riu, beliscando levemente a lateral sua barriga.

— Tão engraçadinha. Quando você estiver com bloqueio de escritor ou algo do tipo, comece a investir no humor, bebê, acho que você faria sucesso fazendo stand-up comedy.

— Não acho que o Emmett vá querer concorrência para o posto de comediante da família. E ele é bem maior do que eu, então chutar minha bunda não vai ser muito difícil.

— Eu te protejo dele, bebê. — apertou os braços ao redor dele, para dar ênfase a sua promessa.

— E quem vai te proteger dele, Cullen? — ela provocou, rindo.

— Você deve estar certa. Bem, desista da sua carreira de humorista, bebê, podemos achar outra segunda opção pra você.

Bella gargalhou.

— Ao menos você tem noção que não venceria o Emmett em uma briga mano a mano.

— Você já viu o tamanho dele? Ele é um 4x4 e se não for uma lutinha de brincadeira, o filho da puta bate como se fosse o Rocky Balboa ou qualquer merda do tipo. Isso quando ele simplesmente não senta em cima de mim e não me deixa sair até repetir suas frases o glorificando e dizendo o quanto ele é a melhor coisa do mundo e tem o pau maior que o meu.

— Eu odeio quando ele faz isso. E ele sempre faz isso. — Bella bufou. Emmett era superprotetor e nunca lhe bateu de verdade, desde criança, mesmo quando ela provocava, socava e chutava, em busca de alguma briga então ele apenas lhe enchia de cócegas, batia com travesseiro ou imobilizava, só a deixando sair se repetisse alguma de suas frases, que geralmente era: “Emmett é o homem mais lindo, maravilhoso e forte do mundo, além de ser o melhor irmão que eu poderia pedir aos céus e estaria perdida sem ele, porque uma vida sem ele é como uma vida sem o sol, fria e escura, porque ele é meu sol e eu o amo mais do que qualquer outra coisa”. Bella sorriu com a lembrança, sentia falta de seu irmão, da Rose e de seu pai.

— Exatamente. — Edward riu. — Voltando ao assunto principal, estava falando, hoje é o final da semana e acho que precisamos conversar né?

— Quando você está pretendendo voltar para Nova York?

— Acho que amanhã cedo, é que...

— Tudo bem. — ela se levantou rápido, de sobressalto. — Mas pensei que você voltaria hoje.

— Com esse tempo? Nem sei se tem algum voo saindo, mas Bella...

— Eu volto na terça, então.

— Mas, por que não voltamos juntos? Bella, nós...

— Eu... Eu tô ficando com dor de cabeça, Cullen, eu preciso subir pra tomar algum remédio e descansar. — disse nervosamente. Não chora, não chora, não chora, repetia mentalmente.

Edward se levantou.

— O que...

— Ficamos grudados essa semana toda e eu não estou acostumada com isso, estou sufocando aqui, por favor, eu só quero ficar sozinha um pouco, Cullen. Só isso.

— Eu... Eu não pensei que você estivesse se sentindo assim,

Oh homem, você o machucou, a Gueixa assoviou. Como se ela não estivesse vendo isso no rosto dele; parecia ter sido atingido por um tapa ou traído. Lembra que você tinha decidido nunca mais ser responsável por colocar aquele olhar ferido no rosto dele?

— Ah, pelo amor de deus, calem a boca. — vociferou baixinho para as duas, apertando os olhos e os dentes.

— O que?!

— O que? Não! Desculpa, não é com você, é... — estava começando a balbuciar, sentindo dificuldade para respirar com o coração mais disparado, não poderia ter uma crise nervosa na frente dele ou cairia chorando. Respirou fundo. — Eu só não acordei disposta, por favor, eu preciso ficar sozinha, com licença.

Edward ficou na sala, vendo-a correr escada acima rapidamente. O que diabos tinha acontecido?

Em uma noite, estava tudo o mais doce clima de lua de mel. Na outra manhã, estava tudo o mais amargo clima de divórcio. Que merda era aquela? Estava confuso, assustado e com medo. Medo era pouco, estava apavorado – e que lidassem com isso, pois grandes homens podem sentir medo em situações novas, ainda mais quando envolviam seus sentimentos. Seu estômago estava se contorcendo de maneira tão furiosa que atingia até sua respiração, estava gritando por um bom uísque ou qualquer bebida mais forte que o acalmasse.

E pensar em bebida apenas piorava tudo, porque o levava direto para sua infância e o lembrava de que nunca tinha se sentido assim desde aqueles anos terríveis, quando tinha que cuidar da mãe durante os porres, erguendo seu cabelo enquanto ela vomitava violentamente, ou pior, quando estavam sozinhos em casa e ela desmaiava bêbada ou pelo efeito de qualquer remédio – sempre sentira medo de que ela morresse ali, deixando-o sozinho no mundo, já que seu pai tinha desaparecido; podia ser novo, mas não era estúpido, sabia que se isso acontecesse, iria ser levado para algum orfanato ou lar adotivo, bem longe de Forks, longe de Emmett, Charlie e até Bella, nada o apavorava mais do que a ideia de que ser afastados deles, por mais que a culpa o atingisse em alguns momentos já que nem a ideia da morte de sua mãe parecia lhe amedrontar tanto, até porque ela já não agia como uma mãe há muito tempo. E um dia, depois que sua mãe passou mal pela mistura de remédios e bebida, Edward acabou chorando e contou o medo apenas a Charlie, que não saiu de seu lado no hospital, e a resposta de Charlie foi um longo abraço, o abraço mais paterno da vida de Edward e disse: Não importa o que aconteça, Edward, você é um de nós agora e não vai a lugar nenhum, nada vai acontecer com a sua mãe, mas se acontecer, é com a gente que você vai ficar, agora continue forte e corajoso como sempre, porque nada vai acontecer.

E desde aquele dia, Edward fez um pacto com si mesmo e prometeu que jamais deixaria que nada e ninguém lhe colocassem medo como naqueles dias. Quando o medo era tão forte que mal conseguia respirar, se mover ou pensar direito, o fazendo ficar apenas remoendo o motivo do medo. Mas lá estava ele de novo, arrastado para o mar de medo.

Sentia-se da mesma maneira, mas parecia ainda pior. Ficou ali parado, com o estômago se contorcendo a ponto de quase se sentir mal e a respiração mais pesada, ofegante. Passou a mão no cabelo, tentando entender o que estava acontecendo.

Estavam separados apenas por um alguns metros em andares diferentes, mas parecia à distância de todo um oceano em outro continente.

E sabia por que estava com medo, era medo de perdê-la. Perder algo que nunca foi seu além dos rápidos e bem aproveitados dias daquela semana. Crescer sendo negligenciando e rejeitado pelos pais criou algumas cicatrizes em seu peito e tinha medo que Bella as abrisse. E aquele "estou sufocando aqui" tinha raspado sobre elas. Sabia que, muito provavelmente, estava sendo um maldito covarde, mas não conseguia fazer as pernas se moverem para levá-lo até o quarto dela para que exigisse uma explicação.

Mas também tinha medo por ela; era toda uma situação malditamente complicada, toda uma vida mudada em uma semana e não queria quebrá-la de maneira alguma. Se ela queria um tempo, bom, daria a ela o maldito tempo, porque sentia que precisava também. Um tempo sozinho para ambos, assim colocariam seus pensamentos e sentimentos ordens.

Para passar o tempo, foi para a cozinha preparar o almoço. Naquele momento, apenas cozinhar podia lhe acalmar um pouco.

Enquanto isso, no quarto, após entrar e trancar a porta, Bella tinha lidar com a Gueixa e a Cética em sua mente. E não estava sendo fácil.

Ainda mais quando ambas estavam unidas e batendo na mesma tecla: Você está sendo ridícula e fazendo merda.

E Bella tentava ignorar, assoviando pumped up kicks.

Não adianta assoviar, querida, vamos continuar aqui e você continua nos ouvindo.

— Eu sei, só quero saber por que, vão embora! — disse em voz alta, tentando fazer mais efeito.

As duas riram. Pensei que isso estivesse óbvio, a Gueixa disse. Bem, ela não é a mais inteligente, né?, a Cética riu.

— Eu estou louca, essa é a resposta? Talvez eu esteja com um tumor, como a Izzy em Grey's Anatomy? Só vão embora. — choramingou, antes de cair sentada na cama.

Nós não podemos, não é assim que funciona, assim como nós estamos aqui porque você nos chamou, só podemos ir embora quando você nos mandar, Gueixa e Cética disseram em uníssono.

— Bem... Não fui clara suficiente? Bem... Vão. Embora.

Não adianta dizer em voz alta, Bells, isso só te faz parecer ainda mais louca, a Gueixa disse rindo. Você nos criou e não podemos ir embora, porque somos você. Somos você e suas vontades obscuras, inseguranças, medos e toda sua insanidade feminina.

— Vocês são é minha loucura. Eu preciso de um maldito tarja-preta.

Não, você precisa se decidir e assumir as rédeas das suas decisões, parar de deixar que sua libido ou suas inseguranças tomem conta de você. Precisa unir tudo, porque isso forma quem você é, e decidir o que quer realmente. Pelo que está disposta a lutar.

— Parem de falar juntas, vocês estão me assustando. — bufou e deitou na cama, encarando o teto. As duas riram em sua mente.

Tudo bem, a Cética concordou e continuou, lembra que não estivemos muito... Opinativas nesses últimos dias? Bella parou e repensou tudo; e era verdade, tirando alguns breves momentos ou quando chamou a Gueixa para fazer as coisas mais devassas do momento, as duas não estavam resmungando em sua mente. E isso porque você estava decidida a estar com o Edward, não havia dúvidas ou medos, você confiava em si e nele, a Cética explicou. E vamos lá, Bella, você sabe que não era eu chupando o Edward, era você, mas eu sou a parte em você quem não tem medo de explorar e se divertir com a nossa sexualidade.

— Nossa... Eu tenho uma bela garganta profunda, huh? — murmurou, com uma risadinha sem humor. — Estou ficando louca.

Nunca vamos te deixar completamente, Bella, você nos tem há muito tempo, somos você e quem você é, o normal é muito supervalorizado, a questão é, se não tomar uma decisão sobre tudo isso e toda essa semana, todas vamos sofrer com a indecisão e não vamos te deixar, elas disseram juntas, apenas sua decisão pode nos controlar.

— Merda. Estou ficando fodidamente louca.

Como quiser pensar, querida.

Bella se levantou e foi arrumar suas malas, afinal, tinha o dia todo sozinha, o que mais podia fazer?

Bem, eu tenho várias sugestões, a Gueixa disse maliciosamente, mas acho que a melhor opção agora é descer e cospir tudo isso que está nos sufocando, Isabella. Odeio dizer isso, mas concordo com ela, amém a isso.

Até olhar suas roupas a fazia se lembrar dos motivos porque ela e Edward jamais dariam certo. Ali tinham calças jeans, conjuntos de biquínis, algumas roupas íntimas, blusas de alças, shortinhos e vestidos praianos; o único vestido melhorzinho era o que usara na noite em que jantaram no restaurante de Carmen, assim como sua melhor sandália, o resto era chinelo de dedo, rasteirinha e all star. E seu guarda-roupa era limitado assim mesmo quando estava em Nova York. Gostava de estar confortável, não realmente na moda. Gostava de seus jeans surrados, blusas confortáveis de banda ou qualquer estampas legais, camisas de flanela, casacos grandes, moletons e suéteres, ás vezes shorts e tops mais femininos; mas detestava saias e raramente usava vestidos.

E Edward? Ali na praia ele podia estar confortável, em roupas mais leves e praianas, mas, enquanto aquela era a Bella de sempre, aquele não era o Edward de sempre. Ele vivia sob ternos de grife e sapatos italianos; claro que em alguns momentos se permitia usar jeans e camisa de flanela, mas isso era, geralmente, nos dias que acabavam com O, nos que acabavam com A ele era seria o engravatado e impecável Dr. Cullen. Eram de mundos diferentes.

Ela podia ter o visual que quisesse já que, no final, eram as capas de seus livros que eram julgadas, seu anonimato lhe permitia isso; mas ele tinha que estar impecável porque ele era o próprio cartão de visita, querendo ou não, sua aparência era importante em um tribunal e na hora de conseguir um cliente, lhe dava ainda credibilidade, mesmo que seu índice de casos ganhos absurdamente alto já fizesse isso muito bem.

Como ela iria se encaixar ali? Ele ia a jantares e eventos importantes, cheio de homens ricos e mulheres deslumbrantes. Era um lugar onde ele e Emmett se encaixavam bem – inclusive seu irmão, que sempre soube ser incrivelmente profissional, independentemente de sua personalidade descontraída –, eles tinham apenas que entrar em um terno e estavam prontos; Rosalie se encaixava bem naquele mundo, ela sempre foi deslumbrante e elegante, sempre sabendo se produzir da maneira certa, de acordo com os momentos e necessidades deles. Mas ela? Ia se sentir perdida no meio de tudo aquilo. Perdida e envergonhada. Era isso, iria envergonhar alguém – seja a si ou a Edward, Emmett e Rosalie. Edward precisava de uma mulher a altura, que fosse inteligente suficiente para ser incluída no assunto e participar dele ou uma esposa que fosse elegante suficiente para ser uma esposa troféu, sorrindo ao lado de Edward ou sendo uma boa anfitriã em seus eventos. Precisava de uma mulher como Rosalie, que poderia estar em ambas as situação e se sair maravilhosamente bem, não alguém como ela, que acabaria rindo no momento errado ou falando alguma besteira, talvez usando o vestido inapropriado ou tropeçando nos próprios pés por usar um maldito salto agulha de sola vermelha.

E sem perceber, ela arrumou todas suas coisas com lágrimas descendo pelo rosto. E quando terminou, deixando apenas a nécessaire no banheiro e a roupa que usaria no dia seguinte por cima, com fácil acesso, ela caiu na cama e desejou ser outra pessoa. Uma que pudesse se encaixar no mundo de Edward Cullen sem que ele se arrependesse da própria escolha. Agora ele podia pensar que era ela, quer dizer, podia dar certo por alguns meses, talvez um ano, mas então ele perceberia o erro e acabaria com tudo. Se uma semana de sexo quente já era difícil de superar, quem dirá meses a um ano, Bella sabia que não podia sobreviver a isso. Não era essa pessoa, e não podia ser.

...

Eles passaram o resto da tarde sem conversar. Tentando dar tempo ao turbilhão de pensamentos e sentimentos, cada um a sua maneira.

Bella tentava passar o tempo relendo a edição de bolso de um livro do Dan Brown que estava em sua bolsa e nem percebeu até chegar à casa mágica, não que estivesse dando muito certo, já que ainda podia escutar os barulhos da cozinha, mesmo com a chuva e a distância. Tentou pegar o Ipod e colocar os fones de ouvido, mas todas as músicas pareciam lembrar ele e toda a situação, era pedir para sofrer mais e com trilha sonora, então puxou os fones e o jogou na cama, tentando continuar sua leitura mesmo com os ruídos no andar de volta, mesmo sentindo uma vontade torturante de descer para ajudar ou provocar ou apenas ficar perto dele; respirando fundo e afastando as lágrimas, calando as duas em sua mente, deixou o livro de lado e tentou tirar um cochilo.

Edward tentava passar o dele cozinhando, já que era o último dia de ambos na casa, por que não usar tudo que tinham na dispensa e geladeira? Não podia deixar estragando ali, mesmo que Emmett tivesse alguém contratado ali para cuidar da casa na ausência deles, podia usar o máximo dos ingredientes, então colocou o vinho na geladeira e preparou o almoço e a sobremesa – fez carne cozida com legumes e molho madeira, batatas recheadas e gratinadas, arroz branco para de quererem para acompanhamento; depois fez de sobremesa uma torta de limão com merengue, então uma típica forma de brownies de chocolate, que cortou em quadrados e levou a geladeira. Enquanto cozinhava, foi bebendo sua Heineken, adorava cozinhar sujando a mão e provando no meio do preparo; podia ser muita coisa, que misturados nem fariam sentido, mas estava precisando cozinhar para relaxar.

Quando ficou tudo pronto no fim da tarde, Edward subiu para avisar que o almoço estava pronto, estranhou que a porta estivesse entreaberta, mas acabou entrando silenciosamente. A primeira coisa que percebeu foram as malas delas, prontas e fechadas perto da cama; uma sensação estranha apertou seu peito. Suspirando, se aproximou da cama onde ela estava deitada lado, quase em posição fetal, com um livro e Ipod ao seu lado. Seu cabelo espalhado pelo travesseiro, dormindo tão serenamente e bonito que parecia um quadro pintado. Parecendo tão frágil que ele só queria puxá-la para seus braços e proteger de todo o resto do mundo, inclusive de si mesmo, se preciso.

Afagou a bochecha dela com os dedos suavemente e, com um sorriso despercebido no rosto, a deixou dormir.

...

A primeira coisa que Bella sentiu ao acordar foi fome. Seu estômago roncava furiosamente, vencendo até sua covardia de se esconder no quarto o máximo que pudesse. Respirou fundo, arrumou os cabelos da melhor maneira possível em um rabo de cavalo e desceu descalça.

Percebeu quão ridícula era ao perceber que estava andando quase na ponta dos pés para não chamar atenção de Edward. Ao se repreender, passou a andar direito e ao passar pelo quarto dele, que estava com a porta aberta, sentiu um nó se formar em sua garganta – ele estava arrumando as malas. Como um tapa na cara a cena lhe acertou, pois era tornar mais física a ideia de que era o fim da semana, estariam realmente se separando e voltando ao que tinham antes, nada.

Desceu para a cozinha ainda mais silenciosa e foi recebida pelo maravilhoso cheiro da comida dele. Sobre o fogão tinham duas panelas grandes e uma bandeja coberta por um pano de prato, ao mexer em todas para saber o que tinha o pensamento surgiu, também sentiria falta da comida dele. O maldito era realmente bom no fogão. Checando a geladeira, vendo os brownies e a tortura, quase chorou por lembrar que perderia aquele pacote perfeito, por mais superficial que fosse o pensamento.

Fez seu prato com um pouco de tudo e comeu na mesa com suco gelado. Gemia de prazer a cada garfada, era o céu transformado em carne e batata. Depois comeu dois pedaços da torta maravilhosa e dois brownies. Estava cheia e completamente satisfeita. Lavou a louça que tinha sujado, guardou as coisas e limpou a mesa, para então se arrastar para o quarto.

Mas Edward estava na sala, dobrando algumas peças de roupa e lhe olhou surpreso.

— Não te escutei na cozinha.

— Eu estava almoçando. — disse. — E estava tudo ótimo, obrigado.

— Você é bem vinda, bebê. Está melhor?

O tom doce e cheio de preocupação dele era quase demais.

— Sim, obrigada. Agora só preciso descansar o estômago um pouco, posso ter comido um pouco demais. — tentou rir.

— Claro. Peguei na secadora, é seu. — ele pegou no sofá um short jeans e o top de um biquíni verde. — Já ia te levar no quarto, pra não esquecermos nada por aqui.

— Obrigado. — pegou as peças sem sorrir e continuou andando, antes que voltasse a chorar ali mesmo.

Patética, Gueixa e a Cética disseram, enquanto Bella subia as escadas. Por que não diz tudo de uma vez, merda? É tão difícil assim? Bella ignorou, não tinha nada a ser dito.

...

Já era noite quando Bella decidiu que precisava tomar um pouco ar puro, trancada e sozinha no quarto, imaginando o que ele estava fazendo ou pensando, estava lhe fazendo louca. Estava surtando, em pânico e confusa, quase explodindo em meio aquele turbilhão de sentimentos que estava lhe consumindo. Desceu as escadas correndo, passou pela sala vazia e saiu pela porta lateral da casa.

O vento frio lambeu seu rosto assim que foi para a noite. Descalça, apenas com o suéter e jeans, desceu as escadas correndo e foi para a chuva. Seus pés se afundaram na areia molhada, a chuva caia forte em companhia ao vento e os rugidos dos trovões. Continuou andando, com os braços cruzados no peito, para longe da casa. Sem saber onde estava indo ou porque estava indo, queria apenas se fugir. Estava a alguns metros da casa em poucos instantes e estava como um rato molhado. Como uma louca, chorando e andando no meio da tempestade.

Sua respiração estava arfante quando começou a chorar mais duro, sem nem saber exatamente por que. Era o tudo e o nada se misturando, lhe levando as raias da loucura. E mesmo assim, só conseguia pensar em Edward.

Edward, Edward, Edward.

Merda.

Parou no meio da areia, passando a andar em círculo com as mãos na cabeça, estava enlouquecendo. Não sabia com o que estava lidando, se devia ser corajosa e dizer alguma coisa a Edward, correndo o risco de ser rejeitada e ridicularizada. Ou se devia simplesmente seguir em frente, ficar em silêncio e voltar a serem apenas amigos, sem qualquer envolvimento, correndo o risco de ficar louca ou se engasgar com as palavras não ditas.

Queria gritar, queria bater em alguma coisa, queria cair em posição fetal e chorar, queria correr de volta para Edward e se jogar em seus braços.

— Isabella! — escutou o grito rasgar a noite entre os altos ruídos da tempestade. — Isabella!

Salto de surpresa e susto, olhando para trás para ver a origem do grito. Era de Edward, que estava parado na frente da porta lateral da casa, se protegendo da chuva. De cenho franzido, lhe deu as costas e continuou andando para longe da casa lentamente.

— Isabella! — escutou de novo, instantes depois, mas parecia estar mais próximo, o que a fez parar e se virar. E Edward corria até ela.

Usando o antebraço na testa para proteger os olhos da chuva, enquanto corria para alcançá-la.

— Você está louca, Isabella?! O que está fazendo aqui fora nessa tempestade?!

— Vai embora, Cullen, eu quero ficar sozinha! — gritou, mas porque tinham que falar mais alto para se escutarem pela chuva.

— Você queria ficar sozinha na casa, eu te escutei e te dei o maldito espaço! Eu não iria impor minha presença a você, você podia ficar sozinha dentro de um quarto quente ao invés dessa maldita tempestade!

— Eu não te chamei, então, volta pra casa, Cullen!

— Não sem você! Você está louca?! Arreste esse seu traseiro molhado para casa ou eu mesma te carrego no meu ombro! O que você está querendo? Pegar a porra de uma pneumonia?!

— Me deixa em paz! — gritou e deu as costas a dele.

— Você não precisava sair de casa e se arriscar desse jeito se queria apenas a porra do seu espaço e que eu ficasse longe de você, Isabella!

Ela se virou furiosa, com ele e consigo mesma.

— Eu não queria ficar longe de você!

— Então o que você quer?!

— Que você fique longe de mim!

— O que? Isso está fazendo sentido pra você? Porque não está fazendo sentido pra mim, Isabella!

— Esse é o maldito problema, Cullen! Eu não estou fazendo sentido, porque nada disso está fazendo sentido! Eu estou confusa, porque toda essa merda está confusa e eu não tenho ideia do que está acontecendo aqui, comigo, com você e com a gente! Eu estou surtando de tão confusa e não sei o que fazer com isso! — gritou, estava chorando e, por mais que Edward não pudesse ver suas lágrimas, ele podia ver o rosto franzido e escutar seus soluços.

Edward passou a mão pelo cabelo ensopado, combinando com todo o resto de seu corpo, e soltou o ar com força.

— Sério, será que podemos ter essa conversa lá dentro?! Vamos, bebê, você está molhada até os ossos e vai acabar congelando aqui fora ou então ficando doente nessa chuva toda, por favor. — disse o mais suavemente possível.

— Está vendo?! É disso que eu estou falando! Por que você não pode voltar a ser o idiota insuportável de antes?! Alguém que eu achava estar apenas dedicado a tornar minha vida um inferno, me provocando a cada oportunidade?! Não a pessoa que você está sendo essa semana!

— Eu não estou fingindo, Bella! Esse é quem eu sou!

— Eu sei! — Bella gritou cheia de frustração.

— E então o que?! — Edward gritou e agora ele estava frustrado, sem entender o que diabos estavam discutindo. — Do que você está falando?! Porque se você está confusa, pode imaginar como eu estou?! Me ajude aqui, Bella, porque eu estou perdido! Porra, eu não sei o que diabos você quer e não posso te dar o que você quer, se você me disser!

— Você! Você! Pronto?! É você, Cullen!

— O que?!

— Você não queria saber o que eu quero Cullen? Pronto, é você! Está satisfeito?! Não veio passar essa maldita semana comigo pra tomar tudo de mim?! Pronto, você tomou! E tomou muito mais do que minha boca, meus seios, minha boceta, meu traseiro, você tomou tudo! E agora estamos indo embora e não sei como lidar com isso ou o que fazer! Pronto? Entendeu o que eu estou falando agora? Eu te amo, Edward Cullen! Eu não sei o que fazer com isso, mas eu te amo, porra!

Notas finais
E entãããão, o que acharam bbs?
Leitoras antigas (ou que já leram a minha Accidentally) isso não dá um deja vu do penúltimo capítulo dela? kk E esse deve ser o momento que devo dizer "não ameacem me matar ou jamais lerão o último capítulo" né? KKKKKKKKK :x
Esse capítulo devia ter sido menor, mas me empolguei e ele ficou grande - talvez um dos mais chatinhos né? - mas o final compensou, né? ~aleluia ♪.
Por que eles enrolaram tanto para chegar a esse momento? Porque eles são humanos. Não são perfeitos e nem corajosos o tempo inteiro. Estão lidando com coisas e sentimentos novas, mas não se conheceram agora, tiveram quase uma vida inteira juntos e nenhum deles demostrou mais do que amizade e camaradagem ao estilo deles. Bella nunca achou que fosse suficiente para Edward; Edward tinha muitas marcas pelas rejeições na infância para arriscar. Mas eles guardaram tanta coisa durante os anos que estão transbordando e agora aconteceu a explosão, vão gritar aos ventos tudo.
Último capítulo promete muita emoção - ou vou tentar colocar isso. Muita gritaria e sentimentos na chuva. E lembram-se daquele joguinho de 'verdade ou beba uísque e tire uma peça de roupa' do capítulo 12? (quem n lembra, pode dar uma relida) bem, ele será relembrando no próximo capítulo e novas respostas surgirão.
^ isso está funcionando para deixá-las mais ansiosa para o capítulo final? bem, se estiver, comentem e digam o que acharam do capítulo e o que esperam do último. Retas finais me deixam moles, então me deem seu carinho via review! []
E pra quem tiver dúvida: próximo é o último capítulo, mas ainda teremos um epílogo grande e super lindo pela participação dos meus divos, Rosalie, Emmett e Charlie *-*' Então... Não morram por esperar alguns dias pela continuação e até o próximo, bjsbjs s22
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P.S: Só queria agradecer especialmente a MariannaTavares e Redcliff por suas lindas recomendações. Muito obrigada por serem tão lindas e doces comigo, fico muito feliz que gostem tanto da LMTYT ♥ E queria agradecer também a todas comentando, chegamos a marca de +1.000 review; mesmo com todos os leitores fantasmas chegar a esse número isso é muito lindo, cara. Fiz até dancinha aqui em casa KKKKKK Muito obrigada mesmo! Todas que participaram disso, sintam-se beijadas e esmagadas no abraço da titia Candy, obrigada! s22