Let Me Love You

9 Cap. 8 - Muro-chin, don't go...


Notas iniciais
E aííííí? u-u E aí? E ae??? Como vão? :3 Espero que estejam bem e que aproveitem o cap!!! *o*

Himuro suspirou limpando a lágrima solitária que escapara e pegou mais uma roupa dentro de sua mala, não aguentaria mais ficar naquele lugar, não depois do que acontecera entre ele, Kagami e Murasakibara. Era melhor ir embora. Já fazia uma semana e meia que não via o garoto de cabelos lilás, não enviara nenhuma mensagem, nem ligara, o outro também não tentou se comunicar nenhuma vez, Murasakibara também não aparecera mais na Casa para ver Himuro dançar, de forma que acabou deitando-se com outros homens para conseguir mais dinheiro.

Estava acabado, Himuro sempre soube que aquilo nunca daria certo, sempre soube que Murasakibara era bom demais para si. E tudo o que fizera foi machucá-lo. Então estava pronto para deixá-lo viver sua vida, ter o coração partido não era uma novidade na vida de ninguém, sempre aconteceria uma segunda vez, terceira, quarta e assim por diante.
Mas Himuro sabia que a dor do primeiro amor sempre seria a pior.

– Sou um idiota. — riu sentando-se na cama. Olhou o quarto, não havia mais nada, tudo estava em caixas e os móveis cobertos, suas duas malas prontas ao seu lado. Deixaria muitas coisas ali e, quando pudesse, buscaria tudo.

Mas havia uma coisa para fora. Seu terno para o casamento de Momoi e Aomine, não havia ido para a despedida de solteiro do noivo, nem ao chá de noivado da noiva, não havia dado nenhuma notícia além da de que ainda apareceria para arrumar o cabelo de Aomine e seus amigos. E aquele era o dia do casamento.

E no dia seguinte partiria para os USA e viveria por um tempo na casa de um amigo que tinha lá, em New York. Era o que devia ter feito quando Kagami o deixou, devia ter voltado também e continuado sua vida, mas não, precisou errar mais uma vez para isso. Já havia se demitido com Madame Edwin e pedido transferência na loja para a loja que havia em New York, seu pedido foi aceito e começaria a trabalhar na próxima semana.

Levantou-se e suspirou, tinha de tomar banho, logo teria de ir para a casa de Kise para ajudar todos a se vestir e arrumar seus cabelos, principalmente Aomine... Depois teria de ir até a casa dos noivos ajudar Momoi. Faria tudo e depois da primeira festa iria embora. Não os acompanharia até a segunda festa, não aguentaria muito tempo perto de todos, não depois do que fizera.

Retirou suas roupas e tomou um banho não muito longo, mas o suficiente para derramar suas últimas lágrimas, prometeu naquele banho que não choraria mais por Murasakibara, como prometera antes que não choraria por Kagami. Aquela era a última vez que choraria por Murasakibara e a última vez que choraria por alguém, não se apaixonaria de novo. Nunca mais.
Já era adulto, era melhor parar de brincar de ser adolescente.

Vestiu o terno que escolhera, acabou usando a camisa cinza por dentro. Sorriu para o resultado e penteou seu cabelo no mesmo padrão que escolhera para os outros, a parte que tampava seus olhos estava bagunçada com cera de uma forma estilosa, enquanto o resto estava jogado para trás também bagunçado. Sorriu levemente, estava parecendo algum riquinho.

Pegou sua carteira e celular e colocou dentro de uma mochila onde separara tudo para arrumar os homens e Momoi, em seguida saiu da casa e caminhou para o táxi que o aguardava. Entrou e falou o endereço para o motorista, olhando para fora enquanto o carro seguia caminho.

~x~

– Não sei se vou. — Murasakibara murmurou para sua mãe encarando-se no espelho, estava pronto, usando a roupa que Himuro havia escolhido com tanto cuidado para ele, notou que alguns detalhes de sua roupa era diferente da dos outros que eram completamente iguais, mas a sua lhe dava um ar ainda mais belo.

– Mas, Atsushi, é o casamento de Aomine e Momoi, não pode fazer essa desfeita! — exclamou sua mãe censurando-o. — Não precisa ficar muito tempo, são tantos convidados, apenas vá e os cumprimente, depois pode voltar.

– Mãe... — o garoto olhou para a mulher, era uma mulher de meia idade realmente conservada e bonita, era atenciosa e via o melhor em todos. Amava sua mãe mais que qualquer pessoa no mundo. — Você amou outro homem além do papai? — a mulher arregalou os olhos e sorriu fraco, erguendo a mão para acariciar a face do filho.

– Você é tão inocente, meu anjo. — ela falou baixo e puxou o garoto pelas mãos até sentarem juntos em sua cama. — Eu realmente amo seu pai, mas ele não foi meu primeiro amor... — ela riu baixo e passou as mãos pelo cabelo, deixando-os sobre um ombro. — Ele dizia que eu parecia uma sereia, clichê, não? Mas eu o amava muito...

– E o que aconteceu?

– Ele amava outra. — ela sorriu e olhou para o filho. — Sabe, filho, não é porque achamos que alguém foi feito para nós, que essa pessoa ache o mesmo de nós. Amor é uma coisa complicada demais... mas eu vou te dizer uma coisa... — ela sorriu e segurou o rosto do menino.

– Um amor nunca é curado, mas com o tempo aprendemos a amar os bons momentos com a pessoa e isso parece curar a ferida.

– Mas nunca cura realmente, não é? — ele suspirou, fechando os olhos.

– Você ainda é jovem... vai entender que é melhor que não cure nunca. — Ele arregalou os olhos. — A dor nos prova que foi real, meu menino. — ele abaixou os olhos sentindo a garganta presa e os olhos arderem. E antes mesmo que notasse, as lágrimas escorriam pelas mãos de sua mãe. — Atsushi, não desista tão fácil...

– Ahn? — ele olhou assustado para a mulher.

– Eu desisti muito fácil muitas vezes, eu queria ter corrido atrás... — ela sorriu. — mas fico feliz por ter seu pai, ele me amou, me fez feliz e eu o amei e o amo mais a cada dia, tivemos um filho lindo, inteligente e talentoso, nós temos orgulho do que nosso amor gerou. Entretando, filho, eu não acho que as coisas sejam sempre assim... então faça o que seu coração pede agora. — ela abraçou o filho e suspirou. — Às vezes a mente é fria demais. Agora levanta a bunda daí e vai logo.

– S-sim... — ele levantou e sorriu fraco limpando os olhos. Tinha de ir para a casa de Kise.
O caminho foi rápido, não morava tão longe da casa do loiro, mas também nunca fez questão de passar perto, depois de terem ido, havia se afastado um pouco da Geração dos Milagres, mas algumas vezes os encontrava. Suspirou olhando para fora vendo um casal andando de mãos dadas enquanto conversavam.

Perguntava-se por que se sentia tão mal. Himuro havia lhe falado sempre que não sentia nada, interpretara tudo tão errado, Himuro o tratava como um amigo, apenas o beijara uma vez quando estava fora de controle, mas foi apenas para pará-lo. Sentiu esperanças demais, fantasiou demais. Errou demais. Devia lhe pedir desculpas por ter sido tão idiota, por ter agido como se tivessem algo.

– Senhor, chegamos. — Murasakibara olhou para o motorista e sorriu, entregando-o os ienes. — Tenha uma boa noite.

– Para o senhor também, bom trabalho. — saiu do carro e caminhou para a mansão de Kise, apertando o interfone ao chegar ao portão. — Kise, cheguei... — falou despreocupado.

– Kyah, Murasakicchi! Vou abrir o portão. Bem-vindo. — E então o portão automático abriu. Entrou num suspiro, Kise sempre fora extravagante demais, mas gostava do loiro, parecia que nada o afetava... além de Aomine, por algum motivo sempre que o de cabelos azuis o tratava mal Kise ficava completamente para baixo, mas jamais fazia algo ruim para Aomine.

Murasakibara entrou e caminhou para a porta, sendo recebido por um mordomo. Entrou e encontrou seus amigos lá dentro, Aomine ainda estava desajeitado com sua roupa e os outros usavam a roupa completamente alinhada, não era a forma como Himuro havia os arrumado, Murasakibara também não havia feito aquilo, não sabia como e nem lembrava também.

– Ah, olá, Murasakibara! — Disse Aomine sorrindo. — Tudo bem? Parece um pouco irritado...

– Esqueci de comprar meus doces. — reclamou sentando-se no sofá da sala ao lado de Kuroko.

– Ahn, acho que tenho alguns aqui. — comentou Kise indo para a cozinha. Esperaram um pouco e o loiro apareceu com vários doces e salgados nas mãos, Murasakibara se levantou e pegou todos.

– Obrigado, são meus. — falou e voltou a sentar, abrindo um salgadinho.

– Não sei como não engorda ou fica com espinhas... — comentou Aomine.

– Sou atleta. — deu de ombros e suspirou.

– Ah, Aomine-san, acho que pegou a gravata errada, a que escolhi tinha um tom mais for... — mas Himuro, que havia acabado de sair de um dos quartos, parou de falar assim que viu Murasakibara sentado no sofá. Todos ficaram em silêncio ao verem Murasakibara parar de comer e arregalar os olhos. — O-oi, Murasakibara-kun.

– Oi, Himuro-san. — Himuro sentiu uma faca em seu coração, que tipo de tratamento era aquele? Queria dizer que ele não o incluia mais num circulo particular que respeitava?

– B-bem... — Himuro voltou a descer as escadas tentando disfarçar o tremor em suas pernas ou sua garganta presa. Queria apenas ir embora, não aguentaria muito daquilo. Fechou os olhos enquanto descia e suspirou, voltando a abrir os olhos, devia se concentrar em arrumá-los logo. — Aomine-san, fique de pé, por favor?

– Hai, hai... — o maior falou entediado e se ergueu. Himuro sorriu e começou a arrumar sua roupa como no dia que ele a comprou. Quando terminou, parou para olhar o resultado, sorrindo em seguida. — Acha que está bom?

– Perfeito. — Himuro ficou na ponta dos pés e ajeitou momentaneamente o cabelo do homem, como se analisasse algo. — Ainda não sei como arrumar seu cabelo, acho que colocar tudo para trás não vai ficar bonito como eu quero. — Suspirou. — Talvez eu faça como fiz com o meu...

– Por que esconde o olho sempre? — Perguntou Aomine deixando a cabeça cair para o lado. — Achei que hoje não faria isso...

– Ah... — Himuro suspirou, não era como se não pudesse falar, só não gostava, mas aquilo também não era mais importante. Colocou a mão por baixo do cabelo e o levantou, mostrando aos outros, todos ficaram surpresos, menos Kagami, que já sabia. — Eu sou adotado... minha mãe não podia cuidar de mim, disse que eu poderia morrer se continuasse com ela, então me entregou para uma mulher quando eu ainda era um bebê e eu tinha vários machucados e essa queimadura. Então uso assim para não mostrar, acho feio. — deu de ombros.

– Me desculpe, eu... — Aomine sentiu-se culpado por perguntar.

– Não, tudo bem. — Himuro riu e caminhou até Midorima, fazendo-o se levantar para que pudesse arrumar sua roupa. O fez em silêncio, sorrindo apenas quando terminou. — Kise... — O loiro também se levantou e então arrumou sua roupa. Kuroko foi o seguinte e então Akashi. — Ah, escolheu o corte que te falei. — Himuro sorriu, abotoando da forma que achava melhor.

– É... Himuro-san, posso falar com você? — O moreno o encarou e acenou, seguindo-o em seguida. Todos os acompanharam com os olhos, até que sumissem no quarto de Kise.

– Então...? — Perguntou Himuro, encarando o garoto que havia parado na janela.

– Eu soube do que houve entre você e Murasakibara... — ele suspirou e Himuro coçou a nuca, desconfortável.

– Olha, Akashi, eu não quero falar sobre isso, já aconteceram coisas ruins o suficiente para eu ter que lidar com você também. — Começou, completamente incomodado com aquilo. — Eu vou embora do Japão amanhã, não se preocupe. E, se quiser ter o Murasakibara, pense que ele quer um companheiro, não um dono.

– Eu sei disso, sempre soube. — Akashi virou-se sorrindo e então olhou para Himuro. — Eu quero te agradecer.

– Ahn?

– Você o machucou o suficiente para eu tê-lo de volta. Era apenas isso. — o garoto passou por Himuro e saiu, deixando-o de olhos arregalados ali mesmo, com as pernas duras demais para movê-las, queria chorar, queria deixar seu corpo cair naquele chão e que tudo sumisse, que seu corpo, sua alma, sua vida. Tudo fosse embora.

– E-eu... — sussurrou para ninguém, sentindo seus olhos ficarem molhados. Colocou as mãos sobre os olhos e chorou em silêncio, tentando parar sem conseguir, sabia que não era hora para isso e sentia-se uma porcaria por quebrar sua própria promessa de não chorar. Tinha de arrumá-los, e já admitira que fora melhor assim... então por que seu coração doía tanto?

E então escutou seu celular tocando na sala. Ofegou baixo e limpou os olhos, correndo para fora e pegando seu celular na mochila, sendo acompanhado pelos olhares dos outros. Pegou o telefone e o atendeu rápido. — O-oi!

Tatsuya? — falou a voz do outro lado.

– Sim, sou eu. — respondeu em inglês, acenando para os outros como pedido de desculpas, Aomine apenas acenou como se indicasse que estava tudo bem. Kagami estava com os olhos arregalados.

É a mãe do Logan. — era a mãe de seu amigo, o que passaria uns dias na casa. Sorriu fraco, amava aquela mulher.

– Ah, oi! Tudo bem aí?

Sim, é que ele esqueceu que horas tem que te buscar amanhã...

– Ah, Logan sempre esquecido! — Riu juntamente com a mulher e Kagami se ergueu no segundo seguinte roubando o celular das mãos de Himuro e atendendo.

– Logan?! — exclamou, Himuro arregalou os olhos.

Ahn? Taiga? É a mãe dele, tudo bem com você, meu anjo? – Kagami fechou os olhos e suspirou.

– Tudo sim... onde está o Logan? — O ruivo colocou a mão sobre o peito e apertou sua roupa, seu rosto começava a ficar vermelho, assim como seus olhos, Himuro ficou assustado.

Está no quarto dele, quer falar com ele?

– N-não... eu...

Se puder, venha com o Tatsuya, vamos amar tê-los aqui!i

– Obrigado... vou devolver para o Tatsu. — murmurou escutando a mulher agradecer. Olhou para o moreno, que o encarava com a mão sobre a boca, como se controlasse algo, o único olho que podia ver estava arregalado e cheio de lágrimas. Suspirou e passou o telefone para o moreno, deixando todos sem entenderem nada.

– Oi... ahn... me busquem às dez... sim, no aeroporto mais próximo da Estátua da Liberdade. — Fava Tatsuya ainda tentando controlar as lágrimas, Kagami continuou parado, com os braços ao lado do corpo, as mãos em punhos e o rosto baixo, de forma que ninguém podia ver seus olhos cheios de lágrimas. Os outros estavam completamente assustados com a situação, Murasakibara estava com os olhos semicerrados. Himuro desligou o telefone e deixou sobre sua mochila, agora as lágrimas escapavam sem que pudesse controlar, enquanto ria de uma forma quase demoníaca, mas todos viam o quanto estava decepcionado e triste. — Ah, desculpem por isso... haha... eu...

– Himurocchi... — Kise se levantou e foi até o moreno, abraçando-o pela cintura, tentando puxá-lo para fora da sala, mas Himuro o empurrou e ergueu o rosto para Kagami, que agora o encarava triste. Caminhou até o ruivo e lhe desferiu um tapa no rosto, todos ficaram assustados, mas não fizeram nada quando Himuro começou a dar socos no peito de Kagami, que não se defendia.

– MEU MELHOR AMIGO, TAIGA?! POR QUÊ?! POR QUE FEZ ISSO? — Urrava o moreno entre lágrimas. — EU ESPERAVA TUDO! E-EU ACHEI ESSE TEMPO TODO QUE ERA POR CAUSA DAQUELE GAROTO, QUE... — Apontava para Kuroko e soluçava. — EU... EU CONFIEI EM VOCÊ! POR QUE O LOGAN?! — Himuro então foi perdendo as forças nas mãos, o choro começou a ficar violento demais e então apoiou a cabeça no peitoral do ruivo, enquanto ainda dava poucos socos em seu peito. — Por quê? Seu idiota... eu te odeio... odeio...

– Tatsuya... — Kagami sussurrou deixando seu corpo perder as forças e cair com Himuro no chão, abraçando-o com força enquanto choravam juntos. — Eu não sabia como contar... você... estava tão dedicado a se desenvolver e poder ser meu marido... eu... — Himuro soluçava alto apertando a roupa do maior. — Mas eu o amava... e então você deixou o basquete...

– E então você o destruiu, Kagami. — Murasakibara rosnou levantando-se, caminhou até ambos e puxou Himuro do chão, este arregalou os olhos. — Você o fez ficar da forma que ficou e ainda voltou para destrui-lo ainda mais! — Murasakibara parecia furioso, apertando a cintura de Himuro. — Não tente um perdão agora, você não merece e, Himuro, se perdoá-lo, eu jamais conseguiria te perdoar. — Murasakibara encarou o moreno, completamente irritado.

– E-eu... — Himuro soluçou e passou as mãos pelo rosto para então empurrar Murasakibara para longe. — Me deixa! — Murasakibara arregalou os olhos e Himuro suspirou, se aproximando novamente do maior e então começou a desabotoar seu terno, para em seguira folgar sua gravata e desabotoar os primeiros botões de sua camisa roxa. E, sem falar mais nada, foi até Aomine e o segurou pelo pulso, puxando-o para o banheiro que Kise havia reservado para que arrumasse o cabelo de todos.

– Himuro-san... — Aomine o chamou, mas o moreno apenas o fez sentar em frente ao espelho e foi até a pia, lavou o rosto, secou rápido para que não acabasse com seu penteado e então pegou um pente.

– Não se preocupe, Aomine-san, vou ficar bem, mas lamento, não poderei ficar para o seu casamento. Tenho que sair da minha casa, pois amanhã tenho um voo para New York. — Falava enquanto arrumava o cabelo de Aomine, que escutava tudo de olhos arregalados. — Muito obrigado por estar me pagando tão bem por tão pouco, assim posso viajar tranquilamente sem deixar dívidas. Obrigado.

– Himuro-san...

– Que tal assim? — Himuro sorriu pelo espelho, fazendo Aomine olhar também. Estava bonito, mas apenas acenou e Himuro passou a cera. — Bem, ainda bem que o seu cabelo é bem pequeno, né?

– Himuro-san, por favor, me escute. — Himuro olhou para o homem, esperando. — Murasakibara te ama, não jogue um amor de verdade no lixo só porque pensa não ser o suficiente, só quem ama pode definir quem é ou não o suficiente para si. — Aomine se levantou, sua expressão estava um pouco fechada, mas suavizou e então ele suspirou. — Eu não me acho o suficiente para Satsuki, ela é muito boa para mim, sabe, mas ela me acha mais do que o suficiente para ela, então eu fico feliz por isso. — O maior sorriu fraco. — Ela que define quem é o suficiente, entende?

– S-sim...

– É o mesmo para o Murasakibara, se ele te acha o suficiente, quer dizer que você é não é?

– Mas ele diz isso porque não entende, ele está apaixonado. — suspirou, passando a mão pelo cabelo, como aquilo podia ser considerada uma conversa entre adultos?

– Dizem que o amor é cego, não é? — Aomine riu e abriu a porta. — Eu aprendi uma coisa com a Satsuki: o amor é cego de muitas formas e, muitas delas, tornam ele a coisa mais especial do mundo. Mas você está complicando as coisas, Himuro-san, você está sendo cego consigo mesmo.

– E-eu...

– OE, KISE, VENHA ARRUMAR ESSA PORCARIA DE CABELO! — Rosnou Aomine para fora. Himuro apenas sorriu e esperou que um loiro preocupado entrasse como furacão dentro do banheiro.

– Himurocchi!!!! Eu gosto muito e você, não vai embora não! — O loiro o abraçou forte e Himuro riu.

– Não se preocupe, posso voltar para te visitar umas vezes. — Deu tapinhas nas costas do loiro, que sentou na cadeira cruzando os braços e fazendo um bico enorme.

– Mas eu mandei uns desenhos seus que o Kagamicchi me emprestou para um estilista europeu, da D&G, e ele disse que quer te conhecer e está vindo para o Japão! — reclamou o loiro, Himuro arregalou os olhos, deixando o pente cair, piscou os olhos várias vezes encarando Kise pelo espelho. — Eu ia te contar na festa hoje, para podermos comemorar, mas com tudo isso tive que falar agora. Ele vai vir daqui duas semanas.

– M-mas... Kise-san...

– Himurocchi... — Kise suspirou e passou as mãos pelo rosto. — Essa é a chance da sua vida. Por favor, mesmo que vá para os Estados Unidos, volte para vê-lo. Não estrague mais essa chance. — Kise rosnou e Himuro arregalou os olhos. — Me desculpe ser tão frio, eu jamais falaria algo assim, mas é preciso que você acorde, por favor, se não conseguir arrumar as coisas com Murasakibaracchi, pelo menos arrume as coisas consigo.

– Ah... meu Deus... — Himuro encostou-se na parede e ofegou alto.

– Himurocchi, eu o respeito muito. — Kise sorriu e bagunçou seu cabelo. — Entendo que esteja se sentindo sufocado há muito tempo, mas queremos te ajudar, você só precisa dizer "sim", como a Momoicchi vai falar hoje... — Himuro riu, mas Kise não parecia estar muito animado ao dizer aquilo.

– Ok... eu... eu vou estar aqui para vê-lo. Obrigado, Kise, não sei como te retribuir... — Suspirou.

– Podia arrumar meu cabelo. — Himuro riu e assentiu em seguida.

Himuro arrumou o cabelo de todos com o mesmo padrão, jogando o cabelo para trás, mas deixando bagunçado de uma forma estilosa, jogando poucos fios para a frente, dando a todos um ar muito sensual e desajeitado. Deu um tapinha no ombro de Midorima que sorriu em agradecimento e saiu do banheiro, para então Murasakibara entrar.

– A-ah... Murasakibara-kun. — Suspirou, indicando a cadeira, mas o maior apenas a olhou e desviou o olhar para Himuro. — Pode se sentar... vou arrumar seu cabelo. — o moreno sorria tentando ignorar o fato de que Murasakibara estava apenas parado encarando-o sem qualquer expressão. — O que houve? — mas tudo o que Murasakibara fez foi virar para a porta e trancá-la.

– Muro-chin, você é um idiota. — o moreno arregalou os olhos. — Achou mesmo que indo para os Estados Unidos poderia me esquecer? Que poderia sequer se livrar de mim? — O maior se aproximava do moreno com uma expressão irritada, fazendo com que Himuro arregalasse os olhos e se encolhesse contra a parede. — Mas vou te dizer uma coisa, seu idiota... — o maior colocou as mãos na parede, ao lado do corpo do menor. — Nem que você fosse para outro planeta, para outro espaço, para o céu ou para o inferno, eu deixaria de correr atrás de você. Você pode não se aceitar, mas, Muro-chin, não vou permitir que roube meu coração e vá embora dessa forma.

– Murasakibara-kun... — Himuro estava com os olhos arregalados e tremia como jamais havia tremido na vida.

– Idiota, nunca te pedi para retribuir meu amor, eu sei que disse que sumiria se quisesse que eu sumisse, mas eu não posso sumir, então mesmo que você nunca me ame, por favor, seja meu amigo. — Ficaram em silêncio e Himuro suspirou, sentia-se sem chão. — Muro-chin, não vá embora. — Himuro se assustou quando uma gota caiu sobre seu terno e, ao olhar para cima novamente, viu o rosto completamente molhado de Murasakibara, que ficou de joelhos e curvou-se aos pés do moreno. — Eu te imploro, Muro-chin, não me deixe... eu... eu não posso ficar sem você...

Himuro arregalou os olhos e tentou puxar Murasakibara pelos ombros, para que se levantasse, aquilo não era legal, não era bom vê-lo se rebaixar tanto. — Pare com isso!
– Por favor, Muro-chin, você passou na faculdade e eu ganhei um apartamento dos meus pais, Muro-chin, more comigo. — o maior ergueu os olhos. — Fique comigo, Muro-chin, eu posso cuidar de você. — Himuro ofegou e desferiu um tapa no rosto do maior.

– POR QUE VOCÊ AGE ASSIM? — Berrou fechando as mãos em punho. — POR QUE NÃO ME ODEIA? VOCÊ VIU O QUE EU FIZ COM VOCÊ? POR QUE AINDA FALA ASSIM? POR QUE ESTÁ SE HUMILHANDO ASSIM? PARE COM ISSO, ATSUSHI!

– Porque eu amo você, Muro-chin... — o maior sussurrou e Himuro parou de gritar, suspirou irritado.

– Senta na cadeira, vou arrumar seu cabelo. — resmungou, mas o maior não moveu um músculo. — Por favor...

– Foi o meu nome...

– O quê? — Himuro o encarou.

– Foi meu nome que você gritou naquela noite... — o moreno arregalou os olhos. — Eu fiquei triste por estar com ele, mas fiquei feliz por estar vendo a mim. Mas eu precisava pensar... — Murasakibara se levantou e abraçou o menor. — Minha mãe me disse para correr atrás de você... Muro-chin, você é meu primeiro amor... — Himuro estremeceu e fechou os olhos, tentando não chorar. O maior colocou o rosto em seu pescoço e o apertou ainda mais. — Sei que não sou seu primeiro amor, mas eu queria ser seu último amor... Muro-chin... você vai ser sempre meu amor. Eu sempre vou te amar, Tatsuya... Não importa o quanto você lute contra isso, quantas paredes você coloque a sua volta, eu vou quebrar todas para te amar... não importa o quanto isso me machuque.

– Pare de ser idiota... — Himuro sussurrou passando as mãos em volta do corpo do maior. Quente, pensou, confortável, me sinto tão bem com ele... — Atsushi... Atsushi... Atsu...

– Por que está repetindo meu nome?

– Porque é o único nome que tenho pensado nos últimos meses... — Himuro suspirou. — Depois falamos sobre isso, senta logo para eu te arrumar e ir ver a Momoi-san... — Empurrou o maior lentamente, este o encarava triste, mas ignorou aquele olhar. Arrumou seu cabelo em silêncio, mas acabou demorando muito, pois seu cabelo era grande e liso demais, mas conseguiu o resultado que queria. Sorriu fraco para o resultado, estava lindo. — Pronto...

– Muro-chin. — o maior levantou rápido e segurou seu rosto, sem lhe dar qualquer tempo para pensar, selou seus lábios. Himuro arregalou os olhos sentindo aqueles braços fortes apertarem sua cintura, mas não o afastou, deixou que aquele beijo acontecesse e se agarrou a ele como se fosse a única coisa que o prendesse à vida. Apertou a roupa do maior e suspirou durante o beijo, não queia mais chorar, mas aqueles lábios deixaram os seus e, fazendo seu coração aquecer, viu Murasakibara sorrindo. — Te vejo no casamento.

E então o maior saiu.

– AAAHH, MOMOI-SAN! — Himuro exclamou voltando a guardar suas coisas e correndo para fora do banheiro com a mochila, ao sair, paralizou, todos os homens estavam parados esperando-o, alguns com as mãos nos bolsos, sorriam, cada um ao seu modo. Aomine estava ao meio. — Ahn... — Himuro achou que havia algum brilho a volta deles, estavam lindos demais. Corou.

– E então, como estamos? — Perguntou Aomine sorrindo de canto.

– E-estão... muito... muito bonitos. — Himuro murmurou.

– Você falou "muito" duas vezes. — ressaltou Kuroko.

– É... — falou Himuro ainda encarando-os. — Agora parem de brilhar.

– Não estamos brilhando. — Falou Kise passando a mão pelo cabelo, sorrindo sedutor.

– Ok. — Himuro suspirou fechando os olhos. — Vão logo para a igreja, vou até a Momoi-san.

– Ahh, eu vou com você! — Kise exclamou sorrindo.

– Ok, então vamos logo. — Olhou para Aomine com os olhos quase fechados. Havia algo errado nele. — AOMINE-SAAAN! — Gritou. — Arrume essa gravata agora!

– Mas estava muito apertada!

– Vai deixar Momoi-san triste justo hoje? — Aomine arrumou a gravata no segundo seguinte e Himuro sorriu. — Isso, até mais...

– Muro-chin... — Himuro olhou para trás, Murasakibara sorriu e tirou um fio que estava fora do lugar de seu rosto. — Você está lindo.

– Ah... bem, tchau! — o moreno segurou o pulso do loiro e correu para fora.

Notas finais
E então? O que acharam? *---* Gente, escrevi uma TakaMido, se quiserem ler, aqui está: http://fanfiction.com.br/historia/481090/Thinking_of_You/capitulo/1/ E uma AoKise: http://fanfiction.com.br/historia/481155/The_Big_ISSUE/