Let Me Love You

5 Cap. 4 - Who I am


Notas iniciais
HAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI

Himuro abriu os olhos devagar, acostumando os olhos à claridade que entrava pela janela. Talvez Murasakibara tivesse deixado aberta para que não se atrasasse para o trabalho depois de ficarem até tarde acordados estudando. Sorriu fraco e então ficou sério novamente. Não devia estar ficando tão animado com pouca coisa.

Levantou-se e caminhou a passos duros até o banheiro, ainda com a expressão fechada por estar sorrindo daquela forma por algo tão bobo. Abriu a porta do banheiro e passou a retirar suas roupas, olhou-se no espelho e afastou o cabelo de cima do olho que sempre tampava, a marca da queimadura estava ali, como estivera há anos.

Himuro era adotado, sua mãe o entregara para uma mulher na rua, com o rosto queimado e completamente sujo, chorando e dizendo que não podia cuidar dele, que acabaria morrendo e não queria isso, queria que tivesse uma boa vida. O moreno passou a ponta dos dedos pela queimadura, o que sua verdadeira mãe pensaria de sua vida se o visse agora? Pensaria que era uma boa vida?

– Claro que não... — sussurrou afastando-se do espelho para a ducha. Lavou seu corpo de forma lenta, sentindo seu corpo arrepiar com o toque da água morna em sua pele, fechou os olhos e molhou a cabeça, começando a lavar os fios negros e lisos.

Após o banho secou o cabelo e arrumou-o como sempre, deixando a queimadura bem tampada, depois voltou ao quarto para se trocar, ainda faltavam duas horas para sua hora de entrar no trabalho, então decidiu se arrumar e caminhar um pouco antes de ir para o trabalho. Perguntava-se o que Murasakibara estaria fazendo de manhã, talvez ainda estivesse no colégio, ou quem sabe não passava suas manhãs estudando para o vestibular?

Suspirou, não devia ficar se fazendo esse tipo de pergunta.

~x~

– Atsushi! Acorde, vai chegar atrasado ao treino! — exclamava a mãe do garoto, seus cabelos lilás presos num coque alto enquanto machia uma colher de pau com a qual cozinhava de forma um tanto agressiva. — Se não levantar dessa cama em cinco minutos pode dar adeus mesada.

O garoto levantou-se no mesmo instante, não podia ficar sem aquela mesada, precisava dela para pagar o quarto de Himuro. Olhou-se no espelho e suspirou, perguntando-se, como em todas as manhãs, por que não se deixava acordar ao lado do moreno, sempre o observava dormir e então ia embora.

Fechou os olhos e lembrou-se da face do moreno antes de ir-se, estava tão lindo ressonando baixo daquela forma, não podia ver a parte tampada pelo cabelo por estar contra a cama, ele sempre dormia daquela forma, será que alguém já havia visto seu outro olho? Esperava um dia poder vê-lo.

Arrumou-se o mais rápido que pôde, apenas beliscou o café da manhã e saiu de casa caminhando lentamente para a loja onde costumava comprar seus doces e salgados. Comprou uma sacola cheia e voltou a caminhar pelas ruas, agora para seu colégio, não estava nada animado para treinar, não teria aula naquele dia, então o treinador queria fazer um treino especial pela manhã.

Ao chegar ao colégio correu para o ginásio, encontrando quase todo o time lá, Midorima já estava treinando seus arremessos. Caminhou até o garoto ainda comendo uma caixinha de pocky.

– Bom-dia, Mido-chin.

– Bom-dia. — respondeu o menor sem nem ao menos encará-lo.

– Como vão os arremessos?

– O que você quer, Murasakibara? — Midorima parou de arremessar e olhou para o maior, ajeitando os óculos com a ponta dos dedos.

– Preciso da sua ajuda. — falou suspirando, Midorima era sempre tão direto! — Eu tenho um amigo que precisa de ajuda nos estudos para passar na faculdade e, bem, eu não sou lá muito bom em explicar...

– Não.

– Mas, Mido-chiiin. Por favor! Você pode até estudar ajudando-o, por favor.

– Não sou professor. — resmungou o de cabelos verdes pegando mais uma bola.

– Mas é inteligente e explica bem, só dessa vez, não te peço mais nada. — o menor arqueou uma sobrancelha e o encarou. — Eu juro.

– Ok, depois marcamos um horário... — suspirou.

– Obrigado! — sorriu Murasakibara olhando para o treinador que os chamava.
O treino correu de forma mais intensiva, deixando Murasakibara mais cansado que o normal, mas fora um bom treino. Conversou com Murasakibara sobre o horário e ele informou a hora que poderia aparecer na casa do maior, que havia decidido tirar Himuro da casa naquela noite para estudarem em sua casa, era melhor não expor o mais velho daquela forma.

Naquela mesma tarde Murasakibara encontrou Himuro e, juntos, foram para a casa do maior, passaram praticamente toda a noite estudando com o garoto de cabelos verdes. Himuro se mostrava um aluno muito atento e dedicado em aprender, Midorima gostou daquilo e notou a forma como Murasakibara o olhava, devia ser alguém realmente importante ao ponto do garoto estar ajudando aquele homem tanto assim.

– Ah, não, essa parte foi dividida porque houve uma guerra três anos antes. — falou o de cabelos verdes respondendo à uma pergunta de Himuro e então passou a explicar o acontecido, mas logo a mãe de Murasakibara entrou.

– Não estão com fome? Preparei um lanche para vocês. — ela sorriu e entrou no quarto, deixando uma bandeja com comida para os três em meio aos livros.

– Obrigado, mãe. — Sorriu o maior. Os outros dois agradeceram e a mulher saiu. Midorima voltou a explicar enquanto comiam, já era a terceira matéria que explicava onde Himuro possuía dificuldades. Em História o que realmente o atrapalhava era a ordem dos acontecimentos, por serem tão parecidas as guerras e as datas, acabava se perdendo.

Mas acabou ficando tarde demais e Midorima decidiu ir embora, mas prometendo voltar na noite seguinte, coisa que Murasakibara realmente não esperava, mas ficou satisfeito em saber que seu amigo gostara de ensinar Himuro. Levou Midorima até a porta e lhe agradeceu pela ajuda.

– Ele é um homem interessante. — falou o de cabelos verdes ajeitando os óculos. — E tente disfarçar quando olhar para ele, Murasakibara. — sorriu ao ver a expressão surpresa do maior. — É, como eu imaginava.

– Não conte a ninguém. — resmungou o maior, tirando um doce do bolso.

– Ok. — Midorima suspirou e olhou para o céu. — Até amanhã.

Até.

Murasakibara voltou para dentro de sua casa e correu escada acima, quando chegou ao seu quarto, Himuro estava terminando de arrumar suas coisas. Ajudou-o a guardar os livros e lhe sorriu.

– Por que não passa a noite aqui? — sugeriu, sentando em sua própria cama, vendo Himuro rir sem graça.

– Não quero atrapalhar. — o moreno ajeitou o cabelo olhando para fora, parecia que ia chover e o caminho de volta para sua casa ou até a casa de prostituíção era longo demais. Ficou um pouco preocupado.

– Você não atrapalha, Muro-chin. — Murasakibara se levantou e tirou a mochila das costas do menor. — Vai dormir aqui hoje. Vá tomar um banho, tem toalhas no meu banheiro. — Afagou levemente o cabelo do maior e caminhou para a porta do quarto. — Eu te empresto um pijama meu.

– Ahn, mas seus pais...

– Falo com minha mãe, não se preocupe. — sorriu antes de sair do quarto. Himuro suspirou e olhou para a porta do banheiro, não tinha escolha mesmo. Entrou no banheiro e começou a tirar suas roupas, estava realmente cansado e sua cabeça latejava com o montante de informações que Midorima jogara em sua cabeça.

Gostara bastante do amigo de Murasakibara, apesar de sério demais, ele sabia explicar exatamente as dúvidas que tinha, e ele sempre explicava a origem das coisas para chegar até sua parte mais complexa, então entendeu bem o que ele dizia. Ficou satisfeito por ele prometer vir na noite seguinte também.

Ligou a ducha e entrou debaixo da mesma, se arrepiando com a temperatura agradável. Pegou uma pulseira elástica que tinha nos braços e prendeu o cabelo de forma precária, não queria molhar o cabelo, ou não conseguiria esconder a marca em seu olho. Deixou que a água quente melhorasse as dores em seus músculos após ficar sentado completamente desajeitado no chão do quarto de Murasakibara.

Lavou todo seu corpo e suspirou, há quanto tempo não tinha um banho digno como aquele? O banheiro de sua casa até era bom, mas o chuveiro andava com alguns problemas e não podia pagar um eletricista para arrumá-lo e tomar banho na casa não era muito confortável, mas sempre tomava banho lá por causa de Murasakibara. Suspirou... Murasakibara.

Ele dissera que gostava de si, mas... aquilo era o suficiente para fazer alguém fazer tudo aquilo por outra pessoa? Gostar? Qual era o limite para se gostar de outra pessoa? Himuro perguntou-se se o tanto que Murasakibara gostava de si chegava perto do tanto que amava Kagami. Será que Kagami faria algo como o que aquele desconhecido estava fazendo por si?

Jamais, era uma resposta que nem precisaria pensar. Kagami apesar de ter sido bom até certo ponto, jamais se dedicara tanto ao relacionamento dos dois como Murasakibara, que não tinha nada consigo, estava se dedicando. Com certeza Murasakibara era o homem que Kagami jamais seria, perto dele, o ruivo era apenas um garoto bonito que está atrás de mais e mais meninos.

Mas Himuro não era um menino. Era um homem e queria ser tratado como tal.
Fechou os olhos e lavou o rosto, era melhor parar de pensar naquele ruivo inútil. Ele não o traria nada de bom, só o magoara e era isso o que sempre faria, então por que não tentava dedicar-se a retribuir tudo o que Murasakibara estava fazendo? Era a melhor coisa a se fazer agora. Saiu do box e pegou uma das toalhas, começando a se secar.

– Muro-chin, seu pijama. — Himuro soltou o cabelo e abriu um pouco a porta do banheiro para pegar as roupas, sorriu fraco quando notou que Murasakibara olhava para outro lado, desviando os olhos da porta do banheiro. Era incrível como ele o respeitava, mesmo vendo-o dançar daquela forma promíscua naquelas roupas sensuais, era o que mais gostava em Murasakibara, ele o tratava como alguém normal, o fazia se sentir como se sua profissão não existisse realmente.

– Obrigado. — murmurou fechando a porta. Pegou a camisa e riu, era um vestido em si, colocou-a e decidiu que não precisaria das calças, então apenas colocou sua boxer preta e saiu do banheiro, Murasakibara encarou suas pernas nuas e corou. — Achei que não precisava das calças, até porque não vão servir. — riu baixo, sendo acompanhado pelo maior. — Qual a sua altura?

– Dois metros e oito centímetros... — falou o maior rindo-se da expressão de Himuro, aproximou-se do menor e pegou a toalha e as calças de suas mãos. — E você?

– Um metro e oitenta e três centímetros... me sinto insignificante. — Murasakibara riu colocando as roupas no lugar certo e caminhou até o moreno, pegando-o no colo, de forma que ficou mais alto que Murasakibara.

– Não se sinta insignificante, viu? Está mais alto.

– Fiquei ainda mais insignificante. — riu o moreno segurando nos ombros do maior. — Estou sendo segurado por você. — Murasakibara fez uma expressão pensativa e deixou Himuro sobre sua cama. — Ah, agora sim.

– Agora você é um gigante. — Himuro riu e bagunçou o cabelo de Murasakibara, que continuou com aquele sorrisinho sem dentes, seus olhos brilhando de uma forma estranha enquanto encarava o moreno, seu olhar era de alguém muito apaixonado e isso envergonhou o menor, que sentou na cama de pernas cruzadas e abaixou a cabeça, corando forte.

– Não me olhe assim... — sussurrou e então sentiu braços fortes o rodearem e aquele acabou sendo o melhor abraço que já recebera na vida. Murasakibara ficou de joelhos enquanto o apertava com carinho, não conseguiu deixar de apoiar a cabeça no peitoral musculoso e fechar os olhos, aproveitando o carinho que ele fazia em seus fios negros.

– Muro-chin, você não faz ideia do quanto é especial. — sussurrou o maior e Himuro sentiu seu coração acelerar e as borboletas se agitarem em sua barriga, sorriu fraco, era uma sensação realmente adolescente a que havia tido. Há quanto tempo não sentia essas coisas? E o que Murasakibara queria dizer com aquilo? Era realmente bom escutar aquilo, mas não podia se apaixonar, não de novo. Não queria se machucar mais uma vez. — Eu gosto de você.

– Murasakibara... pare... — pediu baixo, apertando a camisa que o maior usava.
– Me desculpe... eu não pude controlar... — o maior sorriu fraco e beijou sua bochecha. — Descanse, Muro-chin. — Murmurou deitando o menor em sua cama.

Himuro acordou várias vezes durante a noite, não por estar desconfortável ou qualquer coisa do tipo, simplesmente abria os olhos no meio da noite diretamente para onde Murasakibara dormia no chão, queria vê-lo. Ficava minutos encarando-o e, depois de um suspiro, voltava a dormir, mas ainda ficava pensando no quão lindo ele era dormindo daquela forma desajeitada.

Sorriu fraco observando-o, ele não parecia ficar muito bem no futon, estava com as pernas e os braços largados até o chão e apenas parte de seu tronco estava sobre o futon, sua respiração era lenta e seu peito subia e descia devagar, os lábios entreabertos. Himuro levantou-se e se ajoelhou ao lado do maior e começou a ajeitá-lo sobre o futon.

Murasakibara era pesado, mas já era de se esperar, entretanto Himuro não desistiu de arrumá-lo sobre o futon e cobri-lo, quando terminou passou a mão pela testa, tinha sido um pouco difícil, mas conseguiu. Tirou o cabelo de seus olhos e acariciou devagar, tentando não acordá-lo.

Havia algo naquele garoto muito mais profundo do que podia ver e, talvez, fosse isso que o tornasse tão especial e diferente. Ele não fazia o tipo bonzinho com todo mundo, muito pelo contrário, ele parecia daqueles que não se importavam muito com tudo ao seu redor e, quando estavam com Midorima, fora justamente aquilo que notou, ele era indiferente aos outros. Menos com Himuro. Tratava-o com tanto carinho, como se fosse uma peça preciosa.

Himuro até gostava de se sentir especial da forma que Murasakibara o fazia, mas... mas não sabia se era certo continuar com aquilo, sentia que estava se aproveitando dos sentimentos do garoto para conseguir o que queria e isso era errado, era sujo. Acabaria trazendo problemas para ele e não queria fazê-lo sofrer. Mas não queria deixar tudo o que estavam fazendo para trás, e não queria mais ficar longe daquele garoto, por mais que jamais fosse corresponder seus sentimentos, ele fora o único a tratá-lo como uma pessoa como todas as outras mesmo sabendo sua profissão.

– Muro-chin... — Himuro o encarou assustado, Murasakibara segurava seu pulso. — Por que fez isso?

– Ahn... é que... e-eu te vi desajeitado... e achei que ia te causar dor nas costas... então... — a frase sumiu em uma risada nervosa e então o moreno coçou a parte de trás da cabeça sem saber mais o que dizer, mas sua risada sumiu quando abaixou os olhos e viu Murasakibara sorrindo e o encarando daquela forma apaixonada.

– Obrigado, Muro-chin... — o maior sentou e beijou seu rosto, Himuro sentiu o rosto corar e então se levantou, voltando para a cama. — Não consegue dormir?

– Não é isso...

– É o quê? — Murasakibara agora o encarava preocupado, mas o menor apenas balançou as mãos rindo fraco.

– Deixa para lá, não é nada importante. — mas o maior apenas se levantou e andou até a cama.

– Posso dormir com você? — Himuro sentiu o coração acelerar, era uma cama de solteiro, como iam caber juntos nela? Mas não questionou, apenas acenou e então o maior tirou o cobertor de cima de seu corpo, depois o pegou no colo, deitando-se e deixando Himuro sobre seu corpo, este arregalou os olhos por uns segundos e depois disfarçou, apoiando a cabeça no peitoral musculoso do maior, sentindo-o abraçar sua cintura, suas pernas estavam entrelaçadas. — Muro-chin... seu coração está batendo tão rápido.

– Érr... é... — riu sem graça tentando disfarçar seu nervosismo sem qualquer sucesso. — É que eu... não sei se é uma boa ideia.

– Entendo, mas não fique nervoso, não vou fazer nada. — o maior sorriu, começando a acariciar o cabelo sedoso do menor. — Nada que não queira, pelo menos.

– O que quer dizer com isso? — o menor arregalou os olhos e Murasakibara riu com gosto.

– Estou falando de carinho. — murmurou Murasakibara beijando o topo da cabeça do menor enquanto continuava a carícia em seus cabelos, indo para um cafuné realmente gostoso.

– Ah, carinho é bom... — riram baixo. Himuro voltou a fechar os olhos e respirou fundo, começando a se acalmar escutando as batidas do coração de Murasakibara, eram tão calmas quanto ele, sorriu fraco, era tão gostoso ficar assim com ele, porque seu corpo era grande e quente e seu coração era calmo, como o de um anjo. — Murasakibara-kun...

– Hum? — Murasakibara acariciava sua cintura também, sem perceber, com a ponta dos dedos e Himuro notou que por onde seus dedos passavam em sua pele, ficava a sensação de seu toque delicado, era tão gostoso, num formigar gostoso.

– Obrigado...

– Não precisa agradecer. — Himuro sorriu ao notar que o coração do maior havia acelerado um pouco as batidas, então começou a acariciar seu braço com a ponta dos dedos, achando injusto ser o único a receber carinho.

– Mas eu quero. — murmurou subindo um pouco o corpo, de forma que seu rosto ficou escondido no rosto do maior, ele tinha um cheiro muito gostoso. Sorriu fraco sentindo o quanto o coração do maior agora estava acelerado, ele ficava tão nervoso com tão pouco, achou isso bonito, era coisa de quem realmente amava. Lembrava dessas sensações quando estava apaixonado, era tão bom sentir isso.

– Está tudo bem, Muro-chin? — perguntou o maior enquanto acariciava o cabelo e a cintura do homem em seus braços, que agora acariciava seu cabelo também, com seus dedos finos e pequenos, sorriu fraco, era uma carícia tão delicada e fofa que parecia ser feita por uma criança.

– Sim, tudo bem... — sussurrou o menor contra seu pescoço, fazendo-o arrepiar-se. — O que você gosta de fazer no seu tempo livre?

– Hum, não sei, jogar basquete, acho. — o maior sorriu, sendo acompanhado pelo menor, que agora estava com a cabeça apoiada em seu ombro e o encarava. — E você?

– Gosto de desenhar, mas antes eu jogava basquete o tempo todo... — riu. — Sinto falta.

– Vamos jogar qualquer dia desses, então. — Himuro assentiu, enrolando mechas do cabelo do maior.

– Qual seu chocolate favorito? — Himuro queria saber mais sobre o maior, queria saber tudo que pudesse. Murasakibara era uma pessoa muito boa, queria muito fazer algo bom para ele.

– Acho que chocolate ao leite... — o maior o encarou e sorriu. — Por que quer saber essas coisas?

– Não sei... — suspirou e voltou a enterrar o rosto no pescoço de Murasakibada. — Só quero saber...

– Muro-chin, você é uma gracinha. — riu o maior quando o moreno se encolheu em seus braços. — E pequeno.

– Você que é gigante. — resmungou o menor num bocejo.

– O hobbit está morrendo de sono...

– Hey, quem você chamou de hobbit? — Himuro apoiou as mãos no peitoral do maior, ficando sentado em seu quadril, fazendo uma careta irritada com um bico, que causou risadas no maior, mas as risadas foram sumindo aos poucos, assim como a expressão do menor e ficaram em silêncio, encarando um ao outro, perdido em muitos pensamentos.

Himuro se encontrava num dilema interno sobre Murasakibara e Kagami, sobre como eram diferentes e como seria bom se o homem de seus pensamentos fosse esse garoto de cabelos lilás, como seria bom se o amasse também. Admirava o quanto ele se dedicava assim, perguntando-se se também faria isso caso amasse alguém. E Murasakibara só conseguia pensar no quanto amava aquele homem a sua frente.

Por instinto o maior se sentou, segurando a cintura do moreno com uma das mãos, seus olhos não se desconectavam por nada. Murasakibara acariciou o rosto corado de Himuro e sorriu fraco, queria tanto beijá-lo e aquela expressão que ele fazia não ajudaria em absolutamente nada se não quisesse ser beijado. Encostou sua testa à do moreno e fechou os olhos num suspiro pesado, abraçando sua cintura com força, sua respiração estava acelerada.

– Muro-chin...

– Oi? — Himuro falou trêmulo, Murasakibara o segurava com tanta força e cuidado ao mesmo tempo, parecia estar num conflito intenso consigo mesmo, o moreno sentia que seu coração ia escapar de seu corpo a qualquer momento, não sabia o que fazer nem o que queria fazer.

– Você está tão perto. — murmurou o maior sorrindo de forma dolorosa. — Seu coração está batendo tão rápido. Você está tão lindo. Muro-chin... — o maior abriu os olhos, ainda sorrindo daquela forma, mas quando Himuro olhou para seus olhos, notou que estavam cheios de lágrimas. — Eu sei que ama o Kagami...

– Não. — falou decidido, abaixando os olhos. — Eu não amo o Taiga, eu o amei. — suspirou, passando as mãos pelo rosto, mas deixando-as cair novamente sobre o peitoral do maior, para em seguida limpar as poucas lágrimas em seu rosto. — Não se torture, Murasakibara...

– Tatsuya... — Himuro arregalou os olhos, seu coração agora disparado ao limite que achava que suportaria, chegava a doer. — Eu amo você.

Himuro ficou paralisado sem palavras, sentindo aquelas mãos fortes o apertarem, aquele garoto tremendo e chorando baixo a sua frente, suas mãos trêmulas sobre seu peito e as palavras saindo desconexas daqueles lábios finos e macios. Não sabia o que fazer e nem entendia como a situação havia chegado até aquilo, mas tinha que fazer algo.

– Murasakibara, pare de chorar, por favor... — pediu segurando o rosto do maior, mas ele apenas virou o rosto para o lado, tentando se controlar, mas sem conseguir.

– Me desculpa, isso... eu não... — Himuro sabia que ele não pararia tão cedo, então segurou o rosto do maior e encostou seus lábios aos dele, sentindo-o ficar surpreso, mas logo sentiu aquela mão grande apertar sua nuca, impedindo-o de parar o beijo, então Murasakibara aprofundou o que era apenas um toque.

– Muras... — Himuro até tentou falar algo, mas aqueles lábios impediam tudo, menos o beijo, então deixou-se envolver, abrindo passagem para que Murasakibara o beijasse de forma apaixonada, logo o virou na cama, ficando por cima de seu corpo, sem parar o beijo. Himuro não sabia mais o que fazer e a forma como ele o beijava e apertava sua cintura estava começando a fazê-lo perder as forças para tentar recusar aquilo.

O corpo. Os lábios. O cheiro. Os beijos. Murasakibara era viciante de alguma forma, talvez todo o conjunto em si fizesse com que Himuro desejasse que fossem até o fim com aquilo, tanto que nem ao menos notava que agora apertava as costas largas do maior, beijando-o com a mesma necessidade com a qual era beijado. Mas quando o maior colocou a mão por dentro de sua camisa, sentiu um tremor horrível em seu corpo, arregalou os olhos e empurrou o maior com força.

Murasakibara o encarou ofegante e assustado, mas Himuro sentou-se rápido, com a mão sobre os lábios para abafar os ruídos de seu choro, sentia-se um lixo. Era como se só fizesse aquilo com o maior quando lhe era conveniente, como se estivesse usando-o de alguma forma para se sentir bem, como se beijá-lo ou fazer sexo fosse um pagamento pelas coisas boas que ele estava lhe fazendo. Aquilo era exatamente o que um prostituto faria. O que uma pessoa como ele fazia.

– Muro-chin...

– Murasakibara... — sua voz saiu chorosa, mas ainda assim não desistiu de falar. — Não faço isso com clientes fora do meu turno, apesar de ser um prostituto, eu tenho horário e lugar para isso. — não olhava nos olhos do maior, mas era assim que tinha de ser, era isso que era. — E não quero mais te beijar, eu fiz isso para você parar de chorar. Pare de dizer que me ama.

– Himuro! — exclamou o maior o segurando pelos ombros com força, o moreno o encarou assutado, parecia furioso. — Quem você pensa que eu sou? Eu não quero fazer isso por você ser um prostituto ou a merda que for, quero fazer isso com o você como a pessoa que você é, não a pessoa que pensa ser. Porque eu te amo, droga! Pare de agir dessa forma.

– Pare você! — exclamou o menor alarmado, as lágrimas escorrendo por sua face. — Eu sou o que eu sou, Murasakibara! Você não me conhece tão bem assim, pare com isso! Devia me tratar como o que eu sou. O que espera fazendo todas essas coisas por mim? Que eu caia de amores por você? Eu não sou interesseiro, sabe, eu sou prostituto e pobre, sim, eu sou, mas isso não me faz uma pessoa que usa os outros para conseguir o que quer. Eu fico muito agradecido pelo que faz por mim, mas não use meu corpo ou meus sentimentos como um pagamento, apesar de prostituto, sou gente também. Se quer fazer sexo comigo, faça na casa da Madame Edwin, porque é lá onde eu trabalho! E eu vou pagar tudo o que está fazendo por isso tudo, então não faça eu me sentir tão sujo.

– Ok, se é assim que quer ser tratado, é assim que vou te tratar. — Himuro estremeceu ao olhar para o mais novo, estava realmente assustador. E então ele se levantou da cama e tirou as calças, colocando uma jeans no lugar, depois pegou Himuro pelo pulso e caminhou para fora do quarto, puxando-o junto.

– Está me machucando, droga. — reclamou o menor tentando soltar-se, mas o maior apenas lhe lançou um olhar frio, então se calou, aquele era um lado do maior que jamais havia visto e realmente o assustava. Viu-o pegar as chaves de um carro e então saíram da casa para a garagem, o maior o jogou dentro do carro e entrou em seguida, saindo com o carro o mais rápido que pôde.

Os pais de Murasakibara estavam acostumados com essas coisas que o filho fazia, sair no meio da madrugada ou passar as noites fora, mas ele sempre fora um filho muito exemplar e confiavam que não fazia nada errado, suas notas eram ótimas e seu desempenho no basquete era perfeito. Não tinham o quê reclamar de Murasakibara.

– Murasakibara, que merda está fazendo?! — rosnou Himuro agora que podia gritar.

– CALE A SUA BOCA! — Berrou o maior, fazendo-o encolher-se assustado no canto do carro, queria chorar. — Você não é o prostituto mais caro daquela merda de casa? Então se coloque no seu lugar e faça as minhas vontades porque é para isso que você foi adestrado, cale a merda da sua boca. — Murasakibara não estava apenas furioso, estava magoado, se era aquele tipo de pessoa que ele pensava que era, que era assim que pensava que ele queria que Himuro se sentisse, o mostraria a outra face de Murasakibara que jamais mostrara a ele, o Murasakibara que existia para os outros.

Sempre o tratara tão bem, sempre mostrando o quanto ele lhe era especial. Agora ele dizia aquelas coisas? Jamais se aproveitara de seus sentimentos, jamais pensara em usar suas condições ou qualquer coisa para fazê-lo se apaixonar, principalmente usar seu corpo como pagamento. Nunca quis um pagamento, estava fazendo aquilo por amá-lo, por que ele não entendia isso?

Ao chegarem à casa de Madame Edwin, saiu rápido do carro e puxou Himuro de dentro deste, trancando o carro em seguida, para depois entrar na casa, onde a música alta tocava, com aquele costumeiro ar luxurioso, muitos olharam para os dois quando entraram apressados, Himuro sendo puxado pelo pulso com certa fúria e chorando, Murasakibara parecia estar irritado como jamais haviam visto.

O maior nem ao menos se importava em quantos estava esbarrando pelo caminho, estava furioso demais, queria chegar logo ao seu destino e mostrar as coisas como realmente seriam para Himuro se não o amasse. Madame Edwin os viu e arregalou os olhos, correndo assutada até ambos.

– Murasakibara-kun, o que houve? — perguntou preocupada vendo o quanto o pulso de Himuro parecia roxo e vendo seu estado, com apenas uma camisa larga de pijama e boxer preta, descalço e com o cabelo bagunçado, não conseguia entender o que estava acontecendo.

– Ele não veio trabalhar hoje por minha causa, depois pagarei por isso, agora só quero a chave do quarto dele. — falou entredentes, a Madame o encarou assustava, Murasakibara sempre fora um garoto amável com ela. — Madame, por favor, só faça o que eu estou pedindo.

– Murasakibara, me solte! Está machucando. — chorava Himuro tentando empurrar a mão do maior de seu pulso, até cair no chão. — Pare, por favor... — mas a única coisa que Murasakibara fez foi arrancar as chaves da mão de Madame Edwin e puxar Himuro pelo cabelo, que soltou um grito de dor, todos da casa olhavam a cena, até mesmo os dançarinos haviam parado de dançar.

Logo um segurança chegou perto para acalmar Murasakibara, mas a única coisa que este fez foi socá-lo e gritar. — Não cheguem perto daquela merda de quarto! — Pegou Himuro pela cintura, colocando-o sobre seu ombro, este chorava e o xingava de todos os nomes possíveis. — Vou te mostrar uma coisa, Muro-chin. — Mais ninguém atreveu-se a chegar perto, Madame Edwin ficou paralisada, completamente assutada com o acontecimento.

– Meu Deus, Saitou! — chamou um dos seguranças — fique na porta, pegue uma arma, mas não atire em Murasakibara, por favor. Não abra a porta a menos que ache que ele está batendo em Himuro.

– E se ele estiver estuprando-o? — a mulher ficou em silêncio e então suspirou.

– Ele não vai estupra-lo. — a mulher passou as mãos pelo rosto. — Himuro é um prostituto, ele é pago para fazer sexo.

Notas finais
É... agora as coisas ficam... tensas. Espero que tenham gostado e, caso alguém se interesse, fiz uma fic nova de KuroBasu XD http://fanfiction.com.br/historia/463641/Memories/