Let Me Love You
3 Cap. 2 - Help
Notas iniciais
– Ta-Taiga! — exclamou o moreno, segurando em seu pulso para que o ruivo não fosse embora. — O que está acontecendo? O que é isso do nada? Como assim está terminando comigo?
– Olha, Tatsuya, eu... eu gosto de outra pessoa, sabe. Não consigo mais ficar com você. — o ruivo suspirou, passando a mão pelo cabelo.
– TAIGA! Eu deixei tudo de lado por você... eu achei... por que...? Por que me deixou assim, sem mais nada na vida? Se ia fazer isso, por que me deixou ir tão longe por você?! — o moreno empurrou o ruivo, as lágrimas já começando a cair por sua face.
– Você fez tudo sem eu saber! Nem me deixava falar com você dreito, Tatsuya! A culpa é sua, não minha! — exclamou o ruivo, saindo de perto do moreno, que lhe desferiu um tapa na face.
– A culpa é minha?! — chorava o menor. — Eu te amei como ninguém seria capaz e a culpa é minha?! Eu fiz tudo pra te ver bem e você mentiu para mim, dizia me amar enquanto pensava em outro! Como pode dizer que a culpa é minha, Taiga?!
– E-eu... Tatsuy...
– CALA A SUA BOCA! — Berrou o moreno, se levantando do sofá e abrindo a porta de sua casa com uma força desnecessária. — SAI DA MINHA CASA, ANDA LOGO! VAI EMBORA!
– Mas, me deixa...
– Kagami Taiga, vai embora. Agora. — falou entre dentes.
Kagami apenas suspirou e saiu, tendo como resposta apenas a porta batendo forte atrás de si.
Quantas vezes por dia aquela lembrança não lhe passava pela mente? Quantas vezes já não chorara por aquilo e o que aquele dia significou em sua vida? Várias e várias vezes.
Mas agora lá estava aquele estranho chamado Murasakibara Atsuhi tomando banho em um dos quartos da casa de prostituição a qual trabalhava lhe oferecendo uma vida nova, falando como se soubesse tudo de sua vida, como se soubesse como se sentia. Sua cabeça fervia com as novas informações, como ele podia abrir a boca dessa forma depois de dois meses? Jogar tudo assim sem que ele estivesse sequer preparado?
Olhou para trás, o maior saía com uma calça moletom preta e larga, sem camisa e secando o cabelo com um doce na boca. Era realmente lindo. Mas não se deixou pensar nisso, apenas ficou encarando-o sem saber por onde começar a tirar suas dúvidas.
– Decidi falar hoje por uma promessa. — Disse o maior, pegando a sacola com suas compras e indo para a cama. — Se eu passasse na faculdade, contaria tudo para você e te faria a proposta. Eu nunca tive coragem mesmo, então a promessa foi um jeito, na verdade, ainda não passei, mas é provável que um jogo tenha me dado uma bolsa. — Murasakibara sentou de pernas cruzadas na cama, em frente a Himuro, a toalha caída por seus ombros enquanto abria o pacote de um doce. — Pode começar a perguntar.
– Ahn... — Himuro ajeitou-se na cama, se cobrindo e deitando melhor. Precisava se acalmar. — Primeiro, quero que me explique como descobriu tanto sobre mim.
– Bem, depois que te vi fiquei meio fascinado... então descobri primeiro seu nome e comecei a pesquisar sobre a sua vida. Foi quando achei aquele Kagami, descobri que haviam se conhecido nos EUA pela boca de um amigo modelo... esse meu amigo, de alguma forma, sabia tudo sobre o relacionamento de vocês, mas não sabia onde você tinha ido parar. Depois descobri que esse Kagami tinha estudado na Seirin e agora joga basquete profissionalmente, então fui atrás de um outro colega meu, Kuroko Tetsuya, que namorou o Kagami por um tempo, não sei se estão juntos ainda... e pedi para ele me explicar se sabia algo mais sobre você, foi então que ele me disse sobre o falecimento da sua mãe. — Murasakibara suspirou. — E então eu estava com meu amigo modelo, Kise Ryouta, nós estávamos conversando a toa e aquele Kagami apareceu com Kuroko... nós jogamos uma partida breve e acabei comprando briga com aquele idiota do Kagami. — Murasakibara sorriu fraco. — Eu não vou deixar ele te magoar mais, Muro-chin...
– E por que ele me magoaria?
– Ele quer te conquistar de novo para me irritar. — Murasakibara socou a cama irritado. — Ele não pode brincar com você dessa forma! Não vou deixar! — o maior olhou para o moreno e sorriu fraco. — Olha, sei que nem me conhece, que sou só um louco estranho para você, mas... por favor, acredite em mim, não quero te magoar e só quero te ajudar. Pode ser mesmo cedo para falar que te amo, porque não te conheço como você acha que as pessoas devem se conhecer para amar... então me deixa te conhecer, assim você também pode me conhecer. Não estou falando isso esperando que goste de mim, mas que confie para me deixar te ajudar.
– Mas... Murasakibara, eu... eu não sei. O que pensaria se alguém aparecesse te dizendo essas coisas? — sentia-se de mãos atadas naquele momento, não sabia realmente o que responder, estava perdido.
– Me sentiria perseguido. — o maior riu levemente. — Não vou te pedir uma resposta agora. Só quero te explicar como te conheço e tudo o mais. E eu tenho conversado muito com Madame Edwin, ela sabe tudo, não é? Então sobre aquela proposta, ela disse que nos ajudaria, ela é boa pessoa...
– Mas... como assim? — Himuro passou as mãos pelo rosto. — Meu Deus, o que está acontecendo?
– Me desculpe... — o maior abaixou a cabeça. — sei que é muita coisa de uma vez só, mas não tem jeito, não é? Só quero que saiba que ainda tem mais uma chance de fazer as coisas darem certo, não precisa se entregar como se entregou para o BaKagami, mas só se deixar ajudar. Só estudar e conseguir um trabalho onde não precise vender seu corpo para conseguir pagar as contas da casa e para você poder viver, Muro-chin...
– Eu... — Himuro sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto e ficou assustado. Virou o rosto e se levantou, indo rápido para o banheiro, mas uma mão o impediu, ainda assim, não virou o rosto para o maior. — Me deixe, por favor... eu não posso mais ser ajudado.
– Só se pensar assim. — retrucou o maior abraçando-o por trás. — Eu posso e estou disposto a te ajudar, Muro-chin, só preciso que diga "sim" e amanhã mesmo trago livros, faço sua inscrição e podemos começar sua nova vida... até sumo depois, se quiser, não precisa se prender a mim... mas quero te ajudar, pelo menos alguém na vida temos de ajudar, não é? Me deixa ajudar você...
– Murasa... — mas o maior o apertava com tanto carinho, murmurando "por favor, por favor" com tanto tremor na voz. Como aquele garoto podia ser tão bom? Único daquela forma? Sentiu que sua mente nem seu corpo aguentariam mais e deixou o choro evoluir, a água salgada caindo em cascata por seus olhos, seu corpo tremendo violentamente e os soluços escapando fortes. Não aguentava mais toda aquela mentira que vivia. Queria viver, queria se agarrar àquela chance e nunca mais soltá-la.
Virou-se para o maior e chorou em seu peito, procurando o conforto daqueles braços fortes e quentes. Devia aceitar a ajuda? Devia arriscar? Sabia que era perigoso, que podia apenas trazer problemas para o garoto, mas era sua única chance, aquilo jamais aconteceria de novo e, pela primeira vez em muito tempo, alguém estava disposto a estender a mão para ele.
Fechou os olhos com força, apertando as costas daquele garoto alto e gentil, deixando suas lágrimas caírem por seu peitoral e escorrerem pela barriga definida. Sentiu o maior tirá-lo do chão e deitar-se consigo, cobrindo-o e apertando-o de forma protetora.
– Eu vou cuidar de você, Muro-chin. Eu vou te tirar desse mundo ruim. — o maior acariciava seu cabelo enquanto chorava. — Não se preocupe, toda sua dor vai passar... — e então, em meio às lágrimas e carícias, Himuro adormeceu nos braços daquele anjo.
Himuro revirou-se na cama, bocejando durante o ato, não tateou a cama a procura do outro, ele sempre saía cedo ou esperava Himuro acordar naquele sofá, mas, para sua surpresa, um braço forte apertou sua cintura e o maior aproximou seus corpos. O menor olhou para trás, Murasakibara ressonava baixo, mas estava com uma expressão incômoda na face, como se a luz ou o sonho o incomodasse, colocou o rosto no pescoço do moreno e resmungou algo que Himuro entendeu por "deixa ele em paz".
Estava tão surpreso que continuou ali, parado e surpreso demais. Jamais o vira dormindo, e agora lá estava ele, abraçando-o forte e resmungando coisas sem sentido. Ficou ali encolhido, o homem atrás de si era tão alto e forte que parecia um ursinho de pelúcia em suas mãos. Então apenas fechou os olhos e suspirou, sentindo a mão do outro apertá-lo cada vez com mais força, grudando seus corpos.
– Deixa... deixa ele... — resmungava o maior, Himuro se perguntou se não era melhor acordá-lo, aquilo realmente parecia um pesadelo. Demorou, mas, lentamente, conseguiu se virar de frente para o maior, que continuou a apertá-lo com aquela expressão desesperada, ele se mexia um pouco, como se estivesse inquieto. — Você... machucando ele! — Himuro balançou o ombro de Murasakibara, mas não obteve nenhuma resposta.
– Hey, Murasakibara! — chamou baixo, não queria assustá-lo.
– Deixa... Muro-chin, deixa o M-Muro-chin... — Himuro arregalou os olhos, era com ele que o maior estava sonhando? Que estavam machucando-o? Himuro sorriu fraco, aquele garoto era realmente adorável. — matar... pare, pare, pare, por favor... Muro-chin!!
– Murasakibara! — agora falou mais alto, tentando balançar aquele corpo enorme o máximo que podia com o pouco espaço que tinha. — Acooorda, é só um pesadelo. Acorda, Murasa-
– MURO-CHIIIN! — o maior berrou seu nome arregalando os olhos e sentando rápido, estava ofegante e seu corpo tremia. Himuro continuou encolhido na cama, encarando suas costas assustado. — E-eu...
– F-foi só um pesade-
– Vou para casa, mais tarde venho atrás da resposta. Ohayo, Muro-chin. — sua voz soava tão baixa e séria que Himuro não falou mais nada, não queria irritá-lo mais do que já devia estar. Sentiu o olhar do maior sobre si e se sentou, sustentando seu olhar. — Muro-chin... — ele sussurrou e o menor sentiu seu corpo arrepiar, então abaixou a cabeça. — Posso te abraçar?
– A-ahn... aah, c-claro. — o moreno o encarou confuso e esperou. Murasakibara suspirou e se virou de frente para Himuro, ergueu a mão e se deixou acariciar a pele macia do rosto do homem, que fechou os olhos; sorriu fraco e passou os braços pela cintura do menor, jogando seu peso sobre ele, para que se deitasse, de forma que ficou por cima, apertando-o com carinho.
– Não quero que machuquem você, Muro-chin... — o maior suspirou, sentindo o cheiro do mais velho, que sorriu fraco.
– Não vão, Murasakibara-kun.
– Sim, não vou deixar. — E então o maior apenas sorriu e se levantou. — Mas preciso ir. Até mais, Muro-chin... pense bem em tudo, sim?
– H-hai. — o homem acenou, ainda encarando antônito o garoto a sua frente, que se dirigia ao banheiro para se trocar e ir embora.
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