Let Me Live That Fantasy

5 O Gatilho, A Volta Para Casa E A Rainha De Copas.


Notas iniciais
Gente que capitulo difícil de escrever. Porra. Caiu um negocio aqui no meu olho, acho que é uma lágrima. mds

Duas noites depois, Regina estava confiante de que Emma estava quase pronta para levá-las pra casa.

Elas estavam sentadas na praia, perto do local onde Emma destruíra a árvore, participando de um piquenique noturno. A lua cheia estava brilhando bem acima delas, iluminando toda a ilha. A fogueira que fizeram soltava faíscas cor de laranja para o céu. Regina usava uma camisa branca fina e uma calça jeans, que aparentemente decidira nunca mais tirar. Sob a luz da lua ela parecia uma deusa, talvez Afrodite, não importava. Emma não conseguia mais se lembrar da mulher que Regina havia sido antes, e com certeza não queria pensar em outra além da que estava ali com ela.

– Ansiosa pra enfrentar Cora? – Regina perguntou sem tirar os olhos da fogueira.

– Nem um pouco. – Admitiu Emma.

Elas ficaram em silêncio por um tempo, não era um silêncio constrangedor, ou incomodo, era só um silêncio em que uma entendia o que a outra estava pensando.

– Quando você acha que podemos fazer? – O tom de Regina era casual, mas ela não conseguia olhar Emma nos olhos.

– Hã, não tenho certeza. Talvez alguns dias?

Regina não sabia o porquê, mas aquele pedido a tranquilizou. Quando Emma chegou não via a hora de ela ir embora. Agora, estava feliz por ter mais alguns dias. Estranho.

Regina desviou os olhos da fogueira, os cachos dourados de Emma pareciam brilhar refletindo a luz do fogo. Suas mãos estavam agitadas, como se estivesse nervosa.

– Nós trabalhamos bastante. Demorou, mas acho que estamos quase lá. – Disse tentando tranquilizar a loira.

– É, não se pode apressar a perfeição. – Respondeu com um sorriso brincalhão. Emma já poderia transportar uma das duas, tinha força o suficiente pra isso, mas elas concordaram com um olhar silencioso que sairiam de lá juntas.

– Você vai continuar usando magia depois que sair daqui?

– Bom, talvez seja útil. – Disse Emma. – Talvez precise nos proteger no caminho de volta ao castelo, nunca se sabe o...

O quê?

Emma piscou.

– Sabe, Cora não é o único perigo, depois de derrotarmos ela alguma coisa pode...

– Não é isso. – Regina balançou a cabeça. – O que quer dizer com nos proteger?

Emma sorriu nervosamente.

– Proteger as duas, ora. Tenho certeza de que falei sobre isso.

– Você obviamente não falou.

– Não deixarei a mãe do meu filho à deriva. Depois do tanto que me ajudou. Vamos voltar ao castelo e vamos obrigar a todos a reconhecer que você mudou, Henry ficará tão feliz e poderemos ser uma família e...

Emma parou de falar quando viu a expressão da outra.

– Não podemos fazer isso.

O coração de Emma quase parou.

– Porque você não suporta a minha companhia?

– Porque não podemos. É impossível. Eles nunca me aceitarão Emma.

Emma podia sentir a melancolia nas palavras de Regina, mas simplesmente revirou os olhos.

– Sim, bem. Não sei se você percebeu, mas não acredito muito nesse negocio de impossível. Nunca achei que nada disso fosse possível e olha só. Nós voltaremos, faremos eles verem você do jeito que eu vejo. Nada mais justo.

– Justo... – A voz de Regina era quase inaudível.

Olhando pra fogueira seus olhos estavam tão tristes que doía em Emma encará-los. Será que ela achava que Emma estava mentindo? Ela tinha certeza de que daria certo, como podia não dar? Essa era a coisa que Emma mais gostava na nova terra, tudo era possível se a pessoa acreditasse.

– Como abriria a taberna Swan Mills sem Mills? – Perguntou ela. – Não sei fazer cidra e ensopado e certamente não atrairia nenhuma clientela.

Regina não riu, só encarava o horizonte de onde saia uma pequena luz arroxeada.

Emma estava atordoada de mais para se mexer, mas Regina se ergueu.

– Depressa! Temos que ir agora.

Emma se levantou, mas não conseguiu se mexer, suas pernas pareciam pedras. Acabara de se convencer de que tinha mais alguns dias na ilha e agora não tinha nem tempo de terminar o jantar.

– O que esta acontecendo?

– Cora. Estava nos observando. Vê aquilo? – Ela apontou pra onde a luz roxa começava a se espalhar encostando-se à água e se arrastando sobre a praia. Emma estava começando a surtar. – É o gatilho que destrói a ilha, ela deve ter encontrado, mas não sei como. – Regina falava mais para si mesmo, pensativa.

– Hã... E como o paramos?

– Não há como, não desse lado. Vamos, Emma. Precisa nos tirar daqui.

Emma via suplica nos olhos da outra, mas não conseguiria, não com toda aquela pressão. A mancha roxa se espalhava feito praga e Regina tentava acalmar Emma sem sucesso. A loira fechou os olhos tentando se concentrar, Regina parada na sua frente falava palavras de encorajamento, mas nenhuma magia acontecia.

Emma estava apavorada, não queria se quer abrir os olhos, mas ao abrir se deu conta de porque estava com tanto medo. Não era medo de morrer, não. Emma estava com medo por Regina, estava com medo por Henry.

Para a surpresa da loira, Regina não a olhava com decepção. Ela tinha um olhar tranquilo de quem dizia ‘tudo bem, você tentou’, mas Emma precisava tentar mais, precisava levar Regina pra casa de volta pra Henry. Precisava manter a Rainha a salvo. Ela seria seu cavaleiro branco e faria tudo para protegê-la, para salvá-la, mesmo que lhe custasse a vida.

Emma sacou a espada que andava com ela desde que a encontrou e decidira que seria sua. Entregou a Regina.

–Ela não tem coração, então você precisa cortar-lhe a cabeça fora.

Emma gritou pra que Regina escutasse. O gatilho se espalhava sacudindo a água e criando avalanches por toda a ilha. Tudo estava sendo destruído.

– O quê? – Gritou Regina com um olhar incrédulo quando Emma lhe entregou a espada e se afastou alguns passos. Ergueu as mãos em direção a morena usando toda a concentração que tinha.

Uma fumaça clara começou a percorrer o corpo de Regina que começava a entender o que estava acontecendo.

– Emma! – Gritou ela, mas a loira não lhe deu ouvidos. – Pare com isso, sua idiota!

Emma fechou os olhos e deixou que uma lágrima escorresse, sentiria falta da morena a xingando, sentiria falta dos insultos e dos olhares tortos. Sentiria tanta falta de Regina que lhe doía o peito mais do que a idéia da própria morte.

Regina lutava contra a fumaça de magia que insistia em levá-la para longe. Gritava desesperada, vendo Emma ficar cada vez mais longe. Vendo seu coração cada vez mais longe.

– Não! Emma! Não seja estúpida. – Regina fechou os olhos, não aceitaria aquilo. Toda a sua vida ela havia aceitado as condições em que sua mãe a colocará. Ela havia matado Daniel. Obrigado Regina a se casar com o Rei e a aprisionado ali. Durante todo esse tempo Regina havia baixado a cabeça pra ela. Mas não dessa vez. Não poderia encarar seu filho e dizer que havia deixado Emma morrer ali. Tinha medo de não poder encarar a si mesma depois disso.

Então ela parou de chorar, parou de gritar. Abriu os olhos respirando profundamente. Sabia exatamente o que tinha que fazer, sempre soube na verdade, mas nunca achou que fosse possível para quebrar essa maldição. Mas uma pessoa a havia feito perceber que nada era impossível se você acreditasse. Sentiu a fumaça a sua volta se dissipar, já podia ver Emma, os cabelos loiros caídos sobre os ombros, ela ainda tinha os olhos fechados. Sua expressão concentrada.

Regina sentiu seus pés tocarem a areia e começou a caminhar em direção a Emma. Tinha aceitado suas escolhas, aceitado suas condições, aceitado quem realmente era. Ela não era mais a rainha má, agora ela era somente a Regina, talvez a Regina que cozinharia em uma taberna, não importava. O importante era que ela era capaz de amar novamente.

Quando estava a centímetros de Emma a loira abriu os olhos. Primeiro sentiu alivio por ver o rosto belo da morena tão próximo e seguro. Então sua expressão mudou, se Regina estava ali era porque não tinha funcionado, ela não fora capaz de salvá-la. Mas Regina sorria pra ela, um sorriso enorme e cheio de significados. Emma não pode deixar de sorrir também.

– Não funcionou. – Sussurrou Emma quando Regina segurou a sua mão. – Eu definitivamente...

Mas ela se calou quando Regina segurou seu rosto e a puxou para um beijo. Um beijo de verdade. Se Emma fosse uma máquina teria entrado em curto circuito devido a onda de adrenalina que percorreu o seu corpo. Ela fechou os braços em torno da cintura da morena que aprofundou o beijo. O mundo estava acabando ao redor delas, mas nada importava. Se fossem morrer, morreria juntas.

Um formigamento percorreu seus corpos. Pela segunda vez em menos de um mês Emma se perguntou se morrer era tão estranho assim. Ela certamente não descobriria hoje.

Seus pés deixaram de tocar a areia, ambas sentiram seus corpos ficarem leves e estranhos, mas não desfizeram o contato. Beijavam-se de olhos fechados com medo de que o momento acabasse. Regina ainda segurava a espada com a mão livre e decidiu soltá-la para aproveitar o máximo do momento com Emma. Mas quando a espada tocou no chão, Regina nem ao menos teve tempo de por a mão na nuca de Emma, escutaram o barulho do metal colidindo com algo que não era areia, era concreto, sólido.

As duas se separaram confusas, ainda olhando os olhos assustados uma da outra. Regina se abaixou e pegou a espada e Emma percebeu que ela olhava para um ponto atrás de Emma. Cora estava atônita de mais pra conseguir se mexer. Sua filha e a salvadora quebraram a maldição com o beijo do amor verdadeiro. Emma se virou quase tropeçando em si mesma e no mesmo instante Cora enfiou a mão em seu peito. Emma podia sentir Cora segurando seu órgão que batia acelerado.

Quando viu a cena, um fleche de Cora fazendo o mesmo com Daniel passou pela cabeça de Regina, ela não suportaria ver aquilo de novo, uma onde de fúria percorreu todo seu corpo.

– Quantas vezes precisarei lhe ensinar que o amor é uma fraqueza? – Rosnou Cora puxando a mão de dentro do peito de Emma, mas essa não saiu. Ela olhou espantada para a loira que estava ofegante.

– Não Cora! O amor é força. – Disse segurando o pulso de Cora e tirando a mão dela de dentro de si. – E só á uma pessoa nessa sala que poderia pegar meu coração e essa não é você.

Uma luz branca saiu de Emma atingindo Cora e a fazendo ficar tonta. A ultima coisa que viu foi Regina se aproximando e uma lamina de espada muito próxima de seu pescoço.

Notas finais
Eu encontrei você na hora mais escura. Eu encontrei você quando estava chovendo. Eu encontrei você quando eu estava de joelhos E sua vida me trouxe de volta. Eu encontrei você em um rio de pura emoção. Eu encontrei você minha unica verdade. Eu encontrei você e a musica tocou. Eu estava perdido até te encontrar. - I Found You The Wanted. mds essa musica me mata.