Let Me Live That Fantasy

6 O Sol, Talvez, Só Nasça Para Vê-la.


Notas iniciais
E elas saíram de Narnia... ops Ogigia.

Regina estava de joelhos no chão encarando o corpo decapitado de sua mãe ainda segurando a espada com as duas mãos. Ela não se mexia, parecia esperar que Cora se levantasse zombando de sua fraqueza, ela parecia realmente esperar por isso, mas Cora estava morta, ela não se mexeu.

Emma não compreendia o que tinha acontecido, tinha milhares de perguntas em sua cabeça, mas sabia que não era hora pra nenhuma delas. Regina respirava pesadamente, uma lagrima escapou pela sua face, mas ela não largou a espada.

A imagem partia o coração de Emma. Então sem pensar ela se agachou ao lado de Regina, segurou suas mãos e as abaixou fazendo com que a morena deixasse cair a espada ensanguentada. Regina olhou nos olhos de Emma por alguns segundo e depois voltou a olhar o corpo inerte de sua mãe. Antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, Emma envolveu os braços ao redor dela em um abraço protetor. Regina se deixou levar pelo momento e se enterrou nos braços de Emma deixando as lagrimas caírem.

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Duas horas de silencio depois elas se levantaram. Regina tinha os olhos inchados e Emma tinha tantas duvidas que sua cabeça estava explodindo, só que mais uma vez guardou para si.

Emma olhou para o espelho de onde tinham saído e ele estava bastante rachado e danificado, tanto que era quase impossível ver seu reflexo, provavelmente a ilha estava destruída. Era uma pena porque Emma achou que poderia passar as férias por lá.

Quando voltou a olhar em volta Regina não estava mais lá. Emma catou a espada e saiu da sala, que era algum tipo de escritório, mas não a encontrou no lado de fora, então começou a procurar por ela.

O castelo era enorme e Emma estava começando a ficar preocupada, Regina não estava em lugar algum. Começou a gritar por ela. Parou quando percebeu que seus gritos soavam desesperados. Não estava desesperada para achá-la, afinal, ela era só a Regina. Já tinham saído daquele lugar onde estava presas juntas, agora não tinham porque continuar juntas, nada além de Henry certo? Emma não tinha tanta certeza. Regina a havia beijado, Emma desejou beijá-la, mas o que aquilo havia significado, no fundo Emma tinha medo da resposta. Mas no momento nada a assustava mais do que a ausência daquela que ela odiou tanto um dia.

Quando Emma a encontrou, Regina estava esperando por ela nos portões do castelo.

– O que você esta fazendo?

– Você não queria que eu ficasse lá né?

Emma se aproximou com cautela, não queria ver Regina se descontrolar. Mesmo depois de confirmar que ela tinha mudado ainda tinha medo de falar ou fazer alguma coisa que a fizesse perder a cabeça.

– Hum, não. Me desculpe.

Regina a encarou podia ver a confusão na expressão de Emma, mas também não sabia se era hora de explicar o que havia acontecido. Nem ao menos sabia se conseguiria.

– Esta tudo bem. Devíamos ir. – Regina encarou a espada nas mãos de Emma. – Por favor, não traga isso com você.

Ela se virou e começou a andar. Emma jogou a espada de lado se arrependendo de tê-la trazido.

– Espere! – Disse segurando Regina pela mão. Ela provavelmente não quis que o toque fosse tão delicado, mas foi.

Regina a olhou com aqueles olhos negros fazendo Emma querer beijá-la novamente. Ela respirou fundo tentando afastar aqueles pensamentos.

– Acho que devíamos conversar. Sabe. Muita coisa pra digerir...

– Emma...

– Regina, por favor.

Regina soltou a mão de Emma e se virou impaciente. Ela não queria ter que falar sobre o que aconteceu, Emma certamente não acreditaria.

– Certo. Você quer explicações? Então comece explicando que merda era aquele que você estava fazendo?

– Hum, me deixe pensar. – Ela colocou as mãos na cintura fingindo que estava pensando. – Salvando a sua vida, eu acho.

– Por quê? Porque você arriscaria a sua vida pela minha?

Emma prendeu a respiração, não tinha a resposta pra essa pergunta. Regina a olhava com um olhar desafiador.

– Porque você me beijou?

Regina suspirou.

– Não mude de assunto.

– Ah! Eu acho que essa é uma pergunta muito mais importante aqui, mocinha.

Emma disse tentando o máximo do seu tom autoritário. Regina riu. Mocinha?

Ela se lembrou de todas as vezes que enfrentara Emma em Storybrooke, da vez em que elas literalmente saíram na porrada. Nunca imaginou que estariam ali tendo aquela discussão idiota.

Ela deu dois passos em direção a Emma e parou de repente, seu coração estava assustado, se lembrava de Daniel e de como havia se sentido quando Cora arrancou seu coração. Ah algumas horas atrás se sentiu da mesma maneira quando ela tentou arrancar o coração de Emma. Sempre teve medo de se sentir assim de novo, mas se sentia segura agora que Cora estava morta, seu único medo era de não ser compreendida.

– Nós saímos. Vamos focar nisso ok? Você me salvou, eu achei que nunca sairia daquele lugar. — Ela fez uma pausa, olhar dentro dos olhos verdes de Emma a desconcentrava. — Então, vamos encontrar nosso filho e teremos muito tempo pra falar sobre isso. Tudo bem pra você?

– Não.

– Emma! – Regina a repreendeu.

– Você tem noção de quanto isso é esquisito pra mim?

Regina recuou. Esquisito? Era assim que Emma se sentia?

– O que você quer dizer Swan?

Emma fez uma careta.

– Não me chame de Swan. Você não pode me beijar e me chamar de Swan. — Regina abriu a boca pra falar, mas Emma a cortou. — Na verdade, você não pode me beijar assim e me deixar no escuro. Não pode mexer com o meu psicológico dessa maneira.

Regina tinha as sobrancelhas franzidas e os braços cruzados. Ouvia atentamente tudo o que Emma falava, mas não tinha certeza se entendia. Elas viveram uma história de ódio fatal durante muito tempo e quando pararam de brigar ainda tinham muito sentimentos uma pela outra, isso era claro, mas transformar aquele sentimento em amor não era algo para o qual elas estavam preparadas. Emma fugiu de tal sentimento durante toda a sua vida e Regina simplesmente não podia mais ver ninguém partir.

– Me desculpe por ter beijado você.

Emma se assustou com o pedido de desculpas, ela não queria um pedido de desculpas, queria uma explicação.

– Você me desculpa?

O coração de Emma parou. O sol começava a nascer transformando a imagem na frente dela na mais linda de todas. Todas as suas emoções estavam reunidas ali olhando o sol refletido nos olhos de Regina. Raiva, confusão, frustração, medo, amor. Amor. E vê-la se desculpando era como caminhar pro mais longe possível do sol, para o lugar mais frio do mundo, pra longe dela. Emma a sentia se afastar e sentia-se culpada por isso. Nunca entendera muito bem de sentimentos, mas sabia que era experiente em afastar as pessoas dela. Teve vontade de chorar, mas segurou tudo dentro de si, não poderia afastar Regina, pediu silenciosamente aos deuses que não afastassem aquela mulher de perto de si.

– Não se desculpe, por favor. — Regina a olhou, confusa. Ainda de braços cruzados, com uma expressão carrancuda que Emma achava adorável. – Eu só estou tentando entender porque estou me sentindo assim.

– Assim como Sw... Emma?

– Como se estivesse atravessando um lago congelado...

Regina suspirou e desviou os olhos da loira, fitando o horizonte se perguntava se iria gostar do que estava prestes a ouvir.

– ...Como se ele pudesse se romper sob os meus pés a qualquer instante e não houvesse ninguém lá pra me salvar se eu caísse... Olhe pra mim.

Regina tentou não olhar, mas Emma andou até ela e parou na sua frente. Ela tinha os olhos marejados, mas tentava disfarçar a decepção em seus olhos.

– ...Eu estou com medo, Regina. E estou confusa. Eu posso voltar e seguir outro caminho, como fiz minha vida toda, mas estou cansada de fugir...

Regina desviou os olhos novamente, mas Emma a segurou pelo queixo e a fez olhar para si. Precisava que ela visse que o que estava dizendo era verdade.

– ...Então eu posso continuar. Se você segurar a minha mão eu posso passar por qualquer coisa. – Emma estendeu à mão em direção a morena que a fitou deixando uma lágrima escapar. – Eu sei por que quebramos a maldição. Eu sei que não foi coincidência. Eu não sou tão lenta quanto pareço. Só me diga que esta nessa também e podemos...

Regina não segurou a mão dela, nem ao menos a deixou terminar a frase, pelo contrario, ela segurou Emma pelo rosto e a puxou para um beijo. Um beijo que não deveria ser tão dolorido, mas era. Era como uma despedida, mas na verdade era só um começo. Emma entendia que a partir daquele momento absolutamente tudo em sua vida iria mudar, se para o bem ou para o mal ela não poderia prever e era isso que tanto a assustava, pois sabia que com a mesma intensidade que poderia ser feliz também poderia sofrer.

Regina sentia os lábios quentes de Emma como um convite para algo que ela não vivia a muitos e muitos anos, algo que trouxe a ela tanta alegria, mas que no fim foi o motivo de todo o seu sofrimento. Emma era a sua segunda chance, ela era a mãe de seu filho. Ela poderia começar tudo do zero.

O sol brilhava forte sobre elas, mas elas não se importavam. Só se separaram quando os barulhos de gritos e cavalos se tornaram insuportavelmente altos.

Notas finais
Ai meu coração, ai mds... ta acabando kk'