Let Me Live That Fantasy
2 Espelho, Espelho Meu.
Notas iniciais
– Enquanto estiver aqui tente não cruzar o meu caminho Swan, posso estar sem magia, mas ainda me lembro como ser uma péssima companhia. E mais uma coisa, comece a procurar um jeito de ir embora daqui.
O fato mais engraçado era que com aquele visual ‘paz e amor’ as ameaças de Regina pareciam inofensivas, ela na verdade parecia inofensiva. Emma tinha que pensar em alguma coisa, tinha que achar uma saída, mas enquanto Regina ainda estava no seu campo de visão ela não conseguia pensar em nada. A morena ainda tinha a mesma postura gloriosa, no entanto agora parecia muito mais calma e serena, quem sabe até menos má, é claro que com Emma ela sempre seria má, mesmo sendo tão linda, não que Emma tivesse reparado no quanto ela estava linda, não.
Assim que Regina sumiu pelo meio das árvores Emma começou a se preocupar com o que tinha acontecido. Primeiro; Cora a havia atirado naquele lugar por algum motivo e sabia que Regina estaria ali então deve ter achado que a filha a mataria, óbvio, mas talvez não soubesse que Regina estava sem magia. Segundo; Emma se lembrava muito bem de estar caindo rumo ao mar, não tinha como ter ido parar naquela árvore sozinha, alguma coisa tinha acontecido e ela foi jogada lá. Terceiro; Não sabia que lugar era aquele, onde ficava, e pra onde deveria ir e só tinha uma pessoa naquela ilha que parecia saber de todas essas informações, infelizmente para Emma era a mesma pessoa que tentava matá-la desde o dia em que nasceu.
Não queria ter que seguir Regina dentro daquela floresta desconhecida, mas não tinha pra onde ir e a presença de Emma parecia irritá-la bastante, por mais estranho que fosse e acredite em mim era estranho pra caramba, Emma adorava irritar a rainha. Então ela seguiu pela trilha.
Emma precisou prender a respiração quando chegou ao final da trilha. Era o jardim mais lindo que ela já havia visto na vida, não que tivesse visto muitos jardins, mas aquele era incrível. De um lado havia um pomar e um vinhedo. Árvores com frutas maduras de todos os tipos que cheiravam deliciosamente, vinhedos cuidadosamente podados repletos de uvas, morangos que brilhavam de tão vermelhos, pêssegos vermelho-dourado e é óbvio maçãs. Do outro lado flores de todos os tipos e cores que Emma nem ao menos sabia nomear, canteiros de legumes e ervas. No fundo do jardim aonde terminava a trilha, abria-se uma caverna na encosta de uma colina gramada, não era enorme como um castelo, mas era tão lindo quanto.
Emma começou a caminhar em direção a entrada ainda boquiaberta com aquilo tudo, será que era tudo da Regina? Ela devia ter mesmo muito tempo livre. Antes de chegar a entrada Emma parou, Regina estava ajoelhada em sua horta, de costas para Emma. Murmurava com raiva para si mesma enquanto cavava furiosamente com uma espátula de jardinagem. Emma se aproximou cautelosamente pigarreando para que Regina a visse, não queria surpreendê-la ainda mais porque ela estava armada com um afiado instrumento de jardinagem.
Ela continuou xingando e dando golpes incertos no solo, seus braços e seu vestido já estava sujo de terra, mas ela não parecia se importar, afinal, não havia ninguém ali naquele lugar para vê-la além de Emma.
– Acho que a terra já aprendeu a lição. – Disse Emma.
Regina olhou feio pra ela com os olhos vermelhos e lacrimejantes.
– Vá embora, eu já disse.
– Você esta chorando. – Falou ela, o que era estupidamente óbvio, mas vê-la daquele jeito a chocou. Nunca na vida Emma imaginou que veria aquela cena, e mesmo assim ali estava a rainha má e mesmo sendo ela era difícil pra Emma ficar brava com alguém que esta corando.
– Isso não é da sua conta, Swan. A ilha é grande apenas encontre um lugar pra você já que ficaremos as duas presas aqui e me deixe em paz.
Ela ergueu a mão cheia de terra fazendo um gesto para qualquer canto. Do jeito que costumava fazer quando estava sendo esnobe.
– Vá por ali talvez. Não precisaremos nos esbarrar.
– Então, você não sabe mesmo como sair daqui. Nenhuma maneira de voltar? – Perguntou Emma.
– Não. Se eu soubesse você acha que eu estaria aqui?
– Bom você não parece estar tentando. – Emma apontou pra terra maltratada. — O que eu deveria fazer? Sentar num tronco e ficar olhando o horizonte até morrer?
– Seria ótimo... – Regina jogou a espátula espirrando terra em Emma de propósito. – Se alguma coisa pudesse morrer aqui eu mesma já a teria matado Swan... – Ela se levantou olhando pra cima furiosa. – Isso não é engraçado, mamãe!
A cabeça de Emma latejava, não entendia porque Regina estava chamando o céu de mãe, muito menos essa história de não poder morrer ali, mas se lembrava de Regina ter dito algo sobre passar a eternidade naquele lugar. Será que as pessoas eram imortais ali? Havia subido aquela trilha pra esclarecer as coisas e estava mais confusa do que antes.
– Ok, depois conversamos sobre o seu comportamento lunático. Agora preciso de informações. – Disse Emma. – Você não me quer por perto e eu também não quero ficar aqui, mas essa ilha existe em algum lugar por isso tem que ter uma saída, se tem uma coisa que eu aprendi nesses últimos anos é que toda maldição pode ser quebrada.
Regina riu amargamente, fazendo Emma revirar os olhos, irritada.
– Então acho que você não aprendeu muita coisa, não é princesa? Porque se ainda acredita nisso vai ser muito mais difícil pra você se acostumar a sua nova casa.
O modo como Regina disse aquilo causou um mal estar em Emma, como se ela mesma já tivesse perdido as esperanças.
– Me fale sobre essa maldição.
Regina estalou os dedos como se estivesse prestes a arrancar o coração de Emma.
– Não posso deixar a ilha. Quando eu fracassei com a minha vingança minha mãe me trancou aqui dizendo que ela mesma cuidaria disso e depois me tirava daqui, é claro que eu não acreditei. Não tem saída porque não é real. Estamos presas em uma ilha dentro de um espelho dentro do castelo de minha mãe.
– Sua mãe? – Disse Emma sentindo seus sentidos afetados. – Espelho? Dentro do castelo?
Regina revirou os olhos.
– Sim, sua pequena idiota... – Abriu a boca pra dizer algo como se procurasse as palavras certas. – Minha mãe sempre soube ver as minhas fraquezas como ninguém e quando voltamos ela sabia que eu não faria nada que machucasse Henry. Ela sabia que eu não era mais a mesma.
– Henry... – Disse Emma quase sem voz.
Regina fechou os olhos com força se virando para que Emma não pudesse ver uma lágrima que escorreu.
– Ele acreditava em você. Acredita.
– Eu me atrevi a ter esperanças disso Swan, que meu filho confiasse em mim. Eu me atrevi a pensar que seria suficiente amá-lo. Atrevi-me a pensar que seria perdoada e salva, mas ainda estou aqui.
O coração de Emma se encolheu, ela estava mesmo tentando mudar quando Cora a atirou ali. Henry sempre dissera que ela estava tentando mudar por ele, mas Emma nunca acreditara. Quando todos acharam que ela estava morta Henry disse que ainda podia senti-la, mas ninguém o levou em consideração. Mesmo com todo mal e sofrimento que Regina havia causado Emma não pode deixar de se sentir mal por ela. Também nunca tinha sido uma santa e mesmo assim as pessoas confiavam nela.
– Henry nunca desistiu de você. — Regina voltou a olhar Emma. — Ele podia sentir você, dizia que você ainda estava viva, não acreditamos nele.
Os olhos dela faiscaram.
– Você não devia, sabe? Perder as esperanças.
– Você teria esperanças. – Regina se aproximou. – Se sua própria mãe te amaldiçoasse? Teria esperanças se ela mandasse alguém como você pra tornar sua maldição ainda pior?
– Era pra isso ser uma ofensa?
– Eu não mereço isso.
Regina se virou impaciente e entrou em sua caverna.
– Hey.
Emma correu atrás dela.
Ao entrar ficou hipnotizada. As paredes eram cobertas por cristais brilhantes. Cortinas brancas finas dividiam a caverna em diferentes cômodos. Emma viu um enorme espelho que parecia refletir todos os cantos da caverna. Tudo surpreendentemente claro e com cheiros de flores.
Regina estava diante de um lavatório limpando a terra dos braços. Olhou feio para Emma, mas não gritou para que saísse, a loira torceu para que ela tivesse cansando de gritar.
Emma respirou fundo, se precisava da ajuda de Regina tinha que ser ao menos agradável.
– Entendo que esteja com raiva, eu também estaria. Também entendo que nunca mais queira ver outro membro da família Charming novamente, totalmente compreensível. Acho que isso aumentou quando quebrei sua maldição e tal...
– Essa foi apenas a derrota mais recente. – Regina cerrou os olhos em direção a Emma. – Antes disso foi a maçã envenenada. E antes disso o caçador. É sempre assim, não há como encontrar esperança, não depois de...
– Daniel. Você acha que não tem esperança pra você porque Daniel esta morto.
– Essa é a minha maldição, ver Snow White construir uma família e ser feliz depois de ter arrancado a minha felicidade.
– Regina... – Emma tentou dizer alguma coisa, mas seu corpo formigava como se estivesse ficando paralisada, na verdade, ela não sabia o que dizer.
– E agora a pior ofensa de todas. O produto do amor verdadeiro aqui para perturbar a minha paz. A princesa herdeira do trono que devia ser meu, que é meu por direito.
O estomago de Emma borbulhou de raiva.
Ela não tinha culpa, nunca teve culpa nenhuma nisso. Não pedira pra ser filha da Snow White e do Príncipe Encantado. Nunca quis ser um personagem de contos de fadas. O que quer que sua mãe tenha feito no passado não tinha nada a ver com ela. Ela nunca quis ser uma princesa e certamente não queria ser rainha.
– Tudo bem, Regina. – Resmungou ela. – Vou deixar você em paz. Vou construir alguma coisa sozinha e sair dessa ilha estúpida sem a sua ajuda.
Regina balançou a cabeça com tristeza nos olhos.
– Você não entende não é? Cora esta rindo de nós duas. Só haveria um jeito de sair daqui e seria com magia que eu não tenho mais. Você esta presa aqui, assim como eu. Nunca irá embora.
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