Let Me Live That Fantasy
3 Mudando De Lado.
Notas iniciais
Os primeiros dias foram os piores.
Emma dormia em uma cama feita de galhos de árvores sobre as estrelas. Fazia frio a noite, mesmo como sol que fazia de dia, mesmo sem vento nenhum. Tudo era estranho ali. Ela conseguiu acender uma fogueira com galhos e folhas secas, sua mãe tinha lhe ensinado, era assim que sobrevivia quando era mais jovem e precisava fugir de certa rainha. O fogo há animava um pouco, as lembranças de casa, pelo contrario a entristeciam. Sabia que os pais estavam procurando por ela, eles sempre se encontravam, esse era o lema da família Charming, mas dessa vez não tinha certeza.
Durante o dia caminhava pela ilha, tentando encontrar algo que a ajudasse a sair dali, mas nada despertava o seu interesse. Não gostava de praia, nem mesmo de todo aquele verde, sempre foi do mundo moderno e aquele lugar ali ainda era pior e menos evoluído que a floresta encantada.
Desde que Regina disse que estava sem magia um pensamento a estava perturbando. Aquele lugar era sem magia? Ou Regina que estava sem poderes? Mas tentava não pensar nisso porque se fosse a segunda opção ela tinha uma idéia de como sair dali, mas só pensaria nisso com ultima opção.
Emma não sabia o que estava acontecendo no mundo real. Seus pais derrotaram os Ogros? Isso era quase certo, mas e Cora, será que ainda estava viva? Se estava, Emma tinha certeza de que estava agora mesmo rindo da sua cara.
A pior parte de estar ali? Estava começando a perder a noção do tempo. Certa manha ao acordar não sabia dizer se estava na ilha a quatro ou três dias. Regina ajudou muito a responder sua questão, Emma a confrontou no jardim e ela simplesmente balançou a cabeça.
– O tempo é complicado por aqui.
Ótimo, pensou Emma. Podia ter se passado séculos no mundo real, Henry se casara e tivera filhos e para Emma só se pareceram quatro dias. Ou podia passar uma eternidade ali enquanto Henry tomava o café da manha.
De qualquer maneira precisava sair daquela ilha maldita.
Regina certamente tinha mudado. Talvez sentira pena de Emma, ou talvez só estava tentando mantê-la viva pra cozinhá-la e alimentar o monstro da montanha. Não que Emma achasse que ele existisse. Não que tivesse medo dele. Não. Mas quando acordou Regina tinha lhe deixado tigelas de ensopado e taças de sidra de maçã, até mesmo mudas de roupa que Emma agradeceu por não serem vestidos de seda. Era simples, calça de algodão cru e camisas que ela devia ter feito em seu tear. Cabiam tão bem que Emma ficou se perguntando como ela sabia suas medidas. Talvez apenas tenha usado o seu molde para princesas magrelas.
Enfim, estava feliz por ter roupas limpas, já que as outras estavam rasgadas e sujas da queda, mesmo que tenha tentado lavar em um riacho que encontrou ela ainda parecia um mendigo com elas.
Apesar dos presentes Regina obviamente não queria nenhum contato com ela, uma vez Emma enfiou a cabeça dentro da caverna pra agradecer e Regina ficou furiosa, gritando e atirando panelas na sua cabeça. Sim, ela definitivamente queria ficar sozinha.
Ela acabou montando um acampamento perto da trila, onde a colina e a praia se encontravam. Assim ela podia pegar suas refeições e Regina não a veria evitando acessos de raiva e arremesso de panelas.
Conseguiu montar uma cabana com madeira e galhos. Cavou uma vala para a fogueira.
Caminhava pela ilha perguntando-se porque Cora a mandara ali, porque não a matara simplesmente? Talvez achasse que ela morreria ao bater no oceano, talvez. Mas Cora não conhecia Emma, Cora nem ao menos conhecia a sua história, por isso não poderia ter previsto que Emma sobreviveria. Cora conhecia Regina e por isso deve ter tirado seus poderes quando a lançou ali, porque assim ela não poderia fugir, só que Cora não tirou nada de Emma, porque Cora não sabia que Emma tinha magia.
Esperou anoitecer e entrou escondido no lugar onde Regina guardava seus instrumentos de jardinagem, a maioria parecia artesanal, ótimo, pensou Emma, assim ela pode fazer outros pra ela. Pegou algumas coisas que achou que precisaria e começou a trabalhar. Fazia maior parte do trabalho dentro da floresta, aonde não dava pra ver o mar. Ali dentro conseguia fingir que estava de volta a floresta encantada e não naquela ilha. Todas as noites ia dormir esgotada, ao menos estava trabalhando, estava tentando resolver um problema de cada vez.
A primeira vez que Regina veio vê-la foi pra reclamar do barulho.
– Fumaça e marteladas. – Disse ela. – Essa barulhada o dia todo. Você está assustando os pássaros.
– Ah! Não, pobres pássaros. – Resmungou Emma fingindo preocupação.
– O que você espera fazer?
Emma ergueu os olhos e quase esmagou o polegar com o martelo. Vinha encarando só mato e madeira por tanto tempo que se esquecera o quão bela era Regina. Irritantemente bela. Ela ficou ali com o sol batendo em seus cabelos pretos ondulados, a saia branca que ia até os pés descalços. Segurando uma cesta de uvas e um pão recém-assado de baixo do braço.
Emma tentou ignorar que seu estomago roncava.
– Espero dar o fora daqui. – Respondeu ela. – É isso o que você quer, não é?
Regina franziu as sobrancelhas e colocou a cesta perto das coisa de Emma.
– Você não come a dois dias. Faça uma pausa e coma.
– Dois dias? – Emma estava surpresa de não ter percebido isso, já que comer estava entre as suas coisas favoritas de se fazer. Mas estava ainda mais surpresa de Regina ter percebido. – Obrigada! Vou tentar fazer menos barulho... E menos fumaça...
– Rum. – Ela não pareceu acreditar.
Depois disso Regina não reclamou mais do barulho, quando voltou a visitá-la, Emma já dava os últimos toques no seu primeiro projeto. Não a viu se aproximar até ela falar atrás dela.
– Trouxe isso pra você.
Emma se levantou com um pulo deixando cair um pedaço de madeira que quase acertou seu pé.
– Deuses mulher, não me assuste.
Ela estava usando preto aquele dia, Emma se lembrava de como ela ficava linda de preto. Aquilo era irrelevante. Ela também ficava linda de branco. Também irrelevante.
– Não estava tentando te assustar. Vim te entregar isso.
Ela mostrou as roupas que trouxera Uma calça jeans, uma camiseta branca e uma jaqueta vermelha muito parecida com a que Emma costumava usar, muito parecida mesmo, espere! Aquela era a jaqueta de Emma, impossível. A jaqueta de Emma havia ficado em Storybrooke junto com todas as suas coisas.
– Como? – Perguntou.
Regina colocou as roupas no chão e se afastou, como se Emma fosse um animal selvagem.
– Então, parece que você não odiava a minha jaqueta vermelha tanto assim ein... – Disse Emma em tom brincalhão que fez Regina revirar os olhos.
– Eu odeio tudo em você Swan.
– Então porque continua me trazendo roupas e comida?
– Certamente não é porque goste de você, e sim porque odeio que cheire mal e que ande pela minha ilha parecendo uma maltrapilha. Essa costumava ser uma ilha imaculada sabia? Agora todo lugar que eu vou eu pareço encontrar uma placa ‘Emma Swan esteve aqui’.
– Ah sim. – Emma sorriu. – Você com certeza esta gostando da minha companhia.
– Você é a pessoa mais insuportável que eu já conheci! Só estava retribuindo o favor. Você concertou as minhas ferramentas.
– Veja! só afiei as tesouras. Cortar vinhas com uma lâmina cega pode ser perigoso e as espátulas precisavam de...
– Ah sim. – Regina a interrompeu com uma boa imitação da voz de Emma. — Você com certeza esta gostando da minha companhia.
Pela primeira vez Emma ficou sem palavras. Os olhos de Regina brilhavam. Emma sabia que ela estava debochando dela, mas de alguma forma não parecia maliciosa.
– Regina apontou pra mesa de trabalho.
– O que esta construindo?
– É uma mensagem.
Emma olhou pra baixo tentando encontrar as palavras, não sabia o quanto Regina guardava de magoa de sua mãe, ou se ainda a amava.
– Regina, a uma grande chance de sua mãe ter sido derrotada.
A morena não mostrou sinais de tristeza, então Emma continuou.
– Quando ela te jogou aqui tirou sua magia, mas eu ainda a tenho e andei praticando, bem eu não sei fazer muita coisa, mas acho que posso mandar isso para o mundo real pedindo ajuda.
Regina ouvia com atenção, sua expressão séria lembrava a antiga prefeita.
– Se funcionar talvez nem precise esperar pela ajuda, posso usar a mesma magia pra sair daqui. – Emma suspirou e olhou pro céu, pensativa. – Só preciso praticar mais ou acabarei metade aqui e metade lá.
Tentou um riso, mas Regina ainda estava séria.
– Vamos ver se funciona, então.
Emma se virou para o objeto, parecia uma caixa, como a caixa de pandora. Emma havia projetado para que somente Snow ou Charming pudesse abrir. Ela o segurou e se concentrou. Havia conseguido com uma pedra pequena mais cedo, tinha que conseguir dessa vez.
Imaginou o que queria fazer, fechou os olhos e imaginou Snow segurando a caixa de repente sentiu seus dedos formigarem.
– Emma. – Suspirou Regina assustada.
Emma abriu os olhos a caixa brilha envolta em uma névoa roxa e de repente não estava mais lá.
– Ah meu deus, você conseguiu.
– Consegui.
As duas estavam atônitas. Olharam-se confusas sem saber o que dizer e então no lugar de onde a caixa havia sumido uma forte luz roxa começou a crescer. Elas se distanciaram assustadas.
Consegui. Uma voz gelada e sombria falava de dentro da luz fazendo o coração de Emma se encolher.
Consegui é uma palavra precipitada. Um rosto, depois um corpo começou a se formar na luz. A bruxa velha que Emma mais odiava. A rainha de copas, a mãe de Regina, Cora.
Emma atirou uma pedra em sua direção, infelizmente a imagem não era sólida e a pedra a atravessou. Seus olhos estavam estranhamente abertos, seus lábios tinham um meio sorriso satisfatório, como se estivesse ouvindo sua musica favorita. Usava uma capa escura que Emma desejou que estivesse cobrindo a sua cara feia.
Você quer sair daqui? Por quê? Seus pais logo estarão mortos, todos que você conhece estarão mortos. Porque não ficar aqui onde a vida seria tranquila pra sempre?
As pernas de Emma bambearam, mas ela fez todo o esforço pra parecer valente.
– O que eu NÃO preciso é de mais mentiras vindas de você, bruxa feia. – Emma rosnou. – Você disse que Regina estava morta. Fez Henry sofrer a morte da mãe.
O riso de Cora devia ser mais gelado que a própria morte. Fez Emma ter vontade de bater nela com uma das panelas de Regina.
Eu só estava poupando a minha amada filha de mais humilhação.
As mãos de Emma começaram a brilhar e explodiram em chamas. Exatamente como Regina costumava a fazer. Ela queria atacar Cora e assá-la como um porco. Então, sentiu a mão de Regina em seu ombro.
– Cora. – A voz dela soava autoritária e firme. – Você não é bem vinda aqui.
A imagem da bruxa estremeceu como se as palavras de Regina tivessem poder.
Ah! Regina. Cora ergueu os braços como se quisesse abraçá-la. Quanto tempo. Um dos motivos de minha visita hoje é para libertá-la de sua prisão.
Regina olhou diretamente através do rosto brilhante de Cora. Para o horizonte.
Sim! Cora sorriu forçadamente. Vim cumprir a minha promessa. Essa será a sua segunda chance, a chance de finalmente sair vitoriosa.
– Onde esteve todo esse tempo? Porque só apareceu agora?
Ah! Não foi tanto tempo quanto pareceu minha doce Regina, foi tempo suficiente para que você se encontrasse, agora sei que sua mente esta limpa, seu que seu espírito esta curado. Venha e poderemos reinar sobre todas as terras.
Regina tirou a mão do ombro de Emma que estremeceu. Se as duas se juntassem teria um problema muito grave.
Junte-se a mim agora. Eu mandei pra você esse presente magnífico. O bem mais precioso de sua inimiga Snow White, a princesa. Mate-a e terá sua vingança. Derrame o sangue da invasora.
Varias imagens passaram na cabeça de Emma e nenhuma delas era boa. Tinha certeza de que Regina a estrangularia ali mesmo. Afinal, porque não faria? Cora estava lhe propondo um ótimo acordo. Tenha a sua vingança e de graça ganhe a sua liberdade.
Regina ergueu a mão em direção a Cora, com um sinal que Emma não entendia.
– Eu criei esse lugar mamãe, não é só minha prisão, é também a minha casa. – A voz de Regina ficou mais grave e a imagem tremeu. – E você é a invasora.
A imagem de Cora ofuscou e desapareceu. Não sem antes deixar um grito escapar.
Emma engoliu um seco.
– Não me leve a mal Regina, não estou reclamando, mas você não me matou. Enlouqueceu?
Os olhos de Regina brilhavam de ódio, mas pela primeira vez Emma não achou que aquele ódio fosse destinado a ela.
– Você conseguiu fazer a caixa passar para o mundo real. Você consegue sair. Caso contrario Cora não teria vindo aqui pedir a sua morte.
– Eu hã... É... Acho que sim.
– Então temos trabalho a fazer. Vamos ver até que tamanho você consegue mandar pra lá.
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