Let It Burn
21 Viajem
Notas iniciais
Gente, me desculpa pela demora extrema e pelo cap bem curto, tive um bloqueio fodão pra escrever esse capítulo.
Eu sei que ele tá bem chatinho e é mais para encher linguiça mesmo, talvez mais depois eu poste um capítulo de verdade... (Isso se minha criatividade colaborar)
Boa leitura.
Me afundo ainda mais na grande poltrona do avião, tentando fazer meus pensamentos dissiparem-se na mesma velocidade que James dissipou-se na multidão, sem sucesso. Sinto meus dedos entrelaçados nos de Brian, que dormia angelicamente na poltrona ao lado. Me viro para ele e me encosto em seu peito, tentando deixar de lado o medo que me assombrava. Os braços musculosos me envolvem fortemente no mesmo momento, quase me deixando sem ar.
- B-brian, por favor... Me. Solta.
Tento segurar seus braços, mas tudo que consigo é fazê-lo acordar, sobressaltado.
- O que houve?
- Nada, Syn. Eu me encostei em ti e você quase me esmagou. Tentei me distanciar, mas tudo que eu consegui foi te acordar. Me desculpa.
- Não tem problema, bobinha. Vem cá, vem. – Ele abre os braços, esperando que eu me choque contra seu peito. – Ei, o que aconteceu? Você parece estar aflita...
- E estou. Estou com medo de que ele faça algo contra você.
- Ei princesa, – ele segura minha face – eu vou cuidar de você até a vida se esvair de nossos corpos, entendido? Eu não me perdoo por não ter cuidado de você uma vez, não vou deixar que nada de ruim aconteça agora.
Meus olhos lacrimejaram e eu me alojei em seu peito, com a respiração descompassada. Suas mãos afagaram meu cabelo enquanto meu nariz puxou todo o ar que conseguia, trazendo com ele pequenas quantias do delicioso perfume amadeirado de Brian.
- Posso te fazer uma pergunta? – Disse á ele, me levantando e olhando em seus olhos.
- É claro.
- Por que seu pai te ajudou á omitir os corpos de Matt e Leana?
Ele parece parar de respirar por alguns segundos e seu rosto paralisou-se em uma expressão de medo e terror completo. Respirou fundo algumas vezes e focou no fundo dos meus olhos enquanto começou á falar.
- Me desculpa por não ter te falado isso antes. Meu pai foi abandonado pelos pais dele quando era ainda bem pequeno e teve de se virar como pode. Infelizmente, ele se envolveu com coisas erradas. No começo, eram apenas pequenos furtos, mas depois de um tempo seu “dom” ficou conhecido e pessoas vinham até ele contrata-lo para assaltar casas de shows e outros estabelecimentos. O que ele fez foi errado e ele mesmo reconhece, mas, naquela época, parecia a coisa mais certa a se fazer.
Meus olhos estavam atentos á cada expressão que se formava em seu rosto: uma mistura de medo, pena e alívio por estar contando algo que parecia sufocar-lhe a alma.
“Meu pai ficou bem reconhecido entre os marginais da época. A cidade de Portland, onde ele morava, ficou aterrorizada, pois ele era rápido e extremamente cuidadoso com tudo que fazia. Mas o dinheiro que ele recebia por isso era pouco, afinal, não eram muitas as pessoas que sabiam como lhe encontrar, já que ele não deixava pistas. Logo ele passou a aceitar pedidos de crimes maiores, como assaltos á bancos e assassinatos, posteriormente. Nessa época ele conheceu Joe, um homem que também fazia parte desse mundo e ficou seu amigo. Passaram a atuar juntos e enriqueceram. Joe casou-se com Bárbara e meu pai também se casou, ambos se afastaram dessa vida.”
- Mas isso não explica muita coisa... – Digo, receosa.
- Eu ainda não terminei de explicar. – Sorrio fraco – Á mais ou menos seis meses, Joe e Papa tiveram uma surpresa não muito agradável: Uma pessoa do Texas, mãe de uma das vítimas, havia conseguido reunir provas suficientes para, enfim, incriminar os dois. Joe sumiu poucos dias depois, James me disse que ele foi para um país pobre da África. Meu pai não tinha outra opção se não essa. Vendemos alguns carros lá de casa e compramos um apartamento em Paris no nome de McKenna... Enfim, foi por esse motivo que Papa me ajudou: Simplesmente não podia haver nada que ajudasse a incriminá-lo ainda mais, a encrenca já estava grande o suficiente. E como ele trabalhava com essas coisas facilitou bastante, tanto para mim quanto para Zacky.
Eu simplesmente não conseguia acreditar.
Meu sogro, um assassino de aluguel?
Pisquei algumas vezes e balancei a cabeça, tentando assimilar a ideia.
- Então você quer dizer que... – fiz uma pausa – você quer dizer que seu pai é um assassino de aluguel que está indo para a França porque a polícia tem provas suficientes para prendê-lo? E que o pai de James também pode ser preso?
- Basicamente sim...
Meu olhar desvia do dele e tenta focalizar algo pela janela do avião e, ao mesmo tempo, tentando aceitar tudo aquilo.
- Você sabe que... Que ele nunca faria nada contigo, não sabe? – Seus olhos brilhavam, e não era de emoção. Havia vestígios de lágrimas neles.
- Como eu vou saber?
- Não confia em mim?
- Confio.
Ele assentiu com a cabeça e eu me encostei novamente em seu peito. Minha cabeça ergueu-se em direção á ele e nossos lábios se tocaram por demorados segundos, logo depois soltando-se, formando um sorriso em ambos os rostos.
- Brian...
- Fala.
- O que houve com os corpos?
Ele suspirou.
- Ambos foram cremados, mas com o de Leana foi mais difícil.
- Por quê?
- Não tínhamos uma câmara de incineração, nesse caso.
- Como o fizeram, então?
- Retiramos a arcada dentária e depois a envolvemos com pneus e... bem, você deve saber como funciona.
- E... as cinzas de Matthew?
A voz saiu baixa, chorosa e quase como um sussurro. Minha cabeça apertou-se ainda mais contra seu peito e um grande nó formou-se em minha garganta. É claro que ele fora um cafajeste filho da puta, mas eu sentia sua falta. Ou sentia falta daquilo que ele era antes de se tornar tal monstro.
- Não sei onde Papa desfez-se delas. Me desculpe.
Um peso horroroso me pesou os ombros e eu não conseguia sentir nada além de uma culpa gigantesca. O garoto sorridente e alegre com quem eu podia contar quando chorava estava agora morto, sem nem ter, ao menos, as dignas atenções que se dá quando alguém importante morre. O nó que havia em minha garganta tornou-se um empecilho e eu sentia como se o menor toque que houvesse em minha pele fosse capaz de me fazer jogar todo aquele monte de lágrimas para fora de uma vez só, como um balão ao estourar.
E assim aconteceu. Bom, não foi como um balão á estourar, mas foi parecido. Brian tocou minhas têmporas com as pontas de seus dedos e meus olhos foram incapazes de conter tanta tristeza convertida em lágrima dentro de mim. Embora fossem muitas, eu sentia cada pequena gota quente escorrer sobre meu rosto gelado, tão gelado quanto meu coração.
“Estúpida, estúpida! Está á foder cada vez mais a sua vida! Sua ridícula!” – Pensei enquanto derramava as lágrimas mais pesadas de toda a minha vida. Brian me acolheu em seu peito pelo que pareciam horas. Meu rosto já deveria estar inchado quando ele acariciou meu cabelo e disse que estávamos chegando, dando um leve beijo no alto de minha cabeça ao terminar de falar; E, naquele momento, pela primeira vez em toda a minha vida, eu tive a certeza que eu tanto precisava sentir. Naquele momento eu soube que eu realmente podia confiar em Brian. O quanto eu iria lhe proteger e do que eu era capaz para salvá-lo de qualquer perigo. Eu soube o quanto eu o amava também, o quanto eu queria que ele fosse meu por toda a eternidade.
POV Jimmy.
- O bom filho à casa torna!
- Olá. Bom te ver.
Sem muitos rodeios, subi até o quarto e sentei sobre a cama dura de solteiro que tinha como dever ocupar o ambiente, pois não havia mais nada além dela no cômodo. Remexi os bolsos á procura de meu celular e disquei os números de Jojo.
- Fala, poste.
- Onde você tá?
- Onde já tínhamos combinado...
- Ótimo. O psicológico dela já está abalado o suficiente e Brian deve estar ocupado demais cuidado de seu amorzinho. – A palavra fora dita com um tom de repulsa e as imagens de Leana banharam-me a mente – Faça o que tem de ser feito com exatidão e só me retorne quando tiver cumprido a tarefa. Assim que eu souber que sua parte está feita, irei até o hangar e aí a brincadeira começará de verdade.
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