Let It Burn
23 Entretanto
Notas iniciais
E, sim, o próximo capítulo será o penúltimo. Talvez ele fique meio grandinho para eu explicar algumas coisas que ficaram em aberto desde o começo da fic.
Gente, eu vou começar a escrever minha segunda fic essa semana e eu vou me empenhar muito mais nela, porque eu gostei demais do enredo que eu e a Unicorn Blood fizemos, então, nem pensem que vamos deixar vocês em paz hahah.
Enfim, falei demais já. Bora ler?
POV Ayme.
Tic. Tac. Tic. Tac.
O relógio na parede badalava apressadamente e compassadamente, mas meus olhos estavam pesados demais para serem abertos. Os segundos seguintes foram seguidos de diversos sentimentos distintos. A dor aterrorizante que vinha do alto da minha cabeça, a onda gélida que banhava minha pele, o ardor de diversas partes de meu corpo. Algo estava muito errado.
Eu não fazia ideia do que estava acontecendo. A última lembrança que vinha em minha mente era a minha própria face no reflexo do espelho. Um arrepio correu pelo meu corpo ao me lembrar do par de olhos refletidos brevemente atrás de mim... E, a partir daí, nada mais eu lembrava.
Meu subconsciente, só então, se deu conta da situação em que estava. Os músculos doloridos, ardores, frio. Ainda com as pálpebras fechadas era possível saber que o lugar onde eu estava escuro e, ignorando a minha presença ali, vazio. Tentei murmurar alguma palavra, sendo respondida pelo eco do pequeno cômodo em que eu me encontrava.
Sentei-me com alguma dificuldade e uma dor aguda e latente vinha de minha cabeça. Por instinto, levei minhas mãos até o local e a trouxe até minha área de visão: As pontas de meus dedos estavam pintadas de um vermelho intenso. Abri mais os olhos e tentei focar no chão, forçando minha visão, tentando enxergar algo em tamanha penumbra; Apenas uma pequena poça brilhando, exalando um cheiro que fazia meu estômago se revirar. Tapei minhas narinas com as mãos e cambaleei novamente para trás, fazendo com que minhas costas se chocassem contra a poça ainda quente de meu sangue; Gemi de dor e segurei a respiração, tentando segurar o vômito.
POV Narrador.
O homem alto andava impacientemente pelo corredor escuro enquanto os menores estavam sentados em rústicas cadeiras, ao final dele. Ambas as faces expressavam sentimentos extremos de medo.
- Vocês estão fodidos! — Inclinou-se o maior, curvando-se em direção aos dois homens sentados. Os olhos claros tinham um tom de azul nunca visto antes por nenhum dos dois.
- James... – Zachary tentou argumentar.
- Não tem James, Jimmy ou o caralho á quatro. Vocês fizeram merda, saíram com um corpo adormecido e sangrando de dentro do banheiro feminino pelo meio do restaurante – as palavras saíam cuspida de sua boca – e esperavam que ninguém visse? Vocês têm noção da enrascada que se meteram? Ou melhor, que ME METERAM?
James levou as duas mãos até a cabeça, emaranhou seus dedos nos cabelos negros, puxando-o; Bufou pesadamente.
O clima tenso do local fora quebrado pelos primeiros movimentos do corpo que até então encontrava-se desmaiado no cômodo ao lado. O grande vidro que separava os homens da menina, então, permitiu que eles vissem o despertar dela. Era frustrante ver o desespero da morena.
O olhar exasperado de Jimmy correu até Zachary e o outro homem e sua face mostrava, de forma nada sutil, o quão em silêncio eles deveriam ficar. Ele se aproximou do vidro e observou atentamente todos os movimentos que ela fazia, um pequeno sorriso formando-se em seu lábio.
- Tenho que admitir que, apesar da merda que vocês fizeram e de ter dado tudo ao contrário do que planejamos, é satisfatório vê-la desnorteada e aflita.
Jonathan e Zachary não sabiam se podiam enfrentar aquilo como um elogio. Trocaram olhares e baixaram as cabeças novamente, enquanto o maior contemplava a imagem á sua frente.
POV Synyster.
Meu celular vibrou no bolso de minha jaqueta e eu quase pude sentir meu coração palpitar dentro de meu próprio peito. Minhas mãos atrapalharam-se ao correr para o mesmo local e buscar o aparelho que podia conter o paradeiro de Ayme.
O número que estava sendo exibido era o de Papa. Apressadamente, abri a sms, deixando todas as minhas esperanças serem levadas ao ler as palavras exibidas na tela do celular: “Não obtivemos nenhuma notícia ainda. Se conseguirmos, te avisaremos. — Kenna”.
Bati minha cabeça contra o volante á minha frente. Eu estava parado, sentado dentro do meu próprio carro em frente á delegacia. Estava deixando que tudo aquilo acontecesse.
O emaranhado de pensamentos em minha cabeça deixava-me surdo e incapaz de fazer raciocínios lógicos. Já fazia 7 horas desde que ela havia sumido e a polícia nem ao menos tinha começado á procura-la... E se eles não iam o fazer, eu mesmo o faria.
Tentei afastar todos os sentimentos que me rodeavam e tentei focar em minha própria memória. Lembro-me de, uma vez, ter ouvido Joe contar á Jimmy sobre uma casa em que ele e Papa ficavam, antes deles brigarem:
– flashback-
— “Era uma casa não muito grande e ficava á uns 20 minutos do centro de Paris. Entrávamos pelo lado norte, mas fazíamos uma grande volta pelo interior... Nunca nos pegavam – Joe riu – A casa ficava ao lado de uma Igreja dos anos 20, com altos muros e um sótão enorme. Lá, ficávamos durante as longas noites. Havia uma grande sala também. Era o lugar que mais se assemelhava á um ‘lar’. Gostávamos muito de lá... [...]”.
–final flashback-
Virei a chave do meu carro e acelerei para o lado norte da cidade, enquanto minhas mãos tentavam digitar o número de meu pai. Após discar, pude ouvir por várias vezes o barulho da chamada em espera até que a voz que eu queria escutar soou ao fundo.
- Já disse que ainda não conseguimos nada, Brian!
- Pai! Pai, me escuta... Você e Joe moravam em Paris, não moravam?
Meus ouvidos tinham pressa pela resposta e o carro seguia velozmente em direção ao apartamento onde meu pai e minha irmã estavam. Minha mão direita conduzia a máquina, enquanto a direita segurava a aparelho móvel.
- Morávamos sim. Mas o que isso tem á ver?
- Eu, um dia desses, ouvi Joe contar á Jimmy sobre essa casa. E... Porra, eu acho que a Ayme está lá!
- Eles seriam tão óbvios? – Falou Papa, tentando assimilar a ideia.
- Talvez não. James não sabe que eu ouvi essa tal conversa, não sabe que eu sei sobre a casa. Ele entende que você raramente comentava sobre o seu passado para mim e supôs que você nunca tivesse comentado sobre ela.
- Isso faz muito sentido. Onde você está?
- Indo para aí.
– Ótimo. Kenna ficará em casa enquanto eu e você iremos até lá.
– Te espero na garagem.
Interrompi a ligação e afundei ainda mais meu pé no pedal de aceleração do carro.
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