Let It Burn
9 Despertando
Notas iniciais
Meus olhos arderam no momento em que eu os abri. Tentei fitar o lugar em que me encontrava, mas o ambiente era claro demais e meus olhos retraíram-se. Permaneci com os olhos fechados por alguns minutos, até que a sensação incômoda passe. Depois de familiarizada com a quantidade de luz do ambiente, abri os olhos e analisei as coisas à minha volta: a “cama” em que eu me encontrava era cercada por aparelhos de alta tecnologia, mais á frente havia uma bancada e, ao seu lado, dois grandes sofás que abrigavam o mais lindo anjo de olhos fechados. Seus cabelos estavam bagunçados e as grandes mechas (que normalmente pendiam dos lados) estavam muito perto de sua boca. Seus olhos eram cercados por uma marca roxa e sua bochecha esquerda tinha um tom semelhante; me encolhi enquanto lembrei do que havia acontecido. Observei James por um tempo até que chamei seu nome.
- Olha só quem acordou... – disse ele, levantando sonolento do sofá – Como você está se sentindo minha princesa? Senti tanto a sua falta...
- Olá grandão. Eu estou com dores de cabeça apenas, mas deve ser por causa dessa maldita quantidade de luz que entra no quarto – Olho para a janela e pude ver pela visão periférica uma mesa com alguns pacotes de presente. – O que é aquilo ali?
- Bom, você tinha muitos ferimentos e ficou sedada por alguns dias. Os caras se sentiram “culpados” por não cuidarem de você e compraram alguns presentes. A maioria deles são do Matt – ele fez uma pausa – e tem uns meus aqui também.
Meus olhos brilharam. Apesar de achar aquilo uma grande besteira, eu não imaginava que aqueles meninos gostassem realmente de mim. Ele me estendeu um pacote vermelho, e, corado, disse que esse era o presente que ele havia comprado para mim; agarrei o pacote e o abri no mesmo instante, rasgando seu papel em vários pedaços. Assim que abri, meu estômago revirou e meu coração se acelerou... Não era possível!
- Eu ouvi você comentando que havia sido lançado o álbum Born Villain e nos seus olhos pude ver o quanto você o queria. A camiseta era minha e sei o quanto você gosta dela... E a revista Hammer eu encomendei do EUA e paguei caro pelo frete... Além do mais, passei quatro dias dormindo nesse sofá e só saía daqui para ir para casa tomar banho. Você me deve três meses de massagens nos pés! – Ele riu e eu o acompanhei.
Era quase impossível descrever a sensação que eu senti. Eu tinha o melhor amigo do mundo! Dera-me o álbum que eu mais queria, a revista que há dias eu estava cobiçando e dera-me também uma de suas camisetas preferidas!
- Meu Stallion, MUITO OBRIGADAAAAAAAAA! – Disse eu, tentando me esticar até onde ele estava, mas pequenas agulhas se movimentaram de baixo de minha pele. Ele veio ao meu encontro e me abraçou forte.
Nesse momento, Matt chegou e se jogou em cima da minha cama, o que me fez quicar e bater minha testa na testa de Jimmy.
- Vaso ruim não quebra né! – Ele gargalhou – Como está minha diabinha favorita?
- Nossa que engraçado você Matthew, entra pro stand up! – Eu disse, sarcástica e logo ri – Estou bem, apenas com um pouco de dor na cabeça.
Ele sorriu para mim e foi até a mesinha, trazendo consigo alguns pacotes de presentes. Colocou-os sobre a cama.
- Já que a entrega já começou, vou entregar os meus... Sabe, eu me senti meio culpado por não ter ido atrás de você antes... Enfim, eu espero que você goste dos presentes.
Sentia uma imensa vontade de levantar dali e pular no pescoço do meu grandão, meu tudo. Eu nunca considerei meus pais como “legítimos pais”. Ele era tudo o que eu tinha, em quem eu confiava e contava. Nossas besteiras, nossos namoros... Sempre tive ele como meu ponto de equilíbrio. Ele veio ao meu encontro e apoiou seu corpo em minha perna, me fazendo arfar. Ele logo se afastou e pediu desculpas.
[...]
O médico passaria em 20 minutos e eu mal conseguia manter a minha ansiedade de sair daquela cama. Matt e Jimmy tinham ido até a lanchonete e Gena tinha ido até a minha casa pegar roupas para que eu pudesse vesti-las depois que recebesse alta. O tempo que faltava parecia passar lentamente demais para o meu gosto. Segundos tornavam-se minutos e tudo o que eu desejava era ir para casa. Enfim, alguém bateu á porta.
- Senhorita Sanders? – perguntou o médico, entrando no quarto.
- Sim, sou eu.
- Como você está se sentindo?
Contei para ele, enfatizando as melhoras... Não queria dar um motivo para que ele me prendesse naquele hospital por nem mais um dia. Ele verificou o curativo em minha perna e prescreveu um remédio para que eu tomasse em casa.
- Logo as enfermeiras vêm tirar você desses aparelhos. Espero que se recupere logo. O trauma foi grande, recomendo também visitas á um psicólogo. É isso senhorita! Vou subindo. — Assenti.
As enfermeiras vieram rapidamente e logo me livrei das agulhas. Assim que me levantei pude ver Gena entrando com roupas (muitas!).
- Olá querida! Que bom vê-la acordada! Eu não sabia o que trazer, então peguei todas as roupas que achei por lá e trouxe.
Sorri fraco. Apesar de estar agradecida, não tinha muitas expressões. Coloquei uma roupa, peguei meus presentes e fui até a lanchonete, onde os meninos estavam. Sentei um pouco ali e logo Matt pegou minhas coisas e levou para o carro. Acompanhei-o. Ele estava guardando minhas coisas no porta malas quando pus-me em sua frente e perguntei:
- Como sabia que eu estava lá, Matt?
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