Let It Burn
10 Traída
Notas iniciais
Eu sei que o capítulo anterior ficou uma merda e deu pra ver isso só pelos reviews, mas eu juro que logo ela anima de novo, ok? Apaguem a luz e boa leitura.
Seus olhos se fixaram nos meus e ele me abraçou.
— Eu tive tanto medo de te perder! Medo de que ele perdesse a cabeça e fizesse algo pior...
— Você não respondeu minha pergunta, Matthew.
Ele congelou. Seus braços pareciam querer me manter ali, mas eles penderam ao lado do seu corpo. Sua respiração passou a ser descompassada; tentou regula-la com um suspiro antes de começar a falar.
— Eu sabia aonde ele iria te levar...
— COMO ASSIM? VOCÊ SABIA DE TUDO ISSO? – Meus olhos marejaram.
— Calma, deixa eu te explicar Ayme...
— Explicar o caralho! Matthew, você sempre foi meu ponto de equilíbrio, eu sempre confiei em você mais do que em mim mesma! – Disse gritando enquanto dava socos em seu tórax, mesmo sabendo que aquilo não lhe causaria dor alguma.
Seu olhar era triste, suas mãos desfaleceram e ele estava estático, imóvel. Olhei para os olhos verdes e, chorando, saí. Corri por cerca de cinco quadras e sentei-me na calçada. As lágrimas caíam pesadas pelo meu rosto e eu não conseguia ligar os fatos: meu irmão ajudou um homem a me estuprar? Então ele sabia o que aconteceria comigo? Por que fez tal cena de bom moço então?
Eu não fazia a porra da diferença para ninguém: meus pais não me queriam em casa, meu irmão traiu minha confiança e tudo aquilo que havia acontecido... — meu rosto banhou-se em lágrimas — "Existindo, apenas existindo. A quanto tempo eu deixei de viver?"
Brian Haner narrando:
Flashback on:
Estava deitado no sofá da sala quando o telefone tocou; após perceber que ninguém iria atender, levantei de onde estava e fui até o aparelho. Atendi:
— Alô?
— Oi Brian, é o Matt. Preciso de um favor.
- Fala mano.
- Preciso que você dê um “susto” na Ayme. Minha mãe sabe que ela está morando comigo me liga várias vezes por dia falando pra eu "mandá-la" para casa, eu não aguento mais! Preciso fazer ela voltar pra casa da mãe.
- A troco de que eu faria isso?
— Não se esqueça da nossa dívida, Syn...
... Ah, a dívida! Anos atrás, enquanto Matt ainda morava em HB, eu acumulei uma dívida grande com os caras que vendiam drogas. Me afundei demais e não consegui pagá-los; fui jurado à morte. Matt ficou sabendo e, quando eles vieram para me matar, ele estava escondido com uma arma e acertou os três, inclusive o chefe do tráfico da região. Desde então, eu tinha uma ‘dívida’ com ele.
— O que você quer que eu faça?
— Você sabe que Ayme é cabeça dura, eu já tentei falar com ela... Ela só vai chegar á essa escolha se ela estiver em um nível de desespero muito grande. Você vai ter que pegar pesado... Muito pesado.
Era a oportunidade perfeita: pagaria minha dívida com Matt e me vingaria do que ela tinha feito meses atrás.
— Que horas e em que lugar?
Flashback off.
“Argh, maldição! Eu fiz tudo errado, estou fodido!” – pensei. Meu gênio nunca fora dos mais fáceis de se lidar, mas nunca havia perdido o controle com ninguém – não como perdera com ela. O desejo que eu sentia por ela atrapalhou todo o meu plano e agora, eu não quero nem saber o que será de mim quando Matthew tiver de dar explicações sobre como ele sabia onde ela estava e como a polícia não conseguiu me achar.
Meu condomínio ficava em uma área nobre da cidade. Ao lado do bairro onde eu morava havia uma periferia e perto dali ficava um lugar que eu costumava frequentar quando tinha algum problema. Troquei de roupa e desci. Andei alguns metros e pude ver Ayme sentada no meio fio, provavelmente chorando; senti-me culpado e desnorteado, era como se eu tivesse matado alguém... E, no final das contas, acho que matei mesmo: matei sentimentos, sonhos, expectativas... “Eu sou um fodido!” — pensei. Passei a andar na direção contrária e coloquei a toca da blusa. Andei quatro quadras e cheguei a um bar pouco visitado. O bar era conhecido meu, desde moleque costumava frequentar tal lugar com os meninos. O lugar era escuro, rústico e úmido por dentro; as paredes exalavam um forte cheiro de mofo e havia muita fumaça de cigarro lá dentro.
Entrei e sentei no banco que havia em frente ao balcão de bebidas e pedi uma dose de tequila, bebi e vi que não era aquilo que meu corpo precisava para esquecer tudo aquilo. Cochichei no ouvido do dono do bar e rapidamente ele trouxe um pacote marrom e me mandou ir até o final do corredor. Paguei as 8g do meu tão querido pó e me sentei no final do corredor, arrumando-o em várias carreiras não muito finas. Dentro de mim, algo pedia que aquilo fosse suficiente para causar uma overdose.
— Não se deve fugir da culpa dessa forma, Synyster.
A voz soou rouca e chorosa. Meus olhos fitaram seus pés e foram lentamente subindo até chegar ao seu rosto. As pernas estavam descobertas devido ao shorts que ela estava usando, o cabelo castanho estava preso em um coque alto, os olhos claros e pacíficos estavam marejando.
— Como me achou aqui, Ayme? – disse-lhe.
Sabia do que eu havia feito e sentia-me extremamente culpado por isso.
— Eu sentei em uma rua qualquer, sem perceber que estava em frente ao condomínio que você mora. Então eu vi você sair e tentar se “esconder” – ela disse, detestando a palavra que usara – Fugindo, seria uma palavra melhor.
— E por que veio até aqui?
— Eu não sei. Uma parte minha pedia, desesperadamente, para que eu chamasse a polícia. A outra parte de mim não vê mais motivos para viver, então achei que vir atrás de você seria uma boa forma para se morrer – ela riu, entre o choro.
— E por que eu te mataria?
— Porque você tentou o fazer a quatro dias atrás, talvez?
— Eu não queria te matar, muito menos fazer tudo aquilo. Foi um surto.
— Um surto que quase tirou a minha vida.
Abaixei os olhos. Sabia que ela estava certa.
— Viu só? Eu sou um fodido! Eu só estrago a vida das pessoas! – Disse tão alto que pareceu até que eu estava gritando.
— Morrer te parece uma boa opção?
— A melhor, entre somente essa.
Ela sorriu fraco pela minha piada sem graça. Sentou-se do meu lado, olhou para o teto e disse:
- Você é uma missão suicida e masoquista — ela fez uma pausa — posso me juntar á você?
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