Notas iniciais
ME PERDOEM PELA DEMORA :( Minha avó ficou doente e eu tive que ficar na casa dela e lá não tem internet : Eu levei meu notbook e escrevi dois capítulos bem legais pra vocês (apesar de estarem melosos e blábláblá, é que eu tava sentindo falta de um romance na história...) Mas mais pra frente vocês vão entender o porquê desse meloso todo, ok? Beijinhos, espero que gostem do capítulo!

Começo da parte 1.

Narrado por Ayme:

Não sabia como explicar a mim mesma o porquê de ter feito aquilo. “Ele tentou me matar, não tentou? Por que eu estou sentada ao lado dele nesse exato momento? Por que, apesar de ver sua verdadeira personalidade, eu não consigo acreditar que ele se tornara tal monstro?” Eram muitas as perguntas que rodeavam a minha mente, mas estar ali parecia ser sensato o bastante.

O olhar de Brian estava fixado em uma porta ao final do corredor e eu ainda fitava o teto, tentando organizar as ideias dentro de minha cabeça. Procurei algo no bolso do meu shorts e estendi a mão até Brian, fazendo-lhe um pedido:

— Tem um isqueiro aí?

Ele estendeu um isqueiro preto em minha direção.

— Não sabia que fumava.

— Eu também não sabia que usava cocaína.

Peguei o isqueiro e acendi meu Marlboro. Devolvi seu objeto, traguei uma vez e prendi a fumaça dentro de mim; aquilo ajudava a acalmar. Soltei a fumaça lentamente, sentindo os olhos de Brian focalizados em mim.

— Há quanto tempo você cheira? – Perguntei.

— Quatro anos, mas não costumo usar sempre – ele fez uma pausa – há quanto tempo você fuma?

— Desde que fui embora de HB.

— Sempre Marlboro?

— Marlboro vermelho – corrigi.

Ele assentiu. Abaixou a cabeça e guardou o pó dentro do pacote novamente, colocando-o no bolso.

— Tem medo de estar comigo?

Desviei meu olhar do teto e fitei seu rosto. Os olhos castanhos cercados de uma maquiagem preta, escura. Seus cabelos estavam arrepiados e ele não tinha mais a raiva no olhar. Seu peito estava levemente descoberto por estar com uma camiseta V branca, deixando algumas tatuagens à mostra.

— Não mais.

— Hã?

— Não mais.

— Eu entendi a resposta, só não entendi o porquê dela.

— Ah, sim. – Suspirei – Eu não sei dizer o porquê disso... É como se eu pouco me importasse com a minha vida daqui pra frente.

Ele fez um olhar de dúvida.

— Matt te contou?

— Me contou o suficiente para que eu o repudiasse por toda a eternidade.

— Te contou porque eu fiz aquilo?

— Não e, desculpa à grosseria, eu não me importo.

— Eu não quis te est... – sua voz falhou.

— Poupe-me Brian. Aquilo que foi feito não pode ser mudado.

— Mas, se você não sabe a razão de eu ter feito aquilo, por que está sentada aqui?

PERGUNTAS, PERGUNTAS DEMAIS! Traguei meu Marlboro mais uma vez e levantei-me do chão em que estava sentada.

— Se não quer minha presença por perto, não precisa dizer duas vezes. Eu já vou indo.

— Espera, para aonde você vai?

Não lhe dei ouvidos. Saí rapidamente do bar e andei por uns vinte metros até que sinto as mãos fortes de Syn me segurarem novamente.

— Se eu bem te conheço, você não vai voltar para casa nem ao menos para pegar algumas peças de roupa. Venha comigo para minha casa e, de lá, você liga para alguém.

— Eu não vou com você para lugar nenhum!

— CALA BOCA AYME! TO TENTANDO TE AJUDAR CARALHO... VOCÊ VAI LÁ PRA CASA SIM E, DE LÁ, A GENTE LIGA PRO JIMMY.

Meus olhos fuzilaram-no e segui com ele até seu apartamento. Era estranho estar naquele lugar novamente.

— Você já conhece o apartamento, pode ir tomar um banho enquanto eu ligo pro Jim.

Ignorei seu comentário e fui até a cozinha, revirei a geladeira e achei um litro de vodka; coloquei um pouco em um copo. Retirei mais um cigarro do bolso e acendi na chama do fogão, peguei meu copo de vodka e fui até a sacada do quarto de Brian.

Eu não fazia ideia de que horas eram, mas o sol já estava se pondo. Naquele momento, eu pude entender o que estava acontecendo. Meus olhos marejaram mais uma vez ao lembrar-me das palavras de Matt, o que me trouxe ainda mais lembranças ruins. Bebi um grande gole de vodka e pude sentir braços quentes me envolverem. Os dedos finos de toques precisos pareceram me segurar do buraco sem fim que minha alma caía. Não havia dúvidas, eu não precisava olhar para trás para saber que meu anjo de olhos azuis estava ali. Sabia que ele não tinha nada a ver com aquilo, sabia que, nos braços dele, eu estaria protegida. Virei-me para Jimmy, ele estava abaixado atrás de mim; o abracei com toda a força que eu tinha. As lágrimas já não encontravam barreiras, escorriam pelo meu rosto e caíam sobre a camiseta preta dele. Seus braços me envolviam e eu pude ouvir um “Chore minha pequena, eu ficarei assim o tempo que for preciso.”.

Narrado por Brian:

“Caralho, ela tá lá no peito dele chorando já faz mais de uma hora.” – Pensei, aquela situação estava começando a me irritar. Jimmy chegara em minha casa e nem ao menos proferiu um oi à mim, Ayme estava bebendo da minha vodka, sentada na sacada do meu quarto e eu nem ao menos podia ir até lá para abraça-la... Afinal, tudo isso é culpa minha.

Sentei no sofá e liguei a televisão, esperando encontrar algo que me distraísse; passei por todos os canais e não encontrei nada. Fui até o armário e achei um litro escondido de Absinto, não me lembrava de tê-lo comprado, mas era perfeito para a ocasião. Enchi um copo grande e tomei todo o líquido de uma vez só; repeti o ato. Depois do oitavo copo me joguei no sofá da sala e sentia que as coisas estavam girando, não me lembrei da ultima vez que havia ficado assim, fazia muito tempo que não sentia necessidade de tomar um porre desses. Meu estômago embrulhou e eu levantei, fui até o banheiro e vomitei até quase perder a consciência. Depois de passar, coloquei a banheira para encher, me desfiz de minhas roupas e submergi naquela água quente e aconchegante.

Narrado por Ayme:

Eu não sabia há quanto tempo eu estava naquela mesma posição, mas ainda sentia os braços de James me envolvendo. Desencostei minha cabeça e fitei seus olhos, que me olhavam atentamente. Sentia uma grande gratidão por ele.

De uma forma estranha, eu senti necessidade de selar nossos lábios. Meu rosto se aproximou do dele lentamente até que eu voltei à realidade e tomei noção do que eu estava fazendo. Voltei minha cabeça ao lugar inicial e estremeci com a besteira que quase fiz.

— Como você está, minha princesa? – Ele disse ternamente.

— Estou... – fiz uma pausa – Estou melhor. A palavra bem talvez não se encaixe nessa situação.

Ele sorriu fraco e me abraçou ainda mais forte.

— Por que você não me ligou? Quando Matt voltou ao hospital dizendo que você havia “fugido” todos entraram em desespero!

— Me desculpe Jimmy.

Foram as únicas coisas que pude dizer antes de meus olhos marejarem novamente.

— Ei bebê, chega de chorar. Vamos sair daqui...

— Eu não voltarei para aquela casa Jimmy, me desculpe.

— Tudo bem, vamos achar um hotel para você ficar provisoriamente. Eu te deixo no hotel, você toma um banho enquanto eu vou lá em casa e pego algumas roupas pra você, afinal, está tarde e você saiu hoje do hospital, precisa descansar.

— Eu já te disse o quanto você é maravilhoso, grandão?

— Não disse, mas eu sei que sou. – Nós rimos. – Agora vamos.

Ele levantou e me levantou junto. Eu sorri para ele enquanto saía do quarto de Brian. Suspirei, enquanto sentia o braço de James passar sobre meus ombros e ser guiada até a saída.

Jimmy dirigiu até o hotel que ele escolheu e locou um quarto para mim. Subi até o ultimo andar e abri a porta do quarto 938. Um frio percorreu minhas costas; o branco do quarto me lembrava muito o tal hotel que estive à quatro dias atrás. Entrei rapidamente e fui direto ao banheiro, tomar o banho que tanto almejava naquele momento.

Fim da parte 1, começo da parte 2.

Já era quase meia-noite quando escuto a campainha tocar, ainda sonolenta me levanto para abrir a porta. As fechaduras da porta ficam ainda mais complicadas devido ao sono e, depois de muito tentar, consegui abrir a porta.

— Aí grandão, achei que você não viesse mais – Disse enquanto lhe dava um abraço.

— Eu tive que resolver umas coisas – Disse ele, entrando pela porta furiosamente.

Entrei no quarto também e fechei a porta. Sentei na cama, esperando que ele fizesse o mesmo, mas ele não fez. Ele estava de pé, parado em minha frente, praticamente me fuzilando com os olhos.

— Ei, o que foi dessa vez poste?

— O QUE FOI AYME? – Ele disse, quase gritando comigo – FOI QUE VOCÊ NÃO ME DISSE NEM METADE DO QUE ACONTECEU! CARALHO, EU TENTO TE AJUDAR, EU PASSO UMA HORA E MEIA NUMA POSIÇÃO SUPER DESCONFORTÁVEL SÓ PARA QUE VOCÊ POSSA CHORAR NO MEU OMBRO E É ASSIM QUE VOCÊ RETRIBUI? ESCONDENDO AS COISAS DE MIM?

— Do que você ta falando Jimmy?

— TO FALANDO QUE VOCÊ NÃO ME DISSE QUE TINHA TRANSADO COM O HANER NAQUELE DIA DA FESTA, TO DIZENDO QUE VOCÊ NÃO TINHA ME CONTADO QUE FOI O MATT QUE MANDOU O BRIAN FAZER TUDO AQUILO!

Ele tinha razão, eu não o contara nem metade das coisas que haviam acontecido. Sinto meus olhos marejando e abraço meus joelhos, na esperança de conseguir abrigo para minha alma que, mais uma vez, estava exposta ao abismo.

— Eu não te contei porque eu fiquei sabendo disso hoje, Jimmy.

Eu não aguentava ver meu melhor amigo gritando comigo daquele jeito. Sentia minha mente perder o sentido e tudo que eu queria era seus braços acolhedores, mas parecia que ele estava surtando. Agarrei meus joelhos com mais força e tentei segurar as lágrimas que estavam presas na minha garganta, sem sucesso. Levantei bruscamente e comecei a gritar com ele também.

— SEU GROSSO, ESTÚPIDO! PARABÉNS POR FODER AINDA MAIS COM A MINHA VIDA. A ÚNICA COISA QUE EU NÃO ESPERAVA DE VOCÊ ERA VER VOCÊ GRITANDO COMIGO! VOCÊ É COMO TODOS ELES!

Sinto-o me encarando e, repentinamente, seus joelhos cedem; Jim senta no chão do quarto e seus olhos voltam-se para o chão.

— Você tem razão. Eu sou um burro, um inconsequente.

Sentei-me do seu lado e pude ver as lágrimas que banhavam seu rosto, abracei seu grande corpo e me aninhei em seus braços.

— Eu não tenho não, eu não tenho razão. Você é a melhor pessoa do mundo! Por favor, me desculpa Jimmy.

Ele não expressou reação, mas eu continuei o abraçando. Ele passou seus braços por debaixo de meus joelhos e por trás de minhas costas, se levantou e me colocou na cama.

— Durma minha pequena, durma.

Eu lancei-lhe um olhar de dúvida sobre o seu ato, mas meu corpo estava cansado demais para relutar contra essa ordem.

Fim da parte 2.

Notas finais
Capítulo para encher linguiça, comentem sobre o que acharam :3