Let It Burn
16 Acidentalmente parte 1
Notas iniciais
Esse capítulo é dedicado á lindíssima da Vampira, que terminou sua fic e eu estou chorando com esse final maléfico.
Dedicado também á Ana Sofia que me deu um enorme pique para eu escrever *-* Amo você minha loirinha ♥
Ayme P.O.V.
Terminei de tomar meu banho e saí do banheiro, enquanto enrolava uma toalha branca ao redor de minha cabeça. Não sabia ao certo há quanto tempo eu estava dormindo na casa dele, mas já faziam alguns dias e, ainda assim, Brian não parecia estar cansado de mim... Eu é que estava entediada com ele! O homem sádico de olhares malvados dera lugar á um homem calculista, que agora planejava comigo detalhes dos meus planos. Ok, eu confesso que tudo anda correndo muito bem e os planos parecem estar saindo melhores até que o esperado, mas justamente agora que eu tava começando a gostar dessa história de sadismo...
Adentrei a sala ampla e pude vê-lo fitando a paisagem que se formava por trás das belas janelas de seu apartamento. Pus-me em seu lado, levantando uma mão em seu ombro e indagando-o:
– Pensei ter ouvido você ao celular pouco antes de eu sair do banheiro... Quem era?
– Era Zacky. O plano fora executado. – Falou ele, de semblante sério.
Vibrei com a afirmação, aquilo era tudo que eu precisava para ganhar o meu dia chato e tedioso. Recompus-me e uma preocupação tomou minha mente.
– Será que ela tomou os tais hormônios que colocamos no lugar dos anticoncepcionais dela?
– Zacky me disse ao telefone que mais da metade da cartela fora ingerida. Agora é só torcer para que aquela vaca não seja estéril também.
Ele praticamente cuspia as palavras que faziam referência á Leana. Ele falou sério e eu gargalhei. Eu ainda iria descobrir o porquê dessa raiva que Brian sente por ela...
Uma ideia veio em minha mente e eu sabia exatamente o que fazer para me livrar daquele tédio horroroso que banhava-me o dia.
– Hey Syn, vai pro seu quarto e se arruma. Vamos sair! – Eu disse enquanto ía em direção ao “meu” quarto.
– O quê? Nem pensar!
– Por que não?
– Ayme, eu tenho compromissos...
Me aproximei dele e, ainda que de baixo, encarei seus olhos castanhos.
– Está me evitando? – Eu disse cabisbaixa.
Ele me olhou dentro dos olhos e segurou meu rosto com as duas mãos. É claro que eu estava triste com sua reação, mas eu quase me esqueci disso quando consegui me concentrar em seus lindos olhos parados, fitando-me.
– Não é isso, nunca foi e você sabe muito bem. Eu só não estou afim de sair hoje.
Me afastei dele e pude sentir suas mãos deslizarem sobre meu rosto, me soltando. Fui até muito perto da porta que dava entrada ao quarto que eu estava dormindo e olhei para ele novamente.
– Ok. Já que não quer ir, eu vou sozinha. – Sorri para ele e entrei no quarto.
Enquanto revirava minhas malas com as roupas, pude ouvir Brian passar falando algo sozinho pelo corredor. Meus lábios arquearam-se em um sorriso enquanto eu ainda revirava as roupas amassadas.
Montei vários looks, detestei quase todos: Preto demais, cruz demais, pesado demais! Eu estava feliz e aquelas roupas não condiziam com meu estado de espírito. Estava quase abortando a missão de sair quanto vejo uma beirada colorida no meio do preto. Identifiquei de imediato uma blusa que havia comprado em uma de minhas viagens á casa de vovó, em Genebra. O look montado a seguir fora diferente de todos os que eu já havia usado: A blusa (se é que podíamos chamá-la assim, de tão pequena) era colorida e diferente de todas as minhas outras. O shorts era curto e de cós-alto, escondia meu umbigo o que era essencial para não tornar o look ‘vulgar’. Coloquei uma meia-calça por baixo do shorts e um casaquinho fino por cima da blusa. Vasculhei os sapatos á procura de um salto e desisti, colocando um tênis que eu havia usado pouquíssimas vezes e que, diga-se de passagem, era lindo. Acrescentei alguns acessórios, me olhei no espelho e adorei o que vi. Peguei meu celular e enfiei algumas notas de dinheiro no bolso de trás do shorts. Saí do meu quarto e fui em direção á porta.
– Aonde vai vestida desse jeito? – Brian indagou, me olhando dos pés á cabeça com cara de incrédulo.
– Vou procurar um bar pra beber, coisa que eu não faço á muito tempo.
– Com essa roupa? – Ele riu – Você vai ser estuprada antes mesmo de entrar em um bar. Aqui não é Washington querida.
– Veremos! – Eu disse, enquanto saía e batia a porta atrás de mim.
Andei pelo corredor e fui até o elevador. A porta estava quase se fechando quando Brian apareceu.
– Achou mesmo que eu ia te deixar ir sozinha?
– Desde quando me protege?
– Eu não vou te proteger, eu vou beber!
Nós dois rimos e ele entrou no elevador, que descia em direção á garagem. Ele tirou algumas chaves de seu bolso e pude perceber que elas eram diferentes das que eu sempre via com ele.
– Qual é a da chave nova? – Perguntei.
– Ganhei uma máquina nova do meu pai por... Bem, por ajudá-lo em algumas coisas que ele precisava.
– Ual! Se fosse eu quem tivesse ajudado meus pais, iria ganhar, no máximo, um “não fez mais que sua obrigação”.
Gargalhamos, a porta se abriu. Adentramos a grande garagem escura e pude ver um carro até então desconhecido dentre tantos outros. O modelo era novo e exibia um logotipo atrás que eu logo identifiquei ser Volvo. Sorri para Brian enquanto ele destravava o alarme e entrava o belo veículo.
– Ta vendo como ele é lindo? Airbag duplo aqui e aqui – ele mostrava os locais – e aqui...
Ele continuou contando vários detalhes do carro, detalhes esses que eu não prestei atenção. Logo o carro já estava cortando a escuridão da pista.
– Onde vamos?
– Vamos ao bar do Johnny, um amigo meu. Beberemos um pouco e eu também conversarei com ele sobre uns assuntos... Ou melhor, sobre Matt.
– Matt? Ele está envolvido com esse tal Johnny?
– Não. Johnny revende coisas que precisaremos se quisermos executar esse plano que você bolou para Matthew.
Analisei a afirmação dele, tentando encontrar o ponto em que Johnny ajudaria, sem resultados. Logo, Brian freou bruscamente, fazendo com que as pedras que estavam em baixo dos pneus de seu carro deslizassem sobre o asfalto. Havíamos chegado. Brian desceu de seu carro e fez um sinal com a cabeça para mim, sinal esse que eu interpretei como uma ordem para que eu ficasse juntamente á ele até que entrássemos. Desci do carro, fui até seu lado, andando com ele, em seu ritmo. Assim que nos aproximamos da porta, Brian colocou um braço sobre meu ombro, apertando levemente meu braço, me fazendo lançar um olhar feroz para ele.
Entrei no lugar com Syn e me surpreendi: o lugar era muito mais bonito dali de dentro. O bar tinha as paredes escuras, havia pouca iluminação, as mesas rústicas alternavam-se com a tecnologia dos telões onde estava passando um clipe do Marilyn Manson que eu reconheci no mesmo intante: This Is a New Shit. Os odores de muitos perfumes diferentes misturavam-se e o cheiro de tabaco, provavelmente, já era característico do bar, já estava impregnado nos móveis e paredes. Havia algumas placas em néon da marca Marlboro, o que me fez desejar ter um cigarro entre meus lábios enquanto eu dançava a musica que estava tocando. Suspirei, indo em direção ao balcão principal do bar.
– Aí baixinho! Me desce uma dose de Balkan! – Gritei para o barman.
Ele me olhou incrédulo e veio em minha direção. Parou em minha frente, apoiou seus braços no balcão e aproximou seu rosto do meu, aproximou demais até.
– Então a princesinha quer vodka? Acha que consegue beber mais que uma dose?
Eu gargalhei.
– Meu anjo, se você soubesse da metade das bebidas fortes que eu já tomei, aposto que se impressionaria.
É claro que eu o deixei intrigado com aquilo.
– A princesa não quer me mostrar seus dons com a bebida, não? Depois a gente poderia usufruir dos resultados...
– Ela está comigo Jonathan Seward – Disse Brian enquanto passava seus braços ao meu redor, fuzilando Johnny com os olhos e visivelmente irritado.
– Me desculpe, eu não sabia – ele olhou para o chão, aparentemente envergonhado. Logo depois abriu os olhos e os virou para mim – Vai querer uma disputazinha ainda?
Assenti.
Johnny foi colocando pequenos copinhos no balcão e os enfileirando, pude contar 10 copinhos. Ele fez o mesmo pra ele e encheu com a vodka já conhecida por mim. Ele me olhou de forma zombeteira, segurou o primeiro copo e jogou o conteúdo garganta abaixo. Eu bem sabia que Balkan não era o tipo de vodka que se toma pura, mas agora já era tarde demais. Peguei o primeiro copo e trouxe até a minha boca. O cheiro era inegavelmente inebriante e o gosto era conhecido por minha garganta, que nesse momento estava queimando devido á dose que eu havia tomado. Bati o copo na mesa e fitei-o. Ele virou mais um copo e eu fiz o mesmo. Mais uma vez. Mais uma vez. Já estávamos no oitavo copo e eu sentia minha cabeça fervilhar com ideias e desejos. Brian estava sentado no banco ao lado do meu desde o começo e ele estava me apoiando naquela loucura de continuar bebendo e a cada dose perguntava-me se eu estava me sentindo bem, eu apenas assentia e esperava que fosse minha vez de beber novamente. Tomei o nono copo e só então olhei para Brian, que gesticulava com a mão, alegando que iríamos vencer aquela disputa. Seus braços tatuados estavam escondidos por uma pesada jaqueta de couro, uma camiseta preta apertava-lhe o tórax e deixava seus músculos em evidência. O cheiro do cigarro que queimava em seus dedos subia pelas minhas narinas e causava-me euforia.
– Ayme, é o ultimo. Tome-o e nós vamos para casa.
– Mas a noite só começou, meu amor! – Eu disse para Brian enquanto tomava o décimo copo e levantava do banco em que estava sentada.
As coisas ao meu redor estavam girando e eu nem ao menos me importava. Nas caixas de som tocava uma música que eu conhecia muito bem: Walk, do Pantera. Meus quadris remexiam ao som da guitarra e era possível ouvir alguns pigarros ao meu redor, algumas ofensas e alguns elogios... E eu pouco me importava! Repentinamente, braços me envolveram, o que não me impediu de continuar dançando. Virei-me para trás, esperando encontrar os olhos de âmbar escurecidos, mas deparei-me com orbes que eu conhecia muito bem.
– O que você quer Matthew?
– Precisamos conversar.
– Eu não quero falar com você! – Disse, me empurrando para que eu pudesse desencostar de seu peito, mas seus braços estavam me prendendo ali.
– Resposta errada, pequena. Não te perguntei se você quer, apenas afirmei que precisamos conversar. – Ele disse, apertando ainda mais seus braços á minha volta – Sabe, eu ando com saudades de você.
– Eu tenho nojo de você Matthew! Você é um monstro!
Ele me olhou com os olhos irritados e me puxou até a saída. Minhas pernas batiam violentamente contra as deles, mas ele não parecia ligar. Minhas mãos batiam contra o seu peito e ele apenas ria dos meus esforços desperdiçados.
– Olha aqui – Ele me disse, colocando-me sentada em cima de um capô de um carro que eu não soube distinguir de quem era – eu dei tempo demais para você perceber a burrada que está fazendo. Você sabe o quanto é perigoso estar perto do Brian? Ele é um criminoso!
– Acredite, ela está mais protegida perto de mim do que perto de quem mandou um homem estuprá-la violentamente.
Matt virou seu rosto para trás e Brian acertou-lhe um soco na face, soco que provavelmente arrancaria muito sangue do nariz de Matthew. Syn acertou-lhe mais uma vez, dessa fez na região do estômago, o que o fez arfar de dor e cair ao chão. Eu corri até o carro do Syn e entrei. Meus olhos marejavam e a dor que eu sentia era quase incompreensível para alguém de fora. Eu escutava barulho da briga que estava acontecendo do lado de fora e minhas mãos apertavam-se contra os meus ouvidos, meu corpo balançava para trás e para frente, numa tentativa frustrada de fazer com que tudo aquilo acabasse de uma vez. Eu só queria que Matthew sumisse para sempre da minha vida...
Brian abriu a porta do carro inesperadamente, exaurido. Sua face tinha sinais de violência e algumas gotas de sangue escorriam de sua testa. Sua roupa estava suja e rasgada, demonstrando sinais de briga. Suspirei, passando as mãos apressadamente pelo seu corpo.
– Meu Deus, você está sangrando!
– Esse é meu menor problema...
– O que houve? — Eu disse, enrijecendo.
– Eu acho que... Eu acho que eu matei Matthew Sanders.
Notas finais
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