Let It Be
13 Capítulo 13
Notas iniciais
A noite foi bastante interessante. Mu mostrou mais um dos seus dotes e, depois de ajudar minha mãe com o jantar – porque a dona Agnes não aguentava mais ficar parada e dessa vez ninguém a segurou –, ele deu uso ao piano da sala e tocou uma música do Beatles. Também a cantou, obviamente.
You'll never know how much I really love you.
You'll never know how much I really care.
Listen,
Do you want to know a secret?
Do you promise not to tell? whoa oh, oh.
Nem preciso dizer que fiquei babando na visão, ok? Achei até que dei bandeira demais, porque meu irmão me olhou meio torto e eu precisei disfarçar meu olhar de idiota. Já minha mãe não percebeu nada, talvez apenas o vergão roxo no pescoço do Mu, que ele mentiu descaradamente afirmando que um bicho o havia mordido. Fiquei indignado por ser chamado de bicho, mas achei sensato confirmar a história.
Closer,
Let me whisper in your ear,
Say the words you long to hear,
I'm in love with you.
Listen,
Do you want to know a secret?
Do you promise not to tell? whoa oh, oh.
No final minha mãe já estava batendo palminhas. De repente ela encontrava o filho que sempre quis ter. E eu? Sei lá, estava com o coração acelerado, ainda tentando não ficar que nem o Átila, que balançava o rabo e se babava todo sentado perto do Mu também o olhando tocar. Dá para acreditar? Até meu cachorro começou a gostar de Beatles agora!
I've known the secret for a week or two,
Nobody knows, just we two.
Assim que a dona Agnes foi dormir e ficamos apenas eu, Mu e meu irmão na sala, ele parou e nos olhou seriamente, e então eu soube que ele era muito mais esperto do que parecia.
“Vocês estão namorando?”
Sim! O idiota foi direto assim! Mu arregalou os olhos e ficou extremamente vermelho, enquanto eu tentava me recuperar depois de ter me engasgado com minha própria saliva. Delícia. Adoro meu irmão.
O Átila resfolegava empolgado de um lado para o outro, sem entender nada da situação. Às vezes, cachorros é que são felizes.
“O quê?! Da onde você tirou isso?” Perguntei olhando de esguelha para o Mu e vendo que ele tirava a bombinha do bolso e a levava aos lábios, parecendo completamente sem palavras. Mas também, o que ele iria dizer: não, não somos, o Aiolia apenas me chupou na cachoeira?
Ah, e um parênteses sobre isso. Se eu paro para pensar, ainda nem acredito que fiz aquilo, mas foi meio que uma maneira de demonstrar que eu não me importava em nada por ele ser homem; que isso não era mais um impedimento frente ao que eu começava a sentir por ele. No início foi um pouco... estranho. Mas em nenhum momento ruim. Valeu todas as expressões de prazer no rosto do Mu, e o corpo dele me excitava tanto, sendo lavado pela água da cachoeira, que eu poderia lambê-lo e sugá-lo inteiro até que ele implorasse para eu parar. E chega, antes que vocês me considerem ainda mais pervertido do que já devem achar.
“A Katie ficou fazendo insinuações antes de ir embora, e depois vocês voltam cheios de sorrisinhos e olhares demorados depois de uma tarde inteira juntos. Sem contar esse roxo no pescoço do Mu, que não parece nem um pouco com uma mordida de bicho, mas sim com uma bela de uma chupada.” Meu irmão tinha o ar sério, mas não parecia existir desgosto em seu tom.
Mu disfarçadamente colocou os cabelos na frente do roxo. Eu cocei a parte de trás da minha cabeça, me sentindo num beco sem saída.
“Nós...” Balancei a cabeça. “E eu não sabia que você era tão metido assim!”
Meu irmão teve a decência de parecer constrangido.
“Não queria me intrometer. Só estou perguntando...” Se acomodou melhor no sofá. “Só fiquei chateado com a ideia de que meu irmão não me conta mais o que acontece na vida dele.”
“Não seja dramático, Aiolos.” Revirei os olhos. Por que ele tinha de ser tão inconveniente?
“Mas tem algo rolando entre vocês.” Apontou.
Olhei para o Mu, que continuava corado sem encontrar o melhor lugar da sala para encarar. Ele percebeu que eu o encarava e sorriu de leve para mim, dando a entender que não se importava com a resposta que eu desse. Voltei a atenção ao meu irmão.
“Você tem algum preconceito?” Ergui uma sobrancelha.
“Não vou mentir, não consigo entender o que há de interessante em outro homem, mas eu jamais iria te julgar por causa de orientação sexual. Te conheço a vida inteira, sempre te respeitei, e isso não mudaria jamais por algo assim.” Ele levantou, foi até o Mu e colocou as mãos sobre os ombros dele. “E, Mu, você parece uma ótima pessoa e o primeiro a colocar algum juízo na cabeça do meu irmão. No pouco tempo em que vocês estão aqui já deu para ver isso.”
Mu abriu um sorriso enorme que chegou a me causar ciúmes. Ele também não precisava ficar sorrindo assim todo lindo para o Aiolos.
“Eu vou ir dormir, boa noite para vocês. E tentem não fazer muito barulho, as paredes dessa casa são finas.” Ele estava para sair da sala quando eu levantei, o chamei e o abracei, numa clara demonstração de agradecimento pela sua atitude.
“Seu filho da puta.” Murmurei no ouvido dele, ignorando que estava assim xingando minha própria mãe. “Aposto que isso também foi uma vingança pela vez que você trouxe a Adara na chácara e eu perguntei a mesma coisa para vocês dois.”
“Ao menos eu perguntei quando a mãe não estava junto, seu desgraçado.” Ele retrucou, com um tom de sacanagem na voz. Nos afastamos.
“Só porque você não quer matar a mãe do coração de vez.” Sorri torto.
“Ela vai aceitar numa boa. A gente cresceu sem preconceitos, tu sabe. E isso sem contar que ela ‘tá quase adotando o Mu para filho.” Ele me deu tapinhas no ombro. “Pode deixar que eu cuido de dar os netos que ela quer.”
“Isso se você tomar vergonha na cara e se aquietar com alguma garota.” Debochei. Ele me dispensou.
“Volte lá para o seu namorado.” Ele saiu da sala e, quando voltei para o sofá, vi que o Mu mordia profusamente o lábio inferior, já inchado.
“Está tudo bem?” Perguntei, me aproximando e passando o braço ao redor de seus ombros. Átila veio tentar algumas lambidas e se meter entre a gente, mas eu praticamente o chutei para longe.
“Sim, isso só foi... Uou! Por um momento achei que o clima ficaria péssimo, mas,” Ele sorriu e então subiu no meu colo, colocando uma perna de cada lado da minha cintura e me deixando completamente fascinado com a maneira com que seu corpo se encaixou ao meu. “eu deveria saber que ele seria tão maravilhoso quanto você, deve ser de família...” Mu começou a beijar o meu pescoço, sua voz sussurrada perto do meu ouvido, e eu pensando no quanto isso era sublime.
Meu corpo incendiou, Mu se moveu sobre o meu colo, e eu o puxei para um beijo. Depois pensei melhor no que ele falou e não gostei. Mordi seu lábio e me afastei apenas milimetricamente de sua boca.
“Como assim? Eu não deveria ser mais maravilhoso do que o Aiolos?” Aposto que fiz cara de criança embirrada que deixou o pirulito cair no chão. Mu sorriu e roçou os lábios nos meus. Como ele me provocava desse jeito sabendo do tempo em que eu estava em abstinência? Talvez houvesse maldade em seu coração, no fim das contas.
“Mais maravilhoso,” Ele concordou. “Muito mais...”
Voltei a beijá-lo e me levantei carregando-o para o quarto. Encontrei alguma réstia de sanidade e controle que me impediu de arrancar todas as suas roupas e o devorar sobre a minha cama. No fim apenas dormimos abraçados e comportados. Eu sentia seu cheiro de lavanda e pensava em como seria se ele fosse mesmo meu namorado.
XxX
Acordei sem ninguém na cama junto comigo. Estranhei, olhando ao redor e me perguntando se o Mu finalmente havia percebido que de maravilhoso eu não tinha é nada e se mandou antes que eu passasse da linha.
Fiquei nervoso feito uma esposa chutada e corri para fora do quarto, sem nem lavar o rosto. Qual foi a minha surpresa ao encontrar o Mu limpando a casa quando o sol mal havia aparecido no horizonte? Olhei abismado para ele que, ao me ver, se ergueu rápido e nervoso.
“Olia!” Parecia ter sido flagrado cometendo um crime grave.
“O que você está fazendo?” Franzi a testa e me aproximei mais um pouco. Ele estava de luvas e com um avental de faxina, os cabelos presos num rabo alto e o rosto adoravelmente corado pelo esforço.
“Eu...” Ele mordeu o lábio inferior, como sempre fazia quando estava nervoso. “Um pouco mais de uma hora atrás o Átila começou a arranhar a porta do quarto e eu vim ver o que ele queria. Ele tinha feito coco e xixi pela sala e eu tive de limpar e, como eu estava com a mão na massa, resolvi ajudar a sua mãe e fazer a limpeza, já que ela precisa descansar e... Não que eu esteja dizendo que casa é suja, é só que eu vi que ninguém deve ter tido tempo de fazer uma faxina desde quinta feira, e como já é segunda eu achei que-“
“Mu, calma.” Eu sorri e me aproximei dele, antes que acabasse tendo um ataque de asma. Toquei seu rosto e esperei que respirasse fundo, se acalmando. “Sei que não está fazendo isso para, sei lá, jogar na minha cara que a casa está suja.” O beijei na bochecha fazendo-o suspirar. “Só não conte nada para minha mãe, ou ela vai ficar de orgulho ferido. E deixa eu te ajudar.”
Ele ainda tentou negar, dizendo que não precisava, mas contra-argumentei que, para início de conversa, havia sido o porco do meu cachorro a começar a bagunça. Ele acabou cedendo e terminamos por deixar a casa um brinco juntos. Seu sorriso de satisfação pelo bom trabalho era visível. Eu já havia entendido desde os primeiros dias dele lá em casa que o Mu era meio maníaco por limpeza, talvez por causa da asma.
No fim, claro, minha mãe percebeu o que havíamos feito e eu tive de ouvir umas.
“Como você faz a visita limpar a casa, Aiolia?” Ela me perguntou horrorizada.
“Mas, dona Agnes, fui eu quem-“
“Você não precisa defender o meu filho, meu querido.” Ela falou toda carinhosa para o Mu. “E agora você fique descansado que eu vou preparar o almoço sozinha. Você merece depois do que fez, obrigada pela ajuda.”
“Ah, eu também ajudei! Não mereço nenhum agradecimento?” Reclamei.
“Claro que não, você não fez mais do que a tua obrigação. E ainda fez a visita te ajudar!” Minha mãe ralhou.
“Mas-“ Mu tentou dizer de novo, mas de novo foi interrompido. Era impossível fazer minha mãe escutar quando ela não queria.
Passamos o resto da manhã com o Aiolos, ajudando-o com os cavalos, vendo-o até domar um potro xucro. Depois do almoço, minha mãe teve o disparate de mostrar uns quantos álbuns de foto para o Mu. Eu quis botar fogo nos malditos quando ela mostrou uma foto minha, com uns cinco anos, pelado, chorando com o bocão aberto porque o Aiolos jogava jatos de água em mim com uma mangueira. Isso é foto que se guarde?
“Ah, Aiolia, você era tão fofinho!” Mu sorriu e nem se importou com o olhar tétrico nada contente que lhe lancei.
Assim que eu consegui arrastar Mu para longe desse show de horrores, já pelo meio da tarde, eu o levei até os pomares. Eu considerava um dos lugares mais bonitos da chácara. Eram inúmeras árvores, dos mais diferentes tipos, e como era primavera, a maioria delas estava repleta de flores. Eu gostava de vir ali para relaxar e espairecer quando era mais novo.
“Então, será que você gosta apenas de Beatles?” Provoquei.
“Não, claro que não. Beatles é só minha banda do coração. Meus pais gostavam... quando eles morreram, minha maior lembrança deles eram os discos dos Beatles que eles tinham. E ouvia todas as noites e dizia a mim mesmo que seria forte por eles.” Mu sorriu melancólico, balançou a cabeça e me olhou meio constrangido. “Desculpe, não sei por que estou falando dessas coisas.”
“Você tem que parar com essa mania de se desculpar por tudo, sabia?” O puxei e abracei por trás. “Você pode me contar tudo que quiser. Eu não me importo nem um pouco de saber mais sobre você.”
“Certo...” Ele revirou os olhos e me deu uma cotovelada para que eu o soltasse. “Eu também gosto de U2, The Kooks, Aerosmith, Snow Patrol, Keane, Lifehouse, Coldplay, Jet...” Depois dessas mais conhecidas, ele saiu enumerando nomes de outras dezenas de bandas que nem pelo nome eu conhecia. Já estava entediado quando ele terminou. “Então, satisfeito?”
“Não. Não conheço a metade do que você citou, e das que eu já ouvi falar, a maioria eu não gosto.” Sorri largamente e me desviei de um soco que receberia no braço.
“Então você tem um péssimo gosto musical.” Acusou.
Ficamos discutindo sobre música por um bom tempo, percorrendo todo o pomar. Mu vez ou outra parava para perguntar que árvore era essa ou aquela, e o pior era quando eu não sabia e ainda por cima inventava. Ele parou em baixo de uma e levou a mão ao queixo, analisando-a.
“Isso não pode ser uma jabuticabeira, Olia! Jabuticabas nascem grudadas no galho!” Ele reprovou. Eu nem estava prestando atenção na maldita árvore. Meu olhar estava fissurado nele. Devia ser todo aquele cenário romanesco de novo me afetando.
“Esquece essas árvores. Vem, tenho uma surpresa.” O puxei comigo até o lugar onde eu havia pedido para a Katie estender uma toalha e deixar uma cesta de piquenique. Minha amiga consegue ser um anjo às vezes – muito raramente.
Piquenique... puff! A cada momento eu me sentia mais brega, mas, não sei, era uma necessidade fazer tudo perfeito para conquistar a confiança do Mu, vê-lo sorrir e se admirar e... argh! Esqueçam! Eu não estou mais me reconhecendo, não entendo o que se passa comigo.
“Uau, você planejou tudo!” Ele se sentou sobre a toalha e foi futricar a cesta.
Nós comemos e claro que rolou aquela ceninha patética de um colocar uma uva, um petisco ou um docinho na boca do outro. Daqui a pouco eu prepararia uma macarronada para nós e empurraria com o nariz a última almôndega do prato para ele. No lugar disso, fiz algo mais interessante e coloquei metade de um bombom na boca e o fiz vir pegar o resto. Minha mão escorregou para sua nuca e nos beijamos com gosto de chocolate. Como eu estava deitado, ele se acomodou sobre meu corpo e ficou ali me beijando, até que só restasse o gosto de sua boca contra meus lábios.
Abri os olhos ao sentir seus dedos tocando meu rosto, e me surpreendi ao notar que o sol já estava se pondo. A tarde havia passado voando, e eu não sentia vontade alguma de voltar.
“Me conte sobre os caras com quem você já ficou.” Falei de repente. Quis me enforcar na primeira árvore assim que as palavras escaparam da minha garganta. Era uma ótima forma de estragar completamente o clima, porque eu obviamente iria ficar com ciúmes se a quantidade de homens com quem ele já relacionara fosse qualquer número acima de zero.
Ele me encarou desconfiado, talvez pressentindo o perigo.
“Não tem muito que dizer... eu nunca namorei e sou péssimo em encontros.” Desviou o olhar.
“Você é virgem?” O rosto dele avermelhou. Eu achava difícil que ele fosse. Que adolescente do sexo masculino lindo como ele seria virgem aos dezenove anos? E eu não estava errado, ele murmurou um não que fez meu sangue borbulhar com ciúmes de qualquer um que já o houvesse tocado. Eu sei que é irracional, mas desde quando ciúmes é algo coerente, para início de conversa?
O segurei forte pela cintura e inverti nossas posições.
“Com quantos?” Perguntei. Ele me encarou com até certa irritação.
“Que coisa mais boba para se perguntar, Olia. Eu não vou responder como se as pessoas com quem já me relacionei fossem simples números!”
“Então eles foram importantes na sua vida? O insuportável do Saga está incluído na lista por acaso?” Foi uma merda lembrar do Saga e do beijão que rolou entre ele o Mu. Isso apenas me deixou mais indignado.
Dessa vez, no lugar de se irritar, o Mu riu suave e revirou os olhos.
“Você é tão ciumento...” Ele voltou a inverter nossas posições num movimento rápido, e minhas costas bateram contra o chão macio. “Vamos fazer assim,” Umedeceu os lábios, olhando-me de cima. “eu não te pergunto nada sobre suas paixões anteriores, e você não pergunta sobre as minhas, ok? Esses assuntos nunca levam a lugar nenhum...”
“Então você já se apaixonou antes!?” Eu exclamei mal dando tempo a ele de terminar. Me sentei, agarrando-o pela cintura e cravando meus olhos nos seus, bem de perto. Mu soltou uma exclamação do tipo ‘Não acredito! Você não ouviu nada do que eu falei?’ e depois, com um suspiro, encostou sua testa na minha.
“Não, Olia.” Ele murmurou entediado, depois mordeu o lábio, como se em dúvida se poderia ou não revelar um grande segredo. Franzi a testa, esperando, mas ele ficou em silêncio, me encarando com seus olhos verdes brilhantes e tocando delicadamente meus cabelos. “E você...?”
Eu senti um aperto no peito, por um instante desejando que ele dissesse estar apaixonado por mim. Depois me recriminei. Como eu podia desejar isso quando eu próprio ainda me sentia em uma encruzilhada? Pensei por um momento em sua perguntar e balancei a cabeça lentamente.
“Eu... eu acho que não também.” Admiti. Ele me encarou surpreso e depois desconfiado. Sua voz saiu cautelosa quando perguntou:
“Nem pela Marin?” Praticamente sussurrou. Eu vou admitir agora, com perigo de soar um monstro, que nem havia pensado nela nos últimos dias. E acho que nem lembraria se não fosse por essa conversa e, mais especificamente, pela menção ao nome dela. Neguei novamente.
“Se fosse o caso...” Eu disse, mas parei. E só aí eu percebi tudo.
Se fosse o caso, eu não estaria ali com o Mu, sentindo um ciúmes sem tamanho dos ex dele, não é?
Eu não amava a Marin, sequer era apaixonado por ela! Era só amizade e atração – uma atração desenvolvida provável e justamente porque ela se fazia de difícil e ainda inventava apostas que me deixavam louco! Eu sei que foi só uma, mas estou usando o plural para dar mais dramaticidade ao momento, isso sem dizer que ficar 90 dias sem sexo vale por mil apostas. Eu não podia acreditar, estava lívido – de repente, tudo se tornava tão claro em minha mente!
Mu me encarava como quem tenta desvendar um mistério, e seus lábios estavam entreabertos. Senti uma vontade irresistível de beijá-lo, e foi o que eu fiz. Nossos lábios se encontraram, e ele retribuiu ao gesto de imediato, segurando meus cabelos e dominando completamente o beijo – de uma forma que chegou a me surpreender.
Logo eu já me sentia excitado, e gemi abafado quando ele tocou minha ereção por cima da calça. O segurei pelos glúteos e o puxei mais para mim, não aguentando mais tanta tesão acumulada. Eu virei Mu contra a toalha de piquenique, devorando sua boca e pressionando o volume da minha calça contra a dele, adorando perceber que seu membro também já estava teso sob o tecido. E eu teria arrancado sua calça jeans preta e surrada se uma exclamação chocada não nos trouxesse de volta à realidade.
“O que está acontecendo aqui?” A voz me gelou inteiro antes mesmo que eu saísse de cima do Mu e me virasse. O que até foi bom, pois eu broxei imediatamente.
Eu não podia acreditar. Parada a alguns metros de nós, estava a Marin, a garota que até alguns dias atrás eu jurava ser o par ideal para mim. Por quem até alguns segundos atrás eu achava que era apaixonado. Meu estômago despencou. Ainda que eu soubesse agora como realmente me sentia em relação a ela, a mágoa e decepção que vi em seu rosto me fizeram sentir o pior dos homens.
“Marin.” Me levantei e consegui alcançá-la antes que fugisse. “Me desculpa.”
Lágrimas caíram e rolaram pelas bochechas com algumas sardas.
“Como você pôde? Pensei que ao menos fôssemos amigos!” Ela berrou. “Eu corro para cá para saber como você estava ao ouvir sobre o que aconteceu com a tua mãe, apenas para encontrar você com outro... outro homem.” Ela olhou por cima do meu ombro verdadeiramente confusa e balançou a cabeça. “Se não queria mais ficar comigo, ao menos não me enganasse pelas costas como se nós não nos conhecêssemos há anos e eu fosse só mais uma das tuas conquistas baratas que você ilude e depois descarta!”
Levei um tapa no rosto. E acho que merecido. Doeu pra caramba.
“Espera, não vai embora assim. Vamos conversar, por favor.” Implorei, segurando-a. Ela parou, me olhou com uma frieza que me gelou inteiro e cruzou os braços sobre o peito.
“Então, fale.” Ergueu uma sobrancelha ruiva, cheia de desdém.
Qualquer palavra se engasgou na minha garganta. Olhei para trás, em busca do Mu, e me surpreendi ao ver que ele não estava mais ali.
“Ele teve a compostura de sair. Pelo jeito que parecia triste e chateado, você também deve tê-lo enganado direitinho. Eu não sei como eu pude acreditar que um dia você iria mudar! É um egoísta que só se importa consigo mesmo e age como melhor lhe apraz, em prol do próprio prazer.” Ela deu meia volta e me deixou também.
Fiquei com tanta raiva, que soquei a primeira árvore que vi, forte a ponto de quebrar dois dedos da mão.
Notas finais
Obrigada pelas reviews, pessoal, foram vinte no cap. passado! UAU!! :DD
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