Let It Be

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Lemon! Leia com moderação.
Música: Let it Be.

Sabe aqueles momentos em que você fica esperando que sua vida vire uma novela? Principalmente depois que você faz uma declaração de que está apaixonado e tudo mais? Bem, nas novelas – não que eu assista essas imundícies – depois que o galã da história diz para a mocinha que a ama – e nessa parte eu em geral estou vomitando na frente da TV e mudando de canal –, ela se joga nos braços dele, diz que também o ama e eles caem na cama para uma sessão tórrida de sexo (na verdade não sei se essa última parte é verídica, já que nessas alturas eu já estou assistindo ao canal de esporte, porém era como eu esperava que terminasse).

Mas então, eu acabava de descobrir que, na vida real, as coisas não eram bem assim. Primeiro, porque o Mu continuava a me encarar vidrado, como se eu houvesse me transformado em um alienígena e estivesse prestes a roubar seus cabelos estranhos. Segundo, porque eu sentia vontade de sair correndo como nenhum galã de novela faria e me sentia absurdamente ridículo por ter agido feito uma colegial apaixonada. Terceiro, porque novelas são umas porcarias nada a ver com a vida real e ponto final.

“Mu...?” Chamei baixinho, sacudindo-o de leve. Será que ele não podia ter uma reação mais positiva não? Eu realmente estava esperando que ele pulasse no meu colo e nós caíssemos na cama...

“Você está com fome?” Ele pulou do balcão e o contornou, começando a mexer nas prateleiras. Dá para acreditar? Agora eu o olhava como se fosse um alienígena roxo. “Eu não tenho muito aqui para preparar um jantar, mas dá para quebrar o galho. Desculpa também pelo apartamento minúsculo, mas é que, você sabe, eu ainda sou um estudante mal-pago.”

Era só o que me faltava: agora ele iria começar a tagarelar e fingir que nada havia acontecido! Acho que nem preciso dizer que me senti ainda mais patético, certo? Ele obviamente não estava apaixonado por mim então não sabia o que fazer com o fato de que eu estava amando.

Puta que pariu! Eu acabei de soar tão brega quanto acho que soei? Eu não estou amando. Eu não sei que sentimento é esse que todos falam e idolatram, chega a ser idiota a maneira como as pessoas correm atrás desse tal amor tão desesperadamente. Amor é uma palavra muito forte, melhor não usá-la por enquanto. Ainda mais quando o maldito objeto do meu fascínio sequer olha para mim! É, ele continua tagarelando um monte de besteiras que eu nem vou me prestar a reproduzir aqui. Estafado, contornei o balcão e o abracei por trás antes que ele começasse a tentar fritar um ovo sem sequer tirá-lo da casca.

“Será que dá para você parar de fingir que não ouviu o que eu falei?” Sussurrei perto de seu ouvido, em parte satisfeito com a maneira como seu corpo reagiu ao contato entre nós. Aspirei o aroma natural de lavanda que se desprendia dos cabelos lilases e o abracei com mais força. Havia sentido uma falta tremenda disso, tanto que mais cedo na faculdade nem tive coragem de olhá-lo, pois senão poderia fazer o papelão de ir agarrá-lo no meio da sala de aula.

“Você não vai falar nada?” Que preste, completei mentalmente. Pouco me importava o problema no encanamento do banheiro, como ele fazia o favor de comentar segundos atrás.

“Eu...” Ele soltou hesitante. “Não estou conseguindo pensar com clareza...”

“E o que há para pensar?” franzi a testa e o virei para mim, reparando em seus olhos verdes confusos. “Será que não entendeu que eu quero ficar com você?”

“Ficar como...?”

Eu sabia que ele não estava tentando ser chato. Seu rosto estava contraído em uma expressão bonitinha de incompreensão, de uma maneira tão infantil, que eu quase me senti como um pedófilo. Suspirei.

“Será que não dá para a gente descobrir isso juntos?” Sugeri. Eu bem que o pediria em namoro se fosse para ele entender de uma vez, mas... Estava tentando não apressar demais as coisas, já que eu nem sabia se tinha ou não uma chance.

“Como você fez isso?” Ele pegou minha mão e a ergueu, só então reparando em meus dois dedos engessados.

“Será que dá para parar de mudar de assunto?! Que irritante!” Tirei os gessos, pois estavam me incomodando e eu achava que já estava curado.

“Desculpe...” Abaixou a cabeça e fez uma carinha fofa e desolada, junto com um beicinho.

“Também já falei para você parar de se desculpar por tudo.” Resmunguei. “Eu soquei uma árvore e quebrei dois dedos, foi isso.”

“Você é sempre tão impulsivo.” Murmurou, segurando minha mão e acariciando delicadamente meus dedos agora livres do gesso. Isso antes de começar a surtar. “Não acredito que terminou com a Marin! Meu Deus! E nós nos conhecemos tão pouco! E se você descobrir mais sobre mim e me achar um insuportável? E se quando ficarmos, você achar sexo com outro homem ruim? Você considerou tudo isso? E como você pode ter ficado tanto tempo sem sexo por ela e simplesmente desistido depois? Isso é... oh, droga.”

Se alguém aí achou que ele começou a ter um ataque de asma, acertou em cheio. O pior é que a culpa foi minha. Havia uma pazinha perto do lixo com o pó que Mu deveria ter varrido mais cedo do apartamento e esquecido de colocar fora. Eu pisei no cabo da pá e o pó se espalhou pelos ares. Some isso ao estado de nervos do Mu e temos o pior ataque de asma de todos os tempos!

“Merda!” Reclamei, apalpando seus bolsos, mas não encontrando sua bombinha. “Onde está?”

Ele não conseguia me responder e eu fiquei putamente preocupado ao ver seu rosto tornar-se cada vez mais avermelhado. Saí correndo pelo apartamento – se é que isso era realmente possível, considerando o tamanho daquilo ali – e procurando por tudo quanto é canto. Acabei achando a maldita bombinha embaixo de uma almofada do sofá e corri até ele.

Mu praticamente arrancou-a de minhas mãos e suspirou aliviado ao conseguir respirar de novo. Imediatamente ele saiu correndo para longe da cozinha e do pó.

“Vá limpar isso daí!” Ordenou, refugiando-se no quarto, mas deixando a porta aberta, como que para verificar se eu estava varrendo direito. Não tive outra escolha senão obedecer, já que a culpa havia sido mesmo minha e eu não o queria quase morrendo de falta de ar de novo. Claro que isso não me impediu de soltar vários resmungos enquanto varria.

Assim que terminei, fui atrás dele no quarto. Estava agarrado a um travesseiro, sentado com as pernas cruzadas no meio da cama. Me encarou com aqueles olhos verdes expressivos e sorriu, o que imediatamente despertou em minha aquela vontade doida de beijá-lo.

“Desculpe.” Falou e escondeu o rosto no travesseiro, abafando uma risada, provavelmente percebendo que estava se desculpando – de novo. Depois me espiou por trás da fronha. “Eu acho que exagerei um pouquinho.”

“Um pouquinho?” Retruquei irônico, indo até ele e me sentando na cama. “Olha, já disse que eu e a Marin conversamos e chegamos juntos à conclusão de que sempre foi só amizade. Dá para acreditar que ela teve a audácia de falar que sempre se negou a ficar comigo e aceitou a maldita aposta daquele ser que eu chamo de amigo, o Milo, justamente porque algo lhe dizia que nunca daríamos certo e queria me provar isso? Eu gostaria que ela tivesse me dito isso antes de eu acabar com mais de cem dias sem...”

Eu parei meio abruptamente. Não queria jogar isso na cara do Mu como se fosse uma indireta para ele agora – aproveitando que já estávamos numa cama – abrisse as pernas e resolvesse meu duro problema – sacou o duplo sentido? É, eu sei, essa foi péssima.

Mu colocou uma mão sobre a minha.

“Dá para a gente descobrir isso juntos sim.” Falou, quebrando o silêncio incômodo que havia surgido. Quase cheguei a perguntar do que ele estava falando, mas não fui lento a esse ponto. E para meu completo espanto, ele me puxou para o centro da cama e me empurrou contra os travesseiros – ele dormia com cinco. Como alguém dormia com tantos travesseiros assim?

“Mas primeiro,” Mu sentou sobre a minha cintura, acordando-me de meu monólogo interno sobre travesseiros. “eu vou cuidar de você.”

Engoli em seco e...

“Oh, Deus,” Deixei escapar sob a respiração já pesada quando ele começou a beijar meu pescoço e rebolar bem sobre o carinha necessitado lá embaixo. Endureci em tempo recorde e segurei sua cintura esguia com força, deixando minha cabeça pender contra os travesseiros. Mu deslizou a língua pela minha garganta e gentilmente afastou minhas mãos de seu quadril. Eu iria protestar, se ele não levantasse minha camisa e começasse a escorregar do meu colo, com sua língua pequena e quente avançando em direção ao meu baixo ventre entre lambidas e mordidinhas em meu tórax e abdômen.

Achei que iria morrer de antecipação. Observei com fascínio seus lábios beijando minha pele e pensei que ele era sádico. Era visível como eu estava dolorosamente apertado dentro da calça, mas ele se movia com uma lentidão sensual que apenas me deixava ainda mais ansioso e duro. Quando ele aprisionou o zíper da minha jeans entre os dentes e baixou o fecho com os olhos cravados em meu rosto, eu acabei arfando baixo, segurando meu ímpeto de arrancar todas as minhas roupas o mais rápido possível e facilitar o estado do meu amigo do andar inferior.

Eu achei que ele simplesmente abaixaria minha boxer para libertar minha ereção, mas Mu começou a roçar os lábios por sobre o tecido da boxer, passando a língua, beijando e... era tortura demais.

“Você está tentando me matar?” Não pude segurar a pergunta. Mu soltou uma risadinha travessa e abaixou minha cueca, colocando meu pênis para fora e... olhando para ele de uma maneira muito estranha. Senti meu corpo ferver. “O que foi?” Perguntei nervoso.

“Uou, ele é mesmo... grande.” Mu piscou encarando. Ele falou num tom que não me deixou saber se isso era bom ou ruim. Quero dizer, as mulheres gostavam, mas no sexo gay, será que era bom? Eu deveria ter pesquisado na internet sobre isso.

“Erm... surpresa?” Soltei.

Mu começou a rir. Gargalhar, para ser mais exato. E o pior é que ainda segurava meu grande e duro problema (os adjetivos aumentam a cada minuto) na mão. Eu já estava quase broxando com a ideia de que meu pau era uma piada, mas Mu percebeu e rapidamente o colocou na boca. Foi tão repentino, que eu soltei uma exclamação de prazer e mordi o dorso da mão. Joguei minha cabeça para trás e minha outra mão automaticamente foi para seus cabelos macios, que comecei a acariciar, incentivando para que continuasse.

Puta merda, era bom demais para ser verdade. Só mais tarde eu conseguiria pensar que, se ele fazia sexo oral tão bem, era porque já havia treinado bastante com algum outro filho da mãe que certamente receberia um soco bem dados nas fuças se cruzasse meu caminho. Mas no momento eu só conseguia gemer baixo. Foi uma vergonha quando gozei muito mais rápido do que o normal, mas era explicável. Minha abstinência acabava com meu autocontrole.

Mu foi até o banheiro, provavelmente para cuspir, e quando voltou eu ainda estava estirado sobre os travesseiros, olhando para o teto com um sorriso bobo. Mu deitou ao meu lado e seu rosto pairou sobre o meu quando se debruçou sobre mim. Beijou de leve minha bochecha, contornando minha mandíbula até mordiscar o lóbulo da minha orelha.

“Satisfeito?” Ele perguntou malicioso. Eu não o estava reconhecendo. Num momento, surtava de insegurança pela minha declaração súbita e estúpida. No outro, parecia querer me enlouquecer na cama com sua sensualidade. Não que eu esteja reclamando.

Franzi a testa.

“Está maluco?” Inverti rapidamente nossas posições e o aprisionei sob meu corpo. “Nós sequer começamos...”

Sorri maldoso e deixei que minhas mãos escorregassem por baixo de sua camiseta branca larga, com um desenho em preto da Marilyn Monroe – ao que parecia, ele também era fã da Hollywood dos anos dourados. Mu mordeu o lábio inferior, atraindo meu olhar. Aproximei meu rosto e tomei seu posto, mordendo eu mesmo sua boca.

Acariciei todo seu tronco, experimentando a pele macia e, sem aviso, arranquei sua camiseta, jogando-a longe. Cortei o beijo e desci para abocanhar um de seus mamilos. Ele gemeu e arqueou o corpo, e eu nunca imaginei que poderia achar um gemido tão sexy. Desci a mão e a enfiei por dentro de sua calça, começando a masturbá-lo sem deixar de alternar lambidas entre seu peito e pescoço. Adorei ver como minhas ações deixaram sua respiração mais pesada e seu coração acelerado a ponto de eu conseguir sentir as batidas rápidas quando sugava e mordia seu mamilo esquerdo.

Com outro movimento rápido, eu tirei minha camisa e depois puxei suas calças e roupa de baixo. Parei, admirando-o nu por uns segundos, os cabelos lilases vibrantes e longos espalhados como um manto às suas costas e o rosto cada vez mais corado pela minha análise.

“Olia, você está me constrangendo!” Ele, muito delicado, deu um chute no meu abdômen que me fez arfar e me inclinar para frente. Mu aproveitou a deixa para subir e sentar no meu colo. Eu o olhei com a expressão sofrida.

“Não dava para ser mais gentil?” Ainda estava sem ar pelo chute.

“Não. Esse teu olhar faz com que eu não consiga pensar direito...” Nós ficamos nos encarando.

Eu acho que devo ter ficado com uma cara de pateta apaixonado admirando sua beleza, mantendo-o próximo a mim, porque no instante seguinte ele soltaria algo que faria meu corpo arder ainda mais de desejo de tê-lo.

Mu acariciou meu rosto e sorriu docemente.

“Também me apaixonei por você.” Sussurrou.

Puxei-o pela nuca e o beijei. Eu já havia escutado a frase de outras pessoas, mas pela primeira vez eu sentia uma euforia e não chateação frente a uma declaração dessas. Caímos na cama comigo por cima de seu corpo esbelto e, com ajuda dele, eu me livrei do que restava de roupas em mim. Mu enlaçou minha cintura com as pernas e minhas mãos desceram até sua bunda arrebitada, apertando seus glúteos com gosto e puxando-o contra mim, enquanto nos beijávamos com luxúria. Nossas ereções friccionaram e eu percebi que se continuasse com isso, acabaria gozando de novo e minhas forças iriam para o espaço antes mesmo de eu chegar ao prato principal.

“Como eu faço para não te machucar?” Perguntei ofegante perto de seu ouvido.

“Só vá com calma e...” Mu esticou o braço para pegar algo no criado-mudo. Ele me entregou um tubo de lubrificante e abriu uma camisinha, que colocou em mim de modo a arrancar-me um gemido. “Me prepare para te receber...”

Após um convite tão irresistível, não pude me recusar. Abri o pequeno pote e passei o creme em meus dedos. Ele voltou a me beijar e, ao mesmo tempo em que explorava sua boca, passei o lubrificante em sua entrada. Fiquei apenas massageando de leve, sentindo-o estremecer e gemer com o toque em meio ao beijo, até que ele afastasse nossos lábios e voltasse a sussurrar sem ar.

“Eu quero você. Agora!”

De novo era impossível resistir, apoiei os cotovelos no colchão ao lado de seus ombros e entrei lentamente, ofegando baixo pela pressão que se fechava ao redor do meu pênis. Definitivamente vi estrelas, não conseguia acreditar em tamanho prazer. Devagar entrei por completo e, inteiramente dentro dele, parei e o abracei forte. Era bom demais! Seus olhos claros vívidos me encararam e eu sorri, pensando no quanto era sublime estar assim com ele.

“Pode se mover, Olia...” Ele sussurrou num tom rouco, escorregando as mãos pelas minhas costas e movendo de leve o quadril. A pequena fricção já me fez gemer alto de prazer e, sem aguentar mais, começar a investir contra seu corpo. Voltei a beijá-lo, mas logo me afastei apenas para ficar admirando-o. Ele mordia o lábio inferior tentando conter os gemidos e seus olhos brilhavam de tal forma que poderiam me cegar; a respiração dele saía entrecortada, a pele brilhava de suor na luz do luar e adquiria um tom mais avermelhado no rosto e pescoço. Uma de suas mãos segurava meus cabelos pela raiz com tanta força que doía. Era indescritivelmente erótico observá-lo enquanto fazíamos amor.

Fazer amor... Acho que pela primeira vez eu começava a entender o significado dessa expressão.

Me entreguei totalmente ao momento. Fechei meus olhos também, incapaz de pensar, de falar, ouvir ou ver. Prendi minha respiração, o que apenas serviu para deixá-la ainda mais descompassada. Eu só sentia. Talvez fosse o Mu quem eu ouvia, distante, dizendo incoerências. Ou talvez fosse eu mesmo, não sabia dizer. Mas o ruído do sangue correndo em minhas orelhas era ensurdecedor. Minha saliva já tinha deixado de ser suficiente para umedecer minha boca havia algum tempo e meus lábios ardiam de tão secos.

“Aiolia...” Ele gemeu, erguendo um pouco o rosto para roçar sua boca à minha.

“Nesses momentos você diz o meu nome certo, é?”

“Uhum...” Gemeu em concordância.

Mordisquei seu lábio e depois invadi sua boca deliciosa com um furor derivado de todo prazer indescritivelmente ardente que eu experimentava.

Mu inverteu as posições, colocando-me contra os travesseiros e, encaixado em minha cintura, começou a ondular o corpo. Suas mãos acariciam meu tronco e subiram até alcançar meus lábios, traçando-o com a ponta dos dedos. Eu segurava seu quadril tão forte, guiando-o no ritmo que eu queria, que sabia que o deixaria roxo.

Eu o fiz descer mais rápido e forte contra minha ereção, conforme sentia que me aproximava do melhor orgasmo da minha vida. Fiquei extasiado ao ver que parecia ter atingido aquele ponto dentro dele que o obrigou a segurar os gritos. Eu o puxei e o beijei, e ele pegou minha mão e a levou até seu membro. O masturbei no mesmo ritmo em que rebolava sobre mim e sorri ao ver que isso acabou com todas as suas forças. Ele se debruçou mais sobre meu corpo e pude ouvir seus gemidos bem próximos ao meu ouvido por sob a respiração difícil. Lambi e mordi seu pescoço salgado de suor, ao perfeito alcance de minha boca, e o senti estremecer inteiro, junto a um gemido mais longo e alto antes de cair completamente mole sobre meu corpo.

Como eu também não estava longe, precisei mover sua cintura mais duas ou três vezes para alcançar o mesmo estado de êxtase. Eu queria que não acabasse nunca, mas quando gozei, foi tão esplêndido que não consegui me importar por ter terminado. Parei ofegante, abraçando seu corpo esbelto, tentando me recuperar. Não podia acreditar – não me lembrava de ter achado sexo tão bom. Talvez eu fosse mesmo um gay enrustido que só agora descobre a felicidade. Ou talvez Mu fosse ótimo na cama mesmo. Ou ainda fosse o tempo que fiquei sem sexo que deixou tudo mais intenso. Mas acredito que tenha sido uma soma dos três, junto ao fato de que não havia sido apenas sexo vazio do tipo ‘só por uma noite’.

“Você é perfeito.” Murmurei, arrancando uma risada ligeiramente tímida de Mu. “E lindo. E sexy. E extremamente delicioso.”

“Olia!” Ele reclamou ficando verdadeiramente vermelho. Sorri e acariciei seus cabelos, mirando-o nos olhos. Fiquei tão deslumbrado que não aguentei antes de perguntar.

“Eu sei que isso talvez seja rápido demais, mas, namora comigo?”

A respiração dele falhou e seus lábios finos se entreabriram.

“Você... você quer isso mesmo?”

“Você me encantou desde que eu pus os olhos em você. Eu não quero perder a chance de te ter apenas para mim.” Falei sinceramente, tocando seu lábio inferior com o polegar, experimentando a textura macia e tentadora. Poderia beijá-lo de novo, mas precisava ouvir sua resposta.

Mu fechou os olhos e cheguei a achar que iria negar, mas o sorriso que abriu em seguida acabou com meus receios.

“Eu quero namorar você.” Abriu os olhos e aumentou ainda mais o sorriso. Como era lindo.

O segurei pela nuca e o puxei para um beijo apaixonado e demorado, daqueles bem molhados que acontecem nesses momentos românticos e blá, blá, blá. Quando o soltei, ele estava adoravelmente ofegante e contente.

“Você podia cantar uma música para o momento.” Sugeri. “Uma do Beatles que você goste.”

Ele certamente devia gostar de todas as músicas dos Beatles, mas esperava que ele escolhesse, sei lá, uma de suas preferidas. Mu apoiou os braços no meu peito e descansou o queixo entre eles.

“Quando você estava na cozinha limpando a sujeira que fez,” Torceu o nariz, causando-me uma risada rápida. “Ouvi uma do Beatles que ajudou a me acalmar e parar de surtar pela sua visita repentina e tudo.”

“Ok.”

Ele respirou fundo e pigarreou antes de encher o quarto com sua voz ritmada.

When I find myself in times of trouble

Mother Mary comes to me

Speaking words of wisdom:

Let it be

And in my hour of darkness

She is standing right in front of me

Speaking words of wisdom:

Let it be

Let it be, let it be

Let it be, let it be

Whisper words of wisdom:

Let it be

And when the broken hearted people

Living in the world agree

There will be an answer:

Let it be

For though they may be parted there is
Still a chance that they will see
There will be an answer:
Let it be

Let it be, let it be
Let it be, let it be
There will be an answer:
Let it be

Acho que não preciso dizer que, no fim, ele conseguiu me fazer gostar de Beatles.

FIM

Notas finais
De novo queria agradecer por todas as reviews/recomendações/elogios que recebi pelo caminho. Inicialmente a história teria apenas 6 capítulos, mas como eu me surpreendi ao ver que tinha bem mais gente do que eu imaginei que leria pedindo por mais, dei uma esticadinha básica. rsrs. Talvez eu faça um epílogo, mas não garanto nada.
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E Bia Yuuji, minha querida amiga, espero que tenha gostado do seu presente de aniversário! Desculpe a demora em entregá-lo completo!
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Beijos a todos!