Let It Be

16 Epílogo - Especial de Natal


Acordei com aquele cheiro de lavanda que eu adorava e aquele calor agradável contra meu corpo. Meus olhos abriram lentamente junto com um bocejo e eu ergui um pouco a cabeça para ver que horas eram. Não passava muito das sete horas, então minha mente logo me chutou e me mandou voltar a dormir, mas o meu erro foi olhar para a pessoa aninhada em meus braços.

Acabei sorrindo como um idiota apaixonado enquanto admirava o rosto adormecido do Mu, parecia um anjo de cabelos lilases e de pijama roxo, quase no mesmo tom dos cabelos. O pijama era hilário, com um carneiro de estampa. A primeira vez que Mu o usou, acabou completamente roxo – de raiva – pelas gargalhadas que eu soltei. Eu acabei roxo pelos tapas que recebi no braço. Segundo Mu, era um pijama de estimação. Vai entender. Alguns têm cachorros – Átila que o diga – outros têm pijamas.

Com um novo bocejo, resolvi ir lavar o rosto e tirar o gosto ruim matinal da boca. Como eu sou do tipo barulhento – e eu vim a descobrir isso só depois de começar a dormir quase todos os dias com o Mu no mesmo quarto – quando eu saí do banheiro, Mu havia rolado na cama e virado para o outro lado, denunciando que eu ter deixado o pote de creme dele cair no chão o havia acordado. Eu atirei o pote no lixo e limpei o chão com papel higiênico. Espero sinceramente que ele não sinta falta de nada quando resolver acordar. Ah, é, o Mu adora cremes. Descobri que aquela pele não poderia ser tão perfeita, macia e cheirosa assim tão fácil, ele adorava se hidratar todas as manhãs, momentos em que eu era enxotado para longe feito o pulguento do meu cachorro.

Voltei para a cama, já devorando com os olhos o corpo do meu namorado, ainda que o pijama de estimação deixasse pouco às vistas, e o puxei contra mim começando a distribuir beijos pelo pescoço desprotegido (claro, tive que tirar a cabelama dele do caminho para alcançar um pouco de pele; também estava bem a fim de arrancar aquele pijama desnecessário). Era injusto que eu fosse o único pelado ali.

Mu se remexeu, soltando uma espécie de ronronar misturado a um resmungo.

“São sete da manhã numa segunda de Natal, Olia. Volta a dormir.” Murmurou sem abrir os olhos, aconchegando-se melhor no travesseiro ao tentar se afastar de mim, sem o menor interesse em dar continuidade ao que eu tinha em mente – é, isso mesmo que você está pensando. O olhei indignado e enciumado daquele travesseiro em que ele se agarrava com tanto interesse.

No início do namoro, ele teria apenas ronronado e deixado que eu arrancar aquele pijama horrível. Agora, três meses depois, eu era tratado com esse descaso! Bem que eu já havia ouvido falar sobre a tal crise dos três meses de namoro. Talvez a falta de interesse em sexo matinal fosse o motivo!

“Agora eu perdi o sono.” Resmunguei, voltando a puxá-lo contra meu corpo, de modo que as costas dele ficassem bem coladas contra meu peito. Aproximei os lábios do ouvido. “Preciso de algo que esgote minhas energias.” Murmurei e dei uma mordida provocativa perto da nuca dele, uma área que eu sabia que era sensível.

Mu estremeceu de leve, mas não pareceu empolgado, continuava preguiçoso.

“Vá ordenhar as vacas, ou limpar as cocheiras se quer esgotar suas energias.” Mu sugeriu com um sorrisinho quase imperceptível surgindo e sumindo no canto do lábio. Ele sugeriu isso, além de para me sacanear, também porque estamos na fazenda da minha mãe, viemos passar o feriado de Natal.

Logo depois que minha mãe se recuperou do segundo infarto do miocárdio, eu vim sozinho até a fazenda para conversar com ela sobre estar namorando outro homem. Ela aceitou bem, até. Claro que foi um choque. Nenhuma mãe esperava que o filho de vinte e três anos, depois de anos de galinhagem com a mulherada (não que eu fosse um galinha mesmo, eu apenas gostava de explorar todas as possibilidades que a vida tem a oferecer e... É sério! Pare de me olhar com essa expressão cínica!) de repente revelasse que estava envolvido com um homem. Depois de uma longa conversa sobre homossexualidade, eu contei que o cara com quem eu estava me relacionando era o Mu.

Para minha surpresa, ela primeiro me recriminou por estar namorando um aluno, porque eu poderia ser demitido se descobrissem e blá, blá, blá; depois disse que o Mu era mesmo adorável. Talvez houvesse sido bom ela ter conhecido o Mu antes, pois ele com certeza havia conquistado a ‘sogrinha’ lá naquela primeira visita. Claro, minha mãe sempre foi muito compreensiva e mente aberta, apesar de ser uma senhora do interior. Adora ler, estudar, argumentar, estar a par do que está acontecendo no mundo, tanto que costumava viajar bastante com meu pai, só se aquietou um pouco depois que o marido morreu.

“Sei de algo muito melhor para esgotar minhas energias...” Murmurei já enfiando a mão por baixo da roupa de Mu, acariciando o abdômen magro dele.

“Aiolia, para! Você sabe que eu me sinto desconfortável em transar com a dona Agnes dormindo no quarto ao lado!” Mu sussurrou, finalmente se dignando a abrir os olhos e me cutucando com o cotovelo. Mas que criatura arisca, pensei inconformado.

“Ela nem deve estar mais dormindo.”

“Pior ainda!” Mu exclamou, meio risonho, meio sério, tirando de perto dele a mão que já escorregava para sua virilha. Mas isso não me impediu de continuar a beijá-lo e mordiscá-lo naquele pescoço cheiroso. “Olia... Nós fomos dormir tarde... Só porque você acorda às sete da manhã e resolve ir destruir o banheiro, não quer dizer que eu tenha perdido o sono.” Ele reclamou manhoso, soltando um gemido leve que me levou a abrir um sorriso quase sádico. O ignorei e continuei, começando a subir os beijos, contornando a linha do maxilar para chegar até os lábios macios dele, mas Mu escondeu o rosto no travesseiro e sua voz saiu abafada quando falou:

“Eu nem escovei os dentes...”

“Não me importo.” Reclamei, afastando os cabelos compridos da nuca para beijar e morder a pele exposta, enquanto trabalhava em subir a parte de cima daquele pijama infame. Senti minha excitação aumentar conforme a pele pálida das costas delineadas começou a surgir. Mu facilitou para que o pijama saísse, mas logo voltou a esconder o rosto no travesseiro. Não me importei, beijei e mordi cada um dos ombros pequenos, sorrindo para os suspiros abafados que soltava e deixei minha boca ir desferindo beijos provocativos de cima abaixo, chegando até o cós da calça do pijama. Minhas mãos já acariciavam as coxas torneadas, apertando-as com força calculada, e só me detive para arrancar o que restava de roupas dele.

Me detive, admirando-o completamente nu sobre o colchão por alguns segundos. Mu chegou a virar o rosto para ver por que eu havia parado, mas eu logo me inclinei e resvalei a língua da base de sua coluna até o local sensível entre seus glúteos, já aproveitando para apertar estes e afastá-los para que eu pudesse explorar-lhe melhor. Mu gemeu meu nome daquele jeito que me deixava louco para pular todas as preliminares, mas eu – como o ótimo namorado que sou – me segurei e continuei a lambê-lo, deixando minha mão contornar sua cintura e ir de encontro ao membro já teso dele.

“Ah, Aiolia... Ah, Deus... Não faz isso comigo...” Ele murmurou entre gemidos, empinando a bunda e apertando os lençóis entre os dedos. Eu obviamente continuei a fazer aquilo com ele, até sentir todo o seu corpo estremecer, contrair e então relaxar, enquanto abafava um gemido no travesseiro, um que teria saído bem alto, claro, considerando o quanto eu sou bom em arrancar esses sons dele.

“Até que foi rápido.” Impliquei, ao que Mu se virou com uma expressão contrafeita. Ele se levantou rápido da cama e correu até o banheiro. “Hei, onde você pensa que vai!?”

“Espere aí!” Ele falou, fechando a porta do banheiro e a trancando. Franzi as sobrancelhas, completamente frustrado. Eu havia acabado de fazê-lo gozar, e ele me abandonava ali, de pau duro!? Quanta sacanagem! Talvez eu devesse encontrar um namorado mais atencioso.

Continuei sentado na cama, olhando feio para porta do banheiro, como se pudesse derrubá-la com o olhar, mas então, depois de uns minutos, Mu a abriu e, para minha surpresa, caminhou até mim e subiu em meu colo, colocando um joelho de cada lado da minha cintura e tomando minha boca com uma vontade renovada. Eu gemi, rapidamente ficando excitado de novo. Mu ainda iria me enlouquecer com esses arroubos bipolares dele! Num momento estava negando fogo, no outro subia feito um felino no meu colo e começava a rebolar sobre minha ereção.

“Ah, Mu, como você consegue ser tão delicioso?” Perguntei, sorrindo malicioso ao vê-lo corar com a boca roçando na minha. O segurei pelas coxas e o ergui da cama, prensando-o contra uma das portas do armário em frente.

“Você não está esquecendo de nada, não?” Mu perguntou, quando eu me insinuei em sua entrada, e meus lábios maculavam seu pescoço pálido.

“Hum?” Perguntei, distraído, mais interessado no cheiro de lavanda dele e na necessidade de aliviar a minha tesão.

“Lubrificante, Olia!” Ele exclamou, num tom que claramente dizia que eu era um idiota afobado, ao puxar meus cabelos para que eu olhasse para ele. Suspirei irritado e fui até a cômoda, com ele ainda em meu colo. Peguei o maldito lubrificante, prensei-o contra a parede e lambuzei minha mão com o produto.

Quando comecei a prepará-lo com os dedos, aquela demora agonizante que já estava me matando valeu à pena, ao ver Mu encostar a cabeça na parede e gemer, ofegante, com os olhos semi-cerrados e os lábios entreabertos. Roubei-lhe um ar em um beijo ansioso e então afastei os dedos, penetrando-o lentamente em seguida, puxando sua cintura contra minha pelve.

“Ah, Awn, Aiolia... mais, quero te sentir mais...” Mu sussurrou contra minha boca, segurando meus cabelos pela raiz e enlaçando com mais força as pernas ao redor da minha cintura. Eu não me fiz de rogado e investi com mais força, devorando-o em um beijo, sentindo o calor de seu corpo e uma pressão devastadora em meu membro que quase me tirava as forças das pernas. Quase.

Era delirante e delicioso fazer amor com ele. Eu adorava a intimidade e cumplicidade que os meses de namoro haviam feito surgir entre nós. Antes eu pensava que namorar alguém acabaria se tornando entediante e chato depois de algum tempo, mas eu não conseguia enjoar da maneira como ele me segurava, me beijava e tocava, ou da forma como gemia e chamava meu nome quando se derramava de prazer por minha causa. Não enjoava de suas manias, seus sorrisos, nem de como sempre sabia me acalmar com palavras e gestos tranquilos.

Por Deus! Naquele momento, vendo-o morder os lábios para abafar os gemidos – Mu era bastante sonoro, algo que eu adorava –, com os cabelos compridos e de cor estranha adoravelmente bagunçados e o rosto corado pelo prazer, eu percebi que havia saído do patamar ‘idiota apaixonado’. Eu estava mais que apaixonado!

“Eu te amo!” Exclamei em um tom meio gutural, abraçando-o quando o senti se derramar entre nossos abdomens e comprimir ainda mais meu membro pelo espasmo de seu corpo esguio. Acabei seguindo pelo mesmo caminho e afundei o rosto na curva de seu pescoço, com a respiração descompassada.

Ficamos assim por alguns segundos, até que eu senti lágrimas caindo sobre meu ombro e ergui a cabeça, me espantando ao encontrar Mu chorando.

“Amor, o que foi? Eu te machuquei?” Perguntei desesperado, desprensando-o da parede e o levando até a cama, enquanto já me xingava de ogro, bárbaro e imbecil em pensamentos. Sentei ao seu lado na cama, acariciando seu rosto delicado enquanto ele fungava, tentando se recuperar.

“Não... Não é isso... Não me machucou.” Ele disse e, de novo me pegando de surpresa, me puxou e beijou apaixonadamente, um beijo salgado por seu choro. “Eu também te amo...” Mu sussurrou contra minha boca e sorriu.

Eu arregalei os olhos, sentindo meu coração disparar mais do que quando nossos corpos se uniam, e só então percebi que havia me declarado. E pior, da maneira menos romântica possível, durante um orgasmo. Meu rosto ardeu e eu me senti idiota. Eu poderia ter pensando em uma situação mais romântica para fazer uma declaração dessas!

“Droga!” Falei em voz alta, fazendo Mu me encarar com as sobrancelhas erguidas. “Não... Quero dizer... Ah, eu não acredito que me declarei quando estava te prensando na parede e... Não foi nada romântico!” Me levantei da cama e comecei a andar de um lado para o outro. “Eu sou um homem das cavernas mesmo, pior do que o Aiolos! Eu simplesmente não consigo ser paciente e encontrar o momento certo para fazer as coisas, que merda!”

“Olia...” Mu chamou, soltando uma risadinha divertida que denunciava o quanto achava graça de mim.

Bufei e fiz bico, feito uma criança emburrada quando ele me fez sentar na cama de novo. Minha careta chateada só melhorou quando ele começou a roçar os lábios pela minha orelha e então descer os dentes pela minha nuca, numa carícia que sempre melhorava meu humor.

“Foi perfeito. Não interessa como foi, só me interessa que você disse. Eu estou tão feliz...” Mu continuou a exploração pela minha pele, lambendo de leve com a ponta da língua e me causando arrepios. Eu não aguentei e o derrubei na cama, acomodando uma perna entre as suas e apoiando meus cotovelos de cada lado de seu rosto, e ataquei seu pescoço feito um animal selvagem morto de fome.

“Vamos fazer de novo, então, porque você também me ama e eu sou completamente louco por você...” Murmurei com a voz rouca pela excitação que já crescia novamente, mas Mu me afastou, rindo e criando covinhas nas bochechas avermelhadas.

“Nem pensar! Recém tive dois orgasmos e agora eu quero é voltar a dormir.” Ele disse, virando de lado e fechando os olhos, para a minha indignação. De novo! “E nem pense que dessa vez você vai conseguir me dobrar com alguns beijos!” Ele avisou e eu reconheci o tom de quem não iria mudar de ideia. Incrível como alguns meses de convivência nos fazem conhecer às vezes mais do que gostaríamos de uma pessoa.

“Mas eu acabei de me declarar!” Ainda tentei. Sério, por que eu ainda insisto?

“Uhum. Eu te amo.” Ele ronronou, acomodando-se melhor na cama, já com jeito de quem estava entrando no mundo dos sonhos.

Bufando de novo, eu deixei meu corpo cair na cama, mas o abracei por trás e o deixei bem colado a mim, antes de voltar também a dormir.

XxX

Eu havia convidado Milo e Camus para passar o Natal com a gente, assim como Katie e os pais. Aiolos e a namorada do momento estavam ali, e minha mãe estava bastante chateada por não poder se envolver muito com a ceia de Natal, que ficou a cargo da amiga de muitos anos, mãe de Katie, a namorada de Aiolos e Katie.

Átila estava louco com aquela quantidade de gente na casa e ficava correndo de um lado para o outro, batendo nas pernas das pessoas e resfolegando com a língua cheia de baba. Eu tentei prendê-lo, mas Mu, sempre bonzinho demais, disse para deixar o louco do meu cachorro solto, por ser Natal e essas coisas.

“Vê se se comporta.” Falei para Átila, que apenas soltou um latido empolgado que me dizia que ele estava pronto para roubar o peru de Natal ao menor descuido da nossa parte.

“Aiolia, que coisa feia, já tem mais de três meses de namoro e você ainda não deu ao Mu uma aliança de compromisso? Você quer que eu fique sem o meu genro favorito? É isso? É isso? E o meu coração fraco, como fica? Será que você não pensa na sua mãe!?” Dona Agnes, minha querida e adorável mãe, reclamou nos meus ouvidos. Só faltava me puxar as orelhas.

“Mãe!” Reclamei, feito uma criança. “É claro que eu penso em você, por isso te proibi de passar a tarde se cansando com a ceia. Mas do meu namoro deixa que eu cuido!” Retruquei, sem paciência para os dramas dela. Se eu desse corda, passaria o Natal inteiro escutando-a.

“Agora que você não é mais professor dele, já pode oficializar o namoro! Escuta a sua mãe, eu tenho bem mais experiência de vida que você.” Ela continuou.

“Tem experiência de vida do século passado. Estamos recém nos três meses, não vou apressar as coisas. Eu recém disse para ele que o amo.” Deixei escapar.

“O QUÊ?! VOCÊ DEMOROU ESSE TEMPO TODO-“ Ela não conseguiu terminar a frase, tendo que parar para respirar fundo. Eu a amparei, preocupado.

“Mãe, para com os dramas, seu coração de velha não permite mais essas coisas.” Falei, já preparado para o tapa que receberia. E não deu em outra.

“Olha quem você chama de velha, filho desnaturado!” Deu um tapa pesado no meu braço. Depois quando eu digo que apanho da minha mãe, ninguém acredita.

“Hei, vocês, venham comer, cambada de morto de fome, a ceia está na mesa!” Katie chamou em seu jeitinho nada escandaloso. Sacaram a ironia? Eu havia visto ela cheia de tititis e risadinhas com o Mu, e achei aquilo muito suspeito, ainda mais que agora ela ficava me lançando beijinhos no ar e olharezinhos maliciosos.

Dona Agnes foi se juntar aos outros, mas eu percebi que Camus e Milo não estavam ali.

“Eu vou atrás dos outros. Já volto.” Avisei. Procurei na casa e não encontrei ninguém, então saí do casarão sendo seguido por Átila, procurando por eles, estranhando o sumiço. Andei aleatoriamente, até as cocheiras, onde escutei vozes baixas. Havia uma luz amarela acesa ali, a iluminação era pouca, e o tom baixo e suspeito das vozes fez com que eu me aproximasse de mansinho e espionasse o que estava acontecendo. Átila espionou comigo, como se soubesse que precisava ficar comportado.

Eu sei, nada bonito, dono e cachorro ouvindo às escondidas, mas hei! Estamos na minha chácara, alguma regalia temos que ter.

“Milo... Eu não sei, eu... Nós sempre fomos amigos e agora...” Ouvi a voz de Camus, antes de vê-lo, com as costas contra uma das paredes de madeira.

“Shhhh, não pensa, Camus. Aproveita que é Natal e pensa só no amor que floresce dessa data.” Milo falou, entre sério e divertido, se aproximando de Camus.

Meu queixo caiu, ou melhor, despencou no chão e Átila soltou um ganido baixo, encolhendo o rabo. Felizmente eles não escutaram e Milo nem esperou que Camus replicasse, acabou com a distância entre os dois e prensou o ruivo contra a parede, num beijo mais que indecente. Quando Camus soltou um gemido e se agarrou a Milo, eu dei meia-volta rapidinho, fazendo final a Átila para que me seguisse, e deixamos os dois se entenderem.

Acabei soltando umas risadas incrédulas pelo caminho de volta para casa, ao que Átila latiu algumas vezes, saltitando empolgado sobre a grama. Quando entramos, inventei alguma desculpa, dizendo que os dois chegariam dali a pouco. Mu se sentou ao meu lado à mesa, segurou minha mão e sorriu daquele jeito lindo, que me deixava com a cara mais boba apaixonada do mundo.

“Aiolia ‘tá amando, Aiolia ‘tá amando!” Katie cantarolou, inconveniente como só ela. Lhe lancei um olhar tão mortal, que a empolgação dela acabou murchando. “Credo, Aiolia, que mau-humor. Cadê o espírito natalino?”

“Crianças, sem brigas.” A mãe da Katie falou. Era bem parecida com a minha própria mãe.

“Então era isso que você estava de sussurros com a Katie? Contou sobre a minha declaração, é?” Sussurrei para Mu, que abriu um sorriso largo de pivete que havia aprontado, seus olhos quase fechando junto.

“Gente, o brinde de Natal!” Aiolos lembrou, erguendo o copo dele, e todos fizemos o mesmo.

Milo e Camus chegaram logo depois. Camus meio sem-jeito, e Milo com aquele sorriso mafioso de quem não tinha boas intenções. Todos os casais acabaram se beijando ao mesmo tempo, à exceção de Camus e Milo, claro. Mas isso não impediu minha mãe de reclamar que não havia ninguém para ela beijar, então a louca da Katie foi lá e deu um selinho nela, praticamente matando de novo a Dona Agnes do coração.

É claro que nesse meio tempo, o Átila quase roubou o peru, mas Aiolos conseguiu chutá-lo para longe da mesa antes que um desastre acontecesse. Vide: toda a família correndo atrás de peru fugitivo, no meio da chácara.

Eu me inclinei para perto de Mu e o beijei na bochecha, sussurrando em seu ouvido.

“Eu te amo.” Repeti. Poderia repetir mil vezes. “E antes encontrei o Camus e o Milo aos beijos lá no celeiro.”

“O QUÊ?!?” Mu não reprimiu a exclamação assustada e olhou descaradamente para Camus e Milo, com os olhos arregalados, já tirando a bombinha do bolso para refrear a asma. Eu gargalhei, Camus corou, Átila latiu e Milo piscou para Mu, enquanto os outros nos olhavam sem entender nada.

E eu esperava que esse fosse o primeiro de muitos Natais ao lado da pessoa que eu amo.

Feliz Natal!


Notas finais
Eu faleeeeeeeeeeeei que poderia ter um epílogo! XD Tá que demorou séculos, mas saiu bem no Natal! Que bonito, não? Feliz Natal, galera! Espero que tenham se divertido! :D
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Para quem não viu, estou postando mais duas fanfics Aiolia/Mu:
Aqui: http://fanfiction.com.br/historia/308491/Cant_Buy_My_Love/
E aqui: http://fanfiction.com.br/historia/271866/Delicate_Love/
Porque Natal também é propaganda!
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Beijos a todos! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!