Let It Be
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Nem sei dizer quanto tempo passamos no carro, viajando pela noite. Eu só conseguia manter minha cabeça abaixada e tentar não pensar no pior. Minha mãe tem problemas no coração já há uns três anos, e não era a primeira vez que ela tinha um ataque cardíaco. Ela já quase havia morrido antes, e de repente eu me sentia o pior dos filhos por tê-la deixado sozinha na nossa pequena cidade natal depois de já quase tê-la perdido.
Meu irmão, Aiolos, mora com ela e cuida da chácara. É, nós temos uma chácara, numa cidade interiorana, daquele estilo bem campestre. Há um milharal que se estende por boa parte da propriedade, um campo lindo onde se pode andar a cavalo e uma cachoeira na qual já nadei muito quando era moleque, mais afastada, mato adentro. Nosso pai faleceu há três anos. Quando ele começou a ficar doente, eu me mudei. Era sufocante demais vê-lo definhar dia após dia, sem querer se ajudar, sem querer buscar ajuda além do pequeno hospital da cidade.
Eu era, e talvez ainda seja, um idiota egoísta por ter fugido de casa por não ser capaz de encarar a dura realidade que nossos pais não vão estar ali para nós para sempre. Três meses depois da mudança, meu pai morreu. Eu mal consegui me despedir direito. Não pude chegar a tempo antes de sua partida. Foi algo que me marcou para sempre. Só de relembrar o quanto havia sido estúpido, meus olhos lacrimejavam. E a possibilidade de passar por tudo isso de novo me deixava aterrorizado.
Ainda bem que Aiolos, apaixonado pela nossa chácara, resolveu ficar por lá, cuidando a administrando tudo, e cuidando da nossa mãe como ela merecia. Eu ia visitá-los sempre que possível, sempre que o trabalho como professor e o mestrado me davam alguma brecha, mas agora eu começava a achar que deveria ter ido vê-los mais vezes, ter sido mais presente. Em algum momento da viagem, engoli meu choro. Não queria que ninguém me visse nesse estado, muito menos o Mu. Não queria que ele m achasse um fraco.
Eu sentia a mão macia dele sobre a minha, acariciando de leve o dorso dela e me passando uma sensação de conforto. Quando tive coragem de erguer o olhar, assim que as lágrimas infames pararam de descer, vi que ele estava completamente concentrado na estrada a despeito dos toques suaves, como se desse privacidade à minha dor. Adorável. Era impossível não amá-lo num momento assim.
Senti uma vontade enorme de mandá-lo parar o carro, então puxá-lo para os meus braços e dar-lhe um beijo nos lábios rosados. Em certo momento ele percebeu meu olhar carregado sobre si e me olhou rapidamente, porém com tempo suficiente para transmitir carinho através de seus olhos claros e apertar com mais força minha mão. Por razões que eu não queria decifrar no momento, tê-lo ali comigo fazia com que eu me sentisse melhor.
“É essa cidade. O hospital fica no final daquela rua à esquerda.” Avisei, ao chegarmos. Aquilo nem poderia ser chamado de hospital, era pequeno e simples demais, porém era o mais desenvolvido dos arredores. Eu desci apressado, praticamente correndo para dentro. Era bem tarde, uma enfermeira me barrou enquanto eu procurava pela minha mãe.
“Senhor, por favor, acalme-se!”
“A senhorita vá para o inferno com essa história de mandar eu me acalmar! Eu preciso saber como a minha está!” Ao menos tive a decência de falar baixo, evitando um escândalo num lugar daqueles. Eu informei o nome a ela, e a garota foi checar.
“Sua mãe ainda está instável, mas não há mais tantas chances de óbito.” Ela informou calmamente.
“Não há mais tantas chances? Então ainda há chances!” Dessa vez me exaltei, nervoso com a ideia.
“Senhor, por favor... fique calmo. Sua mãe está em observação, descansando e dormindo agora, amanhã você poderá conversar com o médico e depois vê-la.”
Eu estava pronto para xingar aquela enfermeira impertinente por me impedir de ver minha mãe, porém um toque em meu braço me freou.
“Aiolia, ela tem razão. Não vai acontecer nada com a sua mãe, e agora você precisa se acalmar e descansar. Voltaremos aqui amanhã bem cedo.” Ele acariciou meu braço, parecendo tirar todas as minhas forças com o simples gesto. Assenti.
Voltamos para o carro e o guiei até a chácara da minha família. Aiolos já nos esperava na entrada. Deve ter visto as luzes do carro e o barulho, e duvido que estivesse conseguindo dormir direito aquela noite. Saí do carro, fui até ele e nos abraçamos. Falei da enfermeira e ele concordou.
“Ela também me expulsou de lá junto com o médico. Falaram que a mãe precisa descansar... e que eu precisava também.”
“Será que usam sempre a mesma ladainha?” Perguntei, irritado. Mu se aproximou timidamente, talvez não querendo atrapalhar o momento dos irmãos, mas eu o puxei e o apresentei.
“Muito prazer, Mu, obrigado por trazer o meu irmão.” Ele estendeu a mão para Mu, que a aceitou com um sorriso leve. Ele carregou a mala que eu nem o vira preparar e desceu um Átila dorminhoco do carro. Aiolos nos levou para dentro. Deixamos Átila dormindo na sala e seguimos para os quartos.
“Você pode dormir no seu antigo quarto, Aiolia, continua como você o deixou. E Mu, tem um quarto de hóspedes no final do corredor.” Aiolos indicou tudo e depois foi para o próprio quarto. Nesses momentos eu sabia que meu irmão gostava de ficar sozinho para pensar e refletir. Era muito mais calmo e centrado do que eu jamais seria.
Sem dizer palavra, Mu veio e me abraçou, pegando-me de surpresa, e deu um beijo em minha bochecha.
“Qualquer coisa que precisar, não hesite em me pedir.” Ele murmurou perto do meu ouvido antes de se afastar, olhar-me com ternura e afagar meus cabelos. Segurei seu pulso, olhando diretamente para seus orbes verdes.
“Na verdade, tem algo sim. Você se importaria de dormir no meu quarto? Eu... não queria ficar sozinho essa noite.” Não me importei de parecer um garotinho com medo do escuro, sabia que ele não me julgaria.
“Tudo bem.”
Ele entrou comigo e começou a ajeitar umas cobertas no chão ao lado da cama, improvisando o local onde dormiria. Assim que pronto, apaguei as luzes e ele insistiu que eu deveria dormir na cama, se deitou e foi para baixo do cobertor sem dar tempo para que eu retrucasse. Deitei na cama, mas não consegui dormir, fiquei revirando de um lado para o outro pelo que pareceram horas. Mas eu sabia que não mais do que alguns minutos haviam se passado antes que Mu me chamasse.
“Venha cá.” Ele afastou as cobertas e bateu uma mão no espaço vazio ao seu lado. Como poderia ser tão lindo?
Eu desci da cama e me deitei ao seu lado. Mu nos cobriu e me puxou para seus braços, para seu cheiro de lavanda. O abracei com força, talvez ao ponto de sufocá-lo, mas ele não reclamou. Ficou afagando gentilmente meus cabelos até que eu pegasse no sono, com o rosto descansando sobre seu peito como um garotinho indefeso que cresceu demais.
XxX
Sábado de manhã, nós fomos ao hospital. Mu dirigiu, porque de novo eu não estava em condições. Ele estava com olheiras profundas, e percebi que ele não deveria ter conseguido dormir direito comigo praticamente o sufocando com meu abraço e peso a noite inteira. Mesmo assim não reclamou de nada e ainda segurava a minha mão na sua transmitindo tranquilidade.
Ele não falava da boca para fora, parecia ter certeza de que tudo ficaria bem. E quando o médico falou a mim e ao meu irmão que nossa mãe finalmente havia ficado estável e que no dia seguinte poderia já voltar para casa, eu me perguntei se Mu era algum daqueles caras sensitivos que previam esse tipo de coisa. Ele bem que tinha jeito.
Eu e Aiolos entramos no quarto onde nossa mãe repousava, e ela abriu um sorriso enorme ao nos ver. Porém seu olhar direcionou-se a mim e ela abriu uma careta indignada – aposto que se estivesse em pé, colocaria as mãos na cintura e bateria o pé, como era do seu feitio.
“Rapazinho, será que sua mãe precisa quase morrer de um ataque cardíaco para você vir visitá-la?” Eu corri até ela, beijei-lhe as mãos, as bochechas, a testa, fazendo-a rir e me abraçar com força.
“Me desculpa, mãe. Prometo aparecer mais seguido, mas não nos dê um susto desses de novo.” Falei, sem conseguir parar de beijá-la. Aiolos teve que praticamente me chutar para longe para conseguir fazer o mesmo. Como era bom escutar a voz dela!
“Oh, por favor, você acha que eu seria que nem seu pai para morrer assim tão fácil?” Ela falou. E imediatamente caiu no choro. Não sei por que ela tenta fazer piadinhas com nosso pai, se sempre acaba chorando depois.
“Mãe, calma, não fica assim...” Eu e Aiolos a abraçamos e enchemos de mimos, até que ela se acalmasse, sorrisse e nos beijasse também. Parecíamos dois menininhos sendo mimados pela mãe. E isso era ótimo.
Ficamos tanto tempo ali dentro, que assim que o médico veio dizer que ela deveria descansar mais um pouco, eu me lembrei do Mu e me recriminei por deixá-lo do lado de fora, esperando sozinho. O encontrei na sala de espera do hospital bebendo um café e comendo uma pequena barra de chocolate. E como sempre, cantarolando entre uma mordida do doce ou gole de café.
I don't like you
But I love you
Seems that I'm always thinking of you
Oh, oh, oh
You treat me badly
I love you madly
You've really got a hold on me
You really got a hold on me, baby
I don't want you,
But I need you
Don't want to kiss you
But I need to
Oh, oh, oh
Certamente eu precisava dele. E certamente não queria, mas precisava beijá-lo.
Assim que me viu, largou tudo e veio quase correndo para me abraçar. Pelo meu sorriso, deve ter entendido que tudo estava bem. Ele pulou nos meus braços, e eu o segurei, tirando-o do chão sem nenhuma dificuldade.
E o beijei.
Não me importei se ele era um homem, se estávamos num hospital, se ele havia dito que eu deveria resolver meus assuntos com a Marin antes. Eu só precisava beijá-lo, sentir o gosto doce e amargo de sua boca pela mistura de chocolate e café quente, me inebriar com seu cheiro delicioso e extravasar tudo que estava preso dentro de mim.
Eu o apertei ainda mais forte em meus braços ao senti-lo retribuir, em nenhum momento tendo tentado se afastar. Suas mãos macias e delicadas acariciaram minha nuca, causando um arrepio por toda a minha espinha, e depois se embrenharam em meus cabelos. O beijo era intenso, mas ao mesmo tempo calmo, terno, com sua língua se movendo contra a minha numa dança que levou meu coração a quase arrebentar no peito.
Nos afastamos quando o ar faltou, e fiquei aliviado por ninguém nos pegar no flagra. Mu, com a respiração alterada e o rosto corado, apoiou a testa à minha, mirando meus olhos. Eu queria beijá-lo de novo, mas eu sabia que se seguisse com isso, acabaria ficando mais alegre do que deveria... Se é que vocês me entendem.
“Minha mãe vai ficar bem!” Exclamei, sorrindo largamente.
“Isso é ótimo!” Ele conseguiu firmar os pés de novo no chão e voltou a me abraçar. Pude sentir como seu coração batia rápido também, e isso me deixou ainda mais contente. Eu despertava nela as mesmas reações que ele despertava em mim.
Nós voltamos para a chácara e, agora com mais calma, pude apresentar parte do local ao Mu. Mostrei os arredores, levei-o até os estábulos, onde meu irmão já cuidava de alguns. Aiolos era doido por cavalos, montava desde os quatro anos e inclusive preparava os animais para participar daquelas exposições por toda a Europa. Mu também se deu bem com os ‘bebês’ de Aiolos. Encontrou um cavalo com o qual se identificou de imediato, e lhe fez alguns carinhos. O cavalo mordiscou as roupas de Mu e lhe deu umas focinhadas carinhosas.
“Você quer montar?” Perguntei.
“Sim!” Exclamou com os olhos brilhando de empolgação. Átila nos seguiu por um tempo, mas depois saiu correndo desvairado pela chácara, perseguindo passarinhos. Sempre ficava mais pateta no meio da natureza.
Mas lindo mesmo foi ver o Mu montando. Parecia feito para aquilo, mesmo sendo a primeira vez que tentava. Saiu galopando depois de não mais do que dez minutos acostumando-se à montaria, e eu o segui, deliciando-me com a visão de seus cabelos lilases ondulando ao vento e o sorriso empolgado e infantil em seu rosto.
Minha vontade era persegui-lo, raptá-lo, deitá-lo na grama e beijá-lo inteiro antes de afundar-me em seu corpo... Mas antes que eu perdesse a sanidade e fizesse justamente isso, ouvi alguém me chamar. Era uma mulher que vinha em minha direção também a cavalo. A reconheci assim que o sol forte permitiu que eu a olhasse melhor.
Era uma mulher de longos cabelos loiros e pele bronzeada, linda, usando uma roupa de cowgirl com um chapéu que protegia seu rosto do sol. Foi um casinho da minha adolescência, quando eu ainda morava na chácara. Deveríamos ter uns quinze anos quando começou. Mas para mim sempre havia sido só atração, então decidimos continuar apenas na amizade, ainda que transássemos todas as vezes que eu vinha à chácara...
Ela chegou e me cumprimentou de maneira muito discreta. Gritou de felicidade, pulou no meu cavalo de frente para mim e me tascou-me um beijão na boca. Fiquei tão aturdido que demorei alguns segundos para afastá-la. Olhei por cima do seu ombro e meu estômago afundou ao ver Mu parado mais à frente com uma expressão furiosa. Ele virou o cavalo e voltou a cavalgar, em direção aos milharais.
“Katie, eu falo com você depois...” Eu coloquei minha ex-amante no cavalo dela e disparei atrás de Mu. Eu nem queria pensar no quanto ele deveria querer me matar. Encontrei seu cavalo parado ao lado do milharal, pastando tranquilamente.
“Mu!” Gritei, descendo do meu e seguindo para dentro do milharal. Era como se pudesse farejar seu cheiro de lavanda trazido pelo vento. “Mu, me deixa explicar! Mu!”
Eu segui os barulhos que fazia tentando fugir de mim por vários minutos, até conseguir alcançá-lo, já no centro do milharal. Segurei seu braço, impedindo-o de escapar para longe. Ele tentou se debater, me empurrar, e quase fui nocauteado por golpes marciais, mas dessa vez eu sabia do que ele era capaz e o puxei, abraçando-o por trás e imobilizando seus braços. Ele arfou, parecendo ainda irritado.
“Me larga, Aiolia!” Rosnou, mas sua respiração falhou quando aproximei meus lábios de seu ouvido.
“Eu tenho quase certeza que já comentei que você fica uma graça todo irritadinho.” Mordisquei seu lóbulo.
“Me solta! Me solta! Vá lá agarrar aquela loira peituda e me deixa em paz!” Tentou de novo se soltar, mas em vão. Eu ri com o rosto afundado em seu pescoço, sentindo-o se arrepiar inteiro. Era ótimo vê-lo tão enciumado.
“Não pensei que fosse tão ciumento. A Katie não significa nada, não é ela que eu quero...” Deslizei meus lábios por sua pele descoberta. Isso pareceu rendê-lo de vez, e ele gemeu baixinho, sensual, quando o mordi de leve. Provavelmente estava tentando me enlouquecer.
“Não estou com ciúmes...” Ele murmurou emburrado.
Não dava mais para aguentar. Eu o virei rápido para mim e voltei a unir nossos lábios. Mas dessa vez o beijo era carregado de luxúria e pressa. Caímos na grama e a paisagem exótica só conseguiu me excitar ainda mais. Gemi em sua boca quando ele abriu as pernas, deixando que eu me acomodasse entre elas. Mesmo com as roupas, podia sentir sua ereção pressionada contra a minha. Não nego que num primeiro instante achei estranho, mas quando comecei a mover o quadril, friccionando a minha rigidez à dele, eu não pensei em mais nada. O prazer me assolou e eu arranquei sua camisa, passando a tocá-lo em todo o pedaço de carne que eu pudesse alcançar.
Quando Mu desceu as mãos e abriu meu zíper, colocando a mão dentro das minhas calças e me tocando, eu achei que iria morrer de prazer. Eu estava há tanto tempo sem ser tocado por outra pessoa assim, que sentia que poderia gozar apenas com aquilo, em tempo recorde. Me esforcei para que não acontecesse, não queria que terminasse tão cedo.
As expressões de prazer do Mu eram lindas. Em algum ponto, também abri as calças dele e envolvi sua mão que me tocava, nos masturbando juntos, e me afastei apenas para vê-lo contra a grama, gemendo, seus cabelos exóticos espalhados pelo chão contrastando com o verde que, entretanto, combinava com seus olhos. Voltei a beijá-lo até arrancar-lhe o fôlego, e só parei quando nós dois gozamos. Fiquei feliz em ver que ele também não conseguira aguentar muito.
Ele se sentou envergonhado, tentando recolocar as roupas com as mãos trêmulas. Evitava me olhar, com seu rosto ruborizado. Ele era muito lindo. O puxei e abracei por trás antes que colocasse a camisa, e passei a acariciar seu tórax magro, com músculos delgados e firmes. Beijei-o na curva do pescoço.
“Por favor, não foge de mim... Vamos ficar aqui até o final do feriado.” O beijei mais. “Me deixa descobrir se o que eu sinto por você... é mais do que apenas atração. Me deixa confirmar os sentimentos que se confundem no meu peito.” Pensei que ele iria me chamar de canalha por estar propondo algo assim. Mas eu precisava descobrir! E o que melhor para isso do que passarmos quatro dias juntos naquele lugar que eu tanto adorava?
Mu não falou nada. Apenas virou dentro do meu abraço e sentou no meu colo, com cada joelho de um lado da minha cintura. Ele voltou a me beijar, dessa vez sendo ele a tirar meu fôlego. Minhas mãos escorregaram por suas costas esguias e foram para dentro da calça. Apertei seus glúteos arrebitados, arrancando-lhe um gemido rouco que voltou a me acender inteiro.
Só que não passamos disso. Depois ele levantou, recolocou a camisa e me puxou pela mão, com um sorriso entre envergonhado e travesso. Voltamos a cavalgar e eu lhe apresentei boa parte da chácara. Mas ainda havia mais o que mostrar nos próximos dias que ele me dava para passar ao seu lado.
Quando voltamos, almoçamos e fomos visitar minha mãe no hospital novamente. Dessa vez eu apresentei o Mu a ela. Como o resto do mundo, ela se admirou com os cabelos lilases e pediu para tocá-los. Mu não se negou, sentou-se ao lado dela e deixou que ela acariciasse seus cabelos. Logo eles já conversavam como se fossem amigos de longa data, ao ponto de eu e Aiolos nos sentirmos intrusos ali dentro.
Eu sorri para a cena. Era muito difícil alguém não se deixar encantar pelo Mu, exatamente como Milo havia falado.
E comigo não era diferente.
Notas finais
Beijos!
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