Leon é um mentiroso !!!?
1 Capítulo 1 - A Rotina
Trabalhar num escritório é muito mais chato do quê parece, geralmente eu só fico dando informações para as pessoas, contudo, vale muito a pena o meu trabalho, já que é meu ingresso principal (depois do carro), de sair dessa cidade. Minha colega de trabalho está me dando a papelada de transferência, já que consegui uma promoção e pedi pra mudar de cidade.
—Vou sentir falta de você- Duvidei -, mas você quer ser um detetive, então eu entendo.- então ela sorri...quanto cinismo -Eu vou pegar suas coisas, o chefe quer ver você.
Vou até o chefe, ele me dá os parabéns e diz que "eu sempre fui uma ótima influência pra empresa", embora eu duvide um pouco disso. Pego minhas coisas e vou até o carro, coloco as coisas no banco traseiro e me sento na do motorista. Falta menos de um mês pras três provas finais, História, Matemática e Química, já estudei tanto que acho que já posso entrar na área da astro-física ou de museologia, mas tudo bem, tenho que manter o foco. Ligo o carro e dirijo até a casa do meu Padrasto (confesso que seria uma afronta chamá-la de minha, já que a residência está em posse do nome dele). Amanhã é segunda e eu tenho que revisar a matéria de Matemática já que a prova é Terça que vêm. Estaciono o carro na garagem, pego minhas coisas no carona e vou até o quarto reservado á mim (também não o chamo de meu pelo mesmo motivo da posse).
Como cheguei antes do meio-dia, ainda não chegaram as visitas que ocorrem quase todo Domingo, e é um saco, e sempre tem aquelas comidas chatas de churrasco (carne, salada de batata com maionese calórica e arroz seco, sem nenhum feijão pra acompanhar). Tento estudar por um tempo, depois fico mexendo nas redes sociais até que as visitas cheguem, saio do quarto, dou um "oi' pra todo mundo, almoço na mesa com eles e volto pro quarto, mas confesso que é horrível tentar estudar com gente gritando no outro cômodo, dá vontade de mandar todo mundo "calar a boca" em alguns momentos. Pego meu telefone e coloco os fones de ouvido para tentar ouvir meu Rock e me deitar um pouco, prefiro estudar de madrugada, pois é nela que tudo parece mais calmo nessa cidade conturbada.
Acordo antes das duas e meia da manhã, ligo o PC, abro o livro de Matemática e começo a estudar até dar as seis da manhã, então me preparo pro Colégio, como não tem uniforme, posso usar meu casaco xadrez vermelho com linhas pretas e capuz, ele é a minha marca, tenho dois dele para não usar sempre o mesmo (até porquê usar a mesma roupa durante "meia semana" é nojento). Faço a barba, escovo meus dentes e vou até a parada de ônibus, chego vinte minutos antes das sete e o ônibus passa quinze minutos antes da sete. Comprimento meu amigo/vizinho e espero o ônibus com ele, depois chega um garoto muito bonitinho que se mudou pra cá recentemente, ele até lembra um humorista que eu via num programa de Stand Up na televisão que adorava se achar o galanteador (e tinha um pente amarelo muito grande e nada convencional, obviamente), mesmo tendo claramente quase noventa anos (se bem que não há idade pra essas coisas, mas tudo bem), contudo, o garoto novo não deixa de ser bonito, acho que ele poderia atrair até o cara mais hétero que existe, mas sabemos que isso é apenas uma hipérbole da minha mente maluca (todavia, ainda me sinto atraído por ele, mesmo tendo quase noventa e nove por cento de certeza que ele é hétero, um hétero muito fofo e envergonhado, mas ainda assim, um hétero).
No ônibus existe uma regra essencial que todos cumprem, ninguém conversa! Têm que ser muito mal educado pra conversar no ônibus (alguns até gritam, ao invés de conversar); então até a minha parada eu vou só olhando de relance pro meu amigo e fazendo uma ou duas perguntas, ou afirmações, a cada duas ou três paradas até chegar na minha. Adoro descer do ônibus, pois raramente eu consigo ficar em algum banco, e isso é um saco, mas as vezes os bons costumes da minha família, por parte de mãe, que é católica se abrange contra minha falta de consideração e de sentimentos sobre os outros.
Minha irmã é quem paga o meu Colégio, claro que depois que ela discutiu feio com a minha mãe, ela aceitou que minha irmã pagasse um Colégio particular, que pra minha sorte, o Colégio adotou, no início do meu Primeiro Ano do Médio, a não usar mais uniforme (que era uma piada aquela cor branca com traços em vermelho diga-se de "passagem"), as aulas vão desde as sete e meia da manhã ao meio-dia, então vem a pausa e à uma da tarde retomamos com aulas de Línguas Estrangeiras e Educação Física, vulgo meu treinamento de Artes Marciais. Mas tenho de confessar que meu dia foi bem normal, a Tiffany não veio me encher o saco (ela é muito estranha, talvez ela queira ficar comigo, o quê é impossível, pois ninguém quer ficar comigo, e não, eu não sei o quê há de errado com meu corpo, ou sei lá qual for o problema, pois até já venci um concurso de modelo, mas deixar de comer bobagem não é pra mim, no entanto, eu sou considerado com peso "estável"); o Jaden não veio me encher com os papos furados dele de depressão; minha prima não me enviou mensagem dizendo o quanto a vida dela é incrível perto do amigo mala-sem-alça dela (eu realmente não aturo aquele guri, ou devo de dizer moleque mesmo?); enfim, o fato é que hoje está quieto, até demais, geralmente eu fico tentando aturar meus colegas, mas hoje a turma ficou quieta, em paz, isso é incrível. Meu treino é muito mais difícil, já que passo quase quatro horas nele, ou seja, dois períodos inteiros no Muay Thai.
Penso que não vou conseguir chegar na parada a tempo, mas consigo e chego bem na hora do meu ônibus. O motivo de eu não ir de carro pro Colégio é que: 1. Gasolina tá cara aqui na cidade, mais vale comprar duas passagens de ônibus 2. Não sou eu que pago as passagens, é o meu padrasto ,então tento aproveitá-las, já que elas só valem pra essa cidade 3. Não costumo confessar, mas eu tenho certo medo de andar de carro aqui na cidade, pois a cidade da Rainha da Rosa dos Ventos é muito congestionada.
E por falar em congestionada, lembrei de um fato muito irritante, mas não ligo muito já que não irei fazer a Faculdade daqui que é que aqui na cidade costuma vir muitos estudantes oportunistas de outros Estados pra tentar uma Federal aqui (sem contar os riquinhos que tentam roubar a vaga de quem NECESSITA de uma faculdade, e em quase cem por cento das vezes, eles conseguem, é tipo uma Guerra entra civis desarmados e um exército totalmente armado, é ridículo e todos sabem qual vai ser o resultado, chega a dar raiva esse tipo de coisa, já que a Faculdade Federal não necessita ser paga por ninguém que estude nela, ou seja, esses riquinhos não pagam a Faculdade Pública, o quê é muito injusto).
Chego em casa, estudo, vejo minhas séries e vou dormir, tenho que descansar, pois amanhã começa a contagem regressiva pra acabar de vez o Ensino Médio, ter meu emprego rentável num ambiente jurídico, e finalmente, fazer o vestibular daquela cidade, que vai ser o ápice da minha vida por enquanto. Deito a cabeça no travesseiro e fecho os olhos, depois de quase uma hora eu me levanto e tomos os remédios pra dormir, porque eu sinto que as coisas não vão ser todo esse "viveram felizes para sempre" como está me parecendo, tem coisa pra acontecer ainda e tenho que me preparar. Tomo os remédios com água morna da torneira, me deito e caio num sono onde acabo discutindo com o meu outro eu, afinal, a Bipolaridade parece ser uma doença hereditária na minha família materna.
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