Leon é um mentiroso !!!?
2 Capítulo 2 - Dizer "não", não é resposta
(Você já acordou com aquela vontade de continuar pra cama e dizer "foda-se tudo, eu posso"? Pois bem, queria eu ter seus problemas).
Acordo correndo, minha mochila sempre está organizada pra me proporcionar menos tempo gasto para me arrumar. Coloco meu casaco vermelho xadrez, tomo meu café e estou pronto para mais um dia. Ao subir no ônibus, fico relembrando toda a matéria da prova (se eu esquecer de alguma coisa eu tô muito fodido). O problema de ir sozinho pro Colégio, é que todo mundo que pega ônibus com você, e que também estuda no mesmo recinto, não é seu amigo ou alguém que você costuma trocar ideias. Sendo assim, na maioria das vezes você é o escolhido (e isso é um saco). Contudo, no momento atual, tento usar isso como forma pra mim estudar bem mais e parece estar funcionando.
Estar num Colégio é tão maçante e sem graça, queria estar eu viajando por aí (ou indo fazer alguma coisa incrível que pessoas ricas costumam fazer), pois o ambiente escolar é como uma selva, pelo menos na minha sala é assim (todo mundo tentando passar por cima de todo mundo, sendo um falso amigo). Não sei o porquê eu pego o ônibus mais cedo, geralmente sou um dos primeiros a chegar, então tenho que esperar meus amigos. Ao que parece ninguém chega, mas eu estudei até a última migalha. Mas confesso que não estou nem um pouco a fim de ser o palhaço da turma novamente, não vou passar cola pra ninguém, só vou me concentrar na minha prova.
Quando chego na minha sala, já vejo meu lugar na frente já preparado, me sento e estudo mais um pouco (eu não posso rodar nessa droga de prova). Na hora da prova, eu já não aguento mais de tanto esperar, quando o professor solta o bipe para começar eu vejo que meus estudos deram resultado. Sei quase 85% da prova, isso é bom (mas não podemos esquecer que eu estudo em Colégio particular, então isso já era de se esperar). Termino minha prova quase no final da aula por culpa de duas questões que não fazem o menor sentido (é matemática, então...). Termino quase três minutos antes de dar o sinal, meus amigos/pessoas que curto conversar não vieram e como não tenho mais nada pra fazer e todas as outras aulas são pra quem repetiu, eu decido ir embora. Enquanto saio da sala de aula, a representante de classe Cristy me chama para dentro daquela sala minúscula, chamada sala de aula (e parece ser algo magnífico pra ela, mas provavelmente eu vou, e já estou, cagando pro assunto):
—Fiquei sabendo que saiu do seu emprego ontem, você tem planos pra depois do Colégio?- (Será que ela não se toca que eu sou Gay?) -Eu tô pensando em fazer faculdade de administração, pois eu adoro essa área de secretária. Ficar só assinando papéis e coisas simples, e ainda por cima ganhar bem é comigo mesma- Ninguém liga... -Então, o quê você pretende fazer?
—Eu ainda não sei, talvez eu faça faculdade de nutrição, sei lá- Dou o olhar mais indiferente que consigo.
—Isso parece...- Ela está desconcertada -incrível.- (Não saiu tão animador assim "senhorita fodona") -Bem, eu vou sair com as meninas, e elas vão levar os namorados, ou até ficantes, com elas depois do intervalo, você não tá a fim de ir comigo?- Essa foi a gota da água, tô cansado (e puto) por causa da prova (sem contar que se o professor chegar na sala, eu não vou mais poder "fugir" do Colégio pra mim poder estudar as outras matérias), vou ter que dar a real pra ela.
—Eu sei que isso é meio difícil de engolir, mas eu não sou fantoche de ninguém, o.k.? Segundo, eu não tenho interesse em você, se eu fosse Hétero eu pegaria qualquer garota deste Colégio, menos você. Terceiro, você ouviu bem, eu sou Gay, viadinho, bicha, ou qualquer termo que você queira usar, mas sabe de uma coisa? Foda-se essa porra toda, você só quer parecer legal pra suas amigas comigo, enquanto finge ter alguma coisa rolando entre a gente, entretanto, a única coisa que sinto entre eu e você é repulsa. Se toca garota! -Ela parece incrédula e só consegue rir, agora ela vai querer debochar de mim por ser Viado, maravilha...
Saio do Colégio a tempo, ninguém me vê correndo, enquanto choro como um bebê (um bebê chorão). Por quê é tão engraçado descobrir que alguém curte pessoas do mesmo sexo? Por que isso tem que ser deboche? Isso é doente demais pra mim entender...
Aproveito que eu tô no centro e vou dar uma volta nas lojas. A loja de jogos eletrônicos e de mesa está aberta. Fico lá nas mesas do Cyber Café deles, peço uma esfirra com café. Parece que dizer "não" aquela hora, não era ao certo. Tava/tô cansado dessa garota dando em cima de mim (e mesmo que eu curta garotos, nenhum vai gostar de mim, sou ruim demais pra algum deles, todos terminam comigo porquê não me aturam ou não gostam de algum "defeito" meu, pelo menos foi isso que disse meu último "ex-quase namorado", que eu tenho defeitos esquisitos demais, não sabia que ser Geekie e não curtir festas era errado, mas tudo bem). Termino minhas esfirras e meu café, estou bem mais disposto agora, saio da loja e vou até uma livraria comprar meu livro da Clarisse pra prova de Literatura.
Enquanto olho os livros, me deparo com meus pensamentos, e percebo o quanto invejo a vida dos outros, vejo tanta gente na rua, até nessa livraria, pessoas felizes, bonitas e simpáticas, a vida delas parece tão... invejável. Queria ter uma casa gostosa de ficar, um quarto fofo pra mim dormir (e que eu pudesse chamar de meu), mas tudo isso é tão utópico pra mim...
Depois de comprar meu livro, vou até o Mercado Público, lá tem uma loja que tem tudo que tem num mini-mercado, só que Light e Diet, então compro um pedaço de bolo Light, dentre outras coisas pra minha dieta. Volta pra casa é sempre mais fácil do que ir pro Colégio/centro, pois o ônibus parece vir magicamente rápido pra parada. Ao chegar em casa eu preparo um lanche pra mim e começo a ler o livro de Clarisse. Mas ainda fico pensando, será que "não" nem sempre é a resposta?
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