Notas iniciais
Vejamos o que acontece depois da briga no corredor da escola...

A aula terminou. Leo, Mike, Philip e seus amigos foram até a sala do diretor no segundo andar da escola. Peter voltou pra casa sozinho, disse que ia contar a Lily o que aconteceu e que Leo não poderia voltar a tempo para a entrevista com o casal.

-Estou muito decepcionado com vocês – disse o diretor – Todos irão tomar um advertência e ficarão na detenção até o final da tarde.

-O QUE? POR QUÊ? – esbravejou Philip – EU NÃO FIZ NADA, ESSE IDIOTA QUE COMEÇOU, EU SÓ ME DEFENDI.

-Chega de graçinhas Philip. Sei muito bem que você não é flor que se cheire e fica atormentando o garoto. Então, como eu disse, TODOS vocês ficarão na detenção.

Eles se dirigiram à salinha ao lado que era destinada à detenção. E para o azar de Leo, o professor que estava lá hoje era o Sr. Crowe.

A sala de detenção era como uma sala de aula comum, com cadeiras enfileiradas e uma lousa na parede em frente às carteiras. Só havia três pessoas lá, um nerd do primeiro ano do ensino médio que estava chorando, provavelmente por nunca ter ido à detenção, uma garota rebelde do terceiro ano que Leo só via na detenção e o professor.

-Olha só quem está aqui, se não é meus alunos preferidos! Vejo que encontrou sua mochila Leonard, ou o que sobrou dela, o que aconteceu? – perguntou o Sr. Crowe.

-Não é da sua conta seu intrometido – respondeu Leo com sequidão.

-Mas que ignorância! Parece que vamos nos divertir muito hoje.

O Sr. Crowe passou um trabalho de biologia sobre o assunto que eles haviam estudado hoje valendo 70% da média semestral deles. Leo não sabia nada, pois havia dormido na aula então preferiu não fazer. Mike também não quis fazer e ficaram conversando durante toda a detenção. O Sr. Crowe não reclamou, pois era exatamente isso que ele queria, seus alunos “preferidos” com média baixa.

Ficaram conversando por muito tempo sobre coisas sem importância nenhuma, até que Mike perguntou sobre Emily. Ele era o único que sabia da paixão de Leo, não tinha contado nem para Peter.

-Ela me deu sorriso hoje no ônibus – respondeu Leo com sinceridade.

-Isso é ótimo. Talvez ela esteja gostando de você — comentou Mike.

-É, talvez sim, mas eu acho que não, nem sei se foi mesmo pra mim – mentiu Leo que tinha ficado com vergonha.

-Pare de ser modesto, foi mesmo pra você, você está mentindo. Sei que está. Mas em uma coisa você tem razão, talvez isso não signifique nada mesmo, foi só um sorriso, não quero que tenha falsas esperanças e depois se magoe.

-Fiquei tão feliz, mas não vou ter falsas esperanças. Você teria que me aguentar falando sobre ela o dia inteiro.

-Não quero nenhum pouco que isso aconteça.

Os dois sorriram e esqueceram o assunto. O que fez Leo se lembrar do objeto misterioso que encontrara. Ficou em dúvida se deveria contar isso a Mike, mas decidiu contar, pegou a “varinha” na mochila suja e a mostrou pra Mike, ele fez uma expressão estranha de como soubesse que isso ia acontecer misturado com medo.

-Leo, me escute, isso é muito importante. Não se separe disso, cuide dele com se fosse outra metade sua. Más coisas estão por vir, tome cuidado– comentou Mike.

-Sim, tudo bem. Mas por que toda essa preocupação? O que vai acontecer?

-Me desculpe Leo, mas não posso contar agora, o importante é que não se separe disso de jeito nenhum. Vou te deixar no orfanato quando sairmos daqui, lá você vai estar seguro.

A conversa continuou por mais algum tempo onde basicamente Leo fazia várias perguntas a Mike, mas sem sucesso algum.

Finalmente a detenção acabou, já eram 18h00min, Leo prometeu que estaria em casa às 13h00min. Mike acompanhou Leo até o orfanato, andava olhando pra trás toda hora, meio distraído na conversa, andava rápido, estava apavorado. Até que chegaram ao orfanato e finalmente Mike disse mais alguma coisa:

-Entre logo Leo. Preciso ir agora.

Leo entrou no orfanato e foi recebido com um abraço de Lily.

-Oh Leo, está tudo bem? – perguntou Lily preocupada – Peter me contou o que aconteceu, como foi se meter numa briga?

-Me desculpe Lily, não queria deixá-la preocupada. Um garoto começou a falar dos meus pais e eu não aguentei, parti pra cima dele.

-Tudo bem querido, o importante é que você está bem – disse Lily apertando-o ainda mais no abraço.

-E... me desculpe também pela entrevista. Eu realmente queria vir, mas... mas..

-Tudo bem, eles foram embora quando disse que tinha 13 anos. Mas não fique chateado, tenho certeza que vai aparecer alguém para adotá-lo.

-Confio em você Lily!

-OH Meu Deus, o que aconteceu com sua mochila? – disse Lily quando percebeu aquela sujeira toda.

Leo deu a mesma desculpa que deu à senhorita Margareth.

-Coitado do meu bebê. Ande, me dê ela para lavar, amanhã de manhã já estará seca.

-Obrigado.

Ela sorriu e lhe deu tapa de brincadeira no traseiro de Leo mandando ele tomar banho e descer para jantar e que fosse breve, senão seus “irmãos” iriam comer toda a comida. Leo o fez e quando desceu encontrou Lily dando comida para Karol, uma bebê de 1ano que os pais deixaram ali para ser cuidada alegando voltar para buscá-la quando tivessem condições de cuidá-la.

-Já estou terminando aqui, espere um pouco e sirvo o jantar para você – disse Lily com aquele tom de voz doce que Leo adorava.

-Obrigado, mas não precisa. Posso me servir sozinho – disse Leo com um sorriso e se encaminhando para a cozinha.

Sentou-se a mesa para jantar, mas nem tocava na comida. Lily percebeu a preocupação e perguntou :

-Está tudo bem querido? Você parece estar preocupado.

-Não, estou bem, só tenho muito dever de casa – disse Leo escondendo o verdadeiro significado de sua preocupação.

Terminou de jantar e subiu para seu quarto que dividia com mais 3 crianças do orfanato, uma delas era Peter. Numa coisa ele não mentira, tinha realmente muito dever de casa, passou boa parte da noite fazendo os deveres. Tinha até esquecido das coisas estranhas que Mike falara pra ele, mas quando se deitou para dormir os pensamentos retornaram a sua mente, demorou um pouco para pegar no sono, mas finalmente conseguira.

O sono de Leo não foi tranquilo como ele imaginava que iriam ser. Teve sonhos esquisitos que lhe fazia acordar toda hora. Parece uma coisa normal, mas o sonho era tão real que quando acordava estava todo suado. O sonho se repetia várias vezes.

Era o seguinte: Um casal, aparentemente casados, estava trabalhando num laboratório e pareciam empenhados em uma coisa que não dava pra ver. A mulher era bonita com cabelos loiros e o homem era alto, forte com cabelos tão negros quanto os de Leo. Uma criança recém-nascida chorava incessantemente no berço ao lado deles. Leo achou estranho um berço num laboratório, mas não deu muita atenção para isso. Enfim, um homem de cabelos lisos e negros e com olhar implacável aparece, ele ataca o casal com feitiços poderosos que emitiam raios de luzes ofuscantes, eles se envolveram numa espécie de duelo mágico. Leo não conseguia entender o que estava acontecendo, só escutava gritos agonizantes da mulher e a voz estrondosa de seu companheiro dizendo: ”SAIA, NÃO VAI CONSEGUIR O QUE QUER E TODOS MORREREMOS AQUI!”. A voz do outro homem respondeu: ”DESDE QUE VOCÊS E ESSA CRIANÇA MORRAM, NÃO ME IMPORTO DE MORRER TAMBÉM. VOCÊS NÃO SABEM O QUE ESTÃO FAZENDO, ESSA CRIANÇA PODE SER NOSSA DESTRUIÇÃO!” Outra pessoa aparece, Leo não conseguiu ver seu rosto, porque quando ele aparece uma luz branca muito forte clareia a sala e o teto desaba. Depois disso Leo acordava e não conseguia saber o final do sonho, mas tinha a sensação de que aquilo realmente aconteceu, o sonho fora muito real, não tinha como ser mentira.

PI!PI!PI!. Leo nunca ficou tão feliz de ouvir esse barulhinho irritante. Dessa vez levantou rápido, não queria ficar nem mais um minuto naquela cama. Estava se sentindo diferente, exatamente como Mike disse, como se uma outra metade dele estivesse de volta, se sentia completo, estranhamente poderoso e preenchido como se pudesse fazer qualquer coisa.

Desceu depressa e quase caiu quando chegou ao pé da escada.

-O que aconteceu para acordar com tanta disposição hoje? Que milagre! Parece que quer ir para a escola – disse Lily surpresa que preparava o café da manhã.

Leo não respondeu só se sentou à mesa e começou seu café com Peter ao seu lado tagarelando coisas sobre o que aconteceu ontem. Não estava com fome, só queria conversar com Mike o mais rápido possível. Quando estava terminando de comer, a campainha tocou.

-Quem será a essa hora? – murmurou Lily se dirigindo até a porta.

E ainda bem, era Mike. Leo ficou tão feliz que saiu correndo deixando o resto do café.

-Ah é você Mike, entre, por favor – disse Lily sendo educada.

-Obrigado Lily, mas só vim para buscar Leo, marcamos de irmos juntos à escola hoje – disse Mike.

-AH claro, tudo bem, você pode esperar enquanto ele termina de comer.

-Não será necessário Lily, temos que chegar um pouco mais cedo hoje na escola, vamos estudar para a prova de inglês hoje – disse Leo se apressando para sair.

Mike fez uma careta esquisita, não tinham prova de inglês hoje, mas logo pareceu entender que Leo queria falar com ele.

-Só preciso trocar de roupa – disse Leo

-Não precisa não! Precisamos ir logo!

-Eu não vou pra escola de pijama – disse Leo – É rapidinho.

Leo subiu as escadas e depois de um curto período de tempo desceu-as na mesma velocidade que subiu.

-Tenha cuidado vocês dois – disse Lily quando Leo já estava saindo pela porta.

-Pode deixar Lily, teremos cuidado – assegurou-a Mike.

-Só espere eu pegar sua mochila... – disse Lily, mas os garotos já tinham saído e não escutaram o que ela disse.

Ao tomarem uma distância considerável do orfanato de maneira que Lily não pudesse escutá-los Leo gritou meio nervoso com Mike:

-O está acontecendo? Um monte de coisas estranhas aconteceram desde que encontrei aquele... aquele, ah não sei o que é aquilo e talvez não importe. Talvez você esteja me enganando só pra me deixar doido com todas essas coisas. Exijo explicações!

-Calma, todas as suas perguntas serão respondidas. Mas o que você quis dizer com um monte de coisas estranhas aconteceram?

-Tive uns sonhos estranhos ontem à noite, eles se repetiam sem parar, era o mesmo sonho.

-Conte-me sobre esse sonho.

Leo contou todo o sonho para Mike, desde o casal trabalhando até o homem que aparecia no final do sonho.

-Imaginei que isso fosse acontecer.

-O QUE? VOCÊ SABIA E NÃO ME DISSE NADA? – gritou Leo furioso com o amigo.

-Não precisa ficar nervoso, já disse que suas perguntas vão ser respondidas em breve. Agora precisamos encontrar Emily – disse Mike e depois fez um cara de arrependido como se não tivesse que dizer isso.

-Emily Collins? Você sabe que sou apaixonado por ela e você quer se encontrar com ela? Grande amigo você é!

Mike não conseguiu conter um sorrisinho. E disse em meio às risadas:

-Não é nada disso. Não estou interessado na Emily.

-Você acha que sou bobo?

Mike riu ainda mais.

Mas essas risadas não duraram muito. Seus risos foram convertidos em espanto. Eles chegaram à escola.

Leo ficou espantado, uns monstros estranhos vagavam pelo pátio da escola, pareciam fantasmas. Isso mesmo FANTASMAS no pátio da escola. A cabeça de Leo girava, parecia que ia explodir, estava muito confuso. Ninguém parecia notá-los os fantasmas por ali, as pessoas caminhavam normalmente como se nada estivesse acontecendo, algumas até atravessavam os fantasmas. Eles eram como pessoas normais, vestidos normalmente, aparentemente saudáveis, mas eles não andavam, eles flutuavam, eram semi-transparentes.

-Droga! – murmurou Mike — Eles já estão aqui! Vamos. CORRE! Temos que nos esconder.

-O QUE SÃO AQUELAS COISAS?

Mike não respondeu e eles se esconderam atrás de uma moita ali perto.

- Onde está Emily? – perguntou Mike.

Uma voz doce ecoou atrás deles. Uma voz relaxante que poderia te convencer a fazer qualquer coisa.

-Procurando por mim?

Era ela! Emily Collins. Estava linda apesar dos arranhões no rosto e o suor. Leo nunca estivera tão perto dela, pôde sentir sua respiração ofegante sobre seu rosto, o hálito dela era bom, ao contrário do de Leo que saiu tão apressado do orfanato e se esqueceu de escovar os dentes, o hálito de Leo tinha cheiro de café então preferiu não falar nada até que estivessem a uma distância considerável.

-OI – disse Leo envergonhado.

Ela não respondeu ao “OI” de Leo, falou com sequidão:

-Vocês demoraram. Sempre fico com a parte mais difícil. Esse seu amiguinho é um covarde.

Essa última frase foi dirigida a Leo. Emily tinha chamado Mike de covarde, sinal de que não eram namorados. Por um momento Leo se sentiu culpado por ter gritado com Mike.

-Leo teve que trocar de roupa – disse Mike.

Leo não estava entendendo mais nada. Por que ela estava toda suja. Quem eram aquelas pessoas, ou melhor, fantasmas.

-Ninguém vai me dizer nada? O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

-Agora não Leo, explicamos tudo depois. Precisamos pegar a adaga daquele bicho – disse Emily apontando um fantasma com a cabeça.

-Moleza. Deixa comigo! – disse Leo na esperança de conseguir e Emily ficar orgulhosa.

Ele se levantou para correr atrás do fantasma, mas Emily o puxou pela gola da camisa.

-Você ficou maluco? Aquelas coisas podem te matar!

-Mas elas não são fantasmas?

-Nunca vi fantasmas que lançam feitiços na gente!

-O QUE? FEITIÇOS? DO QUE VOCÊS ESTÃO FALANDO?

-Você não contou NADA pra ele? – perguntou Emily para Mike.

-Você disse que não era pra contar nada – respondeu Mike.

-TÁ BOM. Agora vamos pegar a adaga!

-QUE ADAGA É ESSA? – perguntou Leo.

-PARA DE FICAR FAZENDO PERGUNTAS. JÁ DISSE QUE EXPLICO DEPOIS!

Leo ficou calado, não imaginava que Emily era daquele jeito ignorante.

-NÃO SAIA DAQUI – ordenou Emily – Eu e Mike vamos pegar a adaga e já voltamos.

Leo assentiu quando os dois deixaram Leo sozinho morrendo de medo atrás do arbusto. Leo estava ficando doido, quase desmaiando. O que é isso tudo? pensava ele. “Fantasmas” estavam atacando sua escola, ele tinha falado com Emily pela primeira vez e agora ela estava lutando com Mike contra os “fantasmas”. Leo arriscou um olhadinha rápida por cima do arbusto, mas um raio de luz azul passou e quase o acertou, Leo desviou e o raio acertou a árvore atrás dele. A árvore ficou com um buraco no lugar onde o raio acertou. Mesmo assim, Leo olhou novamente, nada passou por ele, mas não conseguia localizar Emily nem Mike, ficou preocupado, se eles tivessem sumido os “fantasmas” viriam atrás dele.

Por sorte, Emily e Mike apareceram atrás de Leo.

-CONSEGUI, PEGUEI A ADAGA! AGORA VAMOS, PRECISAMOS SAIR DAQUI!

Leo viu a adaga de relance, a lâmina era azul como os olhos de Leo. Não conseguiu ver o resto dela, pois sentiu uma dor muito forte nas costas ossudas. Caiu instantaneamente no gramado do pátio da escola. Ele se contorcia de dor arrastando-se como uma minhoca no chão. Mike ajoelhou-se a seu lado e perguntou:

-O QUE FOI?

Leo não conseguiu responder, só conseguiu emitir uns ruídos sem sentidos pela boca que espumava.

-EMILY, VAI LOGO – disse Mike.

Emily estava de costas para Leo e ele não conseguiu ver o que estava fazendo.

-ESTOU TENTANDO! – respondeu ela.

Os fantasmas estavam vindo na direção deles. Emily falava em uma língua esquisita e Mike tentava afastar os fantasmas, mas não estava dando conta sozinho de tantos.

-ABRE LOGO ESSE PORTAL! – gritou Mike.

-ESTOU QUASE LÁ, ESPERE SÓ MAIS UM POUQUINHO!

Foi a última coisa que Leo ouviu. Ele apagou depois disso e parou de se contorcer.

A aula terminou. Leo, Mike, Philip e seus amigos foram até a sala do diretor no segundo andar da escola. Peter voltou pra casa sozinho, disse que ia contar a Lily o que aconteceu e que Leo não poderia voltar a tempo para a entrevista com o casal.

-Estou muito decepcionado com vocês – disse o diretor – Todos irão tomar um advertência e ficarão na detenção até o final da tarde.

-O QUE? POR QUÊ? – esbravejou Philip – EU NÃO FIZ NADA, ESSE IDIOTA QUE COMEÇOU, EU SÓ ME DEFENDI.

-Chega de graçinhas Philip. Sei muito bem que você não é flor que se cheire e fica atormentando o garoto. Então, como eu disse, TODOS vocês ficarão na detenção.

Eles se dirigiram à salinha ao lado que era destinada à detenção. E para o azar de Leo, o professor que estava lá hoje era o Sr. Crowe.

A sala de detenção era como uma sala de aula comum, com cadeiras enfileiradas e uma lousa na parede em frente às carteiras. Só havia três pessoas lá, um nerd do primeiro ano do ensino médio que estava chorando, provavelmente por nunca ter ido à detenção, uma garota rebelde do terceiro ano que Leo só via na detenção e o professor.

-Olha só quem está aqui, se não é meus alunos preferidos! Vejo que encontrou sua mochila Leonard, ou o que sobrou dela, o que aconteceu? – perguntou o Sr. Crowe.

-Não é da sua conta seu intrometido – respondeu Leo com sequidão.

-Mas que ignorância! Parece que vamos nos divertir muito hoje.

O Sr. Crowe passou um trabalho de biologia sobre o assunto que eles haviam estudado hoje valendo 70% da média semestral deles. Leo não sabia nada, pois havia dormido na aula então preferiu não fazer. Mike também não quis fazer e ficaram conversando durante toda a detenção. O Sr. Crowe não reclamou, pois era exatamente isso que ele queria, seus alunos “preferidos” com média baixa.

Ficaram conversando por muito tempo sobre coisas sem importância nenhuma, até que Mike perguntou sobre Emily. Ele era o único que sabia da paixão de Leo, não tinha contado nem para Peter.

-Ela me deu sorriso hoje no ônibus – respondeu Leo com sinceridade.

-Isso é ótimo. Talvez ela esteja gostando de você — comentou Mike.

-É, talvez sim, mas eu acho que não, nem sei se foi mesmo pra mim – mentiu Leo que tinha ficado com vergonha.

-Pare de ser modesto, foi mesmo pra você, você está mentindo. Sei que está. Mas em uma coisa você tem razão, talvez isso não signifique nada mesmo, foi só um sorriso, não quero que tenha falsas esperanças e depois se magoe.

-Fiquei tão feliz, mas não vou ter falsas esperanças. Você teria que me aguentar falando sobre ela o dia inteiro.

-Não quero nenhum pouco que isso aconteça.

Os dois sorriram e esqueceram o assunto. O que fez Leo se lembrar do objeto misterioso que encontrara. Ficou em dúvida se deveria contar isso a Mike, mas decidiu contar, pegou a “varinha” na mochila suja e a mostrou pra Mike, ele fez uma expressão estranha de como soubesse que isso ia acontecer misturado com medo.

-Leo, me escute, isso é muito importante. Não se separe disso, cuide dele com se fosse outra metade sua. Más coisas estão por vir, tome cuidado– comentou Mike.

-Sim, tudo bem. Mas por que toda essa preocupação? O que vai acontecer?

-Me desculpe Leo, mas não posso contar agora, o importante é que não se separe disso de jeito nenhum. Vou te deixar no orfanato quando sairmos daqui, lá você vai estar seguro.

A conversa continuou por mais algum tempo onde basicamente Leo fazia várias perguntas a Mike, mas sem sucesso algum.

Finalmente a detenção acabou, já eram 18h00min, Leo prometeu que estaria em casa às 13h00min. Mike acompanhou Leo até o orfanato, andava olhando pra trás toda hora, meio distraído na conversa, andava rápido, estava apavorado. Até que chegaram ao orfanato e finalmente Mike disse mais alguma coisa:

-Entre logo Leo. Preciso ir agora.

Leo entrou no orfanato e foi recebido com um abraço de Lily.

-Oh Leo, está tudo bem? – perguntou Lily preocupada – Peter me contou o que aconteceu, como foi se meter numa briga?

-Me desculpe Lily, não queria deixá-la preocupada. Um garoto começou a falar dos meus pais e eu não aguentei, parti pra cima dele.

-Tudo bem querido, o importante é que você está bem – disse Lily apertando-o ainda mais no abraço.

-E... me desculpe também pela entrevista. Eu realmente queria vir, mas... mas..

-Tudo bem, eles foram embora quando disse que tinha 13 anos. Mas não fique chateado, tenho certeza que vai aparecer alguém para adotá-lo.

-Confio em você Lily!

-OH Meu Deus, o que aconteceu com sua mochila? – disse Lily quando percebeu aquela sujeira toda.

Leo deu a mesma desculpa que deu à senhorita Margareth.

-Coitado do meu bebê. Ande, me dê ela para lavar, amanhã de manhã já estará seca.

-Obrigado.

Ela sorriu e lhe deu tapa de brincadeira no traseiro de Leo mandando ele tomar banho e descer para jantar e que fosse breve, senão seus “irmãos” iriam comer toda a comida. Leo o fez e quando desceu encontrou Lily dando comida para Karol, uma bebê de 1ano que os pais deixaram ali para ser cuidada alegando voltar para buscá-la quando tivessem condições de cuidá-la.

-Já estou terminando aqui, espere um pouco e sirvo o jantar para você – disse Lily com aquele tom de voz doce que Leo adorava.

-Obrigado, mas não precisa. Posso me servir sozinho – disse Leo com um sorriso e se encaminhando para a cozinha.

Sentou-se a mesa para jantar, mas nem tocava na comida. Lily percebeu a preocupação e perguntou :

-Está tudo bem querido? Você parece estar preocupado.

-Não, estou bem, só tenho muito dever de casa – disse Leo escondendo o verdadeiro significado de sua preocupação.

Terminou de jantar e subiu para seu quarto que dividia com mais 3 crianças do orfanato, uma delas era Peter. Numa coisa ele não mentira, tinha realmente muito dever de casa, passou boa parte da noite fazendo os deveres. Tinha até esquecido das coisas estranhas que Mike falara pra ele, mas quando se deitou para dormir os pensamentos retornaram a sua mente, demorou um pouco para pegar no sono, mas finalmente conseguira.

O sono de Leo não foi tranquilo como ele imaginava que iriam ser. Teve sonhos esquisitos que lhe fazia acordar toda hora. Parece uma coisa normal, mas o sonho era tão real que quando acordava estava todo suado. O sonho se repetia várias vezes.

Era o seguinte: Um casal, aparentemente casados, estava trabalhando num laboratório e pareciam empenhados em uma coisa que não dava pra ver. A mulher era bonita com cabelos loiros e o homem era alto, forte com cabelos tão negros quanto os de Leo. Uma criança recém-nascida chorava incessantemente no berço ao lado deles. Leo achou estranho um berço num laboratório, mas não deu muita atenção para isso. Enfim, um homem de cabelos lisos e negros e com olhar implacável aparece, ele ataca o casal com feitiços poderosos que emitiam raios de luzes ofuscantes, eles se envolveram numa espécie de duelo mágico. Leo não conseguia entender o que estava acontecendo, só escutava gritos agonizantes da mulher e a voz estrondosa de seu companheiro dizendo: ”SAIA, NÃO VAI CONSEGUIR O QUE QUER E TODOS MORREREMOS AQUI!”. A voz do outro homem respondeu: ”DESDE QUE VOCÊS E ESSA CRIANÇA MORRAM, NÃO ME IMPORTO DE MORRER TAMBÉM. VOCÊS NÃO SABEM O QUE ESTÃO FAZENDO, ESSA CRIANÇA PODE SER NOSSA DESTRUIÇÃO!” Outra pessoa aparece, Leo não conseguiu ver seu rosto, porque quando ele aparece uma luz branca muito forte clareia a sala e o teto desaba. Depois disso Leo acordava e não conseguia saber o final do sonho, mas tinha a sensação de que aquilo realmente aconteceu, o sonho fora muito real, não tinha como ser mentira.

PI!PI!PI!. Leo nunca ficou tão feliz de ouvir esse barulhinho irritante. Dessa vez levantou rápido, não queria ficar nem mais um minuto naquela cama. Estava se sentindo diferente, exatamente como Mike disse, como se uma outra metade dele estivesse de volta, se sentia completo, estranhamente poderoso e preenchido como se pudesse fazer qualquer coisa.

Desceu depressa e quase caiu quando chegou ao pé da escada.

-O que aconteceu para acordar com tanta disposição hoje? Que milagre! Parece que quer ir para a escola – disse Lily surpresa que preparava o café da manhã.

Leo não respondeu só se sentou à mesa e começou seu café com Peter ao seu lado tagarelando coisas sobre o que aconteceu ontem. Não estava com fome, só queria conversar com Mike o mais rápido possível. Quando estava terminando de comer, a campainha tocou.

-Quem será a essa hora? – murmurou Lily se dirigindo até a porta.

E ainda bem, era Mike. Leo ficou tão feliz que saiu correndo deixando o resto do café.

-Ah é você Mike, entre, por favor – disse Lily sendo educada.

-Obrigado Lily, mas só vim para buscar Leo, marcamos de irmos juntos à escola hoje – disse Mike.

-AH claro, tudo bem, você pode esperar enquanto ele termina de comer.

-Não será necessário Lily, temos que chegar um pouco mais cedo hoje na escola, vamos estudar para a prova de inglês hoje – disse Leo se apressando para sair.

Mike fez uma careta esquisita, não tinham prova de inglês hoje, mas logo pareceu entender que Leo queria falar com ele.

-Só preciso trocar de roupa – disse Leo

-Não precisa não! Precisamos ir logo!

-Eu não vou pra escola de pijama – disse Leo – É rapidinho.

Leo subiu as escadas e depois de um curto período de tempo desceu-as na mesma velocidade que subiu.

-Tenha cuidado vocês dois – disse Lily quando Leo já estava saindo pela porta.

-Pode deixar Lily, teremos cuidado – assegurou-a Mike.

-Só espere eu pegar sua mochila... – disse Lily, mas os garotos já tinham saído e não escutaram o que ela disse.

Ao tomarem uma distância considerável do orfanato de maneira que Lily não pudesse escutá-los Leo gritou meio nervoso com Mike:

-O está acontecendo? Um monte de coisas estranhas aconteceram desde que encontrei aquele... aquele, ah não sei o que é aquilo e talvez não importe. Talvez você esteja me enganando só pra me deixar doido com todas essas coisas. Exijo explicações!

-Calma, todas as suas perguntas serão respondidas. Mas o que você quis dizer com um monte de coisas estranhas aconteceram?

-Tive uns sonhos estranhos ontem à noite, eles se repetiam sem parar, era o mesmo sonho.

-Conte-me sobre esse sonho.

Leo contou todo o sonho para Mike, desde o casal trabalhando até o homem que aparecia no final do sonho.

-Imaginei que isso fosse acontecer.

-O QUE? VOCÊ SABIA E NÃO ME DISSE NADA? – gritou Leo furioso com o amigo.

-Não precisa ficar nervoso, já disse que suas perguntas vão ser respondidas em breve. Agora precisamos encontrar Emily – disse Mike e depois fez um cara de arrependido como se não tivesse que dizer isso.

-Emily Collins? Você sabe que sou apaixonado por ela e você quer se encontrar com ela? Grande amigo você é!

Mike não conseguiu conter um sorrisinho. E disse em meio às risadas:

-Não é nada disso. Não estou interessado na Emily.

-Você acha que sou bobo?

Mike riu ainda mais.

Mas essas risadas não duraram muito. Seus risos foram convertidos em espanto. Eles chegaram à escola.

Leo ficou espantado, uns monstros estranhos vagavam pelo pátio da escola, pareciam fantasmas. Isso mesmo FANTASMAS no pátio da escola. A cabeça de Leo girava, parecia que ia explodir, estava muito confuso. Ninguém parecia notá-los os fantasmas por ali, as pessoas caminhavam normalmente como se nada estivesse acontecendo, algumas até atravessavam os fantasmas. Eles eram como pessoas normais, vestidos normalmente, aparentemente saudáveis, mas eles não andavam, eles flutuavam, eram semi-transparentes.

-Droga! – murmurou Mike — Eles já estão aqui! Vamos. CORRE! Temos que nos esconder.

-O QUE SÃO AQUELAS COISAS?

Mike não respondeu e eles se esconderam atrás de uma moita ali perto.

- Onde está Emily? – perguntou Mike.

Uma voz doce ecoou atrás deles. Uma voz relaxante que poderia te convencer a fazer qualquer coisa.

-Procurando por mim?

Era ela! Emily Collins. Estava linda apesar dos arranhões no rosto e o suor. Leo nunca estivera tão perto dela, pôde sentir sua respiração ofegante sobre seu rosto, o hálito dela era bom, ao contrário do de Leo que saiu tão apressado do orfanato e se esqueceu de escovar os dentes, o hálito de Leo tinha cheiro de café então preferiu não falar nada até que estivessem a uma distância considerável.

-OI – disse Leo envergonhado.

Ela não respondeu ao “OI” de Leo, falou com sequidão:

-Vocês demoraram. Sempre fico com a parte mais difícil. Esse seu amiguinho é um covarde.

Essa última frase foi dirigida a Leo. Emily tinha chamado Mike de covarde, sinal de que não eram namorados. Por um momento Leo se sentiu culpado por ter gritado com Mike.

-Leo teve que trocar de roupa – disse Mike.

Leo não estava entendendo mais nada. Por que ela estava toda suja. Quem eram aquelas pessoas, ou melhor, fantasmas.

-Ninguém vai me dizer nada? O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

-Agora não Leo, explicamos tudo depois. Precisamos pegar a adaga daquele bicho – disse Emily apontando um fantasma com a cabeça.

-Moleza. Deixa comigo! – disse Leo na esperança de conseguir e Emily ficar orgulhosa.

Ele se levantou para correr atrás do fantasma, mas Emily o puxou pela gola da camisa.

-Você ficou maluco? Aquelas coisas podem te matar!

-Mas elas não são fantasmas?

-Nunca vi fantasmas que lançam feitiços na gente!

-O QUE? FEITIÇOS? DO QUE VOCÊS ESTÃO FALANDO?

-Você não contou NADA pra ele? – perguntou Emily para Mike.

-Você disse que não era pra contar nada – respondeu Mike.

-TÁ BOM. Agora vamos pegar a adaga!

-QUE ADAGA É ESSA? – perguntou Leo.

-PARA DE FICAR FAZENDO PERGUNTAS. JÁ DISSE QUE EXPLICO DEPOIS!

Leo ficou calado, não imaginava que Emily era daquele jeito ignorante.

-NÃO SAIA DAQUI – ordenou Emily – Eu e Mike vamos pegar a adaga e já voltamos.

Leo assentiu quando os dois deixaram Leo sozinho morrendo de medo atrás do arbusto. Leo estava ficando doido, quase desmaiando. O que é isso tudo? pensava ele. “Fantasmas” estavam atacando sua escola, ele tinha falado com Emily pela primeira vez e agora ela estava lutando com Mike contra os “fantasmas”. Leo arriscou um olhadinha rápida por cima do arbusto, mas um raio de luz azul passou e quase o acertou, Leo desviou e o raio acertou a árvore atrás dele. A árvore ficou com um buraco no lugar onde o raio acertou. Mesmo assim, Leo olhou novamente, nada passou por ele, mas não conseguia localizar Emily nem Mike, ficou preocupado, se eles tivessem sumido os “fantasmas” viriam atrás dele.

Por sorte, Emily e Mike apareceram atrás de Leo.

-CONSEGUI, PEGUEI A ADAGA! AGORA VAMOS, PRECISAMOS SAIR DAQUI!

Leo viu a adaga de relance, a lâmina era azul como os olhos de Leo. Não conseguiu ver o resto dela, pois sentiu uma dor muito forte nas costas ossudas. Caiu instantaneamente no gramado do pátio da escola. Ele se contorcia de dor arrastando-se como uma minhoca no chão. Mike ajoelhou-se a seu lado e perguntou:

-O QUE FOI?

Leo não conseguiu responder, só conseguiu emitir uns ruídos sem sentidos pela boca que espumava.

-EMILY, VAI LOGO – disse Mike.

Emily estava de costas para Leo e ele não conseguiu ver o que estava fazendo.

-ESTOU TENTANDO! – respondeu ela.

Os fantasmas estavam vindo na direção deles. Emily falava em uma língua esquisita e Mike tentava afastar os fantasmas, mas não estava dando conta sozinho de tantos.

-ABRE LOGO ESSE PORTAL! – gritou Mike.

-ESTOU QUASE LÁ, ESPERE SÓ MAIS UM POUQUINHO!

Foi a última coisa que Leo ouviu. Ele apagou depois disso e parou de se contorcer.