Lembranças de Nós Dois
16 Dress
Notas iniciais
🌙 Capítulo 16 — Dress
A contagem regressiva para o Baile de Primavera de Forks não era apenas uma data no calendário escolar; para Alice Brandon, era uma missão tática de nível governamental. O corredor principal da escola fora transformado em um canteiro de obras de tule, glitter e cartazes feitos à mão que anunciavam o tema "Uma Noite sob as Estrelas". Alice movia-se entre os grupos de alunos com uma prancheta que parecia uma extensão de seu braço, coordenando desde a cor das gardênias até a intensidade dos refletores. Bella, por outro lado, sentia-se como se estivesse observando um furacão de categoria cinco de dentro de uma redoma de vidro.
— Bella, se você sugerir usar aquele seu tênis surrado com o vestido que eu escolhi, eu juro que peço ao Jasper para te carregar no colo a noite inteira! — Alice exclamou, surgindo de trás de uma pilha de caixas de decoração.
— Eu só quero chegar viva ao final da noite, Alice. Sem quedas dramáticas, de preferência — Bella riu, enquanto Alice já começava a listar os horários para cabelo, maquiagem e "sessão de fotos obrigatória na escada dos Cullen". Para Alice, o baile era o ápice; para Bella, era apenas a moldura perfeita para o que ela e Edward haviam construído: uma realidade onde o tempo parecia curvar-se apenas para os dois.
A verdade era que o envolvimento entre Bella e Edward atingira um ponto de combustão onde a prudência era uma memória distante. Eles haviam se tornado viciados um no outro — no toque elétrico, no cheiro de floresta e chuva, no jeito como o silêncio entre eles se tornava uma conversa íntima e perigosa. No meio de uma terça-feira chuvosa, entre uma aula de Cálculo e a de Sociologia, Edward puxou-a para dentro do armário de limpeza do terceiro andar, fechando a porta com um chute e prendendo-a contra as prateleiras de galões de detergente e esfregões.
O espaço era minúsculo, escuro e cheirava a pinho, mas o calor que emanava de Edward era a única coisa que Bella sentia. As mãos dele subiram para o seu rosto, os dedos mapeando sua mandíbula com uma urgência que fazia os joelhos de Bella vacilarem.
— Você está me deixando louco, Swan — ele sussurrou contra o seu pescoço, a respiração quente provocando arrepios que desciam por sua coluna.
As mãos de Bella perderam-se sob a jaqueta dele, sentindo os músculos das costas de Edward contraírem-se sob o seu toque. O beijo foi profundo, faminto e imprudente, o tipo de beijo que ignora o risco de um zelador abrir a porta a qualquer segundo. No meio daquela urgência deliciosa, Edward parou por um instante, a testa encostada na dela, os olhos verdes brilhando na penumbra.
— Bella... você já foi a um motel? — ele perguntou, a voz rouca, carregada de uma intenção que fez o coração dela disparar.
Bella soltou uma risada baixa, uma nota de incredulidade genuína. — Edward, eu era virgem até quatro meses atrás. Quando exatamente você acha que eu teria ido a um motel? Fugindo com um namorado imaginário nas férias de verão?
Edward sorriu, um sorriso que era metade adoração, metade desejo puro. Ele a beijou novamente, mais lento dessa vez. — Pois no dia do baile, você vai dizer ao seu pai que vai dormir na Alice. E nós vamos para o Olympic Peak Inn. Eu quero uma noite inteira com você. Sem pressa, sem o Xerife no andar de baixo, sem livros de biografia de cabeça para baixo. Só nós dois.
A promessa de um futuro, mesmo que fosse apenas um futuro de poucos dias, parecia a coisa mais sólida do mundo para Bella. Ela assentiu, selando o acordo com um beijo que prometia tudo o que as palavras não conseguiam descrever.
A saída do armário, no entanto, foi recebida pelo choque gelado da realidade. Tanya Denali estava encostada nos armários em frente, observando-os com um sorriso que não chegava aos olhos — um sorriso de quem guarda uma lâmina atrás das costas.
— Ora, se não é o casal do ano saindo das sombras — Tanya disse, a voz destilando uma falsa doçura. — Você parece radiante, Bella. Deve ser maravilhoso se sentir tão... valorizada.
Bella franziu a testa, ajeitando o moletom. — O que você quer, Tanya?
— Oh, nada. Só estou admirando a dedicação do Edward. — Ela virou-se para ele, os olhos brilhando com uma malícia cortante. — Diga-me, Cullen, você já recebeu o seu prêmio ou a Bella ainda é um investimento de longo prazo? Algumas pessoas fariam qualquer coisa por dois mil dólares, mas você parece estar realmente se esforçando para ganhar o bônus de desempenho.
Bella olhou para Edward, confusa. — Do que ela está falando? Que bônus?
Edward sentiu o chão desaparecer sob seus pés. O pânico subiu por sua garganta como bile, mas ele forçou uma expressão de tédio. — Ela está delirando, Bella. O pai dela cortou a mesada e ela está projetando as frustrações financeiras nos outros. Vamos.
Tanya riu, um som seco e cruel, enquanto os via se afastar. — Aproveite o baile, Bella! Algumas histórias são tão caras que a gente só percebe o preço quando a conta chega!
A tarde de sábado foi dedicada ao ritual sagrado da compra dos vestidos em Port Angeles. Alice estava em seu elemento, transformando a loja de noivas e festas em seu quartel-general pessoal. Entre fileiras de cetim e seda, Bella finalmente encontrou o que procurava: um vestido azul-marinho profundo, de alças finas e tecido fluido que parecia Daylight derretido sob o luar.
— Oh, meu Deus. Bella, você vai matá-lo — Alice sussurrou, observando a amiga diante do espelho. — O Edward não vai conseguir respirar.
Bella olhou para o próprio reflexo e, pela primeira vez, sentiu-se como a protagonista daquela música que Alice vivia cantarolando. Ela tirou uma foto rápida no espelho e enviou para Edward. A resposta veio em segundos, apenas uma frase que fez Bella sorrir como uma boba: "Eu não mereço você, mas vou passar o resto da vida tentando merecer."
Enquanto as garotas celebravam em Port Angeles, o clima na mansão dos Cullen era de um funeral iminente. Edward andava de um lado para o outro na sala de jogos, enquanto Emmett e Jasper o observavam com expressões sombrias.
— Ela sabe, Emmett. A Tanya sabe de tudo — Edward explodiu, chutando um banco de madeira. — Ela jogou na cara da Bella hoje no corredor. Por sorte, a Bella é pura demais para entender aquela maldade, mas quanto tempo isso vai durar?
Emmett passou a mão pelo rosto, a culpa finalmente pesando em seus ombros largos. — Cara, aquilo foi uma idiotice. Eu nunca achei que vocês iam... sabe? Eu achei que era só uma brincadeira de duas semanas. Eu tentei parar a Tanya, mas ela está possuída.
— "Brincadeira"? — Edward rosnou, parando na frente de Emmett. — Ela ama em mim alguém que nem deveria existir, Emmett! Ela me deu tudo, e a base de tudo isso é uma aposta imunda que eu não tive coragem de confessar. Se ela descobrir por outra pessoa...
— Ela vai descobrir — Jasper interrompeu, a voz calma e fria como uma sentença. — O sentimento de Tanya é de vingança. Ela não quer apenas o dinheiro; ela quer ver o que vocês construíram ser destruído. Edward, você precisa contar. Antes do baile.
— Não posso — Edward sussurrou, desmoronando em uma cadeira. — O baile é a única noite de normalidade que ela vai ter. Eu quero dar a ela essa noite perfeita. Depois... depois eu conto tudo. Eu juro.
Jasper olhou para o irmão com uma piedade infinita. Ele sentia a tragédia se aproximando, o rastro de fumaça antes do impacto. — Você está jogando com o tempo, Edward. E o tempo é um mestre cruel.
Bella adormeceu naquela noite com a ponta dos dedos ainda sentindo a textura fluida do vestido azul-marinho, como se ao tocar o tecido ela pudesse tatear o próprio futuro. Em sua mente, o Baile de Primavera não era apenas uma festa escolar, mas o portal para a liberdade que Edward havia prometido; ela podia quase sentir o cheiro de pinho da estrada em direção ao motel, o calor da pele dele e a promessa de uma noite onde o mundo finalmente pertenceria apenas aos dois. Ela sonhava com o brilho das estrelas refletido nos olhos verdes de Edward, sem saber que, do outro lado da cidade, ele encarava a mesma foto no celular com o peito esmagado por uma culpa sufocante. Enquanto Bella abraçava a esperança de uma vida nova, Tanya Denali relia as mensagens da aposta com um sorriso gélido, aguardando o momento em que a música estaria no ápice para estilhaçar aquele teto de vidro. A falsa sensação de futuro brilhava como ouro sob a luz do luar, ignorando que o cronômetro da tragédia já havia começado a sua contagem final.
Fale com o autor