A notícia caiu como uma pedra no pequeno escritório particular do Rei. Aria reuniu Caelum, Catarina e Julian, fechando a porta com um olhar que silenciou qualquer tentativa de conversa trivial. Com a voz baixa e o semblante sério, ela relatou a verdade sobre a noite no quarto de Arthur.

​O silêncio que se seguiu foi pesado.

​Caelum levantou-se abruptamente, a mão indo direto para o cabo da espada por puro instinto, o rosto vermelho de uma mistura de vergonha e autoridade ferida.

— Ela fez o quê? — sibilou o Rei. — Entrar nos aposentos de um homem, naquele estado... Pelos deuses, Catarina, nós falhamos com ela! Eu vou agora mesmo àquele quarto e...

​— Não — interrompeu Aria, colocando-se à frente da porta. — Você não vai a lugar nenhum, Caelum. Nem você, nem Julian.

​Julian, o Duque de Valória, estava com a cabeça baixa, as mãos cobrindo o rosto. O choque de saber que a sobrinha que ele tanto amava havia colocado o seu próprio filho em uma posição tão desonrosa o deixou sem palavras.

— Meu filho... — murmurou Julian. — Ele deve estar se sentindo traído. Ele voltou para nos proteger e foi recebido com esse tipo de desrespeito.

​Catarina era a única que permanecia sentada. Seus olhos estavam fixos na lareira, a expressão de uma frieza cortante. Ela não estava surpresa com a rebeldia da filha, mas a gravidade do ato — o risco que Siena correra e a carga que colocara sobre Arthur — a atingiu profundamente.

— Arthur agiu como um homem de verdade — disse a Rainha, sua voz saindo como uma lâmina. — Outro no lugar dele poderia ter aproveitado a situação, e estaríamos discutindo um escândalo muito pior agora.

​— Por isso mesmo — continuou Aria, olhando firmemente para cada um deles. — Arthur me contou tudo. Ele está ferido, está com raiva, mas ele também está protegendo o que resta da dignidade dela. Se vocês interferirem agora, se transformarem isso em uma bronca real ou um castigo de Estado, vão quebrar o pouco que resta da confiança entre os dois.

​— Ela precisa ser punida, Aria! — protestou Caelum. — Como Rei, eu não posso ignorar...

​— Como pai, você deve confiar no homem que Arthur se tornou — rebateu Aria. — Deixem que eles resolvam. Arthur sabe o que ela precisa ouvir, e Siena... Siena só vai ouvir a ele agora. Qualquer palavra nossa será apenas barulho. O silêncio do Arthur já fez mais por ela do que todas as suas ordens nos últimos anos.

​Catarina levantou-se e tocou o ombro do marido, acalmando-o.

— Aria tem razão. Se entrarmos lá agora, Siena se fechará em sua armadura de princesa rebelde. Mas com Arthur... ela está nua, sem defesas. Deixe que o Falcão cuide da Loba. É a única chance de salvarmos o que resta desse vínculo.

​Julian concordou com a cabeça, embora o olhar de tristeza permanecesse. Caelum, após um longo suspiro de frustração, sentou-se novamente, rendendo-se à sabedoria das mulheres da família.

​A decisão foi tomada: as portas do quarto de Siena permaneceriam fechadas para os Reis e Duques. O destino da herdeira de Astúria agora repousava inteiramente sobre a disciplina e a misericórdia de Arthur. E, no silêncio do corredor, todos esperavam que o Falcão decidisse, finalmente, descer de seu voo solitário.