Legado

5 Capítulo 5


Eles já haviam perdido a noção do tempo. Naquele lugar não havia dia ou noite, Sol ou chuva. Tudo era do mesmo jeito. Dante sentia falta de casa, das loucas amigas, da comida que a Kirye fazia o Nero levar para ele. Já estava enjoado de seguir o irmão e tentar trazê — lo mais para a fronteira do inferno ao invés de segui — lo para as profundezas:

—Verg.

—Hum. — O mais velho olhou para o irmão.

—Não esta na hora de procurarmos um jeito de voltarmos?

—Se quer voltar eu dou um jeito para você, eu não tenho intenção alguma de sair daqui.

—Mesmo com o Nero lá fora e sabendo que pode ver a Agnes novamente?

—Eles estão bem sem mim.

—Irmão, eu que não estou bem sem você. Cara, quando você vai entender que é importante pra mim?

—Dante, sem sentimentalismo. Isso não combina conosco.

—Você é o idiota mais sentimental que eu conheço. Fica querendo atenção e não sabe lidar com isso. Volte comigo, e você vai viver uma vida parecida se não melhor que a minha.

—Isso é ridículo.

—Vamos apostar?

—O que quer apostar?

—Que tal ingressos para um show da Agnes? Com direito a levar o Nero para conhecer a mãe.

—Você vai perder mesmo, então por mim tudo bem. — Vergil se rendeu.

De repente uma borboleta branca surgiu a frente dos gêmeos que observaram a criatura surpresos. Dante estendeu uma mão a direção da criatura que pousou graciosamente. Assim que a criatura tocou Dante, ele imediatamente ouviu uma voz dizendo “encontrei”. Ele olhou para o irmão surpreso:

—Ouviu isso? — Dante perguntou.

—Isso o que? — Vergil observou a borboleta que era um tanto diferente de qualquer uma que ele tivesse visto.

—Assim que ela me tocou, eu ouvi alguém falando.

—Esta ficando louco. — Vergil não conseguia tirar os olhos da criatura, a energia que aquele ser emanava era familiar, mas ele não sabia de onde ele reconhecia.

—Não, ele não esta ficando louco. — A voz de Nero ecoou assustando os gêmeos. — Seus babacas, por que se distanciaram tanto da fronteira?

—Nero? — Dante perguntou surpreso.

—Sim, sou eu. Agora me ouve, eu encontrei um jeito de tirar vocês daí, preciso que fiquem o mais próximo possível da fronteira.

—Que fronteira moleque, aqui é um deserto sem fim.

—Sigam a borboleta, quando ela parar esperem no local.

—Isso não é seguro, outros demônios podem querer passar conosco. — Vergil falou.

—Problema de vocês. Arrumem um jeito de ficarem sós e protejam a borboleta. — Nero sentenciou.

—Espere Nero, podemos confiar nisso? — Dante olhava para a borboleta com expectativa, mas a resposta não veio. — O que acha?

—Acho uma besteira. Mas não temos nada melhor para fazer do que seguir uma borboleta. — Vergil riu de seu comentário seguido pelo irmão mais novo.

—Vamos então. — Dante se levantou. — Não vejo a hora de poder voltar para casa e comer uma pizza quentinha com muita mussarela derretida.

—Confesso que sinto falta de tomar um bom café preto.

—Quando vai me contar de onde arrumou tanto dinheiro para o V pagar os meus serviços?

—Bem...assim que eu recebi minha parte humana novamente as lembranças dele voltaram… — Vergil pareceu estar sem graça. — Ao que parece, por desespero, ele andou pegando algum dinheiro emprestado a força.

—Você só fez o que achava certo. Mesmo que tenha destruído uma cidade inteira e matado milhares de pessoas. — Dante gargalhou.

—Se eu disser que me arrependo disso, eu estaria mentindo. Foi graças a todas essas loucuras que cometi que agora estamos aqui reunidos sem querer nos matarmos.

—Até que enfim você entendeu.

Os irmãos seguiram a borboleta por um tempo considerável, até que a mesma parou a frente de uma enorme parede de pedra. Os gêmeos Sparda olharam para cima, onde puderam verificar que a parede era muito mais alta que a vista podia alcançar. Em seguida os dois se olharam tendo o mesmo pensamento:

—Nem fudendo que eu vou escalar isso. — Dante reclamou.

—Podemos voar até lá. — Vergil sugeriu. — Porém dependendo da altitude, podemos perder a transformação em uma altura considerável.

—Não estou afim de me quebrar hoje.

—Muito menos eu.

Os dois sentaram um ao lado do outro contemplando o céu cinzento e sem vida.