Legado
6 Capítulo 6
Agnes havia viajado para Fortuna e estava na casa de Nero e Kirye. Nero havia saído para buscar as amigas de Dante, e Kirye havia ido ao mercado para comprar coisas para abastecer a dispensa, já que a casa receberia muitas visitas. Acabou que a cantora ficou sozinha terminando algumas tarefas na cozinha. Coisa que a muito tempo não fazia.
Desde que ela havia encontrado o filho, ela havia adiado as agendas de gravação e shows para dar uma pausa de alguns meses na carreira, coisa que nunca havia feito, nem durante a gravidez. A água do chá havia esquentado e a cafeteira exalava o cheiro de café fresco, quando de repente Kairos se materializou a frente dela:
—Eles estão no ponto indicado. — O ser falou para familiar.
—Perfeito! Qual o próximo passo que temos de tomar? — Agnes parou o que fazia para prestar atenção nele.
—A lua cheia de hoje é perfeita para invocá — los, mas ela tem de estar perfeitamente alinhada com o meu portal. Os selos deles tem de estar um de cada lado do meu círculo, isso quer dizer que você vai estar numa ponta e as amigas do Dante do outro lado. Quem vai segurar o portal será somente o Nero.
—Algum risco?
—Nero é forte, vai conseguir. Caso ele não consiga só vai ficar preso junto do pai e do tio.
—Espero que isso não ocorra.
Agnes ouviu passos e logo a voz de Nero surgiu:
—Mãe, cheguei!
—Ei filho, tenho boas notícias. — Ela saiu da cozinha e foi até a sala, onde encontrou Nero acompanhado de três belas mulheres.
—Essas são as amigas do Dante: Lady, Trish e Lucia. — Nero apresentou.
—Bem vindas! — Agnes sorriu. — Eu sou Agnes, a mãe do Nero.
—Uau, a mãe do Nero é uma mulher famosa, Trish… — Uma morena de cabelos curtos falou de queixo caído.
—Eu imaginava que o Vergil tinha um nível alto para mulher, mas uma cantora famosa já é demais pra mim. — A loira falou sem disfarçar a surpresa.
—Quando nos conhecemos eu nem era tão famosa assim. — Agnes falou gentil.
—Eu conheci o Vergil, ele não me pareceu nada amistoso. Quando Dante me contou da desconfiança de Nero ser filho dele, eu nem cogitei isso, porque o cara quase me matou. — Lady confessou. — Não imagino humanidade nele.
—Ele é mais humano que vocês possam imaginar...Nero me contou que vocês tiveram um pouco de contato com o lado humano dele.
—Sim, mas definitivamente ainda era estranho. — Completou Trish.
—Acho que o certo do Vergil é que ele nunca soube se expressar com palavras, mas sim com ações.
—Como pode afirmar isso? — Lady indagou.
—O Nero esta aí para provar isso. — Agnes sorriu para o filho que ficou sem jeito ao receber os olhares das mulheres.
—Isso quer dizer que você é esposa dele? — Lúcia se manifestou.
—Não, eu fui apenas um caso passageiro, e só estou me esforçando para trazer ele e o Dante de volta por causa do meu filho. Dante se mostrou um cara incrível assumindo a responsabilidade de cuidar do meu garoto, eu tenho uma dívida enorme com ele.
—O Dante realmente é um cara incrível. — Lúcia concordou.
—O amor deixa as pessoas cegas. — Comentou Lady.
—Olha só quem fala. — Implicou Trish.
—Me respeita Trish.
—Esta claro que você gosta dele, só não admite isso.
—Nunca que vou gostar daquele idiota, preguiçoso, comedor de pizza, caloteiro e tenho uma infinidade de adjetivos pejorativos para ele. — Lady falou irritada.
—É, ela gosta dele. — Agnes observou.
—Já gosto de você Agnes. — Trish foi até o lado da morena que lhe sorriu.
—Eu aprendi isso com o Vergil, não sei se o Dante é assim, mas eu realmente já tive vontade de matá -lo, esquartejá — lo, torturá — lo e isso no pouco tempo que ficamos juntos. — A cantora confessou.
—Com o Dante é a mesma coisa. — Lady comentou e as outras duas concordaram.
—Lúcia, eu tenho a impressão de que já nos conhecemos. — Agnes falou.
—Agora que falou, acho que foi no evento de magia que a minha mãe ministrou alguns meses atrás. — A ruiva respondeu.
—A Matier?
—Sim, ela mesma.
—Bingo! Já achei minha ajudante. — Agnes sorriu animada. — Então meninas, Kirye deixou algumas coisas prontas para vocês comerem, vamos pra cozinha?
Nero só observou o grupo e balançou a cabeça em negativa. Naquele dia ele estava realmente ferrado com aquela mulherada toda em sua casa.
As horas foram passando e os gêmeos já tinham feito o que era possível para passar o tempo, até que eles ouviram a voz do Nero soar:
—Ei seu velhos, estão prontos para voltar? — Nero perguntou de pé no centro de um círculo com vários selos que foi desenhado cuidadosamente por Agnes e Lúcia.
—Como é que você vai fazer isso? — Dante perguntou se achando um idiota por falar com uma borboleta.
—Vamos invocar vocês. Ativem a forma demoniaca.
Sem muita opção, Dante e Vergil ativaram suas formas demoníacas. E imediatamente um buraco começou a surgir abaixo da borboleta e a forma demoníaca de Nero passou a surgir. Assim que o portal tomou um tamanho que o devil hunter poderia passar ele avançou, já podendo enxergar as amigas ao redor do sobrinho.
Foi depois de alguns passos que Dante percebeu que seu irmão não havia se mexido. Nero percebendo que o pai não havia saído do lugar, ele puxou Dante para fora, fazendo o tio tomar o lugar dele:
—Nero! — Uma voz desconhecida para Dante soou. — Volte!
—Tenho que chutar o otário do meu pai. — Nero gritou de volta já entrando no portal.
Vergil observou o filho vindo a sua direção e nem teve tempo de reagir. Nero o agarrou pelo braço e o atirou do outro lado do portal, saindo em seguida. O portal se fechou assim que ele atravessou e o círculo desapareceu imediatamente, o que fez as mulheres correrem até Dante para celebrarem a sua volta.
Um pouco mais distante, Vergil estava sentado no chão observando a cena, ele não havia notado as duas presenças ao lado dele:
—Vergil. — Nero chamou e o mais velho lhe direcionou atenção. — Bem vindo de volta.
—Por que me trouxe de volta? — Os olhos azuis gelo fuzilaram o mais novo.
—Porque você merece uma segunda chance e é minha responsabilidade cuidar de você. — O mais jovem falou sem jeito.
—Cuidar de mim? — Vergil riu de canto. — Que idade você acha que eu tenho?
—Idade suficiente para fazer mais merda se continuar sozinho. — Dante falou se aproximando com Lúcia agarrada a ele e as outras duas atrás. — Você não vai mais ficar sozinho, seu idiota. — Então o Sparda mais novo notou a bela mulher ao lado de Nero. — Quem é essa?
—Sou a mãe do Nero. Pode me chamar de Agnes, suponho que seja o Dante. — Agnes se aproximou e o cumprimentou com um aperto de mão.
—Cara, eu sou seu fã. — Dante sorriu. — Você é muito mais bonita pessoalmente.
—Obrigada pelo elogio e obrigada por cuidar do meu filho. Ele se tornou um homem maravilhoso.
—Ele é um bom rapaz, sorte que não herdou nada de mim e nem do babaca do pai. Talvez tenha herdado o seu jeito.
—Acho que ainda não encontrei nenhuma influência minha nele. — Agnes sorriu. — Mas estou adorando ele do jeito que é.
—Você é uma ótima mãe, sem sombra de dúvidas. Diferente do babaca ali que nem sabia que filho tinha. — Dante indicou Vergil que se mantinha no mesmo lugar observando o grupo.
—Eu tenho uma dívida com ele por ter me concedido meu único filho. Mas se alguém puder me emprestar algum tipo de arma para eu descontar a minha raiva, também estou aceitando. — A cantora falou gentil e recebeu a sugestão de armas de cada um dos presentes. — Vocês são uns amores.
—Não imaginei que nosso reencontro fosse assim...pode vir então. — Vergil se ergueu com um sorriso satisfeito.
—Você só entende isso Vergil. — Agnes tinha um tom irritado.
—Você me conhece tão bem, querida. — Ele empunhou a espada.
—Vergil, eu quero muito, mas muito mesmo, te matar. — Agnes pegou a espada de Nero sem dificuldade alguma e passou a atacar o antigo amante.
Mesmo humana, Agnes foi muito bem treinada em esgrima e golpeava Vergil com força e ele se defendia dos ataques dela sem dificuldades, porque conhecia muito bem o jeito dela lutar. O casal estava dando um show e tanto para o grupo que os observavam:
—Uau, eles são incríveis. — Lúcia comentou.
—E nós dois não somos? — Dante perguntou fazendo a ruiva corar.
—Esta explicado porque o Vergil a escolheu. — Lady comentou.
—Cantora famosa, bonita, rica, praticante de magia de alto nível e luta muito bem. Posso ter ela pra mim? — Trish perguntou.
—É impressão minha ou eles estão sorrindo? — Nero perguntou confuso.
—Estão. — A resposta veio do grupo.
—Isso quer dizer que eles se gostam?
—Provavelmente. — Dante respondeu. — Mas é óbvio que eles se gostam. Então, vamos para casa? Quero comer pizza e tomar uma cerveja bem gelada.
—Vamos. A van esta estacionada na rua. — Nero apontou a direção que havia deixado o carro e o grupo seguiu a direção apontada. — Mãe! Tome cuidado com a minha espada! — Ele gritou a direção do casal que ainda lutava.
—Certo! Eu logo encontro vocês em casa! — Agnes gritou de volta ao mesmo tempo se defendendo dos ataques de Vergil.
Vergil sentiu seu coração se derreter um pouco assim que ouviu Nero se referir a Agnes como mãe, e o fato dela ter mudado o tom para respondê — lo, deixou claro que os dois criaram um vínculo:
—Fizemos um belo trabalho. — Vergil falou chamado atenção dela.
—Acho que fizemos sim. — Agnes tomou distância e abaixou a espada. — Estamos sozinhos. Quer falar ou ouvir?
—Gostaria de tomar um banho e comer alguma coisa bem cozida. — Ele respondeu guardando a katana na bainha.
—Sorte sua que tem um hotel que pode atender os seus desejos aqui perto e eu posso pagar.
—Acho que vou ter que tirar meus documentos todos novamente…
—Vai sim, e vai aproveitar para ir com o Nero que esta trocando os documentos também.
—Por que? — Ele se aproximou dela.
—A certidão de nascimento dele agora tem o nosso nome, como pais dele.
—Feliz por isso. Tenho certeza que é uma ótima mãe.
—Agora estou tendo a oportunidade de ser mãe dele, mais de 20 anos procurando.
—Acho que estou em falta com você, me perdoe.
—Esta em falta mesmo. Nosso filho não teve ao menos uma mãe porque você não estava lá para nos proteger! Vergil, nosso filho foi levado por demônios e eu sai desesperada da cama, sangrando, para tentar reaver ele…
—Isso ocorreu durante o seu parto?
—Exatamente quando eu recebi o Nero nos braços e a parteira se ausentou. Quando eu sai do quarto, todos na casa estavam mortos e o local estava em chamas. — Agnes tinha um semblante triste. — Eu me lembro de ter pulado uma janela atrás do demônio que pegou o nosso garoto, mas eu ainda estava colocando a placenta pra fora e cansada do parto. Apaguei alguns metros depois.
— Eles não fizeram nada a você?
—Fui encontrada em uma poça de sangue, foi um milagre eu sobreviver já que tive uma hemorragia.
—Eu sei que dizer isso não vai mudar o passado, mas me perdoe Agnes. — Ele suspirou. — Coisas aconteceram e acho que agora eu posso enxergar melhor as besteiras que cometi.
—Faça por onde compensar esses erros. Vamos para o hotel. — A cantora ajeitou a espada na mão.
—Deixe — me levar isso para você. — Vergil tomou a espada das mão dela, que entregou a arma.
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